Hoje eu decido viver bem

Hoje eu decido viver bem, link para o vídeo no YouTube.

Ontem entramos na primavera. Foi um dia cinza aqui em Porto Alegre. Perdi uma prima, 40 anos, vítima de um câncer descoberto há dois meses. Ainda não me caiu direito a ficha, foi tudo muito rápido, estava viajando quando foi dado o diagnóstico.

Não tinha contato frequente com esta prima. A última vez que nos vimos fazia quase um ano, no aniversário do nosso tio. O laço de sangue familiar e uma infância e adolescência cheias de histórias juntos nos mantinha ligados, com aquele carinho que não acaba mesmo ficando muito tempo sem nos ver.

Há três anos minha esposa perdeu o irmão, 29 anos, recém formado em educação física, também para um câncer descoberto poucos meses antes.

Entre uma perda e outra, um amigo liga para dar a triste notícia do falecimento do filho, atropelado por um ônibus.

O que há em comum nestas três histórias tristes é que vemos quebrado o ciclo natural da vida. O que temos como normal é nascer, crescer, envelhecer e morrer. A quebra desta ordem natural das coisas nos deixa sem chão, não faz sentido.

Não faz sentido, mas pode acontecer a qualquer momento. E então nos damos conta de como é tênue nossa permanência no planeta. Dependemos das nossas escolhas, mas também de infinitos fatores sobre os quais não temos nenhum controle.

Por tudo isso, hoje eu decido viver bem. Decido ser feliz, de dentro para fora. Se alguém mal humorado me destratar na rua, é com ele que o mau humor está. Se me cortarem no trânsito, lamentarei que tenham pressa e não tenham saído mais cedo, mas não ficarei irritado. As más atitudes dos outros não devem afetar o meu humor. Depende apenas de mim escolher como passarei o dia.

Não temos controle sobre tudo, mas sobre o que temos controle, só depende de nós decidir. Então hoje, amanhã e nos próximos dias, eu decido viver bem. E quando eventualmente acordar mal, chateado ou com algum problema, vou me lembrar destas palavras e ficarei bem. Pois pelo menos isso eu sei que posso controlar em minha vida.

Há um senso de urgência, um reloginho fazendo tique-taque, que não sabemos quando irá parar. Depende somente de nós o equilíbrio das peças que temos para viver o melhor que pudermos.

Hoje eu decido viver bem. E lhe desejo um ótimo dia e um futuro cheio de paz e tranquilidade.

Obrigado.

Sabático

Este ano foi bastante movimentado. Ainda não acabou e sei que ainda terei alguns desafios pela frente, como a busca de um novo apartamento para morar nas próximas semanas, já que vendi o apartamento onde estou enquanto escrevo estas linhas, mas o que já passou foi aventura o bastante para uma vida inteira, ao comparar com o esquema casa-trabalho-casa da maioria da população.

No último dia de agosto voltei dos Estados Unidos, onde passei os três meses anteriores em uma espécie de período sabático misturado com viagem de negócios e passeio de férias. Fui ao Silicon Valley para me infiltrar nos eventos de empreendedorismo e conhecer de perto os jogadores do mercado de capital de risco e investimentos em empresas de tecnologia. Fui para Reno visitar um grande amigo brasileiro radicado nos Estados Unidos que ganha dinheiro através de um site em português com publicidade de empresas internacionais. Fui a Vegas encontrar um amigo de Porto Alegre que estava lá a passeio e ficaria apenas uma semana, mas estendi para duas pois os shows estavam ótimos e o clima idem. Conheci o Grand Canyon e fiquei admirado com sua extensão. Descobri novas galerias e novos fotógrafos que abriram meus olhos para um mundo que ainda não conhecia. Atravessei um deserto em carro conversível e com esta mesma liberdade percorri as margens da costa oeste norte-americana, conhecendo um pouco de cada pequena praia ao longo do caminho. Nomes famosos de filmes e revistas se tornaram conhecidos pessoalmente. San Diego, Santa Barbara, San Simeon e o Hearst Castle, Monterey, Carmel e Santa Cruz, Half Moon Bay, todos marcados na retina. Los Angeles, que antes era composta apenas por Santa Monica, Hollywood e Beverly Hills, teve o bairro filipino e Chinatown acrescidas na lista. Museus e monumentos somaram mais alguma coisa, assim como os parques de diversões.

O planejamento desta viagem aos Estados Unidos previa seis meses por lá, mas coisas boas e não tão boas me impediram de realizar o que havia planejado. Do lado bom, uma viagem ao Japão que apareceu sem aviso prévio. Viagem maravilhosa onde fiz muitos amigos. Vinte dias no Japão, coloque isso aí na minha lista deste 2011. Das coisas não tão boas, um problema de saúde na família, coisa já resolvida e melhorando, jogamos com as cartas que a vida vai nos dando.

Agora estou aqui, escrevendo um pouco antes de começar a olhar os apartamentos disponíveis para alugar em Porto Alegre. Tenho que encontrar logo um lugar para morar nos próximos meses ou anos, enquanto planejo o futuro e realizo partes do que foi planejado.

Voltei, estou presente e agindo localmente. Ao mesmo tempo, me sinto como o Frodo Bolseiro no final de O Senhor dos Anéis *Spoiler* (Dá para se ter spoilers de um livro que tem quase 60 anos?) Estou de volta em casa, mas sinto como se tudo houvesse mudado. Será que algum dia poderei sossegar novamente? Acho que não.

Final de outubro parto para Cancun e Miami, mais um prêmio da Rodobens por um ano de esforço e dedicação em ajudar mais pessoas a realizar o sonho dos investimentos imobiliários ou da casa própria. De lá, New York e Manhattan serão a próxima parada. Quanto mais conheço o mundo, mais descubro que ainda há muito para conhecer.

Se minha experiência pessoal permite um conselho, deixo este: viaje. Viaje bastante e por longo tempo. Saia de sua zona de conforto, conheça lugares diferentes do que vocês vive, com pessoas diferentes, culturas diferentes, hábitos diferentes. Vista o calçado destas novas realidades, examinando como é a vida que eles levam e o porquê de suas escolhas serem diferentes das que nós mesmos fazemos. As decisões que tomamos são resultado de nosso conhecimento e de nossas crenças. Somente conhecendo outras crenças e aceitando-as como possíveis verdades diferentes das nossas verdades internalizadas ao longo de anos de vida e convivência com nosso meio é que poderemos compreender que há muitas verdades. E que o tipo de verdade a que nos apegamos pode nos levar a lugares mais altos ou limitar nosso crescimento.

Como você vê o mundo? Com muitos olhos ou através de viseiras estreitas?

Sobre propriedade e necessidades

Estava pensando em vender meu iPad (se alguém se interessar, é um impecável iPad 2 branco, 64Gb 3G com três meses de uso enquanto estava nos USA. R$ 2000 (R$ 600 a menos do que um novo aqui, mais barato se levar em conta os acessórios que vão junto)). O motivo para isso não é que ele seja um dispositivo ruim, muito pelo contrário, o problema é ele ser bom demais. Com esta venda, abrirei mão de uma série de programas que comprei ao longo do tempo em que usei tanto este iPad 2, quanto o iPad original que possuía antes. São programas de edição de texto, programas de música, programas para organizar e manipular fotografias, programas para acesso remoto aos meus servidores. Todos programas simples, relativamente baratos individualmente, acho que o mais caro deve ter custado uns US$ 25, mas de valor final considerável quando vistos em conjunto.

O que me encucou neste processo de decisão foi justamente o fato deste valor investido no conjunto de aplicativos ter passado quase desapercebido. E que depois de analisado, tratei tais valores simplesmente como um custo específico e pontual para realizar determinadas tarefas (em alguns casos nem isso, apenas tinha o programa disponível caso fosse necessário), e não como um custo de aquisição de uma propriedade ou de um bem.

Sendo assim, porque é tão difícil nos livrarmos de certas coisas materiais que já cumpriram suas funções em nossas vidas? Porque é mais difícil abandonar um computador velho, que já não atende mais às nossas necessidades atuais? Porque perder tempo tentando vender tais objetos, quando o valor que podemos extrair deles é menor do que o custo em tempo necessário para compensar esta tentativa de venda? Existe alguém que poderia se beneficiar de uma doação, com esta doação tomando menos tempo do que levaríamos tentando vender? Claro que aqui não estou falando do iPad, que serviu a uma função e períodos específicos, mas ainda possui um alto valor de mercado que compense o tempo tentando vendê-lo.

O mais engraçado é que pensar este tipo de assunto, pensando agora no assunto, me leva a pensar que o problema de tanto acúmulo pode não ser o apego a estes objetos ou a vontade de recuperar pelo menos parte do que custaram originalmente. O problema pode estar mais profundo, escondido dentro de nós.

Por quê, em primeira instância, compramos tais objetos? Realmente precisávamos deles ou foi uma aquisição levada por simples consumismo ou vaidade? Ficando ainda no exemplo do computador velho, será que ele não atende mesmo as necessidades atuais, ou será que criamos novas necessidades para justificar a troca do computador que já possuímos? Estou escrevendo este texto originalmente em um caderno, com uma caneta! Preciso de um computador de última geração para transpor tais linhas rabiscadas para um site na internet?

E assim vai a mente, encadeando questionamentos existenciais em uma manhã de sábado que começou mais cedo que deveria. O motivo? Comi demais na noite anterior (jantar maravilhoso preparado pelo Tiago). Li há algum tempo que não devemos reclamar de ter comido demais. Perdi o link para a referência original a esta idéia. E antes que continue aqui, encadeando uma terceira linha de idéias, concluo com duas perguntas:

Em quê as propriedades digitais são diferentes dos objetos físicos, para abandonarmos com mais facilidade os primeiros? Bônus se você consegue se desapegar de objetos físicos e puder pôr em palavras o processo mental que lhe dá tal liberdade.

Porquê adquirimos tantas coisas que sabemos que não terão mais que um uso eventual e muito limitado? Como evitar a criação de “necessidades” de tais aquisições?

Já tenho meus rabiscos de resposta para ambas as perguntas, mas vou esperar pelos comentários antes de formular melhor tais idéias.

Por que vou vender meu iPad?

Enquanto estava morando nos Estados Unidos ao longo dos últimos meses, me deparei com um texto muito interessante do Peter Bregman em que ele explicava por que tinha devolvido o iPad pouco mais de uma semana depois de o ter comprado. O texto dele, em inglês, pode ser lido em “Por que devolvi meu iPad“.

A seguir descrevo meus motivos para pensar em vender o iPad. Muitos, são exatamente os mesmos que o Peter cita no texto dele, então se você leu o texto original, não estranhe as semelhanças. Sobre a originalidade das idéias, o texto do Peter é de junho deste ano, e eu já havia discutido este assunto com um amigo ainda em dezembro do ano passado, quando efetivamente vendi meu iPad original. O iPad que vou vender agora é um iPad 2, comprado para uso exclusivo enquanto morava nos Estados Unidos e precisava de uma conexão 3G sem plano de dois anos.

O principal motivo que me leva a pensar em vender o iPad 2 e em ter efetivamente vendido o iPad original que possuía não é um problema específico do equipamento. O principal problema é comigo. Eu carrego o iPad para tudo que é lugar. Faço isso dentro de casa e praticamente sempre que saio e imagino que possa haver algum motivo para usa-lo. Ele é pequeno, fino e leve, se estou com uma bolsa ou mochila para levar outras coisas que precise quando saio, ele está lá também.

Eu leio e respondo meus emails. Mesmo o teclado virtual na tela é bom o bastante para responder emails não tão longos. Eu escrevo alguns artigos diretamente nele, entre escrever no iPad e escrever no iPhone, não há comparação. As vezes penso em escrever apenas uma idéia, mas os pensamentos vão fluindo e quando vejo tenho um texto inteiro praticamente pronto. Eu leio as notícias, eu leio sites e blogs, eu tuito e acompanho o que meus amigos fazem no Facebook. E eu mostro o iPad para todo mundo que demonstre interesse. Mostro com orgulho, como se possuí-lo me colocasse em um time de vencedores. Não sei porque. Não o criei, apenas sou mais um dos milhões de usuários.

O problema do iPad é que ele é simplesmente muito bom. Ele é fácil, acessível. Muito fácil e muito acessível. Quando acordo, vou para a sala, sento na minha poltrona confortável e fico recebendo os raios de sol da manhã, para acordar bem. Enquanto isso, vejo as primeiras notícias do dia, o que aconteceu no twitter durante a noite, as últimas atualizações dos meus amigos no Facebook, suas fotos, o que leram e indicaram a leitura, centenas de novos artigos nos blogs que acompanho os RSS, meus emails (só leitura, para responder depois). E quando vejo, são 11h da manhã e ainda não fiz nada de produtivo, apenas li, reli, bisbilhotei, mas não escrevi, não respondi emails, não produzi.

Quando penso em fazer algo mais produtivo, sempre tem alguma coisa nova aparecendo em um dos diversos aplicativos do iPad. E quando não tem nada em nenhum deles, tem o processo de carregar cada um novamente, em rotação, para ver se alguma novidade surge de repente. E tem os vídeos, não vamos esquecer dos vídeos. Sejam os que coloquei no iPad para ver depois (e olha a oportunidade justamente neste momento), seja através do Youtube.

E o problema não termina na manhã. Alguma hora eu largo o iPad e o dia passa a ser produtivo. Quando entro neste fluxo de produção, é uma tarefa atrás da outra. Quando saio de casa e estou errante, emails são respondidos na fila do banco, cotações são verificadas enquanto aguardo minha consulta no oculista, um audiolivro é escutado ou alguns capítulos de um livro lidos enquanto tomo um café na padaria próxima do escritório. À noite, sempre dá para mais uma espiadinha no twitter antes de dormir, ou assistir um episódio de algum seriado já na cama. E quando vejo, lá se vão 2h da madrugada. Depois de algumas horas, estou entretido e cansado, mas estou melhor? Não seria melhor dormir sete horas em vez de cinco?

O fantástico do iPad é que ele é um dispositivo para toda hora, todo lugar. No ônibus, aguardando o elevador, no carro quando não estamos dirigindo ou aguardando o sinal abrir. Todo momento é uma oportunidade de usar o iPad. O iPhone pode fazer mais ou menos o mesmo, mas quem deseja assistir um filme na cama na telinha de um iPhone?

Então porque isto é um problema? Parece que sou superprodutivo. Cada minuto extra estou ou produzindo, ou consumindo informações. E aqui entra a parte que o Peter trouxe a tona em seu artigo e que não tinha me dado conta antes. Há uma coisa muito importante que estava perdendo com o uso do iPad. Algo crítico e valiosíssimo.

Tédio.

Daqui em diante, basicamente traduzo o texto do Peter Bregman, apesar de só traduzir o que funciona da mesma maneira para mim, usando meus exemplos pessoais.

Ficar entediado é algo precioso, um estado mental que devemos perseguir. Uma vez que estejamos entediados, nossa mente começa a viajar, procurando por algo excitante, algo interessante para focar. E é aí que a criatividade aparece. Minhas melhores idéias vem quando estou sem fazer nada. Quando estou caminhando pela rua, mas não estou ouvindo música no meu iPod. Quando estou esperando por alguém. Quando estou deitado na cama aguardando o sono chegar. Estes momentos “perdidos”, momentos sem nada específico sendo feito, são vitais.

Eles são os momentos em que nós, inconscientemente, organizamos nossas mentes, fazemos sentido de nossas vidas e conectamos os pontos. Estes são os momentos em que falamos com nós mesmos. E nos escutamos.

Perder estes momentos, substituí-los por tarefas e eficiência, é um erro. O pior é que não apenas os perdemos. Nós ativamente os jogamos fora.

“Este não é um problema do iPad”, os amigos dizem. “É um problema contigo. Simplesmente não o use tanto.”

É isso. O problema é comigo mesmo. Eu não consigo não usá-lo se ele está alí, disponível. E infelizmente, ele está sempre ali. Então eu o vendo. Problema resolvido.

O bom de ter passado por isso é que o iPad me ensinou o valor do tédio. Claro que já tinha lido isso e me identificado com muitas das idéias do livro “O Ócio Criativo”, do Domenico de Masi. Por mais que a leitura tenha sido boa, a experiência prática sempre nos marca mais forte. E agora estou mais consciente em usar estes momentos extras, o tempo entre as coisas, o tempo da caminhada, do ônibus e da espera, para deixar minha mente viajar. Viajar e criar.

Programa A Classe Alta – Última Turma!

Seguinte, vou ser rápido e direto, porque acabo de chegar de uma viagem/sabático de três meses nos USA e vendi meu apartamento no dia seguinte à chegada, então já viram como estão corridos os meus próximos dias.

O programa A Classe Alta é um misto de livro, coaching, grupo de MasterMind, conjunto de materiais de bônus e muito mais, organizados, mantidos e constantemente complementados pelo Seiiti Arata, um cara incrível e totalmente focado no atendimento dos participantes.

Em breve será aberta a última turma do programa, que certamente fechará logo no primeiro dia, como aconteceu nas últimas edições. Então não perca tempo, clique agora mesmo no link de apresentação e deixe seu nome na lista VIP que será avisada com antecedência. Olhe o que os outros falam, é bom mesmo. Depois, não quero ouvir chororô de que a vida está difícil, que não ganham o suficiente, que o que ganham não sobra nada para investir…

Mais uma vez, segue o link: Programa A Classe Alta – Última Turma!
Estão avisados. Abraço e sucesso.

Oportunidades de investimento nos EUA

Este texto surgiu da resposta a uma leitora do site que perguntava se eu poderia aproveitar que estou vivendo uma temporada aqui nos Estados Unidos para escrever sobre oportunidades de investimento por aqui. Abaixo, segue minha resposta, que espero possa ajudar mais pessoas a tomar suas decisões de investimento com um pouco mais de consciência da situação do planeta.

Os Estados Unidos estão quebrados. É uma coisa engraçada falar isso enquanto estamos aqui e vemos o dia a dia deles, pois há muitas coisas que foram conquistadas pela sociedade aqui, em termos de consumo e conforto pessoal, que aparentemente parece que está tudo bem. Por exemplo, agora há pouco vimos uma das arrumadeiras do hotel em que estamos saindo daqui, em um carro grande e relativamente novo. Um carro que no Brasil, é carro de empresário, de quem está realmente bem de vida, mas aqui, com dois anos, um carro destes é realmente muito barato e qualquer pessoa com um emprego estável tem condições de comprar. Mesmo porque, os financiamentos são inúmeros e as taxas de juro próximas de zero. A mentalidade aqui é “a prestação cabe no bolso, vamos comprar”. O conceito de crédito é rei aqui. Ninguém precisa ter dinheiro para adquirir os confortos da vida, precisa ter crédito. E depois vemos uma minoria lendo Pai Rico, Pai Pobre para tentar sair da corrida dos ratos em que se meteram com tantas contas comendo tudo o que ganham.

Então não podemos deixar nossos olhos nos enganar com coisas materiais que são diferentes do que estamos acostumados, temos que olhar mais profundamente.

Oportunidades, há inúmeras em todo o lugar. Se vão vingar, só com bola de cristal. Hoje em dia, por exemplo, se compram mansões em Las Vegas por oito vezes menos do que custavam há apenas três anos. Mansões que no Brasil custariam mais de 10 milhões de reais, aqui se encontram por US$ 500.000. Mas será que valorizarão novamente? Será que o país sairá do buraco em que se meteu com a crise fiscal que gerou nos últimos 10 anos?

E aí vemos o Brasil, o último a sofrer com a tal crise em 2008 e o primeiro a se recuperar. Um lugar onde temos não apenas o conhecimento de como as coisas funcionam, mas onde temos um dos melhores climas e terras do planeta, sem terremotos, sem tsunamis, sem furações, sem vulcões. Porque perder tempo investindo onde tudo o que havia para ser feito já está pronto, quando podemos investir em nosso próprio país, onde tudo ainda está para ser construído, gerando infinitas possibilidades? Aqui nos EUA já estão de pé todas as escolas, todos os hospitais, todas as estradas. O trabalho aqui é só de manutenção. No Brasil, tudo está para construir, tudo está por fazer, oportunidade assim só aparece durante uma ou duas gerações, quem aproveitar aproveitou, quem deixar passar ficará para trás. O Eike Batista está fazendo a parte dele. E cada um de nós, o que está fazendo?

E mais, estudando a história da construção das nações e adaptando para a realidade atual, temos ferramentas incríveis para aproveitar muito melhor as oportunidades. A maioria não estuda, a maioria não pesquisa, a maioria não tem cultura global, não conhece o que acontece intimamente nos outros países e continentes. Quem tem estas vivências e informações pode muito mais, simplesmente porque possui melhores condições de analisar a situação e comparar com o que já experimentou fora do país. Usar estas informações é uma alavanca que tão pouca gente possui, que pode nos dar um vantagem desproporcional em termos de escolha.

Basta agora fazer as escolhas acertadas 🙂

Eu, por exemplo, pretendo iniciar um negócio onde americanos invistam seus dólares no Brasil, investindo em imóveis. As vantagens para eles? Não apenas o lucro muito maior possível nos negócios em nosso país, mas também os juros muito mais atrativos para o capital enquanto não utilizado diretamente nas construções. Sem esquecer a vantagem cambial, com a moeda deles valendo cada vez menos frente ao real.

Sobre esta última vantagem, disse isso aos amigos que estavam no Japão, guardando suas economias em dólar… Falei para transformarem tudo em real de uma vez, que ainda ficaria pior. De 1,80 já estamos em menos de 1,60 na cotação, e continua baixando. Isto apenas de fevereiro para cá. Se pegarmos a cotação dos últimos dois anos, a coisa é ainda pior. Mas o pessoal se apega naquela esperança em vão de que as coisas vão voltar ao que eram… Não voltam, o mundo é cíclico, e os ciclos são mais longos do que a média das pessoas tem paciência para esperar.

E aí temos um post. Estava escrevendo isso como comentário para a questão de uma leitora do site, mas a coisa foi ficando cada vez maior e então resolvi compartilhar esta resposta com todos.

O que você está fazendo para aproveitar a onde de crescimento em nosso país nos últimos anos? Como você está se preparando para aproveitar as oportunidades que ainda surgirão? Você já domina uma segunda ou terceira língua, ao menos para compreender textos escritos na mesma e buscar as informações diretamente nas fontes, ou tem que esperar alguém traduzir e mastigar tudo na sua língua pátria? Lembre-se que quando a informação chega traduzida, já é informação velha. No mundo dinâmico de hoje, consumir tradução só te ajuda a manter a cabeça fora d’água, mas não é suficiente para conseguir nadar longe dos tubarões.

A disponibilidade é uma moeda que paga excelentes dividendos

Ontem, enquanto passeava pelo El Camino Real aqui em Mountain View, cruzei com a Lamborghini aí da foto. Gosto de carros esportivos e quando tenho a chance, gosto de fotografá-los. Esta foto só foi possível porque estava com minha máquina fotográfica, claro, mas o que as pessoas que veem esta foto não sabem é da conversa que aconteceu um pouco antes de sairmos (minha esposa e eu):

– Para que a máquina? Só vamos caminhar até o mercado – Pergunta minha esposa.
– Nunca se sabe que oportunidades surgirão. E quero brincar com minha lente nova – respondi.

Conscientemente escolhi carregar um peso aparentemente desnecessário para ir até o supermercado, pois queria ter a disponibilidade da máquina para qualquer oportunidade fotográfica. Tirei outras fotos no passeio, de um fusca conversível amarelo e de outras coisinhas quaisquer, mas o importante é que não levei simplesmente a máquina para passear pendurada a tiracolo (nota *1), levei a máquina sem a tampa da lente, ligada, pronta para fotografar sem perda de tempo. Ela estava completamente disponível para a função.

Sobre disponibilidade ainda, depois de fotografar a Lamborghini me dei por satisfeito com o passeio da tarde. Desliguei a máquina, virei o para-sol para dentro, coloquei a tampa na lente. Uma quadra depois vemos quatro carros de polícia trancando a rua, vários policiais, um carro batido sendo guinchado, o primeiro acidente que vimos na região, porque do jeito que as pessoas andam aqui, não sei como acidentes ainda podem acontecer. O fato é que acontecem, e como não estava com a máquina tão disponível quanto antes, você vai ter que ficar apenas com minha descrição da cena, já que não a fotografei 🙂

Está sem vontade de sair?

Voltando um pouco ao tópico do meu artigo anterior, Como arranjar um bom marido, para a vida social vale a mesma regra. Você só terá a chance de encontrar uma pessoa legal para compartilhar a vida, se estiver disponível nos locais onde tenha maiores chances de cruzar com pessoas legais. Ficar em casa não fará um Príncipe Encantado se materializar no meio da sua sala. Então, mãos à obra, disponibilize-se.

E nos negócios e empreendedorismo?

Tem aquele ditado que diz: “Quem trabalha muito não tem tempo para ganhar dinheiro”. Acredito nisso. Trabalhar é importante, mas a escolha das atividades realizadas pode ser ainda mais importante no seu crescimento profissional. Fazer hora extra no serviço para dar conta de tarefas atrasadas, ou participar daquele evento onde você poderá fechar um excelente negócio, ou conhecer um futuro parceiro comercial? Se você não estiver disponível para atividades que o coloquem em contato com coisas diferentes do que seu dia a dia, como poderá mudar sua situação atual? Supondo, claro, que você deseje crescer na vida, não ficando somente no degrau em que já se encontra.

Quando receber aquele convite para um café, disponibilize-se. Vá, ouça, palpite, troque idéias. Eu recebo uma série de convites deste tipo, muitas vezes de jovens empreendedores que ficam admirados que eu, do alto da posição em que eles próprios me colocam, esteja disponível para um papo informal com “um guri que não tem nada para oferecer em troca”. Foi em um papo destes que conheci muitas pessoas interessantes, hoje amigos e parceiros de negócios.

Então deixo a questão: você está se tornando disponível, com regularidade e constância, para as coisas boas que podem acontecer em sua vida? Ou está em casa ou no trabalho, simplesmente afundado na rotina ou na preguiça? Aguardo seus comentários aqui no site.

Notas:

*1. Comprei uma faixa Black Rapid, fantástica para carregar uma máquina fotográfica grande com conforto e mantê-la sempre pronta para levantar e fotografar. A minha é a RS-4, mais simples, pois não tinha a RS-7 indicada a seguir quando a comprei. Todas são igualmente ótimas. Compre a sua na Amazon: Black Rapid Strap RS7 Black Fabric, Curved Ergonomic, with ConnectR-2 and FastenR-3

Como arranjar um bom marido

Não é para ser convencido, mas quando minha esposa conta algumas coisas da vida de casada para as amigas ainda solteiras, muitas vezes vem aquele suspiro de “como eu queria alguém assim, mas está tão difícil achar um homem legal para constituir família”. Como escrevi, não é para ser convencido, mas é que realmente o mundo de hoje está carente de bons machos. Já há muito mais mulheres do que homens, e alguns ainda escolhem jogar no time contrário… Como já estou fora do mercado, vou dar algumas dicas para facilitar a vida da mulher em busca de um marido.

Já passei estas dicas para várias amigas, minhas e da minha esposa. Então hoje, quando tentava escrever sobre este assunto no Twitter, resolvi que era hora de escrever o artigo definitivo sobre como arranjar um marido decente. Porque vamos falar sério, no mundo de hoje está cada vez mais difícil de conseguir achar um bom partido, aquele cara legal, divertido, inteligente, culto, trabalhador, que já tenha saído da casa dos pais, que não seja um galinhão, etc. Sei disso porque a cada dia, mais e mais amigas reclamam da falta de bons homens no mercado. E com quase todos meus amigos já devidamente fisgados, para ajudar estas amigas e todas outras mulheres em busca do amor ideal, segue a receita básica.

Como achar o homem certo.

O primeiro passo é ir ao supermercado, mais especificamente, se você é do Rio Grande do Sul ou da capital de SP, ao Zaffari. Se onde você mora não tem Zaffari, desculpa, mude para uma cidade legal antes de tentar arranjar um bom marido. Ou vá ao supermercado mais ajeitadinho da sua cidade, mas vá sabendo que não é a mesma coisa, Zaffari, é só o Zaffari. A escolha do supermercado é o primeiro filtro necessário para achar um futuro marido com todas as características desejadas. Denota bom gosto, inteligência e busca pelo melhor.

O segundo cuidado é o horário em que você vai ao supermercado. Tem que ser entre 18h30 e 20h. Fazendo isso você aumenta as chances de conhecer um rapaz trabalhador, sério, mas não bitolado, que sai do trabalho em um horário compatível com a futura vida de casado. Ao mesmo tempo, estar no supermercado neste horário garante que o pretendente futuro não é um galinhão nem botequeiro, afinal, se fosse, estaria no bar com os amigos. Evite as sextas-feiras, afinal, na véspera de fim de semana todo mundo pode dar uma folguinha no bom-mocismo.

Em terceiro lugar, defina exatamente o local onde você deve procurar seu homem no supermercado. É no setor de comida congelada. Ou nos pães e frios. O horário, o fato de estar no supermercado e de estar comprando comida, mesmo que congelada, denota que o mesmo mora sozinho, não é um daqueles bebezões que ainda moram com os pais. Nada pessoal contra quem ainda mora com os pais, mas um homem sério depois dos 25 anos já tem que saber cuidar da própria vida, principalmente se é para ser pretendente de uma amiga minha, então, está dada a dica. Se você é natureba, pode adaptar um pouco esta regra e variar entre o setor de congelados e o de frutas e verduras. Assim aumentam as chances de você encontrar um futuro pai para seus filhos que facilitará o processo de educação alimentar das crianças. E convenhamos, um homem que não come frutas e verduras ainda não está pronto para cuidar de uma família, já que nem de si mesmo está cuidando muito bem.

O cuidado com o visual, sem exageros, é um ponto a mais. Sapatos ou tênis em bom estado denotam o cuidado básico necessário. Escolha pelos pés, de acordo com seu gosto pessoal. Sapato, tênis de corrida, tênis mais discreto ou mais chamativo, All Star, sandália (existe homem que usa sandália?), chinelos ou alpargatas. A escolha do calçado define o perfil, escolha o que mais combina com o estilo de vida que você deseja. Lembre que seu futuro marido está saindo do trabalho, está vestido como passa a maior parte do dia.

Como se preparar para a caçada.

Com a primeira parte do trabalho definida, vamos à segunda parte, que é como você deve estar ao sair para seu safári. Porque não se engane, os homens que ainda estão livres no mercado são a caça, mas só se colocam na mira das caçadoras certas e mais preparadas. Um vestido, um sapatinho bonito ou uma sandália de salto não muito alto já contam bons pontos. Mostrar as pernas idem, então, nada de calças compridas. Minissaia também é bem vinda, mas vista-se de acordo com a estação, nada de apelar, que isso irá causar o resultado contrário ao esperado. Uma maquiagem leve denota cuidado pessoal. Os homens não notam estes detalhes de forma consciente, mas inconscientemente processam tudo, então maquiagem sim, mas não como fazem as atrizes mexicanas, por favor!

Claro que você pode deixar de lado tudo o que escrevi no parágrafo acima e se vestir como se veste sempre, afinal, você é o que você é, mas talvez você atraia o tipo errado de homem ideal. Depois não venha reclamar comigo. Apesar das dicas de local e horário ajudarem, nada impede que os tipos errados também estejam circulando no supermercado no mesmo momento.

Como abordar seu homem.

Pode estar certa de uma coisa. Se o cara está ali, sozinho e solteiro, com idade para casar, não é por opção na maioria das vezes. É por timidez. Se fosse um galinhão, não estaria ali, estaria no bar torpedeando para todo lado. Então, sabendo dessa timidez, cabe somente a você tomar a iniciativa. Desculpa, não disse que seria fácil, mas também não é muito difícil. Olhe para dentro do carrinho dele, escolha um ítem qualquer que esteja lá e pergunte: “Esta lasanha de quatro queijos é boa mesmo, ou esta é a primeira vez que tu compra desta marca?” A partir daí, basta estabelecer um diálogo sobre um ou outro produto extra que ele tenha no carrinho, sorrir bastante, agradecer e continuar suas compras. Dê um jeito de cruzar com ele novamente em outro corredor, passe por ele, mostre o produto que ele havia comprado, agora também no seu carrinho, sorria e não diga mais nada. Pode apostar, nesta noite ele irá sonhar com você. Agora basta repetir a dose nos dias seguintes, fazendo o mesmo com outros possíveis pretendentes, até o destino fazer você cruzar novamente com um homem com quem já havia conversado antes. Nesta hora é preciso boa memória, porque ele certamente lembrará de você e do produto que indicou a comprar. Você então diz oi, sorri, lembra da situação, ele ficará sem jeito, mas não se preocupe, é apenas a timidez, e então você fala como gostou do produto que ele havia indicado da vez anterior e pede se ele não tem nenhuma dica nova para lhe dar.

Neste segundo encontro, comente que você e uma amiga combinaram de sair uns dias depois e pergunte se ele não tem um amigo que quisesse ir também. Pode ser uma peça de teatro, um filme no cinema, um chopp ou uma pizza, não interessa, faça o convite, afinal, vocês já se conhecem de outro encontro no supermercado! Não dê tempo para ele pensar, abra sua bolsa, pegue um papel e anote seu nome e telefone (porque até então, ele nem sabia seu nome). Pergunte o nome dele e aguarde o telefone, que certamente virá. Como bônus, talvez você resolva também a procura de outra amiga.

E assim acabo, com a sensação de dever cumprido, sabendo que com este pequeno texto estarei ajudando homens e mulheres a formarem lindos casais e viverem felizes para sempre. Sejam muito felizes e povoem o mundo de crianças alegres.

Atualização: parece que este texto está ficando famoso. Poucas horas depois de o ter publicado, já é o texto mais acessado do site. Deixa então eu aproveitar os minutos de fama e fazer uma propagandinha no final…

Meninas, caso as dicas acima não funcionem e você não encontre um príncipe encantado que já possua o próprio castelo, vale a pena conhecer a Megacombo e já planejar a compra da sua casa própria. O mesmo vale para as que já encontraram seu príncipe, mas ambos ainda não tenham construído seu castelo.

E se você é um cara legal, que leu estas dicas só por curiosidade, e ainda não encontrou seu par perfeito, vai uma dica: ter sua própria casa ajuda bastante a mostrar que você é responsável e pensa no futuro da família.

Quando você irá se aposentar?

Estava descansando hoje a tarde… Mentira, estava DORMINDO hoje a tarde, depois de ter acordado cedo para ir visitar Alcatraz (e não ter visitado, pois não tem visitas este mês) e voltado para casa depois do almoço, quando, naqueles minutos entre o despertar e o levantar da cama, fiquei pensando na situação de um amigo e em algumas perguntas que gostaria de fazer a ele. Ainda deitado, pensei que estas perguntas, feitas de maneira mais genérica, poderiam render um texto interessante para os leitores do Moeda Corrente. Então levantei da cama, porque sábado, assim como qualquer outro dia na vida de um empreendedor é dia de trabalhar, e aqui estou com a primeira pergunta:

Quando você irá se aposentar?

Pensei em fazer especificamente esta pergunta, porque este amigo tem vontade de ser empreendedor, em ter um negócio próprio, em montar uma empresa, mas a impressão que tenho sobre isso é de que na verdade o que ele procura é apenas um atalho para “como conseguir ganhar dinheiro suficiente para me aposentar e poder realmente fazer o que desejo”.

Entre dizer que deseja algo e realmente dar os passos necessários para atingir este objetivo, há uma grande diferença. No caso específico deste amigo, falo da “vontade” de ter um negócio próprio. O que vejo de fora nesta situação, com os olhos da experiência de quem já fez o que é necessário para viver de suas próprias habilidades empreendedoras, é uma certa romantização do empreendedorismo, da mesma forma que aspirantes a escritor romantizam como seria a vida e o dia a dia dos grandes escritores. A realidade normalmente é bem diferente do que imaginamos 🙂

E na questão prática, na realidade de empreender pode haver muito que talvez tenhamos que abrir mão, como certos confortos materiais, certos hábitos estabelecidos ao longo dos anos, certas garantias e seguranças já conquistadas. Por exemplo, um funcionário público com garantia vitalícia de emprego abriria mão disso para ter tempo para montar seu próprio negócio, com todos os riscos de não dar certo? Ou o funcionário estável em uma grande empresa, com a carreira em construção, abriria mão de sua trajetória profissional já traçada para realizar o sonho de viver de música?

Eu sonho em ter meu próprio negócio, mas não posso largar meu emprego para perseguir este objetivo, porque senão, não teria como manter o padrão de vida que já estou acostumado, teria que morar em uma casa menor, viajar menos, talvez vender o carro…

— Discurso de um “funcionário”.

Esta pergunta, “quando você irá se aposentar?”, juntamente com a explicação que a segue, visa sacudir um pouco a mente, fazer pensar “vem cá, é isto mesmo que você deseja? Porque se é, você precisa dar os passos necessários. E se não é, tem que parar de perder tempo pensando neste assunto! Ou c*** ou desocupa a moita!”

Porque sempre há os paliativos, aquilo que fazemos para aplacar a ânsia que nos consome. Você sonha em viver de música, mas como não acha que isso seja realista, então monta uma bandinha para tocar para os amigos nos fins de semana. Para cada paixão que poderia ser uma carreira, existe um paliativo que pode nos manter na vidinha chata que estamos acostumados em prol de “uma profissão estável e que pague as contas”. Então, se você não vai dar o passo necessário para conquistar o que realmente deseja para sua vida, assuma isso de vez, arranje um paliativo que lhe traga alguma alegria na rotina diária e viva o resto da sua vida neste equilíbrio entre trabalho chato e um pouquinho de prazer de vez em quando. Afinal, somente você é responsável por suas escolhas e suas consequências.

Quando você irá se aposentar: receita básica.

1. Defina quanto você precisa para se aposentar. Por exemplo, 2 milhões de dólares.

2. Verifique o quanto você já tem de patrimônio investido. Sua casa e seu carro não entram nesta conta, a não ser que sua “aposentadoria” envolva vendê-los. Vai que você deseje passar o resto de seus dias na beira da praia, acordando cedo para pescar, surfar, tomar um sol… Ou talvez você sonhe em viver em um sítio, com plantas e bichos ao seu redor… Ou ainda, sonhe em viver viajando, morando em hotéis ao redor do mundo. O sonho é seu, verifique seu patrimônio atual de acordo com seus objetivos.

3. Determine a quantia mensal que você dedica à sua pilha de investimentos.

4. Analise o seu histórico pessoal de resultados, seus investimentos nos últimos dois ou três anos, e determine realisticamente o quanto você consegue fazer seu patrimônio render com seus investimentos.

5. Coloque tudo em uma planilha, e, com o que você já tem, com o que você consegue investir mensalmente e com o quanto você consegue fazer esse patrimônio render, calcule o tempo que irá levar para você atingir o valor definido como “patrimônio de aposentadoria” no item 1 desta lista. Aproveite este momento para reavaliar este valor, baseado no seu custo de vida e no quanto você consegue fazer seu patrimônio crescer de forma automática, para que você possa manter o patrimônio com o poder de compra acima da inflação enquanto gasta parte dos rendimentos para viver.

Fazendo isso, temos um fantástico exercício para mostrar que somente investindo “o que sobra”, você provavelmente não vai se aposentar muito cedo. E levando em conta que sem estar no topo de uma montanha procurando uma mina de prata, ou cavando o chão tentando achar petróleo você provavelmente também não ganhará na loteria ou terá dinheiro caindo do céu direto em seu bolso, lanço então a seguinte pergunta:

Você quer realmente enriquecer e atingir a independência financeira? Está disposto a abrir mão do conforto atual em busca deste objetivo?

O problema que vejo com a maioria das pessoas que dizem desejar enriquecer, é que falam isso meio que da boca para fora, sem realmente parar para pensar o que é necessário fazer para realmente conseguir este objetivo. São pessoas que veem outras que já chegaram lá, que já conquistaram sua própria independência financeira, e tentam imitar o pouco que conseguem ver, sem se interessar pela história por trás das aparências, sem perguntar como foi que conseguiram chegar lá, quando isto custou em tempo e trabalho duro. São pessoas que descobrem que determinada pessoa formou sua fortuna investindo em ações, e começam a investir em ações elas mesmas, sem ao menos se perguntar que estratégia de investimento seu “guru” usou para chegar lá, o quanto estudou para atingir certa competência nos resultados, ou com que golpe de sorte eventualmente contou para obter resultados fora da média das outras pessoas. Sim, existem casos de gente que recebe a sorte grande, para quem dinheiro cai do céu, mas a grande maioria dos milionários que não estão nos jornais se fez por conta própria, ao custo de muito trabalho e dedicação, normalmente, buscando ardentemente conquistar não o dinheiro propriamente dito, mas alguma coisa que para si era mais importante que uma vida simplesmente confortável.

Neste grupo estão artistas que contra todas as probabilidades, decidiram viver de música, mesmo que nos primeiros dez ou quinze anos da “carreira” tivessem que trabalhar como garçons para ganhar um dinheiro extra para pagar as contas. São empreendedores que em busca da construção de seu negócio próprio eventualmente passaram alguns anos sem tirar férias, sem feriados e sem fins de semana, sem horários fixos de trabalho, este último, no sentido de que não tinham hora para sair, porque para chegar, sempre foram os primeiros. Depois que atingem o sucesso financeiro, depois que podem relaxar um pouco e viver do que construíram, a maioria das pessoas só enxerga isso, o resultado, sem sequer fazer idéia do que custou chegar lá.

Como conseguir enxergar a realidade?

O primeiro passo para tentar enxergar a realidade, é se dar conta da existência dela. Depois disso, o que temos que fazer é simplesmente buscar a maior quantidade de exemplos possíveis, absorvendo-os um a um, de maneira a construir as relações mentais necessárias para que então possamos nós mesmos, começar a desenhar nosso próprio caminho.

Uma forma de fazer isso é através das biografias de pessoas que já conquistaram o que buscamos para nós. Por exemplo, para quem deseja se tornar escritor, aconselho fortemente ler o livro “On Writing” do Stephen King, assim como “Zen in the Art of Writing”, do Ray Bradbury, e ainda “Bird by Bird” da Anne Lamott. Para quem deseja ser empreendedor, um bom livro é “Sete Homens e os Impérios que Construiram”. Ou os livros do Richard Branson. Ou os do Donald Trump. Biografias contam não apenas o sucesso final, mas o caminho percorrido. São uma excelente fonte de informação para sabermos o que nos espera pela frente e não ficarmos sentados sonhando em obter os louros sem antes entregar o suor necessário.

Deixo então a pergunta final, não de quando você irá se aposentar, mas sim do que você deseja para sua vida? E o que você está fazendo por você mesmo para chegar lá? Vou adorar saber sobre seus sonhos e seus passos para a realização dos mesmos nos comentários.

Osama, Obama, fatos, tragédias e suas relações conosco e com nosso dinheiro

No dia 11 de setembro de 2001, quando as torres gêmeas vieram ao chão, aprendi algumas coisas importantes sobre como funciono sob stress emocional.

2001

O que estava acontecendo era demais para eu conseguir entender. Entendia os fatos em sí, mas a brutalidade, a proporção, a execução, tudo isso fez com que meu cérebro desligasse qualquer processamento lógico. Era apenas emoção, tentando aceitar o que tinha acontecido. Alguns meses antes estava planejando ir aos EUA. Ficaria na casa de um amigo que morava perto de Nova Iorque. Quando cairam as torres, tentei contato com ele e só consegui muitas horas depois. Ele então me disse que estava a trabalho na segunda torre, no quarto andar, enquanto caía a primeira torre. Se tivesse viajado para os Estados Unidos, teria aproveitado a oportunidade de ir junto com ele ao World Trade Center, mas como não estaria trabalhando, certamente iria ver a vista no topo do prédio. Sem chances de chegar ao solo a tempo.

Uns meses antes, a empresa onde trabalhava, uma startup de internet que recebia investimentos vindos dos EUA, sofreu com o estouro da bolha de internet e ficou sem recursos para continuar. Estava há seis meses sem receber e, com minhas reservas acabando, achei mais prudente cancelar a viagem. Alguns dizem que foi sorte. Outros chamam de providência divina. Eu apenas digo que:

Quando nos acontecem coisas ruins, geralmente há algo bom relacionado. Pode ser uma “sorte”, ou pode ser uma chance de aprender algo. Normalmente não temos ainda a capacidade de compreender as implicações disso, mas aprendi a aceitar as pequenas tragédias diárias e a tentar sempre buscar algum aprendizado delas.

Escapei da tragédia. Meu dinheiro, não.

Naquela época todo meu patrimônio estava investido em ações. Havia multiplicado meu dinheiro em poucos anos. Com um investimento inicial de R$ 3000, fiz o mesmo crescer para R$ 15.800 em apenas dois anos na bolsa de valores. Estava com ações em carteira que sabia serem bastante voláteis na época, mas não ficaria com elas muito tempo então não havia motivos para preocupação. A não ser, claro, se destruíssem a confiança do planeta de um dia para o outro.

Minhas ações despencaram de R$ 15.800 para apenas R$ 700 (não esqueci um zero, são setecentos reais mesmo). Só notei isso três dias depois, quando saí do estado de choque em que estava com a tragédia e lembrei: “minhas ações!”

Nada que possuímos é concreto. Tudo pode mudar de uma hora para outra. O mundo tem tantas variáveis em jogo que é impossível termos o controle de tudo. É impossível termos controle.

2011

Em 2010 visitei aquele amigo que citei na história anterior. Desta vez na Califórnia, do outro lado dos EUA. Fiquei pouco tempo no Silicon Valley, mas o suficiente para reacender a chama do que um dia havia sido meu sonho de nerd adolescente, morar no vale do silício, berço das empresas de tecnologia. Em março deste ano estava prestes a me mudar para lá para uma temporada de seis meses, uma espécie de mini-sabático, já que continuaria a tocar meus negócios de investimento em imóveis e consórcios imobiliários através da internet.

Poucas semanas antes da viagem recebo um convite irrecusável, com uma proposta de viagem ao Japão para duas semanas divulgando o investimento em consórcios e o investimento em imóveis para um grupo de 350 famílias de brasileiros que moram e trabalham lá. Prorrogo a viagem aos EUA por 12 dias e arrumo as malas para o Japão. Tudo corre bem nesta viagem, mas fico chateado de não ter conseguido ficar alguns dias a mais para aproveitar o lançamento de dois produtos eletrônicos que estava aguardando, uma máquina fotográfica Fuji X100 e o iPad 2.

Voltando do Japão, faço escala em Nova Iorque um dia antes do lançamento do iPad 2. UM DIA!!! Chego no Brasil e ao ligar meu celular, ainda em São Paulo, começo a receber mensagens perguntando se já havia voltado, se estava tudo bem porque a família estava preocupada… Entro no twitter e vejo do que estão falando. Saí do Japão exatamente um dia antes dos terremotos e tsunamis. Sem máquina fotográfica, sem iPad 2, mas com vida.

Osama, Obama e o nosso dinheiro.

Há coisas sobre as quais não temos controle, mas nem por isso devemos desligar o cérebro, deixar de planejar e deixar a vida simplesmente nos levar. Sim, as vezes não há o que fazer, é mais forte do que nós, como foi o estado de choque que fiquei com a queda das torres gêmeas. Porém outras vezes, simplesmente não nos damos conta das implicações de certos fatos, não por conta de algum bloqueio, mas porque apenas não paramos tempo suficiente para pensar. Tudo é tão corrido em nosso dia a dia, que acabamos não dedicando tempo para digerir as notícias do dia. Apenas as recebemos de maneira automatizada, sem realmente as processar. Em relação às notícias desta semana, você já pensou nas implicações que esta notícia tem para o mercado, para o ânimo dos americanos, para a percepção mundial sobre os Estados Unidos? Já pensou que implicações a morte do Osama traz para seu dinheiro e seus investimentos?

Não tenho bola de cristal, mas tenho algumas opiniões sobre o futuro da bolsa de valores no Brasil. Você investe em ações? Eu acho que nossa bolsa vai cair nos próximos meses. Tenho uma teoria sobre este assunto. Com o aumento da confiança na economia americana e as melhoras dos fundamentos atreladas a isso, muito dinheiro que hoje está em países emergentes, leia-se, Brasil, irá voltar aos EUA, derrubando com isso o mercado altamente inflado que vinhamos tendo nos últimos anos. Acho que a morte do Osama irá causar na população norte-americana uma reação do tipo “nós conseguimos realizar tudo o que nos propomos”. Na minha opinião, correções fortes virão. E já estou me preparando para aproveitar as barganhas.

E você, o que acha? Desculpe misturar tantos assuntos em um só texto, mas você já me conhece, sabe que meu cérebro nunca fala de algo sem pensar em suas diversas interrelações. E no final das contas, quem faz as melhores relações entre fatos aparentemente desconexos, acaba agindo mais cedo e aproveitando as melhores oportunidades 🙂