Céu, entre Milão e Londres

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Vôo da Lufthansa, há pouco tivemos uma excelente refeição com sanduiche quente italiano em pão sete grãos com molho pesto de rúcula, speck e queijo pecorino. De sobremesa um chocolate ao leite feito em Milão e uma crostata alemã. Companhias brasileiras, aprendam com os alemães… Não façam como os espanhóis, que passam um cardápio com o preço das refeições a bordo 🙂

Já no vôo somos apresentados a uma das particularidades britânicas, servem chá e temos a opção de chá com leite. Diferente para nós brasileiros mas aparentemente comum para os ingleses, ví vários fazendo esta opção de bebida no almoço.

Outro ponto interessante a observar é que quando a aeromoça nos pergunta o que queremos beber em italiano, respondemos em italiano e ela continua a conversa nesta língua. Sendo visivelmente alemã, com o nome no crachá tirando qualquer dúvida ainda existente, temos uma aeromoça que fala três línguas, seu alemão materno, o inglês obrigatório para a profissão e o italiano recém demonstrado. Conversando um pouco mais descobrimos que ela voava com frequência para São Paulo, e que por ser parecido com o espanhol que ela também falava, nos entendia bem. Essa era nossa aeromoça das quatro línguas 🙂

Não poderia deixar de comentar ainda mais um mito desfeito, o de que os alemães são um povo frio e fechado. Se não deu para notar pelo parágrafo anterior, tivemos uma rápida porém agradável conversa com uma das aeromoças mais legais com quem já voamos. Lembrando que o outro mito, dos franceses serem arrogantes e não fazerem esforço para ajudar, já haviamos derrubado vários dias antes ao sermos abordados por mais de um francês tentando nos ajudar ao ver que procurávamos algo no mapa.

A foto acima mostra uma coisa que vimos pela primeira vez, os picos nevados das montanhas acima das nuvens. Muito lindo, muito emocionante, agora só falta visitar algum lugar com neve para completar a experiência. Quem sabe um natal em New York?

Milão, singing in the rain

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Será que vou aparecer no Sartorialist?

Devido a mudanças nos nossos planos resolvemos passar o dia anterior passeando ao redor do Lago di Garda, onde demos a volta completa nos 140 Km do mesmo. Não poderia haver um sábado de sol melhor, no entanto, isto nos deixou apenas um domingo chuvoso para conhecer Milão 🙂

Pessoalmente, gostei da cidade. Fomos recepcionados por uma estação de trens enorme, uma chuvinha fraca e um hotel bem localizado. Não deu para ver muita coisa e o fato de ser domingo complicou um pouco mais, mas depois de tanta viagem o melhor mesmo é reservar uns dias a mais em Milão na próxima viagem. Ou não.

Rainbow
Rainbow
O que um avião desses faz ao lado da Duomo?
O que um avião desses faz ao lado da Duomo?
Será que são as lágrimas dela que estão trazendo chuva?
Será que são as lágrimas dela que estão trazendo chuva?

Gavardo, Desenzano, Sirmione e Lago di Garda

Os melhores dias de nossa viagem, sem dúvida alguma. Não me entendam mal, tudo que vimos até aqui é maravilhoso, mas depois de 22 dias viajando não há nada como estar na casa dos amigos, com calor humano, sem a impessoalidade dos hotéis. Junte a tudo isso um dos locais mais bonitos do planeta e a história está completa.

Gavardo

Gavardo é uma pequena cidade próxima ao Lago di Garda que não teria nada de diferente de outras pequenas cidades do interior da Itália. Porém, esta tem algo diferente, é a cidade onde moram os amigos Antonieta e Armando. A história deles também é interessante, ela brasileira, ele italiano, se conheceram pela internet quando ela procurava alguém para treinar o aprendizado da língua italiana, um visitou o outro e hoje moram juntos, na Itália no verão italiano, no Brasil no verão brasileiro. Verão o ano todo, uma beleza para uma carioca como ela 🙂

Não há como descrever com palavras a recepção que eles nos deram, então deixo apenas algumas imagens que tentam mostrar um pouco disso…

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Jantar Gavardo
Fusilli lungo con buco, atum e alcaparras. Uma variedade de salames e outras coisas parecidas que só tem por lá, gorgonzola cremoso, tomino, um queijo de cabra que derrete no prato e na boca, além de pãozinho macio, difícil de encontrar na Europa.

Lago di Garda

Nem vou escrever aqui sobre Desenzano, Sirmione, Lazise, ou o Lago di Garda. Para conhecer os castelos que há nestas cidades, só indo pessoalmente. Ficam algumas fotinhos extras para ilustrar a vida dura que se leva no interior da Itália…

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Vida dura à beira do lago
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O que vocês estão olhando???
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Água completamente transparente. Vê-se o fundo do lago a mais de três metros de profundidade.
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A verdadeira pizza italiana

Veneza

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Veneza é linda! Veneza é tão diferente de tudo a que estamos acostumados que a cada passo descobrimos alguma novidade. Ao chegar na estação de trens, ou melhor, ainda antes disso, vendo a cidade se aproximando enquanto atravessávamos a ponte, já dava para nos admirarmos com o visual das fachadas, alí, na beira do mar, rente ao mesmo, sem uma areiazinha para separar. Saindo da estação damos de cara com o grande canal, que é como chamam o canal que corta, serpentuosamente, as ilhas principais que formam Veneza. Logo ao lado, a ponte que nos leva ao pedaço de terra em que fica nosso hotel, e neste momento, a primeira dificuldade aparece.

Vou relevar e apenas citar o fato de haver dezenas de degraus na ponte e de termos malas pesando mais de 25Kg para arrastar para cima e para baixo e tratar da dificuldade real. Não bastasse a rua do nosso hotel não estar no mapa, e neste momento a pesquisa prévia no dia anterior nos salvou, thanks Google Maps, a maior dificuldade era entender o mapa que tinhamos em mãos, pois as ruas desenhadas simplesmente não existiam! Andamos para um lado, andamos para o outro e nada. O mapa mostrava uma rua larga antes de um canal pequeno. O canal pequeno estava lá, apesar do mapa não mostrar a pontezinha sobre o mesmo. Pensando ser o canal errado, caminhamos até o seguinte, chegamos a uma ponte enorme que cruzava o grande canal, bem depois de onde deveria ser nossa rua, e nada. Entramos em uma loja próxima e não conheciam a rua que deveria estar ao lado da mesma. Então resolvemos tentar descobrir o que havia em uma pequena entrada entre dois prédios, um espacinho onde passava apenas uma pessoa por vez, caminhar de mãos dadas, nem pensar, só em fila indiana. Era a rua que procurávamos, enorme no mapa, da largura de uma porta estreita na vida real. Proporção para quê?

ruaVenezaVeneza é um labirinto de ruelas, espacinhos, curvas e pontos sem saída, tudo entrecortado por canais onde nem sempre há uma ponte para atravessar. É um choque nas primeiras horas, mas logo em seguida nos acostumamos e nos tornamos locais, dando dicas aos turistas ainda perdidos pelas ruelas.

Decidimos então o trajeto que faríamos no dia seguinte. Caminharíamos até a Piazza San Marco para conhecer Veneza ao longo do percurso. A idéia era ir por um lado e voltar pelo outro. No meio do percurso, ao encontrar um ponto de referência e examinarmos o mapa, notamos estar 800m ao sul de onde pensávamos estar. É fácil se perder no meio deste labirinto. Lembrando que 800m em uma ilha que tem pouco mais de 2Km é uma diferença considerável. Corrigimos nosso percurso e em poucos minutos estávamos em nosso destino.

A Basílica de San Marco, com teto e paredes forradas de imagens feitas de mosaicos, a maior parte dourada, é simplesmente indescritível. Ver de longe é impressionante, mas chegar perto e ver que tudo é feito com pedrinhas de menos de 5mm torna tudo ainda mais inacreditável. Não são permitidas fotos, e lá foi um dos poucos locais onde os seguranças ficam ao lado das pessoas pegas fotografando, até apagarem as provas de seus atos proibidos. Há uma parte externa onde são permitidas fotos, com o mesmo tipo de trabalho interno, mas uma foto não consegue mostrar o que vimos, é uma igreja para ser vista com os próprios olhos para nos darmos conta da sua grandeza.

Depois disto caminhamos mais um pouco, marcamos com X no mapa os prédios que íamos conhecendo, visitamos mais algumas igrejas e então partimos para a aventura.

A melhor maneira de conhecer realmente Veneza é fazer como o pessoal local. Compramos um passe de 12h para os barcos-ônibus e logo embarcamos em um que passava por todo o grande canal. Durante vários minutos voltei a ser criança, passeando de barco ao longo do grande canal, fotografando, olhando os prédios, vendo as fachadas mais lindas, impossíveis de serem vistas por quem está em terra firme.

Pegamos então outra “linha” e conhecemos outra ilha. E mais uma troca de “linha” nos levou para Lido, onde há a praia e onde aconteceu o festival de cinema de Veneza dois meses antes. Quando fomos, estava vazia como qualquer balneário no inverno, mas foi legal conhecer e ver como eram as praias, com áreas particulares onde as pessoas possuem pequenas cabaninhas, pequenas mesmo, quase que um banheirinho particular onde trocam de roupa e deixam suas coisas enquanto aproveitam o sol e o mar. Centenas dessas cabaninhas, uma ao lado da outra.

cabanasLido

E assim, em apenas um dia, conhecemos Veneza. A noite ainda pegamos um barco para ver a Piazza San Marco iluminada a noite, mas foi apenas para a decepção de ver que Veneza não sabe se vender a noite, ao menos não no inverno. Estava tudo escuro.

Se não estivéssemos tão cansados, queria ter assistido a uma das inúmeras óperas e concertos que acontecem a noite em várias igrejas e teatros. Mas isto fica para uma próxima viagem, porque agora que fui contagiado pelo vírus do viajante, não paro mais 🙂

Fotos em: http://www.flickr.com/photos/fperuzzo/sets/72157622624835565/

Eurostar

trem

Escrevo isto entre Bologna e Padova, no meu moleskine, com tinta Visconti vermelha em minha caneta tinteiro Parker. A caneta e a tinta adquiridas em Florença, na Casa della Stilografica, do Marco Moricci, que conheci lá, junto do pai e da mãe que o ajudam no negócio iniciado por seu avô.

Viajar de trem é ótimo, ao menos no Eurostar em que estamos. Além da velocidade, chega a 350 Km/h, há a tranquilidade de embarcar e viajar, podendo fazer o que faço neste momento, escrevendo, escutando música e admirando a paisagem ao longo do caminho. Ou dá para fazer o que faz minha esposa, que dorme um pouco enquanto guardo o sono dela 🙂

Quem não gosta dessa coisa arcaica que costumo usar, caneta e papel, também estará bem servido, em frente a cada poltrona há uma mesa basculante e uma tomada de energia elétrica individual.

A paisagem entre Firenze e Bologna é linda no outono, são montanhas coloridas de verde, amarelo e vermelho das folhas que ainda restam nas árvores, sem falar dos rios com leito de pedras que cruzam no meio das cidades ao longo do percurso.

paisagem

Já entre Bologna e Padova a paisagem muda completamente, é tudo plano, com campos e mais campos, na maior parte apenas a terra arada, pronta para o início do plantio.

As estradas que vejo ao longo do trajeto também são excelentes. Passear de carro aqui seria tão ou mais agradável do que de trem, ao menos para mim que adoro pegar a estrada. Imagino a cena e me recordo de uma reportagem que li ainda no Brasil, então entendo porque o George Clooney possui uma casa no interior da Itália, onde vem no outono passear de Harley por estas estradas. Quem sabe não o encontramos por aqui uma hora dessas? Ainda mais sabendo que há pouco tempo ele estava em Veneza, para onde nos dirigimos neste momento.

clooney

Florença, Galleria degli Uffizi

florença

As coisas na Itália são todas enormes e a Galleria degli Uffizi não poderia ser diferente. Não vou descrever aqui todos os detalhes, isso você pode ver na descrição italiana da Wikipedia. Basta dizer que é um museu que PRECISA ser visitado por aqueles que gostam de história e admiram as pinturas magníficas que foram feitas entre 1200 a 1800. Isso que nem toquei no detalhe sobre as esculturas, do início da era cristã até o século XIX. Foram duas horas circulando pelo museu, sem poder bater fotos, então não há nenhuma nem aqui, nem nos meus albuns no Flickr.

Vimos o Duomo, entramos na igreja mas os pés não permitiriam subir os mais de 400 degraus do domo nem os mais de 400 degraus da torre, então nada de vista aérea da cidade por enquanto. Talvez amanhã subamos um morro que nos permita esta vista, mas as duas escadarias do Duomo ficarão para uma próxima visita.

sorveteHoje tomamos um dos melhores sorvetes do mundo. Fica numa sorveteriazinha perto de uma das pontes de Florença. Fazem lá mesmo. E agora a noite vamos comer uma excelente pizza italiana, feita de acordo com as regras da Verdadeira Pizza Napolitana, apesar de não estarmos em Nápoles.

Florença é uma cidade mais colorida que Roma, as pessoas se vestem melhor aqui e os espaços não estão todos tomados por indianos, como lá. Há uma grande quantidade de turistas, mas eles se concentram nas atrações mais conhecidas, como a Ponte Vecchio e o Duomo, além dos museus. No restante da cidade da para circular com mais tranquilidade, apesar das calçadas onde passa apenas uma pessoa.

A quantidade de artistas é enorme, em todo lugar há alguém pintando quadrinhos com aquarela (que secam rápido e permitem produção quase em série) para vender aos turistas. Há muito trabalho em couro, com a indicação especial de uma feira livre que se espalha por algumas ruas do centro histórico onde dá para encontrar bolsas, malas e principalmente cadernos de desenho e anotação com capas de couro trabalhadas, incrustradas, etc. A arte joalheira também é um dos fortes da cidade, com boa parte das lojas localizadas na Ponte Vecchio. Se gostar de jóias e não quiser gastar, não vá para lá.

Por hoje é só. Estou enviando mais fotos para os albuns neste momento.

Florença, chegada

doces

Vamos de Roma a Firenze com o Eurostar, o trem rápido e direto. 1h35 de viagem. Para descobrir qual plataforma pegar seu trêm, não procure pelo seu destino, o que aparece no painel é a cidade final, sem indicação das cidades que vem antes. Procure pelo número do seu trêm. O nosso, ia a Veneza, passando por Firenze, Bolonha e não lembro que outra cidade antes de chegar a Veneza.

Compramos nossa passagem no dia anterior a viagem, escolhemos os lugares, um em frente ao outro e ao chegar no trêm um velhinho daqueles bem malas sem alça já estava lá, instalado no MEU lugar. Pior, estava sentado no lugar certo, porque ele me mostrou o bilhete dele com o mesmo número que o meu. Ponto para a bagunça italiana.

No final, não tivemos problemas pois dos 97 lugares do nosso vagão, apenas sete estavam ocupados.

Upgrade

Descendo em Florença, nosso hotel ficava a meia quadra da estação de trem. Chegamos lá e o recepcionista logo explicou, em inglês, que haviam tido um problema com as reservas e que por isso haviamos sofrido um upgrade, que seríamos hospedados em outro hotel da rede, na mesma quadra, bem em frente a estação de trens. Ganhamos uma estrela extra na nossa hospedagem, Florença começou bem 🙂

Deixamos as malas na recepção pois ainda não havia aberto o check-in e fomos conhecer a primeira igreja, naturalmente enorme, naturalmente com mais de 500 anos, naturalmente com obras de inúmeros pintores e escultores do Renascimento. Depois uma pizza e então o check-in, descanso de uma hora e saída para primeiro reconhecimento de Florença.

Vimos o Duomo fechado, iluminado, já de noite. O conceito de enorme deve ser redefinido para a Itália. Quando quiser dizer que algo é muito grande, a partir de agora temos que dizer que é “Itália”.

Demos mais uma voltinha no centro da cidade, compramos uns presentinhos para nós mesmos, tomamos um sorvete, comemos um waffle recheado com Nutella e voltamos para o hotel, onde agora escrevo estas linhas, além das anteriores que ainda estavam no meu caderno devido ao atraso em relação a internet que vimos em Roma.

Falando em internet, aqui há diversos internet-points. Mas isso não será necessário, temos no hotel, 24 horas por € 5. Não tão bom quanto em Paris ou Barcelona, que era de graça, mas com certeza bem melhor do que em Roma ou Madrid, onde simplesmente não tinhamos acesso fácil.

Vaticano

Preciso confirmar ainda se Roma é igual, mas no Vaticano há fontes de água potável em tudo que é esquina. Para chegar, pegamos a linha A do metrô (Roma só tem duas linhas, A e B). Depois de conhecer a Basílica de São Pedro, subir na cúpula e visitar os túmulos dos Papas, uma pizza e um gelato. Uma das melhores pizzas que já comi, num buteco qualquer de esquina.

A Basílica de São Pedro é simplesmente IMENSA. Esqueçam qualquer coisa que falei de Paris em relação a tamanho. Em Roma e no Vaticano, tudo é MAIOR. Paris ainda ganha no quesito luxo e ostentação, mas em história e tamanho Roma e o Vaticano não tem comparação.

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Em detalhes, também não há comparação. No Museu do Vaticano, enorme e com todas as paredes cobertas com afrescos, pinturas, mármores, detalhes, detalhes, detalhes que não acabam mais, os olhos se perdem. A visita acaba na Capela Sistina, o cúmulo dos cúmulos dos detalhes por metro quadrado. Não tem como fixar os olhos em uma coisa só, tantas são as coisas a serem vistas.

Menção honrosa aos americanos, negativa para as senhoras que pularam TODA a visita para ver apenas a Capela Sistina dizendo: “há um caminho direto para a capela, podemos pular a parte chata”, o que significa que não viram nada do Museu do Vaticano, como a coleçãozinha de quadros deles onde meus olhos já cansados de tanta arte de repente reconhece um estilo, olha na plaquinha e vê escrito: Salvador Dalí, vê outro, Van Gogh, e assim vai em frente, detalhe por detalhe, mais atento a uns, passando os olhos por outros, tentando absorver o que o cérebro consegue de tantos excessos. Menção honrosa positiva para o casal com três filhos pequenos explicando cada detalhe para eles, inclusive algumas inscrições em latim que a menorzinha lia e perguntava o que significavam (e eles explicavam).

Muita gente em todo lugar, muita gente mesmo.

Roma, terceiras impressões

Em Roma, todos falam inglês. Logo após o buon giorno tradicional, ao notarem que nossa resposta tem sotaque diferente, automaticamente saem falando em inglês. Não adianta continuarmos perguntando e respondendo em italiano, eles entram em “modo inglês” e não saem. Todos, em todos os lugares. Os italianos amam os ingleses, acho que gostariam de ser ingleses, na verdade. Exatamente o oposto de Paris, onde não apenas não falam inglês como também não fazem o menor esforço para agradar aos turistas que movimentam sua economia. Talvez essa seja uma das razões de haver tão mais turistas em Roma do que em Paris.

Além disso, os ingleses amam Roma e a Itália. Até agora foi o lugar onde mais escutei o idioma de Shakespeare em seu som original. Claro que isso irá deixar de ser verdade em alguns dias, quando estivermos em Londres 🙂

A comida em Roma é muito mais barata do que em Paris, além de servida em porções bem mais generosas. Sanduíches minúsculos que custavam € 8 em Paris são encontrados aqui em versões três vezes maiores por apenas € 3,50. Claro que ainda não bate o € 1 do Bocadillo de Jamon de Madrid

Internet atrasada

A Itália como um todo é absolutamente atrasada em termos de internet. Há uma lei que exige que todos os usuários de internet sejam identificados para o governo, o que faz encontrar internet de graça uma grande gincana. Quando há, é mediante usuário e senha, por tempo limitado, mediante prévio cadastro que envia a senha para um celular italiano previamente registrado, o que impossibilita o uso de quem não possui tal celular. No hotel em Florença, fazem uma cópia do cartão de acesso diário, pedem para assinar esta cópia e copiam teus dados para entregar para o governo. Impressionante, no pior sentido da palavra.

Roma, segundas impressões

Carros

Da mesma maneira que Madrid, Barcelona e Paris, Roma também possui uma enorme frote de carros SMART e Mini Copper, além de Porsches de tudo que é modelo, normalmente Carrera 4, mas também alguns conversíveis mais baratinhos.

Nosso hotel é muito engraçado. Devido ao prédio ser antigo e o hotel ser pequeno, após passarmos pela recepção e nos dirigirmos ao fundo para o elevador, notamos que a área interna era compartilhada com o hotel ao lado. O nosso tinha os andares 2, 3 e 5 e eles possuiam o 1, parte do 2 e o 4. Compartilhavam também o segundo, onde ficava o café da manhã. Uns dias depois, ao descer pelas escadas devido a demora do elevador, descobrimos que as mesmas eram compartilhadas com um terceiro hotel, do outro lado (o nosso ficava no meio).

No café da manhã, naturalmente temos uma máquina de café expresso na cafeteria do hotel. Todas as variedades, caffé latte, expresso, capuccino, moka…

Piazza Navona

Uma praça, tipo as praças de Madrid, lajes e monumentos, mas diferente de Madrid, aqui há fontes, naturalmente de água potável. E tudo enorme, gigantesco. Ao redor, pizzarias, cafés, o básico para uma vidinha simples. Comemos uma das melhores pizzas quattro formaggi da nossa vida.

A noite em Roma é tranquila, no sentido de segurança para caminhar pelas ruas. No sentido de trânsito é Roma, não há como descrever de outra maneira.

Nas ruas, sempre pechinche com os vendedores ambulantes. São todos indianos, tomam conta de cada esquina. Um tripézinho daqueles pequenos para máquinas fotográficas compactas caiu de € 15 para apenas € 5 em menos de 30 segundos. O diálogo foi mais ou menos o seguinte:

– quanto costa?

– fifitin euros – todos falam inglês capenga, não interessa em que língua é feita a pergunta sempre respondem em inglês capenga.

– molto caro.

– qué pagá quanto?

– cinque (tinqüe) euro.

– ok.

Igrejas

Acabo de lembrar do filme do Dan Brown, onde o Tom Hanks fala que a bomba está em uma igreja e o policial responde que em uma área de poucas quadras há centenas de igrejas. É verdade, há quadras onde há uma igreja em frente a outra, e mais uma ou duas nas laterais. Acho que a única coisa que há mais em Roma do que igrejas, são indianos vendedores ambulantes.

Indianos

Acho que há mais indianos do que romanos em Roma. Estão por todo lugar, tomam conta das ruas e espalham seus carrinhos-lanchonete vendendo paninis, pizzas congeladas e sorvetes em toda saída de atração turística.

Divertidíssimos os “romanos” vestidos de gladiadores, cobrando para posar para fotos com os turistas os rendendo, com as espadas no pescoço. € 1 se for mulher e brasileira, € 5 se for homem inglês. As capas que usam possivelmente são do tempo do império romano, tão velhas, gastas e sujas que são 🙂

Confirmei minha dúvida sobre as fontes, em Roma há ainda mais fontes de água potável do que no Vaticano. Leve uma garrafinha na mochila e você não passará sede. Ou faça como a maioria, beba direto na fonte. Inclusive nas que são monumentos, como na Piazza Spagna.

Ainda sobre os indianos, todos são muito simpáticos. Um em especial, na Fontana di Trevi, batia fotos dos turistas com uma máquina instantânea para ganhar uns trocados. Ao oferecer seu serviço e ter sua oferta rejeitada, oferece então para bater foto com a própria máquina do turista, sem cobrar nada. E para os que desconfiam de tudo e de todos, não é golpe, ele batia a foto e devolvia a máquina, obeservei várias vezes.

Lavar as mãos pode ser difícil

Se em todas as fontes romanas há água potável, lavar as mãos nos banheiros dos restaurantes pode ser algo difícil. Não há torneiras nem sensor automático de presença das mãos nas pias. Na terceira vez, observando um “local”, descobri o segredo, há no chão um ou dois pedais, quase escondidos debaixo da pia. Pise e a mágica acontece. O que no final faz todo o sentido, porque assim você não suja as mãos ao fechar a torneira depois de te-las lavado.

Porque há tantas igrejas em Roma?

Descobri isso também. Somente tendo muita fé para conseguir atravessar certas ruas. Ao conseguir, entre na igreja em frente e agradeça pela graça alcançada 🙂

Café expresso

Ao pedir um café expresso em Roma (e em Florença isso também é verdadeiro), o que trazem é uma microxícara, daquelas bem pequeninhas mesmo, pela metade. Pouco menos de um gole de café, para ser mais exato.