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Amigo Rico: Capítulo 2

Para quem pegou o bonde andando, eu explico: estou escrevendo um livro. O objetivo deste livro é ensinar um caminho simples e efetivo para qualquer pessoa alcançar a independência financeira, não importando quanto a pessoa ganha. São várias lições, explicadas no transcorrer da história. Como o objetivo é primeiramente ensinar, e só depois, transformar em livro impresso para vender, estou publicando ele para todos poderem ler imediatamente, à medida em que vai sendo escrito. Dessa forma, os leitores podem enviar sugestões e críticas que tornem o livro melhor e facilitem a compreensão dos ensinamentos.

O velho Jorge dizia: ‘olhe para o céu’!

Vivia em Porto Feliz um homem muito rico. Todos na cidade o conheciam, devido a sua grande generosidade. Muitas de suas obras eram feitas sem esperar nada em troca, apenas para ajudar os mais necessitados. Sua família era também muito feliz. O filho, estudante de administração de empresas, havia se formado há alguns anos. A esposa vivia no luxo com que sempre sonhou, coberta de jóias e roupas finas. Este homem se chamava Ricardo e tinha muitos amigos. Tantos, que na cidade o conheciam como Amigo Rico.

As pessoas da cidade achavam que ele sempre fora rico, mas essa não era a realidade. Muito jovem, chegou à capital sem nada nos bolsos. Ainda no ponto de parada dos ônibus (não havia estação rodoviária naquela época), pensava no que poderia fazer para ganhar uns trocados. Viu vários garotos da sua idade, todos com suas caixinhas de madeira sobre os ombros. Eram engraxates, coisa que ele ainda não conhecia. Em sua cidade natal a maioria das pessoas nem mesmo sabia o que eram sapatos.

Falando com os novos amigos, descobriu que havia um velho marceneiro que morava perto dali. Era conhecido nas redondezas como “o velho Jorge”, ou ainda como “o marceneiro”. Esse homem já havia feito tudo que se possa fazer com madeira. Ninguém na cidade sabia exatamente como, mas apesar de não trabalhar mais, vivia uma vida confortável, em uma bela mansão. Nos fundos desta, uma pequena marcenaria era sua diversão. Após anos como marceneiro profissional, agora passava seu tempo construindo pequenos caixotes de madeira, que doava aos garotos pobres que batiam à sua porta. Era algo que lhe dava um imenso prazer, saber que podia ajudar “um pequeno”, como costumava chamar os jovenzinhos. Além disso, também fornecia algumas latinhas de graxa e duas ou três escovinhas. Assim, seus pequenos podiam iniciar um trabalho digno e ajudar no sustento de suas famílias.

No entanto, não era qualquer um que ganhava os caixotes. O velho estabelecia algumas regras. Os garotos deviam estar matriculados na escola e tinham que lhe mostrar as notas todos os meses. Tratava-os como filhos, já que nunca casou nem constituiu família. Os meninos gostavam muito dele. Para eles, era visto como um mestre. Um professor das lições que eles nunca esqueceriam.

Ninguém na cidade entendia muito bem quem era o velho Jorge. Os grandes executivos não conseguiam compreender como podia viver em uma casa tão grande e luxuosa um velho marceneiro aposentado. Uma mansão maior que as que eles próprios conseguiriam comprar. E como podia ser tão querido por tantos garotos pobres. Por todos esses garotos que lhes lustravam os sapatos e não cansavam de dizer: “Obrigado senhor por seu pagamento. Que muitos cofrinhos possam transbordar em sua vida.”

“Transbordar o cofrinho” era uma frase bastante ouvida naqueles tempos. Mas essa é uma outra história, para ser contada em outro momento. Voltemos ao ponto em que havíamos parado.

Certo dia, batem à porta de Ricardo alguns antigos colegas do tempo de escola. Muitos não se viam a algum tempo, tinham todos vidas muito agitadas e cheias de compromissos. Todos eles, apesar de terem obtido algum sucesso na vida, não estavam satisfeitos com o resultado de seus esforços. Trabalhavam muito e não viam o dinheiro render. Alguns possuíam casas de praia, outros moravam em apartamento próprio, mas a maior parte deles ainda precisava alugar um cantinho para chamar de lar. Praticamente todos tinham um carro na garagem e o financiamento deste nas contas mensais.

Ricardo recebeu a todos com muita cordialidade. Sua casa era gigantesca e ele adorava receber os amigos. Muitos diziam que ele passava o tempo todo fazendo isso, recebendo amigos e patrocinando grandes festas. Estas apareciam sempre na mídia local. Já suas obras de caridade, as creches que construía, as doações que fazia com freqüência, não eram tão interessantes para serem divulgadas. Trabalhava muito, mas de maneira inteligente. Chegou a um ponto onde o dinheiro é que trabalhava para ele. Os amigos não enrolaram muito, foram direto ao assunto que os trazia ali.

– Ricardo, – começou a falar Marcelo. – a vida parece ter sido muito boa contigo. Enquanto nós temos que trabalhar durante o dia para ter o que comer à noite, você se tornou um homem muito rico, dono de várias propriedades espalhadas por todo o nosso país e até ao redor do mundo. Mas isso nem sempre foi assim. Lembramos de quando éramos pequenos e estudávamos juntos. Você nunca foi muito diferente de nós. Tirava notas medianas, estudava tanto quanto nós, não era nem melhor nem pior que qualquer outro nos esportes. Já adulto, se tornou um homem sério e respeitador. Trabalhou bastante, mas acredito que não mais que os outros aqui presentes. Por que então a escolha do destino caiu sobre você? Por que você pode aproveitar todas as coisas boas da vida e nós, que devíamos ter os mesmos direitos não podemos?

Ricardo sabia que ia ser uma longa conversa. Estava acostumado a esse tipo de pergunta. Já sabia de cor a resposta, mas era muito raro alguém ir mais fundo na busca do motivo real dessa diferença entre o que uns e outros conseguiam.

– Meus amigos, a vida é como um jogo. Tem certas regras a serem aprendidas. Tem gente que aprende o jogo da vida desde cedo e outros que demoram anos ou nunca aprendem. O tabuleiro e as peças que todos usamos são os mesmos, mas muitos jogam sem ter aprendido as regras. Ou pior ainda, jogam de acordo com as regras erradas. Se vocês não estão conseguindo obter o que desejam, é simplesmente por que estão jogando o jogo errado, ou por que ainda não aprenderam as regras necessárias para se ganhar este jogo. Talvez vocês até saibam as regras e não as sigam. Se for este o caso, nada do que eu falar vai poder ajudá-los.

“O ‘Jogo da Vida’ não garante o futuro de ninguém. Muito pelo contrário, a grande maioria das cartas traz a ruína para quase todos os que foram contemplados com dinheiro que não ganharam por merecimento. Veja o que acontece com a maioria das pessoas que ganham na loteria. Saem por aí comprando carros luxuosos e apartamentos maiores que suas necessidades, sem nem imaginar o custo que terão para mantê-los depois. Fazem festas e banquetes para gente que nem conhecem, apenas para poderem se ‘integrar à alta sociedade’. Se tornam gastadores compulsivos, comprando relógios, canetas e outros objetos caríssimos em quantidades muito maiores que o necessário para seu uso pessoal. Outros fazem ainda pior. Por medo de perder o que ganharam e saber que não serão capazes de repor, escondem a fortuna de tudo e de todos, não aproveitando em nada a vida que poderiam ter. Vivem uma vida miserável, triste e pobre.”

“Provavelmente ainda existam pessoas que ganham dinheiro fácil e o aumentam, sem deixar de aproveitar os luxos que este pode comprar. Mas é bem mais difícil ouvir falar destes, quanto mais, de achar um na rua. Vejam as pessoas que herdam dinheiro, digam que não é isso que geralmente acontece.”

Os amigos concordaram com Ricardo. Alguns ainda comentaram sobre os ganhadores de prêmios em alguns programas de TV. Pessoas que se tornaram celebridades da noite para o dia. Em poucos meses, não havia sobrado nada do prêmio ganho. Perguntaram então como Ricardo havia conseguido construir sua fortuna.

– Alguns de vocês conhecem minha história de garoto. Para resumir aos que não conhecem, cheguei na capital vindo do interior. Tinha dez anos. Meus pais haviam falecido e tudo que me restou na vida eram algumas galinhas e um casal de patos. Vendi os bichos para uma família vizinha e usei todo o dinheiro obtido na venda para comprar minha passagem de ônibus. Não foi fácil pensar no que poderia me acontecer quando chegasse à capital. Naquele tempo, a viagem durava alguns dias. As estradas eram bastante precárias. Para comer, tinha algumas frutas que havia colhido pouco antes de partir. Chegando na capital, conheci vários garotos que trabalhavam próximos ao ponto de chegada dos ônibus. Eles me falaram de um velho marceneiro que os havia ajudado quando eram menores. Disseram-me para procurar por ele, que com certeza eu iria agradecer por conhecer pessoa tão boa.

“Fui até onde me informaram que ele morava, mas achei que tinha errado o local. Estava procurando por uma casinha humilde, uma pequena marcenaria. Procurei por algum lugar com ripas de madeira próximas. E nada. Apenas aquela enorme mansão. Não tinha coragem de atravessar o extenso jardim. Certamente aqueles garotos haviam me aplicado um trote. Um senhor idoso, vendo minha imobilidade diante de tamanha grandeza, me pegou pela mão e disse: – Venha garoto, faça um lanche conosco enquanto me conta o porquê de estar aqui.”

“Encurtando a história, o velho homem se chamava Jorge, e seu passatempo era fazer caixotes de engraxate que doava para os meninos que aceitassem a condição que ele impunha: freqüentar a escola.”

“Tendo começado a trabalhar, passei a observar as pessoas e todas as coisas boas da vida, coisas que deixavam as pessoas felizes. Descobri que a riqueza potencializava a felicidade das pessoas. Que com riqueza, muitas outras coisas se tornavam possíveis. Assim, passei a notar que a riqueza permitia a compra de carros luxuosos. Com riqueza, podia-se morar em uma enorme mansão. Poderia possuir jóias e fazer viagens, comer as melhores frutas e os mais maravilhosos doces. Com muito dinheiro é possível fazer todas essas coisas e muito mais.”

“E quando notei isso, decidi que iria querer a minha parte. Não iria ficar à margem, observando com inveja o que os outros tinham. Não me contentaria em vestir uns trapinhos quando poderia usar roupas bonitas. Nunca seria um homem satisfeito com apenas o suficiente para viver razoavelmente. Queria mais, muito mais. Queria fazer parte da alta sociedade e de suas festas animadas, queria rodar o mundo. Queria uma bela família vivendo com conforto em uma grande casa. Queria um sítio, um chalé nas montanhas e uma casa de praia. Queria tudo que a vida pudesse me proporcionar, tudo que pudesse sonhar.”

“Mas era apenas um pequeno engraxate. Dono de meu próprio nariz e responsável por minha subsistência, mas apenas um engraxate. Com certeza não iria herdar nada, visto que minha família era formada por apenas uma pessoa, eu próprio. E não sendo nenhum gênio, como vocês mesmos me disseram a pouco com tanta franqueza, decidi que, se realmente quisesse conseguir tudo o que desejava, poderia contar apenas com meus próprios esforços.”

“Teria que usar o tempo a meu favor. Isso eu tinha de sobra. Estudava de manhã e trabalhava todas as tardes. Me sobravam as noites, para tentar descobrir o que era necessário para enriquecer. Não tinha TV nem rádio, logo, não perdia meu tempo em casa. Todos tem tempo de sobra para usar da maneira que melhor nos convém. A maioria de vocês gasta o tempo que têm de maneira tola o suficiente para não ficarem ricos. E como vocês me disseram, não têm bem algum para mostrar aos outros, mesmo após anos de trabalho duro.”

“Outra coisa muito importante foi o estudo que tive. Devo sempre agradecer ao velho Jorge. Quando aceitei a condição imposta por ele para poder ganhar meu caixote de engraxate, tomei a melhor decisão de minha vida. Mas apenas o estudo formal não era o suficiente. Resolvi me dedicar a descobrir como é possível acumular dinheiro em grande quantidade. E quando descobrisse isso, iria tornar esta a minha maior prioridade da minha vida. Lembrei de uma coisa que meu pai falava com freqüência: ‘Nunca fui à escola, tive que aprender com a vida.’ Eu ainda contava com o estudo formal para me ajudar, agora, precisava aprender mais com a vida, com a experiência das outras pessoas.”

“Todos os dias após as aulas, pegava meu caixote e saía por aí atrás dos sapatos para engraxar. Enquanto lustrava o couro, sempre puxava conversa com os clientes. Algum deles poderia saber o que eu desejava aprender com tanto ardor. Mas os meses se passavam e apesar de meus clientes serem pessoas distintas, com belas roupas e sapatos, todos reclamavam das mesmas coisas. Como seu dinheiro não era suficiente para um carro novo, para trocar de apartamento, para comprar o presente que a filha pedira.”

“Assim que fiquei um pouco mais velho e já sabendo ler e escrever corretamente, arranjei um emprego de meio turno como atendente em uma lojinha de roupas. Era um bom emprego, conseguia pagar o aluguel de um quartinho em uma pensão, pagava minha comida e roupas. Nem lembro mais em que gastava, mas lembro que no fim do mês tinha o dinheiro contado certinho para passar os últimos dias.”

“Ao fim dos anos de escola, e já com mais conhecimentos que me permitiam conseguir um emprego melhor, fui conversar com o velho Jorge. Agradecer por tudo que ele fez por mim quando eu mais precisei. Lembramos do dia em que cheguei à porta de sua mansão e não acreditava que ali morava um marceneiro. E falamos da importância que o estudo tinha para as pessoas. Prometi que sempre que pudesse iria tentar ajudar as pessoas da mesma forma que ele me ajudou.”

“Quando ia me despedir de Jorge, já na porta de sua casa, uma luz brilhou em minha mente. Como eu nunca havia pensado nisso. Estava na minha cara por anos e anos e eu nunca tinha me dado conta. O velho Jorge era a resposta para minha mais profunda dúvida. Não perdi tempo. Olhei com carinho para ele e perguntei de repente: ‘Seu Jorge, o senhor possui esta bela mansão, tem dinheiro suficiente para não precisar trabalhar e ainda pode ajudar muitos garotos como eu. O senhor parece ser muito rico e nunca o ouvi reclamando como a maioria das pessoas faz, dizendo não ter o suficiente para isto ou aquilo. Existe algum segredo para se conseguir isto? O que devo fazer para conseguir ser rico como o senhor?’ ”

“Ele respondeu sem pensar. Parece que estava esperando a vida toda por alguém que quisesse saber isso. ‘Pequeno, durante muitos anos ajudei centenas de garotos como você. Nunca tive família para cuidar, então me sentia muito feliz na companhia de vocês. É uma sensação muito boa nos sentirmos úteis. É maravilhoso ter para quem contar nossas histórias, principalmente quando começamos a envelhecer. A língua começa a ficar mais solta e nossas palavras fluem com mais facilidade. Você é um rapazote que presta atenção em tudo, sempre interessado em aprender mais. É bom quando um jovem faz perguntas aos mais velhos. Recebe em troca o conhecimento adquirido em muitos anos. São poucos os garotos que se dão conta que esta experiência pode lhes economizar anos de aprendizagem. O conhecimento acumulado pelos mais velhos deve servir de guia a todos os que estão começando, como as estrelas no céu ajudam os marinheiros a encontrar seu rumo. Mas a maioria dos jovens de hoje não costuma olhar para o céu.’ ”

“E continuou, falando pausadamente, ‘Escute bem o que vou lhe contar garoto. O que vou dizer é uma das maiores verdades existentes sobre o dinheiro. É a diferença entre ser um marceneiro maltrapilho que nunca poderia deixar de trabalhar, e ser um marceneiro milionário, que não precisa se preocupar mais com dinheiro.’ ”

” ‘Descobri como poderia deixar de me preocupar com dinheiro quando decidi que guardaria uma parte de tudo o que ganhasse em minha vida. Decidi que a coisa mais importante seria pagar primeiro a mim mesmo, depois, aos outros. ”

“Ficou me olhando com um sorriso de satisfação. Ele realmente esperou muito tempo até alguém fazer-lhe esta pergunta. Mas não disse mais nada além disso.”

” ‘Só isso?’, perguntei incrédulo.”

” ‘Foi o suficiente para eu conseguir me aposentar antes de muitos outros nesta cidade. Mesmo ganhando muito menos dinheiro do que a maioria das pessoas daqui’, respondeu ele.’ ”

” ‘Mas tudo o que eu ganho não é meu?’, perguntei.”

” ‘Claro que não’, respondeu ele. ‘Quando compra roupas, quando paga o aluguel, quando se alimenta. Está pagando os outros. Ninguém vive sem ter despesas. Onde está a sua parte do que ganhou no mês passado? E do que ganhou durante todo o ano anterior? Se guardasse para si mesmo dez por cento de tudo o que ganha, quanto teria daqui a dez anos?’ ”

“Sempre fui bom em matemática. A resposta veio na hora: ‘o equivalente a um ano de trabalho.’ ”

” ‘Quase isso, garoto. Se tivesse guardado dez por cento de tudo o que tivesse ganho durante dez anos, teria ainda o rendimento da aplicação desse dinheiro durante o período. E mais que isso. Cada moeda gerada a partir das suas economias se torna ela própria uma nova geradora de rendimentos. Para se tornar um homem rico, tudo o que economizar deve ser utilizado para lhe proporcionar toda a riqueza que você deseja.’ ”

” ‘Não pense que estou brincando com você. Nesta simples verdade sobre o dinheiro está escondida uma imensa fortuna. Basta fazer uso deste ensinamento e um novo mundo se abrirá para quem entender isso. Uma parte do que você ganha é exclusivamente sua e de mais ninguém. Pelo menos, dez por cento, mesmo quando o valor é pequeno. Pode ser mais. Algumas pessoas guardam o valor que recebem no décimo terceiro salário para ajudar a aumentar o colchão de segurança formado por esse dinheiro. Sempre pague primeiro a si mesmo. Não compre roupas ou equipamentos que custem mais que o que possa pagar com seus rendimentos. Lembre-se sempre de separar o suficiente para sua alimentação, sua moradia, para ajudar os mais necessitados.’ ”

” ‘A árvore de riqueza é uma imagem que pode ser usada para lembrar-lhe que basta uma pequena semente para fazer nascer as maiores fortunas. E quanto mais fielmente alimentar e regar essa árvore com economias constantes, logo chegará o dia em que poderá se abrigar na sombra de sua bela árvore da fortuna. Lembre-se sempre disto, uma pequena semente se transforma em uma grande árvore.’ Enquanto falava, apontava para um enorme eucalipto plantado nos fundos de sua mansão.”

“Pensei bastante em tudo que meu velho protetor havia dito. Fazia bastante sentido, afinal, havia funcionado para ele, um marceneiro que morava em uma mansão. Só tinha uma forma de descobrir, devia tentar por conta própria. Durante todos os anos de espera para descobrir este segredo eu havia me prometido que o poria em prática desde o primeiro dia em que o conhecesse. Essa era a hora de começar. No fim do mês, ao receber meu salário, retirava dez por cento e depositava em uma caderneta de poupança. Após três meses fazendo isso, notei que continuava levando a mesma vida de antes. A diferença que eu separava não fazia falta nos meus gastos mensais. O que passou a acontecer com freqüência era a vontade de utilizar a poupança adquirida para comprar as coisas boas da vida. Um bom perfume ou um relógio bonito. Mas todas as vezes consegui manter meu objetivo principal. Ao final de um ano, tinha conseguido guardar dez por cento de tudo o que havia ganho. Tinha algo para mostrar. Havia enchido o cofrinho o suficiente para ele transbordar. Finalmente começava a fazer sentido a historinha que Jorge nos contava. Ele dizia que devíamos colocar em nossos cofrinhos dez moedas, toda noite. E que na manhã seguinte, só poderíamos tirar de lá nove moedas. Perguntava então o que aconteceria depois de algum tempo. Todos sabíamos a resposta: transbordaria o cofrinho. Ele dizia para falarmos isso para nossos clientes, sempre que nos pagassem o valor devido. Dizia que alguns desses clientes iriam nos agradecer muito algum dia.”

Os amigos ouviram tudo atentamente. Sabiam que Ricardo não começara a vida com dinheiro, mas não imaginavam que tinha passado por tantas dificuldades. Ficaram ainda mais interessados na história, imaginando como aquele garoto pobre, que chegou na cidade sem nem o que comer, conseguiu subir na vida com velocidade meteórica. Conseguiu vencer cedo o jogo que eles ainda não haviam aprendido a jogar. Ricardo chamou um empregado, que serviu suco e lanche aos amigos. Continuou então a contar o início de seu crescimento.

“Quando encontrei novamente o velho Jorge, caminhando no centro da cidade, muita coisa já havia acontecido. Falei para ele de como havia conseguido guardar um ano inteiro de economias. Contei como venci a vontade de gastar o dinheiro em artigos que desejava, pensando no resultado final. Para isso, lembrava de uma frase de meu pai: ‘um pequeno prazer que não tens hoje, pode se tornar um grande prazer amanhã.’ Jorge me perguntou se tinha sido difícil viver com dez por cento a menos do que estava acostumado. Não tinha sido nada difícil. Foi até mais fácil do que imaginei. Contei então como havia investido o dinheiro, para fazer ele crescer mais rapidamente. Um amigo publicitário soube de uma ótima oportunidade para abrir uma franquia de lanchonete ainda não existente em nossa cidade. Mas não tinha o dinheiro necessário. Emprestei o dinheiro e me tornei sócio da lanchonete. Eu entraria com o dinheiro, ele entraria com o trabalho.”

Enquanto falava, Jorge balançava a cabeça negativamente. Não estava entendendo sua reação. Afinal, ele me ensinou que devia guardar uma parte do que ganhasse para mim. E que devia aplicar esse dinheiro de forma a permitir que ele se multiplicasse e gerasse mais dinheiro ainda. Quando acabei de contar do meu novo empreendimento, Jorge desatou a falar. ‘Garoto, sinto lhe dizer, mas arrancou sua árvore de dinheiro pela raiz. Que burrice enorme você fez. Um ano inteiro de economias jogadas pelo ralo, como se fosse lixo. De que adianta passar tanto tempo juntando o dinheiro se na hora de fazer ele crescer, você o joga ao vento? Todos precisamos aprender, mas me explique porque confiar nos conhecimentos de um publicitário sobre o mercado de lanchonetes? Quando quer comprar um carro, vai a uma imobiliária? E quando quer saber o valor de uma jóia, por acaso pergunta ao zelador do seu prédio? Foram-se suas economias. Não voltam mais. Mas não desanime. Comece de novo. E quando precisar de conselhos sobre imóveis, pergunte a um corretor. Quando quiser saber sobre livros, peça ao dono da livraria. Os conselhos são dados de graça, mas só se deve guardar os que pareçam ter valor. Quem aceita conselhos sobre suas economias daqueles que são inexperientes nesse assunto, pagará com essas mesmas economias para provar a falsidade da opinião dos outros.’ Dizendo isso, Jorge continuou seu caminho.”

“Acabou acontecendo o que Jorge previu. Meu amigo publicitário não previu várias despesas que teríamos com a lanchonete. Não quis contratar um contador, confundia suas despesas pessoais com as despesas da pequena empresa. Comprava os produtos sem verificar a validade dos mesmos e com freqüência tínhamos que jogar as coisas fora. Os clientes também não pareciam existir, pois o ponto que escolhemos não tinha muita visibilidade. Mas seguindo o conselho de Jorge, mais uma vez comecei a economizar. Até mesmo, por que estava acostumado a viver com um pouco menos do que ganhava. Isso havia se tornado um hábito, e não representava nenhuma dificuldade.”

Mais um ano se passou até cruzar novamente com o velho Jorge. Nunca o havia visto no restaurante em que estava almoçando, mas nesse dia, lá estava ele. Sentamos na mesma mesa e ele começou a conversa. ‘Como andam suas economias, desde que nos vimos pela última vez?’ ”

” ‘Paguei a mim mesmo todos os meses’, respondi, ‘e empresto meu dinheiro ao dono de uma gráfica, amigo da escola. Ele compra papel em maior quantidade no início do mês, usando meu dinheiro, e com isso obtém grande economia. Dividimos a diferença do que custaria para ele comprar o papel em pequenas quantidades várias vezes ao mês. Ele economiza na compra e eu ganho uma parte dessa economia.’ ”

” ‘Muito bem. E o que tem feito com esse rendimento?’ ”

” ‘Comprei um terno novo e um relógio de pulso. Em breve vou comprar um carro para passear pela cidade.’ ”

” Jorge começou a rir: ‘você está consumindo os filhos das suas economias. Como vai fazer eles trabalhar para você se os consome logo que nascem? E como esses vão gerar mais filhos, se nem bem entram em seu bolso e já são trocados por inutilidades? É preciso juntar um exército de trabalhadores que gerem mais renda para você. E só depois, poderá gastar parte dos rendimentos sem sentir remorsos.’ E não falou mais nada até o final do almoço.”

“Passei muito tempo sem encontrar o velho Jorge. Alguns anos. Um belo dia, lá estava ele junto de vários garotos na praça. Contava histórias de quando era mais novo, falava como era feliz vendo aqueles pedaços de madeira se transformarem nos mais belos móveis. Cheguei perto e ele me apresentou aos meninos. Disse: ‘estão vendo este belo homem? Um dia ele foi um dos meus pequenos, como vocês. Olhem como ele está bem vestido, parece bem alimentado e bastante feliz. Esse é o futuro de vocês, se estudarem, trabalharem e aprenderem o que vou lhes ensinar. Agora, vão brincar um pouco, que vocês ainda são crianças. Me deixem conversar um pouco com este grande amigo.’ ”

” ‘E então garoto, conseguiu enriquecer tanto quanto desejava?’ Falou com um grande sorriso no rosto.”

” ‘Não tudo o que desejava ainda, mas já reuni um pequeno exército de trabalhadores, que por sua vez geram outros. Estou fazendo o dinheiro trabalhar por mim. Em pouco tempo, esse dinheiro gerará renda suficiente para pagar todas as minhas contas. Neste momento, acredito poder me aposentar do trabalho que tenho hoje. Vou então me dedicar apenas em fazer meu patrimônio crescer, enquanto aproveito a vida e ajudo os mais necessitados.’ Jorge notava a felicidade em meu rosto. Enquanto eu contava meu progresso, ele não conseguia disfarçar a satisfação de ver suas lições gerarem frutos. Ele sabia que eu faria o mesmo que ele um dia. Faria o que estou fazendo agora, amigos. Passaria adiante o que aprendi, para quem realmente deseja aprender.”

” ‘E o conselho dos publicitários ainda te serve para algo?’ O velho Jorge quase ria enquanto se lembrava de como perdi rápido minhas primeiras economias, no negócio da lanchonete. ‘É bom para fazer publicidade de meus negócios’, respondi sabendo o que ele esperava ouvir.”

” ‘É isso aí meu jovem. Você aprendeu a viver com menos do que ganha, aprendeu a se aconselhar com quem trabalha e tem experiência no que faz e finalmente aprendeu a fazer o dinheiro trabalhar em seu lugar. Aprendeu as três coisas mais importantes que alguém pode saber sobre o dinheiro: como adquirir, como guardar e como usar. Aprendeu ainda uma outra coisa importante, como aproveitar. Pois vejo que se dá a alguns luxos, como esta bela roupa, por exemplo. E isso é importante, por que de nada adianta aprender as três leis básicas e não saber a quarta. Se não aproveitar a vida enquanto vive, você vai aproveitar quando?’ ”

“E foi assim que o velho Jorge, sabendo que eu havia aprendido a ganhar meu próprio dinheiro, economizar e fazer ele crescer, me convidou a ajudar a administrar seus negócios. Me mostrou todos seus investimentos, me contou a história de cada um dos imóveis que possuía, todos alugados e rendendo um bom valor todos os meses. Nunca imaginei que ele possuísse tantos imóveis, ou que fosse sócio de tantas empresas. Trabalhei anos para ele e como havia aprendido as três leis do dinheiro, fiz o patrimônio dele crescer muito nos anos que seguiram. Um dia, como fatalmente acontece a todos nós, o velho amigo e tutor partiu desta vida.”

“Quando o advogado fez a leitura do testamento, este continha o que todos esperavam. Ele me incumbiu da tarefa de criar uma fundação para o ensino de crianças carentes. Essa fundação seria mantida com os recursos gerados por seus ativos financeiros, os aluguéis de seus imóveis e os lucros das empresas em que era sócio. Deixou ainda 10% de tudo o que possuía como herança para mim, em retribuição ao trabalho que fiz desde que comecei a trabalhar com ele. Nesta época, já possuía alguns imóveis e tinha diversos outros investimentos próprios, mas os 10% que ele me deixou praticamente duplicaram meu patrimônio.”

– Então, você ainda contou com a sorte de herdar uma fortuna do velho? – Um dos amigos perguntou, ainda sem acreditar em tudo o que havia escutado.

– Sorte! – exclamou Ricardo como um trovão. – A sorte não perde tempo com quem não está preparado. Foi sorte eu querer prosperar, desejar ardentemente me tornar um homem rico? Vocês não levaram em conta que passei 4 longos anos economizando, aprendendo a investir? Esqueceram que perdi tudo o que tinha conquistado e tive que recomeçar por que ainda não sabia algumas coisas básicas, como ouvir conselhos de quem entende, não de qualquer um?

– É verdade, – disse outro amigo – mas você teve uma grande força de vontade para continuar, mesmo depois de ter perdido tudo.

– Força de vontade coisa nenhuma. – Ricardo falava em voz alta. – Eu sabia exatamente o que queria. Não ia deixar um erro cometido por falta de conhecimento pôr tudo a perder. Se eu digo que vou fazer algo, vou até o fim, não desisto no primeiro problema que aparece.

– Pode ser, mas isso não deve ser tão simples assim – disse um terceiro ouvinte – Se fosse tão fácil, não haveria riqueza para todo mundo.

– E por que não? Quando uma empresa constrói um prédio, o dinheiro que ela investiu desaparece? Não. O prédio pronto vale mais do que a empresa investiu. E os terrenos em volta, não ficam valorizados também? E os trabalhadores que construíram o prédio, não ganharam parte do dinheiro gasto na construção? Então, as riquezas estão sempre sendo criadas, não são limitadas, são infinitas.

– Certo, Ricardo – agora Marcelo parecia ter saído do transe em que entrara, desde que o amigo começou a contar a história de sua vida. – O tempo está passando, chegamos onde estamos, sem um centavo guardado, sem nada para deixar aos filhos. O que podemos fazer?

– Amigos, – começou Ricardo, novamente em seu tom de voz habitual – vocês precisam aprender e colocar em prática a primeira lei do dinheiro. Uma parte de tudo o que ganham pertence exclusivamente a vocês. Pelo menos 10%.

“Aprendam, ganhem, gastem, mas antes, separem pelo menos 10% para vocês. Em muito pouco tempo vocês verão suas árvores de dinheiro começar a crescer. E vão se sentir estimulados com isso. Vão ter mais vontade de trabalhar, o que fizerem vai render mais, e serão melhor recompensados por seus esforços. Assim, vão conseguir ganhar mais, e em conseqüência, conseguirão economizar mais.”

“Aprendam a fazer o dinheiro trabalhar para vocês. Há muitas possibilidades diferentes para se fazer isso, estudem e descubram quais métodos funcionam melhor para cada um de vocês.”

“Assegurem uma renda para o futuro. Ele vem para todos. Um dia chegará em que vocês não conseguirão mais trabalhar como fazem hoje. E o dinheiro ganho com seus trabalhos já não será suficiente para manter seus padrões de vida. Cuidem do seu dinheiro. Taxas de rendimento muito altas podem ser armadilhas como a que eu caí quando investi em uma lanchonete sem conhecer o funcionamento dela. No caso do nosso futuro, um retorno menor é preferível a um risco maior. Quando já estivermos velhos, pode ser impossível nos reerguermos de uma grande queda. Protejam a família caso aconteça algo com vocês. Há diversas opções de seguros disponíveis, com custos mensais bastante em conta.”

“Peçam conselhos de quem conhece o assunto que vocês querem aprender. Os conselhos são dados de graça, escolham quais vale a pena guardar e quais não. Se querem saber sobre dinheiro, peçam a quem sabe como fazer ele trabalhar, não para quem sabe apenas como gasta-lo.”

“Aproveitem a vida durante toda a caminhada. Não sejam sovinas nem tenham medo de gastar o que ganham. Mas lembrem-se sempre de separar a parte de vocês primeiro. O resto do dinheiro deve ser usado para adquirir tudo que suas famílias merecem.”

Alguns dos amigos não entenderam nada do que Ricardo havia falado. Não tinham imaginação suficiente para acreditar que realmente existe um mundo de riquezas infinitas, disponíveis para qualquer um que quisesse possuir parte elas. Um segundo grupo achava que os ricos tinham o dever de dividir suas fortunas com quem tinha menos, como se isso pudesse resolver o problema. Mas o terceiro grupo de amigos tinha os olhos brilhando. Haviam descoberto uma nova realidade. Eles entenderam que o velho Jorge aparecia nos lugares onde Ricardo estava, de tempos em tempos, apenas para observar seu crescimento. Ele estava observando Ricardo sair da escuridão através de seus próprios esforços. Quando Ricardo descobriu o caminho, seu lugar já estava reservado. Ninguém podia ocupar o lugar dele sem estar preparado para a oportunidade.

Esses últimos foram os únicos que continuaram visitando Ricardo com regularidade. Eles aprendiam com as experiências do amigo. Ouviam suas histórias com atenção e discutiam em grupo o que teriam feito se acontecesse com eles. Ricardo ajudava os amigos a investir o que conseguiam guardar e dava dicas sobre negócios que estes desejavam iniciar.

Mas tudo isso é só história. O momento decisivo na vida desses homens ocorreu quando eles entenderam a maior das verdades sobre o dinheiro.

Uma parte de tudo que você ganha pertence exclusivamente a você.

Amigo Rico: Capítulo 1

Por que uns sim e outros não? A decisão é sua!

Era uma manhã quente e úmida, como tantas outras em Porto Feliz. Sentado perto da janela de seu pequeno escritório, Marcelo estava completamente desanimado. Dono de uma pequena empresa individual de webdesign, contemplava com tristeza a bagunça em cima de sua mesa de trabalho e a pilha de jornais e revistas velhos que se encontravam no chão. Chamar aquilo de escritório, era na verdade um elogio. Tratava-se de uma mesa e um computador, ocupando um canto da sala de estar em seu apertado apartamento de um dormitório. Na tela do computador, o esboço inicial de um website.

De vez em quando Marcelo olhava angustiado para o monitor. Lembrava que precisava trabalhar, acabar o website que estava desenvolvendo. Somente assim, poderia cobrar seu cliente e comprar algumas coisas para por na geladeira. Isso é que ele devia estar fazendo. Criando uma figura aqui, definindo um banco de dados, montando uma animação de entrada, em suma, preparando o website para a entrega. Mas não era o que fazia. Indiferente ao que devia fazer, permanecia apaticamente olhando pela janela. Sua mente estava preocupada com um problema sem solução aparente. Nada parecia tira-lo do estado catatônico em que se encontrava.

Marcelo morava no centro da cidade. Garotos passavam o dia inteiro brincando na pracinha em frente ao prédio, indiferentes a tudo e a todos, concentrados apenas em se divertir. Normalmente faziam muito barulho e constantemente tiravam a concentração de Marcelo, mas hoje ele parecia não se importar com nada disso. Executivos passavam apressados para lá e para cá. Motoboys rasgavam as ruas com suas motos barulhentas, correndo para entregar aquela pizza ainda quente para o cliente.

Merece alguns comentários o lugar em que Marcelo vive. Porto Feliz é uma cidade como muitas outras deste país. Nem tão grande nem tão pequena. Nem tão rica, nem tão miserável. Podia ser a cidade em que você mora. Cheia de coisas para se fazer quando se tem algum dinheiro sobrando para gastar. Havia muita riqueza para ser conquistada, mas nem tantas pessoas preparadas para isso. Nas ruas da cidade circulavam grandes carros de luxo e pequenos carros populares. Lado a lado, disputando todos os espaços em pequenas ruas e em largas avenidas. Da janela do apartamento dava para ver um pouco do movimento. Morava próximo da Catedral Metropolitana, com sua belíssima torre despontando no limpo azul do céu. Em frente à igreja, mendigos faziam fila para receber um prato da sopa, distribuído todos os dias por uma entidade beneficente. Porto Feliz é assim – luxo e miséria convivendo juntos nos mesmos espaços. Uns com tanto e outros com tão pouco. Mas sempre com todos se ajudando, buscando tornar a cidade um lugar melhor para se viver.

Marcelo estava completamente absorvido por seu próprio problema para ouvir ou prestar atenção ao que acontecia à sua volta. Foi o blim-blom de sua campainha que o arrancou do devaneio. Ele caminhou até a porta e lá estava seu melhor amigo, Paulo.

– Marcelo, grande amigo. Que bom te ver assim cheio de saúde – falou Paulo, com todo o entusiasmo que lhe era peculiar. – É bom saber que meu amigo está passando por uma boa fase, de outra forma, estaria trabalhando no computador e não divagando sobre a vida, sentado na janela. Aproveitando essa tua boa fase, quem sabe tu não tens cinqüenta reais para me emprestar? Daqui a três dias recebo meu salário e te pago o empréstimo.

Paulo estava com uma aparência ótima, com um grande sorriso otimista. Sabia que Marcelo não iria lhe deixar na mão. Muitas vezes Paulo fez o mesmo pelo amigo. O fluxo de caixa dos dois nunca foi lá essas coisas, mas nesse último ano a coisa estava cada vez mais complicada para eles.

– Coitado de ti. –respondeu Marcelo. – Que não tem dinheiro para pagar o almoço de hoje. Infelizmente, somos dois. Não tenho um mísero real no bolso. Felizmente ainda tenho alguns pães e um pouco de presunto e queijo na geladeira. Senta na mesa enquanto eu busco os pratos. Me acompanha em um almoço improvisado. Minha esposa foi até a padaria buscar um refrigerante, assim, teremos até mesmo algo para beber.

– O quê!? – Paulo estava realmente surpreso. – Não tem um único real na carteira, e fica parado olhando o mundo pela janela! Por que não terminou aquele website? – perguntou apontando para a tela do computador. – Vai almoçar apenas um sanduíche? Você nunca foi assim, amigão. Onde está a sua força de vontade? Que desgraça aconteceu que ninguém me disse nada?

– Deve ser isso, deve ser alguma desgraça das grandes – disse Marcelo, concordando. – Hoje pela manhã ligaram do banco e disseram que eu havia ganho um sorteio do plano de capitalização que havia comprado a mais de dois anos. Que o prêmio era de dez milhões de reais. Imagina só, o que eu faria com todo esse dinheiro. Me imaginei comprando um carro de luxo e um apartamento novo. Pensei na viagem à Europa que sempre sonhei em fazer com toda a família. Em como poderia comprar um novo computador, bem mais potente para poder fazer trabalhos mais elaborados. Depois pensei que isso nem teria muita utilidade, quem iria querer fazer trabalhos mais elaborados com dez milhões na conta do banco? Minha vida estava resolvida, finalmente. Havia ficado milionário. E então, dois minutos após, ligam novamente do banco dizendo que foi engano. Que o fax que haviam recebido da matriz estava borrado e um funcionário leu o número errado da conta. O sorteado tinha conta na mesma agência que eu, nesta nossa cidade, mas infelizmente não era eu o felizardo. Em um instante eu senti a felicidade de ter tudo que sempre quis. No momento seguinte, voltei a ser o nada de sempre. Preocupado em acabar um website que me permita comprar uns bifes e um pouco de arroz. Torcendo para que ainda sobre o suficiente para pagar a conta do telefone, que já está atrasada alguns dias.

– Tudo bem. Foi uma grande emoção e deu para pensar em um monte de coisas que fazem parte dos teus desejos. Mas porque ficar tão deprimido se tua situação na realidade nunca mudou? Por que não aproveitar o prazer que tiveste ao sonhar alto e usar ele como impulso para fazer cada vez mais e melhor? Afinal de contas, continua tudo a mesma coisa. Sempre vivemos meio no aperto, mas nunca nos faltou comida na mesa. Mesmo que de vez em quando esta se resuma a alguns sanduíches e um suco barato.

– O problema é exatamente este. Quando me dei conta que não tinha nem um centavo no bolso fiquei revoltado com nossa situação. Nossa, por que não estou sozinho nisso, amigo. Estamos os dois no mesmo barco. Estudamos juntos quando éramos apenas dois fedelhos. Na adolescência, nos divertimos muito e freqüentamos muitas festas juntos. Depois de adultos, continuamos grandes amigos, nos encontrando com freqüência para uma boa conversa ou para assistir os jogos de nosso time de futebol. Temos sido bons pais e bons maridos. Trabalhamos duro e gastamos nosso dinheiro com as coisas que gostamos. Ganhamos muito dinheiro nos últimos anos, mas só sonhando poderíamos conhecer as alegrias de ser um milionário. Que droga, não somos nada! Vivemos em uma das melhores cidades do mundo. Cheia de vida, com pessoas precisando de nossos serviços e com oportunidades para todos que não têm medo de arregaçar as mangas e trabalhar com seriedade. Tanta riqueza passando por nossos olhos e nós, a ver navios. Depois de praticamente trinta anos de trabalho árduo, meu melhor amigo se acha sem um tostão e me procura pedindo: “Não teria cinqüenta reais para me emprestar por uns dias, até eu receber meu salário?” E o que eu respondo? “Claro amigão. Faz o seguinte, leva cem, para não correr o risco de faltar, compra algum presentinho para tua esposa?” Não, simplesmente admito que minha carteira está tão vazia quanto a tua. O que é isso? Porque não podemos ganhar dinheiro suficiente para não ter que passar por essa situação constrangedora?

– Puxa, Marcelo. Nunca te vi falando assim em todos esses anos que somos amigos. E olha que faz tempo, são mais de quarenta anos de amizade. – Paulo estava bastante perplexo. O amigo que sempre foi otimista, que sempre acreditou que as coisas boas podem demorar um pouco, mas sempre acabam acontecendo, estava perdendo a fé.

– É que na verdade, nunca pensei assim. Trabalho todos os dias até altas horas da noite para criar os mais fantásticos websites que os clientes possam esperar, esperando com toda a fé que um dia alguma força superior reconheça meu trabalho e me envie alguma compensação. Pois nunca aconteceu. Apesar de todo meu esforço esses anos todos, finalmente me convenci de que não adianta nada. Por mais que eu trabalhe e por mais que eu ganhe, sempre me falta dinheiro para pagar as contas no fim do mês. É por isso que estou tão desolado. Quero ser um homem rico. Quero uma bela casa e carro do ano na garagem, quero roupas da moda e dinheiro no bolso, muito dinheiro no bolso. Mais que isso, quero que minha esposa use as mais belas jóias, que meus filhos freqüentem as melhores escolas e possam ter o mais moderno videogame. Quero levar minha família para conhecer outros países e outras culturas. Estou disposto a trabalhar com toda a força dos meus músculos, com toda a perícia das minhas mãos, com toda a sagacidade do meu pensamento, mas quero que os resultados do meu trabalho sejam compensadores. Qual é o problema com a gente? É essa a minha pergunta! Por que não podemos ter a nossa parte nas riquezas do mundo?

– Se eu soubesse… – replicou Paulo. – Estou tão insatisfeito quanto você. Meus salário na loja de eletrodomésticos acaba sempre um pouco antes do fim do mês. Por sorte ainda tenho o nome limpo na praça e consigo jogar as contas com o limite do cheque especial. Muitas vezes tenho que fazer bicos aqui e ali para não faltar comida em casa. Está cada dia mais difícil encher o tanque do carro, tanto que nem sei se não terei que vendê-lo em breve. Além disso, sonho sempre em abrir minha própria loja de eletrodomésticos. Sei que teria que trabalhar muito, mas o prazer de ser o dono da minha lojinha me deixa feliz só de imaginar. Ser gerente na loja dos outros até que é bom, mas o sonho de ser dono do próprio negócio nunca me saiu da cabeça.

– Pois é, merecemos tudo isso. Mas como fazer se mal conseguimos o suficiente para comer? O que falta saber para que a vida se torne um pouco mais divertida e fácil. Como acabar com essa situação de penúria em que nos encontramos. Ouça o sino, veja aqueles homens na porta da Catedral.

Ele apontou na direção da igreja, onde estavam vários mendigos pedindo esmolas. Havia também alguns flanelinhas correndo junto aos carros, pedindo um troco para “ficar bem cuidado.”

– Veja todos esses homens passando apressados pelas calçadas. – Paulo entrou no ritmo do amigo, tentando completar o que ele queria dizer.

– Homens que acham que são livres, com seus empregos relativamente seguros, seus horários rígidos e suas horas de almoço cada dia mais corridas. – Marcelo falava cada vez mais alto, quase gritando

– Quase todos eles com o mesmo problema que nós. – completou Paulo, satisfeito com seu entrosamento com o amigo, apesar de só completar-lhe os pensamentos.

– Há muita gente boa ali, – acrescentou Marcelo, concordando com o amigo – homens como nós. Imigrantes europeus, descendentes de índios, africanos e asiáticos. Todos se dirigindo a seus empregos, incansavelmente, dia após dia, ano após ano. Nenhuma expectativa quanto a um futuro diferente. Vivendo essa rotina diária quase sem se darem conta. Coitados desses pobres trabalhadores, Paulo!

– Coitados, realmente. Mas parece que não somos muito melhores que eles, embora nos consideremos mais independentes. Você, com sua pequena empresa de criação de websites e eu com meu emprego de gerente numa loja de eletrodomésticos. Temos alguma flexibilidade nos horários, benefício que eles não dispõem, mas ao mesmo tempo acabamos trabalhando bem mais horas por dia que nossos colegas. E ainda temos as mesmas contas para pagar no fim do mês.

– É verdade, Paulo. Por mais desagradável que seja esta verdade. Não queremos continuar com esta vida de escravos. Trabalho, trabalho, trabalho! Sempre e cada vez mais, trabalho. Precisamos descobrir como os ricos conseguem enriquecer e fazermos como eles. Deve existir algum segredo que eles saibam e a grande maioria de nós nem imagina – completou Marcelo, pensativo.

Quando mais jovens eles sempre conversavam sobre isso. Sobre alguma fórmula mágica que permitisse que qualquer um pudesse viver sem precisar trabalhar. Queriam se aposentar aos quarenta anos, para então poder aproveitar a vida. Agora, com meio século de existência, não podem deixar de trabalhar um dia sequer. Quando muito, conseguem emendar o Natal e o Ano Novo para uma semana completa de férias no fim do ano.

– Só pode ser isso! – lembrou Paulo – Hoje pela manhã cruzei com nosso antigo colega de escola, o Ricardo, desfilando em uma belíssima Ferrari vermelha. Nem sabia que tinha um carro desses circulando por nossa cidade, quanto mais com um amigo nosso sentado ao volante. Pensei que ele nem iria prestar atenção em mim, mas muito pelo contrário, parou na beira da calçada, me cumprimentou, perguntou como estavam as coisas e me desejou um bom dia de trabalho. Apesar de toda a riqueza que ele conseguiu juntar ao longo desses anos todos, ele continua o bom e velho Ricardo de sempre. O sucesso não lhe subiu à cabeça.

– Ele enriqueceu bastante rápido. – comentou Marcelo – Lembro que ele trabalhava desde guri, quando nós ainda estávamos mais preocupados em festas e diversão. Mas parece que não ganhava muito. Até trazia seu lanche de casa, para não gastar o dinheiro no bar da escola. Hoje em dia, dinheiro é algo que não lhe falta. Quem me dera ter nas mãos apenas o saldo de uma, de suas várias contas bancárias.

– Não ia adiantar nada, – retrucou Paulo – a riqueza dele não está na carteira que carrega. Uma carteira cheia se esgota rapidamente se não houver um constante fluxo de dinheiro. O Ricardo tem rendimentos de diversos negócios, que conservam suas reservas sempre altas, por mais dinheiro que ele gaste. Ali é que se encontra o segredo da sua independência financeira. Ele descobriu como criar uma constante corrente de riquezas, que fluem todos os dias para dentro de sua carteira.

– Rendimentos, esse é o pulo do gato – exclamou Marcelo. – Quero ter uma renda fluindo continuamente para dentro da minha carteira, esteja eu olhando pela janela ou viajando a países distantes. O Ricardo deve saber como um homem pode criar uma renda recorrente, que nunca deixe de fluir, afinal, foi o que fez para si. Será que é algo que possa ser ensinado facilmente para qualquer pessoa? Mesmo que esta pessoa não seja muito boa com números, como é o meu caso?

– Parece que ele ensinou seu filho Gabriel – respondeu Paulo. – O garoto viajou para a Europa logo depois de formar-se, com umas poucas economias. Juntou dinheiro em pequenos trabalhos temporários de verão, nas férias escolares. Já na Europa, depois de diversos empregos menores, tornou-se um próspero empresário. Hoje é sócio de uma grande rede de livrarias. Um garoto bastante rico, apenas cinco anos após sua partida. Muitos pensam que ele obteve ajuda do pai, mas isso não é verdade. Não que o pai não se dispusesse a ajudar, muito pelo contrário. Ricardo daria tudo que tem para ajudar o filho. Mas o garoto sabia que o que vem fácil também vai fácil. Pediu ao pai apenas uma ajuda para comprar a passagem aérea. E mesmo essa, fez questão de pagar assim que conseguiu juntar uns trocados, trabalhando como contador em uma lojinha sem muita importância. Soube que ele foi para a Europa somente por um motivo. Provar ao pai e a si mesmo que poderia ter sucesso usando apenas o que aprendeu, mesmo em um país desconhecido, longe da influência do círculo de amizades de Ricardo.

– Paulo, acabo de ter uma idéia e tanto. – Os olhos de Marcelo brilhavam. – Não nos custa nada fazer algumas perguntas a um velho amigo da escola. E o Ricardo sempre foi um bom companheiro para nós dois. Não interessa o fato de estarmos completamente sem dinheiro. Isso não deve e não pode nos deter. Cansamos de não ter dinheiro no meio de tanta prosperidade. Queremos ficar milionários. Vamos, agora é a hora de falarmos com o Ricardo e perguntar para ele como podemos adquirir uma renda constante e alta o suficiente para garantir nosso futuro. Acabo de me dar conta de uma coisa, descobri por que nunca encontramos a verdadeira riqueza! Note que sempre conseguimos aquilo que buscamos. Eu, trabalhando até altas horas da noite, fiz os mais belos websites da Internet. Para conseguir isso, tive que usar meus melhores esforços. Até que tive êxito, sou bastante reconhecido entre meus colegas de profissão, tenho um nome relativamente famoso neste meio. Alguns garotos inclusive vêm a mim para pedir dicas de como começar. Já você, começou humildemente como Office-boy no escritório da loja em que hoje ocupa a gerência. Descobriu cedo que gostava da área de vendas e pediu uma chance como vendedor. Seu chefe, vendo o quanto você estava empolgado com aquilo, deu-lhe a oportunidade de trabalhar na maior loja da rede, onde você pôde crescer e se tornar o melhor vendedor. Daí para a gerência da loja foi um pulo. Agora é apenas questão de tempo para se tornar o gerente de toda a rede de lojas.

– É verdade! – gritou Paulo. – Nas coisas em que aplicamos nossa força de vontade tivemos sucesso. As coisas parecem acontecer quando vamos em busca delas. Nós é que nos conformamos com nossa realidade medíocre e não fizemos nada mais para descobrir o que estava faltando. Pensávamos que o que faltava era dinheiro, mas não é só isso. Agora, finalmente, vemos uma luz no fim do túnel. Ela nos indica que devemos aprender mais para prosperar mais. Com esta nova compreensão sobre o que é necessário, acharemos os caminhos necessários para a realização dos nossos desejos. Vamos agora mesmo falar com o Ricardo – insistiu Paulo. – Vamos convidar outros amigos nossos que também não conseguiram muita coisa na vida, para que todos possamos aprender juntos estas novas lições.

– É isso aí Paulo! Vamos aprender o que nos falta saber. Vamos descobrir o que é necessário para atingirmos a tão sonhada independência financeira. Vamos descobrir o que precisamos saber para poder criar diversas fontes de renda, recorrentes e por toda a nossa vida. Não apenas isso, mas vamos aprender o suficiente para poder criar uma fortuna que perdure por muitas gerações após a nossa. Que nossos filhos tenham um futuro brilhante construindo sobre nossos alicerces.

Neste dia não almoçaram. A descoberta que fizeram alimentou suas almas. Quando Roberta chegou com o refrigerante que havia ido buscar, Marcelo e Paulo já estavam de saída. Seria um dia bastante animado para os dois amigos. Este era o dia em que eles resolveram tomar conta da situação. Deixar de ser duas ovelhinhas tímidas no meio do rebanho, levadas pelo pastor da vida. Decidiram ser eles os pastores. Decidiram levar a vida ao invés de serem levados por ela.

Eles tomaram a decisão!

Obrigado por lerem até aqui. Espero que tenham gostado. Sintam-se à vontade para enviar críticas e/ou sugestões.

Um grande abraço,
Fabricio Peruzzo.

Contracapa do livro: Amigo Rico

Segue o texto que irá na contracapa do livro “Amigo Rico”.

Este livro é minha modesta tentativa de mostrar a sabedoria de um dos melhores livros que já li: ‘O Homem Mais Rico da Babilônia’, de George Clason. Os ensinamentos e a narrativa são semelhantes ao original, porém transcritos para os dias atuais, com os problemas vividos por muitas pessoas em todo esse nosso Brasil.

O livro conta a história de Marcelo e Paulo, dois amigos cansados de passar mês após mês sem dinheiro no bolso. Eles até ganham um bom dinheiro com seus trabalhos, mas sempre acabam o mês com a carteira vazia. Saiba como eles conseguiram sair desta rotina de ganha-gasta sem fim. Saiba o que é necessário para viver uma vida cheia de riquezas, sem preocupações com o tempo que o salário deve durar. Aprenda a gerar uma renda extra que pagará todas suas contas, independente de você trabalhar ou não.

Qualquer dos personagens poderia ser eu ou você, leia o livro e escolha quem você quer ser no futuro, com que personagem você mais se identifica. E parta para a ação, caso se identifique com algum personagem que não lhe agrada. Todos temos um futuro brilhante à nossa frente. Devemos apenas tomar a atitude de viver nossa vida como ela merece ser vivida. Não podemos deixar acontecer o que fala aquela famosa música: ‘deixa a vida me levar, vida leva eu…’

Tomemos o controle de nossa existência, façamos o que é necessário para alcançar tudo o que, com certeza, todos merecemos. Para isto, precisamos de exemplos fortes e honestos em quem nos espelhar. Precisamos estudar cada vez mais sobre o funcionamento do jogo da vida. Precisamos saber as regras e jogar para ganhar.

Sigam comigo nesta jornada. Ao final, um mundo de riquezas e felicidade espera por todos nós. Nossa jornada só depende de uma coisa: um desejo ardente e insubstituível de “chegar lá”. Uma vontade incomensurável de vencer na vida. Todos podemos conseguir, independente de nossas condições iniciais. Eu consegui, você também consegue.

Fabrício S. Peruzzo, setembro de 2003.

Assegure uma renda para o futuro

Pague a previdência oficial, o INSS no valor máximo possível para você. Isso é a sua segurança em caso de algum acidente que o impossibilite de trabalhar no futuro, além de ser a garantia de uma renda mensal de aposentadoria caso todo o resto dê errado. Há anos que vemos as notícias de que a Previdência está quebrada, mas por menor que seja o valor da aposentadoria, todos que tem direito a ela recebem com regularidade.

Multiplique seus rendimentos

A medida em que vai economizando dinheiro, reinvista os retornos obtidos até atingir a quantia suficiente para viver de seus rendimentos sem precisar trabalhar. Obtenha ganhos compostos sobre seus rendimentos até que a quantia de capital investido atinja uma massa crítica que crie a renda que você deseja na vida. Não gaste o rendimento de seus investimentos, porque é a “mágica” dos juros compostos que permite que uma pequena quantia mensal economizada se torne uma grande montanha de dinheiro.

Acabe com suas dívidas

Garanta sua prosperidade futura

Garanta sua futura prosperidade e guarde pelo menos 10% de tudo o que ganhar, independente das dívidas que tem para saldar. O fato de conseguir economizar ao mesmo tempo em que começa a quitar suas dívidas é de grande ajuda para que você se sinta bem consigo mesmo. Dessa forma, você não fica com aquela sensação de que todos estão ganhando, menos você.

Escreva um plano para saldar suas dívidas

Escreva em uma folha de papel todos os valores que você deve e para quem deve. Use 20% do que ganhar exclusivamente para quitar suas dívidas. Divida esses 20% de forma proporcional entre todos os seus credores. Faça uma pequena tabela listando os credores, os valores devidos para cada um e os valores possíveis de serem pagos mensalmente de acordo com os 20% separados de seu salário para este fim.

Renegocie com seus credores. Mostre a listagem de tudo que está devendo e o plano concreto para quitar esses débitos. Explique que esses valores são tudo o que você pode pagar mensalmente. Mostre que você está decidido a quitar suas dívidas e sair do buraco em que se meteu.

Consolide pagamentos de forma a pagar menos juros. Se você tem dívidas em vários cartões de crédito, converse com seu gerente do banco para conseguir um empréstimo a juros mais baixos para quitar essas dívidas. Faça o empréstimo de forma a ficar com uma prestação que se encaixe nas suas possibilidades. Mostre seu plano de quitação das dívidas. Os gerentes de banco são compreensivos com quem tem a real intenção de resolver seus problemas financeiros.
Viva a vida dentro de suas possibilidades

Use os 70% restantes do seu salário para comprar comida, pagar as contas da casa, comprar as roupas necessárias. Use esta parte também para proporcionar algum lazer para você e sua família. Pode ser um jantar, um filme, uma peça de teatro. Com certeza não vai sobrar para fazer muita coisa, lembre que você está deixando de ser um devedor. O mais importante é: não compre nada que não possa ser comprado com a quantia disponível. Não faça novas dívidas. Viva dentro das possibilidades que esses 70% dos seus ganhos permitirem. Não viva acima dos seus ganhos, pois isso irá lhe afundar cada vez mais.

Se isso significa que você não terá dinheiro para ir ao cinema todo fim de semana, vá apenas uma vez por mês. Se não der para ir a todas as festas, escolha as mais divertidas. Se não puder trocar de carro, fique mais um tempo com o atual. Se não puder nem manter o carro, passe a andar de ônibus. Lembre-se que suas dívidas estão cobertas de juros. Esses juros comem todo o seu dinheiro. A situação toda só pode piorar enquanto você não se livrar das dívidas.

Agora lembre de que no momento em que se livrar das dívidas você já estará acostumado a viver com apenas 70% do seu salário. Que não terá mais os juros dessas dívidas comendo parte do que ganha. Continue o plano de economizar no mínimo 10% de tudo que ganhar e se possível, economize também os 20% que estavam sendo usados para quitar suas dívidas. Quanto mais você conseguir economizar, vivendo dentro de suas possibilidades, sem luxo mas com certo conforto, mais rápido você chegará ao pódio dos vencedores. Mais rápido atingirá sua independência financeira.

Aplique seu dinheiro com segurança

Busque conselhos com quem está acostumado a lidar com o dinheiro. Converse com o gerente de seu banco. Diga a ele que você procura um investimento que proteja seu dinheiro e que lhe traga um rendimento seguro e estável todos os meses.

Não coloque seu dinheiro em “aplicações” que ofereçam sorteios. O dinheiro que paga os prêmios desses sorteios é o seu dinheiro. Somente uns poucos conseguem ter a sorte de ganhar enquanto todos os outros pagam a conta. No final dessas “aplicações”, você acaba com menos dinheiro do que começou.

Não arrisque suas reservas em aplicações que não conheça. Não caia no canto da sereia das aplicações que renderam muito mais do que a aplicação segura indicada pelo banco. Verifique se esse rendimento foi tão bom no mês anterior, no ano anterior e em três anos anteriores. Tome todas as precauções, porque uma vez que seu dinheiro se foi, você já sabe o quanto é difícil de conseguir juntar ele de novo.

Invista seu tempo ativamente e seu dinheiro, passivamente. Use seu tempo para aprender coisas novas. Aprenda coisas que podem lhe trazer uma melhor remuneração. Não perca tempo tentando aprender a “bater o mercado”. Mais de 80% dos especialistas em investimentos não conseguem esta façanha, o que o faz pensar que você conseguiria? Aplique seu dinheiro em fundos indexados pelo mercado, com as menores taxas de administração.

O dinheiro trabalha para o homem prudente que encontra um investimento lucrativo. Note que a palavra-chave na frase anterior é prudente, não só lucrativo. Não acredite naquela dica quente de investimento, fornecida pelo seu vizinho cheio de dívidas. Escute quem sabe como lidar com o dinheiro.

Não peça sugestões de investimentos para aquele seu amigo que anda com o carro do ano financiado. Ele provavelmente não tem dinheiro algum aplicado mesmo e não saberá lhe responder.

Fuja dos ganhos impossíveis. O dinheiro foge de quem o emprega em negócios que não está familiarizado ou que não contam com a aprovação daqueles que sabem poupa-lo. Tome cuidado com os conselhos enganosos de trapaceiros. Eles sabem como seduzir os incautos. Se todas as aplicações que você estudou pagam entre 1% e 5%, é muito pouco provável que aquela oferta que paga 40% seja verdadeira.

Controle seus gastos

A maioria das pessoas não tem a menor idéia da grande quantidade de dinheiro que passa por suas mãos todos os dias. Esse dinheiro, dividido em dezenas de pequenos valores, passa por nossas mãos sem nos darmos conta de sua quantidade.

Porque as pessoas não enriquecem?

O desprezo pelos pequenos valores: Todos os dias fazemos diversas pequenas transações financeiras. Tão pequenas que no final do dia sequer lembramos delas. Algumas pessoas costumam tomar café da manhã fora de casa, pagando bem mais pelo pãozinho com presunto e queijo do que custaria se preparassem em casa. A maioria das pessoas costuma jogar num canto qualquer as moedas recebidas de troco. Isso quando não deixam o troco de “brinde” para o dono do estabelecimento. Todos esses pequenos valores, quando somados, costumam surpreender as pessoas.

O descaso por uma boa negociação: Muita gente costuma fazer as compras da maneira mais parcelada possível, para conseguir uma prestação mais baixa. Fazem isso e se esquecem de calcular o quanto irão pagar no total. Geralmente as lojas possuem taxas de juros consideravelmente mais altas do que o dinheiro renderia no banco. Adiar a compra daquele liquidificador por poucos meses pode significar pagar apenas metade do preço do que comprando parcelado.

A ausência de percepção financeira: Quantas pessoas você conhece que até possuem uma pequena reserva financeira? E quantas dessas pessoas tem o saldo do cartão de crédito parcelado todo mês? É completamente ilógico. Porque deixar o dinheiro rendendo 1% ao mês e pagar 12% de juros no cartão de crédito?

Não saber onde se quer chegar: Esse é um fato incontestável. Se as pessoas não sabem o que desejam atingir, não têm como fazer o planejamento para conquistar tal objetivo.

Como controlar seus gastos

Existem diversas técnicas para fazer o controle dos gastos. A primeira coisa que temos que fazer é bastante simples:

  • Coloque uma folha de papel junto do seu dinheiro;
  • Anote cada gasto feito durante o dia, classificando em alguma categoria pré-determinada.

Com apenas essas duas atitudes já teremos meio caminho andado. Depois disso temos que consolidar os gastos das categorias de forma a saber o quanto gastamos mensalmente em cada uma delas.

Para as categorias, sugiro algo relativamente simples. Quanto mais complexo e cheio de divisões, mais chato e complicado de aplicar no dia a dia. As suas categorias podem ser diferentes das minhas, mas deixo uma sugestão abaixo:

  1. Pague-se primeiro: Essa categoria serve como acompanhamento. Sempre que ganhar algum dinheiro, separe a sua parte (no mínimo 10%) e coloque em sua conta de aplicação (ou em uma caixinha, caso o valor seja muito baixo para poder aplicar no banco);
  2. Doação: Anote tudo o que você doa. Pode ser para a caixinha da Igreja, para algum mendigo, para a instituição de caridade que você se identifica. Em capítulos adiantes vou escrever mais sobre esse assunto.
  3. Impostos e taxas: Não temos como fugir. Mesmo que estejamos livres do imposto de renda por ganhar menos do que o limite de isenção, ainda assim temos impostos e taxas. É a CPMF, as taxas de manutenção da conta no banco, etc.;
  4. Moradia: Se está pagando a casa própria, aqui vão os valores da prestação do financiamento, os gastos de manutenção da casa, tais como consertos e melhorias, as reformas necessárias, etc.;
  5. Custo de vida: Essa é a categoria que conterá a maior parte de suas despesas. Aqui vai a conta do supermercado, do almoço na rua, do telefone fixo, celular, internet, roupas. Enfim, tudo que seja necessário para viver sua vida. Nesta categoria também entra a conta do condomínio e aluguel, caso não possua a casa própria;
  6. Carro ou Transporte: Aqui vão os gastos de gasolina, manutenção, seguro, IPVA, passagens de ônibus, corridas de táxi, estacionamento, pedágio, enfim, tudo que se relacione com locomoção;
  7. Lazer: Cinema, teatro, CDs, passeios, jantar fora com a família;
  8. Seguros: Do carro, de vida, da casa…;
  9. Diversos: Tudo que não se enquadra em nenhuma das categorias anteriores;
  10. Negócios: Gastos em pequenos negócios. Por exemplo, o material necessário para fazer algo artesanal que será vendido com pequeno lucro. Ou a compra de um equipamento que será revendido.

As categorias acima são apenas uma sugestão. São as categorias que usei durante muito tempo. Dependendo do seu momento na vida, as categorias podem variar um pouco. Pode ser retirada a categoria “Seguros” caso você não possua nenhum. Pode ser acrescentada uma categoria “Estudo” para classificar as prestações da faculdade e o material didático. O importante é manter o sistema simples, para que a complexidade não o impeça de usar a classificação em todos os seus gastos diários.

Note que anotar o valor que gastou, em que foi feito esse gasto e a que categoria pertence é tão simples que não deve tomar mais do que alguns segundos. O mais importante é classificar todos esses gastos no final da semana e no final do mês e estudar para onde está indo o seu dinheiro. As descobertas que fazemos depois de realizar esse acompanhamento por apenas um mês, são desconcertantes.

Depois de descobrir como gastamos nosso dinheiro, podemos decidir o que pode ser cortado e o que não pode. Quais são os pequenos gastos que no final do mês fazem com que todo nosso dinheiro suma da carteira.

Como fazer um orçamento mensal

Depois de ter feito o acompanhamento de seus gastos por pelo menos três meses, você deve fazer um orçamento mensal. Este orçamento vai definir o quanto você pode gastar em cada uma das categorias principais. O orçamento deve levar em conta os valores que você apurou ao fazer o acompanhamento e também os valores que você decidiu cortar dos seus gastos mensais para poder economizar.

Existe uma técnica que recomendo para as pessoas que simplesmente não conseguem se controlar em relação aos seus gastos. É a técnica do envelope. Esta é uma maneira extremamente simples de controlar seus gastos e fazer um pequeno orçamento mensal. Consiste no seguinte:

  1. Liste suas contas mensais;
  2. Pegue vários envelopes;
  3. Escreva um tipo de gasto em cada um: por exemplo, supermercado, comer fora, roupas, passagens de ônibus;
  4. Quando receber seu salário, separe a quantia para pagar as contas mensais e os valores que você precisa para cada tipo de gasto e coloque nos respectivos envelopes;
  5. Pague todas as suas contas mensais;
  6. Use o dinheiro de cada envelope apenas com os gastos daquele envelope. Não misture as contas.

Dessa forma, em pouco tempo você terá adquirido o hábito de gastar apenas o que pode em cada tipo de despesa na sua vida. Isso ajudará a manter as contas controladas e permitirá que seu salário dure pelo menos até o fim do mês.

Táticas para poupar dinheiro sem fazer força

Chega de papo furado, vamos agora a algumas táticas que o ajudem a aumentar sua poupança sem fazer muito esforço.

A primeira grande técnica é simplesmente separar 10% de tudo o que ganhar, no momento em que ganhar, e colocar em uma conta de investimento. Simples assim. Esqueça que ganhou esse dinheiro. Imagine que seu salário é composto apenas dos 90% restantes.

Comece cedo. Quanto antes você começar, mais rápido conseguirá atingir sua independência financeira. Qual é o melhor momento para começar? Hoje, agora, neste exato segundo.

Quando receber um aumento de salário, destine esse aumento à sua poupança. Lembre-se que quanto mais você conseguir economizar, mais rápido sairá da corrida pelo dinheiro. Se você levar isso a sério, você provavelmente terá que economizar pelo menos 30% de sua renda. Isso pode ser difícil se você ganha pouco. A melhor maneira de fazer isso sem sentir tanto é destinando futuros aumentos ou outros ganhos diretamente à sua poupança. A maior parte das pessoas comete o erro de gastar os aumentos e ganhos inesperados em novos luxos. Uma vez acostumados, esses novos luxos se tornam hábitos, difíceis de se abrir mão. E assim entramos em uma bola de neve cada vez maior de ter que ganhar mais para poder gastar mais.

Adie seus impostos ao máximo. Existem planos de previdência do tipo PGBL e VGBL que permitem recebermos rendimentos sobre valores que deveriam ser pagos de imposto de renda. Deixamos de pagar esse imposto agora para só pagar no futuro, quando formos realizar os resgates. Os rendimentos sobre esses impostos prorrogados podem ser bastante significativos.

Contribua com o plano de aposentadoria de sua empresa. Algumas empresas possuem planos de aposentadoria em que para cada real que você aplicar, a empresa aplica um percentual do valor. Existem empresas que depositam 100% do valor. Ou seja, se você aplicar R$ 100 por mês, a empresa depositará mais R$ 100 na sua conta de aplicação. Claro que isso tem um limite percentual do seu salário. Mas é um valor extra que você pode ganhar. Descubra o valor máximo que pode contribuir e coloque em prática.

Não compre um carro novo. O carro é um dos itens mais caros que costumamos comprar, provavelmente o mais caro depois da casa própria. Mas a casa geralmente valoriza com o tempo, enquanto o carro certamente desvaloriza assim que saímos da revenda. Carros zero são um péssimo investimento, perdendo cerca de um terço do valor nos primeiros dois anos.

A melhor opção é comprar um carro usado, com dois a cinco anos de uso. Escolha com calma. Procure por um carro com quilometragem baixa, visivelmente bem cuidado. Verifique se as manutenções preventivas foram feitas com regularidade. Se você andar só na cidade, sem fazer viagens com freqüência, dê preferência por um carro popular ou com um motor um pouco mais fraco. A diferença no custo de gasolina e seguro com certeza será bastante significativa.

O prazer de um carro novo pode ser uma ótima experiência. Já passei por ela e com certeza passarei outras vezes. Mas tudo tem seu momento certo. Um jovem iniciando a vida, sem dinheiro no banco, simplesmente não pode se dar a esse luxo e ainda assim pretender atingir a independência financeira de forma mais rápida.

Os custos de um carro são geralmente subestimados pelos proprietários. Faça uma pequena lista dos gastos anuais que terá com seguro, manutenção, troca de óleo, desvalorização, IPVA e estacionamento. Tranquilamente chega a R$ 500 mensais de valor extra para um carro popular novo, que custe uns R$ 18.000. Note que não contabilizei a gasolina na lista acima, já que o valor desta geralmente é semelhante ao que gastaríamos com ônibus, lotação e táxi.

Pague sua dívida do cartão de crédito integralmente. Com os juros praticados no Brasil, financiar o saldo do cartão de crédito é a pior coisa que pode ser feita com nosso dinheiro. Use o cartão de crédito apenas por conveniência, comprando apenas o que pode pagar à vista.

Controle seus gastos. Mantenha um registro de seus gastos durante um mês e descobrirá uma montanha de itens desnecessários que passam desapercebidos dia após dia. O próximo capítulo será dedicado a este item em mais detalhes.

Calcule o custo da riqueza perdida. O custo de determinado item não é aquele que desembolsamos por este item. O custo real é o que deixamos de possuir no futuro por ter adquirido este item hoje. Não sou contra possuir as boas coisas da vida. Mas faça o cálculo de quanto o valor dessas coisas representa no futuro se fosse investido em um fundo de aplicação financeira. Somente após este cálculo decida se vale a pena comprar este item agora e atrasar em alguns anos a sua independência financeira.

Lembre-se do essencial: existe uma grande diferença entre a riqueza real e os símbolos da riqueza. Alguém andar com um carro caro, morar em uma casa espaçosa e usar roupas ostentosas não significa que seja rico; na verdade, a falência pode estar a um contra-cheque de distância.

O que definirá se você conseguirá subir os degraus da independência financeira não é o quanto você ganha. É o quanto você poupa!

Mentalidade de pobre e mentalidade de rico

Uma das coisas que torna mais difícil o ato de poupar é o fato de que nossa sociedade enaltece os gastadores e ridiculariza os poupadores. Basta olhar a TV para notarmos isso. Quem são os ídolos? Aquela artista que pagou uma fortuna pelo apartamento novo. O jogador que desfila com o carrão importado. Enquanto isso vemos os poupadores serem chamados de sovinas, unhas de fome, pão-duros.

Qual é a primeira coisa que vem a mente quando você pensa em um judeu? Vai dizer que não é a fama de avarentos? A grande verdade é que a grande maioria deles é extremamente generosa e filantrópica. Séculos de perseguição exigiram que aprendessem a poupar para sobreviver.

Nas histórias em quadrinhos, quem é o grande pão-duro? O Tio Patinhas, um rico poupador. No cinema, quem são os grandes vilões? Geralmente empresários e milionários traiçoeiros. É comum ainda professores universitários apresentarem empresários como avarentos e desonestos. Porém esses empresários são os que criam as riquezas que permitem que as universidades existam.

O que pensamos sobre os ricos, inconscientemente, bloqueia nosso acesso à riqueza. Temos que manter a mente aberta. Precisamos entender a fundo todas as benesses que o dinheiro pode nos trazer se é bem utilizado. Não podemos ser escravos do dinheiro, devemos ser seu senhor.

Poupar é melhor do que ganhar dinheiro

Se pararmos um pouco para pensar, financeiramente é melhor poupar do que ganhar dinheiro. Cada R$ 100 que poupamos, são exatamente R$ 100. Agora, para conseguirmos ganhar R$ 100, temos que ganhar aproximadamente R$ 140, porque existem impostos a serem pagos sobre o que ganhamos. Nossa renda é sujeita a impostos, mas nossa riqueza não.

Toda fortuna tem como base a poupança. Ganhar dinheiro, como já vimos diversas vezes nos casos de jogadores de futebol e ganhadores de loterias, por exemplo, não faz as pessoas ricas. Faz apenas com que elas tenham dinheiro por algum tempo. O que as torna ricas é o ato de poupar o que ganharam e então fazer uso dos rendimentos. Os investimentos fazem as pessoas ricas. Mas não podemos investir o que não foi poupado. Não existem atalhos. Em cada milionário que construiu sua própria riqueza existe um poupador dedicado.

Pode parecer difícil conseguir economizar em nossa sociedade viciada em gastar. As propagandas saltam aos nossos olhos com novidades e mais novidades. Como não experimentar aquele novo chocolate, não comprar aquele modelo de carro recém lançado, comprar aquela calça da moda, o CD daquele artista que começou a fazer sucesso? As propagandas são tão bem feitas que a maioria das pessoas confunde quem são com o que possuem.

Falta de dinheiro não é problema, mas falta de poupança, sim. Sabendo que poupar pode trazer a liberdade e a riqueza, a maioria se mantém refém do consumismo e do hábito de gastar. Quando estamos tristes por qualquer motivo, o remédio geralmente é sair para comprar algo.

Essa é a primeira coisa que temos que mudar. Poupar tem que ser um hábito.