Documente sua jornada

Foi o Gary V. quem primeiro falou sobre documentar nossa jornada nas redes sociais. A questão toda é simples: não sabemos quão alto iremos chegar, mas ao longo dos anos, todos iremos percorrer algum caminho.

O que constrói um vencedor é o trabalho diário. O sucesso da noite para o dia leva ao menos 10 anos para surgir. Então, enquanto cresce, documente sua jornada. Seus maiores fãs (procure por “1000 fãs verdadeiros”, do Kevin Kelly) serão justamente os que te viram crescer, os que te conhecem desde antes do sucesso da noite para o dia. Você vai poder se referir a eles com frases como “quem estava aqui quando ainda era tudo mato.”

Veja minha história. Há 19 anos comecei a investir usando os consórcios de imóveis como ferramenta de formação de patrimônio. Minha área era a informática, meu negócio era um provedor de acesso à internet.

Documentei o início da minha jornada nos investimentos até os lucros com os consórcios surgirem. Documentei meu crescimento como investidor e ajudei aos primeiros amigos que me pediram orientação. De 2002 a 2008 foi assim.

Em 2009 vendi minha empresa de internet, passei a me dedicar integralmente aos consórcios e, da noite para o dia, me tornei um dos maiores vendedores de consórcio do Brasil. Do início até as premiações com viagens internacionais foram seis anos que não apareceriam para quem me conheceu depois do sucesso, não fosse eu estar documentando essa jornada.

O mais importante de documentar sua jornada é justamente a chegada do sucesso. É a jornada que justifica a confiança dos novos clientes em teu trabalho. Quem chega hoje vê minha empresa sólida, com anos de mercado. É fácil comprar de mim agora, não preciso provar que existo.

É até engraçado escrever isso, mas quando comecei, precisava, literalmente, provar que eu existia de verdade. A internet não era essa ferramenta presente na vida de todos. Documentar minha jornada era essencial, pois meus clientes, em outros estados e até mesmo em outros países, precisavam saber que o Fabrício existia e era real, não uma história escrita nessa tal de internet.

Patrimônio, liquidez, diversificação, conhecimento

Ia escrever um texto sobre a importância do patrimônio na nossa vida, mas aí me lembrei de uma situação particular e o texto tomou rumos diferentes antes mesmo de eu começar a escrever.

Diria que nos investimentos muitas vezes não nos damos conta de que patrimônio é tudo que se deve buscar como objetivo. Que no final das contas, o que conta é o número total que temos quando somamos tudo. Falo isso porque muitas pessoas ficam obcecadas em buscar investimentos mirabolantes que gerem lucros enormes, mas não conseguem sequer focar no básico que é guardar um pouco do que ganham todos os meses com o objetivo de investir esse dinheiro regularmente.

Um amigo me pergunta sobre a aquisição de uma sala comercial como investimento. Representa mais da metade de todo seu patrimônio. Os riscos não superam os benefícios. Se esta sala não estiver alugada, não pesará tanto em suas contas. Por outro lado, se qualquer imprevisto acontecer que exija dinheiro imediato, como uma doença de tratamento caro, não há como transformar isso em dinheiro rapidamente sem implicar em grandes perdas em uma venda apressada. Faltou diversificação na formação desse patrimônio. Ele não possui liquidez alguma no conjunto do que possui.

Conheci uma família que herdou uma praia inteira. Sério, centenas de terrenos em uma praia já formalmente constituída. Não sabiam dos negócios do pai em detalhes até que ele morreu. Um patrimônio sensacional a ser dividido entre seis irmãos. E aí, brigas em família, objetivos diversos e tudo mais, estão, ano a ano, dilapidando esse patrimônio. Um pouco de cooperação entre irmãos e uma boa assessoria poderia triplicar o valor do que possuem em poucos anos, gerando uma fonte de renda vitalícia para as seis famílias envolvidas. A falta de conhecimento e os ânimos acirrados, no entanto, estão jogando tudo isso no lixo. Todo ano cada um vende um ou outro terreno para pagar suas contas. Em breve não terão mais nada para desenvolver e aumentar o valor. A praia em questão precisa de infraestrutura básica, mas isso resolvido, terrenos mais longe da praia que hoje não valem nada passariam a valer ao menos três vezes mais. Ainda dá tempo de desenvolver algo, mas dentro de algum tempo, depois de consumidos os terrenos nobres que restam, não haverá mais como obter a liquidez necessária aos investimentos que precisam ser feitos na frente. E então, possuirão um patrimônio que não interessará a mais ninguém, até ser consumido em impostos.

Patrimônio é importante, mas precisa ser equilibrado com liquidez, diversificação e conhecimento de onde se planeja chegar.

Linha editorial

The Apartment. Billy Wilder.

Dizem que para ter sucesso no ambiente digital é preciso uma linha editorial bem definida. O que é isso? Porque é importante?

Uma linha editorial é simplesmente a definição dos tópicos que você costuma falar em sua comunicação. Inclui o assunto principal que você deseja transmitir, por exemplo, o uso dos consórcios como investimento no meu caso, mas também assuntos acessórios como finanças pessoais e tranquilidade financeira, para pegar tópicos relacionados, ou paternidade ativa, como um tópico extra, mas ainda assim, complementar.

Por fim, sua linha editorial pode e deve incluir assuntos que não estejam diretamente relacionados com o objetivo principal, mas que dão um alívio ao assunto ou simplesmente ajude seu público a lhe conhecer melhor. Gera intimidade, te mostra real, não uma figura construída artificialmente. Novamente citando meu caso, temos aquarelas e desenhos, temos computadores antigos e máquinas fotográficas velhas. Temos máquinas de escrever. Temos cadernos e rabiscos.

Note que esta última parte da minha linha editorial mostra o tipo de coisas que eu gosto, mas mais que isso, mostra coisas de um tempo em que as relações eram mais pacientes, construídas com o tempo. Pode parecer não haver relação com o consórcio de imóveis que trato como ferramenta de investimento, mas estão intimamente relacionadas. Assim como uma carta escrita a mão e enviada pelo correio, da mesma forma que uma foto que precisa ser revelada depois de batida, o consórcio possui um tempo de maturação até ser contemplado e gerar lucros. A tranquilidade financeira chega depois de um tempo em que economizamos todos os meses para formar uma reserva de segurança.

As coisas se entrelaçam. Mostrar quem sou e o tipo de relacionamento que prezo ajuda a atrair para meu negócio o perfil de investidor que busca coisas semelhantes a mim. Um investimento simples, automático, que deve nos acompanhar por toda a vida e nos proporcionar a tranquilidade que buscamos atingir.

Você busca uma forma de enriquecer rapidamente? Seu lugar não é aqui. Não acredito em pressa, acredito em qualidade e tranquilidade.

Vem comigo?

Quem planta, colhe. As vezes até mais do que plantou.

Há 10 anos um cliente ouviu o que eu tinha a dizer e partiu para a ação. Muitos me ouviram, poucos foram os que efetivamente agiram.

Hoje não vou contar a história de um cliente que contemplou cedo e lucrou diversas vezes o que investiu. Vou contar a história do Renato, que levou 10 anos para contemplar, 119 meses para ser exato. No final das contas, com seu consórcio, perdeu dinheiro ao longo desses anos todos. Até poderia usar a carta e se beneficiar um pouco da alavancagem que ainda possui, mas neste caso, quitar e pegar a bolada que juntou é uma opção melhor. Foi como se tivesse guardado dinheiro debaixo do colchão e o vento tivesse levado algumas notas ao longo do tempo.

Dá para ver no depoimento que me enviou que não vê o ocorrido como perda. Com uma só carta, sabia que contaria com a sorte, mais do que com as probabilidades a seu favor. Ainda assim, é raro de acontecer isso. Como ele mesmo se chamou (baseado em um texto antigo meu), foi o Pato Donald dos consórcios.

Por outro lado, ter começado o consórcio lá atrás foi a chama inicial do interesse em investir. Em paralelo com o consórcio, também começou uma reserva de emergência e aprendeu sobre fundos imobiliários. E assim como fez com os consórcios, agiu.

Hoje, pode até não ter tido os resultados esperados com o consórcio, mas a sementinha inicial que ele plantou fez nascer não apenas esta árvore, mas outras ao redor. Esta é a mágica da vida, quem planta, colhe. E a natureza as vezes nos surpreende com aquilo que não plantamos originalmente, mas acabamos colhendo.

O caminho do crescimento não é uma linha reta. Fico feliz de que o Renato veja isso da mesma forma que eu. E assim como eu fiz, ele também plantará mais sementes em novos consórcios. Porque mesmo o Pato Donald parecendo azarado, as vezes tem tremendos golpes de sorte. E com toda sinceridade, vive uma vida bem tranquila lá em Patopolis.

Eu plantei a semente de que você deve pensar no seu futuro, na sua tranquilidade financeira. Gostaria de regar essa semente no seu jardim?

Deu ruim

Sala do escritor, um pouco mais organizada que a minha.

Quantas vezes você tentou fazer algo e o resultado não foi dos melhores?

Quantas vezes você desafiou o conselho de outras pessoas e se deu mal?

Quantas vezes você insistirá no erro de tentar fazer as coisas por própria conta?

Parabéns! Continue tentando.

“O custo de fazer algo e dar errado é muito menor do que o custo de não fazer nada.” — Seth Godin.

Uma amiga aqui do Instagram, a @mariaocaz, postou essa frase ontem e escreveu sobre ela o texto 28/30 do #desafiodos30textos. Faço dela meu texto 22/30.

Muita gente opta por não fazer nada para evitar críticas. Optam por não fazer nada para não ter que lidar com a dor de errar. Optam por não fazer nada por vergonha de parecer incapazes.

Incapaz é justamente quem nem começa. É quem faz só o feijão com arroz, e depois fica reclamando a vida toda que nunca conseguiu comer um bife. O mundo é dos ousados, de quem coloca a cara a tapa, daqueles que se atiram e dão o seu melhor. E se no processo caem, levantam, sacodem a poeira e tentam de novo.

Passei anos escrevendo um livro que nunca publicava. Refinando o que já estava pronto a muito tempo. E se meus amigos acharem o livro bobinho? O que vão pensar de mim? Nunca fui atrás de publicar de verdade. Então a sorte caiu no meu colo. E por ter o livro pronto, me atirei sem rede de proteção. Todos meus amigos estavam lá no lançamento, exemplares na mão, na fila para autógrafos. Nenhum falou mal do livro. Porque os amigos fazem isso, apoiam. Compram o livro que nem mesmo tem um conteúdo que precisem ou que os interessa, simplesmente porque é o livro de um amigo. A esses amigos agradeço de coração. É esse carinho que permitiu que um livro que ajuda muita gente para o qual é o livro certo, chegasse nessas pessoas ao ser publicado. Quem não precisa é justamente quem proporciona a coragem para que fosse publicado.

E se há 12 anos dei esse passo, neste 2021 retomo o rumo depois de um bom tempo parado. Já tem lá na Amazon um livreto pequeno, ridículo, curtinho, sobre um só assunto: “Consórcio: como não entrar numa fria”. É só o segundo, de muitos que virão.

A importância de consultar um especialista ANTES de adquirir um consórcio

Ontem vendi seis consórcios. Poderiam ter sido dez. Não faz diferença para mim, o valor final seriam os mesmos R$ 800.000 em crédito. Em um dos casos teria vendido 10 cartas de R$ 80.000 cada, mas o negócio final ficou em uma carta de R$ 400.000 e cinco cartas de R$ 80.000 cada. Tudo para o mesmo cliente.

Diferente do que acontece as vezes, quando a pessoa que já comprou um consórcio X ou Y me liga para tirar dúvidas, desta vez o interessado ligou antes de fazer a compra. Conversamos por uns 40 minutos, não apenas sobre as possibilidades que ele tinha em mente (investir), mas também sobre outros fatores da vida dele que poderiam afetar as decisões futuras sobre o assunto.

Na conversa, ele contou que tinha comprado um apartamento na planta, para morar. Entrega em dois anos. Trocamos uma ideia sobre a maneira como iria quitar o saldo na entrega. Com o Plano Pontual da Rodobens ele conseguiria fazer a quitação dentro de dois anos, independente de contemplar ou não. É um plano que possui um financiamento integrado que pode ser usado sem juros depois de 24 prestações pagas, mesmo que o consórcio não tenha sido contemplado. Utilizando esse financiamento automático, a quitação do mesmo se dá no momento da contemplação.

Com menos de uma hora de conversa ele resolveu dois problemas. Se não tivesse essa consultoria prévia, ele teria adquirido planos bons, mas que não resolveriam as diferentes necessidades que tinha. Acabaria caindo em um financiamento tradicional na entrega do imóvel e pagaria muito mais de juros do que com o plano que acabou fazendo.

Um caso oposto aconteceu mês passado enquanto ainda estava na praia. Uma pessoa ligou perguntando sobre o investimento com os consórcios. Me disse que já tinha adquirido duas cartas de determinada administradora, e conhecendo os produtos desta, expliquei que, para o tipo de investimento que eu explico, essas cartas não seriam adequadas.

Ele realmente queria investir como faço. Uma conversa prévia teria evitado a compra errada. O pior é que só há dois caminhos: ou ele assume o erro e perde o que já pagou, cancelando essas cotas, ou mantém, e acaba com um prejuízo enorme, pois quando contemplar, não obterá o resultado desejado. Só que cancelar implica em assumir ter errado. E isso é difícil para algumas pessoas. Foi o caso. Me mandou mensagem uns dias depois dizendo que iria continuar e entraria em contato quando contemplasse. Desejei boa sorte, mas avisei que não adiantaria entrar em contato quando contemplasse. Como já tinha explicado, não teria como ajudar com aquelas cartas, elas não possuem liquidez no mercado e não conseguiria vendê-las com lucro. É difícil aceitar a realidade.

Como começou

Primeiro logotipo da OpenSite

Os sonhos já vinham de longa data, mas o passo definitivo veio em 95 quando, junto com o Atsu, abrimos uma empresa cada um. Eu era sócio com 1% na empresa dele. Ele era sócio com 1% na minha. Esse era o esquema para abrir uma empresa LTDA em que o número mínimo de sócios tinha que ser dois, em uma época em que não existiam empresas EIRELI e acredito que nem mesmo ME. Pensando no assunto com a cabeça de hoje, imagina se um de nós tivesse construído um Google da vida e o outro navegasse tranquilamente com 1% dos resultados. Não teria do que reclamar, nem se fosse eu que tivesse construído isso, nem se fosse ele.

A questão é que não construímos um Google, mas muito antes deles começarem, fizemos algo ainda melhor para nós mesmos. Ainda era 1995 e acessar a internet era uma coisa complicada. Não existia Net, Virtua, redes WiFi em tudo que é lugar. Não existiam redes WiFi, para falar a verdade. Alguma das opções envolviam discar para um servidor da universidade, normalmente usando uma conta de algum amigo professor que emprestava a conta sem nem saber direito para quê. No servidor rodávamos um programa que “abria a rede” e, com outro programa rodando em nosso próprio equipamento, conseguíamos conectar.

Tudo isso já era melhor do que tinha sido uns anos antes, onde o acesso se dava somente por texto, com comandos crípticos que levavam a informações esparsas que podiam ser baixadas para o computador central, lidas exaustivamente e no meio disso, encontrávamos pepitas de informação interessante, como o texto completo do livro “O Guia do Mochileiro das Galáxias.”

Voltando ao começo, em 1996 já existiam maneiras um pouco mais simples de acessar a internet. O primeiro navegador, o Netscape, tinha sido lançado, e os programas de conexão haviam ficado um pouco mais simples de utilizar, com protocolos de comunicação que permitiam, no Windows 3, conectar e navegar em um ambiente integrado. Só havia um problema: não existiam provedores de acesso à internet aos quais poderíamos nos conectar.

O primeiro disponível aqui em Porto Alegre foi a Conex. Disponível é uma palavra forte. Existiam, mas eram um projeto de alunos da UFRGS. A conexão se dava com um computador da universidade inicialmente, e quando transformaram o projeto em empresa e abriram para o público as coisas não se tornaram melhores muito rápido.

Fomos lá nos informar. Havia uma lista de espera para podermos nos tornar clientes. Estávamos lá pelo número 3000. Estavam conseguindo atender por volta de 300 pessoas novas por mês. Nem pensar esperar mais 10 meses para podermos ter nossa conexão. A solução foi imediata, vamos montar nosso próprio provedor de acesso à internet!

Mais fácil falar do que fazer. Uma conexão dedicada de 64Kbps custava mais de R$ 2000 mensais (alguém aí calcula o quanto dá isso em valores de hoje). Para poder atender clientes precisávamos ainda de linhas telefônicas, impossíveis de adquirir na época. Teríamos que alugar, e custavam caro. Alugamos 30 linhas. Equipamentos, roteador, placa multi-serial para ligar os modems no computador central, o servidor principal, servidor secundário, computadores para podermos trabalhar, sistema de cobrança, integração com o banco para emissão dos boletos. Nada disso existia pronto como é hoje, tudo precisava ser feito do zero. Olhando para trás, é divertido ver o quanto evoluímos. Hoje me sinto como os exploradores do oeste, quando não existia nada além da costa.

Juntamos alguns amigos, e em seis, com um vendendo o carro, outro juntando as economias, outro trabalhando e trazendo dinheiro mensalmente para fechar sua cota, um configurando, outro desenhando, outro escrevendo e no final de poucas semanas tínhamos a empresa rodando, com propaganda no jornal e tudo mais. Quinhentos clientes logo de cara. Muito mais demanda do que oferta.

Bons tempos aqueles. Uma época bem diferente de hoje. Tente imaginar, por alguns minutos longos, como seriam seus dias sem telefone celular. Agora, imagine o seu dia sem a internet. Descrevi como fizemos para resolver nosso problema de conexão à internet, mas para falar a verdade, não havia muito o que fazer na internet naquela época. Era tudo mato! E a gente lá, com pás, picaretas, tentando desbravar esse novo mundo e explicar para as pessoas incrédulas, o quanto a internet iria mudar o mundo dentro de alguns anos. Parece que foi ontem, e foi, mas lá se vão quase 30 anos. Há uma geração inteira de jovens trabalhadores que nunca viram o mundo antes da internet. Fico imaginando como será a geração posterior à colonização da Lua, ou de Marte, gente que nunca imaginou que se vivia apenas na Terra, sem naves espaciais particulares, sem espaçoportos.

Escrevendo isso hoje, penso nas leituras que fiz do Hemingway. Não me comparando com ele, óbvio, mas lembro vividamente de ler sobre os dias dele em Paris, das rotinas, de buscar madeira para a lareira, de subir lances de escada até os apartamentos mais altos (e de aluguel mais barato), de uma vida sem ar condicionado, com piores condições sanitárias bem descritas em suas páginas. Nas doenças que já foram erradicadas com a descoberta de remédios e vacinas.

O começo da minha vida de empreendedor foi assim. As mudanças aconteceram com tal velocidade que é difícil de explicar para quem não viveu aquela época. E mesmo quem viveu de fora, apenas usufruindo de tudo que a internet nos trouxe, consegue lembrar de uma época em que nada disso existia. Mandar cartas, aguardar dias para chegar e não saber quando teríamos uma resposta. Telefonemas internacionais eram praticamente impossíveis e inviavelmente caros. Mandar um filho para intercâmbio e não saber se já tinham feito a primeira conexão no voo, a segunda conexão, se já tinham passado pela alfândega, imigração. Hoje não apenas temos tudo isso em tempo real, como ainda temos fotos de cada etapa da viagem. Isso quando não temos as mensagens chegando de dentro mesmo do avião.

Imagina bater uma foto e só ver o resultado alguns meses depois, quando finalmente acabasse o filme de 36 poses e mandássemos revelar. Muitas vezes nem lembrávamos onde tínhamos batido aquelas primeiras fotos, meses antes. Sim, porque a paixão pela fotografia também passou por uma revolução ao longo da minha geração. Os jovens adultos de hoje não sabem o que é viver em um mundo menos documentado, onde uma foto era um evento. Mas isso é papo para outra hora, vou ficando por aqui.

E você? Como tudo começou?

Algumas verdades inconvenientes

Você está morrendo. Desculpe dizer isso, mas todos estamos. A cada dia que passa, é um dia a menos que temos de nossas vidas. E aos 48 anos, se nenhuma grande revolução na medicina acontecer em seguida, posso já pensar que cheguei na metade do jogo. E você?

Não é de morte que quero falar, mas sim de vida. E daquelas verdades que custamos a acreditar, seja por comodismo, seja por idealismo, seja pelo motivo que for. Vou contar algumas histórias rápidas, e mostrar isso na prática.

O melhor momento dos meus dias se dá com meus filhos. Os piores, também. Nos melhores, posso destacar quando minha filha começa a explicar alguma coisa em que ela está envolvida. Neste momento o assunto é Minecraft, então isso é algo sobre contruir vilas, casas, e coisas assim. É fascinante ver o quanto eles aprendem e principalmente o quanto sabem mais que nós mesmos. Sim, a verdade é essa, mesmo nossos filhos pequenos sabem sobre algumas coisas, muito mais que nós.

Com meu filho, também é sensacional ver ele descobrindo coisas novas. Normalmente isso acontece nos nossos passeios diários, seja caminhando pelas ruas de Porto Alegre, seja com o carrinho vermelho que ele tanto gosta (e que a irmã dele também adorava), seja passeando de carro de verdade, que agora ele não apenas adora, mas pede seguido para passearmos juntos, só nós dois.

Os piores momentos são quando me irrito com alguma atitude deles. Piores porque leva menos de um segundo para me arrepender de algum grito. Piores porque em quase todas as vezes o errado sou eu. Sou adepto da teoria de que são apenas crianças fazendo coisas de criança. O problema dessa teoria é que ela não é fácil de se viver quando estamos cansados, com o sono em atraso, ou com o stress de outros assuntos pesando nas ideias. Porém é um dia após o outro, essa é a verdade, e assim, vamos tentando melhorar a cada dia. A verdade inconveniente é que o que me irrita não é tanto a atitude deles, mas o fato de que são coisas que tento, ainda hoje, corrigir em mim mesmo. É bem difícil se olhar de verdade em um espelho de carne e osso que tem teus traços e semelhanças.

Saindo da vida pessoal e partindo para a profissional, tem uma coisa que vem me incomodando há muito tempo e isso está acumulando a ponto de transbordar. Vou falar: é a estupidez das pessoas. Não estúpidas do tipo que faz coisas ruins para nós, mas estúpidas do tipo que faz coisas ruins para si mesmas.

Não sou o único produtor de conteúdo que existe por aqui. Muita gente boa está todos os dias publicando coisas que podem nos ajudar a crescer pessoal e profissionalmente. Há uma abundância de conteúdo espalhada por aí que nunca houve antes da internet, com acesso tão fácil. E nos dias de hoje, nem apenas em formato texto estão essas informações, mas em vídeos, em áudio, em infográficos. Tudo aí, disponível de graça. E as pessoas continuam não lendo, não vendo, não crescendo.

Há quase 20 anos produzo conteúdo de finanças pessoais. Tudo de graça. E não é que não tenha acesso, pelo contrário, estou há tanto tempo nisso, e com tal consistência, que mesmo não fazendo publicidade, mesmo não divulgando ativamente, as pessoas chegam. Mas o conteúdo é gratuito. E tudo que é de graça, é fácil de consumir, mas difícil de implementar. É essa a verdade contra a qual luto há anos. As pessoas não fazem o que aprendem!

Isso vale para mim. Eu já aprendi, há anos, que não adianta dar tudo de graça, as pessoas só vão realmente dar valor se lhes tiver custado algo que prezam, normalmente o dinheiro, porque ao tempo, a maioria ainda jovem não costuma dar valor. Já eu, tendo chegado próximo da metade da vida, penso mais no valor do tempo do que do dinheiro, visto que como disse acima, meus melhores momentos são de graça, com minha família.

O Ícaro de Carvalho, um cara novo, mas extremamente sábio em suas colocações sobre a vida, há algum tempo lançou um curso chamado Mente Blindada. Basicamente falava sobre o valor do trabalho e de não ficar pensando em formas de acelerar as coisas com hacks, com atalhos, por isso tudo ser perda de tempo. Dinheiro se ganha trabalhando. E para quem tem pouco para investir, o melhor investimento é em si mesmo, para ganhar mais. Muito melhor do que tentar achar a galinha dos ovos de ouro. Curso bom, curtinho e prático. Pago! Milhares de alunos satisfeitos. Sim, pagaram, aprenderam, implementaram em suas vidas, fez a diferença.

De forma resumida já tinha explicado isso em video há quatro anos. Muita gente assistiu, mas de graça. Legal, faz sentido, vamos pro próximo video de crescimento pessoal e podemos esquecer o anterior. Ou pior, vamos ver alguma bobagem qualquer para distrair e esquecer o que acabamos de aprender de graça.

Então dentro de algum tempo vou implementar algumas mudanças na minha rotina. Vou continuar produzindo conteúdo prático, de valor e gratuito, mas vou começar a empacotar alguns em formato de curso online em video. E ganhar dinheiro com isso. Quem quiser aprender de graça comigo ainda poderá fazer isso, está tudo publicado nos meus sites, mas quem precisa pagar para por as coisas em prática agora poderá também se beneficiar deste conhecimento.

Este texto é o primeiro de uma série de 30 textos para o #desafiodos30textos que a Gabi Pazos criou no Instagram. Ilustro ele com uma foto minha, de camisa rosa. Ela sabe o motivo. Me apresento em muitos círculos como escritor. Tendo livro publicado, por editora tradicional e tudo, posso dizer isso, mas a verdade é que nos últimos anos tenho escrito pouco. Isso muda a partir de hoje. Obrigado pelo desafio, Gabi.

Mais interação no Instagram

https://www.instagram.com/fperuzzo/

Esta semana comecei a participar mais ativamente do Instagram.

Se você se interessar em me acompanhar mais de perto, lá vou falar principalmente de consórcios, de finanças pessoais e de investimentos, mas de uma maneira mais próxima, com interação diária sempre que possível.

Já publiquei alguns videos por lá. Um dos maiores usos que pretendo dar para meu Instagram é em responder às dúvidas de todos, então acredito que seja legal acompanhar por lá, já que a dúvida de outra pessoa pode ser justamente aquela que você nem mesmo sabia que tinha.

Vai ser um prazer te ver por lá. Clique na imagem acima para ir para meu perfil e me seguir por lá.

Vejo no Instagram uma das melhores ferramentas para seu crescimento pessoal ou profissional, então se você ainda não conhece o App, acredito que valha a pena dar uma olhada.

https://www.instagram.com/fperuzzo/

Medo de sair

Em tempos de Coronavirus…

Todos devem conhecer o termo FOMO (Fear of missing out), o medo de perder algo legal por decidir ficar em casa. O medo de perder a melhor festa do ano, o melhor show, o video que todos estão comentando…

Acredito que nos próximos meses devemos começar a ver o oposto disso, o medo de sair de casa.

Será que para ver de perto aquele artista que gostamos vale mesmo a pena se expor a ficar próximo de milhares de pessoas que não conhecemos e que podem nos contaminar com um vírus altamente contagioso que mesmo que não nos faça mal podemos levar para casa e contaminar algum familiar mais vulnerável?

Será que eu gosto tanto assim daquela pessoa que faz aniversário hoje a ponto de correr o risco de adoecer para ir lá dar um abraço pessoalmente, ou é melhor telefonar ou fazer uma video-chamada?

Saio para almoçar fora, ou faço comida em casa? Ou chamo uma tele-entrega?

Se meu trabalho pode ser feito de casa, vale mesmo a pena me deslocar até um escritório compartilhado com outras pessoas? Participar de reuniões presenciais?

Quero mesmo passear no shopping para me distrair? Não seria melhor um livro, ou até mesmo um seriado qualquer no Netflix? Uma praça ampla? Uma caminhada no meio do mato ou na beira da praia (praia pequena, não grandes centros urbanos)?

Aquela viagem maravilhosa, aquele lugar que eu sempre quis conhecer… Será? Confesso que esta á uma das partes mais difíceis para mim, o desejo de viajar e conhecer outras culturas, outras arquiteturas, hábitos e pessoas, é uma das coisas que mais me move na busca de aprender sempre mais. Ficar sem viajar seria para mim uma das piores coisas que poderia acontecer em um mundo onde o medo de contaminação impedisse o livre fluxo das pessoas.

Nem falo aqui apenas das escolhas pessoais, neste último caso das viagens, mas também dos impedimentos de governos cada vez mais autoritários que vemos aparecendo, forçando as pessoas a ficar em casa, aplicando multas para quem ouse sair, fechando fronteiras. Será que no meio da minha viagem serei impedido de voltar ao meu país? Como vou sobreviver em um local onde deveria apenas passear por uns dias, como vou pagar as contas, como usar o sistema de saúde se for necessário?

O quanto o medo de sair de casa irá alterar seus hábitos? Quanto isso irá impactar nos hábitos de uma população? Quais serviços serão afetados por algo desse tipo? Quanta gente precisa sentir esse medo para que o que estamos acostumados como realidade mude definitivamente?

Posso estar errado, posso estar tomando uma realidade particular minha, de uma pessoa que mesmo antes disso tudo já gostava mais de ficar em casa do que de sair por aí. Posso estar pensando pelo ponto de vista da ansiedade que me acompanhou por toda a vida, e não pelo ponto de vista de uma pessoa mais relaxada em relação à isso, mas e se isso tudo se prolongar por mais tempo? Quanto tempo de restrição de mobilidade é necessário para lhe fazer rever seu ponto de vista? Quantas pessoas próximas precisam morrer para você começar a se preocupar com tudo que está acontecendo?

Ainda saio para fazer compras com certa frequência. Mesmo ansioso, estou menos trancado em casa do que muitos amigos mais tranquilos. Cuido, não toco em nada desnecessário, evito tocar no rosto assim que atravesso a porta de casa para rua, lavo as mãos e passo álcool gel com frequência, evito passar perto das pessoas, saio rápido e volto mais rápido ainda. Quando isso vai mudar? Quanto isso vai mudar?

Deixo as perguntas no ar. Como está sendo esta época para você?