Se eu apenas ouvisse minha intuição…

Minha intuição as vezes evita que eu entre em uma fria. Não foi um nem dois negócios que eu deixei de participar porque sentia que algo estava errado, mas não sabia o motivo. E um tempo depois o motivo aparecia, ou o negócio simplesmente deixava de existir por conta das pessoas envolvidas.

As vezes minha intuição parece falhar. Foi o que aconteceu há mais de 20 anos, quando perdi minha primeira empresa. Me envolvi em um grande projeto, com ótimas pessoas, mas no meio delas havia uma fruta podre. Nem eu, nem os outros sócios conseguimos identificar a podridão antes dela surgir. Os resultados foram variados, alguns tinham mais cacife e saíram menos chamuscados. Eu, basicamente perdi tudo que tinha construído até então. O que me restou foi o conhecimento. E agora, a experiência.

Então eu penso comigo mesmo. Será que minha intuição falhou mesmo? Porque a análise posterior mostrou que não fui o único a cair na lábia do trambiqueiro. E mais que isso, dado o rumo que outras coisas tomaram depois da queda, se parar para pensar, no final das contas, há males que vem para o bem. Meus negócios posteriores à queda se tornaram muito melhores do que o anterior. Será que eu estaria preparado para as mudanças no mercado que ocorreram entre um ponto e outro, se não tivesse passado pelo inferno antes?

Um pouco depois dessa história, perdi tudo que tinha na bolsa. Era pouco comparado a hoje, mas a lição ficou de tal forma aprendida, que os solavancos que aconteceram nos mercados nos últimos anos simplesmente não me atingiram. Aprendi cedo os benefícios da diversificação. Enquanto o mundo desabava, meu patrimônio crescia.

Quando me apresentaram os consórcios em 2002, escutei minha intuição. Pensei na época que seria apenas uma boa ferramenta para me ajudar a guardar dinheiro regularmente para no futuro começar a investir em imóveis. Não imaginava que iria se tornar meu maior veículo de investimento pessoal, muito menos que iria se tornar meu negócio, ofuscando a informática e tudo que tinha estudado até então. Mesmo quando caí do cavalo, com a sociedade furada em que a pessoa que originalmente me apresentou ao consórcio fez dívidas enormes em nome da empresa em que fomos sócios, foi uma queda que no final das contas proporcionou uma alavanca para crescimento ainda maior depois disso.

Um momento em que não escutei minha intuição (e também não escutei minha esposa) aconteceu no início de 2018. Me conhecendo, provavelmente teria saído muito antes de lucrar algo relevante, levo a segurança financeira da minha família como mais importante do que a possibilidade de acertar na Mega-Sena. Então o exercício posterior é mero relato do que poderia ter sido, mas provavelmente não seria mesmo. Deixo aqui apenas para registro. Naquela época o Bitcoin estava cotado em R$ 13.000, depois de ter batido nos R$ 73.000 uns meses antes. Eu já tinha surfado essa onda, tendo entrado perto dos 18.000 e saído nos 65.000, então não dá para reclamar muito. O fato é que naquele ponto eu cogitei a ideia de comprar R$ 100.000 em Bitcoins a R$ 13.000 cada. Vendo ele hoje a R$ 300.000 cada um, fica um gosto amargo de não ter participado desta festa. Só que de novo, me conheço. Sei que na prática, mesmo que tivesse comprado tudo que pensei em comprar, provavelmente teria saído muito antes, logo que tivesse dobrado o investimento, provavelmente antes ainda. Então sei que este é um exercício fútil de prever o passado e reescrever a história para encaixar em uma narrativa. Fica este parágrafo aqui apenas para isso. Para registrar o que poderia ter sido, mas que mesmo que fosse, não seria. Me conheço bem demais 🙂

E você, escuta sua intuição regularmente?

A importância de consultar um especialista ANTES de adquirir um consórcio

Ontem vendi seis consórcios. Poderiam ter sido dez. Não faz diferença para mim, o valor final seriam os mesmos R$ 800.000 em crédito. Em um dos casos teria vendido 10 cartas de R$ 80.000 cada, mas o negócio final ficou em uma carta de R$ 400.000 e cinco cartas de R$ 80.000 cada. Tudo para o mesmo cliente.

Diferente do que acontece as vezes, quando a pessoa que já comprou um consórcio X ou Y me liga para tirar dúvidas, desta vez o interessado ligou antes de fazer a compra. Conversamos por uns 40 minutos, não apenas sobre as possibilidades que ele tinha em mente (investir), mas também sobre outros fatores da vida dele que poderiam afetar as decisões futuras sobre o assunto.

Na conversa, ele contou que tinha comprado um apartamento na planta, para morar. Entrega em dois anos. Trocamos uma ideia sobre a maneira como iria quitar o saldo na entrega. Com o Plano Pontual da Rodobens ele conseguiria fazer a quitação dentro de dois anos, independente de contemplar ou não. É um plano que possui um financiamento integrado que pode ser usado sem juros depois de 24 prestações pagas, mesmo que o consórcio não tenha sido contemplado. Utilizando esse financiamento automático, a quitação do mesmo se dá no momento da contemplação.

Com menos de uma hora de conversa ele resolveu dois problemas. Se não tivesse essa consultoria prévia, ele teria adquirido planos bons, mas que não resolveriam as diferentes necessidades que tinha. Acabaria caindo em um financiamento tradicional na entrega do imóvel e pagaria muito mais de juros do que com o plano que acabou fazendo.

Um caso oposto aconteceu mês passado enquanto ainda estava na praia. Uma pessoa ligou perguntando sobre o investimento com os consórcios. Me disse que já tinha adquirido duas cartas de determinada administradora, e conhecendo os produtos desta, expliquei que, para o tipo de investimento que eu explico, essas cartas não seriam adequadas.

Ele realmente queria investir como faço. Uma conversa prévia teria evitado a compra errada. O pior é que só há dois caminhos: ou ele assume o erro e perde o que já pagou, cancelando essas cotas, ou mantém, e acaba com um prejuízo enorme, pois quando contemplar, não obterá o resultado desejado. Só que cancelar implica em assumir ter errado. E isso é difícil para algumas pessoas. Foi o caso. Me mandou mensagem uns dias depois dizendo que iria continuar e entraria em contato quando contemplasse. Desejei boa sorte, mas avisei que não adiantaria entrar em contato quando contemplasse. Como já tinha explicado, não teria como ajudar com aquelas cartas, elas não possuem liquidez no mercado e não conseguiria vendê-las com lucro. É difícil aceitar a realidade.

Compromisso por toda a vida

Minha esposa e eu, em nossa viagem ao Japão em 2011. Lá fizemos amizades por toda a vida.

Assumir um compromisso por toda a vida é tarefa difícil. O casamento é um deles. É fácil assumir um compromisso por toda a vida quando tudo está bem. Difícil é manter esse compromisso nos momentos em que as coisas complicam.

Com os investimentos é parecido, um compromisso por toda a vida. Também neles é fácil quando acabamos de encontrar um emprego, quando ganhamos um aumento ou enquanto ainda não temos família e filhos para alimentar, mas aí chega a vida real e nos mostra que manter esse tal investimento todos os meses, sem falta, não é tão simples assim. Nessa hora os investimentos acabam.

Sempre tive dificuldade com a regularidade. É diferente de não assumir seus compromissos. É esquecimento, é mudança de foco, é concentração tão grande em uma coisa nova que a anterior fica eclipsada. É dizer que todo mês vai investir em algo, mas os estudos levam a outro tipo de investimento e aquele original é esquecido por um tempo. E quando pensamos em voltar, já é tarde.

Outro inimigo da regularidade é ir com muita sede ao pote. Sofro disso também. Quando gosto de determinado investimento quero investir tudo de uma vez. As vezes, mais do que devia. A realidade chega e exige que eu desfaça uma parte da posição. Em um momento inadequado.

Encontrei nos consórcios de imóveis uma ferramenta para manter o compromisso regular de investimento. Todo mês chega a prestação. Pago primeiro a mim mesmo. Ao mesmo tempo, não vou com muita sede ao pote. Não há como investir uma bolada toda de uma vez, é prestação por prestação, mês a mês, um por vez. Já fiz mais consórcios do que a renda mensal permitia. Chamo isso de tocar fogo na bunda. Assumo um compromisso maior do que poderia e então levanto a bunda da cadeira e faço a realidade se dobrar ao novo patamar.

E você, investe regularmente? Consegue cumprir a regra número um dos investimentos, que é pagar primeiro a si mesmo? Deixa eu te ajudar nisso.

Meu compromisso é por toda a vida.

Sobre a inveja

Você inveja a aparência de outra pessoa?

Você inveja o trabalho de alguém?

Você inveja o dinheiro que ela tem?

Inveja a vida familiar que ela compartilha nas redes sociais?

Um exercício interessante a se fazer quando invejamos alguém é nos perguntar se trocaríamos de vida integralmente com essa pessoa. Porque os resultados são consequencia das ações, uma coisa não vem sem a outra. Sim, pode haver diferentes caminhos para um mesmo fim, mas o fim que invejamos naquela pessoa específica foi atingido com o caminho que ela trilhou.

Você inveja o carro esportivo importado que aquele advogado possui? Legal. E inveja o fato dele ter sofrido um infarto com pouco mais de 40 anos de idade, por stress, excesso de trabalho e sonos mal dormidos devido ao excesso de café todos os dias? Inveja o fato dele ver os próprios filhos apenas uma hora por dia, as vezes nem isso, porque já estão dormindo quando chega tarde em casa?

Você inveja a bolsa Chanel da sua amiga? E inveja também o casamento desfeito dela? O que uma coisa tem a ver com a outra? Nada, mas daquela amiga específica é assim a vida. Inveja as coisas que aquela atriz famosa mostra em suas entrevistas? E a depressão que a acompanha desde a adolescência, da qual ela também fala nas mesmas entrevistas?

Você quer o resultado, mas está disposto a pagar o preço? As vezes o preço foi pago com enorme antecedência. A conquista da fortuna por quem viveu anos na miséria, por exemplo. Aquela formação pode ter dado o empurrão de vontade acima da média para terem conquistado os resultados fora de série. Você trocaria sua vida confortável na infância, com familia amorosa, por pancadas e fome, se o resultado final fosse diferente para você agora?

Invejar algo é inútil, cada um de nós tem seu próprio caminho. Não temos como trocar de vida com alguém, e se isso fosse possível, a maioria não trocaria mesmo assim.

Agora, se você realmente deseja obter resultados parecidos com os de outras pessoas que você não inveja, mas sim admira, vai lá! Estuda o que essa pessoa fez para chegar lá e dedique sua energia para conquistar o que você deseja também.

A distância entre o que conseguimos fazer e nosso bom gosto

Nossa família e amigos. Isabella, fevereiro 2021.

As vezes o bom gosto pode nos prejudicar. Conhecer belas artes, saber o que significa tocar bem um instrumento, reconhecer no apresentador a habilidade de comunicação, a clareza da fala. Tudo isso pode parecer bom, pois nos ajuda a separar quem já é bom dos que são péssimos, e é natural que queiramos usar nosso tempo apenas para o melhor. Então como poderia ser ruim ter bom gosto?

O problema se encontra quando quem precisa crescer somos nós. Ter bom gosto significa, inequivocamente, sabermos o quão ruim somos naquilo. Aprender a tocar guitarra ou piano. Aprender a pintar. Aparecer bem no video do YouTube ou Instagram. Sabemos quem é bom nisso. E sabemos que somos ruins. E a distância as vezes é tão grande que pensamos ser intransponível.

A verdade é que todo mundo já foi iniciante um dia. E a mente do iniciante é a melhor ferramenta que existe para darmos os passos necessários. Estudar, preparar, treinar e fazer. E fazer. E fazer. E fazer até pensar em desistir, de tão ruim que lhe parece, comparado com aqueles que você conhece que já fazem bem. E continuar fazendo. E notar que continua ruim, mas um ruim um pouco menos pior do que o ruim do início. Um ruim que, se sua vida dependesse daquilo, você encararia de frente e faria mesmo sabendo que não ficaria tão bom quanto seu bom gosto desejaria.

E sua vida depende disso. Sua vida depende de você fazer tudo aquilo que você não é bom em fazer, mas pode se tornar menos ruim simplesmente fazendo. Dia a dia. Todos os dias. Tenho um amigo que gravou um video por dia no YouTube ao longo de um ano inteiro. Dava pena de ver, tão ruim que eram os primeiros videos. Eu gravava meus próprios videos esporadicamente, quando realmente necessário. Ruins para meu gosto, mas bem melhor do que os desse amigo. Sabe como estão hoje os videos dele? Pois é, nem se comparam com os meus, estão muito melhores.

Quer ficar bom em algo? Vai lá e faz. E faz. E faz. Mesmo sabendo que vai ficar ruim no início. Uma hora melhora.

Das coisas que o vício nos leva a fazer

Cafés mais recentes.

Estou tentando diminuir meu consumo de cafeína. Atualmente tomo duas canecas de café por dia, uma quando acordo e uma depois do almoço. As vezes tomo uma terceira à noite, mas aí já é descafeinado e não conta.

Alguns anos atrás fiquei em um hotel em Vegas por pouco mais de 20 dias. Tinham sachês de café novos todos os dias na arrumação do quarto, mas começaram a vir apenas descafeinados. O que notei depois deste período foi que meu sono subiu de seis, para oito horas por noite. É o resultado que estou buscando agora.

Gosto do ritual matinal da preparação do café. E do gosto, claro. Da cafeína, realmente não preciso. Sei que os primeiros dias de abstinência são arrastados e se paro de repente fico alguns dias com dor de cabeça, então estou diminuindo aos poucos. Quer dizer, achava isso. Já tinha substituído o segundo café do dia por descafeinado, estava em um bom ritmo.

Daí vou ao Zaffari e minha variante preferida (Mogiana) está lá saltando da prateleira. E com uma placa de preço pela metade. Penso nos filtros de papel que ainda tenho em casa e acabo comprando dois pacotes. Amenizo minha falha comprando junto um pacote de descafeinado. E com tanto café novo, os filtros que tenho em casa já não bastam, compro mais duas caixinhas deles também.

Então devo demorar mais um mês ou dois antes de tirar a cafeína do meu sangue. Para falar a verdade, deixa explicar melhor, tirar a cafeína do café, do meu sangue. Sim, porque meu chocolate também tem cafeína, mas deste, não abro mão.

Uma pessoa precisa escolher seus vícios. Os meus são café e chocolate. E os seus?

Realidades paralelas

Eles crescem e se multiplicam.

Realidades paralelas.

As vezes me pego pensando como seriam as coisas se tivesse tomado caminhos diferentes em determinados momentos da vida. Fico imaginando as diversas vidas paralelas que minhas cópias em outros planos poderiam estar vivendo.

Pode parecer um exercício fútil, mas acredito que seja muito proveitoso. Ao comparar a vida concreta com uma possibilidade imaginária, é muito fácil fazer esta realidade imaginária ser a versão mais prazerosa dela. Na versão imaginária não existem problemas, apenas as coisas boas.

Imaginar a vida sem filhos, com todo tempo do mundo para si, com dinheiro sobrando para fazer o que quiser, como viagens internacionais frequentes. Nesta versão não aparece a solidão de estar em locais maravilhosos, mas não ter os filhos para mostrar tais maravilhas. Há apenas o vazio de ver as belezas, sem poder admirar o deslumbre de uma criança vendo aquilo pela primeira vez. O interessante de escolher os caminhos mais desafiadores é que aprendemos as maravilhas que estas escolhas nos trazem. Depois de ter filhos, nunca trocaria a maravilha de sua presença em minha vida, pela egoísta possibilidade de ter meu tempo livre de volta. Até porque, tenho certeza, crescerão livres e independentes. E quando forem viver suas vidas eu ficarei pensando e lembrando, tentando imaginar o que fazer com tanto tempo livre que terei. E tudo que passará na minha mente será a lembrança e a vontade de tê-los novamente ocupando meu tempo e minha atenção.

Isso também é válido para as opções profissionais. Escolher empreender versus seguir carreira acadêmica. Ou passar em um concurso público e garantir um bom salário todos os meses, com a garantia de emprego vitalícia. Também nisso escolhi o caminho menos percorrido. Escolhi o desafio. Não foi fácil o caminho até aqui, e cada dia se apresenta com novos desafios. Por outro lado, as possibilidades são infinitas, não existe teto. Não há limites para onde posso chegar, e há a flexibilidade de escolher a velocidade de cruzeiro a cada trecho da caminhada.

Neste momento caminho mais devagar. Mas uma hora chegará o momento de acelerar. O mundo me espera.

desafiodos30textos 12/30

Sobre as mentiras que contamos a nós mesmos

“Nunca é tarde para ser o que você poderia ter sido”. — George Eliot

Sobre as mentiras que contamos a nós mesmos.

O título acima surgiu em minha mente ao chegar na sala para o café da manhã. Acendo o fogo, aqueço a água, preparo o café e venho para uns minutos de Instagram (minha nova ferramenta de trabalho e estudo). Me deparo com a imagem acima. Se tinha dúvidas sobre o que escrever, agora acabou. Abro o editor de textos e aqui estou.

Preciso disso para fazer aquilo. Sem tal coisa não tem como obter tal outra. Preciso viajar e aproveitar a vida antes de ter filhos. Não dá para fazer isso sem muito dinheiro. Não posso largar meu emprego certo para abrir meu próprio negócio. Nunca vou ganhar nada sem ter uma faculdade. Aquele que enriqueceu foi certamente com alguma tramóia. Claro que para ela as coisas são fáceis, casou com um cara rico.

As mentiras que contamos para nós mesmos costumam ser apenas desculpas veladas para não vivermos a vida que desejamos, mas que não temos a coragem de viver. Os motivos podem ser o medo do fracasso, da rejeição dos pares, do que “os outros vão dizer.” Tudo desculpas.

A vida que sonhamos viver está poucos passos adiante, mas não chegará sem darmos os primeiros. O caminho pode ser longo, pode ser tortuoso, mas com certeza é um caminho que vale a pena ser trilhado. Não será um caminho fácil. Podem haver desvios, obras na pista e ser necessário fazer retornos longos no trajeto, mas pode ter certeza, valerá a pena.

Tento evitar mentir para mim mesmo, mas as vezes as coisas estão complicadas em tantas áreas que fica difícil. Não tenho tempo para isso, preciso fazer aquilo antes, esta semana não vai dar. Na seguinte também não. E aqui estou eu, um escritor que não escrevia há muito tempo, acordando mais cedo todos os dias e escrevendo diariamente alguma coisa, nem que seja apenas essa pequena missiva de hoje.

O que você está deixando para depois que deveria estar fazendo hoje. Não tarefas banais, deixa reformular a pergunta: que vida você deveria estar vivendo diariamente, mas não vive porque sempre há uma desculpa para evitar fazer isso?

Eu já tive problemas com consórcio.

Eu já tive problemas com consórcio.

Quantas vezes você já ouviu isso? Eu ouvi muitas vezes essa frase ou a variação dela, “tenho um amigo que uma vez fez um consórcio…”, ou ainda “uma vez meu pai, lá em 1800 e batatinhas…”.

Todo mundo tem uma história de tropeço para compartilhar. Todo mundo conhece alguém com o casamento desfeito. Todo mundo sabe que não se compram carros franceses porque só dão problema. Sabe a marca FIAT? Isso! Fui Iludido, Agora é Tarde. Não coma gorduras, entope o coração. Minha avó comeu gorduras a vida toda e viveu bem até o tempo fazer seu trabalho.

Meses atrás a Nathalia Arcuri havia publicado um video com o título mais ou menos assim: “Nunca faça um consórcio”, relatando a má experiência que teve. No video ela lamentava a péssima escolha que fez, e realmente era ruim para a situação dela, mas o problema não era o produto, mas sim, a escolha dela para o fim que desejava. Não mate o mensageiro.

Só que o que quero falar aqui não é de consórcio, é mais amplo que isso. É de aprendizado e de onde buscamos ampliar nosso conhecimento. O consórcio é meu veículo, mas a mensagem é mais profunda. Esqueça o fato de que sou vendedor de consórcio por um instante e lembre que só me tornei vendedor depois de anos investindo com os consórcios para meus próprios fins.

Quando você tem dúvidas sobre um assunto, o que faz mais sentido, procurar a opinião de alguém que já viveu a experiência (boa ou ruim), ou consultar um especialista? Se você acha que precisa de uma cirurgia bariátrica, quem você consulta, a amiga que fez e deu certo? A prima que fez e deu errado? Ou um médico especializado? Ou um amigo médico de outra área, mas ainda assim, com conhecimento profundo sobre o tema, não apenas uma experiência individual?

Em tudo na vida é assim. Pessoas têm problemas com tudo, todos os dias. Os tropeços dos outros podem nos ajudar a ver pontos nebulosos e evitar quedas desnecessárias, mas não devem nos fechar para as oportunidades que a vida nos traz, sem questionarmos se nossa situação é a mesma daquela que tropeçou ou não.

E você, que tropeços já deu na vida? E como voltou a correr depois disso?

Hoje é o primeiro dia do resto de sua vida.

O primeiro dia do resto de sua vida começa hoje.

O que você vai fazer com ele?

Pode parecer uma pergunta sem importância, mas a verdade é que vivemos a vida que vivemos a cada dia. Você é o que você faz sempre. De nada adianta querer uma coisa e viver de maneira incompatível com essa coisa. Quero ser uma pessoa saudável; acordo e como chocolate no café da manhã. Quero ser forte; passo os dias no sofá assistindo séries sem fim. Quero ver meus filhos crescer; passo os dias trancado no escritório sem contato com eles. Como você vive cada dia?

Para os mais novos essa pergunta pode parecer fazer mais sentido, pois sempre há primeiros dias novos para eles. O primeiro dia de aula de uma criança. O primeiro dia da faculdade. O primeiro dia no primeiro emprego. A vida dos jovens é uma sequencia de primeiros dias.

Para os mais velhos, no entanto, a pergunta se torna mais importante, pois precisamos lembrar que ainda teremos, todos os dias, o primeiro dia do resto de nossas vidas. E nesse dia, podemos mudar algo que não faça mais sentido para nós. Podemos nos tornar novas pessoas, assim, com o poder de uma decisão.

Lembro da minha adolescência aqui. Em certa época recebemos lá em casa uma intercambista da África do Sul. Não lembro exatamente quanto tempo ela morou conosco, minha irmã é quem mais conviveu com ela, eu ficava mais no meu quarto com minhas coisinhas do que interagia socialmente. Depois de um tempo, lembro bem, ela as vezes comentava: “Fabrício mal humorado”. Leia isso com sotaque inglês para dar a ênfase necessária. Na época não me incomodava com isso, era mal humorado mesmo e estava sempre desse jeito. Mas uns anos depois essa lembrança se tornou incômoda, e certo dia, como por mágica, decidi mudar.

Todos os dias eram um novo dia. E todo dia, quando me pegava ficando mal humorado com algo, ou irritado, me policiava e tentava reverter, ver o lado bom da situação. Em poucos meses era outra pessoa que eu construí. Hoje, as vezes estou cansado e é mais difícil segurar aquele Fabrício da adolescência, mas geralmente é o de hoje que vence a batalha. E se não, amanhã será um novo dia. O primeiro dia do resto da minha vida.

#desafiodos30textos 9/30