Aposentadoria do pequeno empreendedor.

Quando somos funcionários de uma empresa, esta recolhe o INSS sobre nosso salário. Isso garante, na pior das hipóteses, um prato de sopa para a velhice. Arriscar todo seu futuro em um só emprego é temerário, mas ao menos esse recolhimento automático existe. Apesar de muitos reclamarem, a verdade é que se não houvesse tal recolhimento, muitos não teriam como se aposentar.

Já quando somos pequenos empreendedores, normalmente temos a prerrogativa de definir sobre quantos salários mínimos recolher o INSS. E a maioria recolhe sobre o mínimo possível, com o argumento de que são mais capazes que o governo de cuidar do próprio dinheiro.

Eu gostaria de sugerir fazer diferente. Gostaria de sugerir aos pequenos empreendedores que recolham o INSS sobre o máximo possível pelas regras em vigor. O motivo para isso é simples. Uma empresa própria é ainda mais arriscado do que apenas um emprego padrão. Se tudo der certo (e as estatísticas falam o contrário) recolher o INSS pelo teto máximo não será um gasto relevante frente aos resultados. Foi gasto, não compensará no futuro, mas na verdade não fará nenhuma diferença.

Por outro lado, se os anos passarem e seu negócio não decolar, ou se até der certo, mas apenas para manter uma vida digna enquanto for possível manter sua dedicação ao longo do tempo, você contará então com uma aposentadoria um pouco melhor.

Claro que os sabichões de plantão irão dizer que é melhor pagar sobre o mínimo e investir a diferença. Mas eu rebato: quem disse que você sabe investir? E mais, quem garante que você realmente fará isso? Recolher o INSS pelo teto é mais simples e automático, você orienta seu contador a fazer desta maneira e esquece o assunto até o fim dos dias.

Em um país onde a maioria dos negócios quebram antes de poucos anos, pagar pelo teto é ainda uma forma de garantir que você está no caminho certo, ganhando o suficiente para poder fazer isso.

Construindo sobre os ombros de gigantes

Sempre foi mais ou menos assim. As pessoas inventam coisas novas normalmente melhorando alguns aspectos de algo que já existia.

Hoje pela manhã vi um filme dos Irmãos Lumiere (https://twitter.com/mikewarburton/status/1370324649695981570?s=21) mostrando a chegada de um trem na estação em 1896, colorizado recentemente. Podia falar aqui do processo de colorização que tornou ainda melhor o filme, mas não foi isso que o filme me lembrou.

Me dei conta, neste momento, que enquanto estavam inventando o processo de filmagem que tanto nos entretém hoje em dia, os irmãos Lumiere não precisavam apenas se envolver com os aspectos físicos e químicos do que estavam inventando, mas ainda com banalidades práticas como o tripé que seguraria a câmera filmadora deles. E mais, a estranheza que tal objeto representaria aos passageiros que desembarcavam do trem naquele dia.

Claro que sempre pode aparecer um espertinho dizendo que já existia a fotografia antes da filmagem, então eu já desarmo esses transferindo para primeira foto a preocupação com o tripé. Esse filme foi só o que me despertou para o fato.

Em 1996 montei um dos primeiros provedores de acesso à Internet (na época se escrevia assim, inicial em maiúscula) sobre os ombros dos gigantes que vieram antes de mim. O protocolo HTML, o primeiro navegador, tudo isso foi construído sobre uma internet que já existia.

Era isso o texto de hoje. Queria apenas celebrar aqueles que vieram antes de nós e, com suas invenções maravilhosas, com seus esforços em épocas de muito maiores dificuldades, construíram as bases para o mundo em que vivemos hoje.

Documente sua jornada

Foi o Gary V. quem primeiro falou sobre documentar nossa jornada nas redes sociais. A questão toda é simples: não sabemos quão alto iremos chegar, mas ao longo dos anos, todos iremos percorrer algum caminho.

O que constrói um vencedor é o trabalho diário. O sucesso da noite para o dia leva ao menos 10 anos para surgir. Então, enquanto cresce, documente sua jornada. Seus maiores fãs (procure por “1000 fãs verdadeiros”, do Kevin Kelly) serão justamente os que te viram crescer, os que te conhecem desde antes do sucesso da noite para o dia. Você vai poder se referir a eles com frases como “quem estava aqui quando ainda era tudo mato.”

Veja minha história. Há 19 anos comecei a investir usando os consórcios de imóveis como ferramenta de formação de patrimônio. Minha área era a informática, meu negócio era um provedor de acesso à internet.

Documentei o início da minha jornada nos investimentos até os lucros com os consórcios surgirem. Documentei meu crescimento como investidor e ajudei aos primeiros amigos que me pediram orientação. De 2002 a 2008 foi assim.

Em 2009 vendi minha empresa de internet, passei a me dedicar integralmente aos consórcios e, da noite para o dia, me tornei um dos maiores vendedores de consórcio do Brasil. Do início até as premiações com viagens internacionais foram seis anos que não apareceriam para quem me conheceu depois do sucesso, não fosse eu estar documentando essa jornada.

O mais importante de documentar sua jornada é justamente a chegada do sucesso. É a jornada que justifica a confiança dos novos clientes em teu trabalho. Quem chega hoje vê minha empresa sólida, com anos de mercado. É fácil comprar de mim agora, não preciso provar que existo.

É até engraçado escrever isso, mas quando comecei, precisava, literalmente, provar que eu existia de verdade. A internet não era essa ferramenta presente na vida de todos. Documentar minha jornada era essencial, pois meus clientes, em outros estados e até mesmo em outros países, precisavam saber que o Fabrício existia e era real, não uma história escrita nessa tal de internet.

Investir é um estilo de vida

Investir deve ser uma atividade regular. Todos os meses você separa um pouco (ou muito) do que ganha com seu trabalho e investe em ativos que geram renda ou possam valorizar ao longo dos anos.

Você não vai enriquecer investindo. Você vai enriquecer com os frutos do seu trabalho que serão investidos. É importante diferenciar essas duas coisas, pois muitos pensam poder enriquecer investindo e perdem tempo precioso de suas vidas tentando encontrar a fórmula mágica para enriquecer da noite para o dia, em vez de utilizar seu tempo para aperfeiçoar suas habilidades de ganhar dinheiro e, com isso, ter efetivamente algum valor relevante para investir. Sei disso porque já caí nessa armadilha.

Então você não vai enriquecer investindo, mas investir regularmente é importante, pois é o que forma patrimônio. E patrimônio, você sabe, é a materialização da riqueza. Por isso a importância de saber o mínimo sobre investimentos. Seu patrimônio precisa crescer de forma automática. Não precisa ser um gênio para isso, basta saber o básico sobre investimentos e aplicar o que já se provou vencedor: simplicidade e diversificação. Não invente moda e não deixe todos os ovos na mesma cesta.

O que torna uma pessoa rica é seu trabalho. Invista em você. Trabalhe mais e melhor. Diversifique seus investimentos, mas diversifique também suas fontes de renda. Se você tem um emprego, pense em um pequeno negócio que possa tocar depois do trabalho. Se ainda não se sente capaz disso, use o tempo fora do trabalho para se aperfeiçoar, faça cursos, estude inglês. Busque atividades que o qualifique para trabalhos mais bem pagos.

Se você é empreendedor, concentre todas suas forças no seu negócio e aí sim, não diversifique. Um negócio próprio é a melhor forma de enriquecer de verdade, basta olhar a sua volta os grandes empreendedores de todo planeta. Neste caso específico, o foco é seu melhor amigo. Por outro lado, com a concentração da sua fonte de renda, diversificar os investimentos se torna ainda mais importante.

Existe uma situação específica em que devemos ignorar essa questão da diversificação. É quando estamos começando a formar patrimônio. Neste período inicial foque em construir uma reserva de segurança. O objetivo deste valor não é crescer da melhor forma possível, mas sim, ter liquidez imediata em caso de emergência, como uma doença que te impeça de trabalhar por um tempo, por exemplo. Use a poupança ou um fundo de renda fixa simples, com a menor taxa possível. Junte o suficiente para três, seis, ou doze meses do seu custo de vida. O objetivo aqui é te dar tranquilidade de que as eventualidades da vida não irão te derrubar financeiramente.

Viva uma vida plena, mas sem extravagâncias caras. Busque ganhar mais não para gastar mais, mas para poder economizar um percentual maior do que ganha. Em pouco tempo seu patrimônio crescente produzirá frutos. Reinvista esses e, logo, poderá viver a vida que sempre quis, com a renda de seu patrimônio acumulado.

É simples, mas não é fácil. Se precisar de ajuda, conta comigo.

Linha editorial

The Apartment. Billy Wilder.

Dizem que para ter sucesso no ambiente digital é preciso uma linha editorial bem definida. O que é isso? Porque é importante?

Uma linha editorial é simplesmente a definição dos tópicos que você costuma falar em sua comunicação. Inclui o assunto principal que você deseja transmitir, por exemplo, o uso dos consórcios como investimento no meu caso, mas também assuntos acessórios como finanças pessoais e tranquilidade financeira, para pegar tópicos relacionados, ou paternidade ativa, como um tópico extra, mas ainda assim, complementar.

Por fim, sua linha editorial pode e deve incluir assuntos que não estejam diretamente relacionados com o objetivo principal, mas que dão um alívio ao assunto ou simplesmente ajude seu público a lhe conhecer melhor. Gera intimidade, te mostra real, não uma figura construída artificialmente. Novamente citando meu caso, temos aquarelas e desenhos, temos computadores antigos e máquinas fotográficas velhas. Temos máquinas de escrever. Temos cadernos e rabiscos.

Note que esta última parte da minha linha editorial mostra o tipo de coisas que eu gosto, mas mais que isso, mostra coisas de um tempo em que as relações eram mais pacientes, construídas com o tempo. Pode parecer não haver relação com o consórcio de imóveis que trato como ferramenta de investimento, mas estão intimamente relacionadas. Assim como uma carta escrita a mão e enviada pelo correio, da mesma forma que uma foto que precisa ser revelada depois de batida, o consórcio possui um tempo de maturação até ser contemplado e gerar lucros. A tranquilidade financeira chega depois de um tempo em que economizamos todos os meses para formar uma reserva de segurança.

As coisas se entrelaçam. Mostrar quem sou e o tipo de relacionamento que prezo ajuda a atrair para meu negócio o perfil de investidor que busca coisas semelhantes a mim. Um investimento simples, automático, que deve nos acompanhar por toda a vida e nos proporcionar a tranquilidade que buscamos atingir.

Você busca uma forma de enriquecer rapidamente? Seu lugar não é aqui. Não acredito em pressa, acredito em qualidade e tranquilidade.

Vem comigo?

Deu ruim

Sala do escritor, um pouco mais organizada que a minha.

Quantas vezes você tentou fazer algo e o resultado não foi dos melhores?

Quantas vezes você desafiou o conselho de outras pessoas e se deu mal?

Quantas vezes você insistirá no erro de tentar fazer as coisas por própria conta?

Parabéns! Continue tentando.

“O custo de fazer algo e dar errado é muito menor do que o custo de não fazer nada.” — Seth Godin.

Uma amiga aqui do Instagram, a @mariaocaz, postou essa frase ontem e escreveu sobre ela o texto 28/30 do #desafiodos30textos. Faço dela meu texto 22/30.

Muita gente opta por não fazer nada para evitar críticas. Optam por não fazer nada para não ter que lidar com a dor de errar. Optam por não fazer nada por vergonha de parecer incapazes.

Incapaz é justamente quem nem começa. É quem faz só o feijão com arroz, e depois fica reclamando a vida toda que nunca conseguiu comer um bife. O mundo é dos ousados, de quem coloca a cara a tapa, daqueles que se atiram e dão o seu melhor. E se no processo caem, levantam, sacodem a poeira e tentam de novo.

Passei anos escrevendo um livro que nunca publicava. Refinando o que já estava pronto a muito tempo. E se meus amigos acharem o livro bobinho? O que vão pensar de mim? Nunca fui atrás de publicar de verdade. Então a sorte caiu no meu colo. E por ter o livro pronto, me atirei sem rede de proteção. Todos meus amigos estavam lá no lançamento, exemplares na mão, na fila para autógrafos. Nenhum falou mal do livro. Porque os amigos fazem isso, apoiam. Compram o livro que nem mesmo tem um conteúdo que precisem ou que os interessa, simplesmente porque é o livro de um amigo. A esses amigos agradeço de coração. É esse carinho que permitiu que um livro que ajuda muita gente para o qual é o livro certo, chegasse nessas pessoas ao ser publicado. Quem não precisa é justamente quem proporciona a coragem para que fosse publicado.

E se há 12 anos dei esse passo, neste 2021 retomo o rumo depois de um bom tempo parado. Já tem lá na Amazon um livreto pequeno, ridículo, curtinho, sobre um só assunto: “Consórcio: como não entrar numa fria”. É só o segundo, de muitos que virão.

Se eu apenas ouvisse minha intuição…

Minha intuição as vezes evita que eu entre em uma fria. Não foi um nem dois negócios que eu deixei de participar porque sentia que algo estava errado, mas não sabia o motivo. E um tempo depois o motivo aparecia, ou o negócio simplesmente deixava de existir por conta das pessoas envolvidas.

As vezes minha intuição parece falhar. Foi o que aconteceu há mais de 20 anos, quando perdi minha primeira empresa. Me envolvi em um grande projeto, com ótimas pessoas, mas no meio delas havia uma fruta podre. Nem eu, nem os outros sócios conseguimos identificar a podridão antes dela surgir. Os resultados foram variados, alguns tinham mais cacife e saíram menos chamuscados. Eu, basicamente perdi tudo que tinha construído até então. O que me restou foi o conhecimento. E agora, a experiência.

Então eu penso comigo mesmo. Será que minha intuição falhou mesmo? Porque a análise posterior mostrou que não fui o único a cair na lábia do trambiqueiro. E mais que isso, dado o rumo que outras coisas tomaram depois da queda, se parar para pensar, no final das contas, há males que vem para o bem. Meus negócios posteriores à queda se tornaram muito melhores do que o anterior. Será que eu estaria preparado para as mudanças no mercado que ocorreram entre um ponto e outro, se não tivesse passado pelo inferno antes?

Um pouco depois dessa história, perdi tudo que tinha na bolsa. Era pouco comparado a hoje, mas a lição ficou de tal forma aprendida, que os solavancos que aconteceram nos mercados nos últimos anos simplesmente não me atingiram. Aprendi cedo os benefícios da diversificação. Enquanto o mundo desabava, meu patrimônio crescia.

Quando me apresentaram os consórcios em 2002, escutei minha intuição. Pensei na época que seria apenas uma boa ferramenta para me ajudar a guardar dinheiro regularmente para no futuro começar a investir em imóveis. Não imaginava que iria se tornar meu maior veículo de investimento pessoal, muito menos que iria se tornar meu negócio, ofuscando a informática e tudo que tinha estudado até então. Mesmo quando caí do cavalo, com a sociedade furada em que a pessoa que originalmente me apresentou ao consórcio fez dívidas enormes em nome da empresa em que fomos sócios, foi uma queda que no final das contas proporcionou uma alavanca para crescimento ainda maior depois disso.

Um momento em que não escutei minha intuição (e também não escutei minha esposa) aconteceu no início de 2018. Me conhecendo, provavelmente teria saído muito antes de lucrar algo relevante, levo a segurança financeira da minha família como mais importante do que a possibilidade de acertar na Mega-Sena. Então o exercício posterior é mero relato do que poderia ter sido, mas provavelmente não seria mesmo. Deixo aqui apenas para registro. Naquela época o Bitcoin estava cotado em R$ 13.000, depois de ter batido nos R$ 73.000 uns meses antes. Eu já tinha surfado essa onda, tendo entrado perto dos 18.000 e saído nos 65.000, então não dá para reclamar muito. O fato é que naquele ponto eu cogitei a ideia de comprar R$ 100.000 em Bitcoins a R$ 13.000 cada. Vendo ele hoje a R$ 300.000 cada um, fica um gosto amargo de não ter participado desta festa. Só que de novo, me conheço. Sei que na prática, mesmo que tivesse comprado tudo que pensei em comprar, provavelmente teria saído muito antes, logo que tivesse dobrado o investimento, provavelmente antes ainda. Então sei que este é um exercício fútil de prever o passado e reescrever a história para encaixar em uma narrativa. Fica este parágrafo aqui apenas para isso. Para registrar o que poderia ter sido, mas que mesmo que fosse, não seria. Me conheço bem demais 🙂

E você, escuta sua intuição regularmente?

Como começou

Primeiro logotipo da OpenSite

Os sonhos já vinham de longa data, mas o passo definitivo veio em 95 quando, junto com o Atsu, abrimos uma empresa cada um. Eu era sócio com 1% na empresa dele. Ele era sócio com 1% na minha. Esse era o esquema para abrir uma empresa LTDA em que o número mínimo de sócios tinha que ser dois, em uma época em que não existiam empresas EIRELI e acredito que nem mesmo ME. Pensando no assunto com a cabeça de hoje, imagina se um de nós tivesse construído um Google da vida e o outro navegasse tranquilamente com 1% dos resultados. Não teria do que reclamar, nem se fosse eu que tivesse construído isso, nem se fosse ele.

A questão é que não construímos um Google, mas muito antes deles começarem, fizemos algo ainda melhor para nós mesmos. Ainda era 1995 e acessar a internet era uma coisa complicada. Não existia Net, Virtua, redes WiFi em tudo que é lugar. Não existiam redes WiFi, para falar a verdade. Alguma das opções envolviam discar para um servidor da universidade, normalmente usando uma conta de algum amigo professor que emprestava a conta sem nem saber direito para quê. No servidor rodávamos um programa que “abria a rede” e, com outro programa rodando em nosso próprio equipamento, conseguíamos conectar.

Tudo isso já era melhor do que tinha sido uns anos antes, onde o acesso se dava somente por texto, com comandos crípticos que levavam a informações esparsas que podiam ser baixadas para o computador central, lidas exaustivamente e no meio disso, encontrávamos pepitas de informação interessante, como o texto completo do livro “O Guia do Mochileiro das Galáxias.”

Voltando ao começo, em 1996 já existiam maneiras um pouco mais simples de acessar a internet. O primeiro navegador, o Netscape, tinha sido lançado, e os programas de conexão haviam ficado um pouco mais simples de utilizar, com protocolos de comunicação que permitiam, no Windows 3, conectar e navegar em um ambiente integrado. Só havia um problema: não existiam provedores de acesso à internet aos quais poderíamos nos conectar.

O primeiro disponível aqui em Porto Alegre foi a Conex. Disponível é uma palavra forte. Existiam, mas eram um projeto de alunos da UFRGS. A conexão se dava com um computador da universidade inicialmente, e quando transformaram o projeto em empresa e abriram para o público as coisas não se tornaram melhores muito rápido.

Fomos lá nos informar. Havia uma lista de espera para podermos nos tornar clientes. Estávamos lá pelo número 3000. Estavam conseguindo atender por volta de 300 pessoas novas por mês. Nem pensar esperar mais 10 meses para podermos ter nossa conexão. A solução foi imediata, vamos montar nosso próprio provedor de acesso à internet!

Mais fácil falar do que fazer. Uma conexão dedicada de 64Kbps custava mais de R$ 2000 mensais (alguém aí calcula o quanto dá isso em valores de hoje). Para poder atender clientes precisávamos ainda de linhas telefônicas, impossíveis de adquirir na época. Teríamos que alugar, e custavam caro. Alugamos 30 linhas. Equipamentos, roteador, placa multi-serial para ligar os modems no computador central, o servidor principal, servidor secundário, computadores para podermos trabalhar, sistema de cobrança, integração com o banco para emissão dos boletos. Nada disso existia pronto como é hoje, tudo precisava ser feito do zero. Olhando para trás, é divertido ver o quanto evoluímos. Hoje me sinto como os exploradores do oeste, quando não existia nada além da costa.

Juntamos alguns amigos, e em seis, com um vendendo o carro, outro juntando as economias, outro trabalhando e trazendo dinheiro mensalmente para fechar sua cota, um configurando, outro desenhando, outro escrevendo e no final de poucas semanas tínhamos a empresa rodando, com propaganda no jornal e tudo mais. Quinhentos clientes logo de cara. Muito mais demanda do que oferta.

Bons tempos aqueles. Uma época bem diferente de hoje. Tente imaginar, por alguns minutos longos, como seriam seus dias sem telefone celular. Agora, imagine o seu dia sem a internet. Descrevi como fizemos para resolver nosso problema de conexão à internet, mas para falar a verdade, não havia muito o que fazer na internet naquela época. Era tudo mato! E a gente lá, com pás, picaretas, tentando desbravar esse novo mundo e explicar para as pessoas incrédulas, o quanto a internet iria mudar o mundo dentro de alguns anos. Parece que foi ontem, e foi, mas lá se vão quase 30 anos. Há uma geração inteira de jovens trabalhadores que nunca viram o mundo antes da internet. Fico imaginando como será a geração posterior à colonização da Lua, ou de Marte, gente que nunca imaginou que se vivia apenas na Terra, sem naves espaciais particulares, sem espaçoportos.

Escrevendo isso hoje, penso nas leituras que fiz do Hemingway. Não me comparando com ele, óbvio, mas lembro vividamente de ler sobre os dias dele em Paris, das rotinas, de buscar madeira para a lareira, de subir lances de escada até os apartamentos mais altos (e de aluguel mais barato), de uma vida sem ar condicionado, com piores condições sanitárias bem descritas em suas páginas. Nas doenças que já foram erradicadas com a descoberta de remédios e vacinas.

O começo da minha vida de empreendedor foi assim. As mudanças aconteceram com tal velocidade que é difícil de explicar para quem não viveu aquela época. E mesmo quem viveu de fora, apenas usufruindo de tudo que a internet nos trouxe, consegue lembrar de uma época em que nada disso existia. Mandar cartas, aguardar dias para chegar e não saber quando teríamos uma resposta. Telefonemas internacionais eram praticamente impossíveis e inviavelmente caros. Mandar um filho para intercâmbio e não saber se já tinham feito a primeira conexão no voo, a segunda conexão, se já tinham passado pela alfândega, imigração. Hoje não apenas temos tudo isso em tempo real, como ainda temos fotos de cada etapa da viagem. Isso quando não temos as mensagens chegando de dentro mesmo do avião.

Imagina bater uma foto e só ver o resultado alguns meses depois, quando finalmente acabasse o filme de 36 poses e mandássemos revelar. Muitas vezes nem lembrávamos onde tínhamos batido aquelas primeiras fotos, meses antes. Sim, porque a paixão pela fotografia também passou por uma revolução ao longo da minha geração. Os jovens adultos de hoje não sabem o que é viver em um mundo menos documentado, onde uma foto era um evento. Mas isso é papo para outra hora, vou ficando por aqui.

E você? Como tudo começou?

Negócios não lineares

Veja lá no meu IGTV.

Há diversas maneiras de se fazer negócios e investir o dinheiro. A maioria das pessoas realiza estas duas atividades de maneira linear. Neste rápido artigo gostaria de mostrar uma nova forma de ver as coisas, melhor, muito mais lucrativa. E dou um exemplo de como isso funciona na compra de um imóvel na planta para posterior venda com lucro.

Compra de imóvel na planta de maneira linear:

Você vai até a construtora ou imobiliária, escolhe o apartamento na planta que deseja comprar, negocia as condições de pagamento e realiza a compra.

Uma das maneiras de ganhar dinheiro com esse investimento é negociar o menor pagamento possível até a entrega do imóvel pronto, para então vender ele pronto com um bom lucro sobre o valor de aquisição. Como pagamos apenas uma parte do imóvel e repassaremos o saldo devedor para o comprador, um lucro de 20% sobre o valor total do imóvel pode se tornar, por exemplo, um lucro de 50% sobre o valor efetivamente investido, caso tenhamos pago apenas 40% até a entrega. Um lucro de 50% em dois ou três anos, que te parece?

Compra de imóvel na planta de maneira não linear:

Tenho uma amiga fazendo isso. Pessoalmente ainda não fiz nenhum negócio destes. Esta amiga já fez três nos últimos tempos. 

Em vez de simplesmente comprar um imóvel na planta como mostrado acima, a ideia é pensar como otimizar o lucro de maneira a lucrar mais e/ou lucrar mais rápido. Pensando de forma não linear inserimos algo no meio do negócio que nos permite melhorar nossos resultados.

O que esta amiga está fazendo? Ela procura e compra veículos usados, em bom estado e relativamente novos, buscando comprar com desconto sobre o valor da tabela FIPE. Quando trocamos o carro em uma concessionária, por exemplo, normalmente aceitam nosso veículo com desconto de aproximadamente 20% sobre o valor FIPE. Então é relativamente simples conseguir comprar com um bom desconto, pois as pessoas já estão meio que acostumadas a negociar. E dinheiro na mão é dinheiro na mão, então oferecer para comprar a vista um veículo de pessoa física é praticamente certeza de conseguir um bom desconto.

O pulo do gato aqui é que muitas construtoras aceitam veículos como parte do pagamento em seus imóveis. Estão todos na mesma luta, cada um defendendo o seu, então fazer negócios é aceitar o que os compradores podem oferecer. Dada a diferença de valor entre um apartamento e um carro, aceitar este pelo valor da tabela FIPE é algo relativamente simples de se conseguir em uma negociação de um apartamento que nem mesmo começou a ser construído.

E desta forma temos a compra de um imóvel na planta, com potencial de valorização, e com uma entrada que apesar de representar um percentual do valor do imóvel, na verdade custou 20% a menos. Se vendermos este imóvel logo em seguida, mesmo que por um pouco menos do que “temos já quitado,” ainda assim estamos com o lucro do veículo no bolso. Um lucro que, se fôssemos apenas tentar revender o veículo, dificilmente conseguiríamos. E se fôssemos tentar vender o imóvel com lucro logo em seguida, também não conseguiríamos, porque ninguém iria comprar um imóvel por mais do que a própria construtora está oferecendo no mercado.

Extrapole esse pensamento não linear para outras áreas, pense em que negócios você está envolvido que poderia usar um pensamento “fora da caixa” para otimizar ou tornar mais lucrativo.

Só não caia em armadilhas simplistas… quer comprar um imóvel pronto para morar? Será que vale a mesma ideia? Se você comprar de uma construtora, pode ser que sim. Se comprar de uma pessoa física, acredito que não. O desconto que uma intermediação lucrativa com um veículo pudesse representar, pessoalmente acho que é mais fácil de conseguir como desconto oferecendo o pagamento a vista com desconto. 

Gostou dessa lógica? Manda este artigo para um amigo investidor que poderia lucrar com isso. 

The magic glasses

Swarovski Red Apple

One morning, in July…

Assim começava a história em quadrinhos do JEP – Junior English Program, meu primeiro curso de inglês no Yázigi (na época não tinha acento). “The Magic Glasses”era o título da longa história que se desenvolveria em seis etapas do curso onde aprenderíamos inglês. Mas não estou aqui hoje para falar sobre aprender inglês. Só achei curiosa a lembrança, e no final do texto talvez você entenda o porquê.

Estou aqui hoje para falar de tecnologia, inovação e investimentos, os tópicos com que mais me identifico neste mundo real e virtual.

E comida, estou aqui para falar de maçãs, ou mais especificamente, da Apple.

Apple

A Apple se tornou em agosto de 2018 a primeira empresa avaliada em mais de um trilhão de dólares. Dois anos depois, já tinha dobrado de valor e é avaliada hoje em mais de dois trilhões de dólares. No final deste artigo gostaria de deixar clara minha ideia de que ela será, dentro de algum tempo, a primeira a chegar aos 3, 4, 5 trilhões. Essa é a parte do artigo em que falo de investimento, e paro por aqui mesmo. Se você pensa em investir em alguma empresa, invista nas que você usa e acredita que continuará usando por muitos anos a frente.

Apple Watch

Comprei um Apple Watch há poucos anos, logo que saiu o Series 3 e estava passeando pelos USA na época. Desde então ele tem sido um companheiro inseparável no meu pulso, dia a noite. Sim, noite, porque durmo com ele enquanto ele monitora meu sono. Tem outras vantagens usar o relógio à noite, a lanterna dele é bastante prática quando minha filha acorda de madrugada para fazer xixi e a ajudo sem precisar acender luz forte e estragar o resto do sono dela.

O relóginho é fascinante. Fora a praticidade de ver mensagens no pulso, sem precisar tirar o telefone do bolso, e inclusive poder responder as mesmas ali na hora, estilo Dick Tracy, o mais interessante mesmo são os diversos monitores que ele possui. Com o movimento, sabe se você está de pé ou sentado, parado ou se movendo, correndo ou caminhando ou lavando louça (será que o App de exercício conta essas calorias?) Sabe seus batimentos cardíacos e nos modelos mais recentes mede nível de ruído ambiente, nível de oxigenação do sangue e até faz eletrocardiogramas.

Tudo está integrado de tal maneira que as coisas fluem naturalmente. Não há como não ter vontade de acompanhar como foi seu dia em termos de movimento, se você atingiu ou não suas metas diárias de gasto calórico, movimento, ou mesmo levantar a bunda da cadeira e ficar de pé alguns minutos de hora em hora. As vezes assusta um pouco, principalmente para quem é meio ansioso como eu sou, quando ele te avisa que teus batimentos cardíacos em tal horário passaram dos 110 bpm e tu pensas “será que estava correndo? fugindo do cachorro do vizinho? Não, estava só lavando louça nesta hora…), mas no geral, as surpresas são boas.

Até para dirigir ele ajuda. Quando programamos o GPS do celular para nos guiar no trânsito, antes de cada curva uma tremidinha no pulso te avisa com antecedência para dobrar sem precisar ficar olhando a tela do celular toda hora.

A quantidade de sensores disponíveis no pulso de cada um de nós e as possibilidades que isso abre são fascinantes já na atualidade, mas ainda mais a cada nova função que vamos agregando nos dias que seguem. Há poucos anos, esses sensores todos precisariam de uma ampla sala para caber e poder serem usados por especialistas. Hoje estão no pulso.

iPhone

O meu é um XS Max, depois veio o 11 e agora o 12. Não devo atualizar ainda, apesar das câmeras novas me tentarem bastante, apaixonado por fotografia que sempre fui e hoje com filhos pequenos para documentar. De toda forma, a câmera do iPhone 6S em diante já é avançada o suficiente para fotos excelentes dos pequenos, e se no passado era importante (e fazia diferença) trocar de smartphone com regularidade, hoje isso não é o mais importante aqui em casa.

O iPhone é a central de processamento do universo Apple. O Apple Watch faz muita coisa sozinho, mas quando integrado com os processadores avançados presentes nos iPhones mais modernos, as possibilidades multiplicam exponencialmente.

Os novos iPhones, além de processadores mais rápidos e co-processadores especializados, com redes neurais, processamento de sinais, inteligência artificial e todas essas coisas avançadas que as empresas gostam de divulgar, possuem câmeras com sensores e recursos que também, assim como os sensores do Apple Watch, antes precisavam de salas inteiras para funcionar e operadores especializados para os utilizar. Com sensores de distância, infravermelho e mapeamento de objetos, o telefone basicamente enxerga no escuro. Junta essa capacidade extra-óptica com o processamento avançado, e as fotos noturnas ficam impressionantes.

The Magic Glasses

Você leu aqui primeiro. O próximo produto revolucionário da Apple serão óculos mágicos que permitem ver o invisível. Sim, estou falando sério. Não vai ser aquela bobagem que o Google lançou e logo tirou do mercado por problemas de posicionamento e privacidade. Nem vai ser um objeto futurístico que nos deixa parecendo um androide de ficção científica. Serão óculos com cara de óculos, inclusive com lentes graduadas para quem realmente as precisa para enxergar bem. E terão sensores que antes, mais uma vez, precisariam de amplos espaços para serem utilizados, agora comprimidos em uma armação comum.

Imagine um mundo em que você pode filmar de forma totalmente simples e automática tudo o que está vendo. Sim, os óculos do Google faziam isso uns anos atrás. Agora imagine você poder filmar o que não está vendo. E ver mais do que está vendo. Com tecnologias como AR, processamento avançado integrado com o celular que está no seu bolso (e que na verdade é um supercomputador, e não um simples celular), câmeras integradas com sensores LIDAR e infravermelho/ultravioleta e sabe-se lá mais o que estão inventando lá, imagine olhar para a água escorrendo na torneira, ou a chaleira no fogão, e “ver” a temperatura através de uma sobreposição em vermelho sobre o objeto quente, ou em azul sobre algo gelado.

Aqueles visores de ficção científica onde as pessoas que olhamos são identificadas e seus dados principais são exibidos para nossa visão prévia, estão se tornando realidade. Encontrou na rua aquele cliente que você só havia visto uma vez e não lembrava mais das feições, ou esqueceu o nome diante de tanta gente que você atende diariamente? Não é problema, o nome dele estará ali a sua vista, de forma discreta e confidencial, com os dados da sua agenda pessoal sendo mostrados junto da identificação.

Já faz alguns anos, mas cada vez mais, vivemos dentro de uma realidade de ficção científica. Para alguém da minha idade e história pessoal, que quando mais jovem achava que tinha “perdido o trem do desenvolvimento” por ter nascido uns anos depois da industria dos computadores já estar “desenvolvida” e não haver muito mais o que fazer de novo… é sensacional viver isso tudo como parte do dia a dia.

Fico só imaginando as possibilidades quando essas crianças todas que crescem achando tudo isso “parte natural do dia a dia” começarem a elas também acrescentar funções e novos sensores para ampliar ainda mais nossas capacidades pessoais.

Resumindo: compre Apple (as ações da empresa, não necessariamente os produtos), viva a inovação constante, e aprecie este mundo maravilhoso em que vivemos, cada dia com novas capacidades aumentando nossas habilidades naturais.