Dinheiro: um tabú

Um dos motivos para as famílias viverem com problemas financeiros é a falta de comunicação sobre este assunto. Falar de dinheiro parece uma coisa feia, suja. Pode ser que isso esteja impregnado em nosso subconsciente, talvez lembrando de quando éramos pequenos e ouvíamos nossas mães dizendo: “vai lavar as mãos que tu lidou com dinheiro, vai saber na mão de quem essas notas passaram”.

Em minhas palestras costumo fazer uma pergunta simples e quase sempre tenho a mesma resposta:

  • Quantos aqui sabem quanto ganham seus pais?

Entre amigos também não é comum falarmos sobre o assunto. No máximo temos conversas superficiais, reclamando de como a vida está complicada, como as coisas aumentaram de preço. Não costumamos juntar os amigos e discutir como estão as empresas nas quais investimos ou como evitamos pagar o dobro por um produto porque conseguimos esperar até ter dinheiro suficiente para comprar à vista.

Vemos amigos desfilando com carros luxuosos e imaginamos que ganham muito mais que nós. Muitas vezes, pode ser que eles mal tenham o suficiente para encher o tanque, tendo financiado algo muito acima de suas possibilidades, pagando caro por isso ao deixar um caminhão de dinheiro em juros ao banco.

Pais não ensinam aos filhos a importância de fazer um orçamento doméstico. Talvez porque eles mesmos não saibam dessa importância, vivendo um mês após o outro, sem planos, sem metas, sem objetivos. Vivem dentro de um salário fixo, torcendo para que o mês não acabe antes do dinheiro recebido.

Os poucos que fazem orçamentos simples, para ao menos saberem o quanto gastam em quê, não incluem os filhos nesse planejamento. Decidem sozinhos o que é importante, privando os filhos do exercício da escolha. Depois estes crescem ganhando tudo o que precisam, sem saber os esforços necessários para prover isso a eles. E não entendem, quando caem no mundo real, que não é possível ter tudo. Precisam escolher entre uma coisa e outra. Então, alheios à realidade, adquirem tudo o que acham que é necessário. Afinal, parcelar no cartão de crédito vai resolver todos seus problemas.

Você não enriquecerá economizando no cafezinho.

Você já leu em algum livro ou artigo. Economizar em pequenos gastos diários, como tomar o café da manhã em casa e não na rua, se torna uma fortuna se aplicado a juros compostos ao longo de trinta ou mais anos.

Quero deixar uma coisa clara:

Você não enriquecerá economizando no cafezinho!

Você só conseguirá viver infeliz.

Tomar café em casa significaria deixar de tomar o café com aquela colega de trabalho de quem você gosta.

Você quer enriquecer. Seguido vê tabelas de juros compostos mostrando a fortuna que você joga fora todos os dias no café da manhã. Até que um dia você cede e corta da sua vida “aquela atitude horrível que o estava impedindo de enriquecer”.

Sabe o que acontece a seguir? Você não guarda o valor economizado com isso, são valores tão pequenos que acabam escorrendo em outros pequenos gastos. Mesmo que você seja disciplinado e realmente coloque em um cofrinho o valor do cafezinho, certamente você não fará isso pelos próximos 30 anos!

Divirta-se com o processo, não espere pelo resultado

Aproveite sua caminhada para a riqueza. De que adianta viver se tivermos que abrir mão de todos nossos pequenos prazeres? Para que enriquecer se não podemos nem tomar um cafezinho com os amigos todas as manhãs?

O caminho para a riqueza exige esforço sério, disciplina e dedicação constantes. É um caminho que pode ser trilhado por qualquer um, mas não é um caminho que possa ser percorrido para quem não deseja fazer o necessário.

Ao escolher buscar a riqueza você escolhe abrir mão de muitas coisas hoje para poder usufruir de bem mais daqui alguns anos. Significa viver a verdade, mostrar quem você é, não quem você gostaria de aparentar ser.

Abra mão hoje do que fará diferença significativa no seu futuro e permita-se alguns pequenos prazeres que tornem esta caminhada menos árdua. Ande com carro popular, mas tome seu cafezinho. Foque em qualidade de vida, não em aparência.

Do que você abriria mão hoje para ter muito mais amanhã?

O que é essencial em sua vida que não há como dispensar?

Das coisas que faço todos os meses

Das coisas que faço todos os meses.

Ou um pouco de como me organizo.

Sempre no último dia do mês, ou primeiro do mês seguinte, faço o balanço do patrimônio. Tenho uma planilha onde jogo todos os números, saldos de contas corrente, investimentos em fundos, ações, ouro, moedas fortes, criptoativos, etc. Nesta planilha as coisas estão agrupadas em tipos de investimento, então no final tenho um gráfico de pizza com os percentuais de cada fatia. No final do processo, imprimo tudo em uma página e colo na minha agenda de papel. Se um dia os computadores deixarem de existir, o papel permanece. Ou como escreveu certo presidente: “verba volant scripta manent”.

Tenho meus compromissos com data e hora agendados no celular, com alarme sempre para uma hora ou trinta minutos antes. Esses tremem no meu pulso com o Apple Watch, uma das melhores aquisições que já fiz de trecos tecnológicos. Esse relógio me permite evitar precisar pegar o celular em incontáveis situações. Para quem trabalha com as telas como eu, toda vez que dá para responder algo ou ter alguma notificação apenas com o levantar do pulso é uma dádiva.

Ainda assim, todos os compromissos estão também na agenda de papel. E se no momento meu espaço de trabalho está meio restrito, na situação ideal esta agenda está sempre aberta na página da semana em andamento, junto com um calendário mais amplo, de vários meses, na parede próxima de onde trabalho. O que vemos sempre, não esquecemos.

Este ano minha agenda é um simples caderno sem pauta. Desenho eu mesmo os espaços semanais, as vezes ocupando uma página para a semana, as vezes duas. Gosto de agendas com uma página por dia, tem espaço para rabiscar, desenhar e escrever com letras grandes os compromissos importantes, mas nesse período que estamos vivendo os dias tem sido muito iguais, o caderno que comecei no ano passado ainda entrou e durará até o final de 2021. Será minha agenda bi-anual.

E você, tem alguma coisa que cuida todos os meses, que não faça parte da sua rotina mais frequente?

Equilíbrio entre o controle e a obsessão

Diz o dicionário, sobre obsessão: preocupação exagerada com alguma coisa.

É o contrário de indiferença. Sinônimo de preocupação.

Esses dias caíram todos os comandantes das forças armadas. Sabe o quanto me preocupei com isso? Nada. Se isso tivesse acontecido uns anos atrás, teria entrado imediatamente no homebroker para ver as implicações disso na bolsa.

Não sei se chegava a ser uma obsessão, mas lia tudo sobre o mercado, inclusive sobre empresas em que não investia. Acompanhava todos os relatórios de três casas de análise e realmente os lia de ponta a ponta. Era quase como se tivesse dois empregos, um exclusivamente como leitor de relatórios de investimento.

Claro que aprendi muito nessa época, mas chega uma hora em que começa a ficar tudo um pouco mais do mesmo.

Hoje me informo de maneira mais leve. Controlo meus investimentos diligentemente, mas sem preocupações com as variações de curto prazo ou baseadas em eventos. Como gestor de um clube de ações tenho responsabilidade com o meu dinheiro e com o de todos os outros cotistas. Cuido de perto os fundamentos das empresas em que investimos, mas seu neuroses. Os negócios se movem em velocidade bem diferente dos ruídos e medos dos investidores em geral.

Como comprar seu imóvel da maneira mais barata e segura.

Um papo sobre a realidade de todos nós, no Instagram. N

Pare de escutar esses Youtubers que falam de finanças te dizendo que a melhor maneira de comprar seu imóvel é juntar o dinheiro ao longo do tempo e então comprar à vista.

Quando temos jornalistas posando de mestres em finanças, pode apostar, algo está errado. Mas não são só esses, economistas e administradores vão te dizer o mesmo. E sabe onde está o problema? Não na profissão original escolhida, pois os interesses podem mudar genuinamente e todos tem capacidade de aprender coisas novas. O problema está na limitação que a profissão original escolhida causa em suas cabeças.

Tradicionalmente, a pessoa escolhe jornalismo por ter mais apreço pelas palavras do que pelos números. Da mesma forma, economistas e administradores escolhem essas áreas por ter mais afinidade com os números e a ordem, do que com pessoas e suas mentes. E aí vemos pessoas que não são íntimos de números, fazendo cálculos triviais e deixando passar os detalhes mais complexos, como probabilidades e estatística. E vemos quem faz os cálculos bem, mas não levam em conta a psicologia da mente das pessoas reais.

Pense por si.

Você pode juntar dinheiro ao longo dos anos, investir esse dinheiro ganhando uma merreca extra ao longo do tempo (porque você não vai colocar sua futura casa em investimento de risco) e enquanto não chega lá, pagar aluguel.

Você pode fazer um financiamento, se livrar do aluguel, e pagar juros. Juros nada mais são do que aluguel pago ao dinheiro emprestado pelo banco. E aí os Youtubers de finanças vão cair em cima do absurdo de pagar juros, mas no final, dá no mesmo. Juros ou aluguel são a mesma coisa enquanto você não tem seu imóvel próprio. Só que o aluguel, você tem que pagar até conseguir juntar o dinheiro todo. E os juros, você pode cortar adiantando prestações. Quando tem o fogo queimando a bunda, o que você faz? Fica parado ou corre para se livrar disso?

Fazendo um financiamento, no prazo mais longo possível, você consegue pagar um valor mensal que é semelhante ou pouco mais caro que um aluguel. Esse pequeno esforço extra é a diferença entre ter o que será seu e o que nunca será. E é um pouco mais caro simplesmente porque você está pagando ao banco o aluguel pelo dinheiro, enquanto paga pelo próprio imóvel junto. parece não ser diferente de pagar aluguel e juntar a diferença, mas é. Porque neste caso, você já está pagando a diferença diretamente para seu imóvel, não tem a possibilidade de acontecer alguma coisa ruim e você torrar esse dinheiro. Não tem a possibilidade de você estar entediado e gastar tudo em uma viagem ou em uma troca de carro. Dinheiro na mão é vendaval!

Além disso, pagando seu financiamento e com a dor de sentir os juros nas costas, talvez você se dedique ao trabalho depois do trabalho. E ganhando um pouco mais, possa acelerar os pagamentos para se livrar dos juros. Isso também é possível no “juntar dinheiro para comprar”, mas é mais difícil, porque ao se esforçar mais, vem junto aquela sensação de merecimento. E aí, lá se vai seu dinheiro suado em um presentinho aqui, uma viagem ali…

Pagar seu financiamento de 30 anos em apenas 10 ou 15 anos é possível e até bem fácil. Quando você se der conta de que ao pagar antecipadamente o valor de uma prestação atual você estará quitando quatro ou cinco prestações lá do final, todo o dinheiro extra começa a ir para isso. Se estivesse alugando e juntando dinheiro, é muito mais difícil fazer dessa forma.

E por fim falo do consórcio de imóveis. Nesse você não tem juros, mas também não recebe seu imóvel imediatamente. Você pagará aluguel por um tempo enquanto não for contemplado, mas certamente será contemplado em bem menos tempo do que levaria juntando dinheiro para comprar a vista. E assim que contemplar, se livra do aluguel e pode usar este valor que sobrará mensalmente para investir ou mesmo para adquirir um novo consórcio, agora para pagar pelo seu primeiro imóvel para alugar. Você sai da condição de inquilino para a de proprietário de imóveis de aluguel.

Sério, sobre os benefícios que podemos ter com os consórcios, poderia ficar horas aqui falando. Se te interessar por uma consulta, me procura, que vai ser um prazer ajudar.

Um pouco sobre a bolsa de valores.

Muitos tem medo de comprar ações. Quando converso, me dizem coisas como: “não tenho estômago para ver meu dinheiro valer metade do que tinha antes.”

Entendo essas preocupações, mas a verdade é que o preço das ações não deveria importar nesse sentido. O preço importa quando compramos. Quanto mais barato, melhor. Em ações vale o mesmo, mas para isso você tem que parar de pensar em uma abstração de ações e entender que está adquirindo um pequeno percentual de uma empresa.

Imagine que você tem uma padaria em sociedade com seu vizinho. Determinado dia ele passa em um concurso público em que trabalhará bem menos horas do que na padaria, fazendo algo que acha melhor e ganhando mais. Ele te oferece a parte dele por bem menos do que você acha que vale, porque quer sair de qualquer maneira o quanto antes da sociedade. Isso é ruim para você? Se você não pretende vender sua parte, seu sócio oferecer a dele por menos do que vale é ruim? Ou bom, porque agora você pode comprar por menos do que vale?

Agora imagine que você é sócio do banco em que tem sua conta corrente. Você tem um percentual dele. É melhor comprar um pouco mais dele por um valor maior ou menor? E por fim, se você não pretende vender o que já possui, e pode comprar mais lucros a receber, por um valor menor de aquisição, isso é ruim?

Depois que você compra uma ação, uma parte de uma empresa, por um valor que avaliou ser bom na hora da compra, o valor que os outros atribuem a esta ação não deve lhe afetar se você não tem intenção de vender, ou se não for resultado real da empresa ter piorado muito. Pelo contrário, gente querendo vender por menos do que você acha que vale abre a oportunidade de você comprar mais, por menos.

Perca o medo da bolsa de valores. Pense em adquirir parte de boas empresas para receber lucros regularmente. Você não vai ficar rico da noite para o dia, mas está construindo aos poucos um conglomerado de empresas que lhe sustentarão no futuro.

Se precisar de ajuda, entre em contato.

Sobre a casa própria

Um imóvel, geralmente, não é o melhor investimento que podemos ter.

Só que a casa própria acaba sendo um dos melhores investimentos das pessoas, na prática. E isso se dá porque em sua maioria, as pessoas mudam de ideia a toda hora, trocando seus investimentos, comprando e vendendo suas ações, decidindo torrar o dinheiro acumulado em uma viagem, em um carro novo, etc. Enquanto a casa ou o apartamento onde moram fica lá, com eles dentro, eventualmente até sendo trocado por um maior quando a família aumenta. Anos e anos mantendo o valor de prover um teto sobre suas cabeças.

O Pedro Cerize fala que comprar um imóvel é antecipar o aluguel até o fim da vida. Nos tira da cabeça a preocupação de ter onde morar. Ter nosso próprio teto ainda evita problemas como ter que precisar se mudar com urgência porque o proprietário de onde alugamos está pedindo o imóvel de volta. Imagine ter que se mudar no meio da pandemia. E se fosse com dois filhos pequenos? Sim, tem gente que diz que é só sair de um e entrar em outro, mas vai procurar imóvel para alugar pra ver se é simples assim.

Tem quem goste de fazer as coisas ficar com sua cara. E aí, vai fazer melhorias no imóvel dos outros, sem poder contar com elas para sí quando se mudar?

O Gustavo Cerbasi fala muito das vantagens do aluguel no início da vida adulta, fase onde podemos ter mudanças de emprego, melhorias ao mudar de cidade. Um imóvel próprio poderia funcionar como uma âncora nesses casos, nos impedindo de voar livres para ares melhores. Concordo com essa ideia também, mas ela tem prazo de validade.

Quando encontrar sua situação ideal, foque nela. Trocar de imóvel tem custos altos, impostos, taxas, cartórios, registros. Evite pular de galho em galho, pense nas suas necessidades de uns anos à frente. Se planeja ter filhos e ainda não os tem, pense em já procurar um imóvel que comporte a família extendida.

Não diretamente relacionado ao assunto, procure morar perto do trabalho. Um dos maiores fatores de stress das pessoas é o desgaste diário do vai e volta do serviço. Corte este ao máximo.

Tenha seu próprio lar.

E já sabe, se precisar de ajuda, entre em contato. Vai ser um prazer ajudar.

Um pouco sobre mim.

Sempre fui experimentador. Kits de química, revelação de fotos, circuitos eletrônicos… gostava de aprender como as coisas funcionavam.

Lembro com bastante clareza que desde cedo gostaria de ter meus próprios negócios. Dezenas de cadernos com meus rabiscos e planos. Eram editoras, estúdios fotográficos, laboratórios de revelação, escolas de informática. Até uma rádio pirata coloquei no ar ainda adolescente, com transmissor montado por mim.

Ao mesmo tempo, sempre fui muito tímido. Daqueles que tiravam 10 no trabalho escrito para poder zerar a parte da apresentação e ainda assim ter nota para passar.

Curiosidade, tecnologia e timidez formam uma combinação interessante. A faculdade de informática foi o caminho natural.

Juntando o desejo de ter minha própria empresa, a busca pela inovação e a formação em computação, o resultado disso tudo foi iniciar a internet comercial aqui no Brasil. Com mais cinco amigos, abrimos um dos primeiros provedores de acesso à internet do país em 1996.

Paralelo a tudo isso tive o exemplo do meu pai ao longo de toda minha infância e adolescência. Com a curiosidade natural de criança sobre o mundo dos adultos, acompanhava as vezes o pai em seu trabalho como economista no Banrisul. Foi assim, por dentro, que cresci sabendo desde cedo como funcionam os bancos, investimentos, fundos, bolsa de valores e tudo mais de finanças.

Sou a mistura desses termos: curiosidade, inovação, tecnologia, sistemas, finanças, tranquilidade.

Já iniciei e terminei mais de meia dúzia de empresas. Algumas vendi, outras fechei. Uma ou duas quebrei. Duas permanecem neste momento.

Já escrevi e publiquei dois livros, um deles por editora tradicional, antes da mágica da auto-publicação se tornar tão simples. Mais três estão a caminho.

Era isso o que tinha para hoje. Obrigado pela leitura.

Se você ainda tem alguma curiosidade sobre mim, fique a vontade de perguntar nos comentários.

Consultoria

Estou desenhando um produto de consultoria.

Normalmente não sou uma pessoa que gosta de pagar por consultoria. Penso: porque deveria pagar por algo que posso aprender sozinho? Será que o consultor realmente sabe mais do que eu sobre isso? Ou ainda, será que vai ajudar mesmo ou é só jogar dinheiro fora?

Um arquiteto pode ajudar em coisas que a vivência já mostrou ser importante. Quem nunca fez uma reforma não faz ideia de coisas que podem trazer impacto futuro de longo prazo. Uma simples consulta, até mesmo um pequeno projeto, podem mostrar detalhes que não teríamos nos dado conta sozinhos.

Aprender a tocar um instrumento musical também vale. Aulas partículas nada mais são que consultoria regular sobre o assunto.

A idade traz clareza. A idade te faz ver que o tempo é um recurso precioso. Sim, posso aprender algo sozinho, mas usar o conhecimento de quem faz regularmente isso que desejo fazer pode abreviar o caminho. Seja uma dica, uma sugestão que não tinha pensado ou uma armadilha que não conseguiria evitar sozinho. Pagar pode ser mais barato.

Meu caso particular pode ser parecido com o seu. Vou tentar escrever sobre porque até hoje não presto consultoria paga.

Vendo consórcios de imóveis. Uso os consórcios como ferramenta de investimento. O consórcio faz a mágica do crescimento e diversifico investindo os lucros obtidos com eles em ações, FIIs, dólares…

Me consultam sobre compra de imóveis. Perguntam se o consórcio pode ajudar, se cartas contempladas são boa alternativa para compra. Na prática, não é somente escolher a melhor opção financeira. É preciso escolher a melhor opção que se adapte ao perfil de quem está assumindo o compromisso. Para uns, o financiamento, mesmo “mais caro”, pode ser a melhor opção. Se tiver o perfil e conseguir quitar antes o financiamento adiantando parcelas ao longo do tempo, o mais caro se torna mais barato.

Presto consultoria há anos, mas não cobro. Pensava que havia uma interseção entre quem deseja comprar um imóvel para morar e quem quer investir. Se tivesse a chance de falar do consórcio para o comprador do imóvel, talvez atingisse o investidor também.

Acredito que alguns deixem de me consultar pensando que vou empurrar consórcios goela abaixo. Mesmo tendo vários artigos meus explicando quando os consórcios não são uma boa opção, nem sempre quem chega até mim já leu esses artigos ou sequer sabe da sua existência. Muita gente chega apenas com os preconceitos: vendedor de consórcios vai tentar me vender consórcios. Para essas, não tenho a chance de eventualmente dizer que para a compra do imóvel que desejam o consórcio não é a melhor ferramenta, mas que, se no futuro desejarem investir usando os consórcios, posso ajudar.

Pessoas também deixam de me consultar por vergonha de abusar da minha boa vontade. Não recebo e também não ajudo. Por isso a consultoria. Quem desejar pagar para me ouvir, poderá.

Aposentadoria do pequeno empreendedor.

Quando somos funcionários de uma empresa, esta recolhe o INSS sobre nosso salário. Isso garante, na pior das hipóteses, um prato de sopa para a velhice. Arriscar todo seu futuro em um só emprego é temerário, mas ao menos esse recolhimento automático existe. Apesar de muitos reclamarem, a verdade é que se não houvesse tal recolhimento, muitos não teriam como se aposentar.

Já quando somos pequenos empreendedores, normalmente temos a prerrogativa de definir sobre quantos salários mínimos recolher o INSS. E a maioria recolhe sobre o mínimo possível, com o argumento de que são mais capazes que o governo de cuidar do próprio dinheiro.

Eu gostaria de sugerir fazer diferente. Gostaria de sugerir aos pequenos empreendedores que recolham o INSS sobre o máximo possível pelas regras em vigor. O motivo para isso é simples. Uma empresa própria é ainda mais arriscado do que apenas um emprego padrão. Se tudo der certo (e as estatísticas falam o contrário) recolher o INSS pelo teto máximo não será um gasto relevante frente aos resultados. Foi gasto, não compensará no futuro, mas na verdade não fará nenhuma diferença.

Por outro lado, se os anos passarem e seu negócio não decolar, ou se até der certo, mas apenas para manter uma vida digna enquanto for possível manter sua dedicação ao longo do tempo, você contará então com uma aposentadoria um pouco melhor.

Claro que os sabichões de plantão irão dizer que é melhor pagar sobre o mínimo e investir a diferença. Mas eu rebato: quem disse que você sabe investir? E mais, quem garante que você realmente fará isso? Recolher o INSS pelo teto é mais simples e automático, você orienta seu contador a fazer desta maneira e esquece o assunto até o fim dos dias.

Em um país onde a maioria dos negócios quebram antes de poucos anos, pagar pelo teto é ainda uma forma de garantir que você está no caminho certo, ganhando o suficiente para poder fazer isso.