A estrada para o futuro

Esse artigo começou como resposta a um e-mail do meu amigo Gustavo Lopes, de Goiania. Acabou ficando maior do que imaginei. Achei que o conteúdo poderia ser útil a bastante gente, então reescrevi algumas partes para deixar o sentido mais amplo.

Falo sobre algumas empresas de Marketing de Rede (MMN) das quais faço parte, mas apenas superficialmente. Na verdade, o texto fala sobre nossas aspirações profundas, aquilo que realmente gostamos de fazer. Claro que a vida não é um conto de fadas, onde podemos fazer o que quisermos. Mas ela pode ser levada de forma bem mais tranquila quando sabemos dosar nossos desejos com nossas obrigações.

Trabalhar com uma empresa de Marketing de Rede é uma experiência bastante interessante. Principalmente se nunca tivemos nenhuma experiência em ter um negócio próprio. Mas algumas pessoas cometem o erro de largar a estabilidade de seus empregos muito antes do momento certo para isso. Muitos fazem isso por detestar seus empregos. Outros, por acreditar que podem ganhar mais com dedicação exclusiva ao Marketing de rede.

A idéia é não se dedicar exclusivamente a um MMN. Nos dois artigos anteriores que publiquei sobre MMN, um fala de quando devemos largar nosso emprego atual para fazer MMN em tempo integral. O outro, fala a verdade sobre o sucesso imediato em Marketing de Rede. É muito fácil, para quem trabalha a anos com MMN, por exemplo, falar que o negócio é fácil, que qualquer um consegue ganhar rios de dinheiro em pouco tempo. A verdade, nua e crua, é que a coisa não é tão simples assim. Nem tão rápida assim.

Eu até já ganho alguma coisa com a Herbalife, uma das empresas de marketing de rede com que trabalho, mas exclusivamente com vendas, nada com rede. Já no Caixa Rápido, outro empreendimento de MMN, minha rede está começando a crescer, mas não estou preocupado com a velocidade com que isso acontece. É algo que faço no tempo livre, não me custa nada. E com certeza vai me dar algum retorno no futuro.

Sobre a Tianshi, a terceira empresa de que participo, ninguém aqui em Porto Alegre conhece os produtos. Vai demorar um tempão para as pessoas conhecerem. Se eu quiser ganhar com isso, simplesmente tenho que me tornar vendedor deles. Só que como a empresa trabalha com MMN, eu seria um vendedor sem salário, só com comissões. Tudo bem, eu poderia então formar uma “equipe de vendas”, e ganhar comissões maiores com isso. Ainda assim, eu seria um gerente de equipe de vendas. Quando eu crescesse mais na empresa, eu poderia gerenciar várias equipes de venda. Eu então me tornaria um dos “presidentes” da empresa (ou Leão de Sei lá que Pedra Preciosa, no caso da Tianshi). Ainda assim, eu seria um funcionário, sem carteira assinada, sem salário, e dependeria das minhas comissões.

Mas o pior não é tudo isso. Eu trabalharia a vida toda para uma ou duas empresas de MMN. Elas ganhariam rios de dinheiro com o meu trabalho. Eu mesmo ganharia rios de dinheiro com isso. Mas no final, quando fizermos o balanço da vida, a gente descobre que trabalhou a vida toda para uma empresa ou duas, em troca de dinheiro.

Isso vai completamente contra o que o Kiyosaki fala nos livros. Não que o Kiyosaki seja o senhor da verdade, ninguém o é. Mas o que ele escreve nos livros sobre sermos donos de nossas próprias empresas é exatamente o meu pensamento, muito antes de ouvir falar nos livros e idéias dele. Exatamente por isso, ser vendedor de outra empresa vai completamente contra o que eu sempre quis da minha vida. Eu sempre quis ser o dono dos meus próprios negócios. E tenho tido um bom sucesso nisso. Eu nunca quis ser o melhor vendedor do negócio dos outros. Eu sempre quis ser o melhor vendedor dos meus próprios produtos e serviços.

É por esse motivo extremamente simples que eu não desenvolvo nenhuma empresa de Marketing de Rede, se isso depender de esforço real da minha parte. Porque simplesmente não quero ser o melhor vendedor dos outros. Quero ser o melhor vendedor para mim mesmo.

Não acho a idéia do Marketing de Rede uma má idéia, muito pelo contrário. Tanto assim, que participo de empresas de Marketing de Rede. E acredito ajudar muito meus downlines. Ajudo eles mantendo-os focados em vencer as dificuldades. Ajudo, mostrando que o caminho não é fácil, mas que é muito mais recompensador que trabalhar todos os dias das 7h às 18h. Ajudo eles ensinando o pouco que sei sobre poupança e investimentos. Ajudo eles e outros mais, publicando as idéias, minhas e de muitos amigos, no site Moeda Corrente.

O objetivo de atingir a independência financeira é bastante louvável. Querer nosso próprio bem e o de nossa família é algo maravilhoso. Mas não podemos esquecer da importância do caminho que trilhamos para atingir este objetivo. No final das contas, a vida não é medida pelo que conseguimos ganhar, e sim, pelo caminho que percorremos para chegar lá.

Os maiores índices de suicídio do mundo estão entre a minoria muito rica. A maior parte, entre os que herdaram grandes fortunas e pessoas que já nasceram ricas. Acredito que isso se deva a uma falta de perspectiva de crescimento pessoal, ao tédio de ter tudo o que quer, ao desespero de não saber se as pessoas se aproximam delas apenas pelo dinheiro. Quem trabalhou a vida toda para alcançar esse Nirvana, nunca teve tempo para se preocupar com essas coisas menores. Sempre estiveram focados no bem que podem fazer a sí e aos outros, com tudo o que construiram.

O futuro será cada vez melhor, na medida em que entendemos que o caminho para ele é que faz isso possível. Para finalizar, deixo uma historinha que muitos já devem conhecer, mas vale a pena ser lembrada de vez em quando…

O executivo e o pescador

Um executivo de férias na praia obervava um pescador sobre uma pedra fisgando algus peixes com equipamentos bastante rudimentares: linha de mão, anzol simples, chumbo e iscas naturais.

O executivo chega perto e diz:

– Bom dia, meu amigo, posso me sentar e observar?

– Tudo bem, doutor.

– Poderia lhe dar uma sugestão sobre a pesca?

– Como assim? – Respondeu o pescador.

– Se você me permite, eu não sou pescador, mas sou executivo de uma multinacional muito famosa e meu trabalho é melhorar a eficiência da fábrica, otimizando recursos, reduzindo preços, enfim, melhorando a qualidade dos nossos produtos. Sou um expert nessa área e fiz vários cursos no exterior sobre isto – disse o executivo, entusiasmado com sua profissão.

– Pois não, doutor, o que qui o senhor qué sugeri? – Perguntou calmamente o pescador.

– Olha, estive observando o que você faz. Você poderia ganhar dinheiro com isso. Vamos pensar juntos. Se você pudesse comprar uma vara de pescar com molinete, poderia arremessar sua isca para mais longe, assim pescaria peixes maiores, certo? Depois disso, você poderia treinar seu filho para fazer este trabalho para você. Quando ele se sentisse preparado, você poderia comprar um barco motorizado com uma boa rede para pescar uma quantidade maior e ainda vender para as cooperativas existentes nos grandes centros. Depois, você poderia comprar um caminhão para transportar os peixes diretamente, sem os intermediários, reduzindo sensivelmente o preço para o usuário final e aumentando também a sua margem de lucro. Além disso, você poderia ir para um grande centro para distribuir melhor o seu produto para os grandes supermercados e peixarias. Já pensou no dinheiro que poderia ganhar? Aí você poderia vir para cá como eu vim, descansar e curtir essa paz, este silêncio da praia, esta brisa gostosa…

– Mas isso eu já tenho hoje! – respondeu o pescador, olhando fixamente para o mar.

Um ótimo futuro para todos!

Fabricio Peruzzo, 08/10/2003.

Autor: Fabricio S. Peruzzo

Pai, marido, polímata, empreendedor serial, curioso.