Saudades de uma viagem

Las Vegas – LOVE

Não sei como vão ser as coisas deste dia em diante. Quanto tempo tudo voltará ao normal, se é que teremos de novo uma vida como a que tínhamos anteriormente.

Por mais que possamos pensar que logo as vacinas estarão funcionando, todos estarão imunizados, o mundo voltará a ser como era antes, a grande verdade é que o futuro é nebuloso. As vacinas podem não proteger de novas cepas. A proteção pode não durar muito tempo. Novas cepas podem surgir, bactérias mais resistentes podem atacar por conta do uso indiscriminado de antibióticos. As vezes é difícil ser otimista.

Por outro lado, a vida continua. Não podemos esmorecer. Há muito para ser visto e vivido ainda, senão por todos, com certeza para muitos. Conseguir equilibrar vida e neuroses vai ser o exercício dos próximos anos.

Por aqui, sinto saudade de viajar. Organizei nossa vida desde o princípio para poder ter essa liberdade geográfica no trabalho. Antes da baixinha começar o colégio, podíamos simplesmente decidir um destino, pegar um avião e ir. Com o colégio as janelas de oportunidade diminuíram, mas ainda assim havia como dar uma escapada no meio do ano ou no final.

Nossas viagens, em parte por conta da alergia alimentar da baixinha, sempre foram mais longas e hospedadas em flats com cozinha. Isso nos colocava na vida mais cotidiana do local, não no simples turistar. Ir ao supermercado, frequentar as pracinhas próximas, museus, parques. Era sempre um test-drive de “como seria viver aqui.”

Não tínhamos intenção real de morar nesses lugares. Sabemos que NY é sensacional na primavera e ótima no outono, mas os invernos terríveis. Vale o mesmo para a maioria das cidades européias, somos uma família de verão. Mas como forma de viagem, gostamos muito do tipo de experiência que as nossas proporcionavam.

Sinto falta de ouvir uma lingua diferente ao passear nas ruas. Ver as crianças brincando igual em qualquer parte do mundo. Experimentar os sabores de cada local, os pequenos comércios, as cafeterias.

Sinto falta de viajar. Estar fora da nossa rotina era o que me ajudava a ver como gosto dela sempre que voltava.

Hoje não terei mais um bebê em casa.

Último dia de bebê.

Calma, nada acontecerá com o bebê em si.

Hoje ele completa dois anos e deixa de ser oficialmente um bebê e se torna um menininho. A grande verdade, no entanto, é que nunca deixará de ser meu bebê, assim como a irmã dele, com quase oito anos, não deixou de ser minha bebêzinha.

Essa idade é acompanhada de muitas novidades, principalmente na fala. A língua destrava, as palavras que antes eram tímidas se tornam abundantes e algumas vezes já vem compostas com outras palavras.

Aqui em casa falamos duas línguas: português e bebezês. Para quem não conhece pode parecer difícil, mas para nós que aprendemos junto com ele e participamos do desenvolvimento todo da nova língua, é como falar qualquer outra língua estrangeira.

Uma palhinha:

moomm – polenta.
mômmm – vermelho.
i iiia – Isabella.
bububáá – celular.
todish – Toddy.
vê – leite.
a bii – abrir.
bêê – Massa de letrinha.

A diferença dos dois é impressionante. Nada daquelas coisas de menino e menina (sim, isso também). Sei que isso muda com a idade, mas enquanto ela está na fase do “alcança pra mim, me traz uma água, faz isso, me ajuda com aquilo”, ele está na fase de querer fazer tudo sozinho, desde abrir a própria fralda até colocar as roupas e sapatos.

O amor de um pelo outro é lindo de ver. Claro que as vezes tem ciúmes e um querer o brinquedo do outro, mas o cuidado de ambos um com o outro aquece o coração. As gentilezas dele, de sempre pegar algo e oferecer para ela antes, por exemplo. Inclusive com chocolate!

Hoje não terei mais um bebê em casa, mas até o fim dos meus dias terei sempre meus dois bebês no coração.

Feliz aniversário, meu filho. Papai te ama mais que tudo neste mundo.

Café e ansiedade

Meu café preferido, versão sem ansiedade.

Não deve ser novidade para quem tem ansiedade crônica, mas as vezes mesmo nós, esquecemos das coisas em nome de um pequeno prazer.

Há poucos anos fiz uma experiência sem querer.

Estávamos passando uma temporada em Las Vegas e no flat em que ficamos forneciam sachês de café na recepção. Não sou tão esnobe assim com o café para me dar o trabalho de buscar um especial quando tenho um bastante bom a disposição, e o que ofereciam lá gratuitamente era realmente muito bom.

Aconteceu que geralmente só tinham café descafeinado, ou tinham os dois, mas proporcionalmente bem mais do descafeinado. E assim fui, por uns 20 dias, diminuindo gradativamente a quantidade de cafeína ingerida diariamente.

Não tínhamos o bebê ainda, então as coisas eram menos corridas do que são hoje. A diferença que notei na época, graças ao Apple Watch, foi que meu sono subiu das 6h habituais para 8h todas as noites. Isso durou um tempo depois do nosso retorno, mantendo o descafeinado por mais um tempo.

Corre dois ou três anos para frente, e aqui estou, com um bebê, uma filha de sete anos, os ciúmes naturais entre irmãos, a falta de sono crônica, todos os problemas da casa e trabalho acumulados e ainda uma pandemia que não nos dá as liberdades de gasto de energia que teríamos normalmente para as crianças. Terror para o ansioso aqui. E motivo para eventuais gritos e brigas para ter as coisas feitas, como escovar os dentes, se vestir, etc.

Reiniciei o processo de cortar a cafeína. Não dá para fazer de um dia para o outro, os sintomas de abstinência são terríveis. Semana passada concluí o último pacote de café cafeinado aqui de casa. Com direito a dor de cabeça angustiante dois dias atrás.

Há quatro dias não há discussão, não há problemas que não sejam resolvidos com calma. Não há crise de ansiedade, palpitações. Descobri ainda que meu acordar seguido à noite para fazer xixi também podia ser devido ao sono mais leve do corpo com cafeína, tenho dormido a noite inteira (fora as interrupções eventuais da minha pequena sonâmbula).

Gosto do hábito do café, mas agora aqui, só descafeinado.

Um pouco sobre mim.

Sempre fui experimentador. Kits de química, revelação de fotos, circuitos eletrônicos… gostava de aprender como as coisas funcionavam.

Lembro com bastante clareza que desde cedo gostaria de ter meus próprios negócios. Dezenas de cadernos com meus rabiscos e planos. Eram editoras, estúdios fotográficos, laboratórios de revelação, escolas de informática. Até uma rádio pirata coloquei no ar ainda adolescente, com transmissor montado por mim.

Ao mesmo tempo, sempre fui muito tímido. Daqueles que tiravam 10 no trabalho escrito para poder zerar a parte da apresentação e ainda assim ter nota para passar.

Curiosidade, tecnologia e timidez formam uma combinação interessante. A faculdade de informática foi o caminho natural.

Juntando o desejo de ter minha própria empresa, a busca pela inovação e a formação em computação, o resultado disso tudo foi iniciar a internet comercial aqui no Brasil. Com mais cinco amigos, abrimos um dos primeiros provedores de acesso à internet do país em 1996.

Paralelo a tudo isso tive o exemplo do meu pai ao longo de toda minha infância e adolescência. Com a curiosidade natural de criança sobre o mundo dos adultos, acompanhava as vezes o pai em seu trabalho como economista no Banrisul. Foi assim, por dentro, que cresci sabendo desde cedo como funcionam os bancos, investimentos, fundos, bolsa de valores e tudo mais de finanças.

Sou a mistura desses termos: curiosidade, inovação, tecnologia, sistemas, finanças, tranquilidade.

Já iniciei e terminei mais de meia dúzia de empresas. Algumas vendi, outras fechei. Uma ou duas quebrei. Duas permanecem neste momento.

Já escrevi e publiquei dois livros, um deles por editora tradicional, antes da mágica da auto-publicação se tornar tão simples. Mais três estão a caminho.

Era isso o que tinha para hoje. Obrigado pela leitura.

Se você ainda tem alguma curiosidade sobre mim, fique a vontade de perguntar nos comentários.

Não é sobre escrever.

Comecei há pouco mais de 40 dias o #desafiodos30textos sugerido pela @gabipazos como uma forma de mudar de nível na produção de conteúdo que engaja aqui no Instagram. Este é o texto 45, mudei para #365diasdeescrita para refletir melhor o ponto em que me encontro.

Não é sobre marketing digital.

Apesar do objetivo inicial ter sido produzir conteúdo para o Instagram, também publico os textos em meu blog pessoal. A maioria deles cai na categoria de reflexões sobre a vida. No texto de ontem me dei conta que este conjunto de textos representam minhas convicções mais profundas. As vezes o texto pode ser mais leve, e isso é bom, porque gosto de levar a vida de forma leve, mas muitos deles contém meu eu mais profundo.

Escrevo geralmente pela manhã, assim que acordo. É um hábito, uma rotina que me ajuda a iniciar bem o dia, começando sempre com uma tarefa já concluída antes do resto da família acordar. Quem não deseja começar o dia com as coisas já andando bem, todos os dias? Por mais que as coisas saiam do rumo no restante do tempo, uma tarefa produtiva que desejei executar está lá, na lista das concluídas.

Voltando à questão da escrita, a limitação de 2200 caracteres do Instagram tem me ajudado a lapidar melhor as frases, cortar o que não precisa estar ali. Meus textos tem ficado melhores com esse exercício de revisão e corte. Ao passar os olhos em alguns artigos mais antigos do meu site sobre o investimento em consórcios já entrei em modo revisor e melhorei detalhes que antes haviam passado batido.

Espero que você esteja gostando do que escrevo aqui. Pouca gente comenta, mas se minhas linhas ajudarem uma só pessoa, já valeu a pena. Até porque, pra ser sincero, já escrevi acima: está me ajudando muito.

Você só tem uma vida. Ela pode ser bem longa.

Você só tem uma vida. Ela pode ser bem longa.

Cuide-se. Quando somos jovens parecemos indestrutíveis. Os riscos não são tão bem mensurados como quando ficamos um pouco mais experientes, mas mesmo depois de um tempo já vivido nessa terra, nem sempre nos damos conta de que os anos estão passando.

As vezes a deterioração do corpo é tão gradual, que parece que continuamos os mesmos. Com um pouco mais de dor aqui, uma certa dificuldade em se dobrar ali, uma perna que dói um pouco mais, uma coluna que já não sustenta tão bem quanto tínhamos lembrança, mas basicamente os mesmos.

Não precisa ser assim.

Alimente-se bem. Eu como carnes, ovos, queijos, algumas frutas. Eventualmente arroz, feijão, pastéis. Não me limito muito, mas tento evitar doces e farináceos. Desde que diminuí drasticamente esses dois ítens da minha dieta, as melhoras foram sensacionais. Se você é vegetariano ou vegano, não posso te ajudar muito nesse quesito, pesquise o que você precisa para manter suas vitaminas e minerais em ordem, mas reforço a questão de reduzir drasticamente o consumo de açúcar e grãos (farináceos) para uma melhora substancial.

Faça exercícios regularmente. Você é seu corpo, seus órgãos, seus músculos. Mantenha-os em movimento, caminhe regularmente, suba e desça escadas (mais suba do que desça, para exercitar mais e evitar lesões). Faça treinos de força, não precisa de academia, horários rígidos nem complicações, alguns apoios, barras e agachamentos já são o suficiente. Procure por videos de exercícios com o peso do próprio corpo e veja o que melhor se adapta.

Cuide da sua mente. Esse é um item mais importante para alguns do que para outros. Tem gente que parece estar sempre bem da cabeça. Para quem não tem essa benção, busque as atividades que lhe tragam o equilíbrio necessário e faça-as com regularidade. Normalmente os exercícios regulares ou uma simples caminhada já são o suficiente, então você ganha dois benefícios em um ao mantê-los. Aqui passeio diariamente com o bebê, ganho triplo.

Você só tem uma vida e ela pode ser bem longa. Faça com que seja também com qualidade.

Pai de menina, marido da Mulher Maravilha.

No dia da mulher, só poderia falar aqui da enorme sorte com que a vida me presenteou com uma menina como primeira filha, e da mãe maravilhosa que nasceu com ela dentro da minha esposa.

Que eu tinha nascido para ser pai de menina já sabia desde pequeno. Um filho primogênito seria tão amado quanto, mas sim, eu tinha uma leve preferência. Já sabia também que tinha casado com a Mulher Maravilha, mas não conhecia a força real da minha esposa até ver ela se transformar em Mãe Maravilha.

Minha esposa é resolvedora das coisas, toma a frente quando precisa. Ao nascer a Isabella, logo passou a cuidar da filha, da casa e do marido com maestria. E quando falo cuidar, falo aos maridos que trabalham fora e não fazem ideia do que é “apenas cuidar da casa.”

Cuidar de um filho não é apenas trocar fraldas e dar de mamar, mas toda uma série de micropreocupações que somadas viram uma montanha. Lembrar de todas vacinas. A cada minuto ter que pensar qual será a próxima refeição. E ainda tivemos alergia alimentar para nos preocupar. Ver se tem o que precisa em casa. O que precisa comprar, limpar e arrumar. Esse stress mental constante não dá um segundo de folga. Tem que ser uma Super Mulher.

Neste dia da Mulher, clamo aos homens. Cumpram seus papéis de homens. Cuidem da sua casa e das suas esposas. Coloquem as roupas para lavar. Lavem a louça. Façam as compras no supermercado, mas mais que isso, pensem no que precisa ser comprado. Ajudem suas esposas a suportar a carga da preocupação constante estando presentes. Que esse texto seja um abrir de olhos para que você veja a sua esposa. Porque mesmo consciente disso tudo e presente aqui, as vezes as coisas passam desapercebidas. No dia da Mulher eu digo: acordem, homens.

Para ser um bom Pai de Menina, o melhor caminho é o exemplo. É ser um bom marido da sua esposa. Esse é o exemplo que sua filha levará para a vida. O tipo de pai que a filha vê em casa é o tipo de homem que ela saberá que existe no mundo. E para minha filha, quero que ela saiba que não deverá se contentar com pouco. Ainda estou aprendendo, mas quero ser o melhor pai de menina do mundo.

Histórias importam

Histórias importam.

Sua experiência é única. Você tem algo a dizer. Outras pessoas que estejam passando pelo que você passou podem se beneficiar muito de sua vivência.

Pessoas diferentes aprendem de maneiras diferentes. Sua forma de escrever, de falar, de gravar um vídeo, pode ser justamente do jeito que ressoa com a alma atormentada de outra pessoa.

Conte sua história como inspiração à ação.

Conte sua história de superação para ajudar outros a superar seus desafios.

Conte sua história de dor como empatia à dor dos outros. E conte como essa dor foi superada ou como finalmente você conseguiu seguir em frente, apesar da dor.

Uma única pessoa impactada por sua mensagem já vale o tempo que você dedicou a contar sua história.

Histórias importam. Conte a sua.

A vida que se vive

Quando viajo sempre me perco imaginando como seria morar no lugar em que estou.

Nossas viagens costumam ser longas, pelo menos uns 20 dias. Um misto de querer aproveitar ao máximo o custo das passagens e conhecer bem o lugar.

Antes da Isabella nascer ficávamos em hotéis tradicionais, nem existia ainda o AirBnB. Depois do nascimento, com a necessidade de ficar em locais com cozinha por conta da alergia alimentar dela, passamos a ficar em Flats ou apartamentos alugados por temporada. Desta forma, nossas rotinas no exterior eram semelhantes à que temos em casa, incluindo compras regulares no supermercado, passeios pelo bairro em que estamos e exploração do comércio local.

Foi um pouco antes da baixinha ser concebida que passamos uma temporada no Hawaii. Naturalmente pensei em como seria morar definitivamente por lá. Acredito que tenha sido o melhor período que passamos de todos, mas sempre existe aquela ideia romântica do lugar em que passamos relativamente pouco tempo. Amamos NY, por exemplo, mas a ideia de morar lá definitivamente bate de frente com nosso horror de frio, neve e tudo que isso implica na rotina do dia a dia. O Hawaii não tem esse tipo de problema.

A realidade porém é que sabemos que morar no Hawaii não seriam duas semanas de passeios e banhos de mar de um casal sem filhos. Há a rotina do dia a dia, os compromissos de colégio com as crianças que agora nos acompanham. Há a distância da família e as novas amizades que levariam um bom tempo a ser cultivadas em um novo país.

Nunca sei se é medo da mudança ou se é pragmatismo, mas o fato é que é pouco provável que façamos uma mudança radical em nossas vidas. Estar perto dos nossos pais, o conforto de estar onde conhecemos tudo ao redor, onde sabemos os hospitais com que podemos contar, onde as pratelerias do supermercado já estão mapeadas em nossa memória, onde os colégios já são conhecidos, tudo isso nos mantém por aqui.

Essa é a vida que vivemos. Nossa casa, nossas rotinas, nossa família. Viajar (metaforicamente) é um bom exercício, mas sou bem feliz com as cartas e o tabuleiro que a vida nos apresentou. E quando enjoamos, é só passear um tempo que passa.