Um pouco mais sobre o Clube de Ações.

Há algum tempo escrevi que migrei meu investimento em ações da pessoa física para um Clube de Ações que eu próprio administro, com a participação de alguns amigos e familiares que navegam comigo neste navio. No texto cito as vantagens e desvantagens desta mudança.

Uma das coisas que os iniciantes no investimento em ações pensam, é que a forma de ganhar dinheiro com as ações consiste em comprar as ações por um valor baixo, e vender por um valor alto. Seria interessante, não fosse o fato de não termos uma bola de cristal para saber quando elas poderiam estar no topo e prestes a despencar, ou quando atingiram o fundo e dali só poderiam subir.

No Clube, uma das exigências é que ao menos 67% do patrimônio esteja sempre comprado em ações. Isso faz com que a estratégia de vender boa parte das ações quando inicia uma queda, para depois voltar a comprar quando chegou no fundo do poço seja limitada por este percentual mínimo que sempre deve estar comprado. Isso acaba sendo um seguro contra aquela vontade imensa de sair vendendo tudo na crise, quando deveríamos, ao contrário, começar a estudar novas entradas.

Mesmo assim, pode haver a tendência de algum cotista tentar fazer isso, solicitando resgate do Clube nas altas, pensando em voltar quando os preços caírem. Minha opinião é que isso é uma armadilha, primeiro porque não sabemos se realmente irá cair antes de ter subido muito mais, situação em que podemos ter vendido alto, mas só conseguiremos comprar novamente por mais alto ainda. Depois, porque apesar do clube não ter impacto do IR nas operações de compra e venda das ações independente do valor negociado no mês, há o impacto do IR nos resgates do clube feitos pelos cotistas.

Desta forma, ao resgatar nosso dinheiro com lucro do clube, temos a retenção na fonte de 15% de IR. Para voltarmos a comprar cotas do clube com vantagem, as cotas teriam que cair bastante, mais do que um circuit breaker de queda para começar a valer a pena tal estratégia.

A solução? A mesma que usam os maiores investidores de sucesso em longo prazo: investir nas melhores empresas, se tornar sócio delas e respeitar o tempo de maturação dos negócios, que são bem mais longos e previsíveis do que o sobe e desce diário do preço das ações.

É assim que faço no Clube de Ações Kairos. Se quiser trocar idéias sobre o assunto, estou sempre aqui para aprender com quem está participando ou deseja participar deste jogo de longo prazo.

Autor: Fabricio S. Peruzzo

Pai, marido, polímata, empreendedor, curioso. Tranquilidade financeira é qualidade de vida.

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