Artigos

Não tenha ídolos

Sempre fui fã deste cara, mas o texto também se refere a este assunto.

Quando era adolescente, tinha alguns ídolos. Admirava algumas pessoas que se destacavam acima da média. Achava estas pessoas sensacionais, queria me espelhar nelas. Isso era verdade em várias áreas. E essa admiração continuou por muitos anos após minha juventude, com estas pessoas me ajudando a formar o que me tornei até hoje, e ainda me auxiliando a tornar-me sempre um pouco melhor do que ontem.

Admirava o Bill Gates, mas ainda mais, muitos dos que vieram antes dele e criaram o ambiente que permitiu ele se desenvolver. A história do início da computação sempre foi uma das minhas maiores paixões, e continuo lendo maravilhado as histórias daquela época e daquelas pessoas.

Em algum momento admirei o Donald Trump. A ousadia, a arte da negociação, a figura sempre sorridente mostrando uma vida de riqueza e sofisticação. Essa imagem não envelheceu tão bem… Enquanto o Bill Gates cresceu e se transformou de homem mais rico do mundo em maior filantropo do planeta, o Donald se tornou isso que vemos aí… 

É ruim se decepcionar, mais ainda quando não temos controle sobre os fatos. Então, não tenha ídolos, e não os tendo, não se decepcione quando eles mudarem para pior.

——

Escrevi vários parágrafos, mas não vou publicar aqui. Vou resumir: tinha uma ídola na adolescência. Acompanhava a carreira à distância, nunca a conheci pessoalmente no seu auge. Conheci já no final de carreira. E todas as características que eu admirava e a tornavam uma vencedora na carreira que tinha escolhido, a faziam uma perdedora em todas as outras áreas da vida.

——

Um pouco como a decepção com o Donald, que usou toda aquela ousadia que exibia nos negócios para se tornar esse patético de palco que vemos atualmente. 

Então quando digo: “não tenha ídolos,” o faço no sentido de não idolatrar as pessoas que parecem atrair o sucesso. Saiba que podem ser muito boas em algumas coisas e péssimas em outras. Não pense que essas pessoas são na vida real, em seu dia a dia, exatamente como mostram em suas redes sociais ou como os jornais e revistas o expõem. 

Estou falando daquele artista, que pode ser sensacional na sua arte, mas não respeita as mulheres, por exemplo. 

Falo do empresário milionário que perde os aniversários dos próprios filhos. Sim, pode ser o preço a pagar pelo resultado que ele atingiu, mas é isso que você quer? Dinheiro a qualquer custo? Um aniversário vai fazer diferença, se os filhos forem milionários? Trabalhar 18 horas por dia e só aparecer no domingo para a família vai fazer diferença no futuro deles? Não tenho resposta para isso, mas é o que você quer para sua vida? 

Então quando você vê um resultado, não idolatre esse resultado, nem a pessoa que o atingiu. Pense no preço que estas pessoas podem estar pagando. Pense na vida que elas tiveram e por que motivo fazem o que fazem desta maneira.

Há várias estradas que levam para um mesmo destino, há várias maneiras de nos mover para frente. Algumas mais rápidas, algumas mais lentas. Escolha seus próprios caminhos.

Vou dar um exemplo, ou melhor, dois. Dois amigos relativamente próximos. Não são do meu convívio diário, mas ao mesmo tempo, participo de perto de suas vidas. Ambos multimilionários. Um, avarento. Outro, vive no padrão que atingiu, sem excessos, mas também sem abrir mão de usar o que conquistou. Um anda com carrinho popular chinês porque custa menos. Outro passeia de BMW conversível, que representa pouco em seu patrimônio, mas lhe dá um prazer e conforto que nenhum carrinho popular daria. Ambos engraxates quando crianças. Qual está certo? Ambos! Cada um está certo segundo seus próprios valores e princípios. Cada um vive a vida que escolheu, ou que suas circunstâncias os tornaram. Eu, pessoalmente, acredito que a vida do segundo amigo é mais equilibrada, mas de novo, eu não vivi o que o primeiro amigo viveu. Não sei quais medos o assombram à noite. Não estou em posição de julgar nada nem ninguém.

De perto ninguém é normal. Emule as características que fazem sentido para sua vida, faça o que é necessário para atingir os objetivos que lhe falem ao coração, mas não perca tempo tentando conquistar o que as pessoas mostram em suas vitrines, sem analisar o preço que essas pessoas pagam para obter o que mostram.

Voltando lá no início e na imagem que ilustra este artigo… Se você pudesse ver o futuro em cada uma de suas escolhas, que caminho você escolheria para trilhar: ser o melhor de todos, o número um, o campeão inconteste, uma lenda na área que escolheu, ou ser bom o suficiente para viver uma vida tranquila e divertida? Porque no limite, a escolha é essa, entre ser bom o suficiente, ou dar a vida para ser o melhor de todos.

Negócios não lineares

Veja lá no meu IGTV.

Há diversas maneiras de se fazer negócios e investir o dinheiro. A maioria das pessoas realiza estas duas atividades de maneira linear. Neste rápido artigo gostaria de mostrar uma nova forma de ver as coisas, melhor, muito mais lucrativa. E dou um exemplo de como isso funciona na compra de um imóvel na planta para posterior venda com lucro.

Compra de imóvel na planta de maneira linear:

Você vai até a construtora ou imobiliária, escolhe o apartamento na planta que deseja comprar, negocia as condições de pagamento e realiza a compra.

Uma das maneiras de ganhar dinheiro com esse investimento é negociar o menor pagamento possível até a entrega do imóvel pronto, para então vender ele pronto com um bom lucro sobre o valor de aquisição. Como pagamos apenas uma parte do imóvel e repassaremos o saldo devedor para o comprador, um lucro de 20% sobre o valor total do imóvel pode se tornar, por exemplo, um lucro de 50% sobre o valor efetivamente investido, caso tenhamos pago apenas 40% até a entrega. Um lucro de 50% em dois ou três anos, que te parece?

Compra de imóvel na planta de maneira não linear:

Tenho uma amiga fazendo isso. Pessoalmente ainda não fiz nenhum negócio destes. Esta amiga já fez três nos últimos tempos. 

Em vez de simplesmente comprar um imóvel na planta como mostrado acima, a ideia é pensar como otimizar o lucro de maneira a lucrar mais e/ou lucrar mais rápido. Pensando de forma não linear inserimos algo no meio do negócio que nos permite melhorar nossos resultados.

O que esta amiga está fazendo? Ela procura e compra veículos usados, em bom estado e relativamente novos, buscando comprar com desconto sobre o valor da tabela FIPE. Quando trocamos o carro em uma concessionária, por exemplo, normalmente aceitam nosso veículo com desconto de aproximadamente 20% sobre o valor FIPE. Então é relativamente simples conseguir comprar com um bom desconto, pois as pessoas já estão meio que acostumadas a negociar. E dinheiro na mão é dinheiro na mão, então oferecer para comprar a vista um veículo de pessoa física é praticamente certeza de conseguir um bom desconto.

O pulo do gato aqui é que muitas construtoras aceitam veículos como parte do pagamento em seus imóveis. Estão todos na mesma luta, cada um defendendo o seu, então fazer negócios é aceitar o que os compradores podem oferecer. Dada a diferença de valor entre um apartamento e um carro, aceitar este pelo valor da tabela FIPE é algo relativamente simples de se conseguir em uma negociação de um apartamento que nem mesmo começou a ser construído.

E desta forma temos a compra de um imóvel na planta, com potencial de valorização, e com uma entrada que apesar de representar um percentual do valor do imóvel, na verdade custou 20% a menos. Se vendermos este imóvel logo em seguida, mesmo que por um pouco menos do que “temos já quitado,” ainda assim estamos com o lucro do veículo no bolso. Um lucro que, se fôssemos apenas tentar revender o veículo, dificilmente conseguiríamos. E se fôssemos tentar vender o imóvel com lucro logo em seguida, também não conseguiríamos, porque ninguém iria comprar um imóvel por mais do que a própria construtora está oferecendo no mercado.

Extrapole esse pensamento não linear para outras áreas, pense em que negócios você está envolvido que poderia usar um pensamento “fora da caixa” para otimizar ou tornar mais lucrativo.

Só não caia em armadilhas simplistas… quer comprar um imóvel pronto para morar? Será que vale a mesma ideia? Se você comprar de uma construtora, pode ser que sim. Se comprar de uma pessoa física, acredito que não. O desconto que uma intermediação lucrativa com um veículo pudesse representar, pessoalmente acho que é mais fácil de conseguir como desconto oferecendo o pagamento a vista com desconto. 

Gostou dessa lógica? Manda este artigo para um amigo investidor que poderia lucrar com isso. 

Mais interação no Instagram

https://www.instagram.com/fperuzzo/

Esta semana comecei a participar mais ativamente do Instagram.

Se você se interessar em me acompanhar mais de perto, lá vou falar principalmente de consórcios, de finanças pessoais e de investimentos, mas de uma maneira mais próxima, com interação diária sempre que possível.

Já publiquei alguns videos por lá. Um dos maiores usos que pretendo dar para meu Instagram é em responder às dúvidas de todos, então acredito que seja legal acompanhar por lá, já que a dúvida de outra pessoa pode ser justamente aquela que você nem mesmo sabia que tinha.

Vai ser um prazer te ver por lá. Clique na imagem acima para ir para meu perfil e me seguir por lá.

Vejo no Instagram uma das melhores ferramentas para seu crescimento pessoal ou profissional, então se você ainda não conhece o App, acredito que valha a pena dar uma olhada.

https://www.instagram.com/fperuzzo/

Lucro de R$ 24.000 em 17 meses, com um investimento de menos de R$ 480 mensais.

Contemplei uma carta de consórcio este mês, com 17 prestações já pagas. No video a seguir, explico todo o funcionamento do consórcio, as possibilidades existentes nos grupos que indico a participação, como otimizar o investimento e muito mais.

Há também uma explicação prática de como calcular o valor de uma carta contemplada, pois faço todos os cálculos ao longo do video.

Se você deseja investir da mesma maneira, vai ser um prazer ajudar. Entre em contato, ou visite a página da Megacombo para saber mais.

Eu uso máscara

Não acho que precise usar máscara para caminhar sozinho na rua, mantendo distância dos outros. Nem quando saio na mesma situação com meus filhos, que devido à idade, não usam máscara. Mantenho eles também longe das outras pessoas por conta disso. Mesmo assim, uso minha máscara para caminhar na rua ao ar livre.

Faço isso porque acredito que a mensagem é mais importante que o simples fato prático.

Na prática, pode não fazer diferença. Na realidade, faz.

Uso máscara para indicar que sou parte da solução, não do problema.

Uso máscara para mostrar que me preocupo com o outro. Que mesmo achando que não tenho nada, não me aproximando das pessoas, ainda assim posso estar errado e estar, sim, sendo um potencial transmissor. Então, uso máscara.

Não posto foto da minha vida normal acontecendo no meio de uma pandemia. Não tenho uma vida normal no meio desta pandemia. Não acho normal ir ao shopping, frequentar restaurante, enquanto pessoas estão lotando CTIs sem conseguir respirar.

Não sou perfeito.

Levei as crianças na piscina do prédio esses dias. Todos sem máscara. Os adultos respeitando uns aos outros e mantendo distância e colocando suas máscaras quando um pouco mais próximos (mas ainda assim, distantes). Nestes oito meses, agora nas últimas semanas levamos as crianças para a pracinha três vezes. Nós com máscara, eles sem. Tentamos evitar horário cheio, conseguimos parcialmente, porque mesmo nos horários inadequados que escolhemos, outras crianças também estavam por lá. Orientamos o distanciamento, mas crianças são crianças. Avaliamos os riscos e corremos estes. Piscina do prédio e pracinha próxima de casa, eventualmente, com cuidado, nos pareceu um risco tolerável frente a saúde emocional das crianças.

Ainda assim, não saímos publicando fotos disso nas redes sociais. Não somos perfeitos, mas também não somos perfeitos idiotas. Cometer um erro é uma coisa, jogar ele ao vento dando liberdade para outros pensarem que é normal é outra completamente diferente.

Eu uso máscara, não apenas por mim, mas por todos que precisam desse meu cuidado muito mais do que eu.

Nestes tempos modernos, em que tudo e todos tem que se justificar, deixa eu falar uma coisa aqui: ESTOU FALANDO DE MIM. Se você não concorda comigo, se vê o mundo de maneira diferente, se pensa que pode, deve, ou tem direito de fazer o que quiser com sua vida, vai lá e faz. Não vem encher o saco aqui na minha casa virtual. Me ignora e vai viver tua vida.

Eu também uso outras máscaras

As vezes eu uso a máscara da felicidade externa quando meu coração está implodindo por dentro.

As vezes eu uso a máscara do não me importo, quando algo dói demais para aceitar.

As vezes uso a máscara do está tudo bem, quando o mundo está desabando dentro da alma.

Antes de ter, ser. Se o mundo está desabando, tente ver como ele seria se tudo estivesse melhor. Viva este melhor. Sinta este melhor. Com a alma mais leve, faça uma pequena coisa. Dê um passo em direção à saída do túnel escuro em que se encontra. Um passo por vez. Em direção à luz. Quando sair, não se ofusque, vá aos poucos.

Um dia após o outro. Um pouco melhor a cada dia. Kaizen.

Tenha um bom dia.

Milão. A cidade mais privilegiada de Itália está agora na fila do pão

por Antonio Scurati | Observador | Publicada em 07/04/2020

O fim de uma era. A cidade mais privilegiada de Itália está na fila para o pão. A partir de Milão, onde vive e está isolado, o escritor italiano Antonio Scurati escreve o que vê da janela da sua casa.

É o artigo publicado pelo site português Observador. É arrepiante, um passeio arrasador, ao menos para minha geração. Copio abaixo para manter uma cópia caso o original saia do ar. O link veio depois de uma thread no Twitter, que reproduzo também aqui nas imagens a seguir, pois acho que vale a reflexão.

Segue o artigo de Milão:

Como posso convencer a minha mulher de que, enquanto olho pela janela, estou a trabalhar? — perguntava-se Joseph Conrad no início do século passado. Eu, em vez disso, pergunto-me: como posso explicar à minha filha que, quando olho pela janela, vejo o fim de uma era? A era em que ela nasceu, mas que não conhecerá, a era do mais longo e distraído período de paz e prosperidade desfrutado na história da Humanidade.

Vivo em Milão, até ontem a mais evoluída, rica e brilhante cidade de Itália, uma das mais desejadas do mundo. A cidade da moda, do design, da Expo. A cidade do aperitivo, que deu ao mundo o Negroni Sbagliato e a happy hour e que hoje é a capital mundial do Covid-19, a capital da região que, sozinha, soma trinta mil contágios confirmados e três mil mortos. Uma taxa de mortalidade de 10 por cento, os caixões empilhados à frente dos pavilhões dos hospitais, uma pestilência vaporosa que paira sobre as torres da sua catedral como sobre as cidades amaldiçoadas das antigas tragédias gregas. As sirenes das ambulâncias tornaram-se na banda sonora dos nossos dias; as nossas noites são atormentadas por homens adultos que choramingam no sono: “O que é, sentes-te bem?”; “Nada, não é nada, volta a dormir”. Milhares de amigos, parentes e conhecidos seus tossem até cuspir sangue, sozinhos, fora de todas as estatísticas e sem qualquer assistência, nas camas dos seus estúdios decorados por arquitetos de renome.

Se, neste momento, olhar pela janela, vejo uma pobre loja de conveniência gerida com admirável diligência por imigrantes cingaleses. Até ontem, era uma singular anomalia neste bairro semi-central e, ao seu modo elegante, uma nota dissonante. Hoje é um lugar de peregrinação. Na fila para o pão em frente às suas vitrinas despidas, vejo homens e mulheres que até ontem o desdenhavam por não ter a sua marca preferida de farelo. Ficam, apoiados pela disciplina do desânimo, a um metro de distância uns dos outros, ao mesmo tempo ameaçadores e ameaçados, com máscaras improvisadas, feitas de pedaços de tecido com os quais, até ontem, protegiam as plantas exóticas do seu roof garden, gazes desfiadas penduradas nos seus rostos com a melancolia mole dos restos de uma era acabada.

“Uma taxa de mortalidade de 10 por cento, os caixões empilhados à frente dos pavilhões dos hospitais, uma pestilência vaporosa que paira sobre as torres da sua catedral como sobre as cidades amaldiçoadas das antigas tragédias gregas. As sirenes das ambulâncias tornaram-se na banda sonora dos nossos dias”

Vejo estes homens e estas mulheres tristes, incongruentes consigo mesmos. Olho-os. Não tenho nenhuma intenção de os diminuir ou de troçar deles. São homens e mulheres adultos, contudo por cima das máscaras mostram o olhar assustado das crianças carenciadas. Chegaram totalmente impreparados ao seu encontro com a história e, no entanto, precisamente por este motivo, são homens e mulheres corajosos. Fizeram parte do pedaço mais abastado, protegido, longevo, bem vestido, nutrido e cuidado da Humanidade a pisar a face da Terra e, agora, na casa dos cinquenta, estão na fila do pão.

A sua aprendizagem na vida foi uma longa aprendizagem da irrealidade televisiva. Tinham vinte anos quando assistiram, a partir das suas salas de estar, à primeira guerra da história humana em direto na televisão, trinta quando foram alvejados através dos televisores pelo terror mediático, quarenta quando a odisseia dos condenados da terra aterrou nas praias das suas férias. Todos encontros fatídicos que não poderiam perder. As grandes cenas da sua existência foram consumidas em eventos mediáticos, foram guerreiros de sala, banhistas nas praias dos migrantes, veteranos traumatizados pelas noites passadas em frente à televisão. E agora estão na fila do pão.

A sua infância foi uma manga japonesa, a sua juventude uma festa de piscina — lembram-se? Era sábado à noite e íamos a uma festa; era sempre sábado à noite e íamos sempre a uma festa —, a sua idade adulta é um tributo a uma trindade insossa e feroz: o frenesim do trabalho, os verões no outlet, o sublime do spa. Viveram bem, melhor do que qualquer outra pessoa, mas quanto mais viviam mais inexperientes eram na vida: nunca conheceram o terror da guerra, nunca foram tocados pelo sentimento trágico da existência, nunca uma questão sobre o seu lugar no universo. E agora, aos cinquenta anos, com os cabelos já brancos, o abdómen prolapso e a ânsia que lhes incomoda os pulmões, estão na fila do pão. Turistas compulsivos, correram o mundo sem nunca sair de casa e agora a sua casa marca para eles os limites do mundo; sofreram quase só dramas interiores e agora o drama da história catapulta-os para a linha de fogo de uma pandemia global; têm uma casa na praia e um celular de última geração, mas agora estão na fila do pão; tiveram mais cães do que filhos e agora arriscam as suas vidas para levar o seu poodle a mijar.

Olho-os da janela do meu estúdio enquanto escrevo. Observo-os enquanto o número de mortes sobe para quatro mil, enquanto a abcissa do contágio cresce exponencialmente, enquanto sustenho a respiração para não inalar o ar do tempo. Olho-os e compadeço-me deles porque foram a geração mais sortuda da história humana, mas, depois, tocou-lhes viver o fim do seu mundo justamente quando começaram a ficar demasiado velhos para esperar um mundo vindouro. Porém, terão de o fazer, fá-lo-ão, estou seguro. Vão ter de imaginar o mundo que têm sido obrigados a experienciar nestes dias: um mundo que se questiona sobre como educar os próprios filhos, sobre como preservar um ar respirável, sobre como cuidar de si e dos outros. Uma era acabou, outra começará. Amanhã. Hoje estamos na fila para o pão. Hoje os jornais titulam: resiste, Milão! E Milão resiste.

Lanço um último olhar pela janela sobre os meus contemporâneos dos cinquenta anos, os meus concidadãos milaneses, os meus rapazes repentinamente envelhecidos: como são grandes e patéticos com os seus ténis de corrida e as suas máscaras cirúrgicas. Tenho piedade, compreendo-os, compadeço-me deles. Dentro de alguns segundos estarei na fila junto deles.

Investimento ativo, passivo, ou inteligente?

Há muitas maneiras de se conquistar um objetivo. Enriquecer não é diferente. Podemos conquistar a fortuna financeira através da criação de um negócio próprio, da venda dos produtos e serviços de outras pessoas, através de um bom emprego, ou de várias formas de investimento ao longo dos anos.

O que não costuma acontecer é enriquecer da noite para o dia. Golpes de sorte existem, claro, mas não podemos contar com eles como fórmula para garantir algo importante.

Uma das fórmulas garantidas para enriquecer é através do investimento regular ao longo dos anos, o famoso “pagar primeiro a si mesmo.” Hoje vou falar disso, das diferentes abordagens que podem ser adotadas, e dos motivos que levam as pessoas a adotar uma ou outra dessas abordagens.

Investimento passivo

O investimento passivo, como o nome diz, é o que tomamos a menor quantidade de decisões possíveis. Não precisamos trabalhar muito na escolha dos investimentos. Pode ser feito através da compra de títulos de índice (da bolsa, de renda fixa, etc) ou através do investimento em fundos de investimento tradicionais. Ajuda, nesta hora, contar com auxilio profissional, então as diversas casas de análise que temos no país podem ser uma boa alternativa para nos auxiliar na escolha de bons fundos de investimento, por exemplo.

Investimento ativo

Já no investimento ativo, dedicamos bom tempo a pesquisar as diferentes opções. Ao investir em ações, por exemplo, optamos por comprar ações das empresas individuais que pensamos serem boas pagadoras de dividendos, ou que acreditamos que irão valorizar mais ao longo do tempo.

Muitas pessoas que buscam investimentos ativos não se dão conta que ao optar por esta alternativa acabam usando o tempo em que poderiam estar se aperfeiçoando em suas áreas de atuação para estudar sobre investimentos ou empresas, e ao fazer isso, acabam não crescendo tanto quanto poderiam em suas profissões.

Nos investimentos há uma realidade que não pode ser desprezada, que é: quanto mais você tiver para investir, mais conseguirá fazer seu patrimônio crescer. Por mais que um investimento possa render mais que outro, é muito baixa a probabilidade de, em um prazo mais longo, você conseguir uma rentabilidade absurdamente maior do que a média do mercado. Então, dedicando seu tempo a melhorar sua capacidade de ganhar mais dinheiro ao longo do tempo, você automaticamente melhora o resultado dos seus investimentos ao ter mais valor para dedicar a isso.

Não quero dizer com isso que você não deva estudar sobre investimentos, mas sim que, ao contrário de sua profissão, onde um pouco de conhecimento acima da média pode fazer com que sua renda seja bastante superior à média dos que trabalham em sua área, nos investimentos, o conhecimento médio não traz resultados muito diferentes do conhecimento avançado. Pelo contrário, muito conhecimento pode inclusive te deixar paralisado diante das diversas opções. E mais, não há certezas no mercado, de uma hora para outra pode haver uma pandemia que bagunce tudo, como está acontecendo agora, ou seja, as coisas mudam.

Por outro lado, vamos pegar o exemplo de um médico. Se em vez de perder tempo estudando sobre investimentos (acima de um mínimo razoável) ele fizer uma especialização em determinado procedimento cirúrgico, essa especialização pode abrir portas para ele ganhar muito mais do que ganharia com o conhecimento básico da faculdade. O mesmo vale para um advogado que se especializa em determinada área do direito que possua possibilidades diferenciadas, como direito tributário, por exemplo. Ou um dentista que faça cirurgias buco-faciais. Ou um corretor de imóveis especializado em vender galpões logísticos.

Também é considerado um investimento ativo aqueles em que nos envolvemos mais para executar. A compra e venda de imóveis em leilão, por exemplo. Ou comprar imóveis baratos para reformar e vender com lucro. Esses investimentos podem gerar muito lucro, mas geralmente necessitam de um envolvimento tão grande, que não devem ser vistos como um investimento, mas sim, como um negócio próprio, como uma empresa paralela. Mesmo que sejam realizados diretamente como pessoa física, são negócios, exigem participação e trabalho extra. Podem ser bons, podem ser recompensadores para quem tem o perfil de gostar de trabalhar mais, mas não são simples investimentos. São negócios. E devem ser tratados como tal. Parte do que calculamos como “lucro” deveria ser contabilizado como salário/pró-labore, porque efetivamente trabalhamos para que existam.

Investimento inteligente

O que chamo de investimento inteligente é o tipo de investimento em que temos ao mesmo tempo algo passivo, mas também com uma possibilidade de lucros bastante acima da média. Quase como um negócio que se movimente de forma automatizada.

O desenvolvimento de um curso online, por exemplo, pode ser um investimento inteligente. Investimos tempo e dinheiro em algo que possa nos dar retorno automático ao longo dos anos seguintes. Não é um investimento totalmente passivo, pois precisamos criar o curso inicialmente, mas se torna passivo após isso, gerando renda quer façamos novos cursos, quer não.

Escrever um livro também, pode cair nesta mesma classificação. Apesar de não termos um grande mercado de leitores no país, alguns tipos de livros podem ter bastante sucesso, como por exemplo manuais práticos sobre algum assunto de nicho. Sei lá, técnicas de bonsai específicas para o clima de uma determinada região. Ao mesmo tempo em que se limita o público àquela região, pode se tornar o livro definitivo na biblioteca de todos os profissionais desta área. Adapte a ideia à sua especialidade ou seus interesses pessoais.

Quando penso em investimento inteligente, apesar de não descartar os que citei acima, busco algo ainda mais passivo, com menos investimento de tempo e criação. Busco algo que se beneficie de distorções do mercado.

Distorções do mercado

Uma distorção do mercado é usarmos um conhecimento que a maioria das pessoas não possui de forma a lucrar com isso. Não é algo trivial descobrirmos esse tipo de coisa, geralmente quem lucra com isso são profissionais envolvidos no ramo, que conhecem como as coisas funcionam por dentro e identificam coisas que podem utilizar de forma criativa ou lucrativa.

Distorções no mercado de Bitcoins, por exemplo. Há três anos tivemos uma explosão na curiosidade sobre os Bitcoins, todo mundo queria saber sobre o assunto e o preço foi às alturas, chegando aos US$ 20.000 lá fora e aos R$ 73.000 aqui no Brasil. Neste momento os Bitcoins estão cotados a pouco mais de US$ 15.000 no exterior, e devido ao câmbio atual, próximo de R$ 85.000 no Brasil. Ou seja, lá fora ainda não atingiu o pico anterior, mas aqui já passou do mesmo.

Quando tivemos esse aumento extremo da curiosidade sobre o assunto lá em 2017, quando os Bitcoins foram para as capas dos jornais e para a TV e o medo de ficar de fora tomou conta da mente das pessoas, todo mundo queria comprar um pouco de Bitcoins. E isso gerou uma distorção que poucos se deram conta. Quem entendeu o que estava acontecendo e aproveitou a situação, lucrou muito, muito rápido e com segurança. Em determinado momento os preços do Bitcoin no Brasil chegaram a ficar até 24% mais caros que no exterior. Quem tinha condições de comprar Bitcoins lá fora, enviar para cá e vender nas corretoras nacionais conseguia, mesmo depois de pagar taxas altíssimas dessas corretoras, dobrar o capital depois de cinco ou seis operações de compra e venda. Essa janela ficou aberta por quase um mês, então deu tempo de lucrar bastante durante um tempo.

Distorções de percepção de tempo

Meu investimento inteligente são os consórcios de imóveis. Chamo eles de distorção de percepção do tempo.

A grande verdade é que o tempo passa. E passa muito rápido. Só que a maioria das pessoas pensa no tempo das coisas, estima que pode demorar muito, e simplesmente desiste antes mesmo de começar. Os mais jovens sofrem mais com isso.

Imagina uma pessoa de 30 anos estimando um investimento que pode tomar 10 anos para maturar. Isso seria um terço de tudo que ela já viveu. Imagina este mesmo investimento sendo analisado por alguém de 60 anos. O mesmo prazo representa apenas um sexto da vida. O prazo é o mesmo para ambos, mas o mais velho vê isso de forma diferente. Para quem tem 20 ou 30 anos de idade, esperar 10 anos parece uma eternidade. Para quem tem 60, mais 10 anos estão logo ali adiante, é um pulo. Quer um exemplo prático disso? Minha filha nasceu “ontem.” Já tem sete anos de idade. Mais um pulo e está formada. É muito rápido. E eu ainda estou nos 48 anos, nem falo dos 60 que deixei de exemplo.

Nos consórcios, já completei 18 anos investindo desta maneira. Passou muito rápido. Quando comecei, as cartas mais longas eram as de 120 meses. Aumentaram para 150 meses, depois para 180 meses. Hoje temos consórcios com 204 ou 216 meses. Apesar do prazo máximo dos planos, há as opções de pagar em prazos menores e com isso ter taxas nominalmente mais baixas. E aí está uma distorção importante que as pessoas que não sabem matemática deixam passar despercebida, ou pior, utilizam da forma que as prejudica (beneficiando os que usam da maneira matematicamente mais lucrativa.)

Não vou explicar todos os detalhes aqui, mas resumidamente, em um plano de 216 meses, temos a opção de pagar no prazo total ou em prazos bem mais curtos, como mostra a imagem a seguir:

Consórcio de R$ 80.000 e os diversos prazos de pagamento.

Se você calcular a taxa de administração, nominalmente o percentual é menor quanto mais curto for o prazo de pagamento. Mas se você calcular o quanto paga de taxa “ao mês” ao longo de todo plano, o custo é menor nos planos mais longos. Essa é uma parte da informação.

Outra parte importante é que, ao optar por pagar em prazos mais curtos, não necessariamente você terá a contemplação mais cedo. O prazo de pagamento é independente do prazo do plano. Ou seja, você pode optar por pagar em 120 meses, e mesmo tendo quitado o consórcio, pode não ter sido ainda contemplado. Ou seja, pagar em um prazo menor não garante que você irá receber antes.

Pagar em um prazo mais curto possui uma pequena vantagem operacional para quem deseja usar o consórcio para comprar um imóvel em determinado prazo. Como o prazo de pagamento é menor do que o prazo do plano, os valores maiores da prestação paga são contabilizados como antecipações, então, ao quitar o consórcio mais cedo e não tendo sido contemplado até então, podem ser ofertados lances de quitação (lance da quantidade de parcelas que faltam para o grupo terminar) que já são computados como pagos. Ainda assim, nada garante que você será contemplado logo, pois na prática, todos que optaram por pagar em prazo mais curto podem estar fazendo o mesmo, concorrendo com você.

Em um grupo destes, quem deseja contemplar por lance depois de certo prazo, fez a escolha errada. Porque os lances futuros, em vez de diminuirem com o tempo, acabam aumentando. Com os participantes que já quitaram devido ao pagamento em prazo mais curto ofertando lances de quitação, nenhum lance mais baixo terá chance de contemplar. Este é o tipo de informação que um vendedor de consórcio medíocre não vai te contar.

Por outro lado, para quem usa estes planos como eu indico, para aguardar pelos sorteios e ao ser contemplado vender a carta com lucro, a matemática está a nosso favor. Neste caso, o fato de haver muitos consorciados que optam por pagar em prazo menor faz com que entre mais dinheiro no grupo de forma mais rápida que a originalmente prevista. Isso permite mais contemplações extras ao longo dos meses. E essas contemplações extras são sempre por lance, ou seja, mais capital é injetado no grupo antecipadamente. O resultado disso é que se nossas chances de contemplação deveriam ficar em média na metade do prazo do plano, com as entregas extras que esses adiantamentos permitem temos cada vez menos gente concorrendo conosco nos sorteios. Desta maneira nossas chances de contemplar mais cedo aumentam significativamente e colocam nossas contemplações dentro do prazo necessário para vendermos as cartas com grande lucro.

Soma a tudo isso exposto acima a possibilidade de juntar créditos menores para adquirir um bem de maior valor (nem todas administradoras permitem isso) e temos então a possibilidade de, com um mesmo valor mensal de investimento, adquirir várias cartas de pequeno valor, tornando as possibilidades de contemplação cedo ainda maiores.

O resultado disso tudo é que, com os consórcios certos, em um prazo de investimento razoável, com aportes mensais automáticos na forma das prestações desses consórcios, conseguimos obter resultados bastante mais expressivos do que teríamos em investimentos mais tradicionais, principalmente se comparados aos investimentos em renda fixa.

Há diferenças? Claro, muitas. Uma delas é a menor liquidez dos recursos antes de sermos contemplados. É um investimento em que entramos para só sair quando formos contemplados, não é algo para colocar dinheiro que vamos precisar em seguida. Mas até mesmo essa falta de liquidez é algo que eu vejo como positivo, pois muitas vezes as pessoas não obtém os lucros que desejam simplesmente porque ficam trocando de investimento ao sabor do vento, normalmente quando é a pior hora para sair, por exemplo, em um fundo de ações justo quando há uma queda generalizada no mercado. O melhor momento de aportar, e a maioria está retirando o dinheiro com perdas. Esse é um dos motivos que só indico o consórcio para quem já tem ao menos uma reserva de segurança. Para aqueles que possam passar por um período de aperto, como foi para muitos o início desta crise do Coronavírus, sem precisar abandonar os consórcios antes de lucrar.

Quer contar com minha ajuda para investir nos consórcios? Vê lá na página da minha empresa como investir.

E você, como gosta de investir?

Matemática e ceticismo

“Discutir com uma pessoa que renuncia à lógica é como dar remédio para um homem morto.”

Thomas Paine

Há três tipos de pessoas quando falamos em relações matemáticas:

⁃ As que sabem matemática intuitivamente;

⁃ As que compreendem matemática e entendem conceitos que a envolvam, quando bem explicados;

⁃ As que não sabem matemática.

Não vou entrar no mérito da pessoa saber ou não em que categoria se situa. Posso apenas citar que temos as pessoas que sabem em que categoria se encontram, e as que não sabem.

Das pessoas que não sabem em que categoria se encontram em relação aos seus conhecimentos de matemática, a mais perigosa (para si mesma), é aquela que não sabe matemática, mas acha que sabe. E dessas, o pior tipo com quem as vezes acabo lidando em meu dia a dia de perguntas e respostas sobre os consórcios imobiliários e sobre os motivos de eu considerar eles um dos melhores investimentos para formação de patrimônio, são as que não sabem matemática, e independente de serem conscientes ou não desta carência que possuem, são céticas perante a vida.

E porque estou escrevendo sobre isso hoje?

Esta noite, como em muitas, acordei de madrugada e até voltar a dormir fiquei pensando neste assunto. Uma das objeções que tenho que constantemente responder sobre os consórcios é: “claro que tu vais falar bem dos consórcios, tu és vendedor, ganhas dinheiro vendendo eles.” E isso é verdade. Porém, é uma meia verdade. A verdade completa, é que antes de ser vendedor de consórcio eu sou um investidor neles. Só me tornei vendedor depois de vários anos tendo investido eu mesmo e verificado na prática os resultados.

E aí a gente volta para a matemática, para as fórmulas de probabilidade e estatística, e para o conhecimento intuitivo sobre este assunto. Sempre tive facilidade com a matemática. Sempre fui aquele aluno bom em física, mesmo sem precisar estudar. As fórmulas que eventualmente eu tinha dificuldade em decorar (nunca fui bom em decorar coisas), na hora da prova acabava deduzindo logicamente com os dados apresentados.

Quando comecei a investir nos consórcios, inicialmente não havia nada matemático envolvido, mas simplesmente a psicologia e o auto-conhecimento. Naquela época, sem grandes preocupações com o futuro e sem uma família ainda para sustentar, acabava gastando todo o dinheiro que ganhava em computadores, palmtops (alguém que lê isso aqui viveu essa época?) e máquinas fotográficas. O consórcio foi então uma maneira de eu começar a guardar dinheiro, a pagar primeiro a mim mesmo, e principalmente, a fazer isso de forma regular e automática através das prestações mensais que me impus.

Quando obtive meu primeiro lucro com a venda das cartas contempladas, rapidamente entendi a matemática envolvida e tão rápido quanto, compreendi as possibilidades e as probabilidades disso voltar a acontecer. Com esse conhecimento intuitivo sobre o funcionamento, decidi reinvestir os lucros e adquiri mais cartas de consórcio a serem pagas com o montante que havia lucrado.

Somente muito tempo depois, já na posição de vendedor de consórcios, é que fui fazer os cálculos corretos sobre as probabilidades de contemplação, prazos e possibilidades de lucro. Fiz isso em parte para explicar o funcionamento em mais detalhes para as pessoas que se interessavam, sabiam um pouco de matemática, e conseguiam então compreender o que intuitivamente eu já tinha entendido. Vendi muitos consórcios assim. Depois de demonstrado matematicamente, quem sabe um pouco de matemática ou não é completamente cético acaba optando por adquirir seus consórcios e embarcar nesta trajetória de formação de patrimônio.

E a conclusão?

Ao longo dos anos perdi muito tempo tentando explicar as coisas para quem é cético. Esses, parecem que só escrevem para ter com quem contra-argumentar, seja qual for o assunto. Acredito que da mesma forma que me escrevem criticando o uso dos consórcios como ferramenta de formação de patrimônio, devam escrever para o Barsi dizendo que a estratégia de investir em ações de dividendos não é a melhor maneira de formar uma carteira previdenciária em ações. Os mesmos que criticam o Breda e a forma como ele faz a gestão do Alaska. Os mesmos que criticam Warren Buffett, e por aí vai…

Existem muitas maneiras de enriquecer e de formar um patrimônio relevante ao longo dos anos. A maior parte delas funciona. O que não funciona é tentar enriquecer da noite para o dia sem trabalhar. O problema dos céticos é que eles não estão interessados em evoluir ou aprender alguma dessas formas de enriquecimento, querem apenas um interlocutor para tentar provar estarem certos da impossibilidade que eles enxergam. Na sua ânsia de querer ter todas as respostas exatas, de tirar de campo todas as variáveis que mudam ao sabor do vento, acabam imóveis, sem construir nada. E então o tempo passa e eles continuam lá, amargos, dizendo que nada funciona, quando na verdade a única coisa que não funciona é a estratégia que escolheram, de duvidar de tudo.

Então, se você for um cético, e não acredita que as coisas possam dar certo, por favor te peço, não perca nem seu tempo nem o meu. Tem muita gente boa querendo aprender para eu perder meu tempo com quem só quer discutir o vazio de suas mentes e almas.

Já se você acredita que eu possa te ajudar, vai ser um prazer trocar idéias sobre os vários caminhos possíveis. Há muitas formas de atingir o mesmo objetivo. O auto-conhecimento é a chave para descobrirmos qual funciona melhor para nós.

The magic glasses

Swarovski Red Apple

One morning, in July…

Assim começava a história em quadrinhos do JEP – Junior English Program, meu primeiro curso de inglês no Yázigi (na época não tinha acento). “The Magic Glasses”era o título da longa história que se desenvolveria em seis etapas do curso onde aprenderíamos inglês. Mas não estou aqui hoje para falar sobre aprender inglês. Só achei curiosa a lembrança, e no final do texto talvez você entenda o porquê.

Estou aqui hoje para falar de tecnologia, inovação e investimentos, os tópicos com que mais me identifico neste mundo real e virtual.

E comida, estou aqui para falar de maçãs, ou mais especificamente, da Apple.

Apple

A Apple se tornou em agosto de 2018 a primeira empresa avaliada em mais de um trilhão de dólares. Dois anos depois, já tinha dobrado de valor e é avaliada hoje em mais de dois trilhões de dólares. No final deste artigo gostaria de deixar clara minha ideia de que ela será, dentro de algum tempo, a primeira a chegar aos 3, 4, 5 trilhões. Essa é a parte do artigo em que falo de investimento, e paro por aqui mesmo. Se você pensa em investir em alguma empresa, invista nas que você usa e acredita que continuará usando por muitos anos a frente.

Apple Watch

Comprei um Apple Watch há poucos anos, logo que saiu o Series 3 e estava passeando pelos USA na época. Desde então ele tem sido um companheiro inseparável no meu pulso, dia a noite. Sim, noite, porque durmo com ele enquanto ele monitora meu sono. Tem outras vantagens usar o relógio à noite, a lanterna dele é bastante prática quando minha filha acorda de madrugada para fazer xixi e a ajudo sem precisar acender luz forte e estragar o resto do sono dela.

O relóginho é fascinante. Fora a praticidade de ver mensagens no pulso, sem precisar tirar o telefone do bolso, e inclusive poder responder as mesmas ali na hora, estilo Dick Tracy, o mais interessante mesmo são os diversos monitores que ele possui. Com o movimento, sabe se você está de pé ou sentado, parado ou se movendo, correndo ou caminhando ou lavando louça (será que o App de exercício conta essas calorias?) Sabe seus batimentos cardíacos e nos modelos mais recentes mede nível de ruído ambiente, nível de oxigenação do sangue e até faz eletrocardiogramas.

Tudo está integrado de tal maneira que as coisas fluem naturalmente. Não há como não ter vontade de acompanhar como foi seu dia em termos de movimento, se você atingiu ou não suas metas diárias de gasto calórico, movimento, ou mesmo levantar a bunda da cadeira e ficar de pé alguns minutos de hora em hora. As vezes assusta um pouco, principalmente para quem é meio ansioso como eu sou, quando ele te avisa que teus batimentos cardíacos em tal horário passaram dos 110 bpm e tu pensas “será que estava correndo? fugindo do cachorro do vizinho? Não, estava só lavando louça nesta hora…), mas no geral, as surpresas são boas.

Até para dirigir ele ajuda. Quando programamos o GPS do celular para nos guiar no trânsito, antes de cada curva uma tremidinha no pulso te avisa com antecedência para dobrar sem precisar ficar olhando a tela do celular toda hora.

A quantidade de sensores disponíveis no pulso de cada um de nós e as possibilidades que isso abre são fascinantes já na atualidade, mas ainda mais a cada nova função que vamos agregando nos dias que seguem. Há poucos anos, esses sensores todos precisariam de uma ampla sala para caber e poder serem usados por especialistas. Hoje estão no pulso.

iPhone

O meu é um XS Max, depois veio o 11 e agora o 12. Não devo atualizar ainda, apesar das câmeras novas me tentarem bastante, apaixonado por fotografia que sempre fui e hoje com filhos pequenos para documentar. De toda forma, a câmera do iPhone 6S em diante já é avançada o suficiente para fotos excelentes dos pequenos, e se no passado era importante (e fazia diferença) trocar de smartphone com regularidade, hoje isso não é o mais importante aqui em casa.

O iPhone é a central de processamento do universo Apple. O Apple Watch faz muita coisa sozinho, mas quando integrado com os processadores avançados presentes nos iPhones mais modernos, as possibilidades multiplicam exponencialmente.

Os novos iPhones, além de processadores mais rápidos e co-processadores especializados, com redes neurais, processamento de sinais, inteligência artificial e todas essas coisas avançadas que as empresas gostam de divulgar, possuem câmeras com sensores e recursos que também, assim como os sensores do Apple Watch, antes precisavam de salas inteiras para funcionar e operadores especializados para os utilizar. Com sensores de distância, infravermelho e mapeamento de objetos, o telefone basicamente enxerga no escuro. Junta essa capacidade extra-óptica com o processamento avançado, e as fotos noturnas ficam impressionantes.

The Magic Glasses

Você leu aqui primeiro. O próximo produto revolucionário da Apple serão óculos mágicos que permitem ver o invisível. Sim, estou falando sério. Não vai ser aquela bobagem que o Google lançou e logo tirou do mercado por problemas de posicionamento e privacidade. Nem vai ser um objeto futurístico que nos deixa parecendo um androide de ficção científica. Serão óculos com cara de óculos, inclusive com lentes graduadas para quem realmente as precisa para enxergar bem. E terão sensores que antes, mais uma vez, precisariam de amplos espaços para serem utilizados, agora comprimidos em uma armação comum.

Imagine um mundo em que você pode filmar de forma totalmente simples e automática tudo o que está vendo. Sim, os óculos do Google faziam isso uns anos atrás. Agora imagine você poder filmar o que não está vendo. E ver mais do que está vendo. Com tecnologias como AR, processamento avançado integrado com o celular que está no seu bolso (e que na verdade é um supercomputador, e não um simples celular), câmeras integradas com sensores LIDAR e infravermelho/ultravioleta e sabe-se lá mais o que estão inventando lá, imagine olhar para a água escorrendo na torneira, ou a chaleira no fogão, e “ver” a temperatura através de uma sobreposição em vermelho sobre o objeto quente, ou em azul sobre algo gelado.

Aqueles visores de ficção científica onde as pessoas que olhamos são identificadas e seus dados principais são exibidos para nossa visão prévia, estão se tornando realidade. Encontrou na rua aquele cliente que você só havia visto uma vez e não lembrava mais das feições, ou esqueceu o nome diante de tanta gente que você atende diariamente? Não é problema, o nome dele estará ali a sua vista, de forma discreta e confidencial, com os dados da sua agenda pessoal sendo mostrados junto da identificação.

Já faz alguns anos, mas cada vez mais, vivemos dentro de uma realidade de ficção científica. Para alguém da minha idade e história pessoal, que quando mais jovem achava que tinha “perdido o trem do desenvolvimento” por ter nascido uns anos depois da industria dos computadores já estar “desenvolvida” e não haver muito mais o que fazer de novo… é sensacional viver isso tudo como parte do dia a dia.

Fico só imaginando as possibilidades quando essas crianças todas que crescem achando tudo isso “parte natural do dia a dia” começarem a elas também acrescentar funções e novos sensores para ampliar ainda mais nossas capacidades pessoais.

Resumindo: compre Apple (as ações da empresa, não necessariamente os produtos), viva a inovação constante, e aprecie este mundo maravilhoso em que vivemos, cada dia com novas capacidades aumentando nossas habilidades naturais.

O investidor paciente

Comecei a investir melhor depois de conhecer o consórcio de imóveis.

Uma das características mais marcantes dos investidores de sucesso, aqueles que realmente enriquecem com seus investimentos, é a paciência.

O consórcio de imóveis pode ser visto como um MBA em investimentos. Seu funcionamento e suas características fazem brotar as melhores habili­dades necessárias ao investimento de sucesso. Essas habilidades podem então ser extrapolada para outras formas de investimento, ampliando assim a taxa de sucesso.

Quando falo em paciência, não quero dizer que investir nos consórcios de imóveis vai demorar para trazer resultados. Pelo contrário, quem investe nos consórcios de imóveis geralmente consegue resultados muito mais expressivos, em prazo menor do que quem investe de maneira mais tradicional.

Estes dias li um tweet que dizia mais ou menos assim:

“Adquirir um imóvel não costuma ser o melhor investimento, mas os imóveis costumam trazer o maior retorno no patrimônio das famílias simplesmente porque é um dos poucos investimentos
que as pessoas mantém lá, parados por muitos anos sem trocar.”

O consórcio imobiliário tem um pouco disso. Todo mês comparecemos com o pagamento da parcela. Todo mês garantimos estar pagando primeiro a nós mesmos. E de repente, somos contemplados e podemos escolher entre lucrar bastante, imediatamente, com à venda da carta contemplada, ou adquirir um imóvel com o crédito, um imóvel de mais valor do que teríamos apenas juntando o dinheiro e investindo todos meses. E nesta segunda opção, ainda contamos com o aluguel deste imóvel para pagar o valor restante.