Mais Las Vegas

Os hotéis, shoppings e casinos não possuem nenhuma janela ou formas de avistar as ruas quando estamos dentro deles. Também não há relógios. Tudo para simplesmente não vermos o tempo passar. Na maioria dos shoppings o teto é pintado de azul com nuvens, extremamente realista, sempre na mesma intensidade luminosa. É como estar em um constante paraíso onde o céu sempre é límpido e sempre faz tempo bom. Não há como querer sair deste lugar.

Nos hotéis de luxo, tudo está a disposição, basta ligar e pedir. Tudo tem seu preço, então se estiver contando as moedas, pergunte antes de sair usufruindo de tudo que oferecem. No frigobar, sensores automáticos registram a retirada dos produtos, automaticamente debitando sua conta. No spa, nas lojinhas internas, nos restaurantes, tudo pode ser posto na conta do seu quarto de hotel, basta dizer o número do quarto, confirmar que você é você e a conta só virá no final. Nada dessa coisa de ficar tendo que lidar com dinheiro, notas, moedas.

Dos shows, nem sei por onde começar. Tem de tudo, para todos os gostos. Assistimos o espetáculo “O” do Cirque du Soleil, que acontece no Bellagio. É um daqueles espetáculos que só podem acontecer lá, tão grande é a estrutura necessária para permitir os efeitos. Tudo é na água, com plataformas submersas que se movem alterando os espaços do palco, permitindo que os artistas mergulhem a grandes profundidades em um momento e caminhem sobre o mesmo local logo em seguida. É difícil de descrever, só vendo para entender.

Há shows de música, mágica e musicais. Há diversos espetáculos de Striptease. Para as mulheres solteiras há o Chippendales no Rio, ou o Thunder From Down Under com os rapazes australianos. Para os homens solteiros, em todas as esquinas distribuem cartões com as fotos e telefones das strippers que podem ser pedidas a la carte, diretamente no quarto do hotel. Não é a toa que o apelido da cidade é Sin City, apesar de também ser bastante amigável para as crianças, que se divertem durante o dia e naturalmente vão cedinho para a cama quando seus pais saem para se divertir a noite.

Las Vegas é uma experiência e tanto, recomendo para todos. Tire ao menos uns cinco dias para aproveitar um pouquinho do que a cidade tem para oferecer, mas saiba que com apenas cinco dias você só terá um gostinho, uma pequena amostra, pois há muito o que ver e fazer 24 horas por dia.

Compras

Quem tem problemas com consumo compulsivo deve ficar longe daqui. Entre as lojas mais especiais do planeta, os maiores shoppings um ao lado do outro e outlets incríveis, a quantidade de opções de compra é simplesmente indescritível. Há coisas para todos os bolsos, desde as últimas novidades de Paris, até as lembrancinhas mais baratas. Até os dados usados nos casinos estão a venda. Não estou falando de dados semelhantes ou do mesmo modelo dos usados nos casinos, mas dos dados reais, que foram realmente utilizados nos jogos e depois são embalados e vendidos como recordação. Fuja, ou se entregue, não há meio termo em Vegas.

Fotos de Las Vegas

Welcome to the Fabulous Las Vegas!

What you do in Vegas, stays in Vegas.

O voo de Reno a Las Vegas foi tranquilo. No embarque, a organização americana: cada bilhete de embarque vinha com uma letra (A, B, C) e um número (1 a 60) e duas filas foram formadas com a ordem de entrada no avião, sendo chamadas as letras em sequência A1-30, A31-60, B1-30… Como era um voo rápido, apenas uma hora, não havia lugares marcados, bastava entrar e escolher um lugar. Outra coisa diferente dos voos que já havia feito foi a escolha das bebidas. A aeromoça (não tão moça assim) passava perguntando o que cada passageiro queria, anotava e depois de passar por todos voltava com bandejas com as bebidas já servidas. Nada de carrinhos atrapalhando o corredor. Acho que uns 15% dos passageiros beberam algo.

Já em Vegas, pegamos um aeromóvel do terminal de desembarque para onde pegaríamos as malas. Na saída, várias limousines nos aguardando para levar ao hotel 🙂

Bellagio

Já ouviu falar de luxo? Não, então vá ao Bellagio. Só para dar um gostinho, algumas das lojas no passeio que fizemos no primeiro andar: Fendi, Gucci, Chanel, Dior…

A famosa escultura de flores de vidro colorido no teto do saguão de entrada, o jardim botânico interno, o conservatório, o spa, os restaurantes… Depois de visitar cada um, não contarei a experiência. Deixarei que você mesmo experimente quando vier para cá 🙂

E agora chega de escrever. Depois conto sobre a técnica de manter os hóspedes no sonho de Vegas. Esses caras realmente sabem o que fazem.

Abraço e até a volta. Estou sem internet no hotel. Não que esteja com problemas, mas por opção. O almoço nos espera…

Escrevi isso no hotel, antes de sair. Publico agora conectado em uma Apple Store dentro do Caesar’s Palace.

Fotos de Las Vegas

Fortune cookie, Reno, NV

Fortune cookie, biscoito da sorte, ou como a Carla, esposa do Gabriel, falou certa vez… “lucky biscuit”.

Almoçamos num restaurante chinês hoje. Eu, sonhando em morar aqui no ano que vem, recebo o seguinte biscoito da sorte:

Your dreams will bring you into a profitable venture

E eu, que acredito nestas coisas sempre que são positivas, ganhei o dia 🙂

Pela manhã ficamos na piscina, descompressão total, início real de férias e um pouco de descanso.

Depois do almoço as meninas foram fazer programas de meninas, visitar lojas de departamento e supermercados, e os meninos foram fazer programas de meninos, visitar lojas de carros e de equipamentos eletrônicos. Me controlei em ambos, mas ver de perto os carros que posso comprar aqui por quatro vezes menos do que custam no Brasil, dá uma dor…

Dor amenizada pelo fato de ter passado a tarde inteira passeando de Porsche, ou melhor, pilotando o brinquedo 🙂

Antes disso ainda, fomos no Museu do Automóvel de Reno, um dos maiores dos USA. Até um DeLorean dourado eles têm lá. Impressionante a perfeição dos carros, todos como novos, funcionando, pinturas impecáveis, limpeza total e centenas de carros de todas as épocas, com incontáveis clássicos. Assim que conseguir, envio fotos para o Flickr e atualizo este post com o link para o álbum.

Como disse meu fortune cookie, vale repetir:

Your dreams will bring you into a profitable venture

Abraço e até amanhã, quando voamos para Vegas!

Fotos de Reno, com o Gabriel Torres e a Carla

Burlingame, CA – Reno, NV

Acordar, perder o café da manhã por 30 minutos de atraso, esperar a Carla e o Gabriel enquanto descobria que meu chip de celular internacional não quer cooperar…

Almoçamos ao lado do hotel em um restaurante mexicano. Comida boa, em quantidade mostruosa. São Francisco debaixo de densa neblina. Rumo a Reno, NV. Da ponte conseguimos ver Alcatraz, mas a Golden Gate estava escondida das nossas vistas. San Francisco agora, só no final da viagem. Estava frio, 14 graus, então, resolvemos ir a Reno buscar o calor do deserto no velho oeste americano.

Six Flags, Discovery Adventure

No meio da estrada, um parque Six Flags, sinônimo de montanhas-russas. Férias típicas americanas. O parque é um misto de mini-zôo com as famosas montanhas-russas. Um com tigres, morsas, golfinhos, elefantes, girafas, outro com montanhas-russas com água, com loopings, com parafusos, de frente, de trás, com apoio, com os pés soltos no ar, sentados, pendurados, que giram e até um barco viking chamado Taz, que tem um rotor acoplado na ponta. Uma tarde perfeita para desligar do mundo e entrar em ritmo de férias.

O primeiro “passeio” foi em uma rampa com água. Se tivesse me atirado na piscina não sairía tão molhado. O resto do dia foi secando ao sol 🙂

A noite, a caminho de Reno, jantar no Dennys, com direito a mega-torrada com 2 ovos mexidos, bacon, linguiça frita, presunto, queijo e maionese. Pouca caloria 🙂

Reno, NV

Em Reno, cassinos, luzes, avenidas largas. Nos bairros residenciais, poucas luzes nas ruas, quase nenhuma sinaleira e as casas sem iluminação nas fachadas, bem diferente do que estamos acostumados. Também diferente, nada de grades ou muros.

Fim do dia com a chegada na casa do Gabriel. Abre o portão da garagem, um Porsche Boxter. Entramos na casa, uma ampla recepção com um pinball do Arquivo-X, aquelas típicas cozinhas americanas enormes, com ilha central, a sala de jantar e de estar ao lado, e um enorme aquário de água salgada. No pátio, vista perfeita de toda cidade iluminada pelos cassinos, uma piscina semi-olímpica com rampa de saltos e uma hidromassagem gigante. Quatro dormitórios no andar superior, dois deles transformados em escritórios, completam o American Dream. Agora dá para entender porque o Gabriel diz que não pretende voltar ao Brasil.

Abraço e até mais…

Fotos da saída do Brasil, chegada nos USA e Burlingame, CA

Fotos de Reno com o Gabriel Torres e a Carla

Garota, eu vou pra Califórnia…

San Salvador, 20 de julho de 2010.

Primeiras coisas primeiro… TACA é o canal. Comissárias atenciosas, comida de primeira e espaço enorme para as pernas, quase um palmo de distância do joelho ao banco da frente. POA-Lima com quiche de ovo e queijo com cubinhos de frango, frutas e bolachas, além de um pãozinho mega macio com manteiga. As peruanas tem feições bem diferentes das que estamos acostumados no RS, são muito bonitas e sempre sorridentes. Ao menos as que trabalham como comissárias de bordo 🙂

O corte Victoria Beckham é o cabelo da moda, apesar da primeira que vimos com este cabelo ter um feitio mais Playmobil ou Maga Patalógica.

Lima, Peru

Rede celular e excelente wifi grátis em toda a área de embarque em Lima. Esperamos 5 horas até o próximo voo, mas o tempo passou rapidinho estando conectado. O iPad foi extremamente útil. Leve, rápido e prático, me permitiu responder dezenas de emails durante o voo, todos enviados assim que conectei ao desembarcar. Consegui ler uma série de blogs que havia sincronizado antes de sair de casa, RSS rulez. Além de tudo, tenho nele todos os dados da viagem, usei para confirmar nossa chegada em São Francisco, que seria depois da meia-noite, e descobri que o transfer que oferecem não seria possível, pois o último saía as 00h33 e chegaríamos um pouco depois disso.

Lima vista do alto é uma cidade bege, com prédios em formato de caixas com janelas, sem cores vivas. Tudo é terra, os prédios, as estradas e até mesmo os aviões parados no aeroporto. Freeshop como todos os outros, produtos 80% mais caros que no Uruguai, tomando como referência a barra de chocolate Lindt. Há diversos produtos locais, com ênfase nos produtos de lã de Alpaca jovem, além de bolsas e bonecas bordadas com tecidos bastante coloridos.

Depois da espera, embarcamos para San Salvador, em El Salvador, que eles insistem em chamar apenas de Salvador. Mais um voo excelente, desta vez com salada, pãozinho com manteiga e opção de massa ou frango com arroz. Fomos no frango e estava ótimo.

Uma peruana ao meu lado insistia a falar em inglês: “sorry”, “can you close the air vent?”, mesmo depois de me ouvir falando em português e respondendo as comissárias em espanhol.

San Salvador

San Salvador chegando de avião é uma praia longa, com amplas plantações e nenhuma construção. Acho que não existe cidade 😮

Momento surreal da viagem: ao aterrisar, quase todos os passageiros aplaudem. Sei lá se é hábito deles, pois foi um pouco comum, perfeito, ou seja, nada de anormal para garantir aplausos.

O aeroporto tem bem menos lojas que o de Lima. Passamos na corrida pois tinhamos apenas uns minutos até a hora do próximo embarque. No final das contas, não precisaríamos ter corrido, pois o voo atrasou quase uma hora conosco dentro do avião.

Ao passar pela fiscalização, nada de raio-x, apenas dois fiscais abrindo as mochilas e apalpando todo mundo. Bem moderno 🙂

Agora é aguardar o avião fechar as portas e partir para São Francisco. Você está lendo isso alguns dias depois de escrito, já que o original foi escrito a mão no meu Moleskine dedicado a esta viagem.

Abraço a todos e até a volta.

Céu, entre Milão e Londres

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Vôo da Lufthansa, há pouco tivemos uma excelente refeição com sanduiche quente italiano em pão sete grãos com molho pesto de rúcula, speck e queijo pecorino. De sobremesa um chocolate ao leite feito em Milão e uma crostata alemã. Companhias brasileiras, aprendam com os alemães… Não façam como os espanhóis, que passam um cardápio com o preço das refeições a bordo 🙂

Já no vôo somos apresentados a uma das particularidades britânicas, servem chá e temos a opção de chá com leite. Diferente para nós brasileiros mas aparentemente comum para os ingleses, ví vários fazendo esta opção de bebida no almoço.

Outro ponto interessante a observar é que quando a aeromoça nos pergunta o que queremos beber em italiano, respondemos em italiano e ela continua a conversa nesta língua. Sendo visivelmente alemã, com o nome no crachá tirando qualquer dúvida ainda existente, temos uma aeromoça que fala três línguas, seu alemão materno, o inglês obrigatório para a profissão e o italiano recém demonstrado. Conversando um pouco mais descobrimos que ela voava com frequência para São Paulo, e que por ser parecido com o espanhol que ela também falava, nos entendia bem. Essa era nossa aeromoça das quatro línguas 🙂

Não poderia deixar de comentar ainda mais um mito desfeito, o de que os alemães são um povo frio e fechado. Se não deu para notar pelo parágrafo anterior, tivemos uma rápida porém agradável conversa com uma das aeromoças mais legais com quem já voamos. Lembrando que o outro mito, dos franceses serem arrogantes e não fazerem esforço para ajudar, já haviamos derrubado vários dias antes ao sermos abordados por mais de um francês tentando nos ajudar ao ver que procurávamos algo no mapa.

A foto acima mostra uma coisa que vimos pela primeira vez, os picos nevados das montanhas acima das nuvens. Muito lindo, muito emocionante, agora só falta visitar algum lugar com neve para completar a experiência. Quem sabe um natal em New York?

Milão, singing in the rain

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Será que vou aparecer no Sartorialist?

Devido a mudanças nos nossos planos resolvemos passar o dia anterior passeando ao redor do Lago di Garda, onde demos a volta completa nos 140 Km do mesmo. Não poderia haver um sábado de sol melhor, no entanto, isto nos deixou apenas um domingo chuvoso para conhecer Milão 🙂

Pessoalmente, gostei da cidade. Fomos recepcionados por uma estação de trens enorme, uma chuvinha fraca e um hotel bem localizado. Não deu para ver muita coisa e o fato de ser domingo complicou um pouco mais, mas depois de tanta viagem o melhor mesmo é reservar uns dias a mais em Milão na próxima viagem. Ou não.

Rainbow
Rainbow
O que um avião desses faz ao lado da Duomo?
O que um avião desses faz ao lado da Duomo?
Será que são as lágrimas dela que estão trazendo chuva?
Será que são as lágrimas dela que estão trazendo chuva?

Gavardo, Desenzano, Sirmione e Lago di Garda

Os melhores dias de nossa viagem, sem dúvida alguma. Não me entendam mal, tudo que vimos até aqui é maravilhoso, mas depois de 22 dias viajando não há nada como estar na casa dos amigos, com calor humano, sem a impessoalidade dos hotéis. Junte a tudo isso um dos locais mais bonitos do planeta e a história está completa.

Gavardo

Gavardo é uma pequena cidade próxima ao Lago di Garda que não teria nada de diferente de outras pequenas cidades do interior da Itália. Porém, esta tem algo diferente, é a cidade onde moram os amigos Antonieta e Armando. A história deles também é interessante, ela brasileira, ele italiano, se conheceram pela internet quando ela procurava alguém para treinar o aprendizado da língua italiana, um visitou o outro e hoje moram juntos, na Itália no verão italiano, no Brasil no verão brasileiro. Verão o ano todo, uma beleza para uma carioca como ela 🙂

Não há como descrever com palavras a recepção que eles nos deram, então deixo apenas algumas imagens que tentam mostrar um pouco disso…

gavardo1

antonietaArmando

Jantar Gavardo
Fusilli lungo con buco, atum e alcaparras. Uma variedade de salames e outras coisas parecidas que só tem por lá, gorgonzola cremoso, tomino, um queijo de cabra que derrete no prato e na boca, além de pãozinho macio, difícil de encontrar na Europa.

Lago di Garda

Nem vou escrever aqui sobre Desenzano, Sirmione, Lazise, ou o Lago di Garda. Para conhecer os castelos que há nestas cidades, só indo pessoalmente. Ficam algumas fotinhos extras para ilustrar a vida dura que se leva no interior da Itália…

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Vida dura à beira do lago
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O que vocês estão olhando???
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Água completamente transparente. Vê-se o fundo do lago a mais de três metros de profundidade.
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A verdadeira pizza italiana

Veneza

veneza

Veneza é linda! Veneza é tão diferente de tudo a que estamos acostumados que a cada passo descobrimos alguma novidade. Ao chegar na estação de trens, ou melhor, ainda antes disso, vendo a cidade se aproximando enquanto atravessávamos a ponte, já dava para nos admirarmos com o visual das fachadas, alí, na beira do mar, rente ao mesmo, sem uma areiazinha para separar. Saindo da estação damos de cara com o grande canal, que é como chamam o canal que corta, serpentuosamente, as ilhas principais que formam Veneza. Logo ao lado, a ponte que nos leva ao pedaço de terra em que fica nosso hotel, e neste momento, a primeira dificuldade aparece.

Vou relevar e apenas citar o fato de haver dezenas de degraus na ponte e de termos malas pesando mais de 25Kg para arrastar para cima e para baixo e tratar da dificuldade real. Não bastasse a rua do nosso hotel não estar no mapa, e neste momento a pesquisa prévia no dia anterior nos salvou, thanks Google Maps, a maior dificuldade era entender o mapa que tinhamos em mãos, pois as ruas desenhadas simplesmente não existiam! Andamos para um lado, andamos para o outro e nada. O mapa mostrava uma rua larga antes de um canal pequeno. O canal pequeno estava lá, apesar do mapa não mostrar a pontezinha sobre o mesmo. Pensando ser o canal errado, caminhamos até o seguinte, chegamos a uma ponte enorme que cruzava o grande canal, bem depois de onde deveria ser nossa rua, e nada. Entramos em uma loja próxima e não conheciam a rua que deveria estar ao lado da mesma. Então resolvemos tentar descobrir o que havia em uma pequena entrada entre dois prédios, um espacinho onde passava apenas uma pessoa por vez, caminhar de mãos dadas, nem pensar, só em fila indiana. Era a rua que procurávamos, enorme no mapa, da largura de uma porta estreita na vida real. Proporção para quê?

ruaVenezaVeneza é um labirinto de ruelas, espacinhos, curvas e pontos sem saída, tudo entrecortado por canais onde nem sempre há uma ponte para atravessar. É um choque nas primeiras horas, mas logo em seguida nos acostumamos e nos tornamos locais, dando dicas aos turistas ainda perdidos pelas ruelas.

Decidimos então o trajeto que faríamos no dia seguinte. Caminharíamos até a Piazza San Marco para conhecer Veneza ao longo do percurso. A idéia era ir por um lado e voltar pelo outro. No meio do percurso, ao encontrar um ponto de referência e examinarmos o mapa, notamos estar 800m ao sul de onde pensávamos estar. É fácil se perder no meio deste labirinto. Lembrando que 800m em uma ilha que tem pouco mais de 2Km é uma diferença considerável. Corrigimos nosso percurso e em poucos minutos estávamos em nosso destino.

A Basílica de San Marco, com teto e paredes forradas de imagens feitas de mosaicos, a maior parte dourada, é simplesmente indescritível. Ver de longe é impressionante, mas chegar perto e ver que tudo é feito com pedrinhas de menos de 5mm torna tudo ainda mais inacreditável. Não são permitidas fotos, e lá foi um dos poucos locais onde os seguranças ficam ao lado das pessoas pegas fotografando, até apagarem as provas de seus atos proibidos. Há uma parte externa onde são permitidas fotos, com o mesmo tipo de trabalho interno, mas uma foto não consegue mostrar o que vimos, é uma igreja para ser vista com os próprios olhos para nos darmos conta da sua grandeza.

Depois disto caminhamos mais um pouco, marcamos com X no mapa os prédios que íamos conhecendo, visitamos mais algumas igrejas e então partimos para a aventura.

A melhor maneira de conhecer realmente Veneza é fazer como o pessoal local. Compramos um passe de 12h para os barcos-ônibus e logo embarcamos em um que passava por todo o grande canal. Durante vários minutos voltei a ser criança, passeando de barco ao longo do grande canal, fotografando, olhando os prédios, vendo as fachadas mais lindas, impossíveis de serem vistas por quem está em terra firme.

Pegamos então outra “linha” e conhecemos outra ilha. E mais uma troca de “linha” nos levou para Lido, onde há a praia e onde aconteceu o festival de cinema de Veneza dois meses antes. Quando fomos, estava vazia como qualquer balneário no inverno, mas foi legal conhecer e ver como eram as praias, com áreas particulares onde as pessoas possuem pequenas cabaninhas, pequenas mesmo, quase que um banheirinho particular onde trocam de roupa e deixam suas coisas enquanto aproveitam o sol e o mar. Centenas dessas cabaninhas, uma ao lado da outra.

cabanasLido

E assim, em apenas um dia, conhecemos Veneza. A noite ainda pegamos um barco para ver a Piazza San Marco iluminada a noite, mas foi apenas para a decepção de ver que Veneza não sabe se vender a noite, ao menos não no inverno. Estava tudo escuro.

Se não estivéssemos tão cansados, queria ter assistido a uma das inúmeras óperas e concertos que acontecem a noite em várias igrejas e teatros. Mas isto fica para uma próxima viagem, porque agora que fui contagiado pelo vírus do viajante, não paro mais 🙂

Fotos em: http://www.flickr.com/photos/fperuzzo/sets/72157622624835565/

Eurostar

trem

Escrevo isto entre Bologna e Padova, no meu moleskine, com tinta Visconti vermelha em minha caneta tinteiro Parker. A caneta e a tinta adquiridas em Florença, na Casa della Stilografica, do Marco Moricci, que conheci lá, junto do pai e da mãe que o ajudam no negócio iniciado por seu avô.

Viajar de trem é ótimo, ao menos no Eurostar em que estamos. Além da velocidade, chega a 350 Km/h, há a tranquilidade de embarcar e viajar, podendo fazer o que faço neste momento, escrevendo, escutando música e admirando a paisagem ao longo do caminho. Ou dá para fazer o que faz minha esposa, que dorme um pouco enquanto guardo o sono dela 🙂

Quem não gosta dessa coisa arcaica que costumo usar, caneta e papel, também estará bem servido, em frente a cada poltrona há uma mesa basculante e uma tomada de energia elétrica individual.

A paisagem entre Firenze e Bologna é linda no outono, são montanhas coloridas de verde, amarelo e vermelho das folhas que ainda restam nas árvores, sem falar dos rios com leito de pedras que cruzam no meio das cidades ao longo do percurso.

paisagem

Já entre Bologna e Padova a paisagem muda completamente, é tudo plano, com campos e mais campos, na maior parte apenas a terra arada, pronta para o início do plantio.

As estradas que vejo ao longo do trajeto também são excelentes. Passear de carro aqui seria tão ou mais agradável do que de trem, ao menos para mim que adoro pegar a estrada. Imagino a cena e me recordo de uma reportagem que li ainda no Brasil, então entendo porque o George Clooney possui uma casa no interior da Itália, onde vem no outono passear de Harley por estas estradas. Quem sabe não o encontramos por aqui uma hora dessas? Ainda mais sabendo que há pouco tempo ele estava em Veneza, para onde nos dirigimos neste momento.

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