Investir deve ser chato

Vendo a grama crescer.

Investimento não é atividade social. Você não deveria se divertir investindo.

Investir não é jogo. Seu corpo não deveria liberar adrenalina, serotonina ou quaisquer outras substâncias ao praticar.

Investir é uma necessidade básica para todos que desejam construir algo para o futuro, para quem não deseja depender dos filhos, do governo ou de alguma instituição de caridade na velhice.

Investir é para toda vida, você pode até diminuir os investimentos na hora de começar a usufruir dos resultados de anos de dedicação, mas não deveria simplesmente consumir tais investimentos, mas sim, apenas os resultados regulares gerados por eles.

Investir é simples. Ou deveria ser. Acontece que a maioria das pessoas não sabe disso, e então, sofre com a paralisia devido ao excesso de opções. A grande verdade é que há diversos caminhos possíveis para se chegar a um mesmo resultado. O problema acontece quando não tomamos nenhuma decisão, ou pior, tomamos qualquer decisão e mudamos de ideia regularmente.

A cada troca de investimento, deixamos dinheiro na mesa na forma de antecipação de impostos, na forma de taxas, na forma de cobranças de novos cadastros. Os melhores resultados vem justamente da falta de movimento. De deixar o dinheiro crescer quieto, só somando novos depósitos ao valor que já está lá crescendo devagar e sempre.

O que faz diferença nos resultados é regularidade e tamanho dos aportes, e tempo. A fórmula dos juros compostos prioriza esses dois fatores. A rentabilidade é importante, claro, mas muito menos do que o valor investido regularmente e o tempo em que esses valores permanecem investidos.

Pense que se você obtém um lucro de 10% no ano, mas resolve mudar de investimento no ano seguinte, ao fazer essa troca e pagar 20% ou mais de imposto sobre seu lucro, o que realmente sobrou para reinvestir foi um lucro de 8%. O que seria melhor, deixar 100% do lucro rendendo onde estava, ou reiniciar um novo investimento com apenas 80% deste lucro? Mesmo que o novo investimento fosse um pouco melhor, quanto melhor teria que ser para compensar?

Investir deveria ser como ver a grama crescer.

Cresça de dentro para fora

Quando você está começando a investir, juntar até mesmo o mínimo necessário para uma reserva de emergência pode ser difícil, pode levar um bom tempo. Se você separar 10% do que ganha para formar esta reserva, ao longo de um ano você terá juntado apenas o valor de pouco mais que um mês de salário. Para chegar ao equivalente a seis meses ou até um ano de salário, levará vários anos.

Infelizmente, não há mágica. Você pode acelerar a formação de sua reserva de segurança planejando não depender do décimo terceiro salário para pagar suas contas e investir esse valor de uma só vez com este objetivo, ou destinar à reserva qualquer prêmio, bônus ou valor que ganhe inesperadamente.

Outra forma de atingir mais rapidamente o valor necessário para sua reserva de segurança é realizar pequenos trabalhos extras, em sua área ou em outras áreas onde você tenha as habilidades necessárias, direcionando todos os ganhos para este fim.

O importante aqui é notar que se você não tem ao menos esta reserva de segurança, perder tempo buscando investimentos que rendam mais é exatamente isso, perda de tempo.

Se a quantia que você tem para investir é muito pequena, um pequeno percentual a mais de rendimento sobre esse valor minúsculo significa um lucro extra na casa dos centavos.

Antes de conseguir juntar uma quantia considerável, use seu tempo para o auto-aperfeiçoamento, busque novos conhecimentos, se torne um funcionário melhor, aprenda uma função que remunere melhor.

Não há investimento melhor do que o investimento que nos permita ganhar mais do que já ganhamos com nosso trabalho. O melhor investimento sempre é o investimento em você mesmo. Ganhar mais ao longo dos próximos anos sempre lhe trará resultados muito melhores do que o melhor dos investimentos lhe possibilitaria.

Faça cursos e especializações, assista palestras, leia livros, viaje…

Cresça de dentro para fora.

Diversificação

Diversificação é para quem tem o que diversificar. No início, concentre seus esforços em um só investimento.

Enquanto tem pouco para investir, no período de formação de sua reserva de emergência, por exemplo, coloque todo seu capital em um só investimento seguro, tudo no Tesouro Selic, ou um fundo de renda fixa simples com taxa de administração baixa, indexado à Selic. Quando esta reserva contar com um valor suficiente, então sim comece a diversificar e comprar outros títulos ou ações de boas empresas.

Quando começar uma carteira diversificada com 10 ações, por exemplo, compre apenas uma empresa por mês, para economizar em taxas e poder investir uma quantia relevante em cada empresa. De nada adianta você querer diversificar e para fazer isso deixar metade do seu dinheiro em taxas e corretagem necessárias para tal diversificação. Buscar uma corretora que não cobre taxas também ajuda, mas ainda assim, para valores pequenos a diversificação não fará muito sentido. Diversifique, mas ao longo do tempo, a medida em que seu patrimônio vai crescendo.

Dar para receber

A vida é mais completa quando vivemos em comunidade. Pode ser que determinado momento seja mais complicado que outros, mas sempre que possível faça o que puder para tornar melhor o lugar em que vive.

Ajudar uma instituição de caridade, doar roupas que não usa mais. Dar esmola ou alimentos para quem precisa e pede nas sinaleiras. Tudo isso conta um pouquinho.

Vai além de doar dinheiro ou coisas. Cumprimentar porteiros, atendentes e mesmo desconhecidos que compartilham um elevador. Dar a vez no trânsito, segurar a porta para o próximo a passar, devolver o carrinho do supermercado ao lugar em vez de deixar largado no meio do estacionamento. São coisas pequenas, mas que beneficiam todos que convivem nestes mesmos ambientes.

O que todas essas coisas que parecem que fazemos para terceiros tem em comum, é que tudo isso acaba retornando para nós mesmos. O exemplo arrasta. Faça, e alguém que eventualmente nunca tinha se dado conta talvez passe a fazer o mesmo. Já serão duas pessoas a tornar o mundo melhor.

Outro ponto importante é que ao nos abrirmos para a doação, mandamos ao nosso cérebro a mensagem de que o mundo não é um lugar de escassez, mas sim um lugar onde as coisas não nos faltam.

Viva em um mundo de abundância.

O trabalho é seu melhor amigo

Faça mais do que lhe pagam para fazer. Essa é a receita número um do crescimento profissional.

Quem faz mais do que é pago para fazer mostra seriedade, competência, comprometimento com os resultados. Mostra que faz o que é necessário para o sucesso do projeto em que está envolvido. São essas pessoas que serão as escolhidas para liderar os novos desafios que se apresentarem no futuro. Se não no local em que você está, certamente no próximo emprego que terá. A fama precede a oferta das novas oportunidades.

O trabalho é seu melhor amigo quando você trabalha para si próprio. Pode ser que no início você procure trabalhar em um negócio já estabelecido. Mesmo assim, o trabalho depois do trabalho, o estudo e desenvolvimento de novas habilidades, uma língua estrangeira, por exemplo, certamente é o trabalho que lhe trará as maiores possibilidades. Pode ser o que lhe fará galgar novas posições, mas pode ser também o conhecimento que lhe trará a confiança de iniciar seu próprio negócio.

Não existe concorrência, diz o @icaro.decarvalho e é verdade. Enquanto a maioria anda no automático, batendo ponto e fazendo o mínimo necessário enquanto fica jogando no celular, pensando no horário de saída do serviço para poder ir para casa afundar no sofá, na frente da TV, você está se aperfeiçoando, crescendo, aprendendo. Você está caminhando cada vez mais rápido. Concorrência é para os medíocres que não fazem o mínimo esforço para crescer.

Não tenha medo do trabalho. Ele lhe trará os melhores frutos.

Faça seguro do que não pode ser reposto facilmente

Faça seguro do que é importante para você.

Vou contar uma história. Em quase toda minha vida adulta, o carro sempre foi uma ferramenta importante. Seja pela praticidade do ir e vir, seja para proporcionar viagens a trabalho. Ficar sem carro seria profissionalmente bastante inconveniente. Na maior parte da vida, se perdesse o carro em um acidente, teria sido difícil repor o mesmo sem causar certo aperto nas contas. Por estes dois motivos conjuntos, sempre fiz seguro do carro.

Hoje em dia isso não é mais verdade, mas ainda assim mantenho o seguro do carro em dia. O motivo disso não é mais a simples reposição do carro. Inclusive, esta é a parte mais barata do seguro. Coloco a franquia lá em cima para baratear ainda mais o custo anual de seguro, ele não serve para efetuar pequenos reparos. O motivo de manter um bom seguro no carro é para me proteger de gastos contra terceiros, tanto em relação aos veículos envolvidos em um acidente quanto às pessoas que podem se machucar. Como sempre, o melhor seguro é aquele que não precisamos usar, mas a tranquilidade de contar com ele ajuda a manter a mente foçada em coisas mais importantes.

Durante alguns anos tivemos motos Harley-Davidson. Era caro o seguro delas, bem acima, percentualmente, do que valeria a pena nas minhas contas. E se tivesse um acidente com a moto, com toda certeza ela seria a coisa menos importante para me preocupar. Em uma moto, o parachoque é nossa testa. Nunca tive seguro nas motos. A probabilidade de roubo era minúscula, e sem seguro, tinha ainda mais motivos para ser o mais prudente possível no trânsito. Se perdesse a moto em um acidente, provavelmente não iria adquirir outra mesmo, então o seguro não fazia o menor sentido.

Algo importante que também entra na categoria de seguros, é um seguro saúde. Não acho que o plano de saúde seja necessário para consultas regulares ou para cobrir todos os gastos com isso, mas em caso de necessidade de hospitalização, poder contar com algo que não acabe com as finanças da família é essencial.

Que outros seguros são importantes para você?

Não tome para si os problemas dos outros

Sabe o que acontece quando começamos a juntar algum dinheiro?

Os problemas acontecem.

Se não os nossos problemas, os problemas dos outros.

Quando nossa disciplina começa a mostrar resultados e nosso patrimônio começa a crescer é natural que as pessoas vejam a diferença acontecendo, mesmo que sejamos discretos. São os detalhes que nos entregam. É o tempo livre para fazer alguma atividade em um horário que para os outros seria “horário de expediente,” é a ida ao restaurante e olhar o lado esquerdo do cardápio, pedindo o que se deseja, não o que “cabe no bolso.”

Com essas mudanças sutis sendo percebidas alguns começam a insinuar porque não fazemos certas coisas que eles fariam se tivessem dinheiro guardado. Porque não um carro melhor? Porque não sair com mais frequência para jantar fora? Porque não uma bolsa cara de marca de luxo? Muitos ainda relacionam ter dinheiro com ostentar um padrão de vida pré-estabelecido. Quando não nos enquadramos no padrão mental que eles possuem, ficam confusos.

Independente disso, as pessoas notam que algo mudou. Não vai demorar muito para alguém que não respeita o próprio dinheiro te pedir um pouco emprestado. Ou querer te fazer pagar algo para eles. Ou te chamar de sovina por não bancar o café, já que estás tão bem, enquanto eles estão ainda patinando.

“Parcela pra mim no teu cartão, que não tenho limite para isso, que aí te pago todos os meses.”

Se você tem uma situação tranquila e deseja ajudar algum familiar ou amigo, tudo bem. Ajude, doe, dê de presente, mas não empreste dinheiro. Você perderá tanto o dinheiro quanto a amizade. Se não emprestar te fizer perder o amigo, ao menos terá perdido apenas uma das duas coisas.

Pior do que perder dinheiro, é perder a credibilidade. Não empreste seu nome. Se alguém está com nome sujo por qualquer motivo, use isso como alerta de que a chance de sujar seu nome em uma situação dessas é o resultado mais provável. De novo, se você deseja e tem condições, ajude, mas não se ponha em risco de perda por alguém que não respeitou a si mesmo antes.

Não empreste seu nome, nem seu dinheiro.

Tenha seu próprio lar

Os imóveis não são o melhor investimento que existe. Ainda assim, para a absoluta maioria das famílias, a casa própria acaba sendo o maior patrimônio que conseguem conquistar, se não pela valorização, pelo simples fato de que é o único em que não ficam trocando frequentemente até perderem tudo.

Há muito papo de influenciadores de investimento na internet falando que comprar um imóvel é péssima escolha financeira. Posso concordar com parte dos argumentos, em relação à liquidez, à rentabilidade e valorização, à âncora geográfica que ter um imóvel em certo local traz à quem o possui, diminuindo a flexibilidade para busca de novas oportunidades de trabalho em outras cidades, por exemplo. Por outro lado, somos seres complexos, nem só de números é feita a vida.

Se por um lado poupar, investir e fazer o dinheiro crescer é mais rentável que pagar os juros da compra parcelada de um imóvel, por outro, a compra de um imóvel pode trazer diversos benefícios psicológicos que amenizem ou até cancelem esses custos financeiros.

Comprar o próprio imóvel pode trazer justamente aquela paz de espírito que permite o foco no que é importante, fazer seu trabalho da melhor maneira possível, sabendo que há um teto sobre sua cabeça. Permite o estudo e a busca de mais conhecimento e crescimento profissional. Permite a liberdade de investir no que é seu, de deixar o imóvel com a sua cara, mas mais importante que isso, exclui a possibilidade de ter o imóvel tomado de volta por algum capricho do proprietário que pode precisar vender o imóvel que você aluga, exigindo sua mudança rápida e todos os inconvenientes que isso acarreta. Pense na situação de uma família com filhos, a corrida do trabalho diário, jornada escolar e no meio disso tudo ter que lidar com encontrar um novo imóvel para alugar e realizar uma mudança às pressas.

Quantas pessoas você conhece que conseguem, de forma ininterrupta, ao longo de vários anos de esforço contínuo, juntar o dinheiro para comprar um imóvel à vista? Ou se não para comprar um imóvel à vista, conseguem formar patrimônio em investimentos que os permita morar onde quiserem, com a conta da moradia sendo paga pelos rendimentos destes investimentos? Se o objetivo é comprar pelo menor custo, um consórcio já resolve ambas as questões, de regularidade com foco no objetivo ao mesmo tempo em que mantém o custo baixo em comparação com um financiamento.

Assegure uma renda para o futuro

Claro que todos gostaríamos de viver uma vida longa e com saúde, ter dinheiro sobrando para todas nossas necessidades e desejos. Gostaríamos de nos aposentar cedo e não precisar nos preocupar com dinheiro pelo resto da vida.

A realidade é que tudo isso pode até ser possível, mas não acontece para todo mundo.

Precisamos planejar nosso futuro. Uma das principais coisas que precisamos pensar é em relação a nossa renda esperada para aquele momento em que tenhamos menos energia ou disposição para o trabalho, quando nossas maiores preocupações passam a ser que atividade faremos com os amigos, ou com os netos que venham brincar em nossas casas.

Poupar, investir e formar um patrimônio deve fazer parte de nossa rotina desde cedo na vida profissional, mas as vezes, a vida nos traz desafios que complicam as coisas no meio do caminho. Uma doença grave, uma tragédia na região onde vivemos, qualquer coisa mais grave inesperada, podem por a perder anos e anos de esforços para conseguirmos construir nossa segurança futura.

Neste sentido, um bom seguro de vida, seguro saúde e plano de previdência são essenciais. Se você conseguir conjugar mais de um desses planos em um só, por exemplo, uma previdência com seguro embutido, melhor ainda. Todas essas coisas tem custo, então devemos pesar o quanto desejamos proteger, mas alguma proteção sempre é importante. Uma invalidez permanente pode parecer algo improvável para a maioria de nós, mas depois que acontece pode ser tarde demais para conseguir recuperar.

A previdência pública pode ser algo ruim, de valor baixo, de custo alto. Ainda assim, pode ser a salvação para quem perdeu outras oportunidades. Pense no seu futuro, planeje de acordo e se assegure de uma renda futura, seja qual for a situação que possa ocorrer.

Se aconselhe com quem vive o que você busca atingir

Você pediria conselhos sobre criação de filhos para quem nunca foi pai ou mãe?

Você aprenderia a fazer bonsai com quem nunca fez um? Aprenderia a nadar com quem não sabe nadar?

Se você respondeu que sim a qualquer dessas perguntas, desculpe, mas não sei se posso te ajudar.

Se deseja enriquecer, faça perguntas a quem já enriqueceu. Se deseja investir na bolsa, pergunte para quem já investe com sucesso, com resultados consistentes.

Você não vai aprender a enriquecer seguindo as dicas do último ganhador do BBB.

Agora, deixa te contar um segredo. Olhe os bastidores. Não preste atenção somente no que falam, mas principalmente no que vivem.

O que quero dizer com isso? Pensa naquele influenciador financeiro que te ensina a investir contando as vantagens de tal corretora, mas que no final das contas não depende dos resultados dos seus investimentos, mas sim, da publicidade que a corretora paga para patrocinar seu canal.