Desconectados

O Brandon escreveu há algum tempo um post interessante intitulado Disconnected. Traduzo abaixo para quem não tem familiaridade com o inglês.

Imagina isto:

Pouco tempo atrás, você acordou com seu despertador. Sem notificações, mensagens ou emails.

Foi ao banheiro, tomou um banho, e dirigiu ao trabalho.

Talvez ouviu as notícias no caminho, ou viu a previsão do tempo na TV antes de sair. Se você é uma pessoa matinal, pode ser que tenha acordado mais cedo e lido algumas notícias antes do café da manhã. De toda forma, a quantidade de informação e de opiniões a que você foi exposto foi limitada.

Ao chegar no trabalho, você trabalhou. Conversou com seus colegas e talvez tenha ligado para seu marido ou esposa no intervalo do almoço, mas por aproximadamente oito horas você esteve desconectado de sua vida pessoal. Você estava atuando no filme de outra pessoa. Não estava respondendo mensagens sobre dramas familiares ou amigos indignados com seus chefes. Não estava lendo comentários dizendo que seu diretor favorito de cinema é um lixo. Não estava olhando para uma lista de informações cuidadosamente elaborada por uma empresa cujo objetivo é lhe influenciar a comprar coisas. Você apenas trabalhou, comeu, conversou com colegas, e voltou para casa.

Na hora que chegou em casa, a maioria dos assuntos estressantes já tinha passado do estágio crítico. Os problemas do seu marido no trabalho aconteceram horas atrás e agora já são bem menos dramáticos. Sua própria má experiência com um cliente não está tão fresca e em vez de jogar sua frustração no seu companheiro, você conseguiu se recompor e explicar quão frustrante foi a situação sem aumentar sua frequência cardíaca.

Neste passado não tão distante, as notícias, dramas familiares, e injustiças em geral não apareciam em tempo real. Não havia cobertura 24/7 em seu telefone ou computador. A maioria das coisas eram discutidas horas depois, já de cabeça fria. Você podia contar sobre seu problema no trabalho para um amigo uma semana depois, mas você não escreveu para ele logo após ter acontecido. Você teve tempo para digerir e processar a experiência, não apenas reagir.

Sinto que tudo que fazemos atualmente é reagir. Somos bombardeados de informação/opiniões desde o momento em que acordamos e apenas reagimos. Não processamos. Expomos nossa primeira reação indignada nas redes sociais ou através de mensagens de texto, e não tenho certeza de que o cérebro humano funciona de maneira mais eficiente desta maneira. Reagimos com medo ou raiva, porque isto é o que nos mantinha a salvo na época primitiva, mas essas reações não servem mais para o mesmo fim em 2020.

Autor: Fabricio S. Peruzzo

Pai, marido, polímata, empreendedor, curioso. Tranquilidade financeira é qualidade de vida.

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