A Semana do Presidente

Lembro de quando era pequeno e assistia TV no domingo. Acho que era no fim dia, junto do Programa Silvio Santos. Não lembro de muitos detalhes, mas tenho certeza de que era no SBT e se não me engano, tinha narração do Lombardi, a eterna voz. O programa era curtinho, resumia o que o Presidente havia feito na semana. O único Presidente que lembro de ter isto era o Figueiredo.

Independente deste programa ter sido uma imposição da ditadura militar em troca da concessão do canal, ou algo parecido com isso, acho que a idéia é bastante válida para implementar no campo pessoal. O pessoal que perde tempo pesquisa organização e otimização do tempo, como técnicas GTD e coisas do tipo, costumam ter algo como “revisão semanal”. Acredito que um tempo dedicado a reflexão do que aconteceu na semana, não apenas as tarefas realizadas, mas as pessoas com quem se conversou e as lições aprendidas, é algo que pode trazer grande conhecimento de si mesmo e acelerar o crescimento pessoal.

Meu texto de retrospectiva dos últimos 15 meses teve bastante repercussão, recebi diversos emails fazendo comentários complementares ou tentando a ajudar a resolver uma ou outra questão comentada. Algumas pessoas escreveram simplesmente para agradecer, por se verem refletidas em algumas das situações descritas. Vou fazer a experiência de algo mais formal, não sei se será toda semana ou se uma revisão mensal já seria o suficiente, mas começa hoje, de maneira oficial:

A Semana do Presidente

Esta semana participei da apresentação de um novo plano de consórcios da Rodobens, logo na segunda-feira. Lançaram um plano para compra de veículos usados, basicamente um consórcio como outro qualquer, já que todo consórcio de veículos, motos ou caminhões pode ser usado para compra de qualquer veículo, novo ou usado. O título na verdade se refere à faixa de valores, entre R$ 12.000 a R$ 24.000, uma faixa ainda não coberta pela Rodobens, que possuía consórcios de menor valor com os consórcios de moto e de maior valor com os de veículos em duas faixas distintas, a partir de 24.000 para o carro mais barato. Então, querendo um consórcio de veículos entre R$ 6.000 a R$ 300.000, pode contar comigo. Lembrando que consórcios de veículos são a melhor maneira de automatizar e otimizar a questão de renovação da frota, seja de apenas um veículo de uso particular, seja de uma empresa com dezenas de veículos rodando diariamente.

Tive algumas frustrações profissionais neste mesmo dia, nada que valha a pena comentar em detalhes, apenas o de sempre, pessoas fazendo patetices sem sentido, criando regras rígidas onde a flexibilidade seria muito mais adequada para elas. Nada que não se resolva rapidamente, mas me impressiona como podem andar para frente tais pessoas. É um passo para frente, dois para trás.

Na terça-feira tenho uma longa página em branco na agenda e na quarta-feira, apesar de ter vários rabiscos, simplesmente não trabalhei. Passei ambos os dias divagando sobre questões existenciais, seja em casa, seja vendo alguns seriados que ainda não tinha posto em dia (a saber, assisto The Mentalist, The Big Bang Theory, Hawaii 5.0, The Game of Thrones e House).

Teria uma reunião importante com uma grande administradora de consórcios (que não é a Rodobens), mas o pessoal que ficou de me ligar para confirmar o horário simplesmente não ligou. Não sei se não vieram a Porto Alegre (falaria com o diretor geral e acionista principal da empresa) ou se arranjaram compromissos mais importantes do que eu. Semana que vem descubro isso.

Também passei um bom tempo pesquisando sobre mochilas, mais especificamente as Goruck, da qual a que mais se adapta ao meu perfil é a Goruck Radio (fica a dica para quem quiser me dar um presente qualquer hora destas). É uma mochila cara, mas feita de cordura 1000D que dura a vida toda e fabricada nos Estados Unidos, com mão de obra americana, coisa que eles explicam exaustivamente no site. A empresa foi fundada por um ex-fuzileiro naval, buscando criar produtos que aguentem qualquer parada. Também a garantia deles é para toda vida, ou seja, se rasgar, raspar, falhar um zíper (YKK made in USA), ou qualquer coisa deste tipo, é só mandar para eles que consertam sem cobrar nada.

Ontem, quinta-feira, o dia foi de grandes questões pessoais. Refleti sobre a mudança para São Paulo, no próximo dia 22, sobre as reformas necessárias no apartamento que compramos no início do ano e onde estamos vivendo desde então e sobre diversas questões mais subjetivas como viagens e a importância que viver novas experiências tem na minha vida.

Quinta-feira também foi um longo dia de trabalho, respondendo diversos emails. A maioria das pessoas não sabe exatamente como eu trabalho, como faço as vendas de novos consórcios para os investidores e interessados em imóveis que atendo ou o que pode ser meu dia a dia. Para ter uma idéia, somente ontem eu respondi emails relativamente longos e bem detalhados para 14 novas pessoas. Estas são pessoas que antes disso, nunca tinham entrado em contato comigo, ou seja, novos amigos que fiz nesta semana. Na segunda-feira, tinha oito novos contatos deste tipo, então foi uma semana relativamente tranquila, onde conheci apenas 22 novas pessoas até agora (vai aumentar, pois já dei uma bisbilhotada nos emails que ainda tenho na caixa de entrada).

Para dar uma idéia mais efetiva, desde o início do ano já conheci e respondi 381 pessoas novas, com as quais ainda não tinha falado pessoalmente ou por email. Conhecer estas novas pessoas é uma das coisas mais legais do meu trabalho. Aprendo muito com a vivência diferenciada de cada um. Além destas, respondi dezenas de pessoas com quem já tinha uma linha de contato prévia. Meus dias profissionais são, basicamente, respondendo emails com dúvidas de possíveis clientes, de investidores que desejam iniciar seus projetos, de pessoas que sonham com a casa própria e precisam de ajuda para encontrar a melhor maneira de realizar isto e de empreendedores que veem minhas realizações pessoais e profissionais e desejam se espelhar em mim para alcançar seu sucesso pessoal. Agradeço todos os dias por poder conhecer e ajudar tanta gente interessante, mas agradeço mais ainda por poder aprender com tanta gente interessante.

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Então era isso, o formato me lembra um pouco alguns capítulos dos livros do Donald Trump, onde ele descreve uma semana de trabalho dele. No segundo livro em que usou esta técnica, comentou que obteve bastante resposta aos capítulos em que fiz isso pela primeira vez. Nos próximos, penso em ser um pouco mais específico em alguns pontos, com detalhes de tarefas e os resultados esperados. Algumas coisas tem que ficar guardadas enquanto não são lançadas ao mundo, então infelizmente não poderei falar de todos os detalhes de negócios que estão acontecendo, mas vou tentar relatar o máximo possível.

Agora começa um novo dia, para os curiosos de plantão, normalmente como granola com leite e alguma fruta no café da manhã. Caminho 5Km, tomo um banho e começa meu dia profissional. A parte da caminhada vinha sendo deixada para trás nos últimos tempos, mas hoje retomo isto também. Sexta-feira é um dia especial, almoço com os amigos da época da faculdade. Com a mudança para São Paulo, vamos ver se consigo manter isso com os desgarrados que já foram antes de mim.

Retrospectiva dos últimos 15 meses

Este é um daqueles textos que costumo escrever para mim mesmo, sem intenção de publicar. É algo como “meu querido diário”, uma conversa minha comigo mesmo, para reflexão e para quem sabe, lembrar de como eram as coisas alguns ou muitos anos atrás. Só que o ano passado foi um ano de muitas realizações e de muitos desafios pessoais, com coisas boas e ruins acontecendo quase todas as semanas. Anos assim são bons, pois saímos da rotina, e saindo da rotina, aprendemos. Enviei este texto em diversas versões, algumas mais acabadas, outras menos, para alguns amigos mais próximos. Todos falaram o mesmo: publica, que mais pessoas podem aproveitar ou aprender alguma coisa com estas experiências. Então aqui está, um breve relato do que aconteceu na minha vida nos últimos 15 meses, com comentários sobre os fatos e algumas coisas que já destilei de aprendizado. Espero que a leitura seja útil para você, como foi para mim o fato de ter escrito isso.

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O ano de 2011 foi bastante intenso para mim. Há anos sonhava em morar no Silicon Valley, na California.. Sonhava viver onde toda a história da tecnologia acontece. Finalmente, depois de anos de espera e prorrogações sem fim, estava decidido a viver esta aventura. Iria morar lá durante seis meses, sem grandes planos prévios. Era viajar e viver um dia após o outro, com todas as descobertas e desafios que isso me traria. Iria com minha esposa, que não via a aventura com a mesma expectativa que eu, mas que sabia o quanto isso era importante para mim e meu desenvolvimento pessoal. No final, aconteceu tudo diferente e ela se divertiu bastante, mas chego nestes detalhes em breve.

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Esse negócio de morar no Silicon Valley era como a história do Jeep que comprei (dois, um azul e um prata). Sempre havia sonhado em ter um Jeep antigo, até que um dia comprei. Foram duas felicidades, a de comprar e a de vender poucos meses depois. Não nasci para isso, mas descobri da minha maneira, na prática. Com a Harley-Davidson foi diferente, experimentei e gostei muito, tive duas Harleys. Vendi porque cada coisa tem seu momento para acontecer, e no caso das motos, o momento foi e não é mais agora. Certamente voltarei a ter uma Harley no futuro não muito distante.

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Bom, falei que 2011 foi um ano intenso. A viagem para os Estados Unidos estava marcada para março. No meio de fevereiro, no entanto, um convite completamente inesperado chega no meu email. Um amigo, investidor da minha empresa de consórcios imobiliários que morava no Japão, pergunta se não gostaria de ir visitá-lo na Terra do Sol Nascente para explicar o investimento em consórcios e desenhar um plano de aposentadoria para dekasseguis que moram e trabalham lá com o objetivo de voltar ao Brasil com condições de viver uma vida digna com o patrimônio que conseguem construir com o que ganham lá. Naturalmente disse que adoraria conhecer o Japão e conhecer todos pessoalmente. Falei da minha viagem para os Estados Unidos e disse que estando lá, seria até mesmo mais fácil, pois estaria mais próximo do Japão. Perguntei quando ele gostaria que eu fosse e a resposta me pegou de surpresa: se possível, antes de ir aos Estados Unidos.

Mandei um email para outro amigo, agente de viagens, perguntando sobre os custos e possibilidades de passagem para o Japão nas datas estimadas. Ele não apenas me mandou os valores, mas fez um pouco mais, fez as reservas. Se realmente quisesse viajar, bastava avisar que ele confirmaria as passagens. Mais alguns emails e telefonemas e estava tudo certo, eu e minha esposa embarcaríamos para o Japão em menos de uma semana, para ficar por lá durante vinte dias. Prorrogamos as passagens para os Estados Unidos para duas semanas depois da nossa volta e uns dias depois iniciamos nossa jornada para o outro lado do planeta.

Viagem maravilhosa, pessoas incríveis, histórias de vida que me tocaram e me fizeram conhecer uma nova realidade. Agradeço muito por poder ter tido as experiências que tive enquanto estive por lá. Escrevi sobre a experiência em textos anteriores a este.

Saímos do Japão poucas horas antes do tsunami e terremotos que atingiram a ilha. Estávamos voando quando a tragédia estava acontecendo. Muita sorte. Se a tragédia acontecesse poucas horas antes, não teríamos conseguido partir.

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Ao voltar do Japão e preparar a ida para os Estados Unidos, problemas. Minha sogra teve algo em um dos olhos que ficou “cego”. Como isso era acompanhado de enxaquecas, a preocupação com algo mais sério no cérebro foi algo que cogitamos. Exames e mais exames não identificavam o problema e com isto acontecendo, naturalmente prorrogamos a viagem uma segunda vez. E ainda uma terceira vez, até descobrirmos o que havia com ela.

Algumas semanas depois, com direito a internação hospitalar para observação e toda a preocupação que isso implica, finalmente descobriram o que havia de errado e como tratar o problema. Com a situação sob controle, voltamos ao plano da viagem. Partimos dia 27 de maio.

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Morávamos em um apartamento enorme em um bairro maravilhoso da cidade. Compramos bem, pagamos barato. Na época era um passo muito maior que a perna e a justificativa maior para a compra foi para ajudar a tapar um pouco o buraco emocional enorme causado pela perda do meu cunhado para um câncer, com apenas 29 anos de idade. O impacto disto para minha esposa e minha sogra não pode ser descrito com palavras. Alguma coisa boa precisava acontecer naquele ano, naquele mês, e este passo enorme na compra de um apartamento maravilhoso, mas que não sabíamos como pagar foi o que fiz, sem pensar muito nas consequências futuras. Isso aconteceu em 2008.

Passo dado, felizmente as coisas deram certo, os negócios prosperaram e tudo acabou bem. Ou quase. O apartamento era bastante antigo e nunca havia sido reformado. Sistematicamente cada pedaço do apartamento começou a entrar em colapso, culminando com os encanamentos que nos levaram, nas semanas que antecediam a mudança para o Silicon Valley, a fechar os registros e ficar sem água quente nos banheiros principais. Tivemos que reativar o banheiro da área de serviço, que havia se transformado em uma pequena despensa, comprando um chuveiro elétrico e adaptando uma espécie de cortina no local onde ficava a porta, que havia sido retirada anos antes, logo que nos mudamos para lá.

Havíamos colocado o apartamento a venda muito tempo antes, quando ainda pensávamos que poderia não ser possível bancar o custo do mesmo. Além disso, como compramos bem, havia a possibilidade de ter um bom lucro com ele, nos permitindo dar outros passos mais adiante. Dois anos se passaram e muitas ofertas vieram, mas gostávamos de lá, e com as coisas dando certo nos negócios e o pagamento do apartamento não sendo mais problema, uma venda só seria feita se tivéssemos um bom lucro no negócio. Com os problemas que começaram a acontecer, já estávamos propensos a aceitar ofertas menores do que estávamos pedindo, para não precisar passar pelas reformas que teriam que ser feitas se fôssemos continuar lá. Ofertas vieram e vendas deixavam de ser concluídas por detalhes irrelevantes. Era como se não fosse para vender o apartamento naquele momento e naquelas condições.

Fechamos tudo e fomos para os Estados Unidos. Como uma das negociações havia sido praticamente concluída, com a compradora desistindo na última hora, já havíamos até mesmo nos desfeito de alguns móveis maiores e encaixotado todos nossos objetos pessoais. Nossos pais ficaram com as chaves para qualquer emergência enquanto estivéssemos fora e algumas imobiliárias continuariam marcando visitas na nossa ausência.

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Os três meses nos Estados Unidos foram fantásticos. Completamente diferentes do que havíamos “não planejado”. A idéia original era alugar um apartamento pequeno e ter uma base no Silicon Valley para viver o dia a dia da região. No final das contas acabamos morando em hotéis o tempo todo, tendo mais flexibilidade, viajando mais e conhecendo mais locais do que o previamente imaginado. Até o Hawaii, nunca pensado antes de sairmos do Brasil, ganhou nove dias de nossa presença.

Foram três meses no total, intercalando meu trabalho no Brasil com os consórcios e investimentos imobiliários executado através da internet, passeios nos momentos em que o fuso horário não permitia o trabalho no Brasil, e viagens por outras cidades e estados, incluindo Reno, Lake Tahoe, Grand Canyon, Las Vegas, San Diego, Los Angeles, Santa Barbara, San Simeon e o Hearst Castle, Carmel e Monterey, Santa Cruz, Half Moon Bay e o Ritz-Carlton, Berkeley, Emeryville e a sede da Pixar, voltando ao coração do Silicon Valley com Sunnyvale, Mountain View, Palo Alto, Santa Clara e San Jose, não esquecendo, claro, de San Francisco, onde assistimos não apenas a ópera O Anel do Nibelungo, de Richard Wagner, mas também a famosa Parada Gay, para finalmente embarcar rumo ao Hawaii e então voltar para o Brasil. Um período sabático relativamente curto, mas bastante bem aproveitado. Tendo curiosidade sobre a viagem, publicamos os detalhes em um blog exclusivo para isso em http://viagemperuzzo.blogspot.com.br/

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O Hawaii é simplesmente fantástico. Eu, que não sou dos maiores fãs de praia, simplesmente amei tudo por lá. Foi o único lugar em que realmente tirei férias de verdade, daquelas de não fazer nada, cercado pela beleza mais deslumbrante que poderia haver e com a civilização e todos os seus confortos sempre a disposição. Os mesmos shopping centers e lojas encontrados em todo lugar nos Estados Unidos estão presentes também no Hawaii.

O povo local é absolutamente amável, adorando sua cultura e sua história. Andando na rua, mais de uma vez fomos abordados por locais que perguntavam se estávamos gostando da ilha, se já tínhamos visto isso ou aquilo, dando orientações de como chegar nos melhores locais. E da mesma forma que nos abordavam para conversar, se despediam e seguiam seu rumo, sem tentar nos vender coisa alguma, simplesmente felizes de poder indicar algo interessante para conhecermos.

Os turistas no Hawaii são em sua absoluta maioria japoneses. A viagem do Japão para o Hawaii é de 7 horas. Da Califórnia para lá é de 5 horas, então em termos de distância, não é essa a explicação para tal invasão nipônica. O fato é que tudo lá possui indicação em japonês junto com as orientações em inglês. Em alguns locais há somente indicações em japonês. Dos hábitos curiosos dos turistas japoneses o mais “diferente” dos nossos é o fato de irem para praia completamente cobertos, com mangas compridas, calças compridas, muitas vezes blusas com capuz cobrindo a cabeça e sempre com toalhas ou algo protegendo a pele não coberta por roupas do sol.

Pensando em um lugar onde o clima é sempre bom, o povo amável, há diversas opções de lazer e a beleza natural é indescritível, não conheço lugar melhor que o Hawaii para uma temporada espetacular.

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Certas coisas não deveriam acontecer, mas infelizmente acontecem, e nos pegam completamente desprevenidos, nos deixando sem ação. Aquela frase de que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, MENTIRA! Ainda estávamos nos Estados Unidos quando veio a notícia: minha prima, com pouco mais de 40 anos, teve detectado um câncer. Faleceu em 62 dias, logo após termos voltado. Já ter passado por isto uma vez não nos prepara para repetir a dose. Tudo é revisto quando nos damos conta de como é frágil a linha que nos mantém aqui. Falei sobre isso em um vídeo que publiquei logo após o acontecido.

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Voltamos ao Brasil dia 31 de agosto. Assinamos a venda do apartamento dia primeiro de setembro pelo valor que estávamos pedindo originalmente, sem choro, sem descontos. O lucro com este negócio foi o rendimento do valor que havíamos pago pelo imóvel, mais o fato de termos morado “de graça” ao longo dos três anos em que ficamos lá. O comprador também fez um excelente negócio, por isso não pechinchou. Comprou um apartamento gigantesco na melhor região da cidade por um valor ínfimo perto do que estava sendo pedido por apartamentos semelhantes. Só viríamos a descobrir isso depois de ter assinado a venda…

Vendemos, mas não tínhamos onde morar. Hora de procurar um novo apartamento. E aí é que estava o problema, os preços, nos meses em que estivemos fora, simplesmente dispararam de maneira fora do comum. Não havia mais imóveis na faixa de valores que tínhamos a disposição. Todos que procuramos e olhamos eram absurdamente piores do que o nosso antigo apartamento. E todos muito mais caros! Um início de depressão começou a se instalar em nós. Tínhamos prazo para entregar o apartamento e uma pequena esperança de encontrar algum lugar para morar antes da próxima viagem já marcada, para Cancun e Miami como prêmio da Rodobens pela performance em vendas durante o ano.

Perdidos entre procurar apartamentos para comprar ou alugar, acabamos não achando nem um nem outro. Na última hora conseguimos uma solução paliativa, com amigos/parentes que recém haviam comprado um apartamento novo e não iriam se mudar imediatamente, nos disponibilizando o mesmo em um aluguel direto, sem contratos longos, por apenas dois meses que imaginávamos ser suficientes para conseguir finalmente achar um apartamento adequado para comprar. Oferecemos o dobro do que custaria o aluguel lá, mais ou menos o que custaria para alugar um apartamento muito maior, com o dobro do espaço, mas a conveniência de não ter um contrato de longa duração valia a pena o custo maior.

Se arrependimento matasse… E falo isso sobre a venda do apartamento enorme e do aluguel caro e por pouco tempo do apartamentinho novo. Em ambos casos desobedeci minhas próprias regras, de não me desfazer de patrimônio já conquistado e de não pagar mais do que valem as coisas (no caso do aluguel).

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Sair de 162 metros quadrados para apenas 49 é complicado. Mais complicado é mudar para um apartamento que ainda não havia sido completamente entregue. Não havia pia na cozinha, então tínhamos o tanque para lavar a louça. Não havia espaço para nossos móveis, muito grandes para o novo espaço. Conseguimos a garagem de um amigo para deixar sofás, armários e outros móveis grandes. Tínhamos todas nossas caixas ocupando o quarto maior do apartamento, sem espaço para circular no mesmo. No quarto menor coube nossa cama de casal, sobrando 20 cm de cada lado. Não havia espaço para fechar a porta, pois a cama trancava o curso da mesma.

Não tínhamos fogão. O gás neste prédio novo vem direto do gasoduto, uma novidade em Porto Alegre. O fogão precisava de uma adaptação para funcionar com a menor pressão do gás natural que vem desta forma. A Sulgas, empresa responsável pela comercialização, faz esta adaptação sem custos, mas apenas com dia e hora marcados previamente. Somente em um dia da semana, marcado na semana anterior. Com a viagem para Cancun e Miami no meio deste período, se fizéssemos a adaptação, seria para apenas duas semanas, tendo que desfazer depois, com custo, quando desocupássemos o apartamento. Aprendemos a cozinhar com uma panela/grill elétrico, a usar mais o forno de microondas e a comer fora com maior regularidade.

Algumas semanas depois o pessoal que iria entregar os móveis da cozinha, área de serviço e banheiro foram lá instalar tudo. Retiraram o tanque original que estava nos servindo de pia para instalar o armário onde ficaria um tanque de alumínio. Retiraram a pia do banheiro e instalaram o armário lá. Neste momento não tínhamos mais tanque, nem pia da cozinha, que nunca havíamos tido, nem pia no banheiro. Sem o tampo de pedra dos móveis, adaptei a pia solta que haviam deixado no banheiro com a torneira que havia sobrado da pia antiga que haviam levado embora.. Então nossa vida agora dependia de uma pia bamba no banheiro para escovar os dentes, e também para lavar a louça.

Quando chegou a vez de entregar o tampo de pedra das pias e do tanque, mais um problema. O local onde ficava a máquina de lavar teria uma bancada de pedra no lugar da máquina. Os proprietários pretendiam comprar uma máquina de lavar com porta frontal e a nossa era com abertura superior. No final das contas um cano que deveria ficar abaixo de onde seria instalada a bancada estava acima da mesma, tendo que quebrar a parede e refazer a posição. Isso ficou para depois da nossa saída, então ainda tínhamos a máquina de lavar roupas funcionando.

A situação estava complicada. Não dá para esquecer que junto de toda esta bagunça nas rotinas do dia a dia, também estávamos sem acesso decente à internet. Não havia como contratar a internet que queríamos no bairro onde estávamos e a que não queríamos, mas que resolveria a situação paliativamente, tinha um contrato de dois anos que não fazia sentido assinarmos.

Complicava ainda o fato de não estarmos encontrando um apartamento para comprar com o valor que havíamos recebido pela venda do nosso. Sei que tudo que sobe, uma hora desce, ou ao menos deixa de subir e o dinheiro investido alcança o valor mais cedo ou mais tarde, mas a situação estava emocionalmente complicada. E com emoção, não há razão que resolva.

Foi um período complicado. Mesmo.

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Mais um ano como representante categoria Diamante na Rodobens e mais uma vez, uma viagem internacional para a convenção anual de premiação. Em 2010 havia sido Paris, 2011 era Cancun e Miami. Viajar no meio da bagunça que estava nossa vida pessoal não foi o melhor momento, mas lá fomos nós mesmo assim. Seria interessante conhecer um lugar que todos falavam bem e no fundo queríamos ver se encontrávamos uma alternativa de praia tão boa, mas mais próxima do que o Hawaii.

Cancun tem águas lindas e quentes, mas não conseguimos conhecer direito as coisas por lá. Em parte, tínhamos a programação da Rodobens a nos tomar algum tempo, afinal era um misto de prêmio com trabalho, mas o maior problema foi o clima não ter ajudado. Mudanças climáticas enormes fizeram um furacão passar por lá justamente no dia que teríamos livre, com direito a quartos alagados e tudo mais. Ficamos presos no hotel, com o exército na praia impedindo a circulação. No dia seguinte, tudo tranquilo, como se não houvesse havido nada, mas aí eu estava com uma dor de cabeça insuportável e fiquei dormindo no quarto do hotel. Dia perdido. De noite fomos ao restaurante Pericos, um restaurante com show local onde o próprio lugar é todo decorado com as famosas caveiras mexicanas, muitas cores e muita diversão. Temos que voltar, mas com mais tempo e com clima melhor.

Miami continua sendo Miami, um pedaço da América Latina encravado nos Estados Unidos. Pegamos dois dias de chuva, um deles inteiro dentro de um shopping center. Bom para a maioria dos representantes da Rodobens que estavam conosco nesta etapa da viagem, mas para nós, que vamos seguido para os USA e de onde havíamos acabado de voltar havia poucos meses antes, foi uma enorme perda de tempo. Valeu a pena a ida para Miami por ter conseguido achar e comprar o aparelho APAP que precisava para tratar minha apnéia do sono.

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Depois de visitar inúmeros apartamentos e descartar muitos mais diretamente pelas descrições das imobiliárias, finalmente colocamos os olhos no apartamento dos nossos sonhos pelo valor correto. Trocamos o espaço físico que tínhamos no apartamento antigo por uma estrutura de condomínio (piscinas, salão de festas, sala de ginástica, bosque, quadra de tênis, etc.). Permanecemos no mesmo bairro, a duas quadras de onde morávamos. Trocamos um segundo andar com vista para a rua e posição solar mediana por um oitavo andar com a melhor posição solar possível e uma vista simplesmente deslumbrante da cidade. A disposição das peças é ótima, perfeita para nossas necessidades. Simplesmente encontramos o apartamento que nos servirá tranquilamente pelos próximos anos, incluindo aí os filhos que pretendemos ter e todo o espaço para eles e crescerem com segurança e tranquilidade.

O parágrafo anterior foi escrito no final de 2011, logo após a compra do apartamento, ainda animados com o achado. Escrevo este parágrafo em abril de 2012, instalados aqui desde 28 de dezembro de 2011, mas ainda “acampando”, sem ter feito a reforma que gostaríamos, por ainda estar decidindo detalhes da futura decoração. As coisas estão bem complicadas ainda, emocionalmente falando. Parece que ainda não nos encontramos em relação às coisas. Estamos numa espécie de limbo emocional desde a venda do apartamento antigo. Espero que a reforma resolva esta questão.

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Foram muitos os sinais que recebemos indicando a necessidade de venda do apartamento em que estávamos. Apesar de grande, não estávamos completos ou tranquilos lá. Era ótimo, mas parecia não ser o local certo para nós. Com a venda e então a busca por alternativas, e a sequência de frustrações em encontrar algo que nos atendesse por valores factíveis, veio o medo de que tivéssemos feito o melhor negócio financeiro de nossas vidas, mas ao mesmo tempo, o pior negócio possível para o futuro da nossa família. A leve depressão que estava começando logo depois da venda do apartamento e a onda de imóveis fora das nossas possibilidades, potencializada com a mudança para a situação de “acampamento” do apartamento provisório que conseguimos estava começando a tornar a vida bastante insuportável.

Agora, com as coisas se normalizando, com o novo apartamento já comprado, faltando apenas alguns dias para nossa mudança para o novo lar e a tranquilidade voltando às nossas vidas, fico até um pouco envergonhado de escrever isso, porque penso: como posso entrar em depressão com alguma reserva de dinheiro no banco, os negócios e empresas andando bem, saúde em ordem e uma vida inteira pela frente? A questão é que nossa mente é algo que não sei explicar, e o fato é que a depressão, que neste momento já me parece completamente ridícula, há poucos dias atrás parecia o fim do mundo e o início de uma vida de privações sem fim, onde iríamos cada vez mais para o fim do poço.

Não sou ingênuo nem alienado, sei dos problemas do mundo, sei das dificuldades imensas que a absoluta maioria da população passa. Sei que gente passa fome, vive nas ruas. A idéia de ficar deprimido por “não ter onde morar”, podendo alugar qualquer imóvel com um estalar de dedos, agora me parece ridícula. Ainda assim, é exatamente desta maneira que estava me sentindo, deprimido, como se o mundo fosse acabar para minha família se a situação perdurasse por mais tempo.

Como li ainda hoje no twitter: “minha filha, pobre não tem direito a depressão, para poder ter direito a ficar deprimida tu tens que ganhar muito mais.”

No final das contas, esta situação toda serviu como um toque de humildade e empatia com algumas pessoas que me escrevem. Estando fora da situação que elas estão vivendo, muitas vezes penso: “como é que podem estar deprimidas, não vêem que não há motivos para isso, que as coisas podem estar um pouco piores do que estavam, mas em breve se resolverão. E que se não voltarem a ser tão boas como eram, ainda assim são completamente aceitáveis, sem dramas, afinal, têm um teto sobre suas cabeças, um emprego que paga as contas e um futuro inteiro pela frente”. E no final, vivendo algo do tipo, lá estava eu, deprimido com uma situação muitas e muitas vezes melhor do que a que eu mesmo vivia há poucos anos atrás.

Que esta experiência me deixe isso de lição: “não julgar nunca como os outros podem estar se sentindo, o que parece patético para nós pode ser bastante sério para quem está no meio do furacão, hoje eu sei disso, senti na minha própria pele.”

E que me deixe ainda a outra lição importante: nada é definitivo, tudo se resolve, mais cedo ou mais tarde, de uma forma ou de outra. Pode não voltar imediatamente ao mesmo patamar onde estávamos, mas as vezes, é preciso dar um passo para trás para então poder dar dois para frente.

Há quatro anos atrás eu tinha cinco vezes menos patrimônio do que tenho hoje, e a vida estava fantástica, cheia de possibilidades. Meu EU daquela época deve estar rolando de rir de mim agora. E deve estar me xingando muito, porque vou te contar, olha para a situação, coloca as coisas no papel, compara com alguns anos atrás. Um tombinho por um negócio aparentemente errado não pode tirar uma pessoa do prumo como me tirou nestas últimas semanas. E pior, com a compra do novo apartamento, não houve nem tombo nem tombinho, pelo contrário, houve uma evolução na vida, nas possibilidades e nas felicidades que estão por vir. Desculpa Fabrício de hoje, mas o Fabrício de quatro anos atrás com certeza está rindo de ti até agora. Isto é patético.

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Como escrevi no início, não tinha a intenção de publicar este texto, mas foi bom escrever tudo isso. Me ajudou a colocar as coisas novamente em perspectiva. Então publico para servir como exemplo de que viver é estar constantemente passando por experiências novas. E quando estas experiências parecem não ser as melhores, que este texto ajude a vislumbrar que dias melhores virão. Nunca acaba enquanto não termina. E só termina quando dizemos que terminou.

Sou feliz, e os momentos difíceis servem para testar a força que não sabemos ter até precisar contar com a energia que possuímos lá dentro de cada um de nós. Vencemos mais uma batalha. Na próxima, estaremos mais sábios e mais preparados.

Este foi meu ano de 2011. Como foi o seu?

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Continuo a escrever em abril de 2012. Os três primeiros anos foram bagunçados emocionalmente, as coisas ainda não estão bem resolvidas e a reforma que precisamos fazer no apartamento não está acontecendo ainda. Indecisões, indecisões. É o problema de ter muitas possibilidades, todas igualmente boas. A dor da escolha…

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Já nos negócios, os dois últimos meses foram os melhores que já tive em toda a história da Megacombo e de qualquer outra empresa que já possuí. Vendi três vezes mais do que minha média mensal, durante dois meses seguidos, com tendência a continuar assim ou até melhorar. Em paralelo a isso, tenho um projeto de negócio que pode alçar a vida a vôos ainda mais altos, muito mais altos. As coisas estão realmente muito boas na vida profissional. Deve ser aquela coisa de equilíbrio, de depois da tempestade vir a bonança…

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No próximo dia 22 mudamos para São Paulo. O apartamento em Porto Alegre permanece conosco, claro. Não cometeremos a mesma burrice de vender antes de termos outro, ou melhor, não nos desfazemos mais de patrimônio, só acrescentamos, sem tirar. Mas voltando para o assunto São Paulo… Nos mudaremos para testar algumas possibilidades comerciais. Tenho o projeto de negócio que citei antes, tenho os negócios com investimentos imobiliários e com investimento em consórcio que são minha especialidade, enfim, faremos um período sabático de pelo menos três meses, sem prazo definido para concluir, para ver como as coisas se comportam.

Em outras vidas devemos ter sido ciganos, porque vai gostar de mudanças assim sei lá onde… Como digo, cada mudança, cada nova experiência em que nos colocamos, mais temos a aprender. Mesmo as experiências ruins, talvez até mais estas, tem muito a nos ensinar.

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Era isso. Se você leu até aqui, parabéns pela paciência. Espero que este texto possa ter ajudado em algo. Obrigado pela atenção.

Quanto custa uma furadeira?

Drill

Recentemente mudamos de um apartamento de 162 m² para outro de apenas 49 m². A mudança é temporária, apenas enquanto não compramos um novo apartamento, menor do que o que tínhamos, mas maior do que estamos neste momento. O importante é que a adaptação ao novo espaço é real, e vindo do espaço que tínhamos antes, um pouco complicada. Pelo menos durante os dois meses previstos morando neste pequeno apartamento, uma série de coisas que tinhamos como certas deixaram de existir. Como iremos ficar aqui apenas neste período de transição, não temos acesso à maioria das nossas coisas, tudo está encaixotado e empilhado em um dos quartos (o maior), enquanto nossa cama ocupa o quarto menor. A sala está mais ou menos arrumada, apesar das caixas empilhadas em um canto, mas devidamente disfarçadas com uma cortina que as cobrem.

Apesar de alguns probleminhas de adaptação principalmente devido à pressa com que fizemos a mudança, a situação não está tão ruim assim. A falta de uma pia na cozinha incomoda um pouco, mas nos viramos bem lavando a louça no tanque, que só é usado para isso, já que temos a máquina de lavar roupa já instalada. Uma vantagem de não ter pia na cozinha é justamente não deixarmos louça suja acumulando. Estamos muito mais ágeis no ato de usar copos, pratos e talheres e lavar tudo logo a seguir. Só para explicar, estamos sem pia na cozinha porque pegamos este apartamento na urgência, sem dar tempo do proprietário preparar tudo adequadamente. O marceneiro está fazendo o balcão e tudo ficará ótimo, mas quando isso acontecer já não estaremos aqui. Também estamos sem fogão. O novo prédio é mais moderno, usa gás natural encanado, então é necessário adaptar o fogão para o novo sistema. A companhia de gás faz isso sem custos, mas as visitas são marcadas apenas para as sextas-feiras, e estaremos viajando nas próximas três sextas-feiras. Resultado, só conseguiremos fazer a conversão três semanas antes de sairmos daqui, quando então teremos que desfazer tudo, desta vez com algum custo.

Com mais um dormitório e alguns móveis adaptados ao nosso estilo de vida provavelmente viveríamos com conforto, mesmo em um espaço relativamente pequeno. Devido ao fato de tanto eu quanto minha esposa trabalharmos em casa, precisamos de um pouco mais de espaço do que a média das famílias. Precisamos ao menos de um quarto extra para um escritório compartilhado entre nós. E foi então que me veio o estalo, talvez comparando com as residências norte-americanas que vimos durante toda nossa viagem aos USA alguns meses atrás e com as dezenas de garage sales que presenciamos nestes rápidos três meses que passamos por lá. As casas lá eram imensas. E as garagens, quando as víamos abertas, entulhadas até o teto.

Uma furadeira custa muito caro! Um serrote, mais caro ainda. Caixas de ferramentas idem. Não, não é que estes objetos em sí custem muito caro, mas sim o fato de possuir os mesmos. Ter uma furadeira que usaremos, sei lá, vinte vezes ao longo de uma vida, implica em ter espaço para guardá-la durante toda essa vida. Claro que é caro chamar um técnico toda vez que desejamos prender algo na parede, mas certamente é muito mais barato que precisar comprar um apartamento maior apenas para guardar as tralhas que usaremos muito pouco para justificar sua propriedade. Só que o cálculo que fazemos é simplório, pensamos em quanto custa uma furadeira simplesmente olhando o preço dela na loja. E aí, claro que é muito mais barata do que o custo de chamar alguém para fazer uma instalação simples em nossa casa. Objetos como esse são produzidos em massa, custam quase nada hoje em dia. Pessoas e seu tempo para nos atender por outro lado, custam caro. E então, pensando desta maneira, vamos até a loja e compramos a furadeira. E agora, precisamos de um apartamento maior para ter lugar para guarda-la.

Faça um levantamento rápido de tudo que você tem em casa que não foi usado nos últimos seis meses. Pode apostar que muitas coisas estarão nesta lista, inclusive sua furadeira. Meu exercício nos próximos meses será o de simplificação. Pode ser que isso seja reflexo de eu estar lendo muitos textos sobre minimalismo ultimamente, ou pode ser devido ao fato de ter morado três meses em quartos de hotéis enquanto viajávamos pelos USA, mas a questão é que a quantidade de coisas que carrego ao longo da vida tem, cada dia mais, me incomodado bastante. Ainda há muitas pequenas coisas que possuem valor sentimental, e destas não pretendo me desfazer, mas das que são apenas tralhas, coisas que guardo pensando que “um dia posso precisar”, destas pretendo ir aos poucos me desfazendo.

Ênfase nas pessoas, não nas coisas. Mais experiências de vida, menos tralhas para carregar. Pode ser só a crise dos 40 chegando mais cedo, conto mais a medida em que as coisas se desenvolverem.

Hoje eu decido viver bem

Hoje eu decido viver bem, link para o vídeo no YouTube.

Ontem entramos na primavera. Foi um dia cinza aqui em Porto Alegre. Perdi uma prima, 40 anos, vítima de um câncer descoberto há dois meses. Ainda não me caiu direito a ficha, foi tudo muito rápido, estava viajando quando foi dado o diagnóstico.

Não tinha contato frequente com esta prima. A última vez que nos vimos fazia quase um ano, no aniversário do nosso tio. O laço de sangue familiar e uma infância e adolescência cheias de histórias juntos nos mantinha ligados, com aquele carinho que não acaba mesmo ficando muito tempo sem nos ver.

Há três anos minha esposa perdeu o irmão, 29 anos, recém formado em educação física, também para um câncer descoberto poucos meses antes.

Entre uma perda e outra, um amigo liga para dar a triste notícia do falecimento do filho, atropelado por um ônibus.

O que há em comum nestas três histórias tristes é que vemos quebrado o ciclo natural da vida. O que temos como normal é nascer, crescer, envelhecer e morrer. A quebra desta ordem natural das coisas nos deixa sem chão, não faz sentido.

Não faz sentido, mas pode acontecer a qualquer momento. E então nos damos conta de como é tênue nossa permanência no planeta. Dependemos das nossas escolhas, mas também de infinitos fatores sobre os quais não temos nenhum controle.

Por tudo isso, hoje eu decido viver bem. Decido ser feliz, de dentro para fora. Se alguém mal humorado me destratar na rua, é com ele que o mau humor está. Se me cortarem no trânsito, lamentarei que tenham pressa e não tenham saído mais cedo, mas não ficarei irritado. As más atitudes dos outros não devem afetar o meu humor. Depende apenas de mim escolher como passarei o dia.

Não temos controle sobre tudo, mas sobre o que temos controle, só depende de nós decidir. Então hoje, amanhã e nos próximos dias, eu decido viver bem. E quando eventualmente acordar mal, chateado ou com algum problema, vou me lembrar destas palavras e ficarei bem. Pois pelo menos isso eu sei que posso controlar em minha vida.

Há um senso de urgência, um reloginho fazendo tique-taque, que não sabemos quando irá parar. Depende somente de nós o equilíbrio das peças que temos para viver o melhor que pudermos.

Hoje eu decido viver bem. E lhe desejo um ótimo dia e um futuro cheio de paz e tranquilidade.

Obrigado.

A disponibilidade é uma moeda que paga excelentes dividendos

Ontem, enquanto passeava pelo El Camino Real aqui em Mountain View, cruzei com a Lamborghini aí da foto. Gosto de carros esportivos e quando tenho a chance, gosto de fotografá-los. Esta foto só foi possível porque estava com minha máquina fotográfica, claro, mas o que as pessoas que veem esta foto não sabem é da conversa que aconteceu um pouco antes de sairmos (minha esposa e eu):

– Para que a máquina? Só vamos caminhar até o mercado – Pergunta minha esposa.
– Nunca se sabe que oportunidades surgirão. E quero brincar com minha lente nova – respondi.

Conscientemente escolhi carregar um peso aparentemente desnecessário para ir até o supermercado, pois queria ter a disponibilidade da máquina para qualquer oportunidade fotográfica. Tirei outras fotos no passeio, de um fusca conversível amarelo e de outras coisinhas quaisquer, mas o importante é que não levei simplesmente a máquina para passear pendurada a tiracolo (nota *1), levei a máquina sem a tampa da lente, ligada, pronta para fotografar sem perda de tempo. Ela estava completamente disponível para a função.

Sobre disponibilidade ainda, depois de fotografar a Lamborghini me dei por satisfeito com o passeio da tarde. Desliguei a máquina, virei o para-sol para dentro, coloquei a tampa na lente. Uma quadra depois vemos quatro carros de polícia trancando a rua, vários policiais, um carro batido sendo guinchado, o primeiro acidente que vimos na região, porque do jeito que as pessoas andam aqui, não sei como acidentes ainda podem acontecer. O fato é que acontecem, e como não estava com a máquina tão disponível quanto antes, você vai ter que ficar apenas com minha descrição da cena, já que não a fotografei 🙂

Está sem vontade de sair?

Voltando um pouco ao tópico do meu artigo anterior, Como arranjar um bom marido, para a vida social vale a mesma regra. Você só terá a chance de encontrar uma pessoa legal para compartilhar a vida, se estiver disponível nos locais onde tenha maiores chances de cruzar com pessoas legais. Ficar em casa não fará um Príncipe Encantado se materializar no meio da sua sala. Então, mãos à obra, disponibilize-se.

E nos negócios e empreendedorismo?

Tem aquele ditado que diz: “Quem trabalha muito não tem tempo para ganhar dinheiro”. Acredito nisso. Trabalhar é importante, mas a escolha das atividades realizadas pode ser ainda mais importante no seu crescimento profissional. Fazer hora extra no serviço para dar conta de tarefas atrasadas, ou participar daquele evento onde você poderá fechar um excelente negócio, ou conhecer um futuro parceiro comercial? Se você não estiver disponível para atividades que o coloquem em contato com coisas diferentes do que seu dia a dia, como poderá mudar sua situação atual? Supondo, claro, que você deseje crescer na vida, não ficando somente no degrau em que já se encontra.

Quando receber aquele convite para um café, disponibilize-se. Vá, ouça, palpite, troque idéias. Eu recebo uma série de convites deste tipo, muitas vezes de jovens empreendedores que ficam admirados que eu, do alto da posição em que eles próprios me colocam, esteja disponível para um papo informal com “um guri que não tem nada para oferecer em troca”. Foi em um papo destes que conheci muitas pessoas interessantes, hoje amigos e parceiros de negócios.

Então deixo a questão: você está se tornando disponível, com regularidade e constância, para as coisas boas que podem acontecer em sua vida? Ou está em casa ou no trabalho, simplesmente afundado na rotina ou na preguiça? Aguardo seus comentários aqui no site.

Notas:

*1. Comprei uma faixa Black Rapid, fantástica para carregar uma máquina fotográfica grande com conforto e mantê-la sempre pronta para levantar e fotografar. A minha é a RS-4, mais simples, pois não tinha a RS-7 indicada a seguir quando a comprei. Todas são igualmente ótimas. Compre a sua na Amazon: Black Rapid Strap RS7 Black Fabric, Curved Ergonomic, with ConnectR-2 and FastenR-3

Um dia na vida

Fabricio no Lake TahoeMinha rotina mudou um pouco nos últimos meses, e achei que seria interessante escrever um post “um dia na vida” para contar como se parece um dia do meu tempo (pelo menos neste momento), ao menos para dar um noção do que tem minha atenção, em que estou trabalhando, em que projetos estou envolvido, e como isto pode ou não se relacionar com você. Claro que todos temos nosso próprio ritmo, então não há sentido em comparações, mas de toda forma, as vezes é divertivo olhar por trás das cortinas, não?

Manhãs

Quem convive debaixo do meu teto sabe que tenho um certo “ritual matinal”, mas deixando os detalhes de lado, levo aproximadamente uma hora para estar pronto para o dia, contando nisto o café da manhã, o banho e uma primeira passada de olhos nos emails, onde apago os spams que o filtro do gmail deixou passar e os emails que não exigem resposta.

Quando estou em casa, costumo fazer uma caminhada de uma hora no meio deste ritual, antes do banho, claro. Também costumo lavar a louça do dia anterior quando volto da caminhada, numa espécie de meditação.

Nestes meses em que estamos viajando pelos Estados Unidos, esta rotina foi alterada em parte. Não tenho feito a caminhada, substituída por tudo que caminhamos durante as tardes. Além disso, devido a diferença de horários entre Brasil e Califórnia (estou com 4 horas a menos) tenho acordado mais cedo para atender aos telefonemas do Brasil, usando VoIP. Então basicamente as manhãs são dedicadas a atender aos clientes do Brasil, respondendo emails e atendendo os telefones quando tenho conexão.

Costumo escrever usando o iPad e a App PlainText, que sincroniza os textos automaticamente com meu notebook. Uso o teclado sem fio da Apple para textos mais longos, mas normalmente acabo usando mesmo o teclado na tela do iPad, devido a praticidade e ao fato de já estar bem treinado nisso.

Os emails, respondo praticamente 100% no iPad. Só uso o notebook para salvar alguns arquivos e para fazer backup das fotos batidas a cada dia. Isto provavelmente irá se alterar a partir de amanhã, pois hoje foi lançado o novo MacBook Air, lançamento que eu previa e aguardava antes de comprar mais este “brinquedo”.

Computação móvel

Deixa eu discorrer um pouco sobre este assunto, pois disto eu entendo bem. Se pudesse dar apenas uma dica sobre que computador comprar para usar em viagens, seria a seguinte: compre o mais leve, o mais rápido, e o mais barato, exatamente nesta ordem. Se você for neurótico como eu sou e levar seu notebook para todo canto junto com você, o peso é a característica mais importante.

Estar no meio de uma viagem, com todas as coisas diferentes que você tem que lidar e os pequenos problemas que tem que resolver diariamente para manter as coisas em ordem, e ainda ter que lidar com um computador que simplesmente não responde na velocidade esperada, ainda mais se você está acostumado com um computador potente em casa, é algo realmente irritante. Depois do peso, performance é o que há.

Infelizmente, optando por peso e performance nos faz cair na classe de notebooks que não custam barato. Minha sugestão, pague o preço que for preciso. Sua felicidade, bom humor e principalmente, vontade de trabalhar, pagarão rapidamente a diferença de valor. Mais que isso, me escute com atenção, porque neste caso específico, comprar o notebook menor, mais leve e mais caro, acabará saindo mais barato! Depois de ter gasto com um grande, pesado e lento, você se irritará tanto que acabará comprando o leve e rápido, gastando duas vezes em vez de uma só. Eu sei! Já fiz isso Smile

Conexão com a internet

Na Califórnia, mesmo no Silicon Valley, onde se imagina que conexão com a internet não seja problema, tenha sempre um plano B, se você depende de conexão para trabalhar. A internet nos hotéis mais simples costuma ser gratuita e péssima. Nos hotéis mais caros, costuma ser paga e tão ruim quanto. As lojas da Apple são uma benção na vida do viajante conectado, sempre dispondo de conexão boa, sem custos extras. Cafeterias e restaurantes também costumam ter conexões disponíveis com regularidade. Planos 3G costumam também funcionar bem, mas encontrar um nos Estadus Unidos que não exija contrato de dois anos é tarefa de gincana. O mundo ainda não está realmente preparado para atender viajantes móveis de maneira ideal.

Tardes

Ainda devido a diferença de fuso horário, durante as minhas tardes já é noite no Brasil, então cuido dos negócios que estou desenvolvendo aqui. Estou montando uma empresa de investimentos imobiliários, nos USA, para que os norte-americanos interessados em investir no Brasil possam fazer isso da maneira mais simples possível. Como as coisas aqui ainda estão incipientes, na maior parte dos dias apenas tiramos as tardes para passear. A imagem que abre este artigo é de uma volta completa que demos no Lake Tahoe. Abaixo, o local de onde escrevo este texto Smile

2011-07-19-15h11m36

Equipamento: máquina fotográfica

Para quem gosta de passear e bater boas fotos, com a melhor qualidade possível, não tenho palavras para descrever o quão apaixonante é a Nikon D3100. É uma câmera DSLR, relativamente grande para quem costuma usar câmeras compactas, mas a diferença de qualidade nas fotos vale o quanto pesa. Falando assim, até parece que estou descrevendo uma câmera monstruosa, o que é muito longe da verdade. A D3100 é apaixonante justamente por colocar em um corpo extremamente compacto e leve o suprasumo da tecnologia e qualidade para fotos. Ela pesa menos da metade da minha máquina “oficial”, uma Nikon D7000 que é maravilhosa por suas razões próprias, mas muito pesada para levar como câmera de turista. A D3100 simplesmente não se sente no pescoço, é como se estivéssemos sem ela. E no entanto, ela está alí, sempre a mão, sempre disponível.

Noites

Não temos badalado muito, com excessão de Las Vegas, onde estávamos dormindo bem mais tarde do que nos outros dias. Jantamos em casa, então enquanto minha esposa prepara o jantar, normalmente uma salada ou sanduíches, me dedico a escrever ou a responder os últimos emails do dia, já preparando o dia seguinte.

Também é a noite que atualizamos nosso site da viagem para informar aos pais que está tudo bem, que os negócios estão em ordem e a viagem está ótima. Os filhos, mesmo com quase 40 anos, sempre serão os “filhinhos”.

Resumo

Com a rotina completamente alterada pela viagem as coisas estão completamente fora do padrão. Ao mesmo tempo, passei os últimos anos planejando os negócios e os investimentos para poder conseguir fazer o que estou fazendo agora, trabalhar, manter as empresas funcionando e ganhar dinheiro, independente de onde esteja no planeta. Hoje, com uma conexão à internet e um computador (ou iPad), tenho tudo que preciso para manter a vida profissional andando perfeitamente bem.

Em um próximo texto, vou falar sobre um insight que me surgiu ao longo desta viagem. Tenho que fazer um pouco de mistério aqui pois é uma idéia que gostei tanto, que pretendo lançar um site para desenvolvê-la com exclusividade, mas basicamente fala de empreendedorismo, desenvolvimento pessoal e profissional e independência financeira para atingirmos o máximo de nosso potencial individual. É a consolidação de tudo o que venho fazendo pessoalmente ao longo dos últimos anos, dos meus resultados e de como isto me ajudou e ajuda a conquistar tudo o que desejo.

Osama, Obama, fatos, tragédias e suas relações conosco e com nosso dinheiro

No dia 11 de setembro de 2001, quando as torres gêmeas vieram ao chão, aprendi algumas coisas importantes sobre como funciono sob stress emocional.

2001

O que estava acontecendo era demais para eu conseguir entender. Entendia os fatos em sí, mas a brutalidade, a proporção, a execução, tudo isso fez com que meu cérebro desligasse qualquer processamento lógico. Era apenas emoção, tentando aceitar o que tinha acontecido. Alguns meses antes estava planejando ir aos EUA. Ficaria na casa de um amigo que morava perto de Nova Iorque. Quando cairam as torres, tentei contato com ele e só consegui muitas horas depois. Ele então me disse que estava a trabalho na segunda torre, no quarto andar, enquanto caía a primeira torre. Se tivesse viajado para os Estados Unidos, teria aproveitado a oportunidade de ir junto com ele ao World Trade Center, mas como não estaria trabalhando, certamente iria ver a vista no topo do prédio. Sem chances de chegar ao solo a tempo.

Uns meses antes, a empresa onde trabalhava, uma startup de internet que recebia investimentos vindos dos EUA, sofreu com o estouro da bolha de internet e ficou sem recursos para continuar. Estava há seis meses sem receber e, com minhas reservas acabando, achei mais prudente cancelar a viagem. Alguns dizem que foi sorte. Outros chamam de providência divina. Eu apenas digo que:

Quando nos acontecem coisas ruins, geralmente há algo bom relacionado. Pode ser uma “sorte”, ou pode ser uma chance de aprender algo. Normalmente não temos ainda a capacidade de compreender as implicações disso, mas aprendi a aceitar as pequenas tragédias diárias e a tentar sempre buscar algum aprendizado delas.

Escapei da tragédia. Meu dinheiro, não.

Naquela época todo meu patrimônio estava investido em ações. Havia multiplicado meu dinheiro em poucos anos. Com um investimento inicial de R$ 3000, fiz o mesmo crescer para R$ 15.800 em apenas dois anos na bolsa de valores. Estava com ações em carteira que sabia serem bastante voláteis na época, mas não ficaria com elas muito tempo então não havia motivos para preocupação. A não ser, claro, se destruíssem a confiança do planeta de um dia para o outro.

Minhas ações despencaram de R$ 15.800 para apenas R$ 700 (não esqueci um zero, são setecentos reais mesmo). Só notei isso três dias depois, quando saí do estado de choque em que estava com a tragédia e lembrei: “minhas ações!”

Nada que possuímos é concreto. Tudo pode mudar de uma hora para outra. O mundo tem tantas variáveis em jogo que é impossível termos o controle de tudo. É impossível termos controle.

2011

Em 2010 visitei aquele amigo que citei na história anterior. Desta vez na Califórnia, do outro lado dos EUA. Fiquei pouco tempo no Silicon Valley, mas o suficiente para reacender a chama do que um dia havia sido meu sonho de nerd adolescente, morar no vale do silício, berço das empresas de tecnologia. Em março deste ano estava prestes a me mudar para lá para uma temporada de seis meses, uma espécie de mini-sabático, já que continuaria a tocar meus negócios de investimento em imóveis e consórcios imobiliários através da internet.

Poucas semanas antes da viagem recebo um convite irrecusável, com uma proposta de viagem ao Japão para duas semanas divulgando o investimento em consórcios e o investimento em imóveis para um grupo de 350 famílias de brasileiros que moram e trabalham lá. Prorrogo a viagem aos EUA por 12 dias e arrumo as malas para o Japão. Tudo corre bem nesta viagem, mas fico chateado de não ter conseguido ficar alguns dias a mais para aproveitar o lançamento de dois produtos eletrônicos que estava aguardando, uma máquina fotográfica Fuji X100 e o iPad 2.

Voltando do Japão, faço escala em Nova Iorque um dia antes do lançamento do iPad 2. UM DIA!!! Chego no Brasil e ao ligar meu celular, ainda em São Paulo, começo a receber mensagens perguntando se já havia voltado, se estava tudo bem porque a família estava preocupada… Entro no twitter e vejo do que estão falando. Saí do Japão exatamente um dia antes dos terremotos e tsunamis. Sem máquina fotográfica, sem iPad 2, mas com vida.

Osama, Obama e o nosso dinheiro.

Há coisas sobre as quais não temos controle, mas nem por isso devemos desligar o cérebro, deixar de planejar e deixar a vida simplesmente nos levar. Sim, as vezes não há o que fazer, é mais forte do que nós, como foi o estado de choque que fiquei com a queda das torres gêmeas. Porém outras vezes, simplesmente não nos damos conta das implicações de certos fatos, não por conta de algum bloqueio, mas porque apenas não paramos tempo suficiente para pensar. Tudo é tão corrido em nosso dia a dia, que acabamos não dedicando tempo para digerir as notícias do dia. Apenas as recebemos de maneira automatizada, sem realmente as processar. Em relação às notícias desta semana, você já pensou nas implicações que esta notícia tem para o mercado, para o ânimo dos americanos, para a percepção mundial sobre os Estados Unidos? Já pensou que implicações a morte do Osama traz para seu dinheiro e seus investimentos?

Não tenho bola de cristal, mas tenho algumas opiniões sobre o futuro da bolsa de valores no Brasil. Você investe em ações? Eu acho que nossa bolsa vai cair nos próximos meses. Tenho uma teoria sobre este assunto. Com o aumento da confiança na economia americana e as melhoras dos fundamentos atreladas a isso, muito dinheiro que hoje está em países emergentes, leia-se, Brasil, irá voltar aos EUA, derrubando com isso o mercado altamente inflado que vinhamos tendo nos últimos anos. Acho que a morte do Osama irá causar na população norte-americana uma reação do tipo “nós conseguimos realizar tudo o que nos propomos”. Na minha opinião, correções fortes virão. E já estou me preparando para aproveitar as barganhas.

E você, o que acha? Desculpe misturar tantos assuntos em um só texto, mas você já me conhece, sabe que meu cérebro nunca fala de algo sem pensar em suas diversas interrelações. E no final das contas, quem faz as melhores relações entre fatos aparentemente desconexos, acaba agindo mais cedo e aproveitando as melhores oportunidades 🙂

O herói de uma nação

Foto batida em Suzuka, no Japão, onde o título deste post é tão válido quanto aqui no Brasil.

 

Hoje faz 17 anos que os jovens da minha geração perderam seu ídolo máximo. Como naquele dia trágico, não tenho palavras para descrever o que senti, mas o RicaPerrone, jornalista e bem mais hábil com as palavras, conseguiu retratar exatamente como estavam os ânimos do país após o fatídico acidente. No meu caso, se lhe interessa saber, tudo o que consegui fazer foi imprimir uma foto do Senna em uma camiseta, e andar com ele no peito, carregando comigo, por mais uns poucos dias, o herói próximo ao coração. A camiseta não existe mais. O herói permanece.

Siga com o texto do Rica clicando no link abaixo:

O herói de uma nação, por Rica Perrone.

Diário de viagem, Japão 2011, parte 2

Continuando o diário de viagem, que preciso escrever antes de esquecer detalhes interessantes (tantos são os detalhes interessantes)…

24/02/2011

Dormimos praticamente o dia todo, só acordando para o almoço. Fomos a um restaurante em Kameyama, Luciana/Marco, Sandraéli/Jean, Ingue/Eu. Era uma espécie de cumbuca de arroz sem sal com umas carnes em cima. Um pózinho de pimenta fraca fazia as vezes de sal, dando um gosto bastante bom ao arroz originalmente sem graça. Naturalmente comemos usando os hashis, os pauzinhos, o que  não é tão difícil assim, mesmo no caso do arroz.

25/02/2011

Acordo as 6h para dar conta de responder os emails do Brasil ainda no fim do dia anterior lá. Pela manhã não havia nenhuma conversa marcada, então consegui responder vários emails e adiantar alguns textos aqui para o site. De tarde conversamos com a Talita e o Tiago, que nos esperavam com sanduichinhos, chocolates e os mais diversos sabores diferentes de Pringles. Conhecemos o Subaru Legacy B4 com motor boxer bi-turbo do Tiago. A noite fomos jantar com a Meire e o Vitor. Nos levaram em um típico restaurante japonês, Saizeriya. Já no primeiro jantar fora, descobrimos que os japoneses gostam mesmo é de comida italiana. Com eles descobrimos também como acelerar um Nissan Skyline a 160Km/h com pneus para neve 🙂

Fomos dormir as 2h da madrugada.

26/02/2011

Dia corrido. Pela manhã, Dani e Fabio, nos aguardando com petiscos empanados, queijos e sucos. Conversamos não apenas sobre investimentos imobiliários, mas sobre o negócio de transportes e cargas. No almoço fomos a Suzuka com a Leticia e o Fabio, mais um típico restaurante japonês, Capricciosa 🙂

A noite, pizzas diversas com a Marô/Duda, Lucinéia/Diego. Fomos dormir as 3h da madrugada.

27/02/2011

Acordo as 7h da manhã. Manhã e tarde para dar conta dos emails no Brasil. A noite, Kelly e Rafael, com quem fomos, junto da Luciana e do Marco, em um típico restaurante chinês. Menção honrosa para a chinesa do caixa, nos agradecendo com um formidável “aligatô, sayonalá”. Depois da janta fomos a uma megaloja de TUDO imáginável. Desde pilhas, calcinhas travesseiros, ferramentas, comidas, tudo, tudo, tudo. Supermercado não descreve aquela loja. Prateleiras e mais prateleiras de tudo quanto é coisa, inclusive com mais coisas penduradas no teto, empilhadas no chão, brotando das paredes… Imagine a casa mais bagunçada que conseguir, com tudo espalhado por tudo que é lugar. Lá era mais bagunçado, com certeza. Voltamos para casa as 4h da madrugada, mas graças ao meu exagero nos camarões do jantar, acabei passando mal e só consegui dormir as 7h da manhã.

28/02/2011

Acordei (ou fui acordado pelo despertador) as 9h. Banho para acordar e lá fui, sem a Ingue desta vez, conversar com a Angela e o Yoshio e com a Fantini (que não estava presente) e o Anderson. Me esperavam com uma farta mesa de café da manhã, mas já havia comido antes de sair, então fiquei apenas no suco. Lá acabei provando dois sucos de verduras. Um era bom, o outro “dava para tomar”.

Saí de lá e cheguei já com o Jorge e a Gislaine esperando para nos levar para almoçar, junto com o Rodrigo, que estava sem a esposa Adriana por conta de uma mudança nos horários da fábrica. Ela teria que sair para o trabalho as 16h e achava que não daria tempo de conversar e chegar a tempo, no que estava certa, pois ficamos no restaurante 7h seguidas. Acredito que o pessoal lá pensou que iríamos ficar para o jantar. Não ficamos.

A noite, jantamos com a Elen e o Anderson, que nos esperavam em casa com um maravilhoso yakissoba feito por ele.

Depois da virada dos últimos dias, fomos dormir mais cedo, a 1h da madrugada.

01/03/2011

Acordei as 6h da manhã e comecei a responder os diversos emails atrasados do Brasil. As 9h chegam a Luciana e o Marco, avisando que nossa agenda para o dia estava liberada devido a uma série de mudanças nas equipes e turnos da fábrica. Parece que se esforçam lá para conseguir mudar as coisas sempre para o pior possível. Respondi diversos emails até a hora do almoço e depois deste deitamos um pouco e apagamos até o final da tarde. A noite, o Marco trabalharia em uma nova função e a Luciana ficaria de folga. Com ela como guia e eu como o único ser presente com carteira de motorista internacional, tive minha estréia dirigindo em mão inglesa! Tranquilo, nasci para isto 🙂

Fomos a uma megaloja de usados que apelidamos de “casa de adoção”, pois lá, encontramos as nossas filhas adotivas, três bonecas Blythe e uma Pullip. Junto com as bonecas, explico um novo modelo de negócio para a Luciana. No dia seguinte seria a vez do Marco conhecer as bonecas e o novo negócio que montarão através da internet. Fomos dormir as 4h da madrugada.

02/03/2011

Acordados desde as 6h. Nesta quarta-feira iríamos para Nagoya, mas com as trocas de turno e equipe tudo ficou bagunçado. Com o dia livre almoçamos pela primeira vez em um restaurante de sushi. Estava bom. Os pratos passavam numa esteira e íamos pegando o que queríamos comer.  Caso quisessemos algo diferenciado, um “trem-bala” trazia por uma linha superior à esteira. Depois disso fomos ao Jasco, o shopping em Suzuka. De lá, partimos para a KS, uma mega loja de eletrônicos. Vi uma câmera 3D da Fuji que era simplesmente incrível. Fotos 3D que podiam ser vistas diretamente na tela da câmera, sem óculos especiais. Inacreditável, impressionante mesmo! Voltamos para casa e fomos dormir a meia noite e meia.

03/03/2011

Acordo as 6h. Dani e Fabio nos pegam as 9h para ir a Nagoya. Passeio divertido no Castelo de Nagoya, construção de mais ou menos 1600 que pegou fogo e foi totalmente destruído, para ser novamente reconstruído na metade do século 20. De lá, fomos para Kamimaetsu, uma série de ruas cobertas com uma infinidade de lojas. Ou uma espécie de bairro comercial. Tinha de tudo, desde roupas, bolsas e acessórios, até eletrônicos e peças de computador, passando por brinquedos e bonecas, brechós, lojas de artigos esportivos e restaurantes. Divertidíssimo, principalmente porque aqui separamos os meninos das meninas 🙂

Nosso almoço foi um exagero de globalização e integração mundial. Estávamos em uma casa de Kebab grego, atendidos por um turco (realmente vindo da Turquia). O Fabio, um brasileiro de origem japonesa fez o pedido em japonês para o turco, que após concluir os detalhes do pedido largou um bom e totalmente compreensível “obrigadou”. Com um pouco de inglês descobrimos que ele estava alí há seis anos. E assim, com três línguas diferentes, aproximamos um pouquinho mais cada canto do planeta.

Fim do dia, fomos ao Parco, uma megaloja, estilo Galerias Lafayette ou Printemps de Paris. De lá, iríamos jantar no Marinos, outro restaurante italiano, mas desta vez, uma atendente daquelas que não desejo a ninguém nos fez sair de lá irritados com a falta de capacidade em atender. Fomos ao restaurante Outback de Nagoya, onde a boa sorte nos presenteou com uma garçonete que não tinha mais espaço na camisa para pendurar tantos broches de premiação por excelência no atendimento.

1h30 da manhã e já estávamos dormindo.

04/03/2011

Acordamos as 9h, descobrindo que nossa próxima conversa só seria as 11h. A Erika e o Cleiton nos pegaram em casa e fomos almoçar em Kameyama mesmo. Um restaurante que ainda não havíamos ido, mais frequentado por jovens japoneses, com diversos estudantes recém saídos da aula. Pelo comprimento mais longo das saias, notamos que as gurias eram mais novas. Mais tarde, já no final do nosso almoço, as gurias de saias mais curtas começavam a chegar. Aqui, quanto mais curta a saia, mais avançada é a série das estudantes.

No meio da tarde, com a Luciana e o Marco ainda dormindo para se preparar para o turno da noite, pegamos o carro e fomos para Kameyama. Por “pegamos o carro” quero dizer que fomos sozinhos, sem GPS e dirigindo em mão inglesa. Divertido. Passeamos na loja de Y 100 (1,99 japonês) e fomos ao supermercado. Lá, compramos sushi e sashimi prontos para consumir, além dos ingredientes para preparar um risoto de gorgonzola a ser feito nos próximos dias. E agora, pouco antes das 22h, me preparo para dormir. Amanhã começa um novo dia.

05/03/2011

Acordamos as 7h. Neste dia finalmente conversamos (sobre investimentos) com a Luciana e o Marco, que estavam nos hospedando. De tarde fomos a Suzuka e tive uma experiência engraçada na loja de eletrônicos. Entrei, sabia como pedir a câmera fotográfica que estava procurando, ou achava que sabia. O vendedor, um daqueles japoneses elétricos que corre de um lado para o outro me levou até os cartões de memória. Aí eu falo “no cardo, kamera, hai” e voltamos para as câmeras. Ele pega um catálogo da Fuji (entendeu a marca, não o modelo) e pede para eu apontar. Digo que não está no catálogo, havia sido lançada neste dia. Escrevo no meu moleskine o nome da câmera, ele vai a um computador e volta com uma página impressa, mostrando que ela seria lançada dia 5 de março. Aponto para a data, aponto para o calendário no iPhone e então ele desanda a falar com a velocidade de um carro de fórmula 1. Interrompo o discurso com um “nihongo ga wakarimassen”, ele fica congelado por uns segundos e sai correndo, me fazendo sinal para segui-lo. Para na frente de um computador, entra no Yahoo (depois de procurar bastante nos favoritos do navegador). No campo de pesquisa do Yahoo ele procura por “GOGLE”, acha o Google nos resultados, clica, procura mais um pouco e clica em um link e quando vejo estamos com a tela do Google Translator carregada. Em mais alguns minutos ele me diz que deve chegar nas lojas da cidade em umas duas semanas, respondo que sou do Brasil e só ficaria mais uns dias, agradecendo a cordialidade dele. Ele fica agradecendo, “arigatô, arigatô, arigatô, arigatô, …” até sairmos da loja, se curvando a cada arigatô falado. Depois o Marco me explica que ninguém agradece cordialidade de quem está fazendo seu serviço no Japão, então ele ficou muito honrado por eu ter feito isso. Vou dormir por volta das 22h.

06/03/2011

Acordando as 7h nos preparamos para uma segunda conversa com a Kelly e o Yoshito. De tarde fomos a Yokkaichi, em Shiga, conhecer a Rita e o Marcelo, junto com seu filho e duas filhas, mas antes de conseguirmos pegar a estrada, ainda em Kameyama, demos de cara com um encontro de Harlistas prestes a sair em um passeio de domingo pelas estradas japonesas. Junto da concentração deles, um encontro de muscle-cars americanos, com Corvetes de todas as décadas, Pontiacs Firebird, inclusive um K.I.T.T. original usado na série Super Máquina, Chevelles, Camaros também de várias décadas e muitos outros. Dos Harlistas, fica registrada a alegria e a tradicional paixão japonesa em aparecer em fotos. Diversas vezes via, de canto de olho enquanto fotografava as motos, eles se preparando para fazer o “V” tradicional que fazem com os dedos ao aparecer em fotos. Quando apontei a câmera para um grupo de garotas vestidas de couro, logo todos os motociclistas estavam juntos, posando e nos chamando para aparecer junto nas fotos. A noite, conversa legal com a Fernanda e o Wagner, que estão há pouco tempo no Japão. Foi legal saber que o Wagner já havia trabalhado com consórcios de moto no Brasil, ficou bem mais fácil explicar algumas coisas pois ele já sabia algumas formas de obter lucro com os consórcios. Neste dia fomos dormir cedo, as 23h30. Estava complicado manter o ritmo dos primeiros dias, com menos de 4 horas de sono por noite.

07/03/2011

Mais um dia acordando as 7h. Conversamos com a Sandra e o Jean já em ritmo de despedida. Conhecemos a “filha” deles, um furão (uma furoa?). A tarde, coisas incríveis nos esperavam. Fomos a Suzuka com a Kelly e o Yoshito. Conhecemos o autódromo, mas mais que isso, entramos nas arquibancadas, demos sorte de haver testes com carros na pista, invadimos os boxes e chegamos a colocar os pés na pista principal!!! Nos boxes, entramos em um carro esportivo preparado para as pistas. Todos os japoneses nos adorando e AGRADECENDO por pedirmos para tirar fotos. Surreal. Achavam que éramos norte-americanos. Não dissemos que éramos do sul. De lá, fomos para Yokkaichi, que apesar do mesmo nome da cidade que visitamos no dia anterior, é outra. A deste dia, na província de Mie. A noite conversaríamos com a Monica e o Edson, mas a Monica não pode ir e apareceram junto do Edson o Yuji (Flavio, mas ninguém o conhece pelo primeiro nome) e o Josuel, que não precisa de apelido, por ter o sobrenome “Da Hora”. Nesta noite também conhecemos o Tadashi, que veio lá do norte do Japão, mora no país há 20 anos e não pretende voltar mais. Ele é sócio de uma empreiteira que emprega brasileiros. Contou bastante coisa interessante sobre este assunto e sobre os últimos 20 anos deste mercado. Possui imóveis que aluga no Japão, então já conhece os investimentos imobiliários. Gostei muito de conhecê-lo, ainda mais levando em conta que viajou mais de 8 horas somente para me conhecer e conversar algumas poucas horas. Neste dia fomos dormir a 1h30.

08/03/2011

Último dia, acordamos as 8h30 para conversar com a Marô e o Duda. Apesar de não estar nos planos deles, explico o plano de quatro anos de investimento para aposentadoria que desenhei sob medida para “brasileiros trabalhando no Japão”. Gostaram, pensando em mudar os planos originais e ampliar outros planos que tinham. Adoro quando isso acontece, mostrar que a realidade pode ser maior e mais rápida que imaginam. De tarde dormimos, com o cancelamento da conversa com a Talita e o Tiago. A noite fui conversar com a Lucinéia e o Diego, que também adoraram o plano de aposentadoria em quatro anos. A Lucinéia diz que a Talita irá adorar, ficando de explicar para ela no dia seguinte, em que ambas estariam de folga. Converso mais um pouco com ambos, o Diego me dá algumas dicas de lojas de equipamentos fotográficos em Nagoya, caso dê tempo de ainda tentar achar a câmera que procurava e a 1h30 vou para a cama, para a última noite no Japão.

09/03/2011

Acordo as 6h45, elétrico. A partida está próxima, arrumo os últimos detalhes da mala, mochila, jaqueta multi-bolsos. Respondo alguns emails do Brasil, tomo café da manhã e estou pronto para partir. A Sandra e o Jean passam no apartamento para se despedir. Carro, estrada, Nagoya, almoço no aeroporto, revistas japonesas para levar como curiosidade, despedidas rápidas para conter a emoção das meninas e lá fomos nós.

Em Tóquio, tento achar a máquina fotográfica mais uma vez. O vendedor de uma loja de Akibahara que tem filial no aeroporto me diz que há fila de espera de dois meses (Ni-kagetsu). Como alternativa, vejo outra Fuji, 3D, que tem um porta-retrato também 3D que acompanha. Já tinha visto esta máquina antes, em Suzuka. É impressionante, pois mostra a foto em 3D, sem óculos, diretamente na tela de 3,5″. Acabei não comprando nada. No final das contas, acho que estamos “doentes ou curados”, como diz a minha esposa. Nem ela, nem eu compramos nada nesta viagem, com excessão de alguns cacarecos curiosos e uns presentinhos divertidos e diferentes para família e amigos. Acho que é algo como se dar conta de que as experiências vividas valem mais do que as coisas que adquirimos.

Sobre esta última frase, não me entendam mal. Ela não quer dizer que eu deixaria de comprar o novo iPad2, se tivesse a oportunidade. Fizemos escala em NY na volta, chegando lá DOIS DIAS antes do iPad2 estar a venda! Não vou dizer que foi azar por um só motivo…

Hoje pela manhã acordo as 6h, ainda me acostumando com a troca de fuso horário e vejo horrorizado as notícias do terremoto e tsunami no Japão. Saímos de lá um dia antes da tragédia. Apesar de não ter sido tão forte onde estávamos, foi bastante forte em Tóquio, onde recém havíamos passado.

Por fim…

Mais uma vez agradeço de coração à Luciana e ao Marco pelo convite para ir ao Japão e as oportunidades de aprendizado que esta viagem me proporcionou. Agradeço ainda a cada uma das pessoas com quem conversamos, todos que nos contaram suas histórias de vida e luta, as alegrias e as dificuldades, compartilhando experiências valiosíssimas que muito nos ajudarão a ver o mundo de maneira mais completa do que víamos até então. Cada pessoa, uma história, mas todos com detalhes que se interrelacionam formando um padrão de idas e vindas, uns ajudando aos outros para não cometerem os eventuais erros e tropeços naturais a toda atividade nova a que nos dedicamos.

Muito obrigado a cada um de vocês, inclusive quem apenas conheci de nome por conta das trocas de horário na fábrica: Luciana/Marco, Sandra/Jean, Marô/Duda, Lucinéia/Diego, Talita/Tiago, Meire/Vitor, Dani/Fabio, Leticia/Fabio, Yoshito/Kelly, Angela/Yoshio, Fantini/Anderson, Gislaine/Jorge, Adriana/Rodrigo, Elen/Anderson, Erika/Cleiton, Rita/Marcelo, Fernanda/Wagner, Monica/Edson, (qual o nome da tua esposa?)/Yuji, Clarice/Josuel, Tadashi.

Agradeço ainda a cada um que lembrar de me mandar uma foto do casal, pois sou muito visual e gostaria muito de ter uma lembrança mais viva de cada um de vocês.

Muito obrigado por terem entrado na minha vida.

Porque vir ao Japão?

Próxima parada, Hawaii! Loja de usados no Japão tem de tudo, tudo mesmo!

Porque viria ao Japão foi a pergunta que eu mais escutei no Brasil quando falei para as pessoas próximas que estava vindo para cá. O Japão é visto no Brasil como algo distante e fora do alcance das pessoas comuns. Talvez eu seja incomum 🙂

Para quem gosta de novidades tecnológicas como eu, seria muito fácil justificar vir ao Japão para conhecer de perto o berço das mais avançadas tecnologias, mas com o mundo globalizado que temos atualmente, tudo que existe por aqui pode ser facilmente obtido através de importação ou compra direta pela internet. Até mesmo o problema da língua é facilmente resolvido com os sites ou navegadores que traduzem tudo automaticamente. Além disso, vamos morar na Califórnia dentro de um mês, no coração do Silicon Valley… Então, não vim ao Japão somente pela tecnologia.

Poderia dizer que admiro a cultura japonesa, o espírito zen, o método para tudo, as soluções engenhosas para os pequenos problemas diários. Tudo isso é verdade, mas não seria o suficiente para justificar uma viagem tão longa. Poderia ainda falar dos templos, castelos e jardins que visitaria, mas não vim aqui para isso também, mesmo que no final das contas acabe visitando um ou dois lugares desse tipo.

Vim ao Japão para aprender.

Há anos invisto o que ganho buscando a formação de patrimônio para viver uma vida próspera, longa e tranquila. Minha esposa e eu adoramos viajar, adoramos conhecer novas culturas e principalmente conhecer novas pessoas. Esta viagem ao Japão nos proporcionaria tudo isso.  Em relação a uma cultura diferente do que a que estamos acostumados, não há o que falar. Tudo no Japão é diferente do que estamos acostumados. Sobre a questão do passeio, não imagino viagem mais longa e mais cheia de desafios e novidades, com cada desafio servindo de oportunidade para o crescimento pessoal. A sensação de nos sentirmos analfabetos até mesmo para as coisas mais simples, como comprar algum produto no supermercado ou escolher a comida em um restaurante, também é oportunidade impar de crescimento pessoal. É nas novas pessoas que conheceríamos, no entanto, que estava meu maior interesse.

Nestes sete dias em que estamos aqui já conhecemos e conversamos bastante profundamente sobre sonhos, ideais e objetivos de vida com quatorze casais diferentes. Com todos já marcamos uma segunda conversa, pois a primeira acaba sendo um mar de informações que leva um certo tempo para digerir. Não é fácil resumir nove anos de conhecimento em um bate papo, mesmo que com alguns esse bate papo tenha durado SETE HORAS! O ritmo está bastante intenso, estamos acordando as 6h da manhã e dormindo depois das 3h da madrugada. Devido ao fuso horário, passamos manhã, tarde e noite conversando com o pessoal daqui, e o fim da noite e início da madrugada tocando os negócios que continuam rodando no Brasil. As coisas estão corridas, mas não tão corridas quanto descobri ser a rotina dos brasileiros guerreiros que vivem aqui.

Qual é a rotina de um dekassegui no Japão?

É impressionante a energia das pessoas que conheci aqui. Ativos, cheios de sonhos e vontade de crescer. Queridos demais, atenciosos demais, receptivos demais. Estamos nos sentindo totalmente em casa, com pessoas que acabamos de conhecer, mas que em poucos minutos parecem ser amigos de infância. Todos ávidos por nos mostrar todas as novidades, cozinhar para nós, preparar petiscos, apresentar comidas e produtos diferentes.

Em Kameyama, a montanha da tartaruga, cidade próxima de Suzuka e Nagoya, a principal atividade para os brasileiros que moram aqui é o trabalho na fábrica de LCDs da Sharp. Em todo o planeta, apenas três ou quatro empresas possuem a tecnologia de fabricação de telas LCD. Não interessa a marca de seu monitor ou TV, certamente a tela será de um destes fabricantes. A fábrica só contrata casais, então todos com que converso aqui estão construindo os futuros de suas famílias.

A quantidade de trabalho é imensa. Não imensa no sentido de que há trabalho para todos que desejam vir para cá, mas imensa na quantidade de horas trabalhadas e no ritmo necessário para dar conta do trabalho. Isso sem falar da troca semanal de turnos. Como o trabalho no turno da noite paga mais, para manter a justiça nos valores recebidos, toda semana há troca de turno entre os que trabalham de manhã e a noite. Isso quer dizer que uma vez por semana há o equivalente a uma viagem internacional para cada casal, pois deixam de trabalhar em um turno e passam a trabalhar em outro. Os primeiros dias da troca de turno são cruéis, de-lhe Red Bull para manter os olhos abertos. Nos últimos dias, com o corpo mais acostumado, a coisa é tranquila, mas então é hora de se preparar para a troca da semana seguinte. Os turnos são de 12 horas, com três intervalos de 20 minutos e um intervalo para alimentação de 40 minutos. Alguns dias há a “virada seca”, onde trabalham em um turno e já emendam outro, 24 horas seguidas. A fábrica é meio bagunçada na questão dos horários, acontece de chegarem lá e não haver material para o trabalho, mandando alguns para casa.

O dia de folga é usado para descansar ou passear um pouco. A cidade é bem interior do Japão, não há muito o que fazer. Todos com que conversei possuem carro, que são muito baratos em relação ao que custam no Brasil. Um mês de salário paga um carro. Dois meses para pegar um típico esportivo japonês. Mitsubishi Lancer Evolution, Subaru Legacy B4 com motor boxer bi-turbo, Sylvia S13… Aqui se acham todos os modelos famosos. Os apaixonados pelo filme “Velozes e Furiosos” iriam delirar. Em Suzuka há um shopping bastante grande e um supermercado enorme, sem contar a matriz da Honda. Claro, não preciso citar o autódromo que leva o nome da cidade 🙂 Nagoya fica relativamente próxima, há pouco mais de uma hora.

O que aprendi aqui?

O Japão ainda é um mar de oportunidades para os brasileiros que conseguem vir trabalhar aqui. O dinheiro que se ganha trabalhando nas fábricas é enorme em comparação com o que poderiam ganhar no Brasil. Vivendo relativamente bem (descontado o ritmo do trabalho) e com os confortos que o país oferece em termos de bens de consumo, é possível para um casal economizar entre R$ 50.000 a R$ 100.000 por ano. Para isto, no entanto, é necessário foco. As possibilidades de gasto do dinheiro suado para ganhar são muitas.

As histórias que ouvi nestes dias são muito parecidas, cada uma com suas particularidades, mas no geral, convergindo para alguns poucos padrões. Quem vem para cá inicialmente possui um ou dois objetivos básicos, comprar a casa própria no Brasil e juntar dinheiro para começar algum negócio ou investimento na volta. Ao chegar aqui, as facilidades de consumo as vezes pesam um pouco nas decisões. Carros velozes e equipamentos eletrônicos custam uma pequena fração do que custam no Brasil. Um Honda Fit com alguns anos de uso, impecável em sua manutenção, por R$ 5.000. Um esportivo dos sonhos pelo mesmo valor. Um carrinho pequeno, daqueles compactos que só vi por aqui, motorzinho 0,6l, usadinho em bom estado por R$ 1.500.

Gastar o dinheiro e passar a viver a vida japonesa as vezes se torna a maneira de amenizar o peso do ritmo maçante do trabalho. Dá para trabalhar menos e juntar dinheiro, pegando empregos um pouco melhores em relação aos horários, mas evitando o consumo ao máximo. Uma coisa que notei foi a grande quantidade de pessoas que estão aqui pela terceira ou quarta vez, justamente por conta de, ao voltarem para o Brasil, baixarem o ritmo de trabalho, fazerem sobrar mais tempo para pensar e se dar conta de que lá, não conseguirão ganhar o suficiente para levar uma vida parecida em termos de conforto material com a que tinham no Japão. Então voltam, pensando maior. Agora, não querem apenas a casa própria, muitas vezes já comprada da primeira vez. Querem o suficiente para resolver de vez a vida na volta.

Só que apesar de ser muito “fácil” (só vivendo a rotina daqui para ver o quão duro é) guardar uma boa quantia de dinheiro em poucos anos (já escrevi antes, entre R$ 50.000 a R$ 100.000 por ano, por casal), esta quantia não é suficiente, no Brasil, para resolver definitivamente o futuro em nosso país. Então, faz-se necessária uma estratégia.

Um plano de independência financeira para brasileiros trabalhando no Japão!

Esta viagem me proporcionou uma experiência de vida incrível. Como não vim a passeio, mas sim, para me integrar ao máximo na rotina dos brasileiros que vivem aqui, pude sentir, em poucos dias, parte do que eles vivem, sentem e sonham. Os sonhos dessas pessoas são semelhantes aos meus próprios, com a diferença dos caminhos e escolhas. Enquanto eles buscaram primeiro uma maneira de ganhar muito dinheiro e agora buscam uma estratégia para fazer este dinheiro que ganham crescer de forma acelerada, eu fiz o oposto, estudei e testei na prática as melhores formas de fazer o dinheiro crescer, otimizando ao máximo os pontos de lucro e estruturando os negócios para que não precisassem nem de grande conhecimento para investir, nem de muita dedicação de tempo, nem da presença física.

Buscando o que desejava para mim, acabei descobrindo os investimentos ideais para toda pessoa que deseja investir e fazer seu dinheiro crescer de forma acelerada, com segurança extrema, e sem precisar cuidar de milhares de detalhes. Funciona de maneira absolutamente simples, mas exige um tempo de maturação semelhante ao tempo médio que estes brasileiros aguentam o rítmo de trabalho aqui no Japão. Quatro ou cinco anos parece ser o período em que o pessoal que está aqui começa a falar para si mesmo: “preciso voltar, não aguento mais isto aqui”. Aplicando meu plano por este período, é possível voltar ao Brasil com dinheiro suficiente para não se preocupar com dinheiro pelo resto da vida.

Infelizmente para a maioria dos que já estão aqui há alguns anos e não possuiam um plano como o que desenhei para tornar isto possível logo que vieram para cá pelo primeira vez, isto significa que para conseguirem aplicar tal plano de forma completa precisem ficar uns anos a mais do que gostariam. Tendo vivido no ritmo deles, sei o quanto isto é difícil. Espero facilitar muito a vida dos futuros brasileiros que desejam seguir este caminho ao permitir que já saiam do Brasil com um plano completo para a conquista de suas independências financeiras. Para os que descobriram meus métodos apenas hoje, desejo força e esperança para mais uns anos de esforço que certamente serão totalmente recompensados com um futuro tranquilo, feliz e confortável, de volta ao Brasil em poucos anos.

Nos próximos dias estarei explicando o plano que desenhei pessoalmente para cada casal com que conversei. Quando voltar ao Brasil, escreverei em detalhes o funcionamento disto tudo para que mais pessoas possam se beneficiar deste conhecimento. Agradeço enormemente a todas as pessoas maravilhosas que conheci aqui no Japão e também as que ainda irei conhecer nos próximos dias. A experiência de vida de vocês me proporcionou uma série de idéias que tenho certeza irão ajudar muitos outros brasileiros que sonham em fazer o que vocês estão fazendo. Mais uma vez, obrigado. Vejo vocês no yasumi!