Uma manhã completa e perfeita

Hoje amanheceu um lindo dia de sol em Porto Alegre.

Bebê adora caminhões.

É um momento complicado na família, com doença, hospitais e mudança de rotinas que já estavam consolidadas, mas como costumo dizer: “jogamos com as cartas que nos são apresentadas.” Estamos até nos saindo bem, e no final das contas, tudo voltará ao normal.

Mas como ia dizendo, amanheceu um lindo dia de sol em Porto Alegre, e acabo de ter uma manhã completa e perfeita.

Eu e o bebê fomos passear. O chafariz grandão estava ligado hoje. E o pequeno também. O segundo não estava ligado, mas a sinaleira verde estava acesa e o terceiro chafariz estava funcionando também. As cascatinhas na frente dos três prédios que costumamos passar no caminho estavam todas ligadas também.

Houve motos barulhentas que assustaram o bebê, mas estava com o papai, logo, tranquilo. Em compensação, hoje vimos o caminhão betoneira, o caminhão grandão, o carro guincho com carro em cima, uma cegonheira sem carro algum, dois caminhões-tanque. Vimos uma árvore de Natal.

O bebê se diverte em cada passeio desses, vendo todas essas coisas ou não, se diverte igual. Papai se diverte ainda mais vendo as reações do bebê a tudo a sua volta. É um passeio com música, conversa e risadas. Ajuda bastante não dar bola para o que os outros pensam, porque o pai aqui fala alto, canta alto, ri alto, e não está nem aí para o que os outros possam pensar.

Hoje foi uma manhã completa e perfeita. Desejo o mesmo para você. E aguardo ansioso por amanhã.

Não tenha ídolos

Sempre fui fã deste cara, mas o texto também se refere a este assunto.

Quando era adolescente, tinha alguns ídolos. Admirava algumas pessoas que se destacavam acima da média. Achava estas pessoas sensacionais, queria me espelhar nelas. Isso era verdade em várias áreas. E essa admiração continuou por muitos anos após minha juventude, com estas pessoas me ajudando a formar o que me tornei até hoje, e ainda me auxiliando a tornar-me sempre um pouco melhor do que ontem.

Admirava o Bill Gates, mas ainda mais, muitos dos que vieram antes dele e criaram o ambiente que permitiu ele se desenvolver. A história do início da computação sempre foi uma das minhas maiores paixões, e continuo lendo maravilhado as histórias daquela época e daquelas pessoas.

Em algum momento admirei o Donald Trump. A ousadia, a arte da negociação, a figura sempre sorridente mostrando uma vida de riqueza e sofisticação. Essa imagem não envelheceu tão bem… Enquanto o Bill Gates cresceu e se transformou de homem mais rico do mundo em maior filantropo do planeta, o Donald se tornou isso que vemos aí… 

É ruim se decepcionar, mais ainda quando não temos controle sobre os fatos. Então, não tenha ídolos, e não os tendo, não se decepcione quando eles mudarem para pior.

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Escrevi vários parágrafos, mas não vou publicar aqui. Vou resumir: tinha uma ídola na adolescência. Acompanhava a carreira à distância, nunca a conheci pessoalmente no seu auge. Conheci já no final de carreira. E todas as características que eu admirava e a tornavam uma vencedora na carreira que tinha escolhido, a faziam uma perdedora em todas as outras áreas da vida.

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Um pouco como a decepção com o Donald, que usou toda aquela ousadia que exibia nos negócios para se tornar esse patético de palco que vemos atualmente. 

Então quando digo: “não tenha ídolos,” o faço no sentido de não idolatrar as pessoas que parecem atrair o sucesso. Saiba que podem ser muito boas em algumas coisas e péssimas em outras. Não pense que essas pessoas são na vida real, em seu dia a dia, exatamente como mostram em suas redes sociais ou como os jornais e revistas o expõem. 

Estou falando daquele artista, que pode ser sensacional na sua arte, mas não respeita as mulheres, por exemplo. 

Falo do empresário milionário que perde os aniversários dos próprios filhos. Sim, pode ser o preço a pagar pelo resultado que ele atingiu, mas é isso que você quer? Dinheiro a qualquer custo? Um aniversário vai fazer diferença, se os filhos forem milionários? Trabalhar 18 horas por dia e só aparecer no domingo para a família vai fazer diferença no futuro deles? Não tenho resposta para isso, mas é o que você quer para sua vida? 

Então quando você vê um resultado, não idolatre esse resultado, nem a pessoa que o atingiu. Pense no preço que estas pessoas podem estar pagando. Pense na vida que elas tiveram e por que motivo fazem o que fazem desta maneira.

Há várias estradas que levam para um mesmo destino, há várias maneiras de nos mover para frente. Algumas mais rápidas, algumas mais lentas. Escolha seus próprios caminhos.

Vou dar um exemplo, ou melhor, dois. Dois amigos relativamente próximos. Não são do meu convívio diário, mas ao mesmo tempo, participo de perto de suas vidas. Ambos multimilionários. Um, avarento. Outro, vive no padrão que atingiu, sem excessos, mas também sem abrir mão de usar o que conquistou. Um anda com carrinho popular chinês porque custa menos. Outro passeia de BMW conversível, que representa pouco em seu patrimônio, mas lhe dá um prazer e conforto que nenhum carrinho popular daria. Ambos engraxates quando crianças. Qual está certo? Ambos! Cada um está certo segundo seus próprios valores e princípios. Cada um vive a vida que escolheu, ou que suas circunstâncias os tornaram. Eu, pessoalmente, acredito que a vida do segundo amigo é mais equilibrada, mas de novo, eu não vivi o que o primeiro amigo viveu. Não sei quais medos o assombram à noite. Não estou em posição de julgar nada nem ninguém.

De perto ninguém é normal. Emule as características que fazem sentido para sua vida, faça o que é necessário para atingir os objetivos que lhe falem ao coração, mas não perca tempo tentando conquistar o que as pessoas mostram em suas vitrines, sem analisar o preço que essas pessoas pagam para obter o que mostram.

Voltando lá no início e na imagem que ilustra este artigo… Se você pudesse ver o futuro em cada uma de suas escolhas, que caminho você escolheria para trilhar: ser o melhor de todos, o número um, o campeão inconteste, uma lenda na área que escolheu, ou ser bom o suficiente para viver uma vida tranquila e divertida? Porque no limite, a escolha é essa, entre ser bom o suficiente, ou dar a vida para ser o melhor de todos.

Eu uso máscara

Não acho que precise usar máscara para caminhar sozinho na rua, mantendo distância dos outros. Nem quando saio na mesma situação com meus filhos, que devido à idade, não usam máscara. Mantenho eles também longe das outras pessoas por conta disso. Mesmo assim, uso minha máscara para caminhar na rua ao ar livre.

Faço isso porque acredito que a mensagem é mais importante que o simples fato prático.

Na prática, pode não fazer diferença. Na realidade, faz.

Uso máscara para indicar que sou parte da solução, não do problema.

Uso máscara para mostrar que me preocupo com o outro. Que mesmo achando que não tenho nada, não me aproximando das pessoas, ainda assim posso estar errado e estar, sim, sendo um potencial transmissor. Então, uso máscara.

Não posto foto da minha vida normal acontecendo no meio de uma pandemia. Não tenho uma vida normal no meio desta pandemia. Não acho normal ir ao shopping, frequentar restaurante, enquanto pessoas estão lotando CTIs sem conseguir respirar.

Não sou perfeito.

Levei as crianças na piscina do prédio esses dias. Todos sem máscara. Os adultos respeitando uns aos outros e mantendo distância e colocando suas máscaras quando um pouco mais próximos (mas ainda assim, distantes). Nestes oito meses, agora nas últimas semanas levamos as crianças para a pracinha três vezes. Nós com máscara, eles sem. Tentamos evitar horário cheio, conseguimos parcialmente, porque mesmo nos horários inadequados que escolhemos, outras crianças também estavam por lá. Orientamos o distanciamento, mas crianças são crianças. Avaliamos os riscos e corremos estes. Piscina do prédio e pracinha próxima de casa, eventualmente, com cuidado, nos pareceu um risco tolerável frente a saúde emocional das crianças.

Ainda assim, não saímos publicando fotos disso nas redes sociais. Não somos perfeitos, mas também não somos perfeitos idiotas. Cometer um erro é uma coisa, jogar ele ao vento dando liberdade para outros pensarem que é normal é outra completamente diferente.

Eu uso máscara, não apenas por mim, mas por todos que precisam desse meu cuidado muito mais do que eu.

Nestes tempos modernos, em que tudo e todos tem que se justificar, deixa eu falar uma coisa aqui: ESTOU FALANDO DE MIM. Se você não concorda comigo, se vê o mundo de maneira diferente, se pensa que pode, deve, ou tem direito de fazer o que quiser com sua vida, vai lá e faz. Não vem encher o saco aqui na minha casa virtual. Me ignora e vai viver tua vida.

Eu também uso outras máscaras

As vezes eu uso a máscara da felicidade externa quando meu coração está implodindo por dentro.

As vezes eu uso a máscara do não me importo, quando algo dói demais para aceitar.

As vezes uso a máscara do está tudo bem, quando o mundo está desabando dentro da alma.

Antes de ter, ser. Se o mundo está desabando, tente ver como ele seria se tudo estivesse melhor. Viva este melhor. Sinta este melhor. Com a alma mais leve, faça uma pequena coisa. Dê um passo em direção à saída do túnel escuro em que se encontra. Um passo por vez. Em direção à luz. Quando sair, não se ofusque, vá aos poucos.

Um dia após o outro. Um pouco melhor a cada dia. Kaizen.

Tenha um bom dia.

Milão. A cidade mais privilegiada de Itália está agora na fila do pão

por Antonio Scurati | Observador | Publicada em 07/04/2020

O fim de uma era. A cidade mais privilegiada de Itália está na fila para o pão. A partir de Milão, onde vive e está isolado, o escritor italiano Antonio Scurati escreve o que vê da janela da sua casa.

É o artigo publicado pelo site português Observador. É arrepiante, um passeio arrasador, ao menos para minha geração. Copio abaixo para manter uma cópia caso o original saia do ar. O link veio depois de uma thread no Twitter, que reproduzo também aqui nas imagens a seguir, pois acho que vale a reflexão.

Segue o artigo de Milão:

Como posso convencer a minha mulher de que, enquanto olho pela janela, estou a trabalhar? — perguntava-se Joseph Conrad no início do século passado. Eu, em vez disso, pergunto-me: como posso explicar à minha filha que, quando olho pela janela, vejo o fim de uma era? A era em que ela nasceu, mas que não conhecerá, a era do mais longo e distraído período de paz e prosperidade desfrutado na história da Humanidade.

Vivo em Milão, até ontem a mais evoluída, rica e brilhante cidade de Itália, uma das mais desejadas do mundo. A cidade da moda, do design, da Expo. A cidade do aperitivo, que deu ao mundo o Negroni Sbagliato e a happy hour e que hoje é a capital mundial do Covid-19, a capital da região que, sozinha, soma trinta mil contágios confirmados e três mil mortos. Uma taxa de mortalidade de 10 por cento, os caixões empilhados à frente dos pavilhões dos hospitais, uma pestilência vaporosa que paira sobre as torres da sua catedral como sobre as cidades amaldiçoadas das antigas tragédias gregas. As sirenes das ambulâncias tornaram-se na banda sonora dos nossos dias; as nossas noites são atormentadas por homens adultos que choramingam no sono: “O que é, sentes-te bem?”; “Nada, não é nada, volta a dormir”. Milhares de amigos, parentes e conhecidos seus tossem até cuspir sangue, sozinhos, fora de todas as estatísticas e sem qualquer assistência, nas camas dos seus estúdios decorados por arquitetos de renome.

Se, neste momento, olhar pela janela, vejo uma pobre loja de conveniência gerida com admirável diligência por imigrantes cingaleses. Até ontem, era uma singular anomalia neste bairro semi-central e, ao seu modo elegante, uma nota dissonante. Hoje é um lugar de peregrinação. Na fila para o pão em frente às suas vitrinas despidas, vejo homens e mulheres que até ontem o desdenhavam por não ter a sua marca preferida de farelo. Ficam, apoiados pela disciplina do desânimo, a um metro de distância uns dos outros, ao mesmo tempo ameaçadores e ameaçados, com máscaras improvisadas, feitas de pedaços de tecido com os quais, até ontem, protegiam as plantas exóticas do seu roof garden, gazes desfiadas penduradas nos seus rostos com a melancolia mole dos restos de uma era acabada.

“Uma taxa de mortalidade de 10 por cento, os caixões empilhados à frente dos pavilhões dos hospitais, uma pestilência vaporosa que paira sobre as torres da sua catedral como sobre as cidades amaldiçoadas das antigas tragédias gregas. As sirenes das ambulâncias tornaram-se na banda sonora dos nossos dias”

Vejo estes homens e estas mulheres tristes, incongruentes consigo mesmos. Olho-os. Não tenho nenhuma intenção de os diminuir ou de troçar deles. São homens e mulheres adultos, contudo por cima das máscaras mostram o olhar assustado das crianças carenciadas. Chegaram totalmente impreparados ao seu encontro com a história e, no entanto, precisamente por este motivo, são homens e mulheres corajosos. Fizeram parte do pedaço mais abastado, protegido, longevo, bem vestido, nutrido e cuidado da Humanidade a pisar a face da Terra e, agora, na casa dos cinquenta, estão na fila do pão.

A sua aprendizagem na vida foi uma longa aprendizagem da irrealidade televisiva. Tinham vinte anos quando assistiram, a partir das suas salas de estar, à primeira guerra da história humana em direto na televisão, trinta quando foram alvejados através dos televisores pelo terror mediático, quarenta quando a odisseia dos condenados da terra aterrou nas praias das suas férias. Todos encontros fatídicos que não poderiam perder. As grandes cenas da sua existência foram consumidas em eventos mediáticos, foram guerreiros de sala, banhistas nas praias dos migrantes, veteranos traumatizados pelas noites passadas em frente à televisão. E agora estão na fila do pão.

A sua infância foi uma manga japonesa, a sua juventude uma festa de piscina — lembram-se? Era sábado à noite e íamos a uma festa; era sempre sábado à noite e íamos sempre a uma festa —, a sua idade adulta é um tributo a uma trindade insossa e feroz: o frenesim do trabalho, os verões no outlet, o sublime do spa. Viveram bem, melhor do que qualquer outra pessoa, mas quanto mais viviam mais inexperientes eram na vida: nunca conheceram o terror da guerra, nunca foram tocados pelo sentimento trágico da existência, nunca uma questão sobre o seu lugar no universo. E agora, aos cinquenta anos, com os cabelos já brancos, o abdómen prolapso e a ânsia que lhes incomoda os pulmões, estão na fila do pão. Turistas compulsivos, correram o mundo sem nunca sair de casa e agora a sua casa marca para eles os limites do mundo; sofreram quase só dramas interiores e agora o drama da história catapulta-os para a linha de fogo de uma pandemia global; têm uma casa na praia e um celular de última geração, mas agora estão na fila do pão; tiveram mais cães do que filhos e agora arriscam as suas vidas para levar o seu poodle a mijar.

Olho-os da janela do meu estúdio enquanto escrevo. Observo-os enquanto o número de mortes sobe para quatro mil, enquanto a abcissa do contágio cresce exponencialmente, enquanto sustenho a respiração para não inalar o ar do tempo. Olho-os e compadeço-me deles porque foram a geração mais sortuda da história humana, mas, depois, tocou-lhes viver o fim do seu mundo justamente quando começaram a ficar demasiado velhos para esperar um mundo vindouro. Porém, terão de o fazer, fá-lo-ão, estou seguro. Vão ter de imaginar o mundo que têm sido obrigados a experienciar nestes dias: um mundo que se questiona sobre como educar os próprios filhos, sobre como preservar um ar respirável, sobre como cuidar de si e dos outros. Uma era acabou, outra começará. Amanhã. Hoje estamos na fila para o pão. Hoje os jornais titulam: resiste, Milão! E Milão resiste.

Lanço um último olhar pela janela sobre os meus contemporâneos dos cinquenta anos, os meus concidadãos milaneses, os meus rapazes repentinamente envelhecidos: como são grandes e patéticos com os seus ténis de corrida e as suas máscaras cirúrgicas. Tenho piedade, compreendo-os, compadeço-me deles. Dentro de alguns segundos estarei na fila junto deles.

Matemática e ceticismo

“Discutir com uma pessoa que renuncia à lógica é como dar remédio para um homem morto.”

Thomas Paine

Há três tipos de pessoas quando falamos em relações matemáticas:

⁃ As que sabem matemática intuitivamente;

⁃ As que compreendem matemática e entendem conceitos que a envolvam, quando bem explicados;

⁃ As que não sabem matemática.

Não vou entrar no mérito da pessoa saber ou não em que categoria se situa. Posso apenas citar que temos as pessoas que sabem em que categoria se encontram, e as que não sabem.

Das pessoas que não sabem em que categoria se encontram em relação aos seus conhecimentos de matemática, a mais perigosa (para si mesma), é aquela que não sabe matemática, mas acha que sabe. E dessas, o pior tipo com quem as vezes acabo lidando em meu dia a dia de perguntas e respostas sobre os consórcios imobiliários e sobre os motivos de eu considerar eles um dos melhores investimentos para formação de patrimônio, são as que não sabem matemática, e independente de serem conscientes ou não desta carência que possuem, são céticas perante a vida.

E porque estou escrevendo sobre isso hoje?

Esta noite, como em muitas, acordei de madrugada e até voltar a dormir fiquei pensando neste assunto. Uma das objeções que tenho que constantemente responder sobre os consórcios é: “claro que tu vais falar bem dos consórcios, tu és vendedor, ganhas dinheiro vendendo eles.” E isso é verdade. Porém, é uma meia verdade. A verdade completa, é que antes de ser vendedor de consórcio eu sou um investidor neles. Só me tornei vendedor depois de vários anos tendo investido eu mesmo e verificado na prática os resultados.

E aí a gente volta para a matemática, para as fórmulas de probabilidade e estatística, e para o conhecimento intuitivo sobre este assunto. Sempre tive facilidade com a matemática. Sempre fui aquele aluno bom em física, mesmo sem precisar estudar. As fórmulas que eventualmente eu tinha dificuldade em decorar (nunca fui bom em decorar coisas), na hora da prova acabava deduzindo logicamente com os dados apresentados.

Quando comecei a investir nos consórcios, inicialmente não havia nada matemático envolvido, mas simplesmente a psicologia e o auto-conhecimento. Naquela época, sem grandes preocupações com o futuro e sem uma família ainda para sustentar, acabava gastando todo o dinheiro que ganhava em computadores, palmtops (alguém que lê isso aqui viveu essa época?) e máquinas fotográficas. O consórcio foi então uma maneira de eu começar a guardar dinheiro, a pagar primeiro a mim mesmo, e principalmente, a fazer isso de forma regular e automática através das prestações mensais que me impus.

Quando obtive meu primeiro lucro com a venda das cartas contempladas, rapidamente entendi a matemática envolvida e tão rápido quanto, compreendi as possibilidades e as probabilidades disso voltar a acontecer. Com esse conhecimento intuitivo sobre o funcionamento, decidi reinvestir os lucros e adquiri mais cartas de consórcio a serem pagas com o montante que havia lucrado.

Somente muito tempo depois, já na posição de vendedor de consórcios, é que fui fazer os cálculos corretos sobre as probabilidades de contemplação, prazos e possibilidades de lucro. Fiz isso em parte para explicar o funcionamento em mais detalhes para as pessoas que se interessavam, sabiam um pouco de matemática, e conseguiam então compreender o que intuitivamente eu já tinha entendido. Vendi muitos consórcios assim. Depois de demonstrado matematicamente, quem sabe um pouco de matemática ou não é completamente cético acaba optando por adquirir seus consórcios e embarcar nesta trajetória de formação de patrimônio.

E a conclusão?

Ao longo dos anos perdi muito tempo tentando explicar as coisas para quem é cético. Esses, parecem que só escrevem para ter com quem contra-argumentar, seja qual for o assunto. Acredito que da mesma forma que me escrevem criticando o uso dos consórcios como ferramenta de formação de patrimônio, devam escrever para o Barsi dizendo que a estratégia de investir em ações de dividendos não é a melhor maneira de formar uma carteira previdenciária em ações. Os mesmos que criticam o Breda e a forma como ele faz a gestão do Alaska. Os mesmos que criticam Warren Buffett, e por aí vai…

Existem muitas maneiras de enriquecer e de formar um patrimônio relevante ao longo dos anos. A maior parte delas funciona. O que não funciona é tentar enriquecer da noite para o dia sem trabalhar. O problema dos céticos é que eles não estão interessados em evoluir ou aprender alguma dessas formas de enriquecimento, querem apenas um interlocutor para tentar provar estarem certos da impossibilidade que eles enxergam. Na sua ânsia de querer ter todas as respostas exatas, de tirar de campo todas as variáveis que mudam ao sabor do vento, acabam imóveis, sem construir nada. E então o tempo passa e eles continuam lá, amargos, dizendo que nada funciona, quando na verdade a única coisa que não funciona é a estratégia que escolheram, de duvidar de tudo.

Então, se você for um cético, e não acredita que as coisas possam dar certo, por favor te peço, não perca nem seu tempo nem o meu. Tem muita gente boa querendo aprender para eu perder meu tempo com quem só quer discutir o vazio de suas mentes e almas.

Já se você acredita que eu possa te ajudar, vai ser um prazer trocar idéias sobre os vários caminhos possíveis. Há muitas formas de atingir o mesmo objetivo. O auto-conhecimento é a chave para descobrirmos qual funciona melhor para nós.

The magic glasses

Swarovski Red Apple

One morning, in July…

Assim começava a história em quadrinhos do JEP – Junior English Program, meu primeiro curso de inglês no Yázigi (na época não tinha acento). “The Magic Glasses”era o título da longa história que se desenvolveria em seis etapas do curso onde aprenderíamos inglês. Mas não estou aqui hoje para falar sobre aprender inglês. Só achei curiosa a lembrança, e no final do texto talvez você entenda o porquê.

Estou aqui hoje para falar de tecnologia, inovação e investimentos, os tópicos com que mais me identifico neste mundo real e virtual.

E comida, estou aqui para falar de maçãs, ou mais especificamente, da Apple.

Apple

A Apple se tornou em agosto de 2018 a primeira empresa avaliada em mais de um trilhão de dólares. Dois anos depois, já tinha dobrado de valor e é avaliada hoje em mais de dois trilhões de dólares. No final deste artigo gostaria de deixar clara minha ideia de que ela será, dentro de algum tempo, a primeira a chegar aos 3, 4, 5 trilhões. Essa é a parte do artigo em que falo de investimento, e paro por aqui mesmo. Se você pensa em investir em alguma empresa, invista nas que você usa e acredita que continuará usando por muitos anos a frente.

Apple Watch

Comprei um Apple Watch há poucos anos, logo que saiu o Series 3 e estava passeando pelos USA na época. Desde então ele tem sido um companheiro inseparável no meu pulso, dia a noite. Sim, noite, porque durmo com ele enquanto ele monitora meu sono. Tem outras vantagens usar o relógio à noite, a lanterna dele é bastante prática quando minha filha acorda de madrugada para fazer xixi e a ajudo sem precisar acender luz forte e estragar o resto do sono dela.

O relóginho é fascinante. Fora a praticidade de ver mensagens no pulso, sem precisar tirar o telefone do bolso, e inclusive poder responder as mesmas ali na hora, estilo Dick Tracy, o mais interessante mesmo são os diversos monitores que ele possui. Com o movimento, sabe se você está de pé ou sentado, parado ou se movendo, correndo ou caminhando ou lavando louça (será que o App de exercício conta essas calorias?) Sabe seus batimentos cardíacos e nos modelos mais recentes mede nível de ruído ambiente, nível de oxigenação do sangue e até faz eletrocardiogramas.

Tudo está integrado de tal maneira que as coisas fluem naturalmente. Não há como não ter vontade de acompanhar como foi seu dia em termos de movimento, se você atingiu ou não suas metas diárias de gasto calórico, movimento, ou mesmo levantar a bunda da cadeira e ficar de pé alguns minutos de hora em hora. As vezes assusta um pouco, principalmente para quem é meio ansioso como eu sou, quando ele te avisa que teus batimentos cardíacos em tal horário passaram dos 110 bpm e tu pensas “será que estava correndo? fugindo do cachorro do vizinho? Não, estava só lavando louça nesta hora…), mas no geral, as surpresas são boas.

Até para dirigir ele ajuda. Quando programamos o GPS do celular para nos guiar no trânsito, antes de cada curva uma tremidinha no pulso te avisa com antecedência para dobrar sem precisar ficar olhando a tela do celular toda hora.

A quantidade de sensores disponíveis no pulso de cada um de nós e as possibilidades que isso abre são fascinantes já na atualidade, mas ainda mais a cada nova função que vamos agregando nos dias que seguem. Há poucos anos, esses sensores todos precisariam de uma ampla sala para caber e poder serem usados por especialistas. Hoje estão no pulso.

iPhone

O meu é um XS Max, depois veio o 11 e agora o 12. Não devo atualizar ainda, apesar das câmeras novas me tentarem bastante, apaixonado por fotografia que sempre fui e hoje com filhos pequenos para documentar. De toda forma, a câmera do iPhone 6S em diante já é avançada o suficiente para fotos excelentes dos pequenos, e se no passado era importante (e fazia diferença) trocar de smartphone com regularidade, hoje isso não é o mais importante aqui em casa.

O iPhone é a central de processamento do universo Apple. O Apple Watch faz muita coisa sozinho, mas quando integrado com os processadores avançados presentes nos iPhones mais modernos, as possibilidades multiplicam exponencialmente.

Os novos iPhones, além de processadores mais rápidos e co-processadores especializados, com redes neurais, processamento de sinais, inteligência artificial e todas essas coisas avançadas que as empresas gostam de divulgar, possuem câmeras com sensores e recursos que também, assim como os sensores do Apple Watch, antes precisavam de salas inteiras para funcionar e operadores especializados para os utilizar. Com sensores de distância, infravermelho e mapeamento de objetos, o telefone basicamente enxerga no escuro. Junta essa capacidade extra-óptica com o processamento avançado, e as fotos noturnas ficam impressionantes.

The Magic Glasses

Você leu aqui primeiro. O próximo produto revolucionário da Apple serão óculos mágicos que permitem ver o invisível. Sim, estou falando sério. Não vai ser aquela bobagem que o Google lançou e logo tirou do mercado por problemas de posicionamento e privacidade. Nem vai ser um objeto futurístico que nos deixa parecendo um androide de ficção científica. Serão óculos com cara de óculos, inclusive com lentes graduadas para quem realmente as precisa para enxergar bem. E terão sensores que antes, mais uma vez, precisariam de amplos espaços para serem utilizados, agora comprimidos em uma armação comum.

Imagine um mundo em que você pode filmar de forma totalmente simples e automática tudo o que está vendo. Sim, os óculos do Google faziam isso uns anos atrás. Agora imagine você poder filmar o que não está vendo. E ver mais do que está vendo. Com tecnologias como AR, processamento avançado integrado com o celular que está no seu bolso (e que na verdade é um supercomputador, e não um simples celular), câmeras integradas com sensores LIDAR e infravermelho/ultravioleta e sabe-se lá mais o que estão inventando lá, imagine olhar para a água escorrendo na torneira, ou a chaleira no fogão, e “ver” a temperatura através de uma sobreposição em vermelho sobre o objeto quente, ou em azul sobre algo gelado.

Aqueles visores de ficção científica onde as pessoas que olhamos são identificadas e seus dados principais são exibidos para nossa visão prévia, estão se tornando realidade. Encontrou na rua aquele cliente que você só havia visto uma vez e não lembrava mais das feições, ou esqueceu o nome diante de tanta gente que você atende diariamente? Não é problema, o nome dele estará ali a sua vista, de forma discreta e confidencial, com os dados da sua agenda pessoal sendo mostrados junto da identificação.

Já faz alguns anos, mas cada vez mais, vivemos dentro de uma realidade de ficção científica. Para alguém da minha idade e história pessoal, que quando mais jovem achava que tinha “perdido o trem do desenvolvimento” por ter nascido uns anos depois da industria dos computadores já estar “desenvolvida” e não haver muito mais o que fazer de novo… é sensacional viver isso tudo como parte do dia a dia.

Fico só imaginando as possibilidades quando essas crianças todas que crescem achando tudo isso “parte natural do dia a dia” começarem a elas também acrescentar funções e novos sensores para ampliar ainda mais nossas capacidades pessoais.

Resumindo: compre Apple (as ações da empresa, não necessariamente os produtos), viva a inovação constante, e aprecie este mundo maravilhoso em que vivemos, cada dia com novas capacidades aumentando nossas habilidades naturais.

48

Hoje não vai ter foto de ovo, nem de café.

Hoje não vai ter massa com molho de galinha da mãe, porcaria de COVID que só atrapalha, nem nhoque da Nonna, nem macarrão com furo também dela, mas esses, infelizmente, faz tempo que não tem mais mesmo.

Hoje tem um dia especial em casa com minha família, almoço especial da minha esposa, sobremesa especial, bolo especial, brincadeiras com meus pequenos que crescem tão rápido.

Acordei agradecido. Por mais um dia. Por uma família linda e com saúde. Por ter a geladeira abastecida, um teto para chamar de meu. Por possuir a capacidade de decidir, e com esta, a de produzir e ganhar o pão de cada dia, mesmo que o objetivo final seja reduzir os carboidratos 🙂

48 é quase 50. A vida passa rápido. Viva bem hoje. E amanhã, e depois.

1. Agradeça todos os dias. Com saúde, comida, teto, e capacidade de trabalhar, você tem tudo que precisa, e mais que a grande maioria das pessoas que caminham no nosso planeta. Se pode ler isso, então, ser alfabetizado te coloca em uma classe ainda mais privilegiada. Agradeça. A gratidão é a chave que abre as portas de todas as outras virtudes e é algo que você sempre pode melhorar.

2. Equilibre. Nem só trabalho, nem só diversão. São muitos pratos, faça o melhor que conseguir, procure melhorar todos os dias, mas não se culpe se as vezes parecer difícil. É difícil. E melhora com o tempo.

3. Cresça. Com seus próprios aprendizados. Com seus erros e acertos. Não tenha medo de errar, mas ao notar o erro, peça desculpas, mesmo que a si mesmo, e corrija. Cresça com a experiência dos outros. Amigos, livros, filmes, vale tudo. Muita coisa já foi feita, você não precisa cometer os mesmos erros que outros já cometeram no passado. Aprender com os próprios erros é receita para realmente aprender algo, mas se você conseguir aprender com os erros dos outros, pode evitar muito sofrimento desnecessário.

4. Tenha entusiasmo. Vale mais uns 25 pontos no QI. Uma pessoa entusiasmada com o que faz produz muito mais. Tome cuidado, no entanto, para não ser um “burro ativo.”

5. Monte sua biblioteca. Sobre todos assuntos. Com livros que você já leu e praticamente o definam. Com livros que você não leu e provavelmente não conseguirá ler no tempo que ainda tem de vida. Os livros que ainda não lemos estão lá para nos dar a humildade necessária, no reconhecimento de que não sabemos de tudo. E o ânimo de continuar sempre estudando e aprendendo coisas novas.

6. Não seja o melhor em algo. Seja o único!

7. Todo mundo é tímido. As pessoas estão esperando que você se apresente, esperando seu e-mail, esperando seu convite para um encontro. Vá em frente.

8. Não leve para o lado pessoal se alguém te ignorar. Assuma que são como você: ocupados, distraídos, com outros compromissos. Tente novamente mais tarde. Normalmente temos resposta em uma segunda tentativa.

9. Cultive bons hábitos. O objetivo de um hábito é remover a necessidade de auto-negociação, você simplesmente vai lá e faz.

10. Respeite os horários. Os seus e os dos outros. Chegue 10 minutos antes em um encontro. Preveja como estará o tempo e o trânsito e saia mais cedo se necessário.

11. Um lugar para cada coisa. Cada coisa em seu lugar. Quando você procurar algo em casa e demorar para encontrar, ao terminar de usar não coloque de volta onde encontrou. Coloque no primeiro lugar em que havia procurado.

12. Assuma seus erros. Culpar os outros, as circunstâncias, o que for, não vai te ajudar a melhorar a situação. Assuma o controle de seu destino ao assumir que tudo que acontece contigo é consequência única das tuas decisões pessoais. Para um destino diferente, da próxima vez, escolha outro caminho.

13. Poupar e investir uma parte de tudo que ganhamos são hábitos saudáveis. Pequenos valores investidos de forma automática ao longo de décadas são um caminho seguro para a riqueza.

14. Se você nunca cair, é porque não está crescendo o suficiente.

15. O sucesso é consequência de suas ações. Para ser um escritor, sente em um local confortável e escreva. Todos os dias. Todas semanas. Todos anos. Adapte para sua realidade. Esteja presente diariamente e 99% do trabalho estará encaminhado.

16. Compartilhe. Seu conhecimento. Seu sucesso. Quanto mais você compartilhar, quanto mais der à sociedade, mais ela lhe dará de volta. Quanto mais pessoas você ajudar, mais conseguirá para si. Entender isso é o princípio da sabedoria.

17. Você é o que você faz, não o que fala. Mostre quem você é com suas ações.

18. Como você vive um dia típico, é como você vive a vida.

19. Não há limite para o aperfeiçoamento. Você pode até ter começado com menos que a maioria, mas não há limite de onde pode chegar, o quão alto pode alcançar.

20. Ódio é uma maldição que só prejudica quem odeia, não o objeto do ódio. Se livre do ódio como se fosse um veneno. Ódio é um veneno para suas emoções.

21. Prefira experiências sobre coisas. Adquirir coisas normalmente não traz satisfação profunda, mas viver boas experiências sim. Uma viagem em vez de trocar o carro que ainda dá conta do recado. Um curso em vez de um celular novo. Uma passeio no parque em vez de uma bolsa nova.

22. Da vida não se leva nada, a não ser a vida que se viveu. Viva.

23. Peça desculpas. Rápido. De forma específica. Com sinceridade.

24. Eliminar as tralhas abre espaço para seus verdadeiros tesouros.

25. Seja otimista. Você não precisa ignorar os problemas, basta acreditar na sua capacidade de resolver os mesmos.

26. Não tenha medo de abandonar o que não está funcionando ou o que você mudou de ideia depois de pensar mais a respeito. A vida é muito curta para ficarmos fazendo o que não nos trará os resultados desejados. Largue aquele livro que não está sendo bom. Saia no meio do filme que não gostou. Feche a empresa que não deu certo. Pare de escrever a lista de XX pensamentos dos seus XX anos de vida.

Se quiser uma lista realmente longa de “dicas para a vida”, fique com esta: 300 frases inspiradoras para te fazer crescer profundamente.

Obrigado por ler até aqui e fazer parte da minha vida. De coração. No que puder ajudar, conte comigo.

A mentalidade alienígena de um salário fixo

Mês passado o Steve Pavlina escreveu um artigo que ressoou forte com algo que penso de forma semelhante. Traduzo de forma livre para quem não tem familiaridade com o inglês, e deixo o link original para quem preferir ler no site dele.

Uma forma de pensamento que me parece alienígena, de outro mundo, aparece as vezes entre meus leitores da seguinte maneira:

Eu e minha esposa somos ambos professores. Nosso salário combinado é de R$ __. Dentro de aproximadamente cinco anos, com os aumentos programados, deveremos estar ganhando R$ __. Baseado nisso, poderemos adquirir ____, mas não conseguiríamos adquirir ____.

Então a ideia básica é que a renda mensal deste casal é fixa e previsível. Não depende deles. A renda da família é determinada pelo sistema em que se encontram.

Ok, esta é uma mentalidade alienígena para mim. Me parece que as pessoas conseguem se prender a esta ideia e não conseguem se desvencilhar dela.

Aqui está o que eu na verdade escuto quando falam isso:

Eu e minha esposa escolhemos empregos dentro de um sistema que paga salários fixos, com aumentos modestos, mas previsíveis ao longo do tempo. Nós fingimos não termos outras opções para ganhar mais dinheiro, de maneira a poder ter a experiência de ganhar um valor fixo por um tempo e ver como é isso. E também fingimos que não temos como adquirir nada que estes dois fluxos de renda não cubram, para que possamos experimentar essa forma de escassez também.

Lembre que este casal escolheu se envolver com este sistema, escolher trabalhar por um salário fixo. Mesmo tendo escolhido isso, eles ainda possuem uma ampla gama de opções disponíveis. A renda deles não é realmente fixa – eles simplesmente escolheram ter a experiência de uma renda fixa limitada. Para manter essa situação, eles precisam deliberadamente ignorar ou dispensar outras oportunidades de geração de renda, que surgem por todo lado.

Como eles desligam todas essas outras oportunidades? Como eles evitam a tentação de criar novas fontes de renda paralelas? É difícil!

Deve haver uma disciplina tremenda em se segurar e evitar que suas rendas aumentem. Quero dizer… como eles evitam acidentalmente ganhar dinheiro de outra maneira qualquer?

E se um deles se inspirar por alguma ideia geradora de renda, e eles forem tentados a agir sobre isso? Como eles impedem a si mesmos?

O que acontece se são seduzidos por algum novo item que desejem comprar, mas não está em seu orçamento? Como eles evitam ganhar mais dinheiro para cobrir este gasto? Como eles fazem para fingir que não querem aquilo ou para se contentar com menos do que realmente querem?

Eu fico realmente impressionado com pessoas que conseguem deliberadamente limitar seus ganhos, especialmente se conseguem manter isso por anos a fio. A maioria das pessoas com que me relaciono geralmente são bem ruins nisso. Estão sempre sucumbindo à tentação de ganhar dinheiro extra. Se eles tentarem se limitar a ganhar um salário de professor, não sei se conseguiriam. Eles simplesmente não possuem tal disciplina ou determinação.

Eu tentei ter um emprego com salário fixo, lá atrás, quando comecei a trabalhar. Não durou seis meses… Não consegui! Não faço a menor ideia de como algumas pessoas conseguem fazer isso ano após ano – e fazem parecer simples. A disciplina deles deve ser enorme!

A rotina diária de uma vida financeiramente independente no meio da pandemia do coronavírus.

Começo a escrever este texto 6h da manhã de uma sexta-feira. Não são todos os dias que acordo esta hora, apesar de ser mais matinal do que noturno nas minhas preferências. Hoje, especificamente, acordei com ideias para este texto.

Fui ajudado pela minha filha na madrugada. Pouco antes das 5h ela acordou para fazer xixi. Busquei ela no quarto, iluminando o caminho até o banheiro com a tela do Apple Watch. Cuidei do porquinho de pelúcia que ela levou para acompanhar enquanto fazia o xixi e a levei de volta ao quarto, ficando ao lado dela até pegar novamente no sono. Voltei para cama, mas com as ideias fervilhando na cabeça, quem disse que consegui dormir? Então aqui estou.

O que chamo de Independência Financeira?

Quando falo ou escrevo sobre independência financeira, muitas vezes noto que esse termo tem conotações diferentes para as pessoas. Então acho interessante explicar o que chamo de independência financeira, e como ela se da na minha vida na prática.

Para alguns, falar sobre independência financeira é o mesmo que dizer que a pessoa é multi-milionária. Que basicamente pode fazer tudo o que quiser, que o dinheiro nunca acaba. Que o dinheiro jorra em suas contas bancárias como cachoeiras infinitas. Infelizmente esse ainda não é o meu caso.

Outros chamam de independência financeira o simples fato de terem um emprego que pague seu custo de vida e os permita morar sozinhos, o famoso “sair da casa dos pais.” Não chamo isso de independência financeira, pois a pessoa em questão é dependente daquele emprego, e vai saber quanto tempo esse emprego vai durar? Felizmente, esse não é meu caso.

O que chamo de independência financeira é uma situação relativamente confortável de vida, mantida da maneira o mais automática possível, sem a necessidade ou obrigação de bater ponto em um emprego ou trabalho próprio. É poder ter uma vida digna e sem necessidades, sem trabalhar. É basicamente poder viver como um aposentado. Esse é o meu caso.

Claro que cada um tem sua própria definição do que é viver de forma confortável. Tem gente que se contenta em morar em um apartamento pequeno, com móveis simples e práticos, e tem gente que precisa de espaços enormes e decoração refinado para suprir suas necessidades básicas. Tem gente que acha um exagero possuir carro, e tem quem não consiga viver sem um carro de luxo. Eu me encontro no meio dessa escala, tenho um bom carro quitado, um carro comum, mas sedã com um bom porta-malas para carregar as bicicletas dos baixinhos. Acredito que um bom apartamento tenha ao menos dormitórios suficientes para que cada filho possa ter seu quarto e sua privacidade. E que também esteja quitado, porque dever para o banco não é legal.

Já escrevi ou gravei um vídeo anteriormente sobre o que chamo de Escada da Independência Financeira. Resumidamente é a definição de um padrão mínimo de vida para aquele momento específico, e de quanto seria necessário possuir investido para que os rendimentos do patrimônio investido pudesse prover a independência financeira naquele degrau de vida.

Quando atingi minha independência financeira, tinha carro popular. Morava em apartamento menor, não tinha filhos. Tinha conquistado patrimônio suficiente para manter aquela vida indefinidamente, mas é claro que sabia que aquela não seria minha vida por muito tempo. A conquista da independência financeira não me proporcionou uma vida fácil e folgada com tudo o que queria. A conquista da independência financeira me proporcionou a independência necessária para poder fazer as melhores escolhas de onde iria investir meu tempo, de maneira a otimizar meus ganhos, sem precisar bater ponto em algum emprego mal remunerado qualquer simplesmente para pagar as contas. Meu trabalho de verdade estava apenas começando.

A conquista do primeiro degrau da independência financeira representou a abertura da porta necessária para a busca do aperfeiçoamento pessoal e do meu propósito de vida. No degrau em que me encontro atualmente, temos uma vida tranquila com dois filhos. O menor ainda em casa conosco 24h por dia, a maior já há alguns anos no colégio, apesar de neste momento específico de pandemia estar também 24h por dia trancada aqui com a gente. Carro quitado, apartamento quitado, e sem dívidas, da para se manter esse fluxo por tempo indeterminado.

O degrau atual em que nos encontramos na escada da independência financeira nos permite ficar em casa no meio da crise do Coronavírus. Tenho meu trabalho vendendo consórcios de imóveis, mas este, que era bem mais ativo antes do vírus manter todos dentro do apartamento, ficou bastante prejudicado no momento. Continuo atendendo os clientes que já possuo e sempre chegam novos através da internet, mas o tempo livre que antes tinha para produzir conteúdo novo, sejam vídeos explicativos, sejam textos como este aqui, virou pó. Foi substituído por acompanhar a filha em aulas online, organizar as tarefas extras de ensino, cuidar da casa, lavar louça.

E é o conteúdo novo que me traz novos clientes em profusão. Então, se por um lado a coisa está andando sem maiores problemas, com a garantia das contas pagas, por outro, continuo fazendo o possível para manter o barco navegando em bons ventos. Porque, como escrevi antes, estou já alguns degraus acima do básico, mas ainda longe de onde pretendo chegar.

Quem me acompanha há mais tempo por aqui sabe das viagens regulares que fazíamos ao exterior. Viagens geralmente longas, ao menos uma ou duas por ano. Claro que essa rotina mudou um pouco com a chegada de mais um bebê, mas não fosse o vírus, provavelmente já teríamos feito algo deste tipo nas férias de julho e certamente faríamos algo assim próximo do fim do ano. Essas viagens não fazem parte ainda do degrau de independência financeira atual. Como temos necessidades especiais de hospedagem (precisamos de apartamentos com cozinha, por conta de alergias alimentares), os custos são consideravelmente maiores do que uma viagem mais “normal.”

O que proporciona viagens regulares e o passo necessário ao próximo degrau, são justamente o trabalho que realizo na venda de consórcios imobiliários, e nas consultorias financeiras pessoais, além do investimento regular em oportunidades pontuais que sempre surgem para buscar um lucro mais rápido.

Estou há mais de uma hora escrevendo este texto, e não cheguei ainda no título do mesmo. Escrevi no título que este era sobre a rotina de uma vida financeiramente independente. Pois bem, tendo definido exatamente o que é essa tal de independência financeira para mim, vamos à rotina.

Rotina diária de uma vida financeiramente independente no meio da pandemia.

Como não sei exatamente como será o dia de hoje, vou basicamente descrever o dia de ontem. Na prática, não muda muito. No meio do confinamento, todos os dias são mais ou menos iguais.

Acordei por volta das 8h da manhã. Minha filha acordou em seguida e fomos para a sala tomar café da manhã. Preparei meu café, preto, coado direto na caneca com o filtro pequeno, e um Toddy e sanduíche de queijo com requeijão para a baixinha. Conversamos e brincamos um pouco de dinossauros, menina-dragão, e depois ela foi assistir um pouco de TV enquanto eu lia as notícias, e-mails, e redes sociais ao lado dela no sofá. No caso específico de ontem, não tínhamos lavado a louça na noite anterior, então fiz isso neste momento.

O bebê acordou pouco depois das 10h30, e ele e minha esposa se juntaram a nós na sala. Pelo horário avançado, decidimos que ele iria direto para o almoço, que faríamos mais cedo para ele, mantendo o horário normal para o nosso. Entre troca de fralda, brincadeiras, e corrida pela casa com a mana, o almoço ficou pronto, e enquanto minha esposa dava comida para o bebê, fui tomar um banho.

Bebê de barriguinha cheia, eu de banho tomado, saímos para uma volta na rua, ele e eu. Fomos ver os chafarizes dos prédios próximos de casa. É um passeio de 45 minutos a 1h, caminhando pela rua, olhando os caminhões. Ontem tinham inclusive duas betoneiras em um dos prédios que estão levantando aqui perto.

Volto para almoçar, café preto depois do almoço, responder e-mails e estudar um pouco mais para mim, enquanto minha esposa cuida para ninguém se machucar na corrida dos pequenos pela casa. Bebê vai fazer soneca com a esposa, criança começa aula online, mais leituras, e-mails, e planejamento de novos textos para mim. Bebê acorda, aula termina, prepara lanche, todos comendo bem, levo o lixo para fora e neste dia consigo ir até o escritório para gravar um vídeo novo. Ontem foram 50 minutos de rua no passeio do bebê, e mais ou menos o mesmo tempo no escritório para mim no fim da tarde.

Volto para casa, atividades de avaliação do colégio, brincadeiras com as crianças, Preparar a janta, trocar a fralda, jantar, lavar a louça, dar uma última olhada nos e-mails, redes sociais, artigos na fila de leitura, e começar a diminuir o ritmo da casa. Meia noite, todos dormindo.

Mais um dia na rotina de uma vida financeiramente independente no meio da pandemia do coronavírus. A vida se tornou uma coisa meio nebulosa, com os dias se fundindo uns aos outros, tudo sempre igual. Ficando a maior parte do tempo em casa acabamos diminuindo as chances dos encontros fortuitos que estar na rua nos proporciona.

Em épocas mais normais, levaria a baixinha ao colégio depois do almoço. Encontraria um ou outro pai/mãe na entrada, conversaríamos sobre algo banal ou sobre os filhos mesmo. Voltaria para casa, iria ao escritório caminhando, passaria antes no correio, pararia para um café na cafeteria ao lado, onde encontraria um colega de faculdade que não via a muito tempo. Conversaríamos sobre como estavam as coisas, nossas empresas, nossos filhos, e combinaríamos de uma hora nos encontrarmos novamente, deixando para o destino escolher quando isso aconteceria de novo. Na volta ainda cruzaria com outro amigo, mais um oi rápido, mais o sentimento de que tudo está andando nos trilhos para aqueles que amamos. Tudo isso está suspenso por enquanto.

Se sua vida está mais fácil, ou mais difícil, saiba que estamos todos juntos nessa. Vai melhorar.

Diversificação

Em 11 de setembro de 2001 aprendi minha primeira lição sobre diversificação. Uns dias depois, na verdade.

Quem me lê a mais tempo sabe que no início dos meus investimentos perdi tudo que tinha investido na bolsa. Já contei essa história antes. No meio da tragédia das Torres Gêmeas e do horror que tudo aquilo representou, as bolsas despencaram com as dúvidas sobre o que aquilo traria de consequência para o mundo.

Naquela época investia em meu campo de conhecimento, sem olhar muito para outros setores. Minhas posições estavam concentradas em apenas três empresas, todas do mesmo setor de telecomunicações. Tinha Embratel, Globo Cabo e CRT apenas. Não poderia estar mais concentrado, nem estar no setor mais errado no meio do que aconteceu. Minha carteira perdeu 95% do valor em apenas três dias.

Claro, tragédias dessa magnitude não podem ser previstas antes de acontecerem, mas aí é justamente onde entra a importância da diversificação, ela nos protege justamente daqueles problemas que não conseguimos prever. Se eu tivesse a diversificação que tenho hoje, financeiramente o impacto teria sido absolutamente menor.

O Corona virus causou impacto semelhante em alguns setores da economia mundial. Imaginem se minha área de conhecimento fosse o setor de viagens e entretenimento, e se só investisse em empresas desse ramo, o tamanho do buraco em que teria caído. Ou se vivesse de imóveis de aluguel por temporada, imóveis de férias? Mesmo setores tradicionais e resilientes como este, podem sofrer consequências péssimas que, antes de uma epidemia de proporção mundial, jamais seria prevista.

Para minha sorte, perder tudo que tinha em um momento em que estava começando, onde ainda não tinha tanto assim, acabou sendo uma excelente lição que me protegeria em diversas ocasiões posteriores. Crise do subprime? Joesley Day? Greve dos caminhoneiros? Passaram batido, um soluço no grande esquema das coisas.

Como a todos, o Corona virus pegou meus investimentos de surpresa. Só não foi uma tragédia completa graças aos anos de aprendizado sobre a importância da diversificação. Enquanto algumas posições caíram bastante, outras subiram em proporção semelhante. No equilíbrio das coisas, e contando também com um pouco de sorte de ter feito certos negócios “na hora certa”, acabei ficando no zero a zero.

Se você teve o azar de ter sido atingido em cheio com as consequências da pandemia nas suas economias, deixo minha mensagem de alento, de que as coisas vão melhorar. O mais importante, porém, é estudar como estavam seus investimentos em março, e porque foram tão atingidos, para corrigir o rumo e proteger sua carteira das crises futuras, que certamente virão, não sabemos nem quando, nem de onde.

Termino com preces voltadas a todos que perderam suas vidas na tragédia imensa que foi a queda das Torres Gêmeas, e a todos que estão sofrendo as consequências atuais, não apenas as financeiras, da pandemia que assola nosso planeta no momento. Fiquem bem.