No final do ao passado um amigo me convidou para me associar a ele em um novo negócio que estava montando. A idéia era excelente e os planos de crescimento e implementação muito bons. A idéia era excelente, mas era uma cópia do meu negócio atual, o investimento em consórcios, com uma série de expansões que não implementei por ve-las como distrações ao objetivo principal, por fugirem da minha missão pessoal, que é auxiliar as pessoas a construir patrimônio com objetivo de geração de renda para uma vida tranquila pelo resto da vida.
A idéia dele envolvia a criação de produtos e serviços que poderiam trazer um bom lucro para a empresa, mas atenderia um outro público, diferente do investidor que deseja construir patrimônio para garantir sua tranquilidade futura. Na prática, tais expansões poderiam ser implementadas até mesmo como um outro negócio, completamente distinto, apesar de intimamente relacionado.
O que foi legal desse convite é que me levou a uma profunda reflexão sobre os meus dois últimos anos profissionais, tudo o que alterei na minha vida e como as coisas começaram a dar muito certo de maneiras extraordinárias após eu ter implementado pequenas mudanças na minha forma de agir em relação aos negócios. Acredito que esta reflexão poderá lhe ajudar a cortar um longo caminho de frustração se você é um empreendedor iniciante, cheio de capacidades e possibilidades a sua frente. Se tivesse um texto desses para me orientar quando comecei, os resultados viriam bem mais rápidos.
Segue o meu email de resposta ao convite, junto com a reflexão levemente editada para não expor segredos de terceiros que comento na resposta original.
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Sobre nossa conversa, refleti e vou deixar passar a sociedade no momento. Mas vou aproveitar para trocar algumas observações contigo, porque acho que temos muita coisa em comum, trilhamos muitos caminhos parecidos e também temos muitos objetivos que convergem para várias parcerias.
Por favor não toma nada do que escrever como crítica, não é este o objetivo. Como já conversamos longamente, ambos acreditamos que pessoas diferentes fazem coisas diferentes e nada do que fazem é certo ou errado, mas sim, adequado aquela pessoa, naquele momento.
Uma caraterística que tu tens e que foi o principal motivador de eu preferir não entrar de sócio contigo agora, é a de querer abraçar o mundo em todas as frentes. Eu já fiz isso por muitos anos, em muitos setores. Uma característica de pessoas como nós, que somos altamente perceptivos em relação às oportunidades e absurdamente capazes de adaptação e de criação de negócios em torno de uma idéia, é justamente a capacidade de poder fazer qualquer coisa que queiramos fazer. E por anos, para mim, isso resultou em querer fazer TODAS as coisas que teria capacidade de fazer.
Então certo dia um amigo, padrinho de casamento, mentor, empresário de sucesso, me disse:
“Fabrício, empreender é aprender a gerenciar as distrações”.
E ele estava certo. Explico isso no meu caso logo mais.
Qual foi a percepção que tive quando tu me apresentaste o convite? Notaste um negócio bom, promissor, com boas possibilidades de lucro, com facilidade de entrada. Notaste ainda que dava para fazer crescer o negócio de diversas formas, que atendia clientes distintos e que podia ainda integrar com outros negócios, e então começaste a implementar. Ok, acho que vais ter sucesso. Mas junto com esse negócio, tens mais diversos outros andando em paralelo. E tens o emprego na ——–. Uma seguradora. A gestão de clubes de ações. E as franquias da financeira. E outros negócios que manténs para ajudar tua familia.
Tudo isso gera um bom lucro. O lucro combinado de cada um, dá um bom valor mensal (ou dará, no caso do que ainda está engatinhando). A questão é que não há foco e dedicação integral a um negócio. E isso, eu aprendi da maneira mais árdua, errando por mim mesmo, é o que traz o maior resultado. Mas como escrevi antes, isso não é uma crítica a tua forma de atuar, pode ser que para ti esta seja a melhor forma e não sou eu que vou dizer que está errado. O que vou dizer com todas as letras, isso sim, é que PARA MIM, isto é errado, isto não funciona. Porque durante anos eu fiz dessa maneira, em negócios excelentes onde eu via outros lucrarem muito e eu apenas ganhar um bom dinheiro. Ao longo do tempo pensei diversas vezes se seria eu o incapaz, limitado, que não sabia ganhar dinheiro de verdade, porque tudo em que eu entrava, crescia mais ou menos bem, mas não dava o salto gigantesco que via outros terem.
Só que tenho olhos abertos e percepção aguçada. E passei a olhar cada vez mais de perto os casos de sucesso enorme que me rodeavam. Estive por anos próximo a incubadoras e startups e já vi centenas de sucessos absolutos e fracassos retumbantes. TODOS os sucessos que vi tinham empreendedores focados em apenas um objetivo: fazer o negócio deles crescer. Fé cega, queimando todas as pontes alternativas. É aquilo ou aquilo e somente aquilo.
Então dei o salto. Vendi minha parte na empresa de internet para meu sócio e me dediquei a um único negócio, a Megacombo. Em um ano multipliquei meus ganhos por cinco. E sabe o que de mais engraçado aconteceu? A empresa de internet também multiplicou os ganhos por três neste mesmo período, porque agora, sem eu estar presente no negócio, meu sócio não poderia se distrair com os vários outros negócios que tinha enquanto éramos sócios juntos. Deixou de lado as distrações e junto com a namorada passou a dedicar 18 horas por dia a fazer sites e hospeda-los.
A Englishvox, minha empresa do curso de inglês online, passou pelo mesmo processo neste último ano. Passamos anos com ela no vai não vai. E não ia. Todos os sócios estavam envolvidos com outros negócios. Quando um sócio largou tudo (emprego excelente, diretor de uma boa empresa) e se dedicou apenas a fazer sua própria empresa crescer, em um ano atingimos o ponto de equilíbrio e seis meses depois o faturamento já mostra os primeiros lucros. Eu não me envolvo com a empresa, sou apenas acionista, como seria de uma Petrobras ou Vale, mas com potencial de crescimento bem maior por ser uma startup. Mas como disse, não me envolvo, tenho um e apenas um negócio que é o meu negócio. E só vou tocar outros negócios depois desse estar do tamanho que eu quero que esteja, com as estruturas todas estabilizadas, com funcionários tocando o dia a dia da empresa.
E falando em funcionários tocando o dia a dia da empresa, aí vem outra descoberta que fiz do que funciona para mim. Preciso estar em todos os pontos, preciso ser o boy, a faxineira, a telefonista e a secretária, além de ser o gerente de contas, de parcerias e operacional. Além de ser o diretor. Pois tendo passado por tudo desde o início, sei o que funciona e o que não funciona. Eu tenho que saber como funcionam todos os aspectos do meu negócio antes de colocar alguém para executar as diversas funções que posso delegar a um funcionário. Este é o segundo estágio, o estágio onde estou agora, automatizando as rotinas e sistemas da empresa e colocando funcionários treinados por mim em cada posição. Não posso fazer outra coisa, preciso estar presente para afinar os detalhes e depois disso sim, poder sair com tranquilidade.
Sei que é difícil dar um pulo no escuro e arriscar tudo o que já conquistamos. Foi mais fácil para mim largar um emprego quando montei minha primeira empresa porque na época ganhava pouco. Nunca acreditei naquele conselho que lemos nas revistas de empreendedorismo que dizem para montar um negócio em paralelo ao emprego e quando o negócio render o mesmo que o emprego rendia, aí sim largar o emprego. Para mim, o que funciona é pular no abismo e queimar as pontes atrás de mim, é ter certeza de que ao pular, conseguirei costurar um paraquedas antes de atingir o solo. E que este paraquedas na verdade não é um paraquedas, mas sim um paraglider, que não apenas evitará a queda, mas me levará para cima.
É isso. Agradeço a oportunidade de refletir um pouco sobre os últimos dois anos da minha vida, por conseguir colocar em texto um pouco do que aprendi funcionar para mim e por ajudar a manter meu foco no negócio que estou construindo, um degrau por vez, mas com uma solidez cada vez maior.
Abraço e sucesso a todos,
Fabricio Stefani Peruzzo