Sobre o conhecimento

O conhecimento por si só não tem valor algum. É o uso que fazemos do conhecimento que o torna valioso. Dizendo isso de outra maneira, a vida não lhe paga pelo que você pode fazer. A vida lhe paga pelo que você faz.

Woman working on airplane motor

O conhecimento por si só não tem valor algum. É o uso que fazemos do conhecimento que o torna valioso. Dizendo isso de outra maneira, a vida não lhe paga pelo que você pode fazer. A vida lhe paga pelo que você faz.

Me deu vontade de escrever isso porque nesta semana que passou me incomodei com algumas pessoas próximas que insistem em viver reclamando da vida. Pessoas altamente inteligentes, muito cultas, com muita experiência nas costas, mas acomodadas, relaxadas, daquelas que “deixam a vida as levar…”

Um amigo em específico reclamava que não conseguia fazer seu dinheiro crescer nos investimentos, que estava cansado de trabalhar tanto e não ver resultados. Reclamava que estava com quase 40 anos e ainda não tinha conseguido comprar um apartamento. Só para colocar as coisas em perspectiva, estamos falando de uma pessoa que ganha R$ 4500 mensais, mora com a esposa que ganha mais R$ 1000 e não possuem filhos.

Não estou aqui para ser o guardião do que os outros fazem com seu dinheiro, nem para dizer que gastar de um jeito ou de outro seja certo ou errado. Só que meu ouvido também não é penico para ficar ouvindo choro sem sentido. Este casal gasta seu dinheiro em roupas, viagens, TVs LCD (na sala, no quarto, uma pequena na cozinha), jantares regulares… Quando viajam, ficam em ótimos hotéis e não economizam nos passeios noturnos, conhecendo mais restaurantes no exterior do que na cidade em que vivem. Enfim, uma vida bastante interessante, variada e agradável, ou pelo menos é o que seus amigos acham disso.

Estava com paciência naquele dia. Peguei uma folha de papel e comecei a perguntar:

– Para onde vocês viajaram este ano?

– Fomos esquiar no Chile mês passado. Conhecemos as Trilhas Incas em maio. Caribe e Miami em janeiro. E só.

– Só três viagens? Sorte que ainda temos quatro meses para acabar o ano! – ele não entendeu minha ironia.

Conhecendo os hábitos dele e sabendo quanto custam as coisas, comecei a calcular o custo de cada viagem, acertando com grande aproximação. Esqueci de alguns detalhes, das lembranças que trazem para os pais, para irmãos, etc. Sempre há uma caneca ou um pequeno totem que vem para uns e outros em cada viagem destas. São pessoas legais, lembram sempre dos parentes e amigos.

Depois de ter todos os valores, comecei a rabiscar o quanto achava que eles gastavam no dia a dia. Uma média de três jantares fora por semana, passeios de fim de semana, café colonial, pousada, fondue… Cinema. Carros novos dos dois e todos os custos associados a isso, como o aluguel do box extra. Ambos financiados.

Finalmente escrevi três maneiras simples para comprar um apartamento, de R$ 200.000, porque eles não podem morar em um apartamento apertado qualquer. Coloquei as duas tradicionais, poupar e financiar, além de um consórcio. Os valores mensais eram os mesmos nos três casos, R$ 2000. No financiamento eles adquiriam o apartamento imediatamente e se livravam do aluguel, sobrando mais para gastar, como este amigo dizia ao acompanhar meus cálculos. Nem se dava conta de que teria que ficar pagando isso durante 30 anos. A poupança foi rapidamente descartada, precisaria guardar estes R$ 2000 e ainda pagar aluguel, de onde tiraria esse dinheiro? E levaria quase cinco anos. O consórcio, usando o mesmo valor, permitiria adiantar algumas prestações ao longo do tempo, o que poderia ser usado como lance já pago, adiantando as chances de contemplação, mas ele não entendeu o funcionamento disso. Expliquei então que poderia simplificar e ele pagaria um pouco menos mensalmente, por volta de R$ 1700. Era muito pouca diferença, só R$ 300, não conseguia enxergar os R$ 3600 anuais que poderiam pagar uma viagem ao nordeste 🙂

Mostrei uma folha, mostrei a outra, expliquei que se ele não ganhar mais, para realizar o que tinha em uma folha precisava tirar algo da outra. E que mesmo ganhando mais, coisa que foi acontecendo ao longo dos anos, o que ele fazia era sempre direcionar estes valores a mais para a primeira folha, nunca para a segunda. Viajava mais, com mais luxo e com mais frequencia.

Por fim, disse a ele que não precisava se sentir culpado por isso tudo. Só não podia é ficar chorando sobre isso toda hora, porque aí já enche o saco. Nem deveria ficar comparando sua vida com a dos outros, afinal, não sabe quais são as prioridades de cada pessoa.

Um outro amigo certo dia me disse…

…Fabricio, sei como ganhar bastante dinheiro com meu trabalho. E adoro o que faço. Certo dia, resolvi fazer meu dinheiro crescer e comecei a estudar investimentos. Descobri muitas coisas, mas a medida em que investia me sobrava menos tempo para ganhar dinheiro com meu trabalho. Chegou um momento em que até estava ganhando bem com os investimentos e uma coisa acabava compensando a outra. Até me dar conta de que não estava mais trabalhando com o que gosto, mas sim dedicando quase todo meu tempo aos investimentos. Parei de cuidar ativamente do meu dinheiro, coloquei tudo numa aplicaçãozinha simples, segura e tradicional e voltei a trabalhar com o que gosto. Hoje tenho muito mais do que teria se continuasse me preocupando em investir em vez de trabalhar melhor para ganhar mais.

Esse amigo, há algum tempo investindo comigo tanto nos consórcios quanto agora em imóveis, há pouco tempo me comentou: “Olha como as coisas são, eu sei ganhar dinheiro fazendo o que gosto e encontro um cara como tu, que o que gosta é de fazer o dinheiro crescer. E mais que isso, sabe como fazer ele crescer com segurança e consistência. É por isso que as coisas funcionam conosco, cada um faz o que mais gosta e juntos ganhamos muito mais. É por isso que deixo meu dinheiro crescer junto com o teu, a gente sente a paixão nos teus olhos, na tua fala, nos teus gestos.”

Em que isso pode lhe ajudar?

Pense sobre a vida que você está levando atualmente. Para onde suas ações o estão carregando? Se para um destino desejado, continue neste rumo. Se para um ponto obscuro no futuro, jogue a luz da reflexão sobre o que você quer para sua vida, desenhe o caminho para onde você quer chegar e dê os primeiros passos, mesmo que pequenos. Só chegamos aos destinos quando percorremos as estradas que levam a eles. Use seu conhecimento para ir ao encontro do que deseja.

Use o espaço abaixo para comentar o que você busca para sua vida e o que tem feito para alcançar seus objetivos.

Abraço e sucesso.

Autor: Fabricio S. Peruzzo

Pai, marido, polímata, empreendedor serial, curioso.

Uma consideração sobre “Sobre o conhecimento”

  1. Poxa Fabricio nem sei o que dizer !!! Parece que vc advinhou o que eu estava pensando. Realmente dedicamos tempo demais à coisas que não fazem menor sentido. E que não nos levam aonde estamos tão anciosos para chegar. A estabilidade com o mais e menos no final do mês dando saldo positivo. Ótimas dicas e falou com propriedade! Sucesso pra vc…

    Curtir

Os comentários estão encerrados.