Saudade da praia.

Lar da Coruja-Buraqueira

Morar na praia, em uma casa, há poucos metros do mar, pode ser interessante. Principalmente para quem vive uma rotina como a que vivemos, sem empregada, com ambos em casa com os filhos, sem grandes necessidades de sair para jantar fora e coisas desse tipo.

As vantagens para os pequenos são gigantescas. Estávamos sem TV. Mesmo o iPad disponível não era páreo contra passear para procurar as corujas com o baixinho. Nem contra brincar na areia ou andar de bicicleta com a baixinha. Manter distância social é mais difícil para eles, mas as atividades ao ar livre e o cuidado do grupo ajudavam a minimizar os riscos.

Dormir mais cedo era relativamente fácil. Acordar cedo idem. Andar sob os ciclos do sol é melhor do que dormir tarde e acordar tarde. Com a energia de um dia correndo, brincando e se divertindo, a noite também chegava mais tranquila.

Haveriam dificuldades no dia a dia retornando ao normal, claro. Sol, areia e mar competindo contra as aulas online é covardia. E quando tudo voltar ao normal, não há como comparar as opções de escola daqui com as da praia, então não é uma opção válida para longo prazo.

O que esta experiência proporcionou, no entanto, foi a ideia de pensar a respeito das possibilidades de mudar para uma casa na cidade. Apesar de morarmos em um prédio com uma floresta preservada como jardim, termos acesso a tudo próximo, o simples esforço de pegar as bicicletas lá no fundo, descer de elevador e depois fazer todo o caminho inverso para guardar as coisas já torna tudo mais arrastado. Uma casa com quintal resolve tudo isso, está tudo ali pronto para uso, ao alcance das mãos. O mesmo vale para o espaço de pintura sempre pronto para usar. E o cantinho dos brinquedos. E a piscina.

No meu caso particular, um escritório dentro de casa, ou ainda melhor, em um anexo pequeno nos fundos do quintal, seria uma maravilha. Poder trabalhar em silêncio quando necessário, mas ao lado o tempo todo. É ainda melhor que a solução atual com o escritório a uma quadra daqui.

Sonhar não custa nada. É sonhando que desenhamos o que desejamos para nosso futuro. Um dia por vez, chegamos lá.

Todos os dias não são iguais

Minha filha e seus insetos.

Todos os dias parecem o mesmo dia.

Na pandemia isso se tornou ainda mais evidente. Você acorda, lava o rosto, esvazia a bexiga e vai para cozinha preparar seu café. No meu caso, preto, passado no filtro de papel. Toma suas vitaminas, come alguma coisa (eu costumo fazer jejum pela manhã).

Começo o trabalho antes do resto da casa se levantar. Aqui escrevo um destes textos do #desafiodos30textos neste momento. É um bom exercício para o cérebro ter que pensar em uma nova ideia diferente todos os dias. Meu exemplo disso é o Seth Godin, há anos com esta prática diária, mas posso citar também o Steve Pavlina, um cara hiper-produtivo que também costumo ler.

Atendo meu sogro neste momento com o café da manhã. Está passando uns dias aqui conosco enquanto minha sogra está hospitalizada. Se todos os dias são iguais, todas semanas as vezes têm alguma diferença entre elas.

A filha acorda, providencio o café da manhã. O filho e a esposa levantam, brinco com o pequeno enquanto a mãe providencia a comida para o baixinho. Lava olho do bebê, abre as janelas da casa, trabalha mais um pouquinho, limpa a mesa, prepara o almoço, recolhe tudo para pia, brinca com a filha ou trabalha enquanto ela assiste TV e o filho faz a soneca.

Todos os dias parecem iguais. Todos os dias não são iguais. Um dia o bebê que ainda pede para o colocarmos no banco da bicicleta sai pedalando sozinho. No outro a filha mergulha sem querer na piscina e descobre que é possível, pedindo para entrar na natação para aprender melhor. Uma palavra nova aparece na boca do bebê. Um amigo telefona e avisa que estão grávidos. Uma carta de consórcio é contemplada pelo sorteio (você sabia que eu iria conseguir falar disso aqui, não sabia?)

Aproveite as pequenas diferenças de cada dia. Eles podem parecer os mesmos no meio deste caos que estamos vivendo, mas sempre há uma pequena fagulha que torna cada dia único. Viva bem o seu dia de hoje. E também o de amanhã.

Obrigado por estar aqui.

Precisamos falar do BBB

Não, não precisamos.

Sério, ontem entrei no tal ClubHouse. Enquanto no Twitter o algoritmo jogava para cima as pouquíssimas pessoas que sigo lá por outros motivos que estavam falando do BBB, ou do Super Bowl, eu lavava a louça escutando uma conversa com o Bernardinho sobre liderança.

Tive que ir ao hospital também (não eu, como acompanhante). No caminho, em vez das músicas de sempre, deixei lá aberta uma das salas onde estavam conversando sobre influenciadores, marcas, agências de marketing. Uma aula em poucos minutos.

Logo nos primeiros minutos em que testei o aplicativo, o Ladeirinha, expert no lançamento perpétuo de produtos digitais, falava em uma sala na qual não permaneci mais de cinco minutos. A vida está corrida, duas crianças pequenas, louça na pia, chão para varrer, sogro aqui em casa, sogra no hospital e ainda tenho a pretensão de trabalhar e escrever esses tais de textos diários no #desafiodos30textos. Teria ficado mais tempo, se pudesse. Mas esses cinco minutos foram o suficiente para um insight que com toda certeza vai me trazer muito resultado no futuro próximo.

Então, dane-se que um é um chorão no BBB, pobre menino malvado por ter nascido com o sexo masculino. Dane-se que uma é imbecil e malvada. Dane-se que um é cabeça de vento e se envolve com gente ruim. Dane-se a vida de quem não acrescenta nada para você e sua existência. Tanta gente boa ensinando tanta coisa legal aqui pelo Instagram, no YouTube, e agora no #ClubHouse, que realmente não entendo quem perde tempo poluindo a vida dos outros comentando sobre BBB.

Nada como um tempo para descansar a mente, para fazer nada, para desopilar, mas sério, fazer isso com BBB? Tanto livro bom para ser lido, tantas séries para serem assistidas, tanta arte a ser feita. Pega um lápis de cera e fica rabiscando num papel qualquer. Tenho certeza que sairá algo melhor do que os comentários sobre o BBB que vemos por aí.

Ganhando dinheiro como um banco

Uma hora chegaria o momento em que eu iria começar a escrever sobre ganhar dinheiro e formar patrimônio nesse #desafiodos30textos. Essa hora chegou.

Vou fazer apenas uma comparação simples de uma das maneiras que os bancos usam para ganhar dinheiro, o recebimento de juros sobre os financiamentos, com os nossos ganhos na venda de uma carta de consórcio contemplada, para quem já me conhece, meu maior veículo de investimento pessoal desde 2002.

Quando um banco vende um financiamento, busca alguns pontos básicos: o maior prazo possível, e a maior taxa de juros. Os motivos para a maior taxa de juros são simples, quanto maior, mais o banco ganha, mas os motivos para o maior prazo possuem fundamentos lógicos e emocionais envolvidos. Quanto mais longo o financiamento, menor a prestação, o que implica na viabilidade de pagamento para o devedor, mas ao mesmo tempo, menor é a amortização da dívida e maior a parte da parcela referente aos juros sobre a mesma. Com a dívida diminuindo pouco a cada mês, o banco recebe juros sobre um valor maior por mais tempo.

Há uma pegadinha para o lado do banco, mas felizmente para eles, e infelizmente para os devedores do financiamento, estes últimos não costumam se concentrar nestes detalhes. Sempre é possível adiantar pagamentos e acelerar a quitação da dívida real. Essa dívida real não inclui o pagamento dos juros, esses vão sendo cobrados mês a mês sobre todo o saldo devedor. Então, se adiantarmos a amortização da dívida, ou seja, se pagarmos antecipadamente uma parte relevante dela, podemos rapidamente diminuir nosso prazo total de pagamento, ou optar por manter o prazo e diminuir o valor das parcelas, pagando a parte de juros agora sobre um saldo devedor menor. Os bancos ganham muito porque a maioria das pessoas não faz isso, se concentram apenas em conseguir pagar a prestação do mês e se sobrar algum tempo, assistir ao BBB. Não são os bancos que são malvadões, são apenas as pessoas que os procuram, na sua maioria, fracas em matemática.

O ponto é: em um financiamento de 30 anos, o banco leva esses 30 anos para receber os juros totais do mesmo. E se o devedor, a qualquer momento, conseguir quitar a dívida antecipadamente, o banco para imediatamente de receber juros, ficando apenas com o que já havia recebido até então.

Quando vendemos uma carta contemplada de consórcio, do ponto de vista do comprador a matemática é semelhante. Quem compra uma carta de consórcio contemplada está buscando uma forma de financiar a compra de um imóvel através de uma entrada relativamente baixa, e do pagamento mensal do saldo devedor para quem emprestou o dinheiro que faltava. Uma carta contemplada normalmente implica em uma entrada um pouco maior que um financiamento, mas em condições iguais, ou seja, dando a mesma entrada, o consórcio acaba geralmente ficando com uma prestação menor, em um tempo também mais curto.

A compra de um consórcio contemplado vale a pena para quem busca esse recurso porque tanto o prazo menor quanto a prestação menor o beneficiam. E isso, do ponto de vista do vendedor que está lucrando muito com a venda de sua carta, torna este negócio bom para as duas partes. A matemática da carta contemplada é relativamente simples. Definimos o valor a ser pago pela carta de crédito como entrada, trazendo o saldo devedor, ou seja, a quantidade de parcelas e o valor das mesmas, ao valor presente, à uma taxa de desconto compatível com o mercado. Quer dizer, fazemos o cálculo inverso ao que o banco faz quando calcula as prestações do financiamento. Enquanto o banco diz que o valor X que queremos financiar, a 9%a.a., em 360 meses, dará tais prestações ao longo do tempo (amortizando o principal e calculando sobre essa amortização linear os juros sobre o saldo devedor mês a mês), no cálculo da carta de consórcio contemplada nós definimos a taxa de juros semelhante, pegamos o prazo restante da carta contemplada e o valor das prestações que restam pagar e, com estes dados, calculamos quanto estará efetivamente sendo financiado. Subtraindo esse valor a ser financiado do valor do crédito da carta, temos o quanto ela custará (a entrada) para o comprador da carta contemplada. Parece difícil lendo aqui, mas é simples.

Do nosso ponto de vista de investidores em cartas de consórcio para a posterior venda das mesmas quando contemplamos, a parte que mais interessa é de onde vem nosso lucro e quanto iremos ganhar. E aí é que fica bom. Ganhamos aquela equivalência aos juros do financiamento que calculamos, quer dizer, somos o banco que empresta à juros. Diferente do banco, não somos nós que emprestamos, mas sim, o grupo de consorciados do qual aquela carta de crédito faz parte. O que cedemos ao comprador da carta contemplada é o direito de utilizar o crédito que contemplamos mais cedo. E fazemos isso recebendo, de uma vez só, toda a equivalência de juros que calculamos na comparação com o financiamento. E sabe porque o consórcio custa mais barato que um financiamento nas mesmas condições? Porque ao contrário do banco, nós recebemos todos os “juros” na frente, no momento da venda. Trazemos o saldo devedor ao valor presente justamente para nos dizer o quanto de custo há embutido naquelas prestações restantes. E vendemos recebendo nossa parte disso imediatamente.

Somos um banco que cobra todos os juros na frente, operando com dinheiro que na maior parte não é nosso, e ainda assim, oferecemos um prazo e parcelas menores para quem compra nossa carta de crédito contemplada.

Quer saber mais sobre esse investimento não tradicional? Vem falar comigo.

Sobre a paternidade

Hering-Rasti, brinquedo da infância.

Eu sempre quis ser pai. E desde muito cedo queria ser pai de menina. Ainda criança, no prédio para onde mudei pouco antes de completar 10 anos, era um dos poucos que estudava de tarde na minha faixa etária, então os amigos com quem brincava no fim do dia e nos fins de semana normalmente não estavam por ali pelas manhãs.

Tinha uma bebezinha pequena lá no prédio, a Fernandinha. Foi minha primeira bonequinha. Pra falar a verdade, não lembro direito do que brincávamos, mas lembro que ia sempre lá ajudar a cuidar dela.

No mesmo andar do meu tinha o Guga. Se parar para pensar, ele nem é tão mais novo que eu agora que ambos somos “velhos,” mas naquela época, cinco ou seis anos eram a diferença do dobro da idade. Treinei também com ele meus instintos paternos. Acho que com um ou dois anos mais em relação à época da Fernandinha minha memória de pré-adolescente já ficou mais gravada do que a de criança, com ele lembro que brincávamos com pecinhas de montar, Hering-Rasti.

A vida já tinha me presenteado com uma irmã menor, mas com menos de dois anos de distância, não deu tempo de eu ser grande o suficiente para cuidar dela ainda bebê. Então chegou a Mirella, minha irmãzinha caçula. Cresceu uma linda menina, e não é pra me gabar, porque o mérito é todo dela, mas ela mesma faz questão de agradecer certas influências, como minhas fitas cassete que costumava escutar. Hoje sou eu que sou apresentado às novidades por ela.

E então, chegando nos 41, minha esposa traz o maior presente que a vida poderia trazer, a Isabella. Naquele momento, o dia mais feliz da minha vida, onde não conseguia mais parar de chorar, nascia um novo Fabricio. Um Fabricio que achava que sabia o que era amar, sempre emocional antes de racional, foi tomado por uma explosão no coração que não conseguia explicar. O amor de pai, só descobri naquele segundo em que minha filha nasceu. Que surpresa maravilhosa sentir tudo aquilo. Acordo todos os dias pensando em ser uma pessoa melhor, não porque já não fizesse isso antes, mas agora, por também saber que ensinamos pelo exemplo, não com palavras. É difícil, ainda tenho muito a melhorar, mas a cada dia é um novo aprendizado e a cada dia é mais uma tentativa de ser um bom pai.

Quase sete anos depois chega o Leonardo. Achava que já estava calejado, que já sabia como seria. Ledo engano, no dia do nascimento dele, de novo o turbilhão de emoções. Aquele bebezinho lindo saindo de dentro da mamãe, igualzinho à irmã de uma maneira incompreensível, se não são as datas nas fotos ou as roupas, não sabemos quem é quem. E então tive certeza de que nasci não apenas para ser pai de menina, mas também pai de menino.

Agora com dois, com uma boa distância entre eles, e com temperamentos bastante diferentes, o desafio é ainda maior. O aprendizado agora é de como amar de forma diferente, pessoínhas diferentes. De como dar a cada um não o mesmo, mas sim, o que cada um precisa do seu jeito particular. Tudo que aprendi com a Isabella não é válido para o Leonardo de forma automática. Sim, ambos foram os bebês mais beijados e segurados no colo deste mundo. O Leonardo ainda está nesta fase. Com a Isabella o tipo de atenção necessária é diferente. Ainda estamos aprendendo, como acredito que estaremos até o fim da vida. Porque uma coisa é certa: sempre serão nossos bebês, não importa a idade que tenham.

Ao me tornar pai, entendi meu pai. Ao me tornar pai, acho que entendi minha mãe. Ao me tornar pai, espero ser um melhor filho, um melhor marido, um melhor irmão, um melhor genro, um melhor tio, um melhor padrinho, enfim, uma melhor pessoa.

Desde que me tornei pai, todos os dias são de aprendizado. E estou aqui me esforçando de verdade para que consiga atingir o meu melhor frente à minha família e comunidade.

Obrigado por estar comigo nesta caminhada. Sua amizade é muito importante nesta história toda.

Como começou

Primeiro logotipo da OpenSite

Os sonhos já vinham de longa data, mas o passo definitivo veio em 95 quando, junto com o Atsu, abrimos uma empresa cada um. Eu era sócio com 1% na empresa dele. Ele era sócio com 1% na minha. Esse era o esquema para abrir uma empresa LTDA em que o número mínimo de sócios tinha que ser dois, em uma época em que não existiam empresas EIRELI e acredito que nem mesmo ME. Pensando no assunto com a cabeça de hoje, imagina se um de nós tivesse construído um Google da vida e o outro navegasse tranquilamente com 1% dos resultados. Não teria do que reclamar, nem se fosse eu que tivesse construído isso, nem se fosse ele.

A questão é que não construímos um Google, mas muito antes deles começarem, fizemos algo ainda melhor para nós mesmos. Ainda era 1995 e acessar a internet era uma coisa complicada. Não existia Net, Virtua, redes WiFi em tudo que é lugar. Não existiam redes WiFi, para falar a verdade. Alguma das opções envolviam discar para um servidor da universidade, normalmente usando uma conta de algum amigo professor que emprestava a conta sem nem saber direito para quê. No servidor rodávamos um programa que “abria a rede” e, com outro programa rodando em nosso próprio equipamento, conseguíamos conectar.

Tudo isso já era melhor do que tinha sido uns anos antes, onde o acesso se dava somente por texto, com comandos crípticos que levavam a informações esparsas que podiam ser baixadas para o computador central, lidas exaustivamente e no meio disso, encontrávamos pepitas de informação interessante, como o texto completo do livro “O Guia do Mochileiro das Galáxias.”

Voltando ao começo, em 1996 já existiam maneiras um pouco mais simples de acessar a internet. O primeiro navegador, o Netscape, tinha sido lançado, e os programas de conexão haviam ficado um pouco mais simples de utilizar, com protocolos de comunicação que permitiam, no Windows 3, conectar e navegar em um ambiente integrado. Só havia um problema: não existiam provedores de acesso à internet aos quais poderíamos nos conectar.

O primeiro disponível aqui em Porto Alegre foi a Conex. Disponível é uma palavra forte. Existiam, mas eram um projeto de alunos da UFRGS. A conexão se dava com um computador da universidade inicialmente, e quando transformaram o projeto em empresa e abriram para o público as coisas não se tornaram melhores muito rápido.

Fomos lá nos informar. Havia uma lista de espera para podermos nos tornar clientes. Estávamos lá pelo número 3000. Estavam conseguindo atender por volta de 300 pessoas novas por mês. Nem pensar esperar mais 10 meses para podermos ter nossa conexão. A solução foi imediata, vamos montar nosso próprio provedor de acesso à internet!

Mais fácil falar do que fazer. Uma conexão dedicada de 64Kbps custava mais de R$ 2000 mensais (alguém aí calcula o quanto dá isso em valores de hoje). Para poder atender clientes precisávamos ainda de linhas telefônicas, impossíveis de adquirir na época. Teríamos que alugar, e custavam caro. Alugamos 30 linhas. Equipamentos, roteador, placa multi-serial para ligar os modems no computador central, o servidor principal, servidor secundário, computadores para podermos trabalhar, sistema de cobrança, integração com o banco para emissão dos boletos. Nada disso existia pronto como é hoje, tudo precisava ser feito do zero. Olhando para trás, é divertido ver o quanto evoluímos. Hoje me sinto como os exploradores do oeste, quando não existia nada além da costa.

Juntamos alguns amigos, e em seis, com um vendendo o carro, outro juntando as economias, outro trabalhando e trazendo dinheiro mensalmente para fechar sua cota, um configurando, outro desenhando, outro escrevendo e no final de poucas semanas tínhamos a empresa rodando, com propaganda no jornal e tudo mais. Quinhentos clientes logo de cara. Muito mais demanda do que oferta.

Bons tempos aqueles. Uma época bem diferente de hoje. Tente imaginar, por alguns minutos longos, como seriam seus dias sem telefone celular. Agora, imagine o seu dia sem a internet. Descrevi como fizemos para resolver nosso problema de conexão à internet, mas para falar a verdade, não havia muito o que fazer na internet naquela época. Era tudo mato! E a gente lá, com pás, picaretas, tentando desbravar esse novo mundo e explicar para as pessoas incrédulas, o quanto a internet iria mudar o mundo dentro de alguns anos. Parece que foi ontem, e foi, mas lá se vão quase 30 anos. Há uma geração inteira de jovens trabalhadores que nunca viram o mundo antes da internet. Fico imaginando como será a geração posterior à colonização da Lua, ou de Marte, gente que nunca imaginou que se vivia apenas na Terra, sem naves espaciais particulares, sem espaçoportos.

Escrevendo isso hoje, penso nas leituras que fiz do Hemingway. Não me comparando com ele, óbvio, mas lembro vividamente de ler sobre os dias dele em Paris, das rotinas, de buscar madeira para a lareira, de subir lances de escada até os apartamentos mais altos (e de aluguel mais barato), de uma vida sem ar condicionado, com piores condições sanitárias bem descritas em suas páginas. Nas doenças que já foram erradicadas com a descoberta de remédios e vacinas.

O começo da minha vida de empreendedor foi assim. As mudanças aconteceram com tal velocidade que é difícil de explicar para quem não viveu aquela época. E mesmo quem viveu de fora, apenas usufruindo de tudo que a internet nos trouxe, consegue lembrar de uma época em que nada disso existia. Mandar cartas, aguardar dias para chegar e não saber quando teríamos uma resposta. Telefonemas internacionais eram praticamente impossíveis e inviavelmente caros. Mandar um filho para intercâmbio e não saber se já tinham feito a primeira conexão no voo, a segunda conexão, se já tinham passado pela alfândega, imigração. Hoje não apenas temos tudo isso em tempo real, como ainda temos fotos de cada etapa da viagem. Isso quando não temos as mensagens chegando de dentro mesmo do avião.

Imagina bater uma foto e só ver o resultado alguns meses depois, quando finalmente acabasse o filme de 36 poses e mandássemos revelar. Muitas vezes nem lembrávamos onde tínhamos batido aquelas primeiras fotos, meses antes. Sim, porque a paixão pela fotografia também passou por uma revolução ao longo da minha geração. Os jovens adultos de hoje não sabem o que é viver em um mundo menos documentado, onde uma foto era um evento. Mas isso é papo para outra hora, vou ficando por aqui.

E você? Como tudo começou?

Amizades leves

Esses dias li um artigo, acho que na ‘The Atlantic’ que falava da extinção de diversas formas de amizade causada pela crise da Covid. Com toda a história do ‘fique em casa’, do ‘use máscara’, acabamos perdendo uma série de interações sociais que de tão normais antes, nem dávamos bola, mas que hoje, com o mundo como está, acabam se mostrando muito importantes e fazendo falta para a maioria das pessoas.

São os vizinhos do prédio que nem conhecemos direito, mas com os quais temos a cortesia de um bom dia ao cruzar no elevador. Hoje essa cortesia pode ter sido substituída por um olhar de “já tem gente dentro, fica na tua e espera o elevador voltar vazio.” Ontem mesmo uma vizinha enviou na lista de WhatsApp do prédio uma pesquisa mostrando a importância dos aerosóis na transmissão da doença e indicando esse tipo de atitude. Se fiz isso uma ou duas vezes no início da crise, ainda quando as informações eram insuficientes, foi muito. Atualmente tenho entrado nos elevadores com os vizinhos, sempre de máscara todos, mas sabendo que estamos juntos lutando para isso tudo acabar logo. Claro que evito fazer o mesmo quando eventualmente vou ao supermercado, por exemplo, mas
e assim, vamos adaptando.

Outra classe de amizades que não costumamos prestar atenção são os diversos atendentes que costumam se repetir nos nossos dias. De muitos, nem sabemos o nome. Alguns sabemos o apelido. Todos, no entanto, costumavam nos ver diariamente, nos atender com um sorriso no rosto. Perdemos esses sorrisos, mesmo que tenhamos aos poucos tentado retornar a antigos hábitos. Eu ainda não voltei a frequentar cafeterias como sempre fiz antes disso tudo começar. A Valkiria, cafeteria próxima em que costumava marcar algumas reuniões, fechou.

Em seguida reabriu uma nova cafeteria no mesmo local. Dei um oi para os novos donos certo dia, da rua mesmo, à distância, enquanto passeava com meu bebê ali pela frente. Desejei boa sorte, mas pensei comigo mesmo o que tem na cabeça alguém que abre uma cafeteria nova em um momento de lockdown. Já tendo assistido o início e fim de um negócio desses de amigos que tentaram em outros tempos, sei das dificuldades mesmo em tempos normais.

Nessa cafeteria encontrava seguido o amigo Renato, colega de faculdade. Essa é outra forma de amizade leve que acabamos perdendo, pois tirando os poucos que temos em grupos de Facebook ou listas de WhatsApp, os outros só víamos mesmo nestes encontros casuais. Não vejo o Renato há algum tempo, e sem nosso café frequente não sabia quando o veria novamente. Pensei nele lendo o artigo. Ontem, ao publicar o primeiro texto deste desafio de 30 dias, o vejo lá na lista de quem deu like. As verdadeiras amizades, leves ou diárias, são mais fortes do que uma merda de pandemia qualquer.

Também são mais fortes que o tempo. Ontem aconteceu uma coisa curiosa, coisa de um segundo. Na saída do Zaffari, em um olho no olho que durou apenas uma fração de segundos, eu e a Adriana nos reconhecemos, pelos olhos que já se conhecem há mais de 40 anos, os mesmos olhos que cresceram juntos no colégio de freiras, eu o irmão mais velho, ela a amiga da irmã. E nesta fração de segundos por trás de máscaras, dissemos um ao outro: “oi, estamos aqui, isso tudo vai passar.”

Há ainda os completos desconhecidos, aqueles de quem realmente não sabemos nada da vida, dos desejos, dos anseios pessoais. Gente com quem cruzamos diariamente nos caminhos que costumávamos fazer. Pode ser o motorista do ônibus, o cobrador de sempre. O porteiro do prédio que não mais frequentamos. São pessoas importantes na nossa vida, se não para longas conversas, ao menos para alinhavar os períodos do dia.

Tenho um amigo leve destes no zelador do 222, próximo aqui de casa. Todos os dias passo por ali passeando com meu bebê. Ele já acena de longe ao nos ver. Chegando mais próximo já avisa que hoje não ligou o chafariz grande, pois o vento forte faz a água molhar toda calçada. Mas os pequenos estão ligados, como sempre, e sigo para lá com o bebê em seguida apontando para o lado onde iremos encontrar o segurança do próximo prédio, na entrada do estacionamento, quando subimos e descemos a rampa para tornar nosso passeio diário mais divertido.

Vemos muita gente nesse caminho. Os mendigos do muro grande não estão mais lá há bastante tempo. Estes, minha filha costumava dar oi nos passeios de bicicleta com o pai correndo atrás para acompanhar. Se estes não estão mais lá, o pessoal do corte de cabelo está, e de trás do vidro acenam para o bebê que está olhando para o enfeite giratório colorido que tem na fachada.

E no seu dia, quem são os amigos leves ou invisíveis que você tem sentido falta?

Algumas verdades inconvenientes

Você está morrendo. Desculpe dizer isso, mas todos estamos. A cada dia que passa, é um dia a menos que temos de nossas vidas. E aos 48 anos, se nenhuma grande revolução na medicina acontecer em seguida, posso já pensar que cheguei na metade do jogo. E você?

Não é de morte que quero falar, mas sim de vida. E daquelas verdades que custamos a acreditar, seja por comodismo, seja por idealismo, seja pelo motivo que for. Vou contar algumas histórias rápidas, e mostrar isso na prática.

O melhor momento dos meus dias se dá com meus filhos. Os piores, também. Nos melhores, posso destacar quando minha filha começa a explicar alguma coisa em que ela está envolvida. Neste momento o assunto é Minecraft, então isso é algo sobre contruir vilas, casas, e coisas assim. É fascinante ver o quanto eles aprendem e principalmente o quanto sabem mais que nós mesmos. Sim, a verdade é essa, mesmo nossos filhos pequenos sabem sobre algumas coisas, muito mais que nós.

Com meu filho, também é sensacional ver ele descobrindo coisas novas. Normalmente isso acontece nos nossos passeios diários, seja caminhando pelas ruas de Porto Alegre, seja com o carrinho vermelho que ele tanto gosta (e que a irmã dele também adorava), seja passeando de carro de verdade, que agora ele não apenas adora, mas pede seguido para passearmos juntos, só nós dois.

Os piores momentos são quando me irrito com alguma atitude deles. Piores porque leva menos de um segundo para me arrepender de algum grito. Piores porque em quase todas as vezes o errado sou eu. Sou adepto da teoria de que são apenas crianças fazendo coisas de criança. O problema dessa teoria é que ela não é fácil de se viver quando estamos cansados, com o sono em atraso, ou com o stress de outros assuntos pesando nas ideias. Porém é um dia após o outro, essa é a verdade, e assim, vamos tentando melhorar a cada dia. A verdade inconveniente é que o que me irrita não é tanto a atitude deles, mas o fato de que são coisas que tento, ainda hoje, corrigir em mim mesmo. É bem difícil se olhar de verdade em um espelho de carne e osso que tem teus traços e semelhanças.

Saindo da vida pessoal e partindo para a profissional, tem uma coisa que vem me incomodando há muito tempo e isso está acumulando a ponto de transbordar. Vou falar: é a estupidez das pessoas. Não estúpidas do tipo que faz coisas ruins para nós, mas estúpidas do tipo que faz coisas ruins para si mesmas.

Não sou o único produtor de conteúdo que existe por aqui. Muita gente boa está todos os dias publicando coisas que podem nos ajudar a crescer pessoal e profissionalmente. Há uma abundância de conteúdo espalhada por aí que nunca houve antes da internet, com acesso tão fácil. E nos dias de hoje, nem apenas em formato texto estão essas informações, mas em vídeos, em áudio, em infográficos. Tudo aí, disponível de graça. E as pessoas continuam não lendo, não vendo, não crescendo.

Há quase 20 anos produzo conteúdo de finanças pessoais. Tudo de graça. E não é que não tenha acesso, pelo contrário, estou há tanto tempo nisso, e com tal consistência, que mesmo não fazendo publicidade, mesmo não divulgando ativamente, as pessoas chegam. Mas o conteúdo é gratuito. E tudo que é de graça, é fácil de consumir, mas difícil de implementar. É essa a verdade contra a qual luto há anos. As pessoas não fazem o que aprendem!

Isso vale para mim. Eu já aprendi, há anos, que não adianta dar tudo de graça, as pessoas só vão realmente dar valor se lhes tiver custado algo que prezam, normalmente o dinheiro, porque ao tempo, a maioria ainda jovem não costuma dar valor. Já eu, tendo chegado próximo da metade da vida, penso mais no valor do tempo do que do dinheiro, visto que como disse acima, meus melhores momentos são de graça, com minha família.

O Ícaro de Carvalho, um cara novo, mas extremamente sábio em suas colocações sobre a vida, há algum tempo lançou um curso chamado Mente Blindada. Basicamente falava sobre o valor do trabalho e de não ficar pensando em formas de acelerar as coisas com hacks, com atalhos, por isso tudo ser perda de tempo. Dinheiro se ganha trabalhando. E para quem tem pouco para investir, o melhor investimento é em si mesmo, para ganhar mais. Muito melhor do que tentar achar a galinha dos ovos de ouro. Curso bom, curtinho e prático. Pago! Milhares de alunos satisfeitos. Sim, pagaram, aprenderam, implementaram em suas vidas, fez a diferença.

De forma resumida já tinha explicado isso em video há quatro anos. Muita gente assistiu, mas de graça. Legal, faz sentido, vamos pro próximo video de crescimento pessoal e podemos esquecer o anterior. Ou pior, vamos ver alguma bobagem qualquer para distrair e esquecer o que acabamos de aprender de graça.

Então dentro de algum tempo vou implementar algumas mudanças na minha rotina. Vou continuar produzindo conteúdo prático, de valor e gratuito, mas vou começar a empacotar alguns em formato de curso online em video. E ganhar dinheiro com isso. Quem quiser aprender de graça comigo ainda poderá fazer isso, está tudo publicado nos meus sites, mas quem precisa pagar para por as coisas em prática agora poderá também se beneficiar deste conhecimento.

Este texto é o primeiro de uma série de 30 textos para o #desafiodos30textos que a Gabi Pazos criou no Instagram. Ilustro ele com uma foto minha, de camisa rosa. Ela sabe o motivo. Me apresento em muitos círculos como escritor. Tendo livro publicado, por editora tradicional e tudo, posso dizer isso, mas a verdade é que nos últimos anos tenho escrito pouco. Isso muda a partir de hoje. Obrigado pelo desafio, Gabi.

Uma manhã completa e perfeita

Hoje amanheceu um lindo dia de sol em Porto Alegre.

Bebê adora caminhões.

É um momento complicado na família, com doença, hospitais e mudança de rotinas que já estavam consolidadas, mas como costumo dizer: “jogamos com as cartas que nos são apresentadas.” Estamos até nos saindo bem, e no final das contas, tudo voltará ao normal.

Mas como ia dizendo, amanheceu um lindo dia de sol em Porto Alegre, e acabo de ter uma manhã completa e perfeita.

Eu e o bebê fomos passear. O chafariz grandão estava ligado hoje. E o pequeno também. O segundo não estava ligado, mas a sinaleira verde estava acesa e o terceiro chafariz estava funcionando também. As cascatinhas na frente dos três prédios que costumamos passar no caminho estavam todas ligadas também.

Houve motos barulhentas que assustaram o bebê, mas estava com o papai, logo, tranquilo. Em compensação, hoje vimos o caminhão betoneira, o caminhão grandão, o carro guincho com carro em cima, uma cegonheira sem carro algum, dois caminhões-tanque. Vimos uma árvore de Natal.

O bebê se diverte em cada passeio desses, vendo todas essas coisas ou não, se diverte igual. Papai se diverte ainda mais vendo as reações do bebê a tudo a sua volta. É um passeio com música, conversa e risadas. Ajuda bastante não dar bola para o que os outros pensam, porque o pai aqui fala alto, canta alto, ri alto, e não está nem aí para o que os outros possam pensar.

Hoje foi uma manhã completa e perfeita. Desejo o mesmo para você. E aguardo ansioso por amanhã.

Não tenha ídolos

Sempre fui fã deste cara, mas o texto também se refere a este assunto.

Quando era adolescente, tinha alguns ídolos. Admirava algumas pessoas que se destacavam acima da média. Achava estas pessoas sensacionais, queria me espelhar nelas. Isso era verdade em várias áreas. E essa admiração continuou por muitos anos após minha juventude, com estas pessoas me ajudando a formar o que me tornei até hoje, e ainda me auxiliando a tornar-me sempre um pouco melhor do que ontem.

Admirava o Bill Gates, mas ainda mais, muitos dos que vieram antes dele e criaram o ambiente que permitiu ele se desenvolver. A história do início da computação sempre foi uma das minhas maiores paixões, e continuo lendo maravilhado as histórias daquela época e daquelas pessoas.

Em algum momento admirei o Donald Trump. A ousadia, a arte da negociação, a figura sempre sorridente mostrando uma vida de riqueza e sofisticação. Essa imagem não envelheceu tão bem… Enquanto o Bill Gates cresceu e se transformou de homem mais rico do mundo em maior filantropo do planeta, o Donald se tornou isso que vemos aí… 

É ruim se decepcionar, mais ainda quando não temos controle sobre os fatos. Então, não tenha ídolos, e não os tendo, não se decepcione quando eles mudarem para pior.

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Escrevi vários parágrafos, mas não vou publicar aqui. Vou resumir: tinha uma ídola na adolescência. Acompanhava a carreira à distância, nunca a conheci pessoalmente no seu auge. Conheci já no final de carreira. E todas as características que eu admirava e a tornavam uma vencedora na carreira que tinha escolhido, a faziam uma perdedora em todas as outras áreas da vida.

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Um pouco como a decepção com o Donald, que usou toda aquela ousadia que exibia nos negócios para se tornar esse patético de palco que vemos atualmente. 

Então quando digo: “não tenha ídolos,” o faço no sentido de não idolatrar as pessoas que parecem atrair o sucesso. Saiba que podem ser muito boas em algumas coisas e péssimas em outras. Não pense que essas pessoas são na vida real, em seu dia a dia, exatamente como mostram em suas redes sociais ou como os jornais e revistas o expõem. 

Estou falando daquele artista, que pode ser sensacional na sua arte, mas não respeita as mulheres, por exemplo. 

Falo do empresário milionário que perde os aniversários dos próprios filhos. Sim, pode ser o preço a pagar pelo resultado que ele atingiu, mas é isso que você quer? Dinheiro a qualquer custo? Um aniversário vai fazer diferença, se os filhos forem milionários? Trabalhar 18 horas por dia e só aparecer no domingo para a família vai fazer diferença no futuro deles? Não tenho resposta para isso, mas é o que você quer para sua vida? 

Então quando você vê um resultado, não idolatre esse resultado, nem a pessoa que o atingiu. Pense no preço que estas pessoas podem estar pagando. Pense na vida que elas tiveram e por que motivo fazem o que fazem desta maneira.

Há várias estradas que levam para um mesmo destino, há várias maneiras de nos mover para frente. Algumas mais rápidas, algumas mais lentas. Escolha seus próprios caminhos.

Vou dar um exemplo, ou melhor, dois. Dois amigos relativamente próximos. Não são do meu convívio diário, mas ao mesmo tempo, participo de perto de suas vidas. Ambos multimilionários. Um, avarento. Outro, vive no padrão que atingiu, sem excessos, mas também sem abrir mão de usar o que conquistou. Um anda com carrinho popular chinês porque custa menos. Outro passeia de BMW conversível, que representa pouco em seu patrimônio, mas lhe dá um prazer e conforto que nenhum carrinho popular daria. Ambos engraxates quando crianças. Qual está certo? Ambos! Cada um está certo segundo seus próprios valores e princípios. Cada um vive a vida que escolheu, ou que suas circunstâncias os tornaram. Eu, pessoalmente, acredito que a vida do segundo amigo é mais equilibrada, mas de novo, eu não vivi o que o primeiro amigo viveu. Não sei quais medos o assombram à noite. Não estou em posição de julgar nada nem ninguém.

De perto ninguém é normal. Emule as características que fazem sentido para sua vida, faça o que é necessário para atingir os objetivos que lhe falem ao coração, mas não perca tempo tentando conquistar o que as pessoas mostram em suas vitrines, sem analisar o preço que essas pessoas pagam para obter o que mostram.

Voltando lá no início e na imagem que ilustra este artigo… Se você pudesse ver o futuro em cada uma de suas escolhas, que caminho você escolheria para trilhar: ser o melhor de todos, o número um, o campeão inconteste, uma lenda na área que escolheu, ou ser bom o suficiente para viver uma vida tranquila e divertida? Porque no limite, a escolha é essa, entre ser bom o suficiente, ou dar a vida para ser o melhor de todos.