Ganhando dinheiro como um banco

Uma hora chegaria o momento em que eu iria começar a escrever sobre ganhar dinheiro e formar patrimônio nesse #desafiodos30textos. Essa hora chegou.

Vou fazer apenas uma comparação simples de uma das maneiras que os bancos usam para ganhar dinheiro, o recebimento de juros sobre os financiamentos, com os nossos ganhos na venda de uma carta de consórcio contemplada, para quem já me conhece, meu maior veículo de investimento pessoal desde 2002.

Quando um banco vende um financiamento, busca alguns pontos básicos: o maior prazo possível, e a maior taxa de juros. Os motivos para a maior taxa de juros são simples, quanto maior, mais o banco ganha, mas os motivos para o maior prazo possuem fundamentos lógicos e emocionais envolvidos. Quanto mais longo o financiamento, menor a prestação, o que implica na viabilidade de pagamento para o devedor, mas ao mesmo tempo, menor é a amortização da dívida e maior a parte da parcela referente aos juros sobre a mesma. Com a dívida diminuindo pouco a cada mês, o banco recebe juros sobre um valor maior por mais tempo.

Há uma pegadinha para o lado do banco, mas felizmente para eles, e infelizmente para os devedores do financiamento, estes últimos não costumam se concentrar nestes detalhes. Sempre é possível adiantar pagamentos e acelerar a quitação da dívida real. Essa dívida real não inclui o pagamento dos juros, esses vão sendo cobrados mês a mês sobre todo o saldo devedor. Então, se adiantarmos a amortização da dívida, ou seja, se pagarmos antecipadamente uma parte relevante dela, podemos rapidamente diminuir nosso prazo total de pagamento, ou optar por manter o prazo e diminuir o valor das parcelas, pagando a parte de juros agora sobre um saldo devedor menor. Os bancos ganham muito porque a maioria das pessoas não faz isso, se concentram apenas em conseguir pagar a prestação do mês e se sobrar algum tempo, assistir ao BBB. Não são os bancos que são malvadões, são apenas as pessoas que os procuram, na sua maioria, fracas em matemática.

O ponto é: em um financiamento de 30 anos, o banco leva esses 30 anos para receber os juros totais do mesmo. E se o devedor, a qualquer momento, conseguir quitar a dívida antecipadamente, o banco para imediatamente de receber juros, ficando apenas com o que já havia recebido até então.

Quando vendemos uma carta contemplada de consórcio, do ponto de vista do comprador a matemática é semelhante. Quem compra uma carta de consórcio contemplada está buscando uma forma de financiar a compra de um imóvel através de uma entrada relativamente baixa, e do pagamento mensal do saldo devedor para quem emprestou o dinheiro que faltava. Uma carta contemplada normalmente implica em uma entrada um pouco maior que um financiamento, mas em condições iguais, ou seja, dando a mesma entrada, o consórcio acaba geralmente ficando com uma prestação menor, em um tempo também mais curto.

A compra de um consórcio contemplado vale a pena para quem busca esse recurso porque tanto o prazo menor quanto a prestação menor o beneficiam. E isso, do ponto de vista do vendedor que está lucrando muito com a venda de sua carta, torna este negócio bom para as duas partes. A matemática da carta contemplada é relativamente simples. Definimos o valor a ser pago pela carta de crédito como entrada, trazendo o saldo devedor, ou seja, a quantidade de parcelas e o valor das mesmas, ao valor presente, à uma taxa de desconto compatível com o mercado. Quer dizer, fazemos o cálculo inverso ao que o banco faz quando calcula as prestações do financiamento. Enquanto o banco diz que o valor X que queremos financiar, a 9%a.a., em 360 meses, dará tais prestações ao longo do tempo (amortizando o principal e calculando sobre essa amortização linear os juros sobre o saldo devedor mês a mês), no cálculo da carta de consórcio contemplada nós definimos a taxa de juros semelhante, pegamos o prazo restante da carta contemplada e o valor das prestações que restam pagar e, com estes dados, calculamos quanto estará efetivamente sendo financiado. Subtraindo esse valor a ser financiado do valor do crédito da carta, temos o quanto ela custará (a entrada) para o comprador da carta contemplada. Parece difícil lendo aqui, mas é simples.

Do nosso ponto de vista de investidores em cartas de consórcio para a posterior venda das mesmas quando contemplamos, a parte que mais interessa é de onde vem nosso lucro e quanto iremos ganhar. E aí é que fica bom. Ganhamos aquela equivalência aos juros do financiamento que calculamos, quer dizer, somos o banco que empresta à juros. Diferente do banco, não somos nós que emprestamos, mas sim, o grupo de consorciados do qual aquela carta de crédito faz parte. O que cedemos ao comprador da carta contemplada é o direito de utilizar o crédito que contemplamos mais cedo. E fazemos isso recebendo, de uma vez só, toda a equivalência de juros que calculamos na comparação com o financiamento. E sabe porque o consórcio custa mais barato que um financiamento nas mesmas condições? Porque ao contrário do banco, nós recebemos todos os “juros” na frente, no momento da venda. Trazemos o saldo devedor ao valor presente justamente para nos dizer o quanto de custo há embutido naquelas prestações restantes. E vendemos recebendo nossa parte disso imediatamente.

Somos um banco que cobra todos os juros na frente, operando com dinheiro que na maior parte não é nosso, e ainda assim, oferecemos um prazo e parcelas menores para quem compra nossa carta de crédito contemplada.

Quer saber mais sobre esse investimento não tradicional? Vem falar comigo.

Autor: Fabricio S. Peruzzo

Papai investidor, marido, polímata, empreendedor, curioso. Tranquilidade financeira é qualidade de vida.

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