A ordem é pensar como empresário

Carlos Armida, Patagon

26 de abril, 2001

A figura tradicional do empresário é a representada por uma pessoa que faz seu trabalho perfeito e se dedica a sua empresa de corpo e alma. De certa forma, o empresário vive para a empresa, o que não se aplica à maioria dos empregados.

Se você quer ser um executivo bem sucedido, a fórmula é simples: viva e trabalhe como um empresário. Faça de sua empresa não somente a empresa da qual você vive, como também a empresa para a qual você vive.

O que foi descrito anteriormente tem muitos significados e, neste momento, só irei abordar alguns, talvez não os mais importantes, mas começaremos por aí.

Em primeiro lugar, quero esclarecer que viver para a empresa não quer dizer, nem de longe, “viver na empresa”. Não é questão de estar lá o tempo todo, mas somente durante as horas em que podemos ser produtivos. Este é o primeiro passo: não “fique” na empresa somente por ficar, mas para produzir.

Muitos executivos pensam que são um bom enfeite para o escritório e que, quanto mais tempo passarem lá, mais contente ficará o chefe. De fato, existem chefes que apreciam esta “disponibilidade”, mas, felizmente, não irão durar muito nesta nova economia.

Hoje em dia, o importante é o que fazemos, e não o que damos a impressão de estarmos fazendo.

Aí, se encaixa o segundo ponto: o empresário traz resultados, ao invés de somente falar sobre resultados.

A inovação é, sem dúvida alguma, uma característica muito bem vista e necessária nos empresários. Este é o terceiro ponto: aja de forma inovadora e contribua para sua empresa, faça crer que a empresa é sua.

Tudo vale, inclusive novas idéias e maneiras de fazer as coisas. Não espere que lhe digam que você tem de mudar; antecipe essa necessidade. O empresário arrisca tempo, capital, esforço e seu prestígio. Pois bem, aí vai outro ponto em que refletir: arrisque, não seja conformista.

Não fique tranquilo e cômodo esperando que alguém faça as coisas por você. Você deve e pode fazê-las. Claro que sempre vai haver risco, mas lembre-se de que, quem não arrisca não petisca, e, pior ainda, se entedia, no sentido mais amplo da palavra.

Nesta nova economia, os executivos bem sucedidos serão os que compreenderem o que está acontecendo no ambiente de trabalho. Porque, se você ainda não percebeu, a maneira pela qual trabalhamos está mudando e, embora não se queira acreditar, de forma mais rápida do que gostaríamos que mudasse.

Desta forma, ou você muda ou fica de fora e o termo “de fora” quer dizer de fora mesmo. Somente os que demonstrarem grande capacidade de adaptação sobreviverão.

Você será um desses? Tudo depende de você, pois, agora, você já sabe como ser um executivo bem sucedido: é preciso se comportar como um empresário.

Definindo metas pessoais com muita inveja

Quero dar um basta a todas aquelas frases feitas, que dizem que inveja é uma M.., que é um sentimento pobre…Sei lá… Quem foi que começou com esta segregação sentimental? Você sente inveja de alguém, não sente? É claro que sim! Você é um ser humano. Todos os seres humanos vêm com estes defeitinhos de fábrica.

Inveja é que nem careca – quanto mais se disfarçar e se enganar, dizendo que ela não existe, mais aparente fica. Um careca será muito mais aceito pelo grupo dos metaleiros cabeludos se assumir honrosamente a sua lustrosa cabeça – talvez até criando um estilo próprio de careca.

Todas as características humanas devem ser vistas como dádivas divinas, e a inveja (assim como a careca) merece respeito, viu? O problema é a maneira como as pessoas lidam com este sentimento. Geralmente eu vejo aquele povinho sem graça, que jura por tudo na vida que não sente inveja de ninguém, e aquele outro grupinho que fica se roendo de inveja, com olhares cortantes e maldizeres para a pessoa invejada.

O mundo só cresceu por causa da inveja. Manoel tem inveja do vizinho que acabou de comprar um Porsche (caramba!). Só assim, o cara começou a trabalhar dobrado em sua empresa, para não se sentir por baixo. Manoel quer comprar logo uma Ferrari, para matar o seu vizinho de inveja! Por que ele quer fazer isto? Por pura vingança! Há! Há! Há!

Viva a inveja! Aceite este sentimento nobre como um forte aliado para seu sucesso na vida. Aprenda a se relacionar com esta raiva interna! Se você tem inveja de alguém que fez ou conseguiu algo que você gostaria de ter ou fazer, é sinal de que alguma coisa está errada na sua vida. A inveja é um aliado que o tira do marasmo, lembrando que você precisa se mexer mais para alcançar seus objetivos. É por isso, que o sentimento é ruim. Ele espelha uma frustração por alguma coisa que você não está conseguindo.

Você queria ser jogador de um grande time de futebol, e desistiu. Então, você vê na televisão que seu amigo de escolinha de esportes, Gilvanildo, vai jogar na seleção brasileira. Cara! Você finge que não, mas se morde de inveja. O problema é que o seu ex-colega de escolinha não desistiu. Você, sim.

A inveja pode ser encarada de forma depressiva, corroendo a sua auto- confiança e auto-estima, sempre lembrando de tudo o que você deixou inacabado na vida, ou pode ser encarada de forma positiva, gerando metas de qualidade pessoal e mostrando os caminhos por onde ir.

Imagine que dentro de sua empresa, você e o Zé lá do escritório, após cinco anos na mesma função, estão concorrendo por uma promoção. O chefe de vocês entra na sala, e diz que o Zé é o novo promovido da empresa. O seu sorriso fica amarelo e dissimulado, seu peito aperta de raiva, e você jura que está sendo injustiçado pelo seu chefe.

Mas, afinal, por que o Zé foi escolhido? Este é o melhor da inveja. Ela acabou de mostrá-lo que o Zé fez alguma coisa a mais do que você. Analise o Zé, de forma crítica, e veja o que foi, em suas táticas de marketing pessoal ou sua forma de trabalhar, que fez a diferença. Use o seu novo supervisor, o Zé, como uma meta a ser atingida. Aliás, faça ainda melhor: Atinja esta meta! Quando você não sentir mais inveja do Zé, você conseguiu chegar onde queria!

E vamos combinar o seguinte: a partir de agora, “A inveja é uma fada”!

Rico de Moraes (http://www.mgroupconsultores.com.br)

A incrível Madalena e os 5S

Por Armando Pastore

– Gostaria de convidar os participantes para contar suas experiências pessoais sobre o tema.

Essas foram as palavras que o instrutor, Carlos, do “Curso de Qualidade Total e os 5S” pronunciou. Essa foi a deixa para que Madalena também se manifestasse.

– Eu tenho, sim !!

– Pois não Madalena…

– Hoje, Carlos, pode me chamar apenas de Mada.

Os demais participantes que conheciam MadaLena superficialmente suspiraram. Quem a conhecia mais de perto ficou suspeitosamente olhando para o teto. Os mais íntimos – soube depois – se arrepiaram.: Aí tem coisa!!!!.

Conheci MadaLena durante aquele curso. Trabalhávamos na mesma empresa pública, ela, em Brasília, eu, em São Paulo. Estávamos sendo preparados para multiplicar a ferramenta de qualidade: 5S.

MadaLena tinha pouco mais de 46 anos, 22 de serviço público, mais da metade exercendo cargos de chefia. Não havia na empresa quem não a conhecesse. Mineira de Belo Horizonte, MadaLena havia chegado adolescente a Brasília. Casou-se com outro mineiro, com quem teve cinco filhos. Separou-se quando – palavras dela – descobriu que o marido estava fazendo outros cinco filhos com a secretária. Sua vida pessoal era quase previsível. Quando, ao receber o bom dia dos colegas respondia: Hoje podem me chamar de Mada, todos já podiam ficar esperando um dia cheio de trabalho, cobranças, mau humor e muita, mas muita crítica. Quando dizia que poderiam chamá-la de Lena, todos entravam em êxtase. Nos dias de Lena ela era simplesmente a melhor chefe do mundo. Uma pessoa aberta, bem humorada, prática, companheira etc.

Mada, levantou-se, foi para o flip-chart e pegou vários pincéis atômicos.

– Primeiro quero que vocês todos pensem por que estão trabalhando no serviço público…

– Cada um terá suas razões pessoais, mas acho que posso explicar utilizando o 5S positivo e o negativo…

Carlos interveio:

– Mada, permita-me dizer que não existe 5S negativo ou positivo.

– Já ouvi você Carlos, por mais de 12 horas. Agora, por favor não interrompa, disse Mada com rispidez.

Dirigindo-se novamente à platéia, Mada continuou,

– A maioria dos funcionários públicos – e não servidores, odeio essa palavra, começaram a trabalhar por causa do primeiro S : o do Salário. Na minha opinião, é inegável que os salários das organizações públicas são superiores, na média, aos oferecidos pela iniciativa privada.

– Em segundo lugar, quase que empatando com Salário, vem o segundo S, o da Segurança. Dificilmente – aliás, somente em casos extremos – é que podemos ser despedidos. Uma vez dentro do serviço público, quer trabalhemos muito bem, quer apenas realizemos o mínimo necessário, jamais teremos problemas com nossa segurança profissional e financeira.

– O terceiro S é o da Satisfação. Depois desses 2S anteriores passamos a procurar no serviço público aquilo que pode nos deixar satisfeitos. É a partir deste ponto que os 5S podem tornar-se positivos ou negativos.

Enquanto falava, Madalena ia colocando no flip, com letras azuis e vermelhas cada um dos S que havia mencionado, ressaltando as primeiras letras e procurando trazer toda a atenção para ela. Diga-se de passagem, MadaLena era uma excelente apresentadora.

– Se a pessoa está satisfeita com o que faz, poderá sempre fazer melhor, estará sempre se desenvolvendo, estará sempre em sintonia com os objetivos da organização e conectada com seus anseios pessoais. Entretanto, se ela não obtém Satisfação no trabalho, vai para o próximo S.

– S de Sacrifício. É isso mesmo! Sacrifício de estar todos dos dias, fazendo o mínimo possível, sacrifício de ver pessoas, de atendê-las, de realizar qualquer tipo de trabalho. Trabalho que é um verdadeiro castigo.

– Não obtendo resultados em nada do que possa transformar, o funcionário público vai para o último S negativo, o do Suicídio. Um profissional que se torna um zumbi, um morto vivo que faz, sem saber por que faz. Um zumbi que está sempre reclamando da vida, do trabalho, das pessoas, um verdadeiro parasita das nossas organizações. Bom exemplo de Suicida é aquele a quem você pergunta como ele vai e ele responde que só está esperando a aposentadoria. Você pergunta quanto tempo falta, e ele responde que faltam 7 anos. Esse funcionário já morreu! só esqueceram de enterrá-lo.

Carlos, ainda que tentou interrompe-la mais uma vez, pois estava pressentindo que o curso iria terminar, o que evidentemente, de nada adiantou.

– Acho que você pediu que eu contasse minha experiência pessoal sobre 5S. Se não vale ter 5S na vida, de que vale para qualquer organização que se pretenda moderna? Perguntou Mada.

– É que… Carlos tentou

– Não tem que e nem mais quê… Nossa participação neste evento tem que ser verdadeira e não um jogo de faz de conta. Ou você acredita no que está fazendo, ou vira um zumbi como a maioria dos funcionários públicos. A empresa finge que paga e o sujeito finge que trabalha. Não, isso não é desenvolvimento!

– Não estou aqui para fingir que irei por em pratica os Sensos que você apresentou. Ou todos nós realizamos juntos, ou estamos perdendo o seu tempo, o nosso tempo e o tempo da organização!!

Mada, então pegou um pincel atômico e desenhou no flip o seguinte esquema :

OS 5S DA VIDA

S – SALÁRIO

S – SEGURANÇA

S – SATISFAÇÃO

NEGATIVO POSITIVO

S – SACRIFÍCIO

S – SUICIDIO S – SUCESSO

– Agora, quem consegue Satisfação no trabalho, tem e terá muitas chances de alcançar o último S positivo , o do Sucesso…

– Sucesso, vem do latim sucessus-üs, que significa aquilo que sucede, bom êxito, resultado feliz, sucessão, que quer dizer uma coisa após a outra. Isso é que é sucesso. As pessoas de sucesso realizam pequenas e grandes tarefas. Terminam as tarefas que estão executando e começam as seguintes com o sentimento de estarem realizando algo conectado com seus objetivos pessoais; desenvolvem-se; participam de um processo de desenvolvimento em qualquer tipo de organização.

Contrafeito, Carlos tentou ainda mais uma vez…

– Mas, Mada, permita-me interrompê-la mais uma vez, mas nos 5S positivos que você escreveu só tem quatro. Não lhe parece que algo está em desacordo?

Meio irônica do alto de seus 22 anos de experiência, Mada contrapôs.

– Meu caro instrutor, quem utiliza o 5S positivo, sabe que na atual conjuntura não é preciso mais do que quatro. Os funcionários que utilizam os 5S positivos estão sempre com o foco nos objetivos, ou se preferir no ASSUNTO – só na nesta palavra temos mais dois esses. Pense comigo; tudo que você está dizendo desde segunda feira é o mínimo que podemos fazer no nosso dia a dia. Quem pratica o 5S positivo, economiza tempo e realiza tudo o que você falou em apenas quatro etapas.

– Não existe nada mais sério do que Salário, Segurança e Satisfação, desde que isso venha acompanhado do Sucesso pessoal. Sem esses pré-requisitos os sensos, de arrumação (seiri), de ordenação (seiton), de limpeza (seisoh) de asseio (seiketsu) e de auto-disciplina (shitsuke), de nada adiantam.

Retrucou MadaLena, tentando pôr um fim na sua apresentação.

O silêncio que se fez era constrangedor. Mal refeita do susto, a platéia pôde ainda ouvir Mada dizer:

– Temos que raciocinar sobre o que temos de realmente atacar. A ferramenta que nos foi apresentada sem dúvida é válida. Mas, sempre existirá um mas… estamos atacando as causas ou as conseqüências ?

– Só quem trabalha com os 5S positivo, pode explicar as razões de encontrarmos nos corredores das nossas instituições públicas, funcionários que vivem bem, transpiram felicidade, alcançam resultados, vivem em sintonia com as demais pessoas e percebem-se úteis à sociedade, que paga nossos SALÁRIOS.

– Para essas pessoas especiais, 5S é uma ferramenta um pouco mais sofisticada, muito parecida com aquilo que fazem no seu cotidiano.

– Antes de terminar, gostaria de pedir que todos refletissem sobre a utilização que cada um faz dos sensos que o Carlos apresentou.

Todos aplaudiram MadaLena. No meu relógio já eram quatro da tarde e estávamos encerrando o evento. Naquele momento, o evento, para desespero de um Carlos atônito, estava terminando.

Sem saber, MadaLena, tinha aplicado o primeiro nocaute no processo de Qualidade Total. Alguns anos mais tarde ninguém mais falaria em 5S, ainda menos em qualidade.

Essa história persegue meus pensamentos. O que MadaLena falou naquela tarde foi uma lição importante. Sempre que estou desenvolvendo algo novo lembro-me dela.

Uma indagação até hoje me persegue: afinal de contas, quem apresentou os 5S da Vida, foi Mada ou foi Lena?

Uma grande lição de vida

por Aparecida de França Sales (Cida)

Surpresa com a energia que sinto da vida, estou sempre em atividade, em constante movimento. São estas condições que me fazem assumir responsabilidades, principalmente na família e na comunidade, dois mundos em que coloco meu verdadeiro interesse.

Esposa do astro rei da família Sales, o Paulo, e mãe de 3 criaturinhas maravilhosas, Tati, Juju e Lina, cada uma com seu curso acadêmico e vida profissional completos, um dos meus sonhos realizado, ao longo de anos de trabalho árduo meu e do Paulo (astro), saindo às 5h da manhã, de retorno às 00h do mesmo dia.

Trabalho árduo que também nos presenteou com nosso apartamento, nosso lar, carro, telefone, que naquela época era privilégio ter linha, e conseguimos, e uma vida bastante confortável.

Quando as pimpolhas já formadas, com minha formação técnica contábil fui convocada ao serviço administrativo na Secretaria de Segurança Pública Municipal, e por ali descobri ser possível ter o meu próprio negócio. Marido já estabelecido em seus projetos de edificações, colaborando em parceria no projeto da pousada no Litoral Norte Paulista (www.tocadapraia.com.br), abri meu primeiro negócio. E aí com toda inexperiência e seqüências de erros, deu-se o início da grande virada.

Vamos começar a aventura de meio século de vida e vitórias de uma família; família é nosso fã-clube do peito, do coração, e é aí que devemos toda nossa importância e potencialidade do que somos.

No exercício de 2003, ou seja, em 12 meses, perdi quase tudo que havia conquistado nesses 46 anos de vida, restaram minha dignidade e meu apto. Pode crer é isso mesmo. E tudo por efeito de “N” erros seqüenciais, falta de competência, cansaço físico e mental, e dissabores que a própria vida se incumbe de nos presentear. É sim, presentear, porque é daí, desses dissabores, que crescemos e como crescemos.

Quando me vi nocauteada e notei no semblante do sparring, já estava pronta a toalha a ser jogada no ring da vida, eu disse:

– Cida isto precisa mudar.

E mudei. Foi isso, mudei tudinho na minha vida. Comecei pelo meu maior ídolo, meu astro rei, carinhosamente meu fofo que estava muito entristecido com tudo o que estava ocorrendo em nossas vidas. A parceria da pousada no Litoral Norte havia se desfeito, eu por conseguinte, não tive capacidade suficiente para bem administrar o escritório que por hora havia aberto.

Ele, com 53 anos, encontrar oportunidade onde? Recomeçar do zero. Quando não se encontra oportunidade então produzimos uma, e assim foi feito.

A partir deste ponto, tudo que aconteceria dali em diante seria uma grande possibilidade de se reerguer e recomeçar, disso eu não tinha dúvidas. Num retiro de 2 dias na casa do meu pai e pensando na vida, cheguei a um resultado positivo. Mudanças!! Adentrando em casa após o retiro, vi meu fofo na maior depressão, baixou o “5 minutos” em mim, e da porta da sala disse a ele:

– Benhê… vou vender água no farol!!

Pronto, estava declarada a sentença da mudança. O Paulo acordou, ficou possesso; bem ele já se mexera, era o que eu queria. Afinal se eu queria que acontecesse alguma coisa, então aconteceu alguns momentos de tensão e foi aquele forrobodó.

O Paulo virou uma fera. Indignado mesmo e não entendia porque eu ia fazer aquilo. Eu vender água no farol, não tinha cabimento, ele dizia. E olha que ele é mineiro e mineiro geralmente é calmo. Imagine o caos.

Na mesma noite, a convite do professor da Lina (minha caçula), fui participar de uma apresentação de empreendedorismo na faculdade dela. Deixei o Paulo falando sozinho e fui explanar empreendedorismo para a nova geração.

Foi a glória! Nesta apresentação que fiz à classe, tive a certeza que eu estava certa, tinha que ir para o farol, e pensei, era a única maneira de tirar o Paulo daquela tristeza, daquele momento de desesperança, sabia no meu íntimo que ele ia aprender algo até nunca pensado antes, ia ter uma atividade agitada, desinibida, uma possibilidade que precisava aparecer, o contato com as pessoas, com os empresários que viajam para o interior e param no farol, era também minha chance.

Foi engraçado, por que enquanto eu falava, intimamente a certeza ficava mais profunda na decisão que eu tinha tomado. Sim, e o Paulo ficou em casa amuado, brigamos muito mesmo, mas não arredei pé.

No sábado, fiz o que havia dito na quinta, comprei 1 caixa de água. Na sexta ficou gelando à noite e no sábado fui para o farol. Arranjei um carinho aqui, comprei uma caixa de isopor grande e enchi de copo de água.

Quando ele viu que eu ia mesmo ele foi junto e tomou a frente, mesmo amuado, mas foi… rsrsrs Uma hora depois, fui comprar outra caixa e as pessoas pediram suco. Fui e comprei e assim estamos até hoje, de suco e de água no farol e na feira aqui perto de casa. A saber, um copo de água pagava no atacado R$ 0,15 e vendemos a R$ 1,00. O suco pago R$ 0,50 e vendo a R$ 1,00. No calorzão mesmo é uma mina de dinheiro(maneira de falar, claro… mas pra quem estava se enterrando na tristeza como vi meu amor Paulo, é uma mina sim).

Olha só como são as coisas, vai daí que esses dias chegando em casa depois de um dia de farol, toca o telefone e uma empresa de um conhecido nosso chamou o Paulo pra trabalhar como representante comercial. Veja a experiência da água no farol pra que serve. Ele é outro homem, outra pessoa, viu que pode, que ele tem uma vida toda pela frente pra viver com decência e tem talento para desenvolver em prol dele, e da própria vida. Precisa de ver que transformação incrível aconteceu. A atitude que ele tomou para vida. Foi algo inenarrável.

Hoje ele vê e enxerga a vida com horizonte próspero. Não pelo dinheiro que digo isso, mas pela busca de uma vida melhor, pela produtividade do seu interior pessoal. É lindo de ver ele assim a todo vapor, empolgado fazendo acontecer! A sua disposição sincera o levou a vencer todos os obstáculos!

Bem ele ficou com a representação da loja, participou de palestras de motivação da Venda Mais, foi no Sebrae e fez um curso de representação comercial, para entender mais sobre o assunto, e no final de semana vai para o farol vender suco, acredita nisso! E ele diz claramente sem pestanejar, depois que ele aprendeu a vender água e suco agora nunca mais ele fica sem um tostão no bolso!! Rsrs

Sem dizer o astral dele, que está ótimo, é legal não é! E além do mais, logo logo estaremos de carro, e isso vai facilitar bastante, imagina isso… rsrs

Pensa que parou aí… tem mais…

Eu nessas andanças de buscar as coisas, oportunidades e por aí a fora, descobri que lá em São Roque, 30km daqui, ia acontecer um vestibular, 9/11/2003 e que os 20 primeiros aprovados teriam direito a uma bolsa de estudos na disciplina de Direito no período da manhã.

Não pensei duas vezes, me inscrevi. Dia 9/11/2003 estava eu lá, no meio daquela moçada toda fazendo o vestibular, a cabeça estava a mil porque tinha brigado com o Paulo, mas fui assim mesmo. Bem, passei no vestibular, mas não consegui a pontuação para me beneficiar da bolsa de estudos. E mesmo assim fiquei feliz, porque esta experiência mostrou que ainda posso concorrer com essa meninada de hoje. E daí vai que por onde eu ando vou distribuindo curriculum e minha apresentação de trabalho, o que é de praxe em mim. *rs

Pois bem, dia 14/11/2003, me liga aqui a Bit Company (www.bitcompany.com.br ), agendando uma entrevista para a segunda, 17/11/2003, às 15h. Normal, falei para meu fofo Paulo e para as meninas, deve ser pra vaga de copeira, porque eu lembrava que tinha uma placa de precisa-se de copeira e recepcionista lá.

Fui na tal entrevista quando, de surpresa, fui conduzida a uma sala que estava com uma meia dúzia de empresários, gerente de empresa, profissionais da área, bem trajados, de gravata, aquelas bolsas pretas lindas, profissionais mesmo, as mulheres todas no salto. Apesar de eu estar bem trajada, eu pensei, nossa, estou na sala errada! Quando naquele momento fiquei sabendo que eu estava concorrendo a uma vaga para instrutora de Gestão Empresarial. Ahahah… até me belisquei… não acreditava no que estava acontecendo… ahahahah

Conclusão, entre os profissionais de carreira, tinha um que dava aula há 15 anos, outro gerente da Astra Zeneca (o laboratório que faz a vacina da AIDS. O Cazuza veio se tratar aqui na Astra). Nossa!! Pensei, concorrer com essas feras não tenho a mínima chance, mas meu curriculum estava lá no meio do deles… rsrs

Foi um dia de entrevista, uma prova de desenvoltura e exame psicológico. 3 dias depois fiquei sabendo que fui selecionada. Você acredita nisso? Nem eu… rsrs Me belisca, porquê eu ainda estou sonhando… rsrs Vou dar aulas à noite de GEA – Gestão Empresarial: Administrativo, Contabilidade, Empreendedorismo e mais toda a motivação e ânimo que tenho de viver… calcula o que é isso… para quem foi disposta a uma vaga de copeira! 😉

Daí que chegamos no dia 05/01/2004, fui iniciar as aulas do novo ano, e para mais alegria minha, veio o convite formal para ministrar aulas, de dia, sobre QUALI – Qualificação Administrativa com ênfase em Informática, e também o que me fez a pessoa mais feliz do mundo, dar palestras aos empresários da região… ou seja, mirei no que vi e acertei no que não vi.

São palestras, na verdade, com o intuito de elevar o nome da escola da qual dou aulas e com o conteúdo das aulas, que nada mais são do que tudo o que trabalho: empregabilidade. Falo por todos os ventos, entretanto é esta oportunidade que eu precisava, justamente pela dificuldade e momento que estava passando. É tudo o que eu queria na vida. Detalhe, é aqui bem pertinho de casa, vou a pé… rsrs

Seguir em frente e com coragem, nesta nova empreitada estou preparada, com toda força que tenho, porque sei que estas palestras, mesmo sendo a princípio em prol da escola, com meu talento, mais uma vez a serviço do bem da vida, a serviço do profissionalismo meu e de todos que me rodeiam, desenvolvendo meu trabalho com amor, vou abrir este campo empresarial para outros motivos de palestras, quem sabe no segmento de motivação, contabilidade para contador, dentre outras, sem abrir mão das conquistas que fiz e estou fazendo neste belíssimo presente de natal que se pôs a minha frente.

Tenho coragem e não desperdiço energia sempre cuidando dos meus pensamentos, dos meus propósitos, acreditando na minha capacidade e sei que tudo sempre da certo. Não sou presunçosa, mas a fé que tenho na vida é mesmo a nutrição que mantém meu corpo sadio e mente sã, conseqüente e obviamente, com o apoio da minha família, do meu fofo e amigos, mas se não fizermos nossa parte de nada valeria tudo isso não é verdade.

É isso, sei muito bem que fazemos parte do espetáculo da vida e bem por isso, devemos aproveitar muito o que ela tem a nos oferecer a todo instante. Definitivamente, Papai Noel foi generoso comigo, ganhei um baita presente de natal. Agora dá para calcular como estou de felicidade nessa minha vida.

Verdade seja dita, bendita seja a hora em que meu instrutor de IPGN me recomendou o grupo de emprBr (Empreendedor do Brasil) para ingressar. Aprendi muito neste grupo de conversação, vi nitidamente meus erros, onde falhei. Hoje, as vezes, comento com o Paulo que muitos erros cometi. Hoje, aprendi como fazer.

Talvez não tivesse fechado meu escritório se tivesse o aprendizado que tenho hoje, aprendizado este que obtive primeiramente no grupo. Não falo isso por hipocrisia, me sinto bem sim em nosso grupo, participo de outros grupos, mas desde o primeiro contato no emprBr fui muito bem recebida, por igualdade de condição, aprendi e até hoje aprendo bastante com todos, assuntos que são abordados, me sinto totalmente a vontade e confortável e dele vieram outros grupos, tão bom quanto, e os amigos que conquistei, minha nossa, são maravilhosos, alguns já vieram aqui em casa, tenho amigos aqui que é para toda vida, prezo muito as amizades. Digo sempre: posso perder meus amores, sofrerei muito, mas se perder meus amigos, sofrerei muito mais. *rsrs

Tenho um amor incondicional por todos, sobretudo os amigos especiais. Não citarei nomes para não cometer injustiças, uma coisa é certa a lista é longa e faço muito gosto que todos venham aqui em casa, é um prazer receber a visita de amigos como os que conquistei aqui.

Tenho um casamento de 30 anos, e acredito que um bom casamento não tem fórmula para dar certo, mas tem algumas regras que precisam ser seguidas. A primeira delas é investir no casamento a fundo perdido e a segunda é não fazer contabilidade. Mais que isso, para acabar com um casamento, basta colocá-lo na ponta do lápis! Sabemos que não tem casamento que é uma eterna história de amor. Sobrevive-se enfrentando crises e situações que aparecem ao longo da vida. Mas ele perdura porque a gente quer que perdure, porque a gente quer que de certo e dá certo. Casa-se por amor, por hormônio, paixão, tesão e mantem-se por sabores, dissabores, alegrias e dureza do dia-a-dia.

É isso. Concilio nos grupos de conversações e vejo tudo isso de uma forma muito cordial e profissional, quase como um casamento. Em todas mensagens redigidas, é uma busca de dar certo, de encontrar caminhos e alternativas para que as ações dêem certo e as respostas estão em todos os componentes, que se respeitam, se compartilham e se doam para um só bem, cada um em sua peculiaridade. E tudo isso é NOSSO e quando digo NOSSO, entenda-se, toda humanidade ilimítrofe, a nossa nação.

Como empreendedora deixo meu agradecimento a minha família, meu marido/ídolo Paulo, hoje 2004 ele voltou a estudar e esta foi minha maior vitória dos últimos tempos. Agradeço ao meu amigo Omar Queiroz, a todo o Grupo emprBr, a todos amigos que conquistei até hoje através deste canal de conversação aparentemente frio e que tem a magia de nos fazer mais felizes. Um carinho em especial ao meu amigo Ivan F. César, por seu convite publico para expor esta mensagem, e deixo minha admiração pela lisura e competência a qual administra o grupo EmpreenderParaTodos.

Aparecida de França Sales (Cida)

Como você ganha dinheiro?

Para saber como anda a sua saúde, é preciso fazer exames. Da mesma forma, para saber como andam as suas finanças, exames são necessários. Felizmente, exames financeiros são mais simples e rápidos, ao fim deste texto, sairá seu primeiro resultado. Um dos exames mais importantes é aquele que indica “como você ganha dinheiro”.

Empregado (E), Autônomo (A), Dono (D) e Investidor (I) são as quatro formas (ou quadrantes) de se ganhar dinheiro segundo o livro “Pai Rico, Pai Pobre” de Robert Kiyosaki.

Empregados são aqueles que geram dinheiro a partir de um salário. Autônomos trabalham por uma comissão (vendedores, por exemplo, são autônomos), ou então têm uma pequena empresa, mas fazem todo o trabalho; ou seja criaram o seu próprio emprego. Estes quadrantes (E e A) têm um problema: não são escaláveis. Se você quer ganhar mais, precisa trabalhar mais, mais horas. Fora isso, segundo o Pai Rico, os impostos que incidem sobre estes quadrantes são os mais altos.

Donos são aqueles que construíram uma empresa para a qual eles não precisam trabalhar. A empresa anda sozinha. Se você viajar por um mês, quando voltar a sua empresa vai estar melhor – com novos clientes – ou pior? Se a sua resposta foi melhor, você é um dono; se respondeu pior, você é autônomo. Investidores ganham dinheiro através de imóveis, poupança, ações, fundos de investimento, etc. Estes quadrantes (D e I) têm uma grande vantagem: o seu dinheiro trabalha para você e não o inverso. Se você quer ganhar mais, expanda o seu negócio, contrate um novo gerente de vendas. Ganhar mais não está diretamente relacionado ao número de horas que você trabalha. Além disso, ensina o Pai Rico, os impostos sobre estes quadrantes são mais baixos.

Você deve estar se perguntando: o que o Pai Rico afirma sobre os impostos vale para o Brasil? Sim, empregados são os que pagam mais impostos e isso vale sim para o Brasil. Por exemplo, se você for consultor, trabalhar como empregado para uma grande empresa e receber um bom salário, vai pagar 27,5% de imposto de renda na fonte. Se for dono de uma empresa de consultoria, pode optar por duas formas de pagar impostos: lucro real ou lucro presumido. No lucro presumido, vai pagar entre 11 e 14% de impostos dependendo do Imposto Municipal. No lucro real, se você colocar as suas viagens como “reunião do board no Havaí” como sugere o Pai Rico, ou, por exemplo, comprar o seu carro pela empresa pode ser que pague ainda menos impostos. Ou seja o conceito base do Pai Rico funciona no Brasil.

É hora do resultado. Possivelmente, você descobriu que gera dinheiro a partir de mais de um quadrante. E percebeu também que, com certeza, os quadrantes mais promissores são o de Dono e Investidor. Independente do estado atual, todos podem ser donos e investidores, basta tomar a medicação correta.

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Marcelo Junqueira Angulo
Marcelo Junqueira Angulo é administrador de empresas pela EAESP-FGV. É fã da série de livros “Pai Rico, Pai Pobre”, e criador do site http://www.amigorico.org.

Um novo Brasil se levanta do berço esplêndido. Duvida?

Somos um montão de vendedores num país que prioriza a lógica absoluta. Basta a gente olhar para nossa bandeira e lá está a Ordem e Progresso lembrando que fomos consolidados numa linha de montagem lógico-positivista de se fazer política, de se costurar resultados.

Enquanto argumentamos a venda reproduzimos a lógica dos exércitos, da produção industrial, do intelectual que acha que sabe mais que seu cliente.

Ainda não incorporamos as mágicas, os mitos e a percepção intuitiva de negros e índios em nosso discurso de venda. A gente até comemora um bom resultado com uma boa feijoada. Temos uma vinculação nostálgica com nossas matas e rios. E só. Vendemos (ou tentamos vender) como máquinas lógicas.

O discurso lógico até funciona. E por isso, é repetido, reproduzido até consolidar vícios e deixar escapar novas maneiras de se relacionar com um cliente (parte índio, parte negro, parte português) que por usar a poderosa intuição apreende o final do argumento, descarta o enfoque, desconfia das intenções e mostra sua reação de maneira discreta e sutil: fechando o bolso.

Vender fora da lógica convencional é abrir nossa percepção à intuição de nossos clientes e consumidores. Passivamente nos colocarmos à disposição das necessidades do cliente, respeitando seus sonhos, suas raízes em nossa cultura e entregando na hora certa os produtos e serviços que nos exigem.

Para ter sucesso em vendas deste jeito, é necessário humildade. Em vez de lógica. É preciso reconhecer que os consumidores atuando em conjunto sabem e podem muito mais que o vendedor. Muito mais.

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Marco Rosa
Marco Rosa é diretor da Marco Direto Marketing. Email mdm@mdm.com.br; DDG: 0800-11-1239.

Qual o seu porquê?

Outro ano começa e parafraseando Drummond, “tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui por diante vai ser diferente”. Aproveitando o contexto de início de ano e imaginando que dentre as resoluções para o próximo ano dos leitores deste artigo está o item “dinheiro”, pergunto “Qual o seu por quê? Por que você quer ficar rico?” Uma resposta sólida para esta pergunta com certeza vai facilitar que o seu ano seja de fato diferente.

No livro “Aposentado Jovem e Rico”, Robert Kiyosaki conta que era muito freqüente perguntarem a ele como ficar rico. Existem respostas possíveis para esta pergunta, porém, segundo pai rico, esta não era a pergunta mais importante. A pergunta mais importante é “por que” você quer ficar rico? Sem um porquê bastante sólido, as pessoas não fazem o que podem, é o porquê que dá o poder para fazer o “como”.

Os porquês variam de pessoa para pessoa. Por exemplo, Kiyosaki cita como seus porquês: desafiar suas dúvidas pessoais, sua preguiça e sobretudo seu passado, não queria repetir o padrão de vida de sua família.

Outro exercício interessante sugerido pelo autor é o de listar o que você ama e o que você odeia. Se você deseja ficar rico, liste “por que você ama o que deseja, e por que odeia não ter o que deseja”. Na lista de Kiyosaki, o autor menciona como exemplos: amo “ser livre, comprar o que quiser e fazer com que outras pessoas façam o que não quero fazer”; e odeio “ter de trabalhar, não ter o que quero e fazer coisas que não quero fazer”. São idéias, os porquês e as listas são únicas, meu porquê e minha lista com certeza serão diferentes dos exemplos de Kiyosaki. Vale aqui a idéia, defina seu porquê e a sua lista. É importante se preocupar com o “como”, mas logo no início do ano, antes de freneticamente começar a “caminhar na floresta”, aproveite para subir na árvore mais alta e refletir por que você deseja chegar ao outro lado. Assim sendo, meus sinceros votos de que tudo comece outra vez, com outro número e que daqui por diante seja diferente.

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Marcelo Junqueira Angulo
Marcelo Junqueira Angulo é administrador de empresas pela EAESP-FGV. É fã da série de livros “Pai Rico, Pai Pobre”, e criador do site http://www.amigorico.org.

Socorro! Abri uma empresa!

Sim, ele abriu uma empresa! Sim, ele acorda às 5h da manhã e continua até às 10h da noite, sem horário para almoço! Sim, ele trabalha aos finais de semana! Sim, por vezes, o medo bate e ele pergunta porque foi mesmo abrir a tal empresa! Não, ele não sabe a solução!

Com certeza, você ou se identificou com as linhas acima, ou, pelo menos, já conheceu alguém em situação parecida. Por mais que imaginemos os donos de empresas como empreendedores visionários, na vida real não é bem assim. É o que conta Michel Gerber, autor do livro “O Mito do Empreendedor”, leitura recomendada por Kiyosaki, autor da coleção “Pai Rico, Pai Pobre”.

As estatísticas comprovam: tanto aqui no Brasil, quanto nos EUA, a absoluta maioria das empresas fecha as portas antes de completar o primeiro aniversário. Por que?! É o tal mito do empreendedor. Mito porque a maioria daqueles que abrem uma empresa são técnicos e não empreendedores. Isso mesmo, técnicos. O João é um ótimo programador de computadores, faz o computador falar, um dia, cansado do chefe, ele abriu uma empresa de software. A Maria cozinha que é uma beleza, quem não gosta da comida da Maria…, um dia “deu na telha” e ela abriu um restaurante.

E aqui entra a mais importante lição: ser muito bom em alguma atividade não significa que você vai ser muito bom em montar um negócio que faz tal atividade. O fato de o João ser um brilhante programador não significa que ele vai criar uma empresa de software de sucesso.

Uma empresa precisa de três personagens para crescer. O primeiro é o empreendedor, aquele que vive no futuro, determina o rumo da empresa e exerce a liderança. Outro é o gerente, aquele que é pragmático, planeja e torna as coisas previsíveis. Por fim, vem o técnico, que é importante também, é o executor. Toda empresa precisa ter os três personagens para obter sucesso e mesmo que o João seja o único funcionário da empresa, ele terá que administrar o tempo para saber atuar como os três personagens.

Mas você deve estar se perguntando da Maria, não está? Primeiro, a boa notícia: o restaurante cresceu ela até contratou dois funcionários, um é garçom e outro, cozinheiro promissor. Cozinheiro, mas faz de tudo um pouco, sabe como é… A má notícia é que nem sempre a comida sai tão gostosa quanto a da Maria, o atendimento… o atendimento é outro problema, pedidos trocados e demora para servir… É, alguns clientes estão reclamando e não acham mais a comida do restaurante tão gostosa…

Escrevo este texto para ajudar o João e a Maria e o leitor, depois de tantos parágrafos, já deve estar ansioso com a solução para os dois. A base de tudo é entender que um bom fazedor de certa atividade não vai necessariamente criar uma boa empresa que faz aquela atividade. Tendo isto em mente, é preciso investir nas habilidades de negócios. Difícil? Não. O autor do livro “O Mito do Empreendedor” criou um método para ajudar os donos de empresas que se percebem em maus lençóis. São 7 passos, dos quais vou destacar 3 que julgo muito importantes. Provavelmente, você já ouviu falar neles, mas é provável que o João e a Maria tenham se esquecido de implementá-los.

O primeiro passo é escrever qual o “objetivo básico”. Por que o João criou aquela empresa? A quem ele quer ajudar? Este “objetivo básico” que pode ser também chamado de missão vai dar a energia necessária para o dono do negócio enfrentar os desafios que surgirem.

O segundo é estabelecer o organograma da empresa. Mesmo que seja uma empresa bem pequena é importante definir quem faz o quê. E é claro uma mesma pessoa pode exercer mais de uma função. O João, por exemplo, está em todas as posições do organograma, mas é importante que ele tenha claro que exerce as funções nas áreas de marketing, finanças, na presidência ou até mesmo na limpeza.

Por fim, pense no seu negócio como ele sendo uma franquia. Todos as atividades devem ter sido pensadas e oficializadas por escrito. O seu negócio deve ser previsível. Para facilitar o mapeamento das atividades, novamente vale mencionar a importância de um organograma bem definido. A Maria poderia criar o Manual de Procedimento do setor de atendimento ao cliente. Neste manual, estaria explicado como o garçom deveria conduzir suas atividades. Seguindo o manual, já pensado da melhor forma pela Maria, independente do garçom que lá esteja, o atendimento será sempre o mesmo.

Pense no McDonald´s, imagine se em cada loja, fosse necessário contratar um gerente espetacular. Seria impossível. A idéia da franquia é poderosa. Criando procedimentos bem definidos, funcionários bons, seguindo o manual, vão conseguir prestar um serviço espetacular.

Para concluir, um breve depoimento. Li o livro e me identifiquei por algumas vezes com o João ou com a Maria. Defendo o surgimento de empresas, por conta disso, após ler o livro, escrevi este texto. Tenho utilizado as idéias do livro com sucesso. Sei que não existem soluções prontas, mas acredito que os passos sugeridos podem ser muito úteis. Se você tem um amigo que pode se beneficiar da leitura, envie para ele. Quem sabe ele não vai dizer: Sim, eu abri uma empresa! Sim, eu sei a solução!

Nota do autor: se você ficou curioso e quer visitar o restaurante da Maria, não posso garantir, mas aposto que tem um no seu bairro.

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Texto escrito tendo como referência bibliográfica o livro “O Mito do Empreendedor” ou “The E-myth Revisited” de Michael Gerber. Livro recomendado por Robert Kiyosaki, autor da coleção “Pai Rico, Pai Pobre”.

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Marcelo Junqueira Angulo
Marcelo Junqueira Angulo é administrador de empresas pela EAESP-FGV. É fã da série de livros “Pai Rico, Pai Pobre”, e criador do site http://www.amigorico.org.

A árvore dos problemas

O carpinteiro que contratei para me ajudar a restaurar uma velha casa de fazenda tivera um dia de trabalho difícil. Perdeu uma hora com um pneu furado, depois a serra elétrica quebrou e, por fim, seu velho carro não quis pegar. Fui levá-lo em casa e, durante o trajeto, o homem se manteve em silêncio.

Quando chegamos, ele me convidou para conhecer sua família. Enquanto andávamos até a porta de entrada, ele se deteve diante de uma pequena árvore e tocou a ponta dos galhos com as duas mãos.

Ao abrir a porta, ele sofreu uma transformação espantosa. Abriu um largo sorriso e abraçou a mulher e os dois filhos pequenos. Depois me acompanhou até o carro e, quando passamos pela árvore, perguntei-lhe porque a tocara ao chegar.

– Esta é minha árvore dos problemas – respondeu ele. – Sei que não posso evitar os problemas de trabalho, mas eles não têm lugar em minha casa e em minha família. Por isso, eu os penduro na árvore todas as noites quando chego. No dia seguinte, eu os pego de volta. E o engraçado – continuou ele, sorrindo – é que, quando venho buscá-los de manhã, eles não são tantos quantos eu me lembro de ter pendurado na noite anterior.

–MIRZA SAAD UD DIN AHMAD, Paquistão.

Aprenda com as moscas

Certa vez, duas moscas caíram num copo de leite. A primeira era forte e valente. Assim, logo ao cair, nadou até a borda do copo. Como a superfície era muito lisa e suas asas estavam molhadas, porém, não conseguiu escapar. Acreditando que não havia saída, a mosca desanimou, parou de se debater e afundou.

Sua companheira de infortúnio, apesar de não ser tão forte, era tenaz e, por isso, continuou a se debater e a lutar. Aos poucos, com tanta agitação, o leite ao seu redor formou um pequeno nódulo de manteiga no qual ela subiu. Dalí, conseguiu levantar vôo para longe.

Tempos depois, a mosca tenaz, por descuido, novamente caiu num copo, desta vez cheio de água. Como pensou que já conhecia a solução daquele problema, começou a se debater na esperança de que, no devido tempo, se salvasse.

Outra mosca, passando por alí e vendo a aflição da companheira de espécie, pousou na beira do copo e gritou:

“Tem um canudo alí, nade até lá e suba”.

A mosca tenaz respondeu:

“Pode deixar que eu sei como resolver este problema”.

E continuou a se debater mais e mais até que, exausta, afundou na água.

Soluções do passado, em contextos diferentes, podem transformar-se em problemas. Se a situação se modificou, dê um jeito de mudar.