Pressão para o consumo

Somos pressionados a adquirir cada vez mais. Trocar de carro, de celular, o tênis da moda, aquela bolsa maravilhosa, jantar fora com frequência… É difícil manter a sanidade com tanto disponível. A publicidade possui um longo histórico de sucesso em conseguir nos convencer que todas essas coisas são necessidades, quando na verdade são apenas pequenos desejos.

Os realizamos com a esperança de nos trazer felicidade. Mas não acontece. Há um breve lapso de felicidade quando compramos algo, mas esta acaba instantes depois de adquirirmos o que quer que seja. Novas necessidades aparecem e aquilo que era tão importante já não é mais suficiente. Queremos sempre mais.

Não é ruim querer crescer. O problema ocorre quando não notamos que não basta ter cada vez mais, precisamos buscar o que realmente nos acrescenta, não apenas o que tapa nossos buracos emocionais. Não podemos cair na armadilha de comprar algo hoje sem pensar nas consequências para nosso futuro.

Então como resolver? Como evitar perder tempo, energia e dinheiro com pequenos desejos artificiais criados pela publicidade? Como atingir a independência financeira, a situação de vida ideal que nos permita dedicar nosso tempo ao que realmente nos traz satisfação, mas também, finalmente, alcançar a felicidade?

Devemos lembrar quem é o prejudicado nesse consumismo desenfreado: nós mesmos. Devemos lembrar o que queremos para nosso futuro. É o que nos motiva a fazer o pequeno sacrifício de não comprar aquilo que está fora das nossas possibilidades atuais. Podemos usar a ausência daquele objeto como incentivo para melhorar nossa capacidade de ganhar mais.

Tenho uma história pessoal para contar sobre essa pressão constante para o consumo. Estava planejando uma viagem para os EUA em agosto de 2008. Uma semana, somente eu, sem minha esposa, ficando hospedado na casa de um amigo. Meus gastos seriam apenas de passagem, comida e aluguel de um carro popular. Tinha objetivos profissionais lá, então provavelmente a viagem se pagaria. Mandei e-mail para este amigo para ver se seria possível me hospedar lá na época que planejei, disposto a mudar as datas para a semana que fosse melhor para ele. Então recebo a resposta de que poderia ir, junto com a pergunta se não seria melhor ir em novembro, quando poderíamos passear em Las Vegas, jogar nos cassinos, assistir ao show da Madonna e fazer um tour pela região dos vinhos da Califórnia. Claro que balancei. Novembro tem o aniversário da minha esposa, poderíamos fazer essa viagem juntos, comemorar em grande estilo, outro casal de amigos tinha o mesmo plano, então seríamos três casais passeando na Califórnia. Bem mais caro que minha viagenzinha solo. Tentação pouca é bobagem. Mas a realidade é uma só, não tinha o dinheiro para isso. Tinha outras prioridades que eram mais importantes. Simplesmente não dá para fazer tudo que queremos, precisamos fazer escolhas. No meu caso, essas escolhas estavam bastante claras na mente.

Em vez da viagem maravilhosa que duraria apenas uma semana, optamos por trocar de apartamento. No novo, são 162m2 de espaço para vivermos a vida que desejamos. É espaço suficiente para termos nossos escritórios em casa, para criarmos nossos filhos com conforto em um bairro seguro e com todas as conveniências que precisamos.

Podemos ter tudo que queremos. Só não podemos ter tudo ao mesmo tempo.

No ano seguinte, com a energia renovada diante do nosso novo espaço de vida, os negócios andaram bastante bem, e então fizemos nossa viagem, dessa vez não apenas de uma semana, mas de 34 dias pela Europa.

E o sonho de conhecer Las Vegas? No ano seguinte à nossa viagem para Europa, foi a vez de Las Vegas, Los Angeles e toda costa da Califórnia.

Show Le Rêve em Las Vegas

Não tenho dúvida alguma de que se tivéssemos cedido aos apelos do consumo imediato que surgiu com o convite dos amigos em um momento em que não podíamos realmente gastar naqueles prazeres, não teríamos conseguido trocar de apartamento e por consequência, todas as outras realizações teriam sido sabotadas.

Veja que não deixamos de viver por ter optado em não viajar. Apenas optamos por algo que nos traria mais benefícios permanentes. Os resultados falam por si.

E o show da Madonna, escuto a pergunta aparecendo lá no fundo… Uns anos depois ela se apresentou em nossa cidade, e foi muito legal de assistir ao vivo sem precisar viajar para isso.

Madonna em Porto Alegre

Autor: Fabricio S. Peruzzo

Papai investidor, marido, polímata, empreendedor, curioso. Tranquilidade financeira é qualidade de vida.

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