Sobre a Morte

Li sobre a história de Randy Pausch no blog do Alessandro Martins. Assisti o video do Wall Street Journal sobre o assunto e depois fui assistir o video completo da palestra de Randy Pausch. Somente após isso é que fui ler os textos do Paulo Polzonoff Jr e do André.

A história do Randy foi publicada na revista Veja desta semana, a que tem o Che Guevara na capa. A reportagem da Veja está infinitamente melhor e mais completa que o vídeo do WSJ.

Me parece que algumas pessoas fazem comentários sem saber de toda história. Com isso podem ser mal interpretadas. O Paulo foi um deles, mas é desculpado pelo fato de escrever em seu texto que escrevia tendo como base apenas a reportagem do WSJ. Digo o mesmo da maioria dos comentários que li no site do Paulo. E fico um pouco triste com isso, porque com a pressa em escrever sobre algo que não absorvemos por completo, corremos o risco de perder o melhor da mensagem, a melhor experiência, a verdadeira lição. Então sugiro que você que está lendo isto aqui e compreenda suficientemente o inglês vá imediatamente assistir o video completo. São quase duas horas de palestra, mas realmente valem a pena.

Para quem continua comigo, seguem minhas pequenas considerações e resumo da palestra.

Randy Pausch é professor de computação da Universidade Carnegie Mellon. Há um ano teve diagnosticado câncer no pâncreas, um dos piores que existem. Há um mês seu estado piorou e foi-lhe dado três meses de expectativa de vida. Ele em breve deixará a esposa, três filhos pequenos e uma infinidade de amigos.

Os americanos têm o hábito de convidar pessoas bem sucedidas em seus campos a fazer palestras do tipo “o que eu gostaria de deixar para a posteridade se esta fosse minha última palestra”. No caso do Randy, provavelmente seja o caso.

A palestra gira toda sobre “Como Realizar Seus Sonhos de Criança”. Randy começa com um pouco de humor negro com algumas piadas sobre sua situação, mais ao seu estilo do que uma palestra direta e emocional. Se joga no chão, faz alguns apoios com um só braço, fala que está se sentindo ótimo e em perfeita forma física. E então parte para a palestra real.

Começa apresentando os assuntos dos quais não vai falar:

  • câncer
  • coisas mais importantes do que os sonhos de criança: sua mulher e filhos
  • Espiritualidade e Religião: sua conversão no leito de morte

Sobre esta última ele completa que realmente passou pela experiência de conversão no leito de morte: comprou um Macintosh!

Com uma pequena lista de sonhos de infância, Randy descreve um a um, como os realizou e o que aprendeu nesta caminhada para permitir que cada um de nós consigamos realizar nossos sonhos. Confesso que estou no estado mental adequado para este tipo de palestra. Estava no meio da leitura do livro Nunca Desista de Seus Sonhos, do Augusto Cury.

Seus sonhos de criança eram os seguintes:

  • Estar em gravidade zero
  • Jogar na Liga Nacional de Futebol Americano
  • Escrever um artigo na World Book Encyclopedia
  • Ser o Capitão Kirk
  • Ganhar animais de pelúcia
  • Ser um Disney Imaginner

Estar em gravidade zero

É importante ter sonhos específicos. Randy não sonhava em ser um astronauta. Ele sabia desde cedo que astronautas tinham que ter saúde perfeita e isso incluia não usar óculos. Ele não queria ser astronauta, queria estar em gravidade zero. Já como professor de computação gráfica, descobriu que a NASA tinha programa de incentivo a pesquisa científica que dava como prêmio um passeio no “avião do vômito”, um avião de treinamento de astronautas que faz vôos parabólicos, simulando gravidade zero. Seus alunos ganharam o primeiro lugar. Mas seu sonho ainda não havia sido realizado. Uma das regras do concurso era que os professores não eram permitidos de fazer o passeio. Sua primeira lição na palestra: os muros de concreto que colocam na nossa frente servem para mostrarmos o quanto realmente queremos alguma coisa. Os muros de concreto não estão lá para nos impedir de realizar nossos sonhos, estão lá para impedir os outros, os que não sonham. Lendo atentamente as regras do concurso ele achou uma brecha. Os alunos poderiam levar consigo um jornalista de alguma publicação local. No dia do passeio lá estava o Randy com dois documentos: sua demissão como professor e seu contrato de trabalho como jornalista da escola. Primeiro sonho realizado!

Jogar na Liga Nacional de Futebol Americano

Esse sonho não foi realizado. Ele treinou com um dos melhores técnicos que poderia treinar. Um técnico que treinava sem bola. Quando seus pupilos perguntaram onde estavam as bolas para eles treinarem a resposta veio com uma pergunta: quantos jogadores têmos no campo, contando os dois times? Quando os alunos responderam 22 o técnico foi direto ao ponto: então treinaremos apenas os 21 que em cada momento estão sem a bola nas mãos! Não realizou este sonho, mas aprendeu as lições que tinha a aprender. Aprendeu os fundamentos do jogo. trabalho em grupo e o poder do entusiasmo.

Escrever um artigo na World Book Encyclopedia

Em uma época em que as casas possuiam grandes enciclopédias, a World Book era o livro dos livros. Tudo podia ser encontrado lá. Todos os assuntos. Depois de se tornar uma autoridade no assunto de realidade virtual o pessoal da World Book entrou em contato e ele escreveu um artigo sobre o assunto. Termina este tópico dizendo que conhecendo o controle de qualidade de uma enciclopédia de verdade acredita que a Wikipédia é uma boa fonte de informação atualmente. Deixaram “ele” escrever um dos tópicos!

Ser o Capitão Kirk

Em algum momento você se dá conta que algumas coisas não são possíveis. Então temos que adaptar. Esse sonho foi trocado por conhecer pessoalmente o Capitão Kirk ou no caso, o ator William Shatner.

Depois do ator escrever um livro sobre a ciência da série Star Trek, falando das tecnologias que apresentavam e como algumas dessas estavam se tornando objetos reais, a equipe do Randy foi chamada para criar um mundo virtual representando o Deck de Controle da Star Trek.

É muito legal conhecer seu ídolo de infância. Mas é ainda mais legal quando seu ídolo de infância vem ao seu laboratório admirar as coisas que você faz lá.

Ganhar animais de pelúcia

Randy sempre olhava admirado as pessoas que ganhavam os grandes ursos de pelúcia nos parques de diversão. Queria ser como elas. Então mostrou uma série de fotos da família com os grandes ursos de pelúcia. Mas sabe como funcionam essas coisas de edição de imagens e manipulação digital… Então trouxe diversos dos ursos que ganhou para o palco 🙂

Ser um Disney Imaginner

Esse foi um dos sonhos mais difíceis de realizar. Um Disney Imaginner é um engenheiro da Disney. É alguém que trabalha para ajudar as pessoas a realizar seus sonhos. Pode ser um engenheiro, um desenhista, um carpinteiro, não interessa o que faça. O importante é o sentido de realização de saber que seu trabalho ajuda as pessoas a realizar seus sonhos, a se divertir.

Encurtando uma longa história, depois de muito trabalho e várias coisas que fizeram em conjunto ele finalmente foi convidado e se tornar um Disney Imaginner. E recusou!

Na verdade, deixaram a porta aberta e fizeram vários trabalhos depois disso. Ele ia para lá todas as semanas. Essa é uma das vantagens da carreira acadêmica, dá para manter o bolo e comê-lo ao mesmo tempo.

Fala um pouco então de um de seus alunos. Em 1993 contou seu sonho a Randy: trabalhar na equipe dos novos filmes da série Star Wars! Randy tentou alerta-lo: “Você sabe que esses filmes provavelmente nunca serão realizados”, ao que Tommy respondeu: “Eles serão!”

Temos que ter cuidado com nossos sonhos. Eles se realizam.

Ele então fala de seus projetos atuais em conjunto com a Eletronic Arts, fala do jogo The Sims e sua participação e fala do Projeto Alice, que é um simulador semelhante ao The Sims com o objetivo de ensinar computação e criação de roteiros para as crianças. Sugiro assistir ao vídeo, então não vou descrever os detalhes desta parte.

No final da palestra ele fala de pessoas importantes em sua vida e coisas que aprendeu com elas. Todas são interessantes, mas vou me concentrar em apenas uma delas aqui. Ele fala da importância de se preocupar mais com os outros do que consigo mesmo. Então ele estava lá, preparando sua “Última Palestra”. Então dando um exemplo prático do que quer dizer com se preocupar mais com os outros do que consigo mesmo, conta que no dia anterior era o aniversário da esposa, interrompe a palestra com a entrada de um enorme bolo de anoversário e pede para todos os presentes cantarem parabéns para ela!

Ele termina a palestra com dois “head fake”, um termo que explica uma coisa que na verdade significa outra coisa.

O primeiro “head fake” é que a palestra não é sobre como realizar seus sonhos e sim como viver sua vida. Se viver sua vida com valor, o Karma se encarregará de realizar seus sonhos.

O segundo “head fake” é que a palestra não era para o público presente. Era para seus filhos, Dylan, Logan e Chloe.

Investimento em imóveis usando consórcios.

Hoje uma leitora do Informativo Moeda Corrente me fez uma pergunta relacionada a algo que escrevi ano passado sobre investimento em ações. Ao responde-la, acabei descrevendo em detalhes meu sistema pessoal de investimento em imóveis utilizando consórcios.

Continue lendo para saber todos os detalhes.

Olá Fabrício, tudo bom?

Me lembrei de um texto que vc escreveu no Moeda Corrente, no ano passado, sobre o nível “irrealista” da Bolsa. Se não me engano vc dizia que voltaria a investir quando o Ibovespa estivesse de volta a uns 30 mil pontos. Daí a pergunta: o que vc está achando destas sucessivas quebras do record em pontos? Continua irreal?

Um abraço,
Maria Alice
(Rio de Janeiro. Já conversamos há tempos sobre Pai Rico, Pai Pobre)

…..Minha resposta foi bem mais longa. Escrevi diversos parágrafos falando das diferenças entre investir e especular, que especular pode dar muito lucro mas não é adequado ao meu perfil, que gosto de investimentos simples e automáticos, que funcionem sempre da mesma forma. Mas cortei-os aqui para manter o foco…..

E passamos para meu perfil de investimento. Quero que meu dinheiro cresça a um ritmo bom e constante. Mas não espero que ele duplique de um ano para outro. Em contrapartida, também não corro o risco de que ele diminua. Ganho com a mágica dos juros compostos, então o tempo está a meu favor. E uso estratégias criativas para fazer com que ele cresça mais rápido, porém de forma garantida.

Saindo da teoria e passando para a prática, depois de anos aperfeiçoando minha estratégia, ela atualmente é a seguinte:

1. Meu dinheiro fica aplicado em renda fixa. Tudo que ganho a mais do que o necessário para meus gastos básicos, conforto e pequenos luxos, vai atualmente para fundos de renda fixa. Meus gastos incluem viagens de férias, troca do carro e pequenos confortos como jantar fora, assistir uma peça de teatro, ir ao cinema… Não vivo apertado, mas também não exagero. Vivo bem, com conforto e alguns luxos eventuais.

2. Tenho diversas cartas de consórcio que pago com o dinheiro que está nos fundos de renda fixa. Na verdade, antes de aplicar o dinheiro que sobra no mês, uso ele para pagar esses consórcios. Se o que ganho extra no mês não é suficiente para cobrir todos os pagamentos dos consórcios, aí sim uso parte do que tenho em renda fixa. Atualmente pouco mais da metade das minhas cartas de consórcio são pagas com o dinheiro da renda fixa enquanto as restantes são pagas com o que ganho mensalmente acima do meu custo de vida.

3. Quando uma carta contempla, compro um imóvel já alugado. O aluguel deste imóvel paga a prestação da carta que o comprou. Com isso, o imóvel me custa apenas uma fração do valor real (a parte do consórcio que já estava paga). Compro sala comercial já alugada, pois os valores de aluguel são maiores, proporcionalmente ao valor do imóvel do que apartamentos pequenos. As cartas que tenho atualmente tem uma prestação equivalente a 0,86% do valor do crédito. Como os imóveis que procuro rendem por volta de 0,9% a 1,3% do valor, o aluguel ainda me rende mais dinheiro do que o custo da prestação. Esse tipo de imóvel não é tão fácil de achar, mas também não é tão difícil. O segredo está em conversar com diversos corretores até encontrar um que entenda nossos objetivos.

4. Faço uma nova carta de consórcio com o dinheiro que usava para pagar a que acaba de ser contemplada (que agora é paga pelo aluguel do imóvel que ela me permitiu comprar).

5. Volto ao passo 3.

Pode acontecer de uma sala ficar sem inquilino por um tempo, mas isso é pouco provável, porque procuro comprar salas que já estejam alugadas a um bom tempo. Salas pequenas em bairros que possuem boa procura. Caso isso aconteça, tenho uma pequena reserva em renda fixa para cobrir os custos por um tempo.

Dá para notar pela descrição acima que meu plano é extremamente simples. Chato. Automático. É impossível perder dinheiro.

Daqui a 12 anos terei pelo menos 12 imóveis quitados que me custaram no máximo 50% do valor deles. Se não usasse o consórcio, teria no máximo 6 imóveis. Mas na prática, terei bem mais que isso, porque quando contemplo uma carta e compro um imóvel, volto a fazer uma nova carta. Então acertando o cálculo, ao invés de 6 que teria sem usar os consórcios, em 12 anos terei 18 imóveis. Além disso uso outras estratégias (lance fixo, negócios em sociedade com amigos) para alavancar mais ainda isso tudo.E 12 anos passam rápido. Por exemplo, já fazem 11 anos que me formei. E parece que foi ontem.

Então dadas as explicações acima, pouco me interessa o que acontece com a Bolsa. Tenho um plano mais seguro, mais simples e que rende muito mais, de forma consistente, sem sobresaltos.

Se me perguntam o que fazer para começar, a resposta é “dar o primeiro passo”. Essa é a coisa mais importante que existe. Nada substitui a ação. As pessoas desejam muito, sonham muito, pensam muito, planejam muito, mas ajem pouco. Os passos necessários são:

  1. Conseguir separar pelo menos R$ 300 mensais para investir. (Valor da prestação de um consórcio de 35.000)
  2. Adquirir um consórcio.
  3. Ao contemplar, comprar um imóvel alugado que pague a prestação.
  4. Adquirir um novo consórcio.
  5. Voltar ao passo 3.

Dependendo da sobra mensal, dá para multiplicar a quantidade de cartas e com isso acelerar o processo. Foi o que eu fiz, começando com 4 cartas simultâneas (hoje tenho 12, comecei em 2002 com uma estratégia diferente).

Dá para implementar isso de diferentes formas. Eu só faço com consórcios da Rodobens por diversos motivos já explicados em outros artigos. E como eu explico isso tudo sem cobrar nada, uma gentileza bem vinda de quem quer ganhar dinheiro com isso é adquirir seus consórcios através da minha empresa Megacombo, que é representante dos consórcios Rodobens em Porto Alegre, mas atende em todo o Brasil, com clientes em praticamente todos os estados do país.

Outra vantagem de fazer com a Megacombo é poder contar com a minha assessoria em todas as etapas do processo, além de fazer parte de um grande grupo de investidores em imóveis. No futuro, pretendo organizar encontros em diversas cidades onde as pessoas poderão discutir novas estratégias e conhecer possíveis parceiros para grandes investimentos em grupo.

Tenho ainda duas melhorias a implementar neste plano todo, mas não vou descrevê-las aqui. Vou apenas aguçar a curiosidade dizendo que tendo um capital razoável para começar (uns 100.000 é o suficiente) dá para ganhar ainda mais, de forma bem mais rápida.

Lembre disso: tudo depende da ação.

“Água parada não move moinho.”

A decisão é sua, a informação está aqui.

Um grande abraço e bons investimentos.

Fabricio Stefani Peruzzo.

Pela metade

Poema “chupado descaradamente” do blog do Alessandro Martins, mas bom demais para não compartilhar aqui. Então aproveito o post para indicar o blog dele a todos os amantes de livros. No texto em questão ele escreve sobre as mudanças na ortografia da lingua portuguesa.

Segue o poema, extremamente relevante para nós empreendedores…

O Gato e o Pássaro

Uma aldeia ouve desolada
O canto do pássaro ferido
É o único pássaro da aldeia
E foi o único gato da aldeia
Que o devorou por metade
E o pássaro deixa de cantar
O gato deixa de ronronar
E de lamber o focinho
E a aldeia faz ao pássaro
Um funeral maravilhoso
E o gato que foi convidado
Segue atrás do pequeno caixão de palha
Onde o pássaro morto vai estendido
Levado por uma menina
Que não pára de chorar
Se soubesse que isso te deixava tão triste
Disse-lhe o gato
Tinha-o comido inteiro
E depois contava-te
Que o tinha visto partir a voar
A voar até ao fim do mundo
De onde tão longe que é
Nunca ninguém volta
Seria para ti um desgosto mais pequeno
Unicamente tristeza e saudades

Nunca se devem deixar as coisas a meio.

11 de setembro de 2001

Ontem rolou um meme sobre onde estávamos no fatídico 11 de setembro de 2001. E hoje, dia 12, eu escrevo onde estava e o que senti. Porque só hoje? Explico no texto…

Eu trabalhava para uma startup, uma empresa que seria a Nasdaq das commodities agrícolas. Um projeto bastante interessante. Neste dia, deveria estar nos Estados Unidos. Tinha programado para viajar para lá e acabei não indo porque a empresa estava há mais de 3 meses com os salários atrasados. Apesar de ter o dinheiro para ir, resolvi não arriscar as reservas sem saber o que iria acontecer nos meses seguintes. Então estava no Brasil, trabalhando. É interessante notar quando acontecem coisas ruins (não receber o salário) e quando vemos, esse fato teve como consequência algo bom para nós (não estar longe da família e perto da tragédia).

Uns dias depois, ao conseguir falar com um amigo que morava lá, ele ainda fez uma brincadeira, dizendo que estava no sétimo andar da segunda torre. Todos os outros amigos com quem ele falou sabiam que era brincadeira dele. Eu não tive essa capacidade de raciocinar. Estava ainda em choque. Achei que era verdade. E pior, se fosse verdade, não estaria aqui escrevendo essas linhas. Porque minha estada nos EUA seria na casa desse amigo. E se ele realmente estivesse na torre, no sétimo andar, fazendo um trabalho, eu certamente teria ido com ele. E estaria feliz, no topo da torre dois, minutos antes dela despencar. Passei alguns meses com isso me atormentando. Apenas alguns anos depois, quando conversavamos sobre algum outro assunto qualquer, ele me disse com todas as letras que era brincadeira. Mas ainda não sei se era mesmo ou se ele apenas quis me tranquilizar.

Quando vi na TV, não acreditei no que estava passando. Foi aquele espanto de ver algo surpreendente em um filme. Mas não era um filme, era a vida real, acontecendo a 30 quadros por segundo. Fiquei em estado de choque. Não conseguia acreditar no que estava vendo. Não sou nenhum defensor dos EUA, muito menos detrator. Mas aquilo não atingia apenas os Estados Unidos, aquilo era um crime contra a humanidade. Meses depois deu para ver que os alvos eram tudo e todos, quando houveram os ataques na Espanha e em Londres (quando minha irmã menor estava lá.

Então porque escrevo apenas hoje? Porque no dia, o choque foi tão grande, que fiquei completamente sem ação. Sabia algumas das consequências que iriam acontecer, simplesmente não conseguia pensar em nenhuma delas naquele momento. Então nas semanas seguintes, quando finalmente lembrei das minhas ações na Bolsa, fui verificar. Minhas ações valiam pouco mais de 5% do que estavam valendo uns dias antes. Pode ter sido somente azar de estar justo com as ações que mais despencaram na carteira, mas o número é esse. Um dia, 100%, no outro, 5%. Nos meses seguintes recuperei um pouco da perda, já que não vendi nada depois de ter despencado. Mesmo assim, perdi o rendimento de 5 anos em que tinha investido sistematicamente.

Por isso hoje, um dia depois, eu escrevo aqui. De luto desde ontem por todos que perderam muito mais do que simples tostões.

O poeta fala

Em homenagem a quem infelizmente não está mais conosco desde ontem…

“Acordo para a morte.
Barbeio-me,visto-me, calço-me.
É meu último dia: um
dia cortado de nenhum pressentimento.
Tudo funciona como sempre.
Saio para a rua. Vou morrer.

(…)Pela última vez miro a cidade.
Ainda posso desistir, adiar a morte,
não tomar esse carro. Não seguir para.
Posso voltar, dizer: amigos,
esqueci um papel, não há viagem,
ir ao cassino, ler um livro.

Mas tomo o carro. Indico o lugar
onde algo espera. O campo. Refletores.
Passo entre mármores, vidro, aço cromado.
Subo uma escada. Curvo-me. Penetro
no interior da morte.

A morte dispôs poltronas para o conforto
da espera. Aqui se encontram os que vão morrer e não sabem.
Jornais,café, chicletes, algodão para o ouvido,
pequenos serviços cercam de delicadeza
nossos corpos amarrados.

(…) Vivo
meu instante final e é como
se vivesse há muitos anos
antes e depois de hoje
uma contínua vida irrefreável,
onde não houvesse pausas, síncopes, sonos,
tão macia na noite é esta máquina e tão facilmente ela corta
blocos cada vez maiores de ar.

(…) Sou um corpo voante e conservo bolsos, relógios, unhas,
ligado à terra pela memória e pelo costume dos músculos,
carne em breve explodindo.

Ó brancura, serenidade sob a violência
da morte sem aviso prévio

(….) golpe vibrado no ar, lâmina de vento
no pescoço, raio
choque estrondo fulguração
rolamos pulverizados
caio verticalmente e me transformo em notícia”

(Carlos Drummond de Andrade, “Morte no Avião” – trecho)

Sem carimbos

Minha irmã enviou este texto faz alguns meses. Hoje, fazendo uma limpeza na minha Caixa de Entrada, resolvi publicar aqui.

Sem carimbos
por Rosana Hermann

Somos todos inseguros. Estamos sempre tentando provar a mesma coisa: que valemos a pena. Que somos bacanas, modernos, que demos certo na vida. Que merecemos estar aqui. Para oferecer provas a esse mundo que nos cobra diariamente, usamos de muitos artifícios como a aparência física e a cultura. Mas o conjunto de provas mais eficiente são as assinaturas que usamos.

Uma das mais famosas é o sobrenome que você usa, aquele que a empresa empresta para você. João da Microsoft, Maria da Globo, Ricardo da Vogue. Sobrenome de empresa é sempre forte. Mas passa.

Por isso as pessoas preferem sobrenomes que elas possam adquirir com seu dinheiro: as assinaturas de griffe.

Seu carro é uma assinatura. Ter uma Cayenne, uma Hilux, uma Ferrari, um Jaguar, são indicadores de triunfo.

Mas não basta ter dinheiro. É preciso ter bom gosto e bons amigos.

Bom gosto você compra com griffes para sua casa, por exemplo. Um objeto Philippe Starck, por exemplo, mesmo que seja só um espremedor de laranja, é um bom começo. Objetos de arte. Móveis assinados. Tudo conta.

E, claro, roupa, relógio, bolsa, etc. Até uma revista como a Caras dá o nome dos estilistas que assinam os vestidos de festa das celebridades.

São as assinaturas.

Lá vai você, ou eu, ou todos nós, andando com nossos logos, griffes, etiquetas. Orgulhosos, indicamos nossos prestadores de serviços carésimos para ostentar. Dentes by Dentista Fulano, cirurgias estéticas feitas por outro fulano, cabelo pelo Studio Tal, jóias de não-sei-quem.
É preciso também freqüentar. Ser convidado para festas de pessoas bem assinadas. Ser cool. Sair com pessoas descoladas. Ter o celular pessoal de gente chique. Fazer parte do mailing VIP de promoters badaladas.

É como se precisassemos de todos esses carimbos como ‘vistos’ de entrada e permanência no planeta Terra. Ou no topo da pirâmide social.

Mas quer saber? Não precisamos de nada disso.

Isso é coisa de quem acredita em criar dificuldades pra vender facilidades.

A gente não precisa de aval. Pode até comprar, gostar, curtir mas não precisa desses produtos todos.

Precisamos de muito pouco. E, considerando-se que não vamos levar nada faz mais sentido viver com pouco mesmo.

Compre pouco, use pouco, gaste pouco.

Não desperdice. Não ostente. Não tente ser mais do que você é. Não coma mais do que seu corpo precisa. Não tenha mais roupas e sapatos do que você necessita. Não colecione bobagens. Livre-se de tudo. Do peso, do medo, das marcas, das bengalas consumistas.

Não tenha medo de ficar sem. Da privação. Do nada.

Experimente ser apenas você. Sem artifícios, sem sacrifícios, sem mentiras. Nem que seja só por um dia, uma vez, só nas férias. Aos sábados.

Mas tente descobrir quem está por baixo de todos os seus planos e intenções, das suas vestes, das suas fantasias, máscaras ou armaduras.

Talvez exista alguém melhor do que você imagina. Mais doce do que você pensa.

Mais amável do que você tem sido.

Se der pra deixar o ego na segunda gaveta e sair à pé, melhor ainda.

Aprecie a paisagem.

Respire fundo.

Sorria.

Mesmo que você não esteja sendo filmado.

Estar vivo já é o sucesso.

Novo site sobre Moda e Estilo

Acabo de colocar no ar um blog chamado Marido da Estilista. Lá vou falar sobre cultura, moda, música e assuntos relacionados. O site será meu espaço criativo, mas como tudo que eu faço acaba se relacionando com negócios, provavelmente comece por lá algum empreendimento no mundo da moda.

Aguardo a sua visita.

Dia das Mães

Mãe! Qual o filho preferido?

Certa vez, perguntaram a uma mãe qual era seu filho preferido, aquele que ela mais amava.

E ela, deixando entrever um sorriso, respondeu:

“Nada é mais volúvel que um coração de mãe.

E, como mãe, lhe respondo:

Filho dileto, aquele a quem me dedico de corpo e alma, é o meu filho doente, até que sare.
O que partiu, até que volte.
O que está cansado, até que descanse.
O que está com fome, até que se alimente.
O que está com sede, até que beba.
O que está estudando, até que aprenda.
O que está nu, até que se vista.
O que não trabalha, até que se empregue.
O que namora, até que se case.
O que se casa, até que conviva.
O que tem filhos, até que os crie.
O que prometeu, até que cumpra.
O que deve, até que pague.
O que chora, até que se cale.”

E, já com o semblante bem distante daquele sorriso, completou:

” O que já me deixou, até que o reencontre.”

Pré-lançamento do livro “O Segredo”

O SegredoConfirmado o lançamento do livro: O Segredo.

Dia 20 de abril, nas livrarias de todo o Brasil ou no site do Submarino agora.

CLIQUE AQUI e seja um dos primeiros a receber esta edição do best seller que já vendeu mais de 6 milhões de cópias no mundo todo e continua na lista dos mais vendidos do New York Times.

A editora está lançando o livro no Brasil com 100 mil cópias. Impressionante, para um país em que um best seller só precisa de um décimo disso, para ganhar este nome.

É bom correr. Este livro vai desaparecer das livrarias.

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Se você ainda não assistiu ao filme, não perca esta excelente oportunidade. Saiba em primeira mão porque este livro se tornou um sucesso mundial instantâneo.

Breve resumo:

Fragmentos de um Grande Segredo foram encontrados nas tradições orais, na literatura, nas religiões e filosofias ao longo dos séculos. Pela primeira vez, todas as peças do Segredo se juntam numa revelação incrível que transformará a vida de todos que o vivenciarem.

Com ele, você aprenderá a entender o poder oculto e inexplorado que está dentro de você, trazendo alegria a cada aspecto da sua vida.

Novo Plano Rodobens. Prestação de R$ 302,45.

Hoje a Rodobens lançou um novo plano de consórcio, com várias opções de prazo de pagamento. É um consórcio feito sob medida para vários grupos de pessoas. Tem opções para quem quer pagar uma prestação baratinha, tem opção para quem quer pagar em menos tempo, tem opção para quem quer contemplar com lances menores…

Uma das opções desse novo plano é o prazo de 150 meses. Nesta opção, para uma carta de R$ 35.000, o valor da prestação é de apenas R$ 302,45. Muita gente que no passado não conseguia adquirir a casa própria, agora tem essa oportunidade. Para um crédito de R$ 100.000, por exemplo, o valor da prestação é de apenas R$ 864,15.

Há ainda o plano de 75 meses, para quem não gosta de ficar tanto tempo pagando prestações. Neste caso, a carta de R$ 35.000 tem uma prestação de apenas R$ 578,05. É menos tempo pagando, e taxa de administração menor ao mesmo tempo!

Investimento

Agora é possível investir em imóveis de forma extremamente vantajosa. O aluguel de um apartamento costuma variar de 0,8% do valor do imóvel até 1% do valor do mesmo. Com este novo plano da Rodobens é possível adquirir um imóvel e fazer com que o valor do aluguel dele pague a prestação da carta de consórcio. O imóvel, assim, acaba lhe custando apenas o valor pago até a data de contemplação.

Caso não tenha interesse, avise seus amigos que estão procurando imóvel. É uma oportunidade excelente de adquirir um consórcio com a menor prestação do mercado.

Para adquirir sua carta ligue para mim no telefone (51) 9116-1410 ou mande e-mail para fabricio(a)megacombo.com.br.

Um grande abraço e ótimas oportunidades.
Fabricio.