Medo de sair

Em tempos de Coronavirus…

Todos devem conhecer o termo FOMO (Fear of missing out), o medo de perder algo legal por decidir ficar em casa. O medo de perder a melhor festa do ano, o melhor show, o video que todos estão comentando…

Acredito que nos próximos meses devemos começar a ver o oposto disso, o medo de sair de casa.

Será que para ver de perto aquele artista que gostamos vale mesmo a pena se expor a ficar próximo de milhares de pessoas que não conhecemos e que podem nos contaminar com um vírus altamente contagioso que mesmo que não nos faça mal podemos levar para casa e contaminar algum familiar mais vulnerável?

Será que eu gosto tanto assim daquela pessoa que faz aniversário hoje a ponto de correr o risco de adoecer para ir lá dar um abraço pessoalmente, ou é melhor telefonar ou fazer uma video-chamada?

Saio para almoçar fora, ou faço comida em casa? Ou chamo uma tele-entrega?

Se meu trabalho pode ser feito de casa, vale mesmo a pena me deslocar até um escritório compartilhado com outras pessoas? Participar de reuniões presenciais?

Quero mesmo passear no shopping para me distrair? Não seria melhor um livro, ou até mesmo um seriado qualquer no Netflix? Uma praça ampla? Uma caminhada no meio do mato ou na beira da praia (praia pequena, não grandes centros urbanos)?

Aquela viagem maravilhosa, aquele lugar que eu sempre quis conhecer… Será? Confesso que esta á uma das partes mais difíceis para mim, o desejo de viajar e conhecer outras culturas, outras arquiteturas, hábitos e pessoas, é uma das coisas que mais me move na busca de aprender sempre mais. Ficar sem viajar seria para mim uma das piores coisas que poderia acontecer em um mundo onde o medo de contaminação impedisse o livre fluxo das pessoas.

Nem falo aqui apenas das escolhas pessoais, neste último caso das viagens, mas também dos impedimentos de governos cada vez mais autoritários que vemos aparecendo, forçando as pessoas a ficar em casa, aplicando multas para quem ouse sair, fechando fronteiras. Será que no meio da minha viagem serei impedido de voltar ao meu país? Como vou sobreviver em um local onde deveria apenas passear por uns dias, como vou pagar as contas, como usar o sistema de saúde se for necessário?

O quanto o medo de sair de casa irá alterar seus hábitos? Quanto isso irá impactar nos hábitos de uma população? Quais serviços serão afetados por algo desse tipo? Quanta gente precisa sentir esse medo para que o que estamos acostumados como realidade mude definitivamente?

Posso estar errado, posso estar tomando uma realidade particular minha, de uma pessoa que mesmo antes disso tudo já gostava mais de ficar em casa do que de sair por aí. Posso estar pensando pelo ponto de vista da ansiedade que me acompanhou por toda a vida, e não pelo ponto de vista de uma pessoa mais relaxada em relação à isso, mas e se isso tudo se prolongar por mais tempo? Quanto tempo de restrição de mobilidade é necessário para lhe fazer rever seu ponto de vista? Quantas pessoas próximas precisam morrer para você começar a se preocupar com tudo que está acontecendo?

Ainda saio para fazer compras com certa frequência. Mesmo ansioso, estou menos trancado em casa do que muitos amigos mais tranquilos. Cuido, não toco em nada desnecessário, evito tocar no rosto assim que atravesso a porta de casa para rua, lavo as mãos e passo álcool gel com frequência, evito passar perto das pessoas, saio rápido e volto mais rápido ainda. Quando isso vai mudar? Quanto isso vai mudar?

Deixo as perguntas no ar. Como está sendo esta época para você?

Autor: Fabricio S. Peruzzo

Pai, marido, polímata, empreendedor, curioso. Tranquilidade financeira é qualidade de vida.

2 comentários em “Medo de sair”

  1. Boa tarde.
    Para mim no início foi um pouco agitado. A ansiedade e o medo aflorou. Entretanto, comecei a fazer várias reflexões. O que é a vida? Quanto ela vale?. O que é mais importante em minha vida?
    O que sei é que agora, confirma o que a Bíblia já diz: Buscai pois em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça e a outras coisas vos serão acrescentadas. Entendo que Deus me amou de tal maneira que enviou Jesus para me salvar.
    Como isso responde as minhas perguntas acima. Que eu devo amar a Deus primeiro e depois a minha família. O resto não é mais importante. As coisas materias, já não tem a mesma significância que antes. E que esse tempo aqui na terra é passageiro, e que terei um novo lar quando partir daqui. Isso trás paz em meu coração e o medo e a ansiedade vai embora.
    Assim, estou conseguindo sair de um desespero, para uma paz que excede todo entendimento em Deus.
    E mesmo trabalhando no Hospital que é referência em Covid aqui em Juiz de fora MG, estou tranquilo, fazendo a minha parte e proteção com EPIs. Sigo agora o alvo que é ter uma vida de paz e segurança em Jesus e não no dinheiro e nos meus bens ou na minha aposentadoria, que talvez nem chegue.
    Não se atemorize com as más notícias, elas corroem nossos corações.
    Espero ter ajudado a compartilhar esse momento de confinamento pra minha esposa, mas não pra mim, em razão do trabalho. Aqui com 13 aguardando confirmação e 3 já confirmados na Uti. Deus é nossa força e segurança.
    Abraços Fabrício. Já estava com saudades dos seus textos.
    Jader

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