Vaticano

Preciso confirmar ainda se Roma é igual, mas no Vaticano há fontes de água potável em tudo que é esquina. Para chegar, pegamos a linha A do metrô (Roma só tem duas linhas, A e B). Depois de conhecer a Basílica de São Pedro, subir na cúpula e visitar os túmulos dos Papas, uma pizza e um gelato. Uma das melhores pizzas que já comi, num buteco qualquer de esquina.

A Basílica de São Pedro é simplesmente IMENSA. Esqueçam qualquer coisa que falei de Paris em relação a tamanho. Em Roma e no Vaticano, tudo é MAIOR. Paris ainda ganha no quesito luxo e ostentação, mas em história e tamanho Roma e o Vaticano não tem comparação.

spedro

Em detalhes, também não há comparação. No Museu do Vaticano, enorme e com todas as paredes cobertas com afrescos, pinturas, mármores, detalhes, detalhes, detalhes que não acabam mais, os olhos se perdem. A visita acaba na Capela Sistina, o cúmulo dos cúmulos dos detalhes por metro quadrado. Não tem como fixar os olhos em uma coisa só, tantas são as coisas a serem vistas.

Menção honrosa aos americanos, negativa para as senhoras que pularam TODA a visita para ver apenas a Capela Sistina dizendo: “há um caminho direto para a capela, podemos pular a parte chata”, o que significa que não viram nada do Museu do Vaticano, como a coleçãozinha de quadros deles onde meus olhos já cansados de tanta arte de repente reconhece um estilo, olha na plaquinha e vê escrito: Salvador Dalí, vê outro, Van Gogh, e assim vai em frente, detalhe por detalhe, mais atento a uns, passando os olhos por outros, tentando absorver o que o cérebro consegue de tantos excessos. Menção honrosa positiva para o casal com três filhos pequenos explicando cada detalhe para eles, inclusive algumas inscrições em latim que a menorzinha lia e perguntava o que significavam (e eles explicavam).

Muita gente em todo lugar, muita gente mesmo.

Roma, terceiras impressões

Em Roma, todos falam inglês. Logo após o buon giorno tradicional, ao notarem que nossa resposta tem sotaque diferente, automaticamente saem falando em inglês. Não adianta continuarmos perguntando e respondendo em italiano, eles entram em “modo inglês” e não saem. Todos, em todos os lugares. Os italianos amam os ingleses, acho que gostariam de ser ingleses, na verdade. Exatamente o oposto de Paris, onde não apenas não falam inglês como também não fazem o menor esforço para agradar aos turistas que movimentam sua economia. Talvez essa seja uma das razões de haver tão mais turistas em Roma do que em Paris.

Além disso, os ingleses amam Roma e a Itália. Até agora foi o lugar onde mais escutei o idioma de Shakespeare em seu som original. Claro que isso irá deixar de ser verdade em alguns dias, quando estivermos em Londres 🙂

A comida em Roma é muito mais barata do que em Paris, além de servida em porções bem mais generosas. Sanduíches minúsculos que custavam € 8 em Paris são encontrados aqui em versões três vezes maiores por apenas € 3,50. Claro que ainda não bate o € 1 do Bocadillo de Jamon de Madrid

Internet atrasada

A Itália como um todo é absolutamente atrasada em termos de internet. Há uma lei que exige que todos os usuários de internet sejam identificados para o governo, o que faz encontrar internet de graça uma grande gincana. Quando há, é mediante usuário e senha, por tempo limitado, mediante prévio cadastro que envia a senha para um celular italiano previamente registrado, o que impossibilita o uso de quem não possui tal celular. No hotel em Florença, fazem uma cópia do cartão de acesso diário, pedem para assinar esta cópia e copiam teus dados para entregar para o governo. Impressionante, no pior sentido da palavra.

Roma, segundas impressões

Carros

Da mesma maneira que Madrid, Barcelona e Paris, Roma também possui uma enorme frote de carros SMART e Mini Copper, além de Porsches de tudo que é modelo, normalmente Carrera 4, mas também alguns conversíveis mais baratinhos.

Nosso hotel é muito engraçado. Devido ao prédio ser antigo e o hotel ser pequeno, após passarmos pela recepção e nos dirigirmos ao fundo para o elevador, notamos que a área interna era compartilhada com o hotel ao lado. O nosso tinha os andares 2, 3 e 5 e eles possuiam o 1, parte do 2 e o 4. Compartilhavam também o segundo, onde ficava o café da manhã. Uns dias depois, ao descer pelas escadas devido a demora do elevador, descobrimos que as mesmas eram compartilhadas com um terceiro hotel, do outro lado (o nosso ficava no meio).

No café da manhã, naturalmente temos uma máquina de café expresso na cafeteria do hotel. Todas as variedades, caffé latte, expresso, capuccino, moka…

Piazza Navona

Uma praça, tipo as praças de Madrid, lajes e monumentos, mas diferente de Madrid, aqui há fontes, naturalmente de água potável. E tudo enorme, gigantesco. Ao redor, pizzarias, cafés, o básico para uma vidinha simples. Comemos uma das melhores pizzas quattro formaggi da nossa vida.

A noite em Roma é tranquila, no sentido de segurança para caminhar pelas ruas. No sentido de trânsito é Roma, não há como descrever de outra maneira.

Nas ruas, sempre pechinche com os vendedores ambulantes. São todos indianos, tomam conta de cada esquina. Um tripézinho daqueles pequenos para máquinas fotográficas compactas caiu de € 15 para apenas € 5 em menos de 30 segundos. O diálogo foi mais ou menos o seguinte:

– quanto costa?

– fifitin euros – todos falam inglês capenga, não interessa em que língua é feita a pergunta sempre respondem em inglês capenga.

– molto caro.

– qué pagá quanto?

– cinque (tinqüe) euro.

– ok.

Igrejas

Acabo de lembrar do filme do Dan Brown, onde o Tom Hanks fala que a bomba está em uma igreja e o policial responde que em uma área de poucas quadras há centenas de igrejas. É verdade, há quadras onde há uma igreja em frente a outra, e mais uma ou duas nas laterais. Acho que a única coisa que há mais em Roma do que igrejas, são indianos vendedores ambulantes.

Indianos

Acho que há mais indianos do que romanos em Roma. Estão por todo lugar, tomam conta das ruas e espalham seus carrinhos-lanchonete vendendo paninis, pizzas congeladas e sorvetes em toda saída de atração turística.

Divertidíssimos os “romanos” vestidos de gladiadores, cobrando para posar para fotos com os turistas os rendendo, com as espadas no pescoço. € 1 se for mulher e brasileira, € 5 se for homem inglês. As capas que usam possivelmente são do tempo do império romano, tão velhas, gastas e sujas que são 🙂

Confirmei minha dúvida sobre as fontes, em Roma há ainda mais fontes de água potável do que no Vaticano. Leve uma garrafinha na mochila e você não passará sede. Ou faça como a maioria, beba direto na fonte. Inclusive nas que são monumentos, como na Piazza Spagna.

Ainda sobre os indianos, todos são muito simpáticos. Um em especial, na Fontana di Trevi, batia fotos dos turistas com uma máquina instantânea para ganhar uns trocados. Ao oferecer seu serviço e ter sua oferta rejeitada, oferece então para bater foto com a própria máquina do turista, sem cobrar nada. E para os que desconfiam de tudo e de todos, não é golpe, ele batia a foto e devolvia a máquina, obeservei várias vezes.

Lavar as mãos pode ser difícil

Se em todas as fontes romanas há água potável, lavar as mãos nos banheiros dos restaurantes pode ser algo difícil. Não há torneiras nem sensor automático de presença das mãos nas pias. Na terceira vez, observando um “local”, descobri o segredo, há no chão um ou dois pedais, quase escondidos debaixo da pia. Pise e a mágica acontece. O que no final faz todo o sentido, porque assim você não suja as mãos ao fechar a torneira depois de te-las lavado.

Porque há tantas igrejas em Roma?

Descobri isso também. Somente tendo muita fé para conseguir atravessar certas ruas. Ao conseguir, entre na igreja em frente e agradeça pela graça alcançada 🙂

Café expresso

Ao pedir um café expresso em Roma (e em Florença isso também é verdadeiro), o que trazem é uma microxícara, daquelas bem pequeninhas mesmo, pela metade. Pouco menos de um gole de café, para ser mais exato.

Roma, primeiras impressões

coliseu

Indo para Roma, já no avião, “pessoas normais”. Dava para sentir o calor humano somente estando na presença de tais pessoas. Difícil explicar, sentimos no ar a diferença.

Minha irmã manda mensagem dizendo que em Roma iremos nos maravilhar. Acredito nela, além de toda concentração histórica da região há também a comida. Nisto temos também a confirmação da Betina, filha do amigo Ralph. Morando na França há três anos, diz que em Roma se come melhor e mais barato.

No avião, poltronas verdes nos dão o tom nacionalista italiano. Não tenho como explicar a felicidade de entrar no avião e poder dizer buon giorno para a tripulação. Estou desde Madrid misturando as línguas, cuspindo meu italiano na Espanha e na França. Agora poderei falar com quem me entenderá mais facilmente. A expectativa é grande mas tenho certeza que será totalmente realizada. Logo antes de embarcar já começava a me sentir em casa.

Excesso de expectativa é complicado:

  • levou quase uma hora para nossas malas aparecerem na esteira de bagagens e no meio do processo a mesma queimou e ficou mais uns 15 minutos parada;
  • as indicações no aeroporto para a estação de trêns usava um tipo de figura, junto com o aviso escrito. No meio do caminho, somem tais indicações, somem os avisos escritos e o trêm passa a ser indicado por um símbolo diferente, o que me confundiu e me fez procurar ver se estava indo na direção certa;
  • ao chegar na plataforma do trêm e ir ao balcão de informações turísticas descubro que um mapa da cidade, de quem deveria recepcionar bem quem vem trazer dinheiro para a cidade, custa € 2. Isso foi solucionado no hotel, onde haviam vários mapas a nossa disposição gratuitamente;
  • com todos os atrasos, perdemos o primeiro e o segundo trêns para o centro da cidade. Mais 30 minutos de espera até o terceiro trêm.

Apesar de tudo, é bom sentir o cheiro de massa e pizza já no aeroporto.

Logo na entrada do trêm, Roma mostra sua cara. Fila para quê? As pessoas vão se enfiando umas por cima das outras, empurrando para entrar antes no trêm. Não entendo pra quê, chegaremos todos juntos no final.

A viagem rápida com o Leonardo Express é tranquila, em 30 minutos chegamos em Termini, a estação próxima do nosso hotel, que fica a apenas 150m da mesma. Mas a estação é enorme e desembarcamos no extremo oposto, quase um quilômetro de distância. Com malas de 20Kg cada um, foi um belo exercício. Claro que por termos sido quase os últimos a entrar no trêm, fomos os primeiros a sair. Bem feito para os apressados que estavam empurrando todos no aeroporto.

As 17h30 de segunda-feira, vemos o que é Roma. Centenas de carros vindo de todos os lados, poucas sinaleiras, gente que não acaba mais. Gente, gente, gente, muita gente mesmo. Roma é uma loucura e neste momento isto não é um elogio. vamos ver se amanhã a cidade se mostra mais amigável ou se nós nos tornamos mais adaptados a esta selva.