Chega a ser engraçado ver as pessoas falando hoje em dia da internet como algo comum, que faz parte do dia a dia de todos. Se torna ainda mais interessante quando falam de como a internet está revolucionando o comércio, permitindo as compras online, facilitando a vida no meio desta confusão todas pela qual estamos passando, permitindo a comunicação e proximidade com a família, mesmo que através de uma tela.
O que hoje é comum para você, o mundo em que você nasceu, dependendo da sua idade, não existia 25 anos atrás. Eu estava lá, não apenas quando tudo estava começando, mas mais, estava lá com pás e picaretas ajudando a cavar as fundações, a colocar as bases iniciais e os tijolos que começariam a levantar essa tal de internet.
Não é que eu me lembre de como era o mundo antes da internet. Isso muitas pessoas da minha idade ou mais ainda lembram. O que eu lembro, mesmo, é como essas pessoas viam o mundo antes da internet, e desdenhavam de quem, como eu, estava construindo “essa coisa que não serve para nada”, a não ser perder tempo, ficar de bate papo com desconhecidos, baixar fotinhos borradas ou com poucas cores, fazer esses barulhos estranhos e ocupar o único telefone da casa por horas e horas sem fim.
Um pouco disso tudo se transporta para a questão do trabalho remoto. Há mais de 12 anos trabalho exclusivamente em casa. E as pessoas ao redor, mesmo as mais próximas, não entendiam como fazia isso. Agora entendem. A necessidade se impôs. As dificuldades pelas quais estão passando, já as vivi, já as resolvi. Há vários livros que tratam do tema, com sugestões como acordar e se vestir como se fosse sair para trabalhar fora, até a de fazer uma ida virtual ao trabalho, dando uma volta na quadra antes de começar a trabalhar em casa, por exemplo. Ter um espaço separado, privado, dentro de casa também ajuda. Um quartinho, ou um canto exclusivo pelo menos.
Tirando a parte problemática do momento, estamos vivendo no mundo que sempre sonhei, no mundo que ajudei a construir. É legal ver as coisas em que sempre acreditamos se tornar parte do dia a dia de todas as outras pessoas.
Consigo entender sutilmente a necessidade de horários fixos para algumas coisas. Saber que das 10h às 16h podemos ir ao banco que encontraremos as portas abertas. Saber que a padaria abre antes da nossa necessidade do pão quentinho. Só não entendo o apego excessivo das pessoas em tentar colocar horário em tudo.
Ontem escrevi que domingos para mim são como outro dia qualquer. Não que eu não descanse no domingo, faço, nem que seja porque algumas coisas estão fechadas mesmo e não teria como fazer diferente. Não posso levar um filme para revelar, agendar uma consulta médica ou coisas desse tipo num domingo.
Os horários, para mim, funcionam como os domingos. Não há problema em estar trabalhando às 3h da madrugada em um dia que esteja com insônia. Ok, pode ter esse tipo de problema hoje, com filhos pequenos e a situação de que se não tentar voltar a dormir o dia seguinte poderá se tornar um grande arrasto, mas fora isso, não haveria problema.
Tenho a sorte (que eu plantei lá atrás) de poder trabalhar de onde quiser. E mais, de poder trabalhar quando quiser. Se não estou a fim de fazer alguma coisa hoje pela manhã, dificilmente isso gerará grandes problemas futuros. Só terei que fazer um pouco depois. Claro que as vezes a realidade atropela os horários e a vontade.
Quando tinha meus servidores de internet, as vezes um problema causava a parada do serviço de diversos clientes. Aí, o trabalho não ter horário significava justamente que tinha que trabalhar, ‘no matter what’. Incêndio tem que ser apagado na hora.
Com os consórcios os incêndios são bem menos frequentes. As decisões são mais lentas, mais bem pensadas. Esperar um dia para responder um email pode ajudar a cristalizar melhor uma ideia e evitar um erro.
Mesmo assim, as vezes há urgência. Não responder é largar o cliente para o concorrente que respondeu mais rápido.
Então “o trabalho não tem horário” pode trazer a liberdade de passear tranquilamente todas as manhãs com o filhote. Porém, pode trazer também a necessidade de “largar tudo para resolver isso agora”.
Domingo para mim sempre foi um dia como outro qualquer. Talvez por ter tido a sorte (ou ter feito essa boa escolha) de sempre ter trabalhado com o que gosto, nunca “precisei” de um dia para “descansar”.
É engraçado para mim ver as pessoas falando sobre este desafio que o planeta está passando e de como o trabalho em casa tornou todos os dias iguais, porque faz pelo menos 12 anos que vivo exatamente esta rotina. Por escolha própria.
As vezes tenho alguns inconvenientes, como ter uma boa ideia para discutir com alguém e me lembrar que nem todos vivem como eu vivo. Me seguro, anoto a ideia e deixo para ligar na segunda-feira. Tem dias em que a pessoa com quem quero tratar do assunto tem uma vida parecida, então domingo vale como dia comum.
Só não pense que porque não dou ênfase no “dia de descanso”, que não tenho meus domingos. Pelo contrário, tenho sete domingos por semana.
Quando acabo de tomar meu café da manhã e os filhos já estão alimentados, não importa o dia da semana, é meu domingo de passear na rua com os filhos. As vezes só vai um, as vezes só vai outra, mas diariamente tenho esse longo intervalo com eles. Meu domingo é intercalado na semana inteira.
Quando à tarde as tarefas diminuem por já terem sido resolvidas mais cedo, começa meu domingo. Se neste momento não dá para ir em uma pracinha, que seja então dentro de casa.
Quando em uma quarta-feira o dia está quente, é piscina com as crianças. Se o trabalho chegar enquanto isso, uns minutos não farão diferença relevante, e se diferença fizerem, com o celular mesmo já resolvo a questão debaixo do sol mesmo.
Então hoje é domingo, e aqui estou escrevendo enquanto as crianças acabam seu café da manhã. Não é porque não me faça diferença que eu não tenho domingos, mas porque trabalhei para tornar isso possível que tenho, não só domingos hoje, como também todos os mini-domingos durante a semana.
Os consórcios me proporcionaram isso, primeiro como meu investimento pessoal, depois, com a internet que eu ajudei a começar no Brasil, como vendedor.
Um papo sobre a realidade de todos nós, no Instagram. N
Pare de escutar esses Youtubers que falam de finanças te dizendo que a melhor maneira de comprar seu imóvel é juntar o dinheiro ao longo do tempo e então comprar à vista.
Quando temos jornalistas posando de mestres em finanças, pode apostar, algo está errado. Mas não são só esses, economistas e administradores vão te dizer o mesmo. E sabe onde está o problema? Não na profissão original escolhida, pois os interesses podem mudar genuinamente e todos tem capacidade de aprender coisas novas. O problema está na limitação que a profissão original escolhida causa em suas cabeças.
Tradicionalmente, a pessoa escolhe jornalismo por ter mais apreço pelas palavras do que pelos números. Da mesma forma, economistas e administradores escolhem essas áreas por ter mais afinidade com os números e a ordem, do que com pessoas e suas mentes. E aí vemos pessoas que não são íntimos de números, fazendo cálculos triviais e deixando passar os detalhes mais complexos, como probabilidades e estatística. E vemos quem faz os cálculos bem, mas não levam em conta a psicologia da mente das pessoas reais.
Pense por si.
Você pode juntar dinheiro ao longo dos anos, investir esse dinheiro ganhando uma merreca extra ao longo do tempo (porque você não vai colocar sua futura casa em investimento de risco) e enquanto não chega lá, pagar aluguel.
Você pode fazer um financiamento, se livrar do aluguel, e pagar juros. Juros nada mais são do que aluguel pago ao dinheiro emprestado pelo banco. E aí os Youtubers de finanças vão cair em cima do absurdo de pagar juros, mas no final, dá no mesmo. Juros ou aluguel são a mesma coisa enquanto você não tem seu imóvel próprio. Só que o aluguel, você tem que pagar até conseguir juntar o dinheiro todo. E os juros, você pode cortar adiantando prestações. Quando tem o fogo queimando a bunda, o que você faz? Fica parado ou corre para se livrar disso?
Fazendo um financiamento, no prazo mais longo possível, você consegue pagar um valor mensal que é semelhante ou pouco mais caro que um aluguel. Esse pequeno esforço extra é a diferença entre ter o que será seu e o que nunca será. E é um pouco mais caro simplesmente porque você está pagando ao banco o aluguel pelo dinheiro, enquanto paga pelo próprio imóvel junto. parece não ser diferente de pagar aluguel e juntar a diferença, mas é. Porque neste caso, você já está pagando a diferença diretamente para seu imóvel, não tem a possibilidade de acontecer alguma coisa ruim e você torrar esse dinheiro. Não tem a possibilidade de você estar entediado e gastar tudo em uma viagem ou em uma troca de carro. Dinheiro na mão é vendaval!
Além disso, pagando seu financiamento e com a dor de sentir os juros nas costas, talvez você se dedique ao trabalho depois do trabalho. E ganhando um pouco mais, possa acelerar os pagamentos para se livrar dos juros. Isso também é possível no “juntar dinheiro para comprar”, mas é mais difícil, porque ao se esforçar mais, vem junto aquela sensação de merecimento. E aí, lá se vai seu dinheiro suado em um presentinho aqui, uma viagem ali…
Pagar seu financiamento de 30 anos em apenas 10 ou 15 anos é possível e até bem fácil. Quando você se der conta de que ao pagar antecipadamente o valor de uma prestação atual você estará quitando quatro ou cinco prestações lá do final, todo o dinheiro extra começa a ir para isso. Se estivesse alugando e juntando dinheiro, é muito mais difícil fazer dessa forma.
E por fim falo do consórcio de imóveis. Nesse você não tem juros, mas também não recebe seu imóvel imediatamente. Você pagará aluguel por um tempo enquanto não for contemplado, mas certamente será contemplado em bem menos tempo do que levaria juntando dinheiro para comprar a vista. E assim que contemplar, se livra do aluguel e pode usar este valor que sobrará mensalmente para investir ou mesmo para adquirir um novo consórcio, agora para pagar pelo seu primeiro imóvel para alugar. Você sai da condição de inquilino para a de proprietário de imóveis de aluguel.
Sério, sobre os benefícios que podemos ter com os consórcios, poderia ficar horas aqui falando. Se te interessar por uma consulta, me procura, que vai ser um prazer ajudar.
Não vou me estender muito neste título. O objetivo disto, além de ter o quarto arrumado é começar o dia com uma pequena vitória. Não importa o que surja de dificuldade, você já começou o dia vencedor.
O hábito de escrever estes textos aqui todas as manhãs tem um pouco disto. Todo dia, quando preparo meu café e sento aqui para escrever, tenho a emoção de ter realizado uma das tarefas importantes do dia. Sim, é uma tarefa importante produzir conteúdo regular aqui, mesmo que não diretamente ligado à venda de consórcios, porque pessoas compram de pessoas. Tento não apenas ajudar com reflexões em meus textos, mas principalmente, tento mostrar um pouco de quem sou e do que penso. Quero que você queira comprar de mim, antes do produto ou serviço em si. Minha intenção é termos uma relação duradoura, então é importante haver certo alinhamento de ideias.
Entretanto, há uma pequena armadilha nisso. Já caí nela. As vezes, por ter concluído uma tarefa importante (arrumar a cama não conta), tenho a impressão de que o dia já está ganho. E não é assim que funciona. Há outras coisas bem importantes para se fazer a cada dia. Como para cada armadilha há um desarme, assim que me dei conta disto já providenciei a escapatória. Faço no dia anterior uma lista com as três tarefas mais importantes do dia seguinte que tenho que executar. Isso já basta para me manter na linha. Fico com a sensação boa de ter começado bem o dia e ainda com a direção de para onde seguir.
Outra coisa que temos que cuidar é a frustração de não ter feito algo. Para isso, sempre há um novo dia, nem sempre conseguimos ser superprodutivos. Já aconteceu de não conseguir escrever pela manhã, e quando isso acontece, como me estabeleci um desafio, tento me lembrar ao longo do dia de concluir a tarefa. Um dia apenas aconteceu de ter concluído as 23h45. Cumpri meu compromisso comigo mesmo, mas se não tivesse, não seria o fim do mundo.
Seja gentil com você mesmo. Lembre-se sempre disso.
Não sei como vão ser as coisas deste dia em diante. Quanto tempo tudo voltará ao normal, se é que teremos de novo uma vida como a que tínhamos anteriormente.
Por mais que possamos pensar que logo as vacinas estarão funcionando, todos estarão imunizados, o mundo voltará a ser como era antes, a grande verdade é que o futuro é nebuloso. As vacinas podem não proteger de novas cepas. A proteção pode não durar muito tempo. Novas cepas podem surgir, bactérias mais resistentes podem atacar por conta do uso indiscriminado de antibióticos. As vezes é difícil ser otimista.
Por outro lado, a vida continua. Não podemos esmorecer. Há muito para ser visto e vivido ainda, senão por todos, com certeza para muitos. Conseguir equilibrar vida e neuroses vai ser o exercício dos próximos anos.
Por aqui, sinto saudade de viajar. Organizei nossa vida desde o princípio para poder ter essa liberdade geográfica no trabalho. Antes da baixinha começar o colégio, podíamos simplesmente decidir um destino, pegar um avião e ir. Com o colégio as janelas de oportunidade diminuíram, mas ainda assim havia como dar uma escapada no meio do ano ou no final.
Nossas viagens, em parte por conta da alergia alimentar da baixinha, sempre foram mais longas e hospedadas em flats com cozinha. Isso nos colocava na vida mais cotidiana do local, não no simples turistar. Ir ao supermercado, frequentar as pracinhas próximas, museus, parques. Era sempre um test-drive de “como seria viver aqui.”
Não tínhamos intenção real de morar nesses lugares. Sabemos que NY é sensacional na primavera e ótima no outono, mas os invernos terríveis. Vale o mesmo para a maioria das cidades européias, somos uma família de verão. Mas como forma de viagem, gostamos muito do tipo de experiência que as nossas proporcionavam.
Sinto falta de ouvir uma lingua diferente ao passear nas ruas. Ver as crianças brincando igual em qualquer parte do mundo. Experimentar os sabores de cada local, os pequenos comércios, as cafeterias.
Sinto falta de viajar. Estar fora da nossa rotina era o que me ajudava a ver como gosto dela sempre que voltava.
Muitos tem medo de comprar ações. Quando converso, me dizem coisas como: “não tenho estômago para ver meu dinheiro valer metade do que tinha antes.”
Entendo essas preocupações, mas a verdade é que o preço das ações não deveria importar nesse sentido. O preço importa quando compramos. Quanto mais barato, melhor. Em ações vale o mesmo, mas para isso você tem que parar de pensar em uma abstração de ações e entender que está adquirindo um pequeno percentual de uma empresa.
Imagine que você tem uma padaria em sociedade com seu vizinho. Determinado dia ele passa em um concurso público em que trabalhará bem menos horas do que na padaria, fazendo algo que acha melhor e ganhando mais. Ele te oferece a parte dele por bem menos do que você acha que vale, porque quer sair de qualquer maneira o quanto antes da sociedade. Isso é ruim para você? Se você não pretende vender sua parte, seu sócio oferecer a dele por menos do que vale é ruim? Ou bom, porque agora você pode comprar por menos do que vale?
Agora imagine que você é sócio do banco em que tem sua conta corrente. Você tem um percentual dele. É melhor comprar um pouco mais dele por um valor maior ou menor? E por fim, se você não pretende vender o que já possui, e pode comprar mais lucros a receber, por um valor menor de aquisição, isso é ruim?
Depois que você compra uma ação, uma parte de uma empresa, por um valor que avaliou ser bom na hora da compra, o valor que os outros atribuem a esta ação não deve lhe afetar se você não tem intenção de vender, ou se não for resultado real da empresa ter piorado muito. Pelo contrário, gente querendo vender por menos do que você acha que vale abre a oportunidade de você comprar mais, por menos.
Perca o medo da bolsa de valores. Pense em adquirir parte de boas empresas para receber lucros regularmente. Você não vai ficar rico da noite para o dia, mas está construindo aos poucos um conglomerado de empresas que lhe sustentarão no futuro.
Um imóvel, geralmente, não é o melhor investimento que podemos ter.
Só que a casa própria acaba sendo um dos melhores investimentos das pessoas, na prática. E isso se dá porque em sua maioria, as pessoas mudam de ideia a toda hora, trocando seus investimentos, comprando e vendendo suas ações, decidindo torrar o dinheiro acumulado em uma viagem, em um carro novo, etc. Enquanto a casa ou o apartamento onde moram fica lá, com eles dentro, eventualmente até sendo trocado por um maior quando a família aumenta. Anos e anos mantendo o valor de prover um teto sobre suas cabeças.
O Pedro Cerize fala que comprar um imóvel é antecipar o aluguel até o fim da vida. Nos tira da cabeça a preocupação de ter onde morar. Ter nosso próprio teto ainda evita problemas como ter que precisar se mudar com urgência porque o proprietário de onde alugamos está pedindo o imóvel de volta. Imagine ter que se mudar no meio da pandemia. E se fosse com dois filhos pequenos? Sim, tem gente que diz que é só sair de um e entrar em outro, mas vai procurar imóvel para alugar pra ver se é simples assim.
Tem quem goste de fazer as coisas ficar com sua cara. E aí, vai fazer melhorias no imóvel dos outros, sem poder contar com elas para sí quando se mudar?
O Gustavo Cerbasi fala muito das vantagens do aluguel no início da vida adulta, fase onde podemos ter mudanças de emprego, melhorias ao mudar de cidade. Um imóvel próprio poderia funcionar como uma âncora nesses casos, nos impedindo de voar livres para ares melhores. Concordo com essa ideia também, mas ela tem prazo de validade.
Quando encontrar sua situação ideal, foque nela. Trocar de imóvel tem custos altos, impostos, taxas, cartórios, registros. Evite pular de galho em galho, pense nas suas necessidades de uns anos à frente. Se planeja ter filhos e ainda não os tem, pense em já procurar um imóvel que comporte a família extendida.
Não diretamente relacionado ao assunto, procure morar perto do trabalho. Um dos maiores fatores de stress das pessoas é o desgaste diário do vai e volta do serviço. Corte este ao máximo.
Tenha seu próprio lar.
E já sabe, se precisar de ajuda, entre em contato. Vai ser um prazer ajudar.
Hoje ele completa dois anos e deixa de ser oficialmente um bebê e se torna um menininho. A grande verdade, no entanto, é que nunca deixará de ser meu bebê, assim como a irmã dele, com quase oito anos, não deixou de ser minha bebêzinha.
Essa idade é acompanhada de muitas novidades, principalmente na fala. A língua destrava, as palavras que antes eram tímidas se tornam abundantes e algumas vezes já vem compostas com outras palavras.
Aqui em casa falamos duas línguas: português e bebezês. Para quem não conhece pode parecer difícil, mas para nós que aprendemos junto com ele e participamos do desenvolvimento todo da nova língua, é como falar qualquer outra língua estrangeira.
Uma palhinha:
moomm – polenta. mômmm – vermelho. i iiia – Isabella. bububáá – celular. todish – Toddy. vê – leite. a bii – abrir. bêê – Massa de letrinha.
A diferença dos dois é impressionante. Nada daquelas coisas de menino e menina (sim, isso também). Sei que isso muda com a idade, mas enquanto ela está na fase do “alcança pra mim, me traz uma água, faz isso, me ajuda com aquilo”, ele está na fase de querer fazer tudo sozinho, desde abrir a própria fralda até colocar as roupas e sapatos.
O amor de um pelo outro é lindo de ver. Claro que as vezes tem ciúmes e um querer o brinquedo do outro, mas o cuidado de ambos um com o outro aquece o coração. As gentilezas dele, de sempre pegar algo e oferecer para ela antes, por exemplo. Inclusive com chocolate!
Hoje não terei mais um bebê em casa, mas até o fim dos meus dias terei sempre meus dois bebês no coração.
Feliz aniversário, meu filho. Papai te ama mais que tudo neste mundo.
Não deve ser novidade para quem tem ansiedade crônica, mas as vezes mesmo nós, esquecemos das coisas em nome de um pequeno prazer.
Há poucos anos fiz uma experiência sem querer.
Estávamos passando uma temporada em Las Vegas e no flat em que ficamos forneciam sachês de café na recepção. Não sou tão esnobe assim com o café para me dar o trabalho de buscar um especial quando tenho um bastante bom a disposição, e o que ofereciam lá gratuitamente era realmente muito bom.
Aconteceu que geralmente só tinham café descafeinado, ou tinham os dois, mas proporcionalmente bem mais do descafeinado. E assim fui, por uns 20 dias, diminuindo gradativamente a quantidade de cafeína ingerida diariamente.
Não tínhamos o bebê ainda, então as coisas eram menos corridas do que são hoje. A diferença que notei na época, graças ao Apple Watch, foi que meu sono subiu das 6h habituais para 8h todas as noites. Isso durou um tempo depois do nosso retorno, mantendo o descafeinado por mais um tempo.
Corre dois ou três anos para frente, e aqui estou, com um bebê, uma filha de sete anos, os ciúmes naturais entre irmãos, a falta de sono crônica, todos os problemas da casa e trabalho acumulados e ainda uma pandemia que não nos dá as liberdades de gasto de energia que teríamos normalmente para as crianças. Terror para o ansioso aqui. E motivo para eventuais gritos e brigas para ter as coisas feitas, como escovar os dentes, se vestir, etc.
Reiniciei o processo de cortar a cafeína. Não dá para fazer de um dia para o outro, os sintomas de abstinência são terríveis. Semana passada concluí o último pacote de café cafeinado aqui de casa. Com direito a dor de cabeça angustiante dois dias atrás.
Há quatro dias não há discussão, não há problemas que não sejam resolvidos com calma. Não há crise de ansiedade, palpitações. Descobri ainda que meu acordar seguido à noite para fazer xixi também podia ser devido ao sono mais leve do corpo com cafeína, tenho dormido a noite inteira (fora as interrupções eventuais da minha pequena sonâmbula).
Gosto do hábito do café, mas agora aqui, só descafeinado.