No fundo do poço – Depressão, ansiedade, e trabalho

Se você sofre com depressão, ou acha que sofre disso, mas não tem certeza, espero que as palavras abaixo lhe ajudem.

A idéia de escrever este texto começou em março de 2019, assim que li a publicação do Chris Brogan [https://www.linkedin.com/pulse/uphill-both-ways-depression-anxiety-work-chris-brogan/] e me identifiquei muito com tudo o que ele relatava.

A motivação aumentou depois de ler tweets do Matt Haig [https://twitter.com/matthaig1] [https://www.matthaig.com], e um post no Facebook do meu amigo Alessandro Gonçalves [https://www.facebook.com/746912638/posts/10157261175557639?sfns=mo] foi o incentivo que faltava para eu finalmente partir para ação.

Começou como uma simples tradução do texto do Chris, mas a medida em que traduzia, colocava uma frase ou paragrafo extra falando de situações pessoais minhas, voltava, editava alguma coisa que tinha esquecido e que me voltou à memória, e no final, o que temos é o texto abaixo.

Se ajudar apenas uma pessoa, você que está lendo isto, já valeu a pena o tempo dedicado. A verdade é que valeu a pena de toda forma, e aqui já deixo uma dica que me ajuda muito a tornar os dias mais leves e suportáveis quando as coisas estão pesadas dentro da alma… Escrever cura. Escreva o que você sente. No mínimo, o ato de colocar os sentimentos em palavras e organizar as idéias desconexas te fará ver as coisas com mais clareza.

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O propósito deste texto é ser um breve relato de como se parece o que suponho ser depressão. Para você pode ser diferente, mas queria compartilhar para o caso de você sentir qualquer destas coisas, e se sentir sozinho ou errado por isso. Procure ajuda.

Acredito ser crítico que nós que sofremos com isso compartilhemos nossas histórias, para que outros se deem conta que não estão sozinhos. Para que outros possam ver uma fagulha de esperança na escuridão da depressão. E para que os que não sofrem com isso possam ver que isso é real. E causa danos reais.

A depressão tem sido uma companhia frequente, desde a adolescência ou até antes. Eu não sabia o que era até muito tempo depois que isso começou a bagunçar bastante as coisas para mim. Gostaria de ter ouvido mais histórias sobre o assunto lá atrás.

Como você pode tocar um negócio e lidar com a depressão ao mesmo tempo?

Antes de ter filhos, conseguiria dormir 12-16 horas quando lidava com a depressão. Eu iria para cama cedo, acordaria cedo, mas então optaria a voltar a dormir o máximo possível. Quando finalmente saísse da cama, me sentia como se caminhando em uma piscina de cola até a cintura. Tudo é mais lento. Com filhos a coisa é parecida, mas sem a possibilidade de ficar dormindo, ou mesmo de ir para cama mais cedo, então o cansaço torna ainda mais difícil a caminhada na piscina de cola. As coisas andam no automático.

Em dias bons, tomo um banho. Saio para rua, vou a uma cafeteria. Sorrio um pouco. Em dias ruins, decido que uma lata de sardinhas e um ovo frito é um almoço aceitável e tento não atender meu telefone ou responder emails ou mídias sociais.

Meu trabalho é basicamente criativo. Muito poucas pessoas entendem o que é necessário para produzir conteúdo criativo dia sim, dia também. Há um desgaste mental e emocional cada vez que você faz algo. Você pode perguntar: “mas tu não vendes consórcios de imóveis?” A verdade é que não, não vendo consórcios. Ok, vendo consórcios, mas isto é a fase final. O que eu faço é escrever sobre este assunto explicando da melhor maneira possível o porque disso ser um ótimo investimento. Escrevo sobre finanças pessoais. Oriento sobre investimentos. Tudo isso, apesar de não parecer, precisa de criatividade para tornar o assunto minimamente interessante. Se estou chateado (não a depressão, mas algo efetivamente me incomodando), então nada flui. Aí é quando a ansiedade bate.

Por muito tempo, eu nem mesmo tinha me dado conta que eu tinha ansiedade. Porque anos antes, eu tive ataque de pânico e sabia o que isso se parecia. Pensava que ansiedade fosse algo deste tipo, mas não é. Para mim, ansiedade é como um monte de abelhas. Todas elas gritando “e se, e se, e se, eseeseeseeseeseese” enquanto eu tento fazer algo útil.

Quando trabalho em algo criativo (como escrever isso para você), sinto o zumbido da ansiedade zunindo nas minhas orelhas. Eu tenho coceiras pensando em que mais deveria fazer que seria um melhor uso do meu tempo. Eu me preocupo com coisas que não aconteceram ainda.

Um dos gatilhos que já identifiquei que podem indicar que estou sofrendo com ansiedade é uma irritação intensa, auto-depreciação, síndrome do impostor, ou a simples vontade de simplesmente desaparecer.

É uma merda que a depressão me motiva a ignorar um monte de informações e a ansiedade grita comigo dizendo que estou deixando passar alguma tragédia prestes a acontecer.

Então como você produz qualquer coisa?

Estou escrevendo isso em um dia em que a incerteza pressionou meus botões de depressão. Isso é assunto vulnerável, e é ainda mais vulnerável porque estou escrevendo isso com intenção de publicar em seguida. Comecei a escrever incentivado pelos textos que mencionei no início, principalmente os do Matt, que já passou por isso em níveis muito mais intensos ou perigosos.

Estou escrevendo. Como? No geral, eu falo para minha depressão: “Certo, você teve o suficiente,” e tento ao máximo me colocar em um estado de trabalho diferente. Eu me forço a levantar, tomo um banho, coloco roupas de trabalho, e sento na minha mesa “de trabalho” e começo a escrever. Esses gatilhos físicos parecem ajudar muito.

Essas últimas semanas isto tem sido um pouco mais complicadas. Com as férias escolares, e sem suporte extra, somos só eu e minha esposa para cuidar de duas crianças pequenas e todas as tarefas de casa. Meu home-office deixou de existir com a transformação em quarto do bebê. Comprei uma sala que fica a apenas uma quadra aqui de casa, mas como ir para lá, com tudo a fazer por aqui? Então escrevo em etapas, na mesa da sala, nos raros momentos em que o bebê está tranquilo, a filha maior está brincando com ele e a mãe, e não há uma montanha de louça para lavar (caso em que eu não estaria aqui escrevendo, mas sim, lavando a tal pilha de louça.)

Mentalmente é difícil ficar depressivo enquanto você está no meio de um esforço de produção criativa. Eu não consigo digitar esta frase e concatenar todo o material mental que eu preciso para alimentar o lado intelectual da minha depressão ao mesmo tempo. (Claro, a química está toda lá, mas estou ativamente ignorando-a no momento.)

Então, consigo lidar com a ansiedade e ser criativo ao mesmo tempo? Estou fazendo isso agora, mas deixa te contar, as abelhas são barulhentas. Preciso urgentemente de um café (e todo bom adepto da auto-medicação sabe que a cafeína ajuda com a ansiedade), e então, quando acabar de escrever isso para você, vou fazer um café na minha caneca de sempre, passado no filtro individual, já que só eu tomo café aqui.

Interações sociais são uma coisa completamente diferente

Eu tenho o imenso prazer de conhecer milhares de pessoas através do trabalho que faço. Eu já passei momentos únicos ao lado de pessoas muito inteligentes e especialistas em suas áreas. Quer saber? Eu provavelmente já passei algum tempo com você, se você está lendo isso. Muito provável.

Mas sou também um introvertido por natureza. Eu gosto de doses de interação social. Eu gosto de falar com as pessoas intensamente por um tempo, e então posso não entrar em contato para nada, por anos. Nunca há um pensamento negativo associado a isso pelo meu lado. Eu apenas acho que as pessoas todas tem vidas ricas e completas, e que realmente não precisam estar em constante contato com todos com quem já se encontraram.

A depressão bagunça as interações sociais. É uma mistura estranha. Você não deseja mesmo contato com ninguém porque está preso na piscina de cola da depressão. Mas você se sente mal quando outros não entram em contato aleatoriamente com você. Este é um dos grandes problemas dos relacionamentos: ninguém lê mentes. Você pode desconsiderar a “leitura de mentes” nos outros rapidamente, mas com depressão, muitas das nossas regras desabam.

E há o aspecto de simplesmente não conseguir fazer nada. E há coisas que precisam ser feitas. As realmente urgentes, acabo fazendo. Tenho sistemas de apoio que não me deixam extrapolar os prazos. Normalmente quando estou no fundo do poço, faço essas coisas no último minuto, mas faço. Pagar contas, por exemplo. Há gente que depende de mim para seus negócios, para seus lances no consórcio, coisas desse tipo… A ética profissional embutida no meu DNA não deixa que eu falhe nisso, mas deixa te contar, é um esforço sobre-humano.

O problema de não conseguir fazer nada é exatamente o de decepcionar exatamente quem eu não poderia decepcionar mais: eu mesmo. Quando estou no fundo do poço, sou o último a receber um agrado. Então se um cliente liga com um problema, resolvo o problema. Já se alguém que ainda não tem relacionamento profissional comigo entra em contato para dizer que gostaria de contar com minha ajuda, a piscina de cola me prende de tal forma que deixo aquele email lá guardado, para ser respondido depois, com mais calma, com mais dedicação, com mais atenção… E isso pode demorar uns dias… Ou mais… As pessoas boas relevam esse tempo, entram em contato novamente, pensam que o email possa ter sido extraviado, e, se o novo email chega em um bom momento, consigo responder de imediato e eventualmente fechar negócio. Se não, provavelmente foi uma porta que se fechou justamente em um momento em que mais precisaria de portas se abrindo na minha frente.

Interações sociais também podem ser desafiadoras. Especialmente na era do Instagram e Facebook. Porque você tem a prova visual (e a falácia mental) de que você está tendo a vida social menos divertida e mais desagradável de todos que você conhece. Porque claramente (por favor liguem seus filtros de sarcasmo) todo mundo posta um pouquinho de suas vidas no Instagram e no Facebook, e não apenas as melhores partes selecionadas a dedo para parecer ainda melhor do que são.

Dicas de mídias sociais para pessoas “quebradas”

  • Se você está no auge da sua depressão/ansiedade, fuja do Facebook e do Instagram. O que você menos quer é aquela sensação falsa de que todo mundo está se divertindo, menos você.
  • Tudo bem postar em algum lugar que você está se sentindo para baixo. Você precisa procurar sua própria ajuda.
  • Compartilhar completamente seu buraco emocional não irá lhe beneficiar mais tarde. É perfeitamente bom/importante/incentivado dizer, “Pois é, lidando com alguma depressão no momento.” Mas pare por aí. A não ser que você vá falar sobre como seu trabalho está indo bem.
  • Outras pessoas ficarão desconfortáveis quando você falar destas coisas. Tente manter o assunto leve, fácil, e se você puder, tranquilize um pouco a mente das outras pessoas.
  • Dormir é importante. (O suficiente, não demais.) Algumas vezes, nos perdemos em video games, maratonas de seriados no Netflix, e coisas desse tipo. Temos que limitar este tipo de estímulo próximo da hora de dormir. Você verá mais claramente no dia seguinte.

E aqui segue uma coisinha que normalmente me incomoda: Não se preocupe em gritar adeus se você tiver que dar uma pausa em alguma rede social. Está tudo bem se você não responder um comentário ou alguma menção. Simplesmente desapareça pelo tempo que você achar necessário, e volte quando desejar. (A não ser que seja seu trabalho, e aí, comece a trabalhar com as pessoas sobre contingências.)

É como quando você decide sair de uma festa “à francesa,” ou seja, sem avisar ninguém. Você simplesmente desaparece. Só vale se realmente ninguém nota que você se foi.

Eu acredito que em mídias sociais, sair à francesa é a melhor maneira de lidar com a depressão. Mas se você precisa estar lá e manter presença, então produza mais do que responde e olha da postagem dos outros. Essa é a regra de ouro.

No fundo do poço, mas não sempre

Claro que parece que algumas vezes tudo me arrasta através do poço de cola. Minha cabeça parece cheia nestes momentos. É como estar mergulhando na piscina, tudo lento e com o som abafado.

Nos momentos ruins, não consigo ir em frente. Não há momentum. Em horas melhores como a que estou usando agora para escrever isto, é como se um raio de sol surgisse por um lapso de tempo. Você consegue sorrir um pouco. Você pensa de forma coesa sobre o que deseja realizar.

Então isso não é uma coisa de “sempre.” Não é sempre escuridão. Na verdade, muitas pessoas lidam com o stress, ansiedade e depressão usando a comédia como ferramenta. Comediantes profissionais geralmente lidam com vários níveis de depressão. Infelizmente, perdemos algumas das pessoas mais engraçadas para o suicídio. Parece haver uma relação próxima entre a atividade de comediante e a depressão. O nome Robin Williams te lembra de alguma coisa?

Pessoas com depressão RIEM!

É muito importante se dar conta que a depressão e a ansiedade e todas essas coisas nem sempre impedem sua habilidade de amar e de rir. Você pode lidar com a depressão e amar. (Você pode ser um FDP mais seguido, então se prepare para pedir mais desculpas e consertar as coisas com mais frequência.) Você pode ter ansiedade e encontrar ótimos motivos para rir.

Claro, é o fundo do poço, mas não o tempo todo.

Traga todas suas falhas para o trabalho, e descubra como você pode obter sucesso mesmo que você esteja “quebrado.”

E só para deixar claro, está tudo bem por aqui. Afinal de contas, olha o tamanho do texto que saiu 🙂

Espero ter ajudado. E que nós tenhamos muitos dias de sol. Feliz 2020.

Escada da aposentadoria

Uma das estratégias que utilizei no início dos meus investimentos foi a técnica que batizei de “escada da independência financeira”, ou “escada da aposentadoria.”

Resumidamente essa técnica implica em definir um padrão de vida mínimo para se sentir bem com seu dia a dia, e então investir de maneira a permitir que os rendimentos desse investimento gerem lucros suficientes para manter indefinidamente esse padrão de vida inicial.

Ao fazer isso, podemos nos “aposentar.” Ou seja, nossos investimentos já geram o suficiente para manter nosso padrão de vida sem precisarmos trabalhar.

Claro que não devemos parar por aí. Como expliquei, a técnica envolve definir um padrão de vida realmente mínimo para aquele momento inicial. No meu caso, era de um guri recém saído da faculdade, sem grandes gastos fixos, sem filhos, etc. Podia me dar ao luxo de ter uma vida muito simples e barata. Ao prorrogar a aquisição de alguns objetos de desejo, ou no meu caso, tratar esses objetos como um negócio paralelo, isso me permitiu acelerar em muitos anos a conquista da minha liberdade.

Eu gostava de notebooks em uma época em que ainda eram novidade caríssima, então, ao tratá-los como um negócio, ou seja, adquirindo e revendendo, me mantinha sempre com alguns notebooks topo de linha disponíveis para meu uso e estudo do assunto, ao mesmo tempo em que fazia com que essa disponibilidade me gerasse mais dinheiro para manter o giro e a constante atualização dos equipamentos.

A medida em que tinha a liberdade não não precisar mais trabalhar para manter o padrão de vida previamente definido, tinha a liberdade de trabalhar com o que quisesse, e não precisaria aceitar um emprego qualquer apenas para pagar as contas. Trabalhar com o que gostamos é o segundo segredo para obter sucesso financeiro. No momento em que o trabalho é um prazer, deixa de ser trabalho e rendemos muito mais.

Tinha a segurança das contas pagas pelo rendimento dos investimentos permitindo que me dedicasse a um novo negócio de muito potencial, mas que talvez demorasse um pouco até crescer o suficiente.

O segundo passo na escada da independência financeira é então definir esse novo padrão de vida um pouco mais alto, e então direcionar uma parte dos ganhos com o trabalho a aumentar o bolo dos investimentos de maneira a fazer os novos rendimentos permitirem a manutenção desde segundo degrau novamente sem trabalhar. E assim sucessivamente.

Se você gostou desta técnica e a deseja colocar em prática, vou ficar feliz em conhecer sua história. Fique a vontade para me escrever e me contar como está funcionando para você.

Eu sou o Fabricio Peruzzo, o Papai Investidor, e estou aqui para lançar idéias que possam te ajudar na conquista da independência financeira.

Propriedade

Muito novo me interessei por empreender. Lembro de ainda pequeno desenhar meus negócios e empresas. Adolescente, fanático por computadores e já programando, ao conseguir um trabalho para a criação de um programa, subcontratei um amigo para realizar a programação e não perder meu tempo com isso, podendo então me dedicar a buscar novos trabalhos para nós dois. Foi quando me dei conta de que gostava mais dos negócios do que das atividades fim.

Filho de economista com cargo de chefia em banco, com facilidade para matemática, não demorou muito para estudar sobre investimentos. Minhas primeiras incursões na bolsa de valores foram facilitadas pela linha telefônica que já possuía em meu nome (para usar no computador sem monopolizar o telefone dos meus pais), pois na época, comprar linha telefônica implicava em automaticamente comprar ações da companhia telefônica atreladas à linha.

Quando comecei a estudar investimentos e a montar meus primeiros negócios, meu objetivo era ganhar muito dinheiro, enriquecer, e poder comprar todos os equipamentos e objetos que pudesse. Gostando de computadores ainda no início da revolução tecnológica, era bastante caro se manter atualizado nesta área.

Apesar de ter ido à Disney aos 17 anos (bancado pelo pai) e ter adorado a viagem toda, parece que o objetivo de “possuir coisas” me deixou meio cego por bastante tempo.

Quando viajar passou a depender de usar meus próprios recursos, simplesmente as viagens acabaram. Lembro hoje com certa tristeza de como pensava sobre o assunto: “porque irei viajar e gastar todo esse dinheiro em uns poucos dias de diversão que acabam em seguida, se com este valor poderia comprar X?”

Em 2009 fiz com minha esposa uma longa viagem pela Europa. Ficamos mais de um mês passeando por Espanha, França, Itália e Inglaterra. Foi um abrir de olhos. Ao mesmo tempo em que todos os objetos que possuía ou havia comprado nos anos anteriores haviam ficado obsoletos (computadores, máquinas fotográficas, etc), aquela viagem abriu meus olhos de uma forma que nenhuma outra havia conseguido. Claro que tínhamos feito pequenas viagens antes, mas sempre para locais mais próximos, como Buenos Aires, em que tanto o custo quanto a familiaridade geográfica não permitiam que eu obtivesse minha revelação.

A experiência de uma viagem fica para sempre na nossa memória. Não apenas as coisas que fazemos, mas a cultura que absorvemos, nos fazem crescer. Vivenciar o dia a dia de outro país, de outra língua, de outra mentalidade, abre nossa cabeça de uma forma que não julgava possível.

Desde então procuro viajar com regularidade. E proporcionar passeios mais longos com frequência suficiente para meus filhos de maneira a que eles tenham isso como normal.

Empreender e investir se tornou uma ferramenta para proporcionar experiências de vida.

Chega a ser engraçado hoje, ao olhar para trás, ver o quanto eu dava importância à propriedade das coisas, em ter coisas, em conquistar objetivos materiais. Não que eu ache ruim ter coisas boas, em usufruir de objetos que nos tragam prazer, mas com o tempo cada vez mais restrito, seja pelas escolhas de paternidade presente, seja pelo simples excesso de opções, vejo a propriedade muito mais como uma questão de qualidade do que de quantidade.

Antes, com todo tempo do mundo a disposição e um interesse focado em duas ou três coisas (computadores e fotografia, no meu caso), a possibilidade de experimentar (e possuir) todos os tipos de computadores, o equivalente hoje a querer possuir e usar simultaneamente tanto iOS quanto Android e outros sistemas já obsoletos, ou em outra escala, ter quatro ou cinco carros, um para cada tipo de situação, era o objetivo natural.

Isso me foi bastante útil na época. Não quero aqui cuspir na pessoa que fui. Mas essa pessoa, não sou mais. Poder possuir (na época era a única forma de poder efetivamente usar e conhecer profundamente) diferentes computadores foi vital para aumentar meu conhecimento neste ramo e teve impacto significativo no meu sucesso neste mercado. Vejo isso hoje como investimento em formação prática no assunto.

Essa questão de ter, entretanto, extrapolava o lado da busca de conhecimento sobre o assunto. Queria também ter carros esportivos, Jeep, moto, jet-sky, etc. E como li algum dia por aí, podemos ter qualquer coisa que quisermos, mas não podemos ter tudo que quisermos ao mesmo tempo.

Já hoje, com a abundância de informação disponível através de videos e artigos na internet, muito pouca coisa é realmente necessário possuir para formar uma opinião concreta sobre determinado campo. Vejo hoje os objetos como meras ferramentas para um fim, e neste sentido, nem mesmo o mais moderno ou completo necessariamente deve ser o melhor, mas sim, o que mais se adapte à pessoa e ao trabalho que ela quer realizar. Câmeras fotográficas analógicas hoje em dia? Sim, é possível e interessante.

Então não tendo mais “necessidade” de objetos variados para realização pessoal, e vivendo em uma época em que mesmo as ferramentas mais úteis podem ser obtidas por uma fração do que equipamentos profissionais custavam poucos anos atrás, além de termos acesso a tudo que precisamos de forma facilitada hoje em dia, o dinheiro acaba sendo a ferramenta master para conquistarmos o “bem” mais precioso: tempo.

Dinheiro hoje, basta o suficiente para ter uma vida tranquila, contas pagas, experiências suficientes para ocupar as horas do dia não dedicadas ao estudo e trabalho. E se tudo isso parece pouco, dê uma olhada mais profunda no que lhe falta. Pode ser que não seja “uma coisa”, mas sim, algo mais íntimo que você ainda não conseguiu descobrir em si.

Ou então simplesmente seja questão de que quanto mais podemos ter, passamos a nos dar conta de que menos precisamos para sermos felizes e completos.

Hoje completo 47 anos. Pode ser a idade 🙂

 

Cruze o mundo quatro vezes

Traduzido de: https://sivers.org/4 logo após ter lido o original do Derek Sivers. Droga, entrou um cisco no meu olho…

Cruze o mundo quatro vezes.

Primeiro em sua adolescencia ou ao redor dos 20 anos, para absorver tudo. Veja tudo, faça tudo e aprenda. Se envolva. Fique acordado a noite toda conversando com estranhos, em todo lugar. Beije e se apaixone e faça promessas de amor eterno. Cometa muitos erros.

Cruze o mundo pela primeira vez para se apaixonar.

A segunda vez, nos seus 30 anos, para contar para todos o que você aprendeu. Você está cheio de respostas, já que fez tanto. Você sabe como as coisas devem ser, já que cometeu todos seus erros. Você consegue ver o caminho claramente, e é sua vez de liderar.

Cruze o mundo pela segunda vez para criar mudança.

Na terceira vez, nos 50, para compensar. Você se dá conta do fanfarrão que era aos 30, e o quão pouco realmente sabia. Você foi humilhado. É hora de pagar por anos pensando que os outros estavam errados. Preste atenção e escute sem julgamentos desta vez. Não tenha respostas – apenas boas perguntas e bons ouvidos.

Cruze o mundo a terceira vez para desaprender.

A quarta vez, tarde na vida, para testemunhar. Para encontrar velhos amigos, e descobrir que eles se foram. Para ver o que mudou, e o que continua igual. Para apreciar os jovens. O mundo é deles, não seu. Agora você sabe o que acontece quando você morre: tudo! Evolução, revoluções, invenções, desastres, muito amor, e muitas vidas. Você só não será mais parte disso.

Cruze o mundo pela última vez para se despedir.

Há 17 anos adquiri meu primeiro consórcio imobiliário

Consórcios, 17 anos depois…

Chega até a ser engraçado, mas já se passaram 17 anos desde que adquiri minha primeira carta de consórcio, lá atrás, em 2002 e 14 anos que abri a Megacombo, minha empresa criada para divulgar o consórcio de imóveis como ferramenta de investimento.

Lendo a página de como nasceu a Megacombo, relembrei como comecei, com a aquisição de cartas de R$ 25.000, a menor que tinha disponível na época, equivalente hoje à carta de R$ 70.000.

É engraçado lembrar de tudo isso, porque apesar de eu continuar ajudando muitas pessoas a iniciar seus investimentos desde o princípio, começando com uma ou duas cartinhas de pequeno valor como eu comecei, ao mesmo tempo tenho ensinado este investimento à pessoas que possuem muito mais patrimônio do que eu.

O investimento em consórcios me proporcionou um crescimento exponencial nestes 17 anos. Se hoje eu possuo imóveis, ações e fundos de investimento, tudo isso é resultado daquele pequeno valor mensal que comecei investindo nos consórcios lá em 2002.

Ao mesmo tempo em que meu patrimônio foi crescendo, o perfil dos investidores que fui auxiliando também foi aumentando. Hoje atendo desde quem adquire uma cartinha de R$ 70.000, até quem faz planos de R$ 4 milhões ou mais, para adquirir imóveis de forma alavancada, ou investir na construção.

Atribuo isso a uma questão de identificação pessoal. Quem tem pouco dinheiro para investir costuma ter dificuldade para imaginar uma vida muitas vezes mais abundante do que sua situação atual. Ao ver o caminho que percorri desde o início, fica mais fácil ver onde dá para chegar.

Já quem tem patrimônio igual ou maior que o meu, sabe das dificuldades que passou até atingir este ponto, sabe o quanto é difícil fazer o dinheiro crescer com investimentos. Geralmente dedicaram muitas horas de trabalho para cada real investido. Esses se identificam com a perspectiva de fazer o que conquistaram crescer a uma velocidade maior do que vêm conseguindo fazer com seus investimentos atuais.

Então, se tu acreditas que eu possa te ajudar a começar teus investimentos, ou se está no ponto onde eu possa te ajudar a fazer eles renderem mais do que vem rendendo atualmente, estou aqui, à disposição, com a melhor orientação para sua situação particular.

Desde que comecei com os consórcios há 17 anos, ainda não encontrei investimento melhor e mais completo para quem tem valores mensais para investir. Vem comigo, que desenhamos um plano perfeito para ti.

Se deseja saber mais, leia os artigos do site Investimento em Consórcio, ou simplesmente entre em contato.

Cerveja artesanal, hambúrguer e seu dinheiro

Sei que você tem um amigo que está fabricando cerveja artesanal. Talvez até tenha um amigo abrindo uma hamburgueria.

Deixa eu contar aqui… um amigo designer fabrica cerveja. Um amigo arquiteto não apenas fabrica cerveja, como abriu um bar/cervejaria onde inclusive vende hambúrgueres. Um amigo corretor de seguros, fabrica cerveja, mas só para os amigos. Um programador de computadores idem. Até meus advogados (sim, tenho negócios suficientes para precisar ter “meus advogados”) possuem uma cervejaria artesanal com fábrica e bar.

Pouco tempo atrás eram paletas mexicanas… Puxe a memória e você se lembrará do que veio antes das paletas…

Seja por diversão ou hobby, seja como um empreendimento que visa realmente faturar para sustentar famílias, as cervejas artesanais estão em alta.

E seu dinheiro com isso?

Algumas ideias rápidas para você pensar…

A cerveja artesanal do mercado financeiro é a proliferação dos “traders” de Instagram, dos analistas de Youtube, dos especialistas em ações de Facebook.

Já é difícil para a média das pessoas conseguir enriquecer. Por que você pensaria que seria possível encontrar o Santo Graal que o faria enriquecer rapidamente?

Enriquecer exige método, disciplina, conhecimento, e principalmente, tempo.

Tentar aprender o “pulo do gato” com aquele “especialista” com 10 anos de experiência e sucesso contínuo é aprender com quem nunca passou pessoalmente por nenhuma crise… 2008 já está distante 11 anos… a queda das Torres Gêmeas e o estouro da Bolha Pontocom então, nem se fala, lá se vão quase 20 anos.

Quando a próxima crise varrer o mercado dos gênios da vez, olhe para os que estão há mais tempo no jogo e aprenda com estes o poder das proteções e da diversificação.

Não deixe de surfar a onda fantástica que estamos vivendo. Só não ache que ela durará para sempre, nem arrisque tudo o que você conquistou em uma só classe de ativos.

E se precisar de ajuda, não hesite em chamar.

Modo avião

Oi, tudo bem? Fabricio Peruzzo aqui, em uma das minhas escalas nesses passeios da vida.

Queria aproveitar esse momento off-line para deixar um recado, mas antes, deixa eu agradecer meu amigo Alessandro Gonçalves pela ideia do modo avião, uma das coisas em comum que fazemos e que ele publicou recentemente em seu Instagram.

Se você não me acha na hora, fique sabendo: Eu tenho meus momentos de modo avião.

E o que são momentos de modo avião?

São momentos em que desligo o celular, sem WhatsApp, sem e-mails, sem ligações…

Porque meu trabalho é criar, criar coisas novas, concatenar ideias, bolar estratégias.

Nessas horas evito interferências, além das várias que já existem dentro de mim. Porque se algo é fato, é que às vezes eu mesmo fico interrompendo meu raciocínio com outros pensamentos.

Normalmente isso acontece de manhã, quando estou com toda minha energia criativa fluindo, cheio de ideias para escrever. Esse é um dos motivos de você não conseguir falar comigo facilmente pelas manhãs, porque acordado, provavelmente já esteja desde as 6 horas.

Então quando não estou online, estou voando, em modo avião, nas minhas ideias e criações.

Mas lembra que eu sempre aterriso de volta. Tenha paciência que vale a pena esperar.

Me acompanha e me chama, para ver se não criei algo bom para você no último voo.

Um grande abraço, e bons voos para você também.

O ônibus errado

Acabo de ler, e de traduzir em um caderno, o texto de ontem do Seth Godin.

Segue a tradução abaixo, para quem não tem familiaridade com a língua inglesa.

“Seu primeiro engano foi pegar o ônibus A53, aquele que atravessa a cidade em vez de ir para onde você deseja chegar.

Erros deste tipo acontecem toda hora.

O grande erro, no entanto, o erro que irá lhe custar muito, é permanecer naquele ônibus.

Eu sei que não foi fácil subir neste ônibus. Eu sei que conseguiste um assento. Sei que está escurecendo do lado de fora. Mas você está no ônibus errado, e ficar no ônibus errado não irá transformá-lo no ônibus certo.

Se você realmente deseja chegar onde planejou, você terá que saltar do ônibus errado.”

Obrigado, Seth. Tuas palavras não poderiam chegar em momento mais síncrono.

Sobre aquele ataque histérico

Um texto curtinho do Seth Godin escrito hoje mesmo, que eu traduzo aqui para ajudar os que tem dificuldade com a língua inglesa. Para os que não tem esta dificuldade, o texto original pode ser encontrado aqui. Indico ainda a atenção aos outros textos dele, geralmente sensacionais e diretos ao ponto.

E aproveitando a deixa, não é porque eu sou bonzinho e estou ajudando aqui com uma tradução, que você pode se dar ao luxo de não saber inglês. O domínio da língua inglesa é uma das primeiras coisas que você deve possuir se deseja realmente crescer na vida. E se não é isso que você busca, crescimento pessoal, o que está fazendo aqui?

Segue o texto do Seth Godin…

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Uma dica para o cliente que acabou de estourar a paciência. Ao noivo que não teve o casamento perfeito, àquele que alugou um carro e teve que esperar 20 minutos para conseguir fazer isso, e ao chefe que está furioso com a entrega que não foi como prometida.

Nós te escutamos. Nós, as pessoas que você quer atingir, e nós o resto das pessoas também, os inocentes que estavam ao redor, os que não tem nada a ver.

Na verdade, te escutamos logo da primeira vez. Desde então, a única informação que está sendo transmitida é sobre você, não sobre as pessoas com quem você está irritado.

Você está demonstrando seu privilégio (porque você tem que ter muitos recursos para poder desperdiçar tanto em uma cruzada emocional improdutiva desta ordem.)

Você está demonstrando seus direitos.

Você está demonstrando uma surpreendente falta de auto-controle. Crianças pequenas tem ataques histéricos. Adultos deveriam resolver problemas.

E você está demonstrando medo, mais que tudo. O medo que alimenta a narrativa de não estar sendo ouvido. O medo de que você não é bom o bastante. O medo de que esta pode ser a última chance de você conseguir fazer tudo exatamente perfeito.

Trabalhar com o mundo exterior é um ato de comunicação e respeito mútuo. Você merece ser ouvido, mas não tem o direito de ter ataques histéricos.