Equilíbrio entre o controle e a obsessão

Diz o dicionário, sobre obsessão: preocupação exagerada com alguma coisa.

É o contrário de indiferença. Sinônimo de preocupação.

Esses dias caíram todos os comandantes das forças armadas. Sabe o quanto me preocupei com isso? Nada. Se isso tivesse acontecido uns anos atrás, teria entrado imediatamente no homebroker para ver as implicações disso na bolsa.

Não sei se chegava a ser uma obsessão, mas lia tudo sobre o mercado, inclusive sobre empresas em que não investia. Acompanhava todos os relatórios de três casas de análise e realmente os lia de ponta a ponta. Era quase como se tivesse dois empregos, um exclusivamente como leitor de relatórios de investimento.

Claro que aprendi muito nessa época, mas chega uma hora em que começa a ficar tudo um pouco mais do mesmo.

Hoje me informo de maneira mais leve. Controlo meus investimentos diligentemente, mas sem preocupações com as variações de curto prazo ou baseadas em eventos. Como gestor de um clube de ações tenho responsabilidade com o meu dinheiro e com o de todos os outros cotistas. Cuido de perto os fundamentos das empresas em que investimos, mas seu neuroses. Os negócios se movem em velocidade bem diferente dos ruídos e medos dos investidores em geral.

Um pouco sobre a bolsa de valores.

Muitos tem medo de comprar ações. Quando converso, me dizem coisas como: “não tenho estômago para ver meu dinheiro valer metade do que tinha antes.”

Entendo essas preocupações, mas a verdade é que o preço das ações não deveria importar nesse sentido. O preço importa quando compramos. Quanto mais barato, melhor. Em ações vale o mesmo, mas para isso você tem que parar de pensar em uma abstração de ações e entender que está adquirindo um pequeno percentual de uma empresa.

Imagine que você tem uma padaria em sociedade com seu vizinho. Determinado dia ele passa em um concurso público em que trabalhará bem menos horas do que na padaria, fazendo algo que acha melhor e ganhando mais. Ele te oferece a parte dele por bem menos do que você acha que vale, porque quer sair de qualquer maneira o quanto antes da sociedade. Isso é ruim para você? Se você não pretende vender sua parte, seu sócio oferecer a dele por menos do que vale é ruim? Ou bom, porque agora você pode comprar por menos do que vale?

Agora imagine que você é sócio do banco em que tem sua conta corrente. Você tem um percentual dele. É melhor comprar um pouco mais dele por um valor maior ou menor? E por fim, se você não pretende vender o que já possui, e pode comprar mais lucros a receber, por um valor menor de aquisição, isso é ruim?

Depois que você compra uma ação, uma parte de uma empresa, por um valor que avaliou ser bom na hora da compra, o valor que os outros atribuem a esta ação não deve lhe afetar se você não tem intenção de vender, ou se não for resultado real da empresa ter piorado muito. Pelo contrário, gente querendo vender por menos do que você acha que vale abre a oportunidade de você comprar mais, por menos.

Perca o medo da bolsa de valores. Pense em adquirir parte de boas empresas para receber lucros regularmente. Você não vai ficar rico da noite para o dia, mas está construindo aos poucos um conglomerado de empresas que lhe sustentarão no futuro.

Se precisar de ajuda, entre em contato.

The magic glasses

Swarovski Red Apple

One morning, in July…

Assim começava a história em quadrinhos do JEP – Junior English Program, meu primeiro curso de inglês no Yázigi (na época não tinha acento). “The Magic Glasses”era o título da longa história que se desenvolveria em seis etapas do curso onde aprenderíamos inglês. Mas não estou aqui hoje para falar sobre aprender inglês. Só achei curiosa a lembrança, e no final do texto talvez você entenda o porquê.

Estou aqui hoje para falar de tecnologia, inovação e investimentos, os tópicos com que mais me identifico neste mundo real e virtual.

E comida, estou aqui para falar de maçãs, ou mais especificamente, da Apple.

Apple

A Apple se tornou em agosto de 2018 a primeira empresa avaliada em mais de um trilhão de dólares. Dois anos depois, já tinha dobrado de valor e é avaliada hoje em mais de dois trilhões de dólares. No final deste artigo gostaria de deixar clara minha ideia de que ela será, dentro de algum tempo, a primeira a chegar aos 3, 4, 5 trilhões. Essa é a parte do artigo em que falo de investimento, e paro por aqui mesmo. Se você pensa em investir em alguma empresa, invista nas que você usa e acredita que continuará usando por muitos anos a frente.

Apple Watch

Comprei um Apple Watch há poucos anos, logo que saiu o Series 3 e estava passeando pelos USA na época. Desde então ele tem sido um companheiro inseparável no meu pulso, dia a noite. Sim, noite, porque durmo com ele enquanto ele monitora meu sono. Tem outras vantagens usar o relógio à noite, a lanterna dele é bastante prática quando minha filha acorda de madrugada para fazer xixi e a ajudo sem precisar acender luz forte e estragar o resto do sono dela.

O relóginho é fascinante. Fora a praticidade de ver mensagens no pulso, sem precisar tirar o telefone do bolso, e inclusive poder responder as mesmas ali na hora, estilo Dick Tracy, o mais interessante mesmo são os diversos monitores que ele possui. Com o movimento, sabe se você está de pé ou sentado, parado ou se movendo, correndo ou caminhando ou lavando louça (será que o App de exercício conta essas calorias?) Sabe seus batimentos cardíacos e nos modelos mais recentes mede nível de ruído ambiente, nível de oxigenação do sangue e até faz eletrocardiogramas.

Tudo está integrado de tal maneira que as coisas fluem naturalmente. Não há como não ter vontade de acompanhar como foi seu dia em termos de movimento, se você atingiu ou não suas metas diárias de gasto calórico, movimento, ou mesmo levantar a bunda da cadeira e ficar de pé alguns minutos de hora em hora. As vezes assusta um pouco, principalmente para quem é meio ansioso como eu sou, quando ele te avisa que teus batimentos cardíacos em tal horário passaram dos 110 bpm e tu pensas “será que estava correndo? fugindo do cachorro do vizinho? Não, estava só lavando louça nesta hora…), mas no geral, as surpresas são boas.

Até para dirigir ele ajuda. Quando programamos o GPS do celular para nos guiar no trânsito, antes de cada curva uma tremidinha no pulso te avisa com antecedência para dobrar sem precisar ficar olhando a tela do celular toda hora.

A quantidade de sensores disponíveis no pulso de cada um de nós e as possibilidades que isso abre são fascinantes já na atualidade, mas ainda mais a cada nova função que vamos agregando nos dias que seguem. Há poucos anos, esses sensores todos precisariam de uma ampla sala para caber e poder serem usados por especialistas. Hoje estão no pulso.

iPhone

O meu é um XS Max, depois veio o 11 e agora o 12. Não devo atualizar ainda, apesar das câmeras novas me tentarem bastante, apaixonado por fotografia que sempre fui e hoje com filhos pequenos para documentar. De toda forma, a câmera do iPhone 6S em diante já é avançada o suficiente para fotos excelentes dos pequenos, e se no passado era importante (e fazia diferença) trocar de smartphone com regularidade, hoje isso não é o mais importante aqui em casa.

O iPhone é a central de processamento do universo Apple. O Apple Watch faz muita coisa sozinho, mas quando integrado com os processadores avançados presentes nos iPhones mais modernos, as possibilidades multiplicam exponencialmente.

Os novos iPhones, além de processadores mais rápidos e co-processadores especializados, com redes neurais, processamento de sinais, inteligência artificial e todas essas coisas avançadas que as empresas gostam de divulgar, possuem câmeras com sensores e recursos que também, assim como os sensores do Apple Watch, antes precisavam de salas inteiras para funcionar e operadores especializados para os utilizar. Com sensores de distância, infravermelho e mapeamento de objetos, o telefone basicamente enxerga no escuro. Junta essa capacidade extra-óptica com o processamento avançado, e as fotos noturnas ficam impressionantes.

The Magic Glasses

Você leu aqui primeiro. O próximo produto revolucionário da Apple serão óculos mágicos que permitem ver o invisível. Sim, estou falando sério. Não vai ser aquela bobagem que o Google lançou e logo tirou do mercado por problemas de posicionamento e privacidade. Nem vai ser um objeto futurístico que nos deixa parecendo um androide de ficção científica. Serão óculos com cara de óculos, inclusive com lentes graduadas para quem realmente as precisa para enxergar bem. E terão sensores que antes, mais uma vez, precisariam de amplos espaços para serem utilizados, agora comprimidos em uma armação comum.

Imagine um mundo em que você pode filmar de forma totalmente simples e automática tudo o que está vendo. Sim, os óculos do Google faziam isso uns anos atrás. Agora imagine você poder filmar o que não está vendo. E ver mais do que está vendo. Com tecnologias como AR, processamento avançado integrado com o celular que está no seu bolso (e que na verdade é um supercomputador, e não um simples celular), câmeras integradas com sensores LIDAR e infravermelho/ultravioleta e sabe-se lá mais o que estão inventando lá, imagine olhar para a água escorrendo na torneira, ou a chaleira no fogão, e “ver” a temperatura através de uma sobreposição em vermelho sobre o objeto quente, ou em azul sobre algo gelado.

Aqueles visores de ficção científica onde as pessoas que olhamos são identificadas e seus dados principais são exibidos para nossa visão prévia, estão se tornando realidade. Encontrou na rua aquele cliente que você só havia visto uma vez e não lembrava mais das feições, ou esqueceu o nome diante de tanta gente que você atende diariamente? Não é problema, o nome dele estará ali a sua vista, de forma discreta e confidencial, com os dados da sua agenda pessoal sendo mostrados junto da identificação.

Já faz alguns anos, mas cada vez mais, vivemos dentro de uma realidade de ficção científica. Para alguém da minha idade e história pessoal, que quando mais jovem achava que tinha “perdido o trem do desenvolvimento” por ter nascido uns anos depois da industria dos computadores já estar “desenvolvida” e não haver muito mais o que fazer de novo… é sensacional viver isso tudo como parte do dia a dia.

Fico só imaginando as possibilidades quando essas crianças todas que crescem achando tudo isso “parte natural do dia a dia” começarem a elas também acrescentar funções e novos sensores para ampliar ainda mais nossas capacidades pessoais.

Resumindo: compre Apple (as ações da empresa, não necessariamente os produtos), viva a inovação constante, e aprecie este mundo maravilhoso em que vivemos, cada dia com novas capacidades aumentando nossas habilidades naturais.

Diversificação

Em 11 de setembro de 2001 aprendi minha primeira lição sobre diversificação. Uns dias depois, na verdade.

Quem me lê a mais tempo sabe que no início dos meus investimentos perdi tudo que tinha investido na bolsa. Já contei essa história antes. No meio da tragédia das Torres Gêmeas e do horror que tudo aquilo representou, as bolsas despencaram com as dúvidas sobre o que aquilo traria de consequência para o mundo.

Naquela época investia em meu campo de conhecimento, sem olhar muito para outros setores. Minhas posições estavam concentradas em apenas três empresas, todas do mesmo setor de telecomunicações. Tinha Embratel, Globo Cabo e CRT apenas. Não poderia estar mais concentrado, nem estar no setor mais errado no meio do que aconteceu. Minha carteira perdeu 95% do valor em apenas três dias.

Claro, tragédias dessa magnitude não podem ser previstas antes de acontecerem, mas aí é justamente onde entra a importância da diversificação, ela nos protege justamente daqueles problemas que não conseguimos prever. Se eu tivesse a diversificação que tenho hoje, financeiramente o impacto teria sido absolutamente menor.

O Corona virus causou impacto semelhante em alguns setores da economia mundial. Imaginem se minha área de conhecimento fosse o setor de viagens e entretenimento, e se só investisse em empresas desse ramo, o tamanho do buraco em que teria caído. Ou se vivesse de imóveis de aluguel por temporada, imóveis de férias? Mesmo setores tradicionais e resilientes como este, podem sofrer consequências péssimas que, antes de uma epidemia de proporção mundial, jamais seria prevista.

Para minha sorte, perder tudo que tinha em um momento em que estava começando, onde ainda não tinha tanto assim, acabou sendo uma excelente lição que me protegeria em diversas ocasiões posteriores. Crise do subprime? Joesley Day? Greve dos caminhoneiros? Passaram batido, um soluço no grande esquema das coisas.

Como a todos, o Corona virus pegou meus investimentos de surpresa. Só não foi uma tragédia completa graças aos anos de aprendizado sobre a importância da diversificação. Enquanto algumas posições caíram bastante, outras subiram em proporção semelhante. No equilíbrio das coisas, e contando também com um pouco de sorte de ter feito certos negócios “na hora certa”, acabei ficando no zero a zero.

Se você teve o azar de ter sido atingido em cheio com as consequências da pandemia nas suas economias, deixo minha mensagem de alento, de que as coisas vão melhorar. O mais importante, porém, é estudar como estavam seus investimentos em março, e porque foram tão atingidos, para corrigir o rumo e proteger sua carteira das crises futuras, que certamente virão, não sabemos nem quando, nem de onde.

Termino com preces voltadas a todos que perderam suas vidas na tragédia imensa que foi a queda das Torres Gêmeas, e a todos que estão sofrendo as consequências atuais, não apenas as financeiras, da pandemia que assola nosso planeta no momento. Fiquem bem.

Desabafo de um analista

Vou ser bem sucinto aqui. Independente da oferta de assinatura do produto no final do video, que provavelmente não estará mais disponível quando você acessar, acho que vale muito a pena conhecer o Ricardo e escutar o que ele tem para dizer.

A maioria pensa que bolsa de valores é glamour, é oba-oba, cassino onde todo mundo ganha sempre, basta ter a dica preciosa do influenciador do momento.

NÃO É ASSIM!

Neste momento em que até influenciadora fitness virou day trader de sucesso da noite para o dia, isso se torna ainda mais importante.

Assista o Ricardo clicando nesta frase. Me agradeça depois.

Um pouco mais sobre o Clube de Ações.

Há algum tempo escrevi que migrei meu investimento em ações da pessoa física para um Clube de Ações que eu próprio administro, com a participação de alguns amigos e familiares que navegam comigo neste navio. No texto cito as vantagens e desvantagens desta mudança.

Uma das coisas que os iniciantes no investimento em ações pensam, é que a forma de ganhar dinheiro com as ações consiste em comprar as ações por um valor baixo, e vender por um valor alto. Seria interessante, não fosse o fato de não termos uma bola de cristal para saber quando elas poderiam estar no topo e prestes a despencar, ou quando atingiram o fundo e dali só poderiam subir.

No Clube, uma das exigências é que ao menos 67% do patrimônio esteja sempre comprado em ações. Isso faz com que a estratégia de vender boa parte das ações quando inicia uma queda, para depois voltar a comprar quando chegou no fundo do poço seja limitada por este percentual mínimo que sempre deve estar comprado. Isso acaba sendo um seguro contra aquela vontade imensa de sair vendendo tudo na crise, quando deveríamos, ao contrário, começar a estudar novas entradas.

Mesmo assim, pode haver a tendência de algum cotista tentar fazer isso, solicitando resgate do Clube nas altas, pensando em voltar quando os preços caírem. Minha opinião é que isso é uma armadilha, primeiro porque não sabemos se realmente irá cair antes de ter subido muito mais, situação em que podemos ter vendido alto, mas só conseguiremos comprar novamente por mais alto ainda. Depois, porque apesar do clube não ter impacto do IR nas operações de compra e venda das ações independente do valor negociado no mês, há o impacto do IR nos resgates do clube feitos pelos cotistas.

Desta forma, ao resgatar nosso dinheiro com lucro do clube, temos a retenção na fonte de 15% de IR. Para voltarmos a comprar cotas do clube com vantagem, as cotas teriam que cair bastante, mais do que um circuit breaker de queda para começar a valer a pena tal estratégia.

A solução? A mesma que usam os maiores investidores de sucesso em longo prazo: investir nas melhores empresas, se tornar sócio delas e respeitar o tempo de maturação dos negócios, que são bem mais longos e previsíveis do que o sobe e desce diário do preço das ações.

É assim que faço no Clube de Ações Kairos. Se quiser trocar idéias sobre o assunto, estou sempre aqui para aprender com quem está participando ou deseja participar deste jogo de longo prazo.

Sobre ETFs de SmallCaps

Hoje li uma sugestão de investimento da Empiricus, basicamente explicando que investir em poucas empresas individuais não captura necessariamente um grande lucro, pois em um mercado que sobe porque um conjunto de ações sobe, não necessariamente aquelas que realmente fazem a diferença no índice são as que possuímos em carteira.

A conclusão então era de que uma estratégia mais simples, e mais efetiva para investir, seria simplesmente comprar ETFs de SmallCaps, empresas pequenas, porém com alto potencial de crescimento, que capturariam melhor a chance de ter entre elas aquelas empresas que realmente moveriam o índice.

A teoria para a escolha de SmallCaps é simples: é mais simples uma empresa avaliada em 100 milhões crescer 20 vezes e se tornar uma empresa de 2 bilhões, do que uma de 100 bilhões crescer essas mesmas 20 vezes, pois neste caso, representaria muitas vezes o mercado total de um país. Ou usando casos reais, é muito mais simples uma Portobello crescer 20 vezes, do que um Itaú fazer o mesmo.

O problema de usar ETFs de SmallCaps para isso é um só: se pensarmos em uma pequena empresa crescendo 10 ou 20 vezes, a ponto de fazer mover um índice de ações, o que acontecerá é que no meio desse caminho de crescimento, a SmallCap deixaria de ser pequena o suficiente para permanecer no índice e por consequência no ETF, saindo do investimento antes de haver capturado todo o lucro no crescimento da mesma.

A conclusão é uma só: podemos fazer o mais simples, obter um bom crescimento e não nos iludirmos em acertar a bunda da mosca para ficar ricos da noite para o dia, ou podemos viver a ilusão de acertar nossas apostas e nos frustrar cada vez que isso não acontece, provavelmente arriscando mais do que devemos e provavelmente perdendo bastante neste caminho.

Pessoalmente acredito que o melhor é simplesmente ir somando valores regularmente em boas empresas, valores obtidos daquela forma tradicional, sabe, trabalhando com foco no que fazemos melhor, de maneira a ganhar mais ao longo do tempo e como consequência nos permitir investir mais. Um passo por dia, deixando o tempo fazer sua mágica em paralelo aos nossos aportes regulares.

O maior erro de quem começa a estudar investimentos

O maior erro de quem começa a estudar investimentos e deseja enriquecer ou conquistar a independência financeira é perder tempo tentando descobrir investimentos que rendam um pouco mais do que os investimentos considerados tradicionais, em vez de usar seu tempo pensando em maneiras de ganhar mais dinheiro e assim poder ter maiores valores para investir mensalmente.

Não quero com isso dizer que obter uma boa rentabilidade seja ruim, claro que não, só que uma melhora sutil na rentabilidade é irrelevante, se os valores que você possui para investir sejam também irrelevantes.

Vou desenhar uma “fórmula” aqui:

RIQUEZA = DINHEIRO x RENTABILIDADE ^ TEMPO

Riqueza igual ao dinheiro investido multiplicado pela rentabilidade elevada ao tempo. O importante aqui é notar que das variáveis envolvidas, DINHEIRO é a que temos as melhores condições de aumentar consideravelmente.

Rentabilidade é difícil de melhorar de forma considerável. Leve em conta que o Warren Buffet, considerado um dos maiores investidores do planeta, tem um histórico médio de rentabilidade de 20% ao ano em seus investimentos, ou seja, não será você nem eu, gênios, que conseguiremos muito mais que isso em média ao longo dos anos.

Tempo também é limitado, no sentido de não podermos aumentar ele de forma significativa. Se você tem 20 anos e pretende se aposentar com 50 anos, estamos falando aí de 30 anos. Você pode levar uns anos a mais e postergar sua aposentadoria até os 60 ou 65 anos, mas ainda assim, é um aumento de apenas 50% em relação ao planejamento original.

Já o dinheiro, não há limites para o quanto você pode aumentar. Se você começa a investir R$ 500 mensais quando ganha R$ 1500 no estágio, ainda morando com seus pais, é relativamente fácil dobrar este valor quando você pula do estágio para um emprego formal e recebe seu primeiro aumento. Passar de R$ 500 a R$ 1000 é um incremento de 100% nos seus investimentos. Pular de R$ 1000 para R$ 2000 também, e se você ainda está começando a estes valores parecem altos, é simplesmente porque você ainda não se deu conta de que é aí que você precisa investir seu tempo e suas energias.

Em vez de pensar como ganhar 20% a mais do que o CDI, que é bastante, mas calculando bem, resulta em apenas 1,5% a mais de rentabilidade anual, pense em como você pode aumentar seus ganhos e assim, como pode aumentar seus investimentos mensais.

Se você tem R$ 10.000 investidos, o que é mais fácil, encontrar um investimento mágico que lhe permita lucrar muito mais que a média (que como vimos acima, representa 1,5% a mais no ano), ou encontrar uma forma de ganhar R$ 150 a mais com seu trabalho, de maneira a investir esse valor extra? E note que isso vale para qualquer patamar de investimentos, ou seja, se você tem R$ 100.000 ou R$ 1.000.000, o que é mais fácil, encontrar o investimento mágico, ou simplesmente faturar R$ 1500 ou R$ 15.000 a mais com o trabalho ou negócio que lhe permitiu juntar os R$ 100.000 ou R$ 1.000.000 originalmente?

Não perca tempo procurando fórmulas mágicas. Foque em ganhar mais para poder ter mais para investir.

Onde Felipe Miranda, da Empiricus, investe seu dinheiro?

Ontem o Primo Rico, Thiago Nigro, publicou o video de uma entrevista com o Felipe Miranda, da Empiricus. Para quem ainda não sabe, o Papai Investidor é assinante vitalício do Reserva Empiricus, o produto mais completo deles, resumidamente, assinante de TODOS os relatórios que eles já criaram ou venham a criar, ou seja, recomendo, e recomendo muito.

Entrevista excelente que mostra não apenas onde o Felipe investe, mas principalmente as excelentes idéias que motivam o porquê dele investir desta maneira.

Assista abaixo, assine o canal do Thiago para ver sempre os novos videos dele e siga em frente nas melhores escolhas para sua vida financeira.

Esta é a Rede Rica! Uma curadoria de conteúdo feita para facilitar sua vida ao apresentar os melhores textos e videos para seu desenvolvimento pessoal e financeiro.

Clube de investimento em ações: é para você?

Estes dias estão sendo especiais, estou formando junto com amigos e familiares um clube de investimento em ações. Clube mesmo, formal, registrado na Bolsa, com CNPJ próprio e nome pomposo e criativo. Não vou falar do clube em si, até porque a CVM não permite que clubes de investimento sejam anunciados publicamente, mas sim sobre os motivos pelos quais um clube de investimentos ser uma boa opção para você. A dica de montar um clube foi indicação de um amigo, analista da Empiricus. Não vou citar o nome dele aqui pois não pedi autorização para isso, mas é aquele que fala exatamente o que está pensando, sem meias palavras 🙂

Um clube de investimentos é apenas um CNPJ registrado na Bolsa de Valores que possui ações em seu nome. Há cotistas (mínimo 3, máximo 50) e uma taxa de administração cobrada pela corretora que faz a administração e contabilidade do clube. Pode ser contratado um gestor profissional, ou ser gerido por um dos cotistas, como é o caso do clube que estou formando.

A facilidade do clube em comparação a possuir as ações individualmente é enorme. Ao declarar os investimentos em ações no IR anual precisamos declarar na relação de bens quantas e quais ações possuímos, além do preço médio de aquisição, que tem que ser recalculado a cada nova compra, ou cada vez que há algum bônus ou subscrição. Temos que declarar também os lucros e dividendos na aba de lucros isentos e não tributáveis, sem esquecer de declarar os juros sobre capital próprio na aba de rendimentos sujeitos à tributação exclusiva. Há ainda os juros sobre capital próprio declarados mas não pagos, que é declarado como crédito contra pessoa jurídica, identificando o nome e CNPJ da empresa pagadora, na aba de bens e direitos da declaração anual. Tudo isso para cada uma das ações que você possuir, ou seja, em uma carteira minimamente diversificada, estamos falando de tudo isso para ao menos uma dúzia de ações. E quase esqueço de falar da questão dos lucros nas compras e vendas de ações, nos impostos retidos e taxas que tem que ser declarados mês a mês, nas DARFs de imposto que tem que ser pagas quando as vendas mensais superam o limite de isenção de R$ 20.000 e nos prejuízos que devem ser anotados e usados como compensação dos lucros nos meses seguintes. Evitar esse abacaxi todo foi o motivo para eu sair da zona de conforto e buscar uma alternativa mais efetiva. O clube foi a solução ideal para meu caso, pode ser para você.

Há vários motivos para usar a estrutura de um clube de investimento como veículo para investir em ações. Antes delas, porém, deixa eu explicitar que o clube, para obter os benefícios que lhe cabem, deve manter no mínimo 67% de seu patrimônio comprado em ações, ou seja, o clube não é um guarda-chuva para todos seus investimentos pessoais, mas apenas para a parcela de maior risco em busca de melhores resultados. Antes de pensar em formar ou entrar em um clube já existente você deve já possuir uma boa reserva de emergência e um bom patrimônio investido em títulos de renda fixa como o Tesouro Direto. O indicado é dedicar entre 10% a 30% de seus investimentos à renda variável, dependendo do momento específico do ciclo de mercado.

Benefícios e características de um clube de investimentos:

1. Facilidade na declaração do IR: não importa quantas operações você realize na bolsa, que valores mensais negocie, quantas ações possua em carteira, no fim do ano a corretora envia o informe de rendimentos e basta declarar o valor do ano anterior, o do ano a que se refere o IR, e os rendimentos, como se faz com qualquer investimento trivial em fundos de investimento.

2. Isenção de IR e IOF nas movimentações do clube: podemos negociar acima do valor de isenção mensal para pessoa física, de R$ 20.000. Também o valor mantido em caixa para operações de curto prazo pode ser aplicado em fundos de renda fixa sem o pagamento de IOF ou IR para aplicações de curtíssimo prazo.

3. Maior volume investido: ao contar com recursos de um grupo de pessoas, tem-se um valor maior do que investindo sozinhos, permitindo assim maior diversificação e diluição dos riscos. Podemos ainda realizar operações pontuais mais arriscadas que exijam valores mais altos, mas devido ao volume total mantendo estes valores dentro de percentuais baixos em relação ao todo.

4. Diluição dos custos: ao operar valores mais altos temos os custos de operação representando valores menores em relação ao total investido.

5. Possibilidade de operações sofisticadas: operações que se utilizam de arbitragem, aluguel de ações e outras sofisticações podem ser realizadas com facilidade através da mesa de operações.

Se você possui um valor razoável para investir em ações e ao menos dois familiares ou amigos interessados em replicar sua estratégia, considere formar um clube de investimentos.

As limitações são poucas, basicamente a necessidade de exigir ao menos três cotistas e um limite de no máximo 50 cotistas. O maior cotista não pode possuir mais de 40% das cotas do clube, então este não é o veículo apropriado caso queira investir sozinho ou tenhas valores muito maiores do que os outros participantes.

O imposto de renda é retido na fonte, de 15% sobre os lucros, pago somente quando forem realizadas retiradas do clube, tornando este investimento ideal para a formação de patrimônio de longo prazo no mercado acionário.

Operacionalmente, é abrir conta na corretora junto aos outros participantes, usar um modelo da própria corretora para a ata de criação do clube, definir quem fará a gestão da carteira, nome do clube e valores de aporte iniciais e posteriores. Então é só aguardar o registro, que leva aproximadamente duas semanas, transferir o dinheiro para a corretora e pedir a alocação do valor no clube.