A rotina diária de uma vida financeiramente independente no meio da pandemia do coronavírus.

Começo a escrever este texto 6h da manhã de uma sexta-feira. Não são todos os dias que acordo esta hora, apesar de ser mais matinal do que noturno nas minhas preferências. Hoje, especificamente, acordei com ideias para este texto.

Fui ajudado pela minha filha na madrugada. Pouco antes das 5h ela acordou para fazer xixi. Busquei ela no quarto, iluminando o caminho até o banheiro com a tela do Apple Watch. Cuidei do porquinho de pelúcia que ela levou para acompanhar enquanto fazia o xixi e a levei de volta ao quarto, ficando ao lado dela até pegar novamente no sono. Voltei para cama, mas com as ideias fervilhando na cabeça, quem disse que consegui dormir? Então aqui estou.

O que chamo de Independência Financeira?

Quando falo ou escrevo sobre independência financeira, muitas vezes noto que esse termo tem conotações diferentes para as pessoas. Então acho interessante explicar o que chamo de independência financeira, e como ela se da na minha vida na prática.

Para alguns, falar sobre independência financeira é o mesmo que dizer que a pessoa é multi-milionária. Que basicamente pode fazer tudo o que quiser, que o dinheiro nunca acaba. Que o dinheiro jorra em suas contas bancárias como cachoeiras infinitas. Infelizmente esse ainda não é o meu caso.

Outros chamam de independência financeira o simples fato de terem um emprego que pague seu custo de vida e os permita morar sozinhos, o famoso “sair da casa dos pais.” Não chamo isso de independência financeira, pois a pessoa em questão é dependente daquele emprego, e vai saber quanto tempo esse emprego vai durar? Felizmente, esse não é meu caso.

O que chamo de independência financeira é uma situação relativamente confortável de vida, mantida da maneira o mais automática possível, sem a necessidade ou obrigação de bater ponto em um emprego ou trabalho próprio. É poder ter uma vida digna e sem necessidades, sem trabalhar. É basicamente poder viver como um aposentado. Esse é o meu caso.

Claro que cada um tem sua própria definição do que é viver de forma confortável. Tem gente que se contenta em morar em um apartamento pequeno, com móveis simples e práticos, e tem gente que precisa de espaços enormes e decoração refinado para suprir suas necessidades básicas. Tem gente que acha um exagero possuir carro, e tem quem não consiga viver sem um carro de luxo. Eu me encontro no meio dessa escala, tenho um bom carro quitado, um carro comum, mas sedã com um bom porta-malas para carregar as bicicletas dos baixinhos. Acredito que um bom apartamento tenha ao menos dormitórios suficientes para que cada filho possa ter seu quarto e sua privacidade. E que também esteja quitado, porque dever para o banco não é legal.

Já escrevi ou gravei um vídeo anteriormente sobre o que chamo de Escada da Independência Financeira. Resumidamente é a definição de um padrão mínimo de vida para aquele momento específico, e de quanto seria necessário possuir investido para que os rendimentos do patrimônio investido pudesse prover a independência financeira naquele degrau de vida.

Quando atingi minha independência financeira, tinha carro popular. Morava em apartamento menor, não tinha filhos. Tinha conquistado patrimônio suficiente para manter aquela vida indefinidamente, mas é claro que sabia que aquela não seria minha vida por muito tempo. A conquista da independência financeira não me proporcionou uma vida fácil e folgada com tudo o que queria. A conquista da independência financeira me proporcionou a independência necessária para poder fazer as melhores escolhas de onde iria investir meu tempo, de maneira a otimizar meus ganhos, sem precisar bater ponto em algum emprego mal remunerado qualquer simplesmente para pagar as contas. Meu trabalho de verdade estava apenas começando.

A conquista do primeiro degrau da independência financeira representou a abertura da porta necessária para a busca do aperfeiçoamento pessoal e do meu propósito de vida. No degrau em que me encontro atualmente, temos uma vida tranquila com dois filhos. O menor ainda em casa conosco 24h por dia, a maior já há alguns anos no colégio, apesar de neste momento específico de pandemia estar também 24h por dia trancada aqui com a gente. Carro quitado, apartamento quitado, e sem dívidas, da para se manter esse fluxo por tempo indeterminado.

O degrau atual em que nos encontramos na escada da independência financeira nos permite ficar em casa no meio da crise do Coronavírus. Tenho meu trabalho vendendo consórcios de imóveis, mas este, que era bem mais ativo antes do vírus manter todos dentro do apartamento, ficou bastante prejudicado no momento. Continuo atendendo os clientes que já possuo e sempre chegam novos através da internet, mas o tempo livre que antes tinha para produzir conteúdo novo, sejam vídeos explicativos, sejam textos como este aqui, virou pó. Foi substituído por acompanhar a filha em aulas online, organizar as tarefas extras de ensino, cuidar da casa, lavar louça.

E é o conteúdo novo que me traz novos clientes em profusão. Então, se por um lado a coisa está andando sem maiores problemas, com a garantia das contas pagas, por outro, continuo fazendo o possível para manter o barco navegando em bons ventos. Porque, como escrevi antes, estou já alguns degraus acima do básico, mas ainda longe de onde pretendo chegar.

Quem me acompanha há mais tempo por aqui sabe das viagens regulares que fazíamos ao exterior. Viagens geralmente longas, ao menos uma ou duas por ano. Claro que essa rotina mudou um pouco com a chegada de mais um bebê, mas não fosse o vírus, provavelmente já teríamos feito algo deste tipo nas férias de julho e certamente faríamos algo assim próximo do fim do ano. Essas viagens não fazem parte ainda do degrau de independência financeira atual. Como temos necessidades especiais de hospedagem (precisamos de apartamentos com cozinha, por conta de alergias alimentares), os custos são consideravelmente maiores do que uma viagem mais “normal.”

O que proporciona viagens regulares e o passo necessário ao próximo degrau, são justamente o trabalho que realizo na venda de consórcios imobiliários, e nas consultorias financeiras pessoais, além do investimento regular em oportunidades pontuais que sempre surgem para buscar um lucro mais rápido.

Estou há mais de uma hora escrevendo este texto, e não cheguei ainda no título do mesmo. Escrevi no título que este era sobre a rotina de uma vida financeiramente independente. Pois bem, tendo definido exatamente o que é essa tal de independência financeira para mim, vamos à rotina.

Rotina diária de uma vida financeiramente independente no meio da pandemia.

Como não sei exatamente como será o dia de hoje, vou basicamente descrever o dia de ontem. Na prática, não muda muito. No meio do confinamento, todos os dias são mais ou menos iguais.

Acordei por volta das 8h da manhã. Minha filha acordou em seguida e fomos para a sala tomar café da manhã. Preparei meu café, preto, coado direto na caneca com o filtro pequeno, e um Toddy e sanduíche de queijo com requeijão para a baixinha. Conversamos e brincamos um pouco de dinossauros, menina-dragão, e depois ela foi assistir um pouco de TV enquanto eu lia as notícias, e-mails, e redes sociais ao lado dela no sofá. No caso específico de ontem, não tínhamos lavado a louça na noite anterior, então fiz isso neste momento.

O bebê acordou pouco depois das 10h30, e ele e minha esposa se juntaram a nós na sala. Pelo horário avançado, decidimos que ele iria direto para o almoço, que faríamos mais cedo para ele, mantendo o horário normal para o nosso. Entre troca de fralda, brincadeiras, e corrida pela casa com a mana, o almoço ficou pronto, e enquanto minha esposa dava comida para o bebê, fui tomar um banho.

Bebê de barriguinha cheia, eu de banho tomado, saímos para uma volta na rua, ele e eu. Fomos ver os chafarizes dos prédios próximos de casa. É um passeio de 45 minutos a 1h, caminhando pela rua, olhando os caminhões. Ontem tinham inclusive duas betoneiras em um dos prédios que estão levantando aqui perto.

Volto para almoçar, café preto depois do almoço, responder e-mails e estudar um pouco mais para mim, enquanto minha esposa cuida para ninguém se machucar na corrida dos pequenos pela casa. Bebê vai fazer soneca com a esposa, criança começa aula online, mais leituras, e-mails, e planejamento de novos textos para mim. Bebê acorda, aula termina, prepara lanche, todos comendo bem, levo o lixo para fora e neste dia consigo ir até o escritório para gravar um vídeo novo. Ontem foram 50 minutos de rua no passeio do bebê, e mais ou menos o mesmo tempo no escritório para mim no fim da tarde.

Volto para casa, atividades de avaliação do colégio, brincadeiras com as crianças, Preparar a janta, trocar a fralda, jantar, lavar a louça, dar uma última olhada nos e-mails, redes sociais, artigos na fila de leitura, e começar a diminuir o ritmo da casa. Meia noite, todos dormindo.

Mais um dia na rotina de uma vida financeiramente independente no meio da pandemia do coronavírus. A vida se tornou uma coisa meio nebulosa, com os dias se fundindo uns aos outros, tudo sempre igual. Ficando a maior parte do tempo em casa acabamos diminuindo as chances dos encontros fortuitos que estar na rua nos proporciona.

Em épocas mais normais, levaria a baixinha ao colégio depois do almoço. Encontraria um ou outro pai/mãe na entrada, conversaríamos sobre algo banal ou sobre os filhos mesmo. Voltaria para casa, iria ao escritório caminhando, passaria antes no correio, pararia para um café na cafeteria ao lado, onde encontraria um colega de faculdade que não via a muito tempo. Conversaríamos sobre como estavam as coisas, nossas empresas, nossos filhos, e combinaríamos de uma hora nos encontrarmos novamente, deixando para o destino escolher quando isso aconteceria de novo. Na volta ainda cruzaria com outro amigo, mais um oi rápido, mais o sentimento de que tudo está andando nos trilhos para aqueles que amamos. Tudo isso está suspenso por enquanto.

Se sua vida está mais fácil, ou mais difícil, saiba que estamos todos juntos nessa. Vai melhorar.

Diversificação

Em 11 de setembro de 2001 aprendi minha primeira lição sobre diversificação. Uns dias depois, na verdade.

Quem me lê a mais tempo sabe que no início dos meus investimentos perdi tudo que tinha investido na bolsa. Já contei essa história antes. No meio da tragédia das Torres Gêmeas e do horror que tudo aquilo representou, as bolsas despencaram com as dúvidas sobre o que aquilo traria de consequência para o mundo.

Naquela época investia em meu campo de conhecimento, sem olhar muito para outros setores. Minhas posições estavam concentradas em apenas três empresas, todas do mesmo setor de telecomunicações. Tinha Embratel, Globo Cabo e CRT apenas. Não poderia estar mais concentrado, nem estar no setor mais errado no meio do que aconteceu. Minha carteira perdeu 95% do valor em apenas três dias.

Claro, tragédias dessa magnitude não podem ser previstas antes de acontecerem, mas aí é justamente onde entra a importância da diversificação, ela nos protege justamente daqueles problemas que não conseguimos prever. Se eu tivesse a diversificação que tenho hoje, financeiramente o impacto teria sido absolutamente menor.

O Corona virus causou impacto semelhante em alguns setores da economia mundial. Imaginem se minha área de conhecimento fosse o setor de viagens e entretenimento, e se só investisse em empresas desse ramo, o tamanho do buraco em que teria caído. Ou se vivesse de imóveis de aluguel por temporada, imóveis de férias? Mesmo setores tradicionais e resilientes como este, podem sofrer consequências péssimas que, antes de uma epidemia de proporção mundial, jamais seria prevista.

Para minha sorte, perder tudo que tinha em um momento em que estava começando, onde ainda não tinha tanto assim, acabou sendo uma excelente lição que me protegeria em diversas ocasiões posteriores. Crise do subprime? Joesley Day? Greve dos caminhoneiros? Passaram batido, um soluço no grande esquema das coisas.

Como a todos, o Corona virus pegou meus investimentos de surpresa. Só não foi uma tragédia completa graças aos anos de aprendizado sobre a importância da diversificação. Enquanto algumas posições caíram bastante, outras subiram em proporção semelhante. No equilíbrio das coisas, e contando também com um pouco de sorte de ter feito certos negócios “na hora certa”, acabei ficando no zero a zero.

Se você teve o azar de ter sido atingido em cheio com as consequências da pandemia nas suas economias, deixo minha mensagem de alento, de que as coisas vão melhorar. O mais importante, porém, é estudar como estavam seus investimentos em março, e porque foram tão atingidos, para corrigir o rumo e proteger sua carteira das crises futuras, que certamente virão, não sabemos nem quando, nem de onde.

Termino com preces voltadas a todos que perderam suas vidas na tragédia imensa que foi a queda das Torres Gêmeas, e a todos que estão sofrendo as consequências atuais, não apenas as financeiras, da pandemia que assola nosso planeta no momento. Fiquem bem.

Desconectados

O Brandon escreveu há algum tempo um post interessante intitulado Disconnected. Traduzo abaixo para quem não tem familiaridade com o inglês.

Imagina isto:

Pouco tempo atrás, você acordou com seu despertador. Sem notificações, mensagens ou emails.

Foi ao banheiro, tomou um banho, e dirigiu ao trabalho.

Talvez ouviu as notícias no caminho, ou viu a previsão do tempo na TV antes de sair. Se você é uma pessoa matinal, pode ser que tenha acordado mais cedo e lido algumas notícias antes do café da manhã. De toda forma, a quantidade de informação e de opiniões a que você foi exposto foi limitada.

Ao chegar no trabalho, você trabalhou. Conversou com seus colegas e talvez tenha ligado para seu marido ou esposa no intervalo do almoço, mas por aproximadamente oito horas você esteve desconectado de sua vida pessoal. Você estava atuando no filme de outra pessoa. Não estava respondendo mensagens sobre dramas familiares ou amigos indignados com seus chefes. Não estava lendo comentários dizendo que seu diretor favorito de cinema é um lixo. Não estava olhando para uma lista de informações cuidadosamente elaborada por uma empresa cujo objetivo é lhe influenciar a comprar coisas. Você apenas trabalhou, comeu, conversou com colegas, e voltou para casa.

Na hora que chegou em casa, a maioria dos assuntos estressantes já tinha passado do estágio crítico. Os problemas do seu marido no trabalho aconteceram horas atrás e agora já são bem menos dramáticos. Sua própria má experiência com um cliente não está tão fresca e em vez de jogar sua frustração no seu companheiro, você conseguiu se recompor e explicar quão frustrante foi a situação sem aumentar sua frequência cardíaca.

Neste passado não tão distante, as notícias, dramas familiares, e injustiças em geral não apareciam em tempo real. Não havia cobertura 24/7 em seu telefone ou computador. A maioria das coisas eram discutidas horas depois, já de cabeça fria. Você podia contar sobre seu problema no trabalho para um amigo uma semana depois, mas você não escreveu para ele logo após ter acontecido. Você teve tempo para digerir e processar a experiência, não apenas reagir.

Sinto que tudo que fazemos atualmente é reagir. Somos bombardeados de informação/opiniões desde o momento em que acordamos e apenas reagimos. Não processamos. Expomos nossa primeira reação indignada nas redes sociais ou através de mensagens de texto, e não tenho certeza de que o cérebro humano funciona de maneira mais eficiente desta maneira. Reagimos com medo ou raiva, porque isto é o que nos mantinha a salvo na época primitiva, mas essas reações não servem mais para o mesmo fim em 2020.

Pequenos prazeres – pequenos rituais

Presente de aniversário chegou com uns meses de antecedência aqui este ano.

Já escrevi anteriormente sobre os pequenos rituais e como eles nos permitem levar a vida de forma um pouco mais leve e contemplativa.

Ontem minha esposa me presenteou com esta chaleira bico de ganso, presente de aniversário uns meses adiantado. Diz ela que estava angustiada de me ver tentando derramar a água em círculos no filtro de papel com a chaleira comum.

Não tenho palavras para descrever o quanto este presente simples tornou meus dias mais felizes. Fazer o café todas as manhãs é meu pequeno ritual para começar o dia. Me permite parar uns poucos minutos e meditar logo depois de acordar e ser grato por tudo de bom que acontece na vida.

Este período de pandemia nos trouxe uma série de desafios, o mundo de cabeça para baixo. Poder ter estes pequenos momentos faz toda a diferença quando conseguimos ver o quanto somos privilegiados em poder passar por isso da maneira que estamos passando, com relativa segurança.

A felicidade está nas coisas simples. Uma chaleira pode não fazer nenhuma diferença na sua vida, mas na minha, lembra o quanto sou querido aqui em casa, todos os dias, enquanto preparo meu café todas as manhãs.

Tenha um bom dia.

Idéias para a vida

Do livro de citações do Patrick Rhone

  • Use o que você possui;
  • Seja quem você é;
  • Preste atenção a tudo ao seu redor;
  • Busque ser uma pessoa de poucas necessidades;
  • Pontos de interrogação em vez de pontos finais;
  • Seja curioso;
  • Bom o suficiente é bom o suficiente;
  • Não confunda o que é urgente com o que é importante;
  • Passe ao menos um dia por ano em completa solidão;
  • Faça o máximo possível com o mínimo necessário;
  • Faça menos promessas, mas cumpra todas que fizer.

Ações, não palavras, revelam nossos verdadeiros valores

Derek Sivers, mais uma vez, acertando em cheio, em um artigo de 2016. Traduzo abaixo, mas se preferir você pode ler o original, e já se esbaldar com muitos outros artigos sensacionais: Actions, not words, reveal our real values.

Me identifiquei muito com o texto, como acontece com quase tudo que o Derek escreve, pois temos uma história muito semelhante, com sucesso relativamente cedo que permitiu a possibilidade de escolha do que fazer no futuro sem depender de um emprego tradicional para o sustento. E da preferência por estudar, escrever, e ser bastante participante no dia a dia do crescimento dos filhos.

Já fui um empreendedor serial. Hoje, prefiro ser pai, estudante, escritor, pintor, leitor… e vendedor de consórcio, que foi a ferramenta/investimento que realmente me permitiu chegar neste ponto.


Contei ao meu antigo coach que eu realmente gostaria de abrir minha nova empresa.

Ele disse, “Não, você não gostaria.”

Eu disse, “Sim, gostaria! Isto é realmente importante para mim!”

Ele disse, “Não, não é. Falar não torna isso verdade.”

Eu disse, “Você não pode ignorar o que estou dizendo. Me conheço bem. Estou te dizendo o que é importante para mim.”

Ele disse, “Sim, eu posso ignorar o que você está dizendo e simplesmente olhar para suas ações. Nossas ações sempre revelam nossos verdadeiros valores.”

Pensei sobre isso, mas me soou errado. O que dizer de pessoas que querem aprender outras línguas, ou criar negócios, mas que ainda não começaram? E sobre pessoas que desejam parar de fumar ou largar seus empregos, mas ainda não conseguiram?

Ele disse, “Se eles realmente quisessem fazer, já teriam feito. Você vem falando sobre esta idéia de uma nova empresa desde 2008, mas nunca começou. Olhando para suas ações, e te conhecendo, eu diria que você realmente não deseja começar um novo negócio. Você, na verdade, prefere a vida simples que tem agora, focada em aprender, escrever, e brincar com seu filho. Não importa o que diga, suas ações revelam a verdade.”

Wow. Claro. Ele estava certo.

Eu vinha me enganando há anos, dizendo para mim mesmo que eu queria fazer isso, mas minhas ações provaram o contrário. Sim, eu queria um pouco, mas queria outra coisa muito mais.

Agora tenho compartilhado este pensamento com amigos que falam que querem alguma coisa, mas não fazem acontecer. Todas as vezes, eles tem a mesma reação que eu tive.

Não importa o que você conta ao mundo, ou conta para si mesmo, suas ações revelam seus verdadeiros valores. Suas ações mostram o que você realmente deseja.

Há duas reações inteligentes a esta constatação:

  • Pare de mentir para si mesmo, e admita suas reais prioridades.
  • Comece a fazer o que você diz que deseja fazer, e veja se é realmente verdadeiro.

 

Medo de sair

Em tempos de Coronavirus…

Todos devem conhecer o termo FOMO (Fear of missing out), o medo de perder algo legal por decidir ficar em casa. O medo de perder a melhor festa do ano, o melhor show, o video que todos estão comentando…

Acredito que nos próximos meses devemos começar a ver o oposto disso, o medo de sair de casa.

Será que para ver de perto aquele artista que gostamos vale mesmo a pena se expor a ficar próximo de milhares de pessoas que não conhecemos e que podem nos contaminar com um vírus altamente contagioso que mesmo que não nos faça mal podemos levar para casa e contaminar algum familiar mais vulnerável?

Será que eu gosto tanto assim daquela pessoa que faz aniversário hoje a ponto de correr o risco de adoecer para ir lá dar um abraço pessoalmente, ou é melhor telefonar ou fazer uma video-chamada?

Saio para almoçar fora, ou faço comida em casa? Ou chamo uma tele-entrega?

Se meu trabalho pode ser feito de casa, vale mesmo a pena me deslocar até um escritório compartilhado com outras pessoas? Participar de reuniões presenciais?

Quero mesmo passear no shopping para me distrair? Não seria melhor um livro, ou até mesmo um seriado qualquer no Netflix? Uma praça ampla? Uma caminhada no meio do mato ou na beira da praia (praia pequena, não grandes centros urbanos)?

Aquela viagem maravilhosa, aquele lugar que eu sempre quis conhecer… Será? Confesso que esta á uma das partes mais difíceis para mim, o desejo de viajar e conhecer outras culturas, outras arquiteturas, hábitos e pessoas, é uma das coisas que mais me move na busca de aprender sempre mais. Ficar sem viajar seria para mim uma das piores coisas que poderia acontecer em um mundo onde o medo de contaminação impedisse o livre fluxo das pessoas.

Nem falo aqui apenas das escolhas pessoais, neste último caso das viagens, mas também dos impedimentos de governos cada vez mais autoritários que vemos aparecendo, forçando as pessoas a ficar em casa, aplicando multas para quem ouse sair, fechando fronteiras. Será que no meio da minha viagem serei impedido de voltar ao meu país? Como vou sobreviver em um local onde deveria apenas passear por uns dias, como vou pagar as contas, como usar o sistema de saúde se for necessário?

O quanto o medo de sair de casa irá alterar seus hábitos? Quanto isso irá impactar nos hábitos de uma população? Quais serviços serão afetados por algo desse tipo? Quanta gente precisa sentir esse medo para que o que estamos acostumados como realidade mude definitivamente?

Posso estar errado, posso estar tomando uma realidade particular minha, de uma pessoa que mesmo antes disso tudo já gostava mais de ficar em casa do que de sair por aí. Posso estar pensando pelo ponto de vista da ansiedade que me acompanhou por toda a vida, e não pelo ponto de vista de uma pessoa mais relaxada em relação à isso, mas e se isso tudo se prolongar por mais tempo? Quanto tempo de restrição de mobilidade é necessário para lhe fazer rever seu ponto de vista? Quantas pessoas próximas precisam morrer para você começar a se preocupar com tudo que está acontecendo?

Ainda saio para fazer compras com certa frequência. Mesmo ansioso, estou menos trancado em casa do que muitos amigos mais tranquilos. Cuido, não toco em nada desnecessário, evito tocar no rosto assim que atravesso a porta de casa para rua, lavo as mãos e passo álcool gel com frequência, evito passar perto das pessoas, saio rápido e volto mais rápido ainda. Quando isso vai mudar? Quanto isso vai mudar?

Deixo as perguntas no ar. Como está sendo esta época para você?

Kurt Vonnegut

Então nesta madrugada, depois de 47 anos escrito, sei bem, porque foi escrito no ano em que nasci, descobri Breakfast of the Champions, do Kurt Vonnegut, depois de ter pedido uma prova do mesmo na Amazon, pois havia ficado curioso quando recebi um e-mail de promoção com o livro a US$2,99 e, tendo baixado tal prova no meu Kindle, e com o celular carregando na sala, diferente de todo dia, quando dorme ao meu lado na mesinha ao lado da cama, e então com o Kindle ali posicionado para a insônia eventualmente esperada, e com a prova de outro livro que não me interessou continuar depois de ler as primeiras páginas, comprei o mesmo direto no Kindle, devidamente configurado para comprar com meu cartão de crédito previamente cadastrado na loja de tudo, e tal foi minha admiração com a leitura, que logo após parar, pois o sono parecia ter voltado a me chamar, acabei levantando, pegando o iPad onde agora escrevo esta frase, que deve ser, com certeza, a maior frase que já escrevi na vida, para descrever minha estupefação ao me dar conta da finitude da vida, e de quanto, a cada dia, descubro que ainda não conheço ou não sei, e provavelmente, nunca virei a saber, dado o tamanho dos meus interesses e a limitação previamente mencionada do tempo necessário a conhecer isto tudo, e agora tento voltar a dormir, talvez depois de publicar esta frase em algum lugar, no caso, agora, em meu site pessoal, como uma lembrança de que sempre temos algo novo a aprender todos os dias, ou no caso, na madrugada.

No fundo do poço – Depressão, ansiedade, e trabalho

Se você sofre com depressão, ou acha que sofre disso, mas não tem certeza, espero que as palavras abaixo lhe ajudem.

A idéia de escrever este texto começou em março de 2019, assim que li a publicação do Chris Brogan [https://www.linkedin.com/pulse/uphill-both-ways-depression-anxiety-work-chris-brogan/] e me identifiquei muito com tudo o que ele relatava.

A motivação aumentou depois de ler tweets do Matt Haig [https://twitter.com/matthaig1] [https://www.matthaig.com], e um post no Facebook do meu amigo Alessandro Gonçalves [https://www.facebook.com/746912638/posts/10157261175557639?sfns=mo] foi o incentivo que faltava para eu finalmente partir para ação.

Começou como uma simples tradução do texto do Chris, mas a medida em que traduzia, colocava uma frase ou paragrafo extra falando de situações pessoais minhas, voltava, editava alguma coisa que tinha esquecido e que me voltou à memória, e no final, o que temos é o texto abaixo.

Se ajudar apenas uma pessoa, você que está lendo isto, já valeu a pena o tempo dedicado. A verdade é que valeu a pena de toda forma, e aqui já deixo uma dica que me ajuda muito a tornar os dias mais leves e suportáveis quando as coisas estão pesadas dentro da alma… Escrever cura. Escreva o que você sente. No mínimo, o ato de colocar os sentimentos em palavras e organizar as idéias desconexas te fará ver as coisas com mais clareza.

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O propósito deste texto é ser um breve relato de como se parece o que suponho ser depressão. Para você pode ser diferente, mas queria compartilhar para o caso de você sentir qualquer destas coisas, e se sentir sozinho ou errado por isso. Procure ajuda.

Acredito ser crítico que nós que sofremos com isso compartilhemos nossas histórias, para que outros se deem conta que não estão sozinhos. Para que outros possam ver uma fagulha de esperança na escuridão da depressão. E para que os que não sofrem com isso possam ver que isso é real. E causa danos reais.

A depressão tem sido uma companhia frequente, desde a adolescência ou até antes. Eu não sabia o que era até muito tempo depois que isso começou a bagunçar bastante as coisas para mim. Gostaria de ter ouvido mais histórias sobre o assunto lá atrás.

Como você pode tocar um negócio e lidar com a depressão ao mesmo tempo?

Antes de ter filhos, conseguiria dormir 12-16 horas quando lidava com a depressão. Eu iria para cama cedo, acordaria cedo, mas então optaria a voltar a dormir o máximo possível. Quando finalmente saísse da cama, me sentia como se caminhando em uma piscina de cola até a cintura. Tudo é mais lento. Com filhos a coisa é parecida, mas sem a possibilidade de ficar dormindo, ou mesmo de ir para cama mais cedo, então o cansaço torna ainda mais difícil a caminhada na piscina de cola. As coisas andam no automático.

Em dias bons, tomo um banho. Saio para rua, vou a uma cafeteria. Sorrio um pouco. Em dias ruins, decido que uma lata de sardinhas e um ovo frito é um almoço aceitável e tento não atender meu telefone ou responder emails ou mídias sociais.

Meu trabalho é basicamente criativo. Muito poucas pessoas entendem o que é necessário para produzir conteúdo criativo dia sim, dia também. Há um desgaste mental e emocional cada vez que você faz algo. Você pode perguntar: “mas tu não vendes consórcios de imóveis?” A verdade é que não, não vendo consórcios. Ok, vendo consórcios, mas isto é a fase final. O que eu faço é escrever sobre este assunto explicando da melhor maneira possível o porque disso ser um ótimo investimento. Escrevo sobre finanças pessoais. Oriento sobre investimentos. Tudo isso, apesar de não parecer, precisa de criatividade para tornar o assunto minimamente interessante. Se estou chateado (não a depressão, mas algo efetivamente me incomodando), então nada flui. Aí é quando a ansiedade bate.

Por muito tempo, eu nem mesmo tinha me dado conta que eu tinha ansiedade. Porque anos antes, eu tive ataque de pânico e sabia o que isso se parecia. Pensava que ansiedade fosse algo deste tipo, mas não é. Para mim, ansiedade é como um monte de abelhas. Todas elas gritando “e se, e se, e se, eseeseeseeseeseese” enquanto eu tento fazer algo útil.

Quando trabalho em algo criativo (como escrever isso para você), sinto o zumbido da ansiedade zunindo nas minhas orelhas. Eu tenho coceiras pensando em que mais deveria fazer que seria um melhor uso do meu tempo. Eu me preocupo com coisas que não aconteceram ainda.

Um dos gatilhos que já identifiquei que podem indicar que estou sofrendo com ansiedade é uma irritação intensa, auto-depreciação, síndrome do impostor, ou a simples vontade de simplesmente desaparecer.

É uma merda que a depressão me motiva a ignorar um monte de informações e a ansiedade grita comigo dizendo que estou deixando passar alguma tragédia prestes a acontecer.

Então como você produz qualquer coisa?

Estou escrevendo isso em um dia em que a incerteza pressionou meus botões de depressão. Isso é assunto vulnerável, e é ainda mais vulnerável porque estou escrevendo isso com intenção de publicar em seguida. Comecei a escrever incentivado pelos textos que mencionei no início, principalmente os do Matt, que já passou por isso em níveis muito mais intensos ou perigosos.

Estou escrevendo. Como? No geral, eu falo para minha depressão: “Certo, você teve o suficiente,” e tento ao máximo me colocar em um estado de trabalho diferente. Eu me forço a levantar, tomo um banho, coloco roupas de trabalho, e sento na minha mesa “de trabalho” e começo a escrever. Esses gatilhos físicos parecem ajudar muito.

Essas últimas semanas isto tem sido um pouco mais complicadas. Com as férias escolares, e sem suporte extra, somos só eu e minha esposa para cuidar de duas crianças pequenas e todas as tarefas de casa. Meu home-office deixou de existir com a transformação em quarto do bebê. Comprei uma sala que fica a apenas uma quadra aqui de casa, mas como ir para lá, com tudo a fazer por aqui? Então escrevo em etapas, na mesa da sala, nos raros momentos em que o bebê está tranquilo, a filha maior está brincando com ele e a mãe, e não há uma montanha de louça para lavar (caso em que eu não estaria aqui escrevendo, mas sim, lavando a tal pilha de louça.)

Mentalmente é difícil ficar depressivo enquanto você está no meio de um esforço de produção criativa. Eu não consigo digitar esta frase e concatenar todo o material mental que eu preciso para alimentar o lado intelectual da minha depressão ao mesmo tempo. (Claro, a química está toda lá, mas estou ativamente ignorando-a no momento.)

Então, consigo lidar com a ansiedade e ser criativo ao mesmo tempo? Estou fazendo isso agora, mas deixa te contar, as abelhas são barulhentas. Preciso urgentemente de um café (e todo bom adepto da auto-medicação sabe que a cafeína ajuda com a ansiedade), e então, quando acabar de escrever isso para você, vou fazer um café na minha caneca de sempre, passado no filtro individual, já que só eu tomo café aqui.

Interações sociais são uma coisa completamente diferente

Eu tenho o imenso prazer de conhecer milhares de pessoas através do trabalho que faço. Eu já passei momentos únicos ao lado de pessoas muito inteligentes e especialistas em suas áreas. Quer saber? Eu provavelmente já passei algum tempo com você, se você está lendo isso. Muito provável.

Mas sou também um introvertido por natureza. Eu gosto de doses de interação social. Eu gosto de falar com as pessoas intensamente por um tempo, e então posso não entrar em contato para nada, por anos. Nunca há um pensamento negativo associado a isso pelo meu lado. Eu apenas acho que as pessoas todas tem vidas ricas e completas, e que realmente não precisam estar em constante contato com todos com quem já se encontraram.

A depressão bagunça as interações sociais. É uma mistura estranha. Você não deseja mesmo contato com ninguém porque está preso na piscina de cola da depressão. Mas você se sente mal quando outros não entram em contato aleatoriamente com você. Este é um dos grandes problemas dos relacionamentos: ninguém lê mentes. Você pode desconsiderar a “leitura de mentes” nos outros rapidamente, mas com depressão, muitas das nossas regras desabam.

E há o aspecto de simplesmente não conseguir fazer nada. E há coisas que precisam ser feitas. As realmente urgentes, acabo fazendo. Tenho sistemas de apoio que não me deixam extrapolar os prazos. Normalmente quando estou no fundo do poço, faço essas coisas no último minuto, mas faço. Pagar contas, por exemplo. Há gente que depende de mim para seus negócios, para seus lances no consórcio, coisas desse tipo… A ética profissional embutida no meu DNA não deixa que eu falhe nisso, mas deixa te contar, é um esforço sobre-humano.

O problema de não conseguir fazer nada é exatamente o de decepcionar exatamente quem eu não poderia decepcionar mais: eu mesmo. Quando estou no fundo do poço, sou o último a receber um agrado. Então se um cliente liga com um problema, resolvo o problema. Já se alguém que ainda não tem relacionamento profissional comigo entra em contato para dizer que gostaria de contar com minha ajuda, a piscina de cola me prende de tal forma que deixo aquele email lá guardado, para ser respondido depois, com mais calma, com mais dedicação, com mais atenção… E isso pode demorar uns dias… Ou mais… As pessoas boas relevam esse tempo, entram em contato novamente, pensam que o email possa ter sido extraviado, e, se o novo email chega em um bom momento, consigo responder de imediato e eventualmente fechar negócio. Se não, provavelmente foi uma porta que se fechou justamente em um momento em que mais precisaria de portas se abrindo na minha frente.

Interações sociais também podem ser desafiadoras. Especialmente na era do Instagram e Facebook. Porque você tem a prova visual (e a falácia mental) de que você está tendo a vida social menos divertida e mais desagradável de todos que você conhece. Porque claramente (por favor liguem seus filtros de sarcasmo) todo mundo posta um pouquinho de suas vidas no Instagram e no Facebook, e não apenas as melhores partes selecionadas a dedo para parecer ainda melhor do que são.

Dicas de mídias sociais para pessoas “quebradas”

  • Se você está no auge da sua depressão/ansiedade, fuja do Facebook e do Instagram. O que você menos quer é aquela sensação falsa de que todo mundo está se divertindo, menos você.
  • Tudo bem postar em algum lugar que você está se sentindo para baixo. Você precisa procurar sua própria ajuda.
  • Compartilhar completamente seu buraco emocional não irá lhe beneficiar mais tarde. É perfeitamente bom/importante/incentivado dizer, “Pois é, lidando com alguma depressão no momento.” Mas pare por aí. A não ser que você vá falar sobre como seu trabalho está indo bem.
  • Outras pessoas ficarão desconfortáveis quando você falar destas coisas. Tente manter o assunto leve, fácil, e se você puder, tranquilize um pouco a mente das outras pessoas.
  • Dormir é importante. (O suficiente, não demais.) Algumas vezes, nos perdemos em video games, maratonas de seriados no Netflix, e coisas desse tipo. Temos que limitar este tipo de estímulo próximo da hora de dormir. Você verá mais claramente no dia seguinte.

E aqui segue uma coisinha que normalmente me incomoda: Não se preocupe em gritar adeus se você tiver que dar uma pausa em alguma rede social. Está tudo bem se você não responder um comentário ou alguma menção. Simplesmente desapareça pelo tempo que você achar necessário, e volte quando desejar. (A não ser que seja seu trabalho, e aí, comece a trabalhar com as pessoas sobre contingências.)

É como quando você decide sair de uma festa “à francesa,” ou seja, sem avisar ninguém. Você simplesmente desaparece. Só vale se realmente ninguém nota que você se foi.

Eu acredito que em mídias sociais, sair à francesa é a melhor maneira de lidar com a depressão. Mas se você precisa estar lá e manter presença, então produza mais do que responde e olha da postagem dos outros. Essa é a regra de ouro.

No fundo do poço, mas não sempre

Claro que parece que algumas vezes tudo me arrasta através do poço de cola. Minha cabeça parece cheia nestes momentos. É como estar mergulhando na piscina, tudo lento e com o som abafado.

Nos momentos ruins, não consigo ir em frente. Não há momentum. Em horas melhores como a que estou usando agora para escrever isto, é como se um raio de sol surgisse por um lapso de tempo. Você consegue sorrir um pouco. Você pensa de forma coesa sobre o que deseja realizar.

Então isso não é uma coisa de “sempre.” Não é sempre escuridão. Na verdade, muitas pessoas lidam com o stress, ansiedade e depressão usando a comédia como ferramenta. Comediantes profissionais geralmente lidam com vários níveis de depressão. Infelizmente, perdemos algumas das pessoas mais engraçadas para o suicídio. Parece haver uma relação próxima entre a atividade de comediante e a depressão. O nome Robin Williams te lembra de alguma coisa?

Pessoas com depressão RIEM!

É muito importante se dar conta que a depressão e a ansiedade e todas essas coisas nem sempre impedem sua habilidade de amar e de rir. Você pode lidar com a depressão e amar. (Você pode ser um FDP mais seguido, então se prepare para pedir mais desculpas e consertar as coisas com mais frequência.) Você pode ter ansiedade e encontrar ótimos motivos para rir.

Claro, é o fundo do poço, mas não o tempo todo.

Traga todas suas falhas para o trabalho, e descubra como você pode obter sucesso mesmo que você esteja “quebrado.”

E só para deixar claro, está tudo bem por aqui. Afinal de contas, olha o tamanho do texto que saiu 🙂

Espero ter ajudado. E que nós tenhamos muitos dias de sol. Feliz 2020.

Escada da aposentadoria

Uma das estratégias que utilizei no início dos meus investimentos foi a técnica que batizei de “escada da independência financeira”, ou “escada da aposentadoria.”

Resumidamente essa técnica implica em definir um padrão de vida mínimo para se sentir bem com seu dia a dia, e então investir de maneira a permitir que os rendimentos desse investimento gerem lucros suficientes para manter indefinidamente esse padrão de vida inicial.

Ao fazer isso, podemos nos “aposentar.” Ou seja, nossos investimentos já geram o suficiente para manter nosso padrão de vida sem precisarmos trabalhar.

Claro que não devemos parar por aí. Como expliquei, a técnica envolve definir um padrão de vida realmente mínimo para aquele momento inicial. No meu caso, era de um guri recém saído da faculdade, sem grandes gastos fixos, sem filhos, etc. Podia me dar ao luxo de ter uma vida muito simples e barata. Ao prorrogar a aquisição de alguns objetos de desejo, ou no meu caso, tratar esses objetos como um negócio paralelo, isso me permitiu acelerar em muitos anos a conquista da minha liberdade.

Eu gostava de notebooks em uma época em que ainda eram novidade caríssima, então, ao tratá-los como um negócio, ou seja, adquirindo e revendendo, me mantinha sempre com alguns notebooks topo de linha disponíveis para meu uso e estudo do assunto, ao mesmo tempo em que fazia com que essa disponibilidade me gerasse mais dinheiro para manter o giro e a constante atualização dos equipamentos.

A medida em que tinha a liberdade não não precisar mais trabalhar para manter o padrão de vida previamente definido, tinha a liberdade de trabalhar com o que quisesse, e não precisaria aceitar um emprego qualquer apenas para pagar as contas. Trabalhar com o que gostamos é o segundo segredo para obter sucesso financeiro. No momento em que o trabalho é um prazer, deixa de ser trabalho e rendemos muito mais.

Tinha a segurança das contas pagas pelo rendimento dos investimentos permitindo que me dedicasse a um novo negócio de muito potencial, mas que talvez demorasse um pouco até crescer o suficiente.

O segundo passo na escada da independência financeira é então definir esse novo padrão de vida um pouco mais alto, e então direcionar uma parte dos ganhos com o trabalho a aumentar o bolo dos investimentos de maneira a fazer os novos rendimentos permitirem a manutenção desde segundo degrau novamente sem trabalhar. E assim sucessivamente.

Se você gostou desta técnica e a deseja colocar em prática, vou ficar feliz em conhecer sua história. Fique a vontade para me escrever e me contar como está funcionando para você.

Eu sou o Fabricio Peruzzo, o Papai Investidor, e estou aqui para lançar idéias que possam te ajudar na conquista da independência financeira.