Projeto Milhão!

Hoje começou o Projeto Milhão.

A revista Você SA de dezembro de 2005, mês passado, tinha como reportagem de capa o objetivo de juntar 1 milhão de reais em apenas 10 anos. A revista indicava 3 possíveis caminhos, dois deles de 10 anos e um que levaria 35 anos para atingir o primeiro milhão.

A primeira estratégia consistia em aplicar R$ 1.000 por mês em uma carteira de ações formada por papéis da Petrobras, Companhia Vale do Rio Doce e bancos como Bradesco, Itaú e Unibanco. É uma estratégia para quem suporta o risco e previa uma rentabilidade média de 2,86% ao mês, já descontados impostos, taxas e inflação.

Para quem pode guardar uma quantia maior mas não gostaria de arriscar tanto, foi montada uma estratégia de investimento de R$ 2.500 mensais, sendo 80% em fundo de renda fixa e 20% em fundo de ações Ibovespa Ativo (aplicação que busca rentabilidade acima da variação dos papéias mais negociados na Bolsa de Valores de São Paulo). Ou ainda o investimento de 100% do valor em um fundo balanceado arrojado, composto por até 25% de ações e e o restante em renda fixa. A rentabilidade prevista para este investimento era de 1,75% ao mês, líquidos.

A última estratégia apresentada era voltada para quem tem pouca sobra mensal. Consistia em um investimento de R$ 150 aplicados em fundo de renda fixa (60%) e fundo de ações (40%). Ou de 100% aplicados em um fundo balanceado arrojado. Previa uma rentabilidade de 1% ao mês, também já descontados impostos, taxas e inflação.

Para aumentar os ganhos, o consultor Gustavo Cerbasi, autor dos livros Dinheiro: Os Segredos de Quem Tem e Casais Inteligentes Enriquecem Juntos, dava as seguintes dicas:

– Fazer investimentos extras na carteira de ações após crises e fortes quedas no Índice Bovespa.

– Cultuar a frieza em relação ao desempenho das ações, não pensando em vendê-las durante crises políticas e econômicas.

– A cada três ou quatro meses, substituir uma das ações da carteira por outra de recomendação mais forte, ou seja, que tenha tendência de alta.

– Nas compras de ações, seguir sempre as recomendações das grandes corretoras.

– Estudar muito sobre investimentos e acompanhar o noticiário sobre as empresas cujas ações fazem parte do seu investimento.

Em uma das listas de discussão de que participo, uma participante, a Renata, fez um relato que para mim fez todo o sentido. Seguem as palavras dela:

E quanto aos livros que na minha opinião se tornam repetitivos, quis mais uma vez dizer que vários autores nos ensinam técnicas matemáticas de como acumular dinheiro e dicas teóricas.

Nunca vi um livro sequer onde a pessoa contava quanto tinha investido (não é apenas dizer: investi 70% da minha renda). É dizer o QUANTO! Dar dicas desse tipo é válido mas em que contexto se encaixam???

Nunca vi sequer um relato de pessoas dizendo o quanto SOFRERAM, deixando de gastar dinheiro com coisas que nos fazem bem, nunca vi um livro sequer contanto o lado psicológico da coisa.

Será normal passar 10 anos de sua vida vivendo com 30% de sua renda? O que acontece? Como se come? Como se veste? E se diverte?

Como você passa a sua vida nesse periodo? Feliz e satisfeito vendo sua grana crescer lentamente na conta bancária ou vive amargos dias de tédio sem poder se dar o luxo de ter momentos de prazer?

Ninguém nos diz o quanto foi difícil. E é isso que eu espero ler. Um relato de tudo que se abdicou para poder viver com 30% da renda. Como superar tudo isso, que alegrias voce vai ter de retorno depois. Essas coisas…

Todos podem chegar ao 1 milhão. Mas qual o preço pago? Contem-me histórias merecedoras de crédito e não como ser filhinho de papai e juntar seu primeiro milhão, porque isso sim, é mais que possível, é o previsível.

Então como tudo me pareceu lógico, coerente e de grande interesse, o Projeto Milhão simplesmente é o acompanhamento de uma parte dos meus investimentos com o objetivo de atingir um milhão de reais no menor prazo possível.

Durante esta viagem do milhão irei relatar cada investimento que fizer com esse objetivo, dizendo de onde veio o dinheiro sendo aplicado. Cada troca de aplicação vai estar documentada aqui. Podem esperar para ver o Índice Bovespa despencando em algum momento e o dinheiro migrando de um fundo de renda fixa para o investimento na Bolsa. Verão os investimentos criativos que existem e como eles farão crescer o dinheiro aplicado. Conhecerão algumas novas empresas e descobrirão o quanto de retorno elas darão sobre esse investimento. Talvez daqui a algum tempo vejam até mesmo a foto de algum prédio ou casa no caso de algum investimento imobiliário.

A viagem começa hoje. Mas como já passou das 21 horas e não posso mais fazer a aplicação inicial, o dinheiro só começa a girar amanhã.

PS: Este projeto visa o benefício de todos. Está aberto para quem quiser participar. Caso gente suficiente demonstre interesse, posso criar um sistema simples de acompanhamento dos investimentos de cada um dos participantes. Para indicar seu interesse, basta entrar em contato.

Como investir e ganhar dinheiro na construção de imóveis – parte 2

ATUALIZAÇÃO em 2011: Muita coisa boa aconteceu desde dezembro de 2005, quando escrevi originalmente este artigo. Para conhecer a maneira mais lucrativa, mais segura, mais fácil e mais automática de investir e lucrar com a construção de imóveis, leia as informações no site: http://www.investimentoemimovel.com.br.

Abaixo, segue o artigo original, mas como disse acima, leia diretamente as informações mais atualizadas sobre como investir na construção de imóveis.

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Há exatamente um mês escrevi um artigo explicando como investir e ganhar dinheiro na construção de imóveis. Este artigo deixava uma questão no final que gerou muitas expectativas. Hoje pretendo acabar com a aflição do pessoal que passou o mês me perguntando: “como pode ser ainda melhor?”.

Para entender como isso tudo funciona, um conhecimento anterior é necessário. Recomendo a leitura atenta dos seguintes artigos anteriores:

Como investir e ganhar dinheiro na construção de imóveis.

Alavancando o capital com consórcios.

Como começar a investir em imóveis sem capital inicial.

Depois de ter lido os artigos acima, provavelmente as sinapses já estejam fazendo as relações necessárias e o resto do meu artigo deixa de ser necessário 🙂

Mas vamos às explicações…

Resumidamente o que fazemos depois de ter estruturado uma Incorporação Imobiliária (mesmo que pequena e informal entre poucos amigos) é usar o dinheiro arrecadado não para pagar a construção, mas sim, para comprar cartas de crédito já contempladas que serão usadas para alavancar mais ainda nosso capital. Dessa forma, precisamos juntar bem menos dinheiro de cada um dos participantes da nossa Incorporação.

Não necessariamente precisamos comprar consórcios já contemplados. Existem três alternativas que se enquadram bem nesta oportunidade:

  1. Podemos comprar cartas contempladas com muitas prestações pagas. Essas cartas possuem um valor de entrada maior, alavancando um pouco menos o nosso capital. Por outro lado, possuem uma característica bastante agradável… Elas praticamente não tem ágio. Como já tiveram muitas prestações pagas, elas não são tão fáceis de serem vendidas rapidamente a não ser que o ágio seja bastante baixo ou até mesmo inexistente. Com essas cartas conseguimos alavancar uns 60% a 65% a mais do que nosso capital inicial.
  2. Podemos comprar cartas já contempladas com ágio. Semelhante aos consórcios da opção anterior, mas com a diferença de serem cartas contempladas logo no início do grupo. Com essas cartas conseguimos uma grande alavancagem do nosso capital, praticamente 100%. Isso mesmo, dobramos o valor que temos disponível. Mas isso tem um custo, o ágio embutido nas cartas. Temos que estar cientes disso e lembrar de colocar esse valor no cálculo final dos nossos custos. De toda forma, essa é uma alternativa para construirmos mesmo tendo apenas metade do valor necessário.
  3. A última forma para alavancar nosso capital para a construção de imóvel é através de cartas novas, mas em grupos antigos. Nesses grupos já aconteceram muitas contemplações, efetivamente fazendo com que a quantidade e tamanho dos lances necessários para a contemplação sejam bem menores. Assim, com um lance de aproximadamente 50% do valor do crédito, conseguimos contemplar esses consórcios. Essa é para mim a melhor forma de alavancar o investimento na construção de imóveis.

Tudo isso é muito bom, mas depois de construído ainda temos o prédio / casa / condomínio, alienados em nome da administradora do consórcio.

No caso exposto no artigo anterior, a construção de um prédio de apartamentos, já na fase do projeto resolvemos isso. As unidades individuais (cada apartamento) são descritas separadamente. Então usamos os consórcios para financiar a construção de cada unidade. Isso nos dá uma vantagem extra na hora da venda…

Quando formos vender cada apartamento, como temos as cartas de consórcio garantidas por cada um deles, vendemos o apartamento já “pré-financiado” para o comprador. Ele dará um valor de entrada correspondente ao valor que já investimos e nosso lucro no empreendimento e ficará com o restante das prestações de uma ou mais cartas que estão atreladas àquele apartamento que ele está adquirindo.

Mais uma possibilidade que temos: como investimos apenas pouco mais da metade do dinheiro da construção, o resto tendo sido financiado pelos consórcios, podemos dar ainda mais facilidades ao comprador e ainda ganhar um pouco mais de lucro no final. Podemos financiar a parte do valor que representa nosso lucro (afinal, esse dinheiro não saiu do nosso bolso) e ainda ganhar juros em cima disso.

Finalizando…

As possibilidades são várias. Basta pensarmos um pouco para surgirem diversas alternativas viáveis.

Para saber mais sobre o investimento em consórcios visite a página da Megacombo. Lá você poderá ler um pouco mais sobre a minha trajetória e como o investimento descrito neste artigo permitiu meu sucesso pessoal e profissional.

Sucesso e bons negócios.

Fabrício Stefani Peruzzo.

Empreendedores e rentistas

Temos insistido que o desenvolvimento é um “estado de espírito”. Ele depende fortemente de uma liderança política capaz de acender o “espírito animal” dos empresários. É isso que os leva a assumir os riscos de novos investimentos físicos que maturam em cinco ou seis anos sem nenhuma garantia de retorno a não ser a sua própria crença no comportamento futuro da economia. No caso brasileiro, é fácil entender a diferença entre esse “empreendedor” e o “investidor financeiro”, o “rentista”, que tem aversão ao risco e não produz crescimento diretamente.

O “empreendedor” move-se, basicamente, pela necessidade interna de “construir alguma coisa” e, certamente, espera também um resultado econômico positivo da sua atividade. Seus projetos dependem menos de um cuidadoso cálculo econômico do que de sua “intuição”. Boa parte da remuneração que recebe é a satisfação da obra concluída. Este é o espelho mágico que transforma “sonhos” em realidade. Ele aparentemente viola as “leis da economia”, como prova o seguinte: a taxa de retorno do capital financeiro no Brasil é hoje da ordem de 13% de juros anuais para aplicações de 30 dias, sem qualquer risco. Pois bem: não existe projeto industrial ou agrícola que sustente tal taxa de retorno no longo prazo. Por outro lado, no Brasil, a taxa de juro real de curto prazo é maior do que a de longo prazo, o que deveria levar o agente “racional” a retardar o seu investimento, assumindo provisoriamente o papel do “rentista”.

O “rentista” tem ainda outras vantagens, porque vive da necessidade do governo de sustentar uma dívida pública que representa 52% do PIB. A administração tem que tratar essa dívida com o maior carinho, pois o seu financiamento é feito pela intermediação bancária das poupanças de milhões de indivíduos. Qualquer extravagância regulamentar do governo é paga com a resistência ao financiamento que tem de ser contornada pelo aumento da taxa de juros. O mesmo acontece se houver um desequilíbrio fiscal permanente. Os interesses dos verdadeiros “rentistas” (que somos todos nós, os depositantes nos bancos) são defendidos por imensas entidades financeiras, que, obviamente, cobram, e bem, por seus serviços, apropriando-se de parte da diferença entre juro ativo e juro passivo.

Paradoxalmente, o verdadeiro criador de riqueza, o “empreendedor”, aquele para quem parte da remuneração é psicológica (satisfação decorrente do seu poder criador), é muito mal tratado pelo governo. Enquanto o “rentista” nada pede, a não ser uma taxa de juro compatível com a relação dívida/PIB, o “empreendedor” quer maior mobilidade para o mercado de trabalho, maior disciplina fiscal, moderação nos impostos, salário real, taxa de juro real e taxa de câmbio real que lhe dará a isonomia competitiva. Enfim, ele é um “perturbador da ordem”!

Não é por outro motivo que o sonho de longo prazo de todos os governos parece ser o de eliminar os “empreendedores” e convencê-los a serem “rentistas”…

Pena para o desenvolvimento!

Escrito por Antonio Delfim Netto.

O que diz o grande mestre

No último dia 11 de novembro, o management perdeu um dos pensadores mais brilhantes: Peter Drucker. Como homenagem, Intermanagers brinda seus leitores com esta entrevista, na íntegra, concedida a HSM Management.

Aos 94 anos de idade, e com a lucidez de sempre, a maior autoridade mundial em management fala dos princípios imutáveis de sua área e também do mundo que se desenha.

Os eventos mundiais recentes –desde os atentados terroristas até a guerra do Iraque, passando pelo desgaste dos organismos internacionais e pelos escândalos corporativos– têm aparentemente os Estados Unidos como protagonista. Com tudo isso, os Estados Unidos seguirão dando o tom da economia do mundo, em sua opinião?

O domínio dos Estados Unidos terminou. A economia mundial se reorganiza –lentamente, mas com firmeza– em torno de uma série de uniões econômicas regionais. A existência desses blocos modifica as relações de poder entre regiões e países, entre membros e não-membros. Para entender isso, vale a pena fazer um paralelo com os Estados-Nações mercantilistas que surgiram no século 18: dentro o livre comércio impera, mas fora a atitude é altamente protecionista. Esta é uma economia mundial muito diferente da economia internacional que se estuda em teoria econômica.

E como o sr. analisa cada bloco, em particular o Nafta e o Mercosul, que um dia poderão formar a Alca?

Sobre o Mercosul, acredito que, em autodefesa contra a predatória tríade norte-americana de EUA, Canadá e México, haverá provavelmente uma integração cada vez maior dos outros países latino-americanos em torno do Brasil. Já sobre o Nafta, gostaria de dizer que os Estados Unidos não comandam o bloco como se pensou que aconteceria. Ao contrário: México e Canadá estão muito fortalecidos. A integração do México, por exemplo, ocorre em ritmo acelerado. O fenômeno principal não são as empresas dos EUA que estão se mudando para o México –a cidade mexicana de Monterey já é um importante centro de ma trizes de empresas norte-americanas; o interessante são as empresas mexicanas que estão se mudando para o sul dos Estados Unidos.

No sul do Texas e, em certa medida, na Califórnia e em outros lugares, as transportadoras rodoviárias foram em grande parte tomadas por americanos-mexicanos, pois os caminhões que trazem as mercadorias produzidas no México ficam, depois de descarregados, disponíveis para outros fretes. Ou tomemos o caso da indústria do cimento no sul dos Estados Unidos, que agora é dominada por uma empresa mexicana, a Cemex. E o Canadá, por sua vez, talvez até esteja à frente dos Estados Unidos no Nafta, pois, proporcionalmente, uma parcela maior de companhias norte-americanas pertence a empresas canadenses e é operada por elas do que o contrário. O Bank of Montreal, por exemplo, é, provavelmente, a principal potência bancária de Chicago.

Diante de tudo que vem acontecendo com os Estados Unidos, a economia mundial corre perigo?

Vejo principalmente dois sinais de perigo de instabilidade para a economia mundial: o fato de o déficit do governo norte-americano, que é grande e não pára de crescer, não ser coberto pela poupança do país; e a expansão exagerada de empresas com dinheiro de curto prazo, não só nos EUA, mas em várias partes do mundo.

O maior problema do déficit de nosso governo é ele estar sendo coberto por estrangeiros –em especial, japoneses, que são agora os maiores portadores de títulos públicos dos EUA. Essa é uma situação instável, até precária do ponto de vista de balanço de pagamentos. Um susto qualquer pode levar os japoneses a tentar se desfazer de seus títulos e isso provavelmente provocará um pânico mundial. É um perigo muito real, ainda mais grave na medida em que a doutrina Bush –que reafirma o papel dos EUA como polícia do mundo– permite que o resto do mundo livre refreie seus gastos com defesa e que também possa utilizar o dinheiro economizado para comprar títulos dos EUA.

O outro risco, como eu disse, é que as empresas estão se expandindo exageradamente e, em grande medida, recorrem a empréstimos de curto prazo para financiar esses investimentos de longo prazo. Com isso, se houver uma recessão, mesmo que branda, existe o perigo de uma crise de liquidez nos países desenvolvidos –maior, talvez, no Japão, embora lá haja uma enorme taxa de poupança para contrabalançar. É um perigo bem menos dramático para a economia mundial, mas ele é real.

Como o sr. vê a questão do emprego nos Estados Unidos, quando o desemprego anda quase crônico na maior parte dos países?

Confesso que não compreendo bem essa questão do emprego nos Estados Unidos. E os políticos, o público e a mídia também não a entendem. O índice oficial de desemprego norte-americano é 5%; mas o desemprego prolongado, de mais de três meses, está bem abaixo de 2% –índice inferior ao de qualquer país desenvolvido. Estamos terceirizando empregos de baixa especialização, mas para cada um deles importamos três empregos de alta habilidade e elevada remuneração.

Todos falam da indústria têxtil, que transferiu 40 mil empregos não-especializados para a Índia ou para a Malásia. Você sabe quantas pessoas a Toyota emprega nos EUA? Sessenta mil. O índice nacional de desemprego é o necessário para haver uma mobilidade mínima da mão-de-obra, ou seja, abaixo dessa taxa surgem pressões inflacionárias. Nos Estados Unidos, o índice está em torno de 5%. Se nosso índice de desemprego cair abaixo de 5%, dizem os economistas, surgirão pressões inflacionárias. E é verdade.

Agora, o que explica isso? Talvez a mudança na força de trabalho, que foi muito profunda aqui. Veja o exemplo de uma fornecedora de peças para a indústria aeroespacial. Quando ingressou no programa, a empresa tinha cerca de 6 mil funcionários, 5,5 mil dos quais trabalhavam na fábrica e 500 no escritório. Seu faturamento triplicou desde então, mas eles têm o mesmo número de funcionários –menos, na realidade. Só que agora, na fábrica, há somente 485. Antes, era preciso manter grande quantidade de pessoas na fábrica para modificar a programação das máquinas; hoje isso é feito por computadores. Antes, cada plataforma só podia fabricar uma linha de produtos; hoje a mesma plataforma pode fabricar de seis a oito linhas de produtos, mediante alterações no programa do computador. Não há mais quase ninguém no chão de fábrica; existe um número muito maior de pessoas nos escritórios projetando esses softwares.

O motivo por trás disso não é tecnológico: são os fatores populacionais da força de trabalho. As pessoas de chão de fábrica simplesmente não estão mais disponíveis nos Estados Unidos. Hoje as pessoas que poderiam ocupar essas funções tempos atrás assistem a aulas numa faculdade comunitária de dois anos e se diplomam como especialistas em informática. Não é mais possível manter grande número de pessoas no chão de fábrica –todas elas sindicalizadas e com alta remuneração, de US$ 15 por hora. Como a empresa conseguirá pagá-las? São funcionários com muito mais habilidades e nível mais elevado de instrução –mulheres, principalmente.

Um dos grandes feitos da economia norte-americana, por exemplo, é a absorção das mulheres na força de trabalho sem qualquer conturbação. E também a adaptação da força de trabalho ao modo como as mulheres têm de trabalhar por causa dos filhos. Isso é algo que os europeus não foram capazes de fazer –lá eles acham esse tipo de coisa muito difícil. Na Europa, existe enorme rigidez na força de trabalho.

Nesse aspecto, o fato de os Estados Unidos serem um país caótico e desorganizado é uma tremenda vantagem, pois conseguimos desenvolver sistemas de aprendizado distintos e altamente flexíveis. Isso será cada vez mais crucial, pois o centro de gravidade da força de trabalho está mudando do trabalho especializado para o trabalho do conhecimento. E o trabalho do conhecimento exige flexibilidade e a capacidade de continuar aprendendo.

O sr. poderia falar um pouco sobre o futuro de países como China e Índia, grandes concorrentes do Brasil? Quais são os principais pontos fortes e fracos de cada um deles?

Fico muito feliz que você tenha incluído a Índia em sua pergunta. Nos Estados Unidos e na Europa, estamos apenas começando a descobrir a Índia, que manteve distância do capital estrangeiro. Já a China continua em grande evidência, graças aos enormes investimentos que recebe de chineses que vivem no exterior e de grandes e pequenas empresas da União Européia, do Japão e dos Estados Unidos.

Os feitos da Índia são extraordinários. Se, na China, há de 150 milhões a 200 milhões de camponeses desempregados, para os quais não há lugar nas cidades, na Índia, um número no mínimo equivalente foi assimilado nas cidades sem nenhum grande problema aparente. E, se a China oferece uma força de trabalho muito bem treinada e disciplinada, com muitos gerentes médios e supervisores, a Índia possui uma vastíssima força de trabalhadores do conhecimento.

Como se sabe, os britânicos construíram na Índia, na época em que ela era sua colônia, universidades, faculdades de medicina e escolas técnicas de primeira linha. A Índia talvez possua um dos melhores sistemas de educação superior da atualidade; a melhor faculdade de informática do mundo provavelmente é a de Bangalore.

Em resumo, se a China está se tornando um dos centros de produção do mundo, com uma força de trabalho altamente produtiva e com suprimento abundante de gerentes médios, a Índia vem se transformando num centro de conhecimento.

Isso significa que a Índia vai vender conhecimento para empresas de outros países?

Sim, basta ver o caso de um cliente e amigo meu, responsável por uma das maiores instituições financeiras de poupança dos Estados Unidos. Ele está transferindo sua central de atendimento ao cliente de Denver, Colorado, para a Índia, e não porque os salários indianos sejam menores, mas porque o tipo de mão-de-obra necessário para um call center de qualidade não é fácil de encontrar nos EUA e existe na Índia.

São pessoas com alto grau de instrução, capacitadas a atender clientes com investimentos de US$ 25 mil cada um, que telefonam para saber como andam seus dividendos, e elas têm de ser polidas, corteses e bem informadas. Ao mesmo tempo, precisam estar dispostas a trabalhar em empregos que oferecem poucas oportunidades de promoção.

Nos Estados Unidos, pessoas nessas condições anseiam por se tornar contadores ou advogados, não atendentes de telemarketing. Na Índia, por outro lado, esse é um emprego altamente cobiçado, que paga o dobro do salário indiano médio e oferece prestígio.

Além de tudo isso, cerca de 200 milhões de indianos têm o inglês como primeiro idioma.

Então, o sr. aposta mais na Índia do que na China?

Em minha opinião, a Índia poderá, sim, ser a estrela dos próximos anos, à medida que a economia da informação se tornar o setor de maior crescimento do mundo. A Índia também possui outra coisa que a China não tem: empresários locais. Na China, os empreendedores vêm de fora –chineses radicados no exterior, japoneses, europeus, norte-americanos. Na Índia, há grandes empresas indianas e elas contam com um sistema de distribuição varejista que possivelmente é o mais avançado e eficiente do mundo. Lá os caminhões são praticamente lojas de departamentos sobre rodas.

A organização em torno desses caminhões é tanta que permite anunciar que, nas segundas e sextas-feiras, determinado caminhão estará em tal vilarejo durante três horas. Antes dessas datas, um representante comercial da empresa passa naquele vilarejo, recebe os pedidos e os envia à matriz por satélite. Quando o caminhão chega para fazer a entrega às 9h30 de segunda-feira, traz esses pedidos, os entrega e recebe outros.

É claro que a China é um caso empolgante, porque tem duas economias –os 400 milhões de habitantes no litoral, que constituem um país desenvolvido, e o restante–, mas possui também dois problemas enormes. O primeiro é como liquidar ou recuperar o grande número de empresas estatais ineficientes, que em muitos casos são os principais empregadores de suas regiões. O segundo são os enormes desafios sociais. Também há forte possibilidade de que a China, daqui a cinco ou seis anos, acabe tornando-se muito parecida com a China da década de 1920, quando havia os chamados distritos regionais semi-autônomos, hoje conhecidos como autarquias regionais, que se dizem leais a Pequim, mas não pagam impostos. O que mantém a China unida é, portanto, o exército –a grande instituição nacional.

As prováveis grandes potências econômicas do mundo daqui a 50 anos, segundo vários analistas, são Índia, China, Brasil e Rússia –os quatro até já ganharam uma sigla, BRIC. O que o sr. pensa da Rússia?

A Rússia é um enigma, imprevisível; hoje trata-se de um país subdesenvolvido. Isso aconteceu em parte porque o planejamento stalinista a tornou extraordinariamente ineficiente em termos econômicos –a Rússia stalinista construía grandes fábricas por questões políticas, de modo que não houve muita integração econômica– e em parte porque a Ásia Central, que está sob o império político russo desde os séculos 17 e 18, nunca se tornou realmente integrada economicamente.

Na verdade, a Rússia pode tanto tornar-se um dínamo econômico como vir a ser os novos Bálcãs, uma região assolada por rivalidades e políticas tribais, nacionais e, em muitos casos, individuais.

E o Brasil espremido entre esses países…

Acho que há dois grandes fenômenos ocorrendo no Brasil: o desenvolvimento –que ainda está em processo– de um mercado nacional unificado e o surgimento de uma administração de qualidade internacional nas empresas brasileiras.

Venho tendo muitos alunos brasileiros excepcionalmente capazes desde a década de 1950, primeiro em Nova York e agora aqui, na Califórnia. Há 30 anos, quando voltavam para o Brasil, esses alunos iam trabalhar ou tentavam arranjar emprego nas filiais brasileiras das multinacionais, porque as organizações familiares brasileiras não lhes davam perspectiva de carreira. De dez anos para cá, no entanto, eles voltam para trabalhar em companhias brasileiras, que ainda são familiares, porém cada vez mais administradas profissionalmente.

Além disso, as empresas brasileiras estão começando a voltar-se para fora. Uns 40 anos atrás, eram as trading companies japonesas que se destacavam no exterior como representantes e vendedoras dos produtos de indústrias brasileiras. Hoje um empresário como Ricardo Semler vende diretamente ao mundo inteiro. O Brasil conseguiu desenvolver –e de maneira extraordinária– os grupos de liderança executiva que permitiram ao país criar empresas nacionais.

Falando em liderança executiva, gostaria de fazer uma pergunta que está na mente de acionistas do mundo inteiro: qual é a melhor maneira de remunerar os altos executivos?

A “melhor maneira de remunerar” não existe, não há uma fórmula. Isso depende de muitas coisas, como participação acionária na empresa, leis tributárias, a idade do executivo, se a empresa é negociada em bolsa de valores etc. Com esses e outros dados em mente, devem-se examinar a estrutura da remuneração e seu propósito –encorajando e recompensando o executivo por um desempenho específico.

Por exemplo, o alto executivo tem participação acionária na empresa? Veja o que aconteceu com um ocupante da presidência de uma empresa com matriz no Canadá com faturamento de US$ 15 bilhões por ano e com seu sucessor. O falecido fundador, que possuía 80% da companhia e era seu diretor-presidente, não queria um grande salário, pois o grosso de sua remuneração vinha das ações da empresa. Ele faleceu cerca de dez anos atrás e seu sucessor, um administrador profissional canadense de origem alemã, procurou-me para discutir seu salário. Ele também tinha ações –cerca de 10% do capital–, mas mesmo assim aumentou o próprio salário, baseado no fato de que este era incompatível com um faturamento anual de US$ 12 bilhões. A maior acionista da empresa, uma organização filantrópica dona de 70% do capital, reclamou desse aumento. Quem tinha razão? Ninguém. Era preciso modificar totalmente a estrutura de remuneração do diretor-presidente, e não apenas a quantia, porque houve uma mudança de gestão familiar para gestão profissional.

Passamos três dias discutindo a estrutura e o propósito de sua remuneração. Em vista das leis tributárias canadenses, de sua idade –50 e poucos anos– e de outras considerações, a parte mais valiosa do novo pacote de remuneração eram as contribuições a seu plano de pensão –pelo qual seu predecessor não tinha interesse. Seu novo pacote de remuneração foi montado, portanto, para fazê-lo permanecer na empresa.

Se essa empresa abrisse seu capital e pudesse remunerar o CEO com opções de ações, ou seja, com ações que tivessem um valor de mercado e pudessem ser vendidas, o pacote de remuneração seria bem diferente.

Mas, nesse caso, há um risco para a governança corporativa…

Sim, sempre há esse risco se o desempenho específico desejado é o aumento do preço das ações, algo que pode ser traduzido de várias maneiras num pacote de remuneração. O argumento em favor de tal associação sugere que é bom alinhar o interesse do CEO ao dos maiores acionistas. O principal argumento contrário a isso diz que tal política não apenas incentiva, como também subsidia uma gestão imediatista, de curto prazo, que quase inevitavelmente gera problemas. O fato é que, do ponto de vista dos acionistas, a gestão imediatista não é um mal em si. Por outro lado, isso é bom para a empresa? Não muito. Ou seja, a remuneração dos executivos é mesmo algo bastante complexo.

Para finalizar: depois das mudanças que o sr. acompanhou nos últimos 50 anos, e das práticas gerenciais que surgiram e sumiram, o que é imutável?

É imutável que uma empresa tem de ser gerenciada para atender três mercados: o mercado de seus bens e serviços, o mercado de seus postos de trabalho e o mercado de seu dinheiro, de capitais. Ou seja, para obter sucesso, é preciso ter desempenho excelente em todas essas dimensões.

É imutável a extrema relevância de passar o bastão: uma administração terá fracassado se sua sucessora fracassar.

Também é imutável que as decisões administrativas importantes levam certo tempo até dar fruto –e, até isso acontecer, não se sabe se estão certas ou erradas.

É igualmente imutável que a administração tem de começar não pela pergunta “O que queremos fazer?”, e sim por “O que precisa ser feito?”. Aliás, formular essa pergunta é o que realmente faz a grande diferença entre uma administração eficaz e uma ineficaz.

É uma lei imutável, por exemplo, a necessidade de perguntar “Quais dessas tarefas prioritárias combinam com o que tenho de melhor, e quais eu devo delegar por não terem a ver comigo?”. O que tornou Jack Welch um CEO eficaz na GE por quase 20 anos foi que cada cinco anos ele se fazia essa pergunta.

É também imutável que uma administração eficaz e competente analisa a fundo o que espera de uma decisão, registra suas expectativas cuidadosamente e guarda essas informações por nove ou 12 meses. Então compara os resultados com as expectativas. Em 90% das vezes, ela vai constatar que os resultados não foram os pretendidos e reverá a decisão. A maioria das administrações gasta uma quantidade enorme de tempo e trabalho realizando estudos antes de tomar uma decisão e, depois, esquece tudo.

É imutável que uma administração competente só tomará uma decisão quando entre os executivos houver acordo sobre duas coisas: sobre quem será responsável por levar a decisão a cabo e sobre quais serão os prazos para isso. A administração eficaz garante ainda que seu pessoal mais capaz possa ser alocado para atender às oportunidades, a fim de que eles não fiquem sobrecarregados.

Por fim, é imutável a importância de fazer alguns questionamentos: “Qual é nosso negócio? Pelo que somos pagos? O que é valor para o cliente? Qual deveria ser nosso negócio? O que devemos abandonar (já que para abraçar o novo é necessário deixar o velho)? Como chegar a um equilíbrio entre fazer as pessoas progredir internamente e atrair pessoas diferentes de fora?”.

A pergunta sobre qual deveria ser o negócio é especialmente difícil. Uma empresa dos Estados Unidos especializada na manutenção de instituições não-lucrativas –hospitais, escolas, órgãos governamentais etc.– teve um acalorado debate interno por três anos até chegar à resposta: “Nosso negócio principal deveria ser o desenvolvimento e treinamento de pessoas”.

Ou seja, eles já ofereciam pessoas competentes para dirigir os hospitais e as escolas de seus clientes; só precisavam enxergar essa capacidade e, a partir daí, expandir-se em outros mercados.

José Salibi Neto
(c) HSM Management, 2004

Saúde e beleza, o novo foco da Amway

Multinacional muda estratégia e concentra esforços na venda de vitaminas e cosméticos.

Por Daniela D’Ambrosio e Cynthia Malta De São Paulo – Jornal Valor Econômico.

Há 10 anos a americana Amway, que disputa a liderança mundial de vendas porta a porta com a Avon, tinha conseguido conquistar no Brasil a fama de vender produtos de limpeza de qualidade e arrebanhar 200 mil vendedores. Tinha tudo preparado para crescer, mas, em vez disso, encolheu. Hoje, com um exército bem menor, de 50 mil, e ancorada em vitaminas orgânicas e cosméticos de combate ao envelhecimento, a empresa promove uma reviravolta no negócio.

Em reuniões que mais pareciam uma mistura de culto religioso e palestras de auto-ajuda, a Amway brasileira cresceu nos anos 90 amparada na promessa de enriquecimento fácil de seus revendedores. Dos produtos, pouco se falava. E, para piorar, cerca de 20 revendedores decidiram montar um negócio paralelo: ministravam palestras, a milhares de pessoas, sobre como ganhar R$ 1 milhão vendendo os produtos Amway. Os falsos cursos, que não eram autorizados pela companhia, acabaram arranhando sua imagem.

“A saída foi tornar a empresa 100% transparente. Hoje todos os nossos preços e produtos estão na internet”, diz o principal executivo da Amway no Brasil, André Raduan, que assumiu a direção geral do negócio há um ano e dois meses. A internet já responde por 40% das vendas da Amway no Brasil. A web não concorre com o sistema porta a porta, pois a comissão da venda é creditada ao revendedor que mora na região do CEP do comprador. O esquema de remuneração “multinível”, mais conhecido por pirâmide, onde o revendedor ganha uma porcentagem sobre os ganhos dos demais, continua funcionando.

Raduan, que trabalhou oito anos na Du Pont e mais três na fabricante de papel moeda Arjo Wiggins, tem a tarefa de implantar a estratégia mundial da Amway, na qual os produtos de limpeza – que sempre foram o foco da companhia – perdem espaço para duas novas categorias: suplementos vitamínicos, com a marca Nutrilite, e cosméticos anti-envelhecimento, com a assinatura Artistry.

Para emplacar o novo conceito, a empresa está investindo no recrutamento de profissionais da área de saúde, como nutricionistas e personal trainers, que, aos poucos, assumem o papel de novos “empresários”, como a Amway chama seus vendedores.

“Essas pessoas são ideais para transmitir o conceito de saúde e beleza que queremos focar”, diz Raduan. A companhia tem recorrido a médicos que não podem vender os produtos, mas atuam como consultores da marca, e investiu, recentemente, US$ 1 milhão numa campanha publicitária que tem o velejador Lars Grael como garoto-propaganda.

Não por acaso, as duas linhas de produtos que se tornaram prioritárias são as mais caras de todo o portfólio e garantem margem maior. A estratégia foi iniciada há dois anos na matriz e começa a ser estendida para os 80 países onde a companhia atua. A Amway, segunda maior empresa de vendas diretas do mundo com faturamento de US$ 6,4 bilhões no ano fiscal encerrado em agosto de 2005, já concentra 50% das vendas em vitaminas e 20% em cosméticos anti-envelhecimento. A empresa não revela o faturamento no Brasil, mas a América Latina representa menos de 5% do negócio total.

No Brasil, os produtos tradicionais da companhia ainda são maioria nas vendas, mas o objetivo é inverter essa equação – aumentando a participação de suplementos e cosméticos. A área de cuidados pessoais responde por 22% do negócio, os produtos para o lar – que incluem desde limpador multiuso a detergente e alvejante – representam 20% das vendas. A linha produzida no Brasil em parceria com terceiros (sabonetes, produtos masculinos e perfumes) equivale a 6% do faturamento. A venda de catálogos, que trazem toda a linha dos produtos, representa 8% da receita total no país.

Em pouco mais de um ano, os suplementos vitamínicos, que correspondiam a 16% das vendas totais, cresceram para 31%. Raduan quer aumentar essa fatia para 50%, em três anos. A linha anti-envelhecimento responde, hoje, por 13% dos negócios e o objetivo, segundo o executivo, é que atinja 20%.

A meta é ambiciosa: os produtos da Artistry – marca desconhecida de boa parte das mulheres brasileiras – concorrem, em preço, com a francesa Lancôme, uma das grifes de cosméticos mais reconhecidas no mundo. Ao contrário do que se poderia supor, a Amway não considera Natura e Avon, empresas que também atuam no sistema de vendas diretas, como suas concorrentes. Além disso, a marca disputa um dos mercados onde mais se investe em campanhas de marketing – e esse não é o foco da Amway.

Na área de suplementos, a companhia americana garante que produz vitaminas 100% naturais e orgânicas. A Amway tem quatro fazendas – duas nos Estados Unidos, uma no México e a maior delas no Brasil – onde produz a matéria-prima para as vitaminas.

Na fazenda brasileira, que fica no Ceará e tem 1,6 mil hectares, a empresa produz acerola, goiaba, maracujá, água de coco e alfafa. Desde a compra da fazenda, há seis anos, já foram investidos R$ 30 milhões.

No Brasil, a Amway concorre com a Herbalife, que está na dianteira da venda de vitaminas pelo sistema porta-a-porta. Não deixa de enfrentar as multinacionais farmacêuticas que atuam no setor, como Bayer, Wyeth e Merck, especializadas na venda de polivitamínicos sintéticos.

Segundo dados da Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD), a área de suplementos vitamínicos é a que mais cresce no setor. No terceiro trimestre de 2005, a categoria teve um incremento de 40% nas vendas em relação ao mesmo período do ano passado.

Enviado para o grupo EmpreendedorBR por Élio J. B. Camargo.

Dinheiro e felicidade: será que existe relação?

Por Fernanda de Lima, publicado originalmente no site InfoMoney.

A maioria dos psicólogos e sociólogos concorda que não existe uma relação exata entre dinheiro e felicidade, pelo menos não entre as pessoas que não vivem em situação de pobreza. Entre os pobres, contudo, como o dinheiro tem um impacto significativo na qualidade de vida da pessoa, ele pode influenciar o grau de felicidade.

Se o tema vem sendo alvo de discussão entre filósofos e psicólogos há muito tempo, mais recentemente ele também tem atraído a atenção dos economistas. Dentre as descobertas feitas está a de que as pessoas que vivem em países ricos não são mais felizes do que aquelas que vivem em países pobres.

Felicidade de curto prazo

Para tanto, o sociólogo David Myers lembra que, apesar de estarem duas vezes mais ricos do que eram em 1957, o grau de felicidade dos norte-americanos caiu pela metade. Também é dele a constatação de que, na década de 80, apesar de terem o dobro da renda dos irlandeses, os alemães ocidentais não eram mais felizes.

Já o professor de psicologia da Universidade de Illinois, Ed Diener, constatou que não existe uma diferença significativa entre o grau de felicidade dos milionários norte-americanos, que fazem parte da lista dos 400 mais ricos do mundo da revista Forbes, e os pastores do Leste da África.

Diener também verificou que os 100 americanos mais ricos são apenas ligeiramente mais felizes do que o americano médio. Na prática, o que essas constatações sugerem é que, uma vez atendidas as necessidades básicas da vida, não existe uma relação direta entre dinheiro e felicidade.

Os estudos também afirmam que o recebimento inesperado de uma quantia de dinheiro como ganho na loteria, recebimento de herança, pode trazer uma felicidade apenas temporária. Aliás, no que refere a loteria, o que se constata é o inverso: boa parte das pessoas que vencem esse tipo de prêmio acaba perdendo o controle financeiro de suas vidas, e no longo prazo se sentem mais infelizes.

Por que buscamos a fortuna?

Mas, então como explicar então essa busca incessante que todos nós temos pelo dinheiro? Para o economista Richard Easterlin, essa busca se justifica pelo prazer – ainda que momentâneo -, que as pessoas têm em acumular dinheiro.

Porém, trata-se de uma sensação de curto prazo, uma vez que o homem moderno vive em constante comparação com os outros. Assim, na prática, basta que uma pessoa obtenha um aumento de salário, que ela rapidamente encontra uma utilização para esse dinheiro extra e já começa a almejar outro aumento.

Para o economista David Blachflower, o fator idade também influencia. Em sua opinião, o gráfico da felicidade por idade do ser humano tem formato de “U”, já que as pessoas tendem a ser mais felizes quando jovens e na terceira idade. Por sua vez, a felicidade é menor na meia idade, quando nos aproximamos dos 40 anos.

Dinheiro como meio, e não fim

Porém, se o dinheiro não é sinônimo de felicidade, então o que faz as pessoas felizes? Segundo estudo elaborado pelo Centro Nacional de Pesquisa da Universidade de Chicago, boas relações sociais, com amigos, familiares e, no caso dos casados, com o cônjuge, boa saúde, e algum tipo de participação comunitária são fatores que contribuem para a felicidade das pessoas.

Os estudos também evidenciam que as pessoas que se concentram no próprio sucesso e não vivem constantemente se comparando com os outros, em termos de renda, tempo com a família, etc., tendem a ser mais felizes.

Em outras palavras, saber o que quer parece ser o primeiro passo para a felicidade. Caso contrário, corre-se o risco de se buscar constantemente a felicidade dos outros. Ao definir o que lhe faria feliz (ex. compra de uma casa, educação dos filhos, etc.), você transforma o dinheiro que pretende acumular, em ferramenta para o alcance da sua felicidade, e não em fim. Com uma idéia clara do que pretende alcançar, basta um pouco de esforço e planejamento que, eventualmente, você alcança a felicidade que procura.

Pensando em investir em ações? Confira algumas dicas de Warren Buffett

Por Fernanda de Lima. Publicado originalmente no site InfoMoney.

Com 75 anos de idade e um patrimônio de US$ 43 bilhões, Warren Buffett é, sem dúvida, um investidor da “velha guarda”. Avesso à tecnologia, como ele mesmo afirma, Buffett estima que, desd e 1955, tenha obtido um retorno médio anual de 31% em sua carteira de ações. Para quem não se impressionou com a afirmação, vale lembrar que isso equivale a quase três vezes o resultado obtido pelo índice S&P 500, que no mesmo período foi de 11%.

Não importa se você concorda, ou não, com o estilo do segundo homem mais rico do mundo, atrás apenas de Bill Gates, uma coisa é certa: não dá para ignorar que sua estratégia de investimento foi, ao menos até o momento, muito bem sucedida. Assim, selecionamos algumas das principais dicas de Buffett para quem pensa em investir no mercado de ações.

Ignore o mercado, ele não instrui

Uma das afirmações mais conhecidas de Buffett é de que o investidor não deve considerar o mercado ao tomar suas decisões, mas, ao contrário, deve ignorá-lo. Na prática isso significa que o desempenho do mercado não está tentando lhe dizer alguma coisa, o que diz se você está certo ou errado são os resultados da empresa.

Nesse senti do, Buffett recomenda que, ao aplicar o seu dinheiro o mercado de ações, o investidor opte por empresas com histórico de boa rentabilidade e com uma presença marcante de mercado. Contudo, ele lembra que o correto não é analisar o retorno anual, mas sim o retorno médio ao longo de um período de pelo menos 5 anos.

Aliás, esse é um dos vários pontos em que – para usar a sua própria terminologia, Buffett “come o que faz”, já que é conhecido por tomar decisões de investimento sozinho, sem recorrer à ajuda de consultores ou à análise detalhada de inúmeros relatórios. Em sua opinião, essa é a única forma de se manter “racional” como investidor e, portanto, ganhar dinheiro em um mercado dominado por investidores irracionais.

Buffet completa afirmando que o maior inimigo do investidor racional é o otimismo. Exatamente por isso ele recomenda aos investidores cautela quando o resto do mercado está ganancioso, mas defende que sejam gananciosos, quando o resto do mercado está temeroso.

Não se esqueça do que é uma ação

Por mais que a maioria dos investidores saiba que uma ação nada mais é do que parte de uma empresa, Buffet acredita que, na hora de investir, muitos não pensem da mesma forma. Ele justifica sua percepção afirmando que, ao invés de refletir sobre a escolha das ações, a maioria dos investidores procura entender o momento correto de investir, quando já sabemos que é a escolha das ações corretas que garante 90% do retorno de uma carteira de investimentos.

Assim, Buffett propõe que pensemos no seguinte: e se, por alguma razão qualquer a bolsa de valores ficar fechada por três anos? Se, mesmo sob esse cenário você estiver satisfeito de manter a ação, então provavelmente você está satisfeito com a empresa. O que está em jogo, portanto, não é o prazo durante o qual você irá manter o investimento, essa é uma outra discussão, mas sim se você acredita que no longo prazo esse seria um bom investimento.

Desta forma , nunca se deve investir em empresas que não se conhece. Pois, como ele mesmo afirma: “o maior risco que o investidor enfrenta é o de não saber o que está fazendo”.

Na hora de investir, deixe uma margem

Buffett também afirma que antes de tomar uma decisão de investimento, o investidor precisa entender qual o valor da empresa. Pois, é com base nele, que irá oferecer um preço que lhe assegure um retorno atrativo. Mas, como saber qual é esse preço, se até mesmo os analistas de mercado são unânimes em dizer que é impossível prever exatamente qual será o preço de uma ação em um determinado momento?

Para quem se pergunta então qual o trabalho dos analistas vale lembrar que ao projetar o preço alvo de uma ação, o que eles estão fazendo é indicando uma tendência sob um determinado cenário. Basta que esse cenário não se confirme, e aqui existem várias razões pelas quais isso pode acontecer, para que a previsão se distancie do inicialmente previsto.

Portanto, a melhor forma de se proteger, é deixar algum tipo de margem de manobra, para o caso de algo não acontecer como previsto. Assim, Buffett recomenda que só invista em uma ação se estiver seguro que terá um ganho positivo, mesmo no caso de algo dar errado.

Para quem está começando e ainda está temeroso de tomar esse tipo de decisão, Buffett lembra que basta evitar grandes erros, ou seja, o investidor não precisa fazer coisas extraordinárias para ser bem sucedido.

Endividamento consciente

Buffett também é avesso ao uso indiscriminado de crédito, segundo ele: dinheiro emprestado é a maneira mais comum pela quais pessoas espertas quebram.”

Diante disso, não chega a surpreender que, em seu Manual do Proprietário, ele afirme que só utiliza crédito esporadicamente. Mesmo quando levanta empréstimos, Buffett afirma que os mesmos são estruturados no longo prazo e embutem taxa de juro fixa.

Buffett é claro ao afirmar que isso pode ter lhe custado um retorno e xtra, mas ainda assim prefere perder uma boa oportunidade de investimento a aumentar significativamente o grau de endividamento da sua empresa. Além disso, ele afirma não conseguir trocar uma boa noite de sono, por alguns pontos percentuais a mais de retorno.

Emoções e investimento

Buffett também chama a atenção para o envolvimento das emoções nas decisões de investimento. E, aqui ele faz uma afirmação interessante: a ação não sabe que você a possui.

Na prática isso significa que, mesmo que você tenha sentimentos pela ação de uma determinada empresa, é importante que tenha a consciência de que a recíproca não é verdadeira. Exatamente por isso o investidor não deve ficar emocionalmente envolvido com as suas ações.

Da mesma forma, ele lembra que não é recomendável tomar decisões precipitadas porque o mercado está em baixa. Afinal, trata-se de um investimento de longo prazo, em que o sucesso de um investidor pode ser atribuído à sua capacidade de resist ir à tentação de constantemente comprar e vender. Nesse sentido, ele lembra que só devem investir em ações os investidores que conseguirem ver, mesmo que temporariamente, o valor de seu investimento cair 50% sem ter uma crise de pânico.

Como as boas idéias morrem

De acordo com um estudo recente da Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro, mais da metade dos projetos iniciados pelas companhias não chegam até o mercado. E os que chegam sofrem diversas modificações que vão tirando o caráter inovador do produto. Nesse caminho até o consumidor, as boas idéias vão sendo bombardeadas, ignoradas ou até mesmo ironizadas. “É muito difícil para as empresas quebrar a inércia e introduzir produtos ou serviços revolucionários”, diz Richard Nelson, especialista em inovação da Universidade Colúmbia.

A inovação tem dois grandes inimigos dentro das empresas. Segundo 15 especialistas ouvidos pela Revista Exame, os gargalos mais comuns são a burocracia corporativa e a aversão natural que as empresas têm ao risco.

Conheça os inimigos da criatividade.

Burocracia

A idéia tem de ser aprovada por diversos setores. No caminho, acaba modificada e perde seu caráter inovador.

Aversão ao Risco

As empresas relutam em lançar produtos que de alguma forma se choquem com seu negócio principal.

Disputas internas

Brigas entre departamentos e seus respectivos diretores atravancam a aprovação ou liberação de dados para novos projetos.

Custos

Companhias descartam projetos inovadores sob a alegação de que a tecnologia necessária para implementá-las é muito cara e, portanto, inacessível.

Falta de comunicação

Líderes não conseguem envolver todos os funcionários no processo inovador, inibindo a aparição de novas idéias.

Fonte: Revista Exame com texto de Carolina Meyer e Felipe Seibel.

Financiar imóvel para viver de renda exige cautela

Por Fernanda de Lima

Publicado originalmente no site InfoMoney

Preocupados em proteger suas economias, diante da forte instabilidade dos mercados financeiros, algumas pessoas acabam optando por investir todas as suas economias em imóveis.

O grande problema é que nem sempre esta decisão reflete uma análise cuidadosa dos objetivos da pessoa ao investir e, em alguns casos, a falta de entendimento dos custos envolvidos, sobretudo quando a compra do imóvel é financiada, torna o investimento pouco atrativo.

Financiar imóvel não é o problema Não há nada de errado em levantar um financiamento imobiliário. Muito ao contrário, não só se trata de uma forma de financiamento positiva, pois contribui para a formação de um patrimônio, como também de um financiamento de custos mais atrativos.

O problema surge quando o investidor opta por resgatar o dinheiro aplicado no mercado financeiro para dar de entrada na compra de um imóvel, com o intuito de viver da renda de aluguel deste imóvel. Ainda que possa haver situações em que esta opção seja justificada, esta não é uma alternativa recomendada, sobretudo para quem ainda não acumulou um patrimônio significativo.

Na maioria das vezes, a decisão se baseia na percepção de que investir em imóveis é a única forma segura de se aplicar o dinheiro, sobretudo em épocas de forte volatilidade do mercado. Ainda que investir em imóveis possa ser seguro, isso não significa que não haja outras opções de investimento que ofereçam segurança e garantam ao investidor uma melhor combinação em termos de risco e retorno. Até porque, no investimento em imóveis, não se pode esquecer do risco de liquidez!

Mas, é preciso fazer as contas!

Por mais que a taxa de juro esteja em queda, o reflexo disso no custo do financiamento imobiliário deve ser pequeno, até porque estamos falando de financiamentos de longo prazo, cujas taxas, além de mais baixas, tendem a ser mais estáveis. Ainda que o Governo tenha lançado medidas para incentivar a redução dos juros nos financiamentos através do SFH (Sistema Financeiro de Habitação), é de se esperar que ele seja de, ao menos, 1,1% ao mês.

Além disto, a maioria dos contratos prevê a correção da prestação com base na inflação ou na poupança. Apesar da desaceleração da inflação, não podemos esquecer que muitas vezes os salários não são reajustados na mesma proporção, de forma que o peso das prestações no seu orçamento pode aumentar.

Mas, como o objetivo aqui é entender se o retorno que será obtido no investimento vale a pena, resta comparar o custo do financiamento com o retorno do investimento, ou através do aluguel do imóvel, que gera uma renda mensal, ou através da valorização do preço do imóvel.

Considerando que os aluguéis variam entre 0,5-1,2% do valor do imóvel, antes do pagamento de impostos, o retorno depois de impostos cai para 0,425% e 0,85% ao mês, abaixo, portanto do custo do financiamento (ao menos 1,1%). Neste sentido, a operação não vale a pena. Se juntarmos a isto o fato de que o saldo devedor é corrigido pela inflação ou pela poupança, o que muitas vezes não acontece com o preço do aluguel, sobretudo nas regiões onde há excesso de oferta, a situação é ainda pior.

Custo de aquisição supera valor de mercado O retorno, em termos de valorização do preço do imóvel, também fica comprometido, pois se considerarmos que em geral no máximo 70% do valor do imóvel é financiado, isto significa que, em um imóvel de R$ 50 mil, o valor financiado é de R$ 35 mil.

Porém, se somarmos os gastos com juros, em apenas cinco anos, com juros de 1,1% ao mês, o total será de aproximadamente R$ 13 mil, dependendo do sistema de amortização utilizado e da correção do saldo devedor. Com isto, o custo do imóvel sobe para R$ 63 mil, ou R$ 15 mil pagos de entrada e R$ 48 mil equivalentes ao valor do principal e dos juros pagos no financiamento.

Na prática, isso significa que, para não sair perdendo em termos de valorização do imóvel, é preciso que o mesmo suba 26% no período, pois assim seu valor de mercado seria ao menos equivalente ao custo do financiamento. Porém, como na venda do imóvel você incorre em custos relativamente altos, como por exemplo, corretagem, escritura, registro em cartório e imposto de transmissão, a valorização deve ser ainda maior para que o retorno do investimento valha a pena.

A análise, ainda que simples, permite entender que, ainda que possa haver situações em que o financiamento de imóvel com o objetivo de investimento seja atrativo, é importante analisar todos os custos envolvidos na decisão, para não se acabar perdendo dinheiro. Neste sentido, um dos fatores mais importantes é a escolha do imóvel, uma propriedade em boas condições e localização por um preço abaixo do mercado pode oferecer um retorno atrativo, que compense o custo do financiamento. Mas, é preciso fazer as contas com calma.

Você é um empreendedor?

Abaixo, texto excelente publicado na revista ISTOÉ.

Por Marcos Hashimoto

Estou procurando alguém para trabalhar em minha empresa. Tem sido difícil encontrar esta pessoa, não tanto pela carência de profissionais com o perfil desejado, mas pelo conjunto de particularidades que estou exigindo. Trata-se de um conjunto de requisitos que não são identificáveis no processo tradicional de seleção, mas algo que se percebe na medida que se vai conhecendo a pessoa. Portanto, já sei que o processo seletivo será lento e contínuo.

O candidato pode ter qualquer formação profissional, desde que compense uma eventual carência educacional com um boa bagagem de experiência e outras habilidades complementares que descreverei a seguir. Homem ou mulher, jovem ou com alguma senioridade, pobre ou abastado, gordo ou magro, alto ou baixo, pouco me importa. Religião, cor ou raça? Tampouco. Seu valor deve estar incutido na sua espiritualidade e na sua vontade de construir coisas positivas. Não necessariamente precisa ser alguém que conheça muita coisa, pois vou ensinar a maioria. Mais importante do que aprender rápido é ter muita vontade de aprender. Suas atitudes devem demonstrar sempre entusiasmo, perseverança e determinação. Seu padrão de excelência pessoal deve ser, no mínimo, o melhor de todos.

Vou compartilhar muitas coisas com esta pessoa. Meus conhecimentos, minha experiência, minha vivência. Fatos, dados, informações, impressões e percepções que colecionei ao longo de toda minha vida serão transferidos incondicionalmente para esta pessoa. Por isso, é fundamental que esteja aberta para assimilar tudo isso. No entanto, o que é raro é que a pessoa deverá ter o discernimento suficiente para saber filtrar tudo o que passarei de forma a incorporar as coisas que façam sentido perante seus próprios valores e princípios. Não precisa rejeitar o que não acredita, mas deve questioná-los comigo de forma a construir novos saberes através do processo de atribuição de significado pessoal ao que eu lhe passar.

Esta pessoa deverá saber que nem tudo o que aprendeu vai ser usado sempre da mesma maneira, mas saberá se desestabilizar para incorporar o novo, assimilá-lo e então se equilibrar novamente, para depois se desequilibrar outra vez num novo e repetitivo ciclo de renovação e aprendizado constante.

Preciso de um profissional que pense como eu, aja como eu, decida como eu, mas que, sabendo que não será eu, saiba usar sua própria personalidade para complementar a minha. É importante que tenha uma grande visão do futuro sobre si mesmo. É importante que veja este trabalho apenas como uma etapa em direção a algo maior que acredite merecer. É importante que saiba que algo melhor lhe estará reservado e que posso perdê-lo a qualquer momento para trabalhos mais nobres e mais engrandecedores. É importante que me veja como modelo mas que acredite poder se tornar mais do que eu.

Seus valores serão seus princípios mais sagrados. Os seguirá à risca, mesmo podendo perder o emprego por isso. Sua determinação é mais poderosa do que minhas ordens. Não precisa ser obediente, mas também não deve ser desobediente. Será inconformado com a situação a ponto de buscar sempre soluções aos problemas existentes, mas será também conformado com a condição presente que não apresentar nenhum espaço para mudança. Precisa, enfim, saber conviver com a ambigüidade.

Essa pessoa entenderá o meu negócio, perceberá minhas necessidades, compreenderá minha missão, antecipará minhas angústias e preocupações, e estará tão comprometida com o negócio quanto eu. Sua aguçada percepção me ajudará a identificar as oportunidades e a ser oportunista sempre que convier. Precisa ter a capacidade de me surpreender a todo instante, e em alguns momentos, poderá até mesmo me chocar com suas idéias e ações.

Me conhecerá tão bem que freará meus impulsos quando eu quiser voar alto demais, e me impulsionará quando julgar meus pés demasiadamente enraizados. Se eu fracassar, se sentirá fracassado também, se eu vencer, se sentirá vencedor também. Para todos à sua volta tecerá floreados elogios sobre mim, reservando as críticas apenas para meu conhecimento e com genuína e real intenção de me ver crescer para que cresça junto comigo.

Deve ter sua própria interpretação do mundo, das pessoas e dos fatos. Seus julgamentos decorrerão de como constrói sua visão sobre o mundo. Deve confiar para inspirar a confiança e só desconfiar quando houver motivos para isso. Sabe trabalhar em equipe como membro dela, comprometido com os objetivos e construindo a partir das habilidades individuais da equipe. Se for liderar uma equipe, saberá fazê-lo sem que a equipe se dê conta de sua influência.

Não quero uma pessoa completa, mesmo porque acho que ela não existe. Mas quero que cada candidato me demonstre que, não sabendo fazer tudo isso, pode ter o potencial para desenvolvê-lo, dadas as condições apropriadas. Quero alguém que saiba que o auto-conhecimento é a base para o seu desenvolvimento. Quero alguém que acredite poder se tornar alguém melhor do que foi ontem e pior do que será amanhã. Quero, enfim, alguém com espírito empreendedor.