Sobre a paternidade

Hering-Rasti, brinquedo da infância.

Eu sempre quis ser pai. E desde muito cedo queria ser pai de menina. Ainda criança, no prédio para onde mudei pouco antes de completar 10 anos, era um dos poucos que estudava de tarde na minha faixa etária, então os amigos com quem brincava no fim do dia e nos fins de semana normalmente não estavam por ali pelas manhãs.

Tinha uma bebezinha pequena lá no prédio, a Fernandinha. Foi minha primeira bonequinha. Pra falar a verdade, não lembro direito do que brincávamos, mas lembro que ia sempre lá ajudar a cuidar dela.

No mesmo andar do meu tinha o Guga. Se parar para pensar, ele nem é tão mais novo que eu agora que ambos somos “velhos,” mas naquela época, cinco ou seis anos eram a diferença do dobro da idade. Treinei também com ele meus instintos paternos. Acho que com um ou dois anos mais em relação à época da Fernandinha minha memória de pré-adolescente já ficou mais gravada do que a de criança, com ele lembro que brincávamos com pecinhas de montar, Hering-Rasti.

A vida já tinha me presenteado com uma irmã menor, mas com menos de dois anos de distância, não deu tempo de eu ser grande o suficiente para cuidar dela ainda bebê. Então chegou a Mirella, minha irmãzinha caçula. Cresceu uma linda menina, e não é pra me gabar, porque o mérito é todo dela, mas ela mesma faz questão de agradecer certas influências, como minhas fitas cassete que costumava escutar. Hoje sou eu que sou apresentado às novidades por ela.

E então, chegando nos 41, minha esposa traz o maior presente que a vida poderia trazer, a Isabella. Naquele momento, o dia mais feliz da minha vida, onde não conseguia mais parar de chorar, nascia um novo Fabricio. Um Fabricio que achava que sabia o que era amar, sempre emocional antes de racional, foi tomado por uma explosão no coração que não conseguia explicar. O amor de pai, só descobri naquele segundo em que minha filha nasceu. Que surpresa maravilhosa sentir tudo aquilo. Acordo todos os dias pensando em ser uma pessoa melhor, não porque já não fizesse isso antes, mas agora, por também saber que ensinamos pelo exemplo, não com palavras. É difícil, ainda tenho muito a melhorar, mas a cada dia é um novo aprendizado e a cada dia é mais uma tentativa de ser um bom pai.

Quase sete anos depois chega o Leonardo. Achava que já estava calejado, que já sabia como seria. Ledo engano, no dia do nascimento dele, de novo o turbilhão de emoções. Aquele bebezinho lindo saindo de dentro da mamãe, igualzinho à irmã de uma maneira incompreensível, se não são as datas nas fotos ou as roupas, não sabemos quem é quem. E então tive certeza de que nasci não apenas para ser pai de menina, mas também pai de menino.

Agora com dois, com uma boa distância entre eles, e com temperamentos bastante diferentes, o desafio é ainda maior. O aprendizado agora é de como amar de forma diferente, pessoínhas diferentes. De como dar a cada um não o mesmo, mas sim, o que cada um precisa do seu jeito particular. Tudo que aprendi com a Isabella não é válido para o Leonardo de forma automática. Sim, ambos foram os bebês mais beijados e segurados no colo deste mundo. O Leonardo ainda está nesta fase. Com a Isabella o tipo de atenção necessária é diferente. Ainda estamos aprendendo, como acredito que estaremos até o fim da vida. Porque uma coisa é certa: sempre serão nossos bebês, não importa a idade que tenham.

Ao me tornar pai, entendi meu pai. Ao me tornar pai, acho que entendi minha mãe. Ao me tornar pai, espero ser um melhor filho, um melhor marido, um melhor irmão, um melhor genro, um melhor tio, um melhor padrinho, enfim, uma melhor pessoa.

Desde que me tornei pai, todos os dias são de aprendizado. E estou aqui me esforçando de verdade para que consiga atingir o meu melhor frente à minha família e comunidade.

Obrigado por estar comigo nesta caminhada. Sua amizade é muito importante nesta história toda.

Autor: Fabricio S. Peruzzo

Papai investidor, marido, polímata, empreendedor, curioso. Tranquilidade financeira é qualidade de vida.

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