Deu ruim

Sala do escritor, um pouco mais organizada que a minha.

Quantas vezes você tentou fazer algo e o resultado não foi dos melhores?

Quantas vezes você desafiou o conselho de outras pessoas e se deu mal?

Quantas vezes você insistirá no erro de tentar fazer as coisas por própria conta?

Parabéns! Continue tentando.

“O custo de fazer algo e dar errado é muito menor do que o custo de não fazer nada.” — Seth Godin.

Uma amiga aqui do Instagram, a @mariaocaz, postou essa frase ontem e escreveu sobre ela o texto 28/30 do #desafiodos30textos. Faço dela meu texto 22/30.

Muita gente opta por não fazer nada para evitar críticas. Optam por não fazer nada para não ter que lidar com a dor de errar. Optam por não fazer nada por vergonha de parecer incapazes.

Incapaz é justamente quem nem começa. É quem faz só o feijão com arroz, e depois fica reclamando a vida toda que nunca conseguiu comer um bife. O mundo é dos ousados, de quem coloca a cara a tapa, daqueles que se atiram e dão o seu melhor. E se no processo caem, levantam, sacodem a poeira e tentam de novo.

Passei anos escrevendo um livro que nunca publicava. Refinando o que já estava pronto a muito tempo. E se meus amigos acharem o livro bobinho? O que vão pensar de mim? Nunca fui atrás de publicar de verdade. Então a sorte caiu no meu colo. E por ter o livro pronto, me atirei sem rede de proteção. Todos meus amigos estavam lá no lançamento, exemplares na mão, na fila para autógrafos. Nenhum falou mal do livro. Porque os amigos fazem isso, apoiam. Compram o livro que nem mesmo tem um conteúdo que precisem ou que os interessa, simplesmente porque é o livro de um amigo. A esses amigos agradeço de coração. É esse carinho que permitiu que um livro que ajuda muita gente para o qual é o livro certo, chegasse nessas pessoas ao ser publicado. Quem não precisa é justamente quem proporciona a coragem para que fosse publicado.

E se há 12 anos dei esse passo, neste 2021 retomo o rumo depois de um bom tempo parado. Já tem lá na Amazon um livreto pequeno, ridículo, curtinho, sobre um só assunto: “Consórcio: como não entrar numa fria”. É só o segundo, de muitos que virão.

Aprende e pratica

Parte da minha biblioteca.

Por um bom tempo eu era aquele cara que lia mais de um livro por semana. Aprender era minha obsessão e lia todos os livros disponíveis na área que me interessava. Ou seria melhor dizer, nas áreas que me interessavam… Finanças pessoais, investimentos, biografias de bilionários, empresários e grandes executivos. Mas também fotografia, computação, histórias do Vale do Silício. Educação física e exercícios sem equipamentos. Nutrição. Yoga. Desenho e pintura, técnicas e materiais, aquarela.

Não é a toa que meu escritório tem uma parede com mais de seis metros de estante.

Um pouco eu praticava. Tocava minha empresa de internet, configurava meus servidores, investia meu dinheiro da maneira que ia aprendendo a fazer com tudo que lia. As vezes as informações eram contraditórias quando comparava um autor com outro, mas testava e via o que funcionava para mim.

Acredito que o investimento que mais gera retorno é o investimento em nós mesmos. Ler nos permite aprender com os melhores, nos permite aprender com o que já funcionou para os outros. Por outro lado, só ler não gera resultado algum. Então se você já leu apenas um livro que fez sentido para você, antes de começar a ler o segundo, vai lá e aplica na prática ao menos um conhecimento aprendido hoje mesmo.

Lê e pratica. Aprende e pratica.

Porque o mundo, meu querido, não é dos que arrotam saber. O mundo é de quem vai lá e faz.

Eu estou aqui, escrevendo, vendendo consórcios, cuidando da minha família. E você, já fez algo por si hoje?

O segundo colocado

Já ouviste aquela frase?

“O segundo colocado é o primeiro perdedor.”

Pois é. Não concordo com ela. Em primeiro lugar porque, se estamos aqui, fomos os campeões na corrida pelo óvulo. Começamos a vida como verdadeiros vencedores, com a conquista máxima. Parabéns, campeão!

Sou um cara bem competitivo, mas quem me vê de fora geralmente não enxerga isso. Sou competitivo comigo mesmo, busco sempre melhorar e conquistar mais. Ao mesmo tempo, não me interessa o lado de fora. Não preciso ser “melhor que o concorrente” do ponto de vista de vender mais, aparecer mais, etc. Busco ser melhor que o concorrente no atender melhor, orientar melhor, isso sim, mas quantidade de vendas… Claro que quero vender mais, mas mais do que eu mesmo já faço. Não uso a baliza externa para isso.

As vezes me pego pensando no custo de ser o número 1. E mais que isso, no custo de se manter como número 1. Como fã de Fórmula 1, não tem como não lembrar do ídolo Ayrton Senna e do que custou sua obcessão em ser o primeiro. Ao mesmo tempo, vejo o que pode sentir ser o número 2. Sou fã também do Rubinho, da história que ele construiu, de estar sempre lá presente entre os campeões, mostrando habilidade, trabalhando, se divertindo. Pode não ter o nome no topo, mas fez sua parte com competência e dedicação. As piadas, os memes na internet, espero de coração que não o afetem, como acredito que não façam mesmo.

Me sinto muito mais próximo do Rubinho do que de outros campeões. Rubinho para mim é campeão na vida. Tem uma família pela qual lutar. Ajuda sem precisar se autopromover. Foi competente e regular em toda a sua carreira, fazendo o seu melhor e subindo os degraus, mas sempre consciente de até onde gostaria de arriscar. Não acho que ele deixou de ganhar mais por falta de competência, mas sim, por ausência de apetite ao risco extremo. O custo de tentar ser o número 1 na profissão dele pode ser extremo. Eu, estando lá, também limitaria meus riscos frente aos resultados.

No final, acredito em viver a boa vida em família. Classificações e competição externa não passa de métrica de vaidade.

Como isso funciona para você?

Sobre as coisas importantes que aprendi

Era uma vez uma época em que não havia internet. Alguns aqui me conhecem dessa época. Naquele tempo, as coisas importantes da vida eram ensinadas pelos pais.

Foi meu pai que deu o exemplar dele do Dale Carnegie “Como fazer amigos e influenciar as pessoas”, para ler quando tinha uns 12 anos. Foi dele também que ouvi desde cedo que a coisa mais importante para não passar por apertos na vida é um colchão de segurança, uma reserva financeira que te permita apagar os incêndios sem precisar se descabelar. Meu pai me ensinou a paciência. Me ensinou a ser pai.

Ser gentil, conversar, escutar. Expor os sentimentos. Essas coisas aprendi com minha mãe.

A humildade aprendi com minha irmã do meio. Não que ela fosse humilde (o que ela é), mas sim porque ela era (e é) tão melhor que eu em tantas coisas, que não tem como não entender que somos pouco perante tudo que há.

Minha irmã menor me ensinou a coragem de viver a própria vida. Quantas escolhas deixei de fazer por medo. Ela também me ensinou a ouvir música boa, me apresentou bandas que eu devia conhecer antes dela ter nascido, mas se você perguntar para ela, vai dizer que eu é que fui boa influência na vida dela.

Tudo isso aconteceu antes da internet existir. Depois que ela apareceu, eu a adotei, ajudei a criar, vi crescer e florescer. Foi na empresa de internet que conheci minha esposa, que foi lá trabalhar comigo nos primórdios.

Minha esposa me apresentou o amor universal. A forma como ela cuida dos seus, como vive com os amigos. Tudo é sincero e real. Não é a toa que é tão amada por tantos. Um tempo depois me proporcionou a realização completa com o nascimento dos nossos filhos. Aí sim eu conheci o amor incondicional, aquele que ninguém nunca apaga, que nunca deixa de existir.

Eu sou um cara de sorte de ter ao meu lado essas pessoas maravilhosas. E a internet, que usamos hoje para nos comunicar por aqui, proporciona aos que não tiveram essa minha sorte a oportunidade de conhecer pessoas assim, segui-las e aprender com elas. Que mundo fantástico esse em que vivemos.

Se eu apenas ouvisse minha intuição…

Minha intuição as vezes evita que eu entre em uma fria. Não foi um nem dois negócios que eu deixei de participar porque sentia que algo estava errado, mas não sabia o motivo. E um tempo depois o motivo aparecia, ou o negócio simplesmente deixava de existir por conta das pessoas envolvidas.

As vezes minha intuição parece falhar. Foi o que aconteceu há mais de 20 anos, quando perdi minha primeira empresa. Me envolvi em um grande projeto, com ótimas pessoas, mas no meio delas havia uma fruta podre. Nem eu, nem os outros sócios conseguimos identificar a podridão antes dela surgir. Os resultados foram variados, alguns tinham mais cacife e saíram menos chamuscados. Eu, basicamente perdi tudo que tinha construído até então. O que me restou foi o conhecimento. E agora, a experiência.

Então eu penso comigo mesmo. Será que minha intuição falhou mesmo? Porque a análise posterior mostrou que não fui o único a cair na lábia do trambiqueiro. E mais que isso, dado o rumo que outras coisas tomaram depois da queda, se parar para pensar, no final das contas, há males que vem para o bem. Meus negócios posteriores à queda se tornaram muito melhores do que o anterior. Será que eu estaria preparado para as mudanças no mercado que ocorreram entre um ponto e outro, se não tivesse passado pelo inferno antes?

Um pouco depois dessa história, perdi tudo que tinha na bolsa. Era pouco comparado a hoje, mas a lição ficou de tal forma aprendida, que os solavancos que aconteceram nos mercados nos últimos anos simplesmente não me atingiram. Aprendi cedo os benefícios da diversificação. Enquanto o mundo desabava, meu patrimônio crescia.

Quando me apresentaram os consórcios em 2002, escutei minha intuição. Pensei na época que seria apenas uma boa ferramenta para me ajudar a guardar dinheiro regularmente para no futuro começar a investir em imóveis. Não imaginava que iria se tornar meu maior veículo de investimento pessoal, muito menos que iria se tornar meu negócio, ofuscando a informática e tudo que tinha estudado até então. Mesmo quando caí do cavalo, com a sociedade furada em que a pessoa que originalmente me apresentou ao consórcio fez dívidas enormes em nome da empresa em que fomos sócios, foi uma queda que no final das contas proporcionou uma alavanca para crescimento ainda maior depois disso.

Um momento em que não escutei minha intuição (e também não escutei minha esposa) aconteceu no início de 2018. Me conhecendo, provavelmente teria saído muito antes de lucrar algo relevante, levo a segurança financeira da minha família como mais importante do que a possibilidade de acertar na Mega-Sena. Então o exercício posterior é mero relato do que poderia ter sido, mas provavelmente não seria mesmo. Deixo aqui apenas para registro. Naquela época o Bitcoin estava cotado em R$ 13.000, depois de ter batido nos R$ 73.000 uns meses antes. Eu já tinha surfado essa onda, tendo entrado perto dos 18.000 e saído nos 65.000, então não dá para reclamar muito. O fato é que naquele ponto eu cogitei a ideia de comprar R$ 100.000 em Bitcoins a R$ 13.000 cada. Vendo ele hoje a R$ 300.000 cada um, fica um gosto amargo de não ter participado desta festa. Só que de novo, me conheço. Sei que na prática, mesmo que tivesse comprado tudo que pensei em comprar, provavelmente teria saído muito antes, logo que tivesse dobrado o investimento, provavelmente antes ainda. Então sei que este é um exercício fútil de prever o passado e reescrever a história para encaixar em uma narrativa. Fica este parágrafo aqui apenas para isso. Para registrar o que poderia ter sido, mas que mesmo que fosse, não seria. Me conheço bem demais 🙂

E você, escuta sua intuição regularmente?

A importância de consultar um especialista ANTES de adquirir um consórcio

Ontem vendi seis consórcios. Poderiam ter sido dez. Não faz diferença para mim, o valor final seriam os mesmos R$ 800.000 em crédito. Em um dos casos teria vendido 10 cartas de R$ 80.000 cada, mas o negócio final ficou em uma carta de R$ 400.000 e cinco cartas de R$ 80.000 cada. Tudo para o mesmo cliente.

Diferente do que acontece as vezes, quando a pessoa que já comprou um consórcio X ou Y me liga para tirar dúvidas, desta vez o interessado ligou antes de fazer a compra. Conversamos por uns 40 minutos, não apenas sobre as possibilidades que ele tinha em mente (investir), mas também sobre outros fatores da vida dele que poderiam afetar as decisões futuras sobre o assunto.

Na conversa, ele contou que tinha comprado um apartamento na planta, para morar. Entrega em dois anos. Trocamos uma ideia sobre a maneira como iria quitar o saldo na entrega. Com o Plano Pontual da Rodobens ele conseguiria fazer a quitação dentro de dois anos, independente de contemplar ou não. É um plano que possui um financiamento integrado que pode ser usado sem juros depois de 24 prestações pagas, mesmo que o consórcio não tenha sido contemplado. Utilizando esse financiamento automático, a quitação do mesmo se dá no momento da contemplação.

Com menos de uma hora de conversa ele resolveu dois problemas. Se não tivesse essa consultoria prévia, ele teria adquirido planos bons, mas que não resolveriam as diferentes necessidades que tinha. Acabaria caindo em um financiamento tradicional na entrega do imóvel e pagaria muito mais de juros do que com o plano que acabou fazendo.

Um caso oposto aconteceu mês passado enquanto ainda estava na praia. Uma pessoa ligou perguntando sobre o investimento com os consórcios. Me disse que já tinha adquirido duas cartas de determinada administradora, e conhecendo os produtos desta, expliquei que, para o tipo de investimento que eu explico, essas cartas não seriam adequadas.

Ele realmente queria investir como faço. Uma conversa prévia teria evitado a compra errada. O pior é que só há dois caminhos: ou ele assume o erro e perde o que já pagou, cancelando essas cotas, ou mantém, e acaba com um prejuízo enorme, pois quando contemplar, não obterá o resultado desejado. Só que cancelar implica em assumir ter errado. E isso é difícil para algumas pessoas. Foi o caso. Me mandou mensagem uns dias depois dizendo que iria continuar e entraria em contato quando contemplasse. Desejei boa sorte, mas avisei que não adiantaria entrar em contato quando contemplasse. Como já tinha explicado, não teria como ajudar com aquelas cartas, elas não possuem liquidez no mercado e não conseguiria vendê-las com lucro. É difícil aceitar a realidade.

Compromisso por toda a vida

Minha esposa e eu, em nossa viagem ao Japão em 2011. Lá fizemos amizades por toda a vida.

Assumir um compromisso por toda a vida é tarefa difícil. O casamento é um deles. É fácil assumir um compromisso por toda a vida quando tudo está bem. Difícil é manter esse compromisso nos momentos em que as coisas complicam.

Com os investimentos é parecido, um compromisso por toda a vida. Também neles é fácil quando acabamos de encontrar um emprego, quando ganhamos um aumento ou enquanto ainda não temos família e filhos para alimentar, mas aí chega a vida real e nos mostra que manter esse tal investimento todos os meses, sem falta, não é tão simples assim. Nessa hora os investimentos acabam.

Sempre tive dificuldade com a regularidade. É diferente de não assumir seus compromissos. É esquecimento, é mudança de foco, é concentração tão grande em uma coisa nova que a anterior fica eclipsada. É dizer que todo mês vai investir em algo, mas os estudos levam a outro tipo de investimento e aquele original é esquecido por um tempo. E quando pensamos em voltar, já é tarde.

Outro inimigo da regularidade é ir com muita sede ao pote. Sofro disso também. Quando gosto de determinado investimento quero investir tudo de uma vez. As vezes, mais do que devia. A realidade chega e exige que eu desfaça uma parte da posição. Em um momento inadequado.

Encontrei nos consórcios de imóveis uma ferramenta para manter o compromisso regular de investimento. Todo mês chega a prestação. Pago primeiro a mim mesmo. Ao mesmo tempo, não vou com muita sede ao pote. Não há como investir uma bolada toda de uma vez, é prestação por prestação, mês a mês, um por vez. Já fiz mais consórcios do que a renda mensal permitia. Chamo isso de tocar fogo na bunda. Assumo um compromisso maior do que poderia e então levanto a bunda da cadeira e faço a realidade se dobrar ao novo patamar.

E você, investe regularmente? Consegue cumprir a regra número um dos investimentos, que é pagar primeiro a si mesmo? Deixa eu te ajudar nisso.

Meu compromisso é por toda a vida.

Sobre a inveja

Você inveja a aparência de outra pessoa?

Você inveja o trabalho de alguém?

Você inveja o dinheiro que ela tem?

Inveja a vida familiar que ela compartilha nas redes sociais?

Um exercício interessante a se fazer quando invejamos alguém é nos perguntar se trocaríamos de vida integralmente com essa pessoa. Porque os resultados são consequencia das ações, uma coisa não vem sem a outra. Sim, pode haver diferentes caminhos para um mesmo fim, mas o fim que invejamos naquela pessoa específica foi atingido com o caminho que ela trilhou.

Você inveja o carro esportivo importado que aquele advogado possui? Legal. E inveja o fato dele ter sofrido um infarto com pouco mais de 40 anos de idade, por stress, excesso de trabalho e sonos mal dormidos devido ao excesso de café todos os dias? Inveja o fato dele ver os próprios filhos apenas uma hora por dia, as vezes nem isso, porque já estão dormindo quando chega tarde em casa?

Você inveja a bolsa Chanel da sua amiga? E inveja também o casamento desfeito dela? O que uma coisa tem a ver com a outra? Nada, mas daquela amiga específica é assim a vida. Inveja as coisas que aquela atriz famosa mostra em suas entrevistas? E a depressão que a acompanha desde a adolescência, da qual ela também fala nas mesmas entrevistas?

Você quer o resultado, mas está disposto a pagar o preço? As vezes o preço foi pago com enorme antecedência. A conquista da fortuna por quem viveu anos na miséria, por exemplo. Aquela formação pode ter dado o empurrão de vontade acima da média para terem conquistado os resultados fora de série. Você trocaria sua vida confortável na infância, com familia amorosa, por pancadas e fome, se o resultado final fosse diferente para você agora?

Invejar algo é inútil, cada um de nós tem seu próprio caminho. Não temos como trocar de vida com alguém, e se isso fosse possível, a maioria não trocaria mesmo assim.

Agora, se você realmente deseja obter resultados parecidos com os de outras pessoas que você não inveja, mas sim admira, vai lá! Estuda o que essa pessoa fez para chegar lá e dedique sua energia para conquistar o que você deseja também.

A distância entre o que conseguimos fazer e nosso bom gosto

Nossa família e amigos. Isabella, fevereiro 2021.

As vezes o bom gosto pode nos prejudicar. Conhecer belas artes, saber o que significa tocar bem um instrumento, reconhecer no apresentador a habilidade de comunicação, a clareza da fala. Tudo isso pode parecer bom, pois nos ajuda a separar quem já é bom dos que são péssimos, e é natural que queiramos usar nosso tempo apenas para o melhor. Então como poderia ser ruim ter bom gosto?

O problema se encontra quando quem precisa crescer somos nós. Ter bom gosto significa, inequivocamente, sabermos o quão ruim somos naquilo. Aprender a tocar guitarra ou piano. Aprender a pintar. Aparecer bem no video do YouTube ou Instagram. Sabemos quem é bom nisso. E sabemos que somos ruins. E a distância as vezes é tão grande que pensamos ser intransponível.

A verdade é que todo mundo já foi iniciante um dia. E a mente do iniciante é a melhor ferramenta que existe para darmos os passos necessários. Estudar, preparar, treinar e fazer. E fazer. E fazer. E fazer até pensar em desistir, de tão ruim que lhe parece, comparado com aqueles que você conhece que já fazem bem. E continuar fazendo. E notar que continua ruim, mas um ruim um pouco menos pior do que o ruim do início. Um ruim que, se sua vida dependesse daquilo, você encararia de frente e faria mesmo sabendo que não ficaria tão bom quanto seu bom gosto desejaria.

E sua vida depende disso. Sua vida depende de você fazer tudo aquilo que você não é bom em fazer, mas pode se tornar menos ruim simplesmente fazendo. Dia a dia. Todos os dias. Tenho um amigo que gravou um video por dia no YouTube ao longo de um ano inteiro. Dava pena de ver, tão ruim que eram os primeiros videos. Eu gravava meus próprios videos esporadicamente, quando realmente necessário. Ruins para meu gosto, mas bem melhor do que os desse amigo. Sabe como estão hoje os videos dele? Pois é, nem se comparam com os meus, estão muito melhores.

Quer ficar bom em algo? Vai lá e faz. E faz. E faz. Mesmo sabendo que vai ficar ruim no início. Uma hora melhora.

Das coisas que o vício nos leva a fazer

Cafés mais recentes.

Estou tentando diminuir meu consumo de cafeína. Atualmente tomo duas canecas de café por dia, uma quando acordo e uma depois do almoço. As vezes tomo uma terceira à noite, mas aí já é descafeinado e não conta.

Alguns anos atrás fiquei em um hotel em Vegas por pouco mais de 20 dias. Tinham sachês de café novos todos os dias na arrumação do quarto, mas começaram a vir apenas descafeinados. O que notei depois deste período foi que meu sono subiu de seis, para oito horas por noite. É o resultado que estou buscando agora.

Gosto do ritual matinal da preparação do café. E do gosto, claro. Da cafeína, realmente não preciso. Sei que os primeiros dias de abstinência são arrastados e se paro de repente fico alguns dias com dor de cabeça, então estou diminuindo aos poucos. Quer dizer, achava isso. Já tinha substituído o segundo café do dia por descafeinado, estava em um bom ritmo.

Daí vou ao Zaffari e minha variante preferida (Mogiana) está lá saltando da prateleira. E com uma placa de preço pela metade. Penso nos filtros de papel que ainda tenho em casa e acabo comprando dois pacotes. Amenizo minha falha comprando junto um pacote de descafeinado. E com tanto café novo, os filtros que tenho em casa já não bastam, compro mais duas caixinhas deles também.

Então devo demorar mais um mês ou dois antes de tirar a cafeína do meu sangue. Para falar a verdade, deixa explicar melhor, tirar a cafeína do café, do meu sangue. Sim, porque meu chocolate também tem cafeína, mas deste, não abro mão.

Uma pessoa precisa escolher seus vícios. Os meus são café e chocolate. E os seus?