Abaixo, texto de Stephen Kanitz…
O sonho de muito brasileiro é construir duas ou três casinhas e viver na velhice de aluguel.
Nos últimos 50 anos, a população brasileira cresceu de 50 para 176 milhões de brasileiros, exercendo assim enorme valorização nos preços de imóveis e terrenos para construção. Por isto, imóveis sempre foram nossa primeira opção de investimentos.
Só que nos próximos 50 anos, nossa população não vai mais crescer 300%, e sim uns pífios 28%, ainda bem. Isto significa, que a necessidade primária de novos imóveis será de menos do que 0,5% ao ano. Será que imóveis irão se valorizar como no passado? É óbvio que não.
Dez anos atrás, tomei uma das melhores decisões financeiras da minha vida. Vendi um apartamento de um dormitório que alugava, e coloquei os R$ 60.000,00 em ações de seis empresas diferentes, cotadas em Bolsa. Reduzi meu risco diversificando meu investimento, lição número um de uma aplicação prudente.
Minha primeira alegria foi descobrir que a corretagem em ações não chegava a 0,5% por transação, enquanto em imóveis o valor da corretagem chega até a 6%, mais SISA, mais CPMF, mais o custo do cartório e do advogado, o que pode elevar a brincadeira toda para 10%.
A segunda alegria foi perceber que enquanto meu inquilino me considerava seu algoz, as empresas me chamavam de sócio e de parceiro. Meu inquilino considerava o meu aluguel uma despesa a ser evitada e reduzida de tempos em tempos, já que o prédio envelhecia ano após ano. Por outro lado, as ações valorizavam-se com o tempo.
Enquanto meu apartamento ficava de três a quatro meses vazio entre um inquilino e outro, nas empresas meu dinheiro não ficava parado um minuto.
Nunca mais precisei pagar o primeiro aluguel para um corretor arrumar outro inquilino, nem foi preciso pintar o apartamento, nem consertar a porta trincada, o que consumia mais dois aluguéis por vez.
Enquanto meu apartamento desvalorizava 1% ao ano por obsolescência, as ações valorizavam-se no mínimo 4% ao ano, porque 75% dos lucros eram reinvestidos na empresa, financiando seu crescimento.
Hoje, graças às minhas ações da Embraer, tenho pessoas como Mauricio Botelho, eleito um dos 25 melhores executivos do mundo segundo a revista Fortune, trabalhando para mim. Por outro lado, meu inquilino vivia desempregado e atrasando o pagamento.
Prédios de apartamentos normalmente são construídos em terrenos já valorizados. É como comprar ações na alta e vender 30 anos depois na baixa, quando seu bairro já não está mais em moda ou está em franca decadência. Obviamente, há exceções.
A precaução que recomendo é nunca comprar ações no meio de uma alta, mesmo conselho que daria para quem ainda acredita em imóveis como investimento.
Culturalmente, o brasileiro acredita em imóveis por causa da inflação e das constantes manipulações dos índices de correção dos títulos públicos, além do fato de que “imóvel ninguém rouba”.
Mas empresas em Bolsa também são no fundo imóveis e também se protegem da inflação, e muito bem, e também ninguém rouba. Ficam custodiadas na própria Bolsa.
Ação tem liquidez diária, imóveis jamais são vendidos de imediato, levam meses. Por isto, os preços das ações variam diariamente e são publicados nos jornais. Os preços dos imóveis também variam diariamente, só que ninguém fica sabendo por causa da pouca liquidez.
Aí, jornalistas econômicos afirmam que a Bolsa é um mercado de elevado risco e volatilidade, o que é uma grande mentira. É volátil porque tem enorme liquidez. É muito mais arriscado ter que esperar até um ano para poder vender um imóvel.
Dos 6 a 8% do rendimento anual de aluguel, você precisa descontar o custo do corretor, do cartório, do administrador imobiliário, do alugador, do pintor, do advogado, dos atrasos, da inadimplência, dos aborrecimentos, da depreciação do imóvel, da manutenção obrigatória, do aumento do IPTU. Quem fizer os cálculos vai descobrir que no fim mal sobra 1% a 3% por ano. Uma miséria!
Quem nestes últimos 12 anos aplicou em ações triplicou seu investimento. Ter seu próprio imóvel é uma paz de espírito que recomendo a todos, mas tente vencer essa barreira cultural começando com R$ 5.000,00 aplicados numa ação bem escolhida para perceber que não só de aluguel vive um homem ou uma mulher aposentada.
Stephen Kanitz