O mito das finanças complicadas

Muita gente no mercado financeiro ganha dinheiro difundindo o mito de que finanças e investimentos são coisas complicadas.

Fazem isso de diversas maneiras. Usam termos complicados, falam em siglas, comentam sobre indicadores contábeis das empresas em que investem.

Os bancos e corretoras não ajudam. Criam produtos e mais produtos, formando uma prateleira de investimentos que tonteiam quem olha de fora. São milhares de fundos, dezenas de opções em cada modalidade de investimento. Até as diferentes classes são muitas e confusas. DI, RF, Câmbio, Commodities, RV, FII, CRA, CRI, LCA, LCI, Caixa… Uma sopa de letrinhas que não ajuda quem deseja fazer só o feijão com arroz, investir regularmente e formar patrimônio para uma aposentadoria tranquila.

É proposital. Querem te confundir para depois te vender administração pelo resto da vida. Daí você estuda um pouco e acaba investindo nos fundos que parecem dar os melhores rendimentos que encontra no banco em que tem conta. E com isso paga as viagens em classe executiva, relógios caros e carrões esportivos dos gestores de investimento.

Tem gente muito boa nesse mercado. Gente que genuinamente deseja te ensinar a pensar por conta própria e como investir com conhecimento profundo. Mas também aí fica uma lacuna, pois nem todo mundo deseja se tornar um investidor profissional. Nem todo mundo busca 60 horas de um curso completo que vai ensinar todos os termos e detalhes financeiros que não desejam nem tem vontade de aprender.

Estou aqui para te ajudar a fugir disso tudo. Te ajudo uma vez só. A partir daí, caminha com tuas próprias pernas. Ensino aquele mínimo necessário para poder automatizar os investimentos de maneira a poder aplicar uma fórmula simples e eficiente todos os meses, sem precisar pensar demais, sem precisar aprender detalhes irrelevantes, e melhor de tudo, obtendo um resultado final melhor do que a maioria dos outros investidores. O simples bem aplicado sempre vence o sofisticado difícil de aplicar.

Fica o convite para quem desejar começar.

Aprender a investir não vai te deixar rico

Pode ser uma droga ouvir isso de alguém que passou praticamente toda a vida adulta empreendendo enquanto estudava sobre investimentos, mas essa é a realidade.

Não vou escrever aqui que é ruim aprender a investir. E preciso dizer que há diversas maneiras diferentes de investir, todas bastante eficientes se aplicadas ao longo prazo. Mas a verdade é que aprender elas não gera resultado sem ação. E mais, aprender diversas formas de investimento pode, inclusive, ser contraproducente, porque ao saber diversas maneiras de fazer o dinheiro crescer, pode ser que você fique paralisado ao não saber qual forma utilizar.

Então hoje vou ser bem prático para quem está começando.

  1. Reserva de emergência: guarde 10% ou mais de tudo que ganhar em um fundo SELIC SIMPLES. Procure uma corretora que possua isso fora do seu banco (que provavelmente não tem um fundo desses). Faça apenas isso até ter três ou seis meses de reserva em relação aos seus gastos mensais. Se tiver filhos, não pare até ter um ano de despesas cobertas.
  2. Regra dos 100: Diminua sua idade de 100. O resultado será o percentual que você deve investir em ações. Se você sofrer muito com o sobe e desçe da bolsa de valores, diminua sua idade de 80 e use este resultado como percentual para as ações. Na regra dos 100, se você tem 30 anos, 70% do seu investimento irá para ações. Na regra dos 80, 50% iria para a bolsa.
  3. continue guardando 10% ou mais de tudo o que ganhar, agora dividindo no percentual definido acima entre renda fixa e ações. Dívida suas compras em apenas dois ETFs, IMAB11 para renda fixa e IVVB11 para ações. Compre pelo HomeBroker de uma corretora diferente da que utiliza para o fundo SIMPLES da reserva de emergência. Faça os aportes de maneira a buscar o percentual de equilíbrio. Se um dos dois valorizou mais que o outro, seus novos aportes devem buscar retomar o equilíbrio percentual entre as partes. Dessa forma, todo mês você compra “o mais barato”.

Faça apenas isso ao longo dos anos e desfrute de uma excelente aposentadoria no futuro. Ou deixe um ótimo patrimônio para seus filhos.

Estudar o suficiente para conseguir executar o que está descrito acima é tudo que você precisa. Isso se faz em uma hora de consultoria ou um pouco mais de tempo pesquisando na internet. O importante é fazer isso todos os meses. São cinco minutos por mês para ver o quanto você já tem, calcular o valor a ser investido em cada “potinho” e fazer o investimento efetivamente.

Sucesso nos investimentos.

Investindo lá fora

Este é um conteúdo para investidores mais avançados. Se você não entender algum termo, fique à vontade para me escrever perguntando.

Esses dias me perguntaram o que acho sobre investir no exterior. Vou deixar meus pitacos por aqui para quem também se interessar em saber sobre isso.

Há basicamente três maneiras de investir no exterior. Todas possuem vantagens e desvantagens. Vou tentar expor as características principais, deixar minha opinião sobre o que acho melhor, mas como sempre, sua escolha depende de diversos fatores e pode ser bem diferente da minha dependendo da sua realidade.

Não vou falar de fundos de investimento. Então não entram aqui coisas como fundos cambiais ou fundos que invistam em outros fundos ou ações estrangeiras.

  1. Comprar ações americanas diretamente através de uma corretora lá. A maior vantagem é que você pode escolher exatamente quais empresas adquirir. Sua carteira pode ser tão concentrada ou diversificada quanto você desejar. E ainda pode ter coisas como REITs (fundos imobiliários) e ETFs dos mais variados que existem por lá. Há certos custos de cambio para o dólar, mas são baixos quando levamos os investimentos ao longo prazo. O maior problema dessa opção são os pesados impostos de herança que incidem sobre esse investimento. Você pode argumentar que estará abaixo da taxa de isenção (US$60.000), mas aí eu rebato que você não teria dinheiro suficiente para efetivamente valer a pena perder tempo investindo lá fora.
  2. Comprar BDRs no Brasil. É uma alternativa que resolve o problema do imposto de herança. Compramos os recibos das ações diretamente aqui no Brasil. Os problemas desta opção são a pouca variedade de empresas que possuem BDRs aqui, dificultando a diversificação, mas principalmente a baixa liquidez desses ativos, com fazedores de mercado operando com spreads altíssimos, comendo boa parte dos lucros.
  3. Comprar ETFs de ações americanas aqui. IVVB11 ou NASD11, por exemplo. Minha opção preferida. Diversificação, as melhores e maiores empresas do planeta, custodiadas aqui e com facilidade de comprar e vender. Você paga IR de 15% sobre o lucro ao vender estes ETFs, mas a ideia é ir comprando sempre por muitos anos, até chegar a hora de usufruir da fortuna conquistada.

E você, já tem dinheiro no exterior?

Não precisa saber muito

Não precisa saber muito.

Para investir bem, você não precisa saber muito. O suficiente, aplicado com regularidade, bate de longe o sofisticado feito esporadicamente.

  1. Pague a si mesmo primeiro: assim que fizer qualquer dinheiro, separe uma parte para investir para longo prazo, para seu futuro. Ao menos 10%, melhor 20%. De TODO dinheiro que fizer. Acho o termo americano, “make money” muito mais adulto do que “ganhar dinheiro”. Quem ganha dinheiro é criança, “ganhou umas moedas do vô.”
  2. Tenha uma reserva de emergência: no mínimo três meses de seu custo de vida. Melhor seis meses. Melhor ainda um ano. Problemas acontecem, veja o que está sendo estes dois últimos anos. Venda coisas que não usa mais para conseguir isso mais rápido. O objetivo deste dinheiro não é crescer rápido, é estar disponível com liquidez imediata e evitar perder para a inflação. Lembre de só aumentar seu custo de vida depois de aumentar esta reserva de maneira a manter o tempo de segurança.
  3. Invista de forma passiva: você não é um gênio do mercado. Se a maioria dos investidores profissionais não consegue bater a média do mercado, controle seu ego e invista no mercado todo.
  4. Abra conta em uma corretora separada do seu banco: dinheiro na mão é vendaval. Invista seu dinheiro em um local que não esteja sempre à vista ou à disposição imediatamente. A hora de ver como estão seus investimentos é no momento de investir mais no início de cada mês.
  5. Divida seus investimentos em duas partes, uma mais arrojada e uma mais conservadora. Use a regra do 100. Diminua sua idade de 100 e invista este percentual de forma arrojada. Por exemplo, se você tem 20 anos, invista 80% de forma arrojada e 20% de maneira mais conservadora.
  6. Não venda seus investimentos em construção. Para manter o percentual equilibrado, faça novos aportes na parte que está ficando para trás. Seguindo o exemplo acima, se você estiver com 25% na parte conservadora dos investimentos em vez dos 20% que a fórmula indicou, faça o aporte na parte arrojada para buscar o equilíbrio.

Deseja ficar acima da média, me chama que te ajudo.

Aplique com segurança

Quando você começa a investir pode sentir certa insegurança por conta do desconhecimento das diferentes alternativas disponíveis.

Minha sugestão inicial, apesar do que já escrevi sobre abrir conta em outro banco ou corretora, é começar pelo banco onde você já está acostumado mesmo. Use esta primeira experiência como um “molhar os pés” no mundo dos investimentos.

Comece com um fundo comum de renda fixa e vá aplicando seu dinheiro com regularidade. Normalmente os limites mínimos destes fundos são bastante baixos, então com apenas R$ 100 já é possível começar. Você notará que os rendimentos atuais são bastante pequenos, mas verá também seu dinheiro crescendo aos poucos, se não por estes rendimentos, ao menos pelos seus aportes regulares.

Depois de um tempo fazendo desta maneira, busque entre as alternativas do seu banco o fundo de ações de menor valor necessário para começar. Este fundo deve variar bem mais do que você estava acostumado com a renda fixa, então é importante colocar um valor relativamente baixo para que você possa “sofrer” com eventuais quedas sem ficar tentado a tirar o dinheiro de lá. Acompanhe o saldo deste fundo ao longo de alguns meses, e verás que mesmo com eventuais quedas grandes, ao longo do tempo seu dinheiro estará crescendo mais do que no fundo de renda fixa. Quando você notar isso, poderá então investir um pouco mais alí, sabendo que os altos e baixos são comuns, mas que no longo prazo você tende a ganhar mais do que perder, se não tirar o dinheiro de lá no meio das eventuais quedas.

Dedique algum tempo a ler sobre o assunto investimento. A segurança em investir virá com o conhecimento, tanto teórico quanto prático. Só a teoria normalmente não é suficiente para nos preparar para as quedas que certamente acontecerão no meio do caminho. Só a prática não nos dará a tranquilidade de entender o que está acontecendo com nosso dinheiro. Use ambas.

Abra conta em um banco/corretora

Ontem sugeri abrir conta em uma corretora separada do seu banco. Neste, indico quase o mesmo, mas com uma pequena diferença. Abra conta em uma corretora ligada a um banco, mas em um banco diferente do que recebe seu salário.

Uma maneira de investir em ações é através da compra de empresas pagadoras de dividendos.

Falei sobre a Escada da Aposentadoria. Definimos um padrão de vida mínimo que desejamos manter, e buscamos juntar investimentos que permitam manter este padrão de vida indefinidamente. Desta maneira podemos aumentar o degrau e aumentar o padrão de vida à medida em que aumenta nosso patrimônio gerador de renda. Mantendo sempre a Independência financeira.

A ideia aqui é semelhante.

Alguns bancos possuem conta corrente integrada com a corretora da mesma instituição. Quando você compra ações na corretora, o valor é debitado diretamente da sua conta corrente. Não precisa fazer transferência do valor para a corretora. Ao vender suas ações acontece o inverso, o dinheiro cai direto em sua conta.

Isto acontece também com os dividendos e juros sobre capital que essas empresas pagam aos acionistas.

A ideia então, é abrir uma conta em um banco/corretora com estas características, mas em uma instituição diferente da que você utiliza no dia a dia.

O passo seguinte é comprar ações de empresas boas empresas pagadoras de dividendos regularmente, reinvestindo os dividendos para acelerar o processo.

Aí é que temos o pulo do gato…

Uma a uma, ao longo do tempo, você começa a transferir suas contas regulares para lá e coloca no débito em conta. Conta de luz? Paga pelos seus dividendos. Internet/TV a cabo? Paga pelos seus dividendos. Condomínio? Pagos pelos seus dividendos.

Vá fazendo isso aos poucos, e quando você vê, sua vida está inteiramente bancada pelos lucros que as empresas em que você é sócio estão distribuindo regularmente em sua conta corrente. Seja bem vinda, independência financeira.

Equilíbrio entre o controle e a obsessão

Diz o dicionário, sobre obsessão: preocupação exagerada com alguma coisa.

É o contrário de indiferença. Sinônimo de preocupação.

Esses dias caíram todos os comandantes das forças armadas. Sabe o quanto me preocupei com isso? Nada. Se isso tivesse acontecido uns anos atrás, teria entrado imediatamente no homebroker para ver as implicações disso na bolsa.

Não sei se chegava a ser uma obsessão, mas lia tudo sobre o mercado, inclusive sobre empresas em que não investia. Acompanhava todos os relatórios de três casas de análise e realmente os lia de ponta a ponta. Era quase como se tivesse dois empregos, um exclusivamente como leitor de relatórios de investimento.

Claro que aprendi muito nessa época, mas chega uma hora em que começa a ficar tudo um pouco mais do mesmo.

Hoje me informo de maneira mais leve. Controlo meus investimentos diligentemente, mas sem preocupações com as variações de curto prazo ou baseadas em eventos. Como gestor de um clube de ações tenho responsabilidade com o meu dinheiro e com o de todos os outros cotistas. Cuido de perto os fundamentos das empresas em que investimos, mas seu neuroses. Os negócios se movem em velocidade bem diferente dos ruídos e medos dos investidores em geral.

Um pouco sobre a bolsa de valores.

Muitos tem medo de comprar ações. Quando converso, me dizem coisas como: “não tenho estômago para ver meu dinheiro valer metade do que tinha antes.”

Entendo essas preocupações, mas a verdade é que o preço das ações não deveria importar nesse sentido. O preço importa quando compramos. Quanto mais barato, melhor. Em ações vale o mesmo, mas para isso você tem que parar de pensar em uma abstração de ações e entender que está adquirindo um pequeno percentual de uma empresa.

Imagine que você tem uma padaria em sociedade com seu vizinho. Determinado dia ele passa em um concurso público em que trabalhará bem menos horas do que na padaria, fazendo algo que acha melhor e ganhando mais. Ele te oferece a parte dele por bem menos do que você acha que vale, porque quer sair de qualquer maneira o quanto antes da sociedade. Isso é ruim para você? Se você não pretende vender sua parte, seu sócio oferecer a dele por menos do que vale é ruim? Ou bom, porque agora você pode comprar por menos do que vale?

Agora imagine que você é sócio do banco em que tem sua conta corrente. Você tem um percentual dele. É melhor comprar um pouco mais dele por um valor maior ou menor? E por fim, se você não pretende vender o que já possui, e pode comprar mais lucros a receber, por um valor menor de aquisição, isso é ruim?

Depois que você compra uma ação, uma parte de uma empresa, por um valor que avaliou ser bom na hora da compra, o valor que os outros atribuem a esta ação não deve lhe afetar se você não tem intenção de vender, ou se não for resultado real da empresa ter piorado muito. Pelo contrário, gente querendo vender por menos do que você acha que vale abre a oportunidade de você comprar mais, por menos.

Perca o medo da bolsa de valores. Pense em adquirir parte de boas empresas para receber lucros regularmente. Você não vai ficar rico da noite para o dia, mas está construindo aos poucos um conglomerado de empresas que lhe sustentarão no futuro.

Se precisar de ajuda, entre em contato.

The magic glasses

Swarovski Red Apple

One morning, in July…

Assim começava a história em quadrinhos do JEP – Junior English Program, meu primeiro curso de inglês no Yázigi (na época não tinha acento). “The Magic Glasses”era o título da longa história que se desenvolveria em seis etapas do curso onde aprenderíamos inglês. Mas não estou aqui hoje para falar sobre aprender inglês. Só achei curiosa a lembrança, e no final do texto talvez você entenda o porquê.

Estou aqui hoje para falar de tecnologia, inovação e investimentos, os tópicos com que mais me identifico neste mundo real e virtual.

E comida, estou aqui para falar de maçãs, ou mais especificamente, da Apple.

Apple

A Apple se tornou em agosto de 2018 a primeira empresa avaliada em mais de um trilhão de dólares. Dois anos depois, já tinha dobrado de valor e é avaliada hoje em mais de dois trilhões de dólares. No final deste artigo gostaria de deixar clara minha ideia de que ela será, dentro de algum tempo, a primeira a chegar aos 3, 4, 5 trilhões. Essa é a parte do artigo em que falo de investimento, e paro por aqui mesmo. Se você pensa em investir em alguma empresa, invista nas que você usa e acredita que continuará usando por muitos anos a frente.

Apple Watch

Comprei um Apple Watch há poucos anos, logo que saiu o Series 3 e estava passeando pelos USA na época. Desde então ele tem sido um companheiro inseparável no meu pulso, dia a noite. Sim, noite, porque durmo com ele enquanto ele monitora meu sono. Tem outras vantagens usar o relógio à noite, a lanterna dele é bastante prática quando minha filha acorda de madrugada para fazer xixi e a ajudo sem precisar acender luz forte e estragar o resto do sono dela.

O relóginho é fascinante. Fora a praticidade de ver mensagens no pulso, sem precisar tirar o telefone do bolso, e inclusive poder responder as mesmas ali na hora, estilo Dick Tracy, o mais interessante mesmo são os diversos monitores que ele possui. Com o movimento, sabe se você está de pé ou sentado, parado ou se movendo, correndo ou caminhando ou lavando louça (será que o App de exercício conta essas calorias?) Sabe seus batimentos cardíacos e nos modelos mais recentes mede nível de ruído ambiente, nível de oxigenação do sangue e até faz eletrocardiogramas.

Tudo está integrado de tal maneira que as coisas fluem naturalmente. Não há como não ter vontade de acompanhar como foi seu dia em termos de movimento, se você atingiu ou não suas metas diárias de gasto calórico, movimento, ou mesmo levantar a bunda da cadeira e ficar de pé alguns minutos de hora em hora. As vezes assusta um pouco, principalmente para quem é meio ansioso como eu sou, quando ele te avisa que teus batimentos cardíacos em tal horário passaram dos 110 bpm e tu pensas “será que estava correndo? fugindo do cachorro do vizinho? Não, estava só lavando louça nesta hora…), mas no geral, as surpresas são boas.

Até para dirigir ele ajuda. Quando programamos o GPS do celular para nos guiar no trânsito, antes de cada curva uma tremidinha no pulso te avisa com antecedência para dobrar sem precisar ficar olhando a tela do celular toda hora.

A quantidade de sensores disponíveis no pulso de cada um de nós e as possibilidades que isso abre são fascinantes já na atualidade, mas ainda mais a cada nova função que vamos agregando nos dias que seguem. Há poucos anos, esses sensores todos precisariam de uma ampla sala para caber e poder serem usados por especialistas. Hoje estão no pulso.

iPhone

O meu é um XS Max, depois veio o 11 e agora o 12. Não devo atualizar ainda, apesar das câmeras novas me tentarem bastante, apaixonado por fotografia que sempre fui e hoje com filhos pequenos para documentar. De toda forma, a câmera do iPhone 6S em diante já é avançada o suficiente para fotos excelentes dos pequenos, e se no passado era importante (e fazia diferença) trocar de smartphone com regularidade, hoje isso não é o mais importante aqui em casa.

O iPhone é a central de processamento do universo Apple. O Apple Watch faz muita coisa sozinho, mas quando integrado com os processadores avançados presentes nos iPhones mais modernos, as possibilidades multiplicam exponencialmente.

Os novos iPhones, além de processadores mais rápidos e co-processadores especializados, com redes neurais, processamento de sinais, inteligência artificial e todas essas coisas avançadas que as empresas gostam de divulgar, possuem câmeras com sensores e recursos que também, assim como os sensores do Apple Watch, antes precisavam de salas inteiras para funcionar e operadores especializados para os utilizar. Com sensores de distância, infravermelho e mapeamento de objetos, o telefone basicamente enxerga no escuro. Junta essa capacidade extra-óptica com o processamento avançado, e as fotos noturnas ficam impressionantes.

The Magic Glasses

Você leu aqui primeiro. O próximo produto revolucionário da Apple serão óculos mágicos que permitem ver o invisível. Sim, estou falando sério. Não vai ser aquela bobagem que o Google lançou e logo tirou do mercado por problemas de posicionamento e privacidade. Nem vai ser um objeto futurístico que nos deixa parecendo um androide de ficção científica. Serão óculos com cara de óculos, inclusive com lentes graduadas para quem realmente as precisa para enxergar bem. E terão sensores que antes, mais uma vez, precisariam de amplos espaços para serem utilizados, agora comprimidos em uma armação comum.

Imagine um mundo em que você pode filmar de forma totalmente simples e automática tudo o que está vendo. Sim, os óculos do Google faziam isso uns anos atrás. Agora imagine você poder filmar o que não está vendo. E ver mais do que está vendo. Com tecnologias como AR, processamento avançado integrado com o celular que está no seu bolso (e que na verdade é um supercomputador, e não um simples celular), câmeras integradas com sensores LIDAR e infravermelho/ultravioleta e sabe-se lá mais o que estão inventando lá, imagine olhar para a água escorrendo na torneira, ou a chaleira no fogão, e “ver” a temperatura através de uma sobreposição em vermelho sobre o objeto quente, ou em azul sobre algo gelado.

Aqueles visores de ficção científica onde as pessoas que olhamos são identificadas e seus dados principais são exibidos para nossa visão prévia, estão se tornando realidade. Encontrou na rua aquele cliente que você só havia visto uma vez e não lembrava mais das feições, ou esqueceu o nome diante de tanta gente que você atende diariamente? Não é problema, o nome dele estará ali a sua vista, de forma discreta e confidencial, com os dados da sua agenda pessoal sendo mostrados junto da identificação.

Já faz alguns anos, mas cada vez mais, vivemos dentro de uma realidade de ficção científica. Para alguém da minha idade e história pessoal, que quando mais jovem achava que tinha “perdido o trem do desenvolvimento” por ter nascido uns anos depois da industria dos computadores já estar “desenvolvida” e não haver muito mais o que fazer de novo… é sensacional viver isso tudo como parte do dia a dia.

Fico só imaginando as possibilidades quando essas crianças todas que crescem achando tudo isso “parte natural do dia a dia” começarem a elas também acrescentar funções e novos sensores para ampliar ainda mais nossas capacidades pessoais.

Resumindo: compre Apple (as ações da empresa, não necessariamente os produtos), viva a inovação constante, e aprecie este mundo maravilhoso em que vivemos, cada dia com novas capacidades aumentando nossas habilidades naturais.