A vida que se vive

Quando viajo sempre me perco imaginando como seria morar no lugar em que estou.

Nossas viagens costumam ser longas, pelo menos uns 20 dias. Um misto de querer aproveitar ao máximo o custo das passagens e conhecer bem o lugar.

Antes da Isabella nascer ficávamos em hotéis tradicionais, nem existia ainda o AirBnB. Depois do nascimento, com a necessidade de ficar em locais com cozinha por conta da alergia alimentar dela, passamos a ficar em Flats ou apartamentos alugados por temporada. Desta forma, nossas rotinas no exterior eram semelhantes à que temos em casa, incluindo compras regulares no supermercado, passeios pelo bairro em que estamos e exploração do comércio local.

Foi um pouco antes da baixinha ser concebida que passamos uma temporada no Hawaii. Naturalmente pensei em como seria morar definitivamente por lá. Acredito que tenha sido o melhor período que passamos de todos, mas sempre existe aquela ideia romântica do lugar em que passamos relativamente pouco tempo. Amamos NY, por exemplo, mas a ideia de morar lá definitivamente bate de frente com nosso horror de frio, neve e tudo que isso implica na rotina do dia a dia. O Hawaii não tem esse tipo de problema.

A realidade porém é que sabemos que morar no Hawaii não seriam duas semanas de passeios e banhos de mar de um casal sem filhos. Há a rotina do dia a dia, os compromissos de colégio com as crianças que agora nos acompanham. Há a distância da família e as novas amizades que levariam um bom tempo a ser cultivadas em um novo país.

Nunca sei se é medo da mudança ou se é pragmatismo, mas o fato é que é pouco provável que façamos uma mudança radical em nossas vidas. Estar perto dos nossos pais, o conforto de estar onde conhecemos tudo ao redor, onde sabemos os hospitais com que podemos contar, onde as pratelerias do supermercado já estão mapeadas em nossa memória, onde os colégios já são conhecidos, tudo isso nos mantém por aqui.

Essa é a vida que vivemos. Nossa casa, nossas rotinas, nossa família. Viajar (metaforicamente) é um bom exercício, mas sou bem feliz com as cartas e o tabuleiro que a vida nos apresentou. E quando enjoamos, é só passear um tempo que passa.

Autor: Fabricio S. Peruzzo

Papai investidor, marido, polímata, empreendedor, curioso. Tranquilidade financeira é qualidade de vida.

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