O segredo da venda permanente de batatas ou livros é tê-los sempre à
venda. O que está sempre à venda vende sempre.— Monteiro Lobato
Artigos
2010, um ano excelente para crescer nossos negócios
No final do ao passado um amigo me convidou para me associar a ele em um novo negócio que estava montando. A idéia era excelente e os planos de crescimento e implementação muito bons. A idéia era excelente, mas era uma cópia do meu negócio atual, o investimento em consórcios, com uma série de expansões que não implementei por ve-las como distrações ao objetivo principal, por fugirem da minha missão pessoal, que é auxiliar as pessoas a construir patrimônio com objetivo de geração de renda para uma vida tranquila pelo resto da vida.
A idéia dele envolvia a criação de produtos e serviços que poderiam trazer um bom lucro para a empresa, mas atenderia um outro público, diferente do investidor que deseja construir patrimônio para garantir sua tranquilidade futura. Na prática, tais expansões poderiam ser implementadas até mesmo como um outro negócio, completamente distinto, apesar de intimamente relacionado.
O que foi legal desse convite é que me levou a uma profunda reflexão sobre os meus dois últimos anos profissionais, tudo o que alterei na minha vida e como as coisas começaram a dar muito certo de maneiras extraordinárias após eu ter implementado pequenas mudanças na minha forma de agir em relação aos negócios. Acredito que esta reflexão poderá lhe ajudar a cortar um longo caminho de frustração se você é um empreendedor iniciante, cheio de capacidades e possibilidades a sua frente. Se tivesse um texto desses para me orientar quando comecei, os resultados viriam bem mais rápidos.
Segue o meu email de resposta ao convite, junto com a reflexão levemente editada para não expor segredos de terceiros que comento na resposta original.
—–
Sobre nossa conversa, refleti e vou deixar passar a sociedade no momento. Mas vou aproveitar para trocar algumas observações contigo, porque acho que temos muita coisa em comum, trilhamos muitos caminhos parecidos e também temos muitos objetivos que convergem para várias parcerias.
Por favor não toma nada do que escrever como crítica, não é este o objetivo. Como já conversamos longamente, ambos acreditamos que pessoas diferentes fazem coisas diferentes e nada do que fazem é certo ou errado, mas sim, adequado aquela pessoa, naquele momento.
Uma caraterística que tu tens e que foi o principal motivador de eu preferir não entrar de sócio contigo agora, é a de querer abraçar o mundo em todas as frentes. Eu já fiz isso por muitos anos, em muitos setores. Uma característica de pessoas como nós, que somos altamente perceptivos em relação às oportunidades e absurdamente capazes de adaptação e de criação de negócios em torno de uma idéia, é justamente a capacidade de poder fazer qualquer coisa que queiramos fazer. E por anos, para mim, isso resultou em querer fazer TODAS as coisas que teria capacidade de fazer.
Então certo dia um amigo, padrinho de casamento, mentor, empresário de sucesso, me disse:
“Fabrício, empreender é aprender a gerenciar as distrações”.
E ele estava certo. Explico isso no meu caso logo mais.
Qual foi a percepção que tive quando tu me apresentaste o convite? Notaste um negócio bom, promissor, com boas possibilidades de lucro, com facilidade de entrada. Notaste ainda que dava para fazer crescer o negócio de diversas formas, que atendia clientes distintos e que podia ainda integrar com outros negócios, e então começaste a implementar. Ok, acho que vais ter sucesso. Mas junto com esse negócio, tens mais diversos outros andando em paralelo. E tens o emprego na ——–. Uma seguradora. A gestão de clubes de ações. E as franquias da financeira. E outros negócios que manténs para ajudar tua familia.
Tudo isso gera um bom lucro. O lucro combinado de cada um, dá um bom valor mensal (ou dará, no caso do que ainda está engatinhando). A questão é que não há foco e dedicação integral a um negócio. E isso, eu aprendi da maneira mais árdua, errando por mim mesmo, é o que traz o maior resultado. Mas como escrevi antes, isso não é uma crítica a tua forma de atuar, pode ser que para ti esta seja a melhor forma e não sou eu que vou dizer que está errado. O que vou dizer com todas as letras, isso sim, é que PARA MIM, isto é errado, isto não funciona. Porque durante anos eu fiz dessa maneira, em negócios excelentes onde eu via outros lucrarem muito e eu apenas ganhar um bom dinheiro. Ao longo do tempo pensei diversas vezes se seria eu o incapaz, limitado, que não sabia ganhar dinheiro de verdade, porque tudo em que eu entrava, crescia mais ou menos bem, mas não dava o salto gigantesco que via outros terem.
Só que tenho olhos abertos e percepção aguçada. E passei a olhar cada vez mais de perto os casos de sucesso enorme que me rodeavam. Estive por anos próximo a incubadoras e startups e já vi centenas de sucessos absolutos e fracassos retumbantes. TODOS os sucessos que vi tinham empreendedores focados em apenas um objetivo: fazer o negócio deles crescer. Fé cega, queimando todas as pontes alternativas. É aquilo ou aquilo e somente aquilo.
Então dei o salto. Vendi minha parte na empresa de internet para meu sócio e me dediquei a um único negócio, a Megacombo. Em um ano multipliquei meus ganhos por cinco. E sabe o que de mais engraçado aconteceu? A empresa de internet também multiplicou os ganhos por três neste mesmo período, porque agora, sem eu estar presente no negócio, meu sócio não poderia se distrair com os vários outros negócios que tinha enquanto éramos sócios juntos. Deixou de lado as distrações e junto com a namorada passou a dedicar 18 horas por dia a fazer sites e hospeda-los.
A Englishvox, minha empresa do curso de inglês online, passou pelo mesmo processo neste último ano. Passamos anos com ela no vai não vai. E não ia. Todos os sócios estavam envolvidos com outros negócios. Quando um sócio largou tudo (emprego excelente, diretor de uma boa empresa) e se dedicou apenas a fazer sua própria empresa crescer, em um ano atingimos o ponto de equilíbrio e seis meses depois o faturamento já mostra os primeiros lucros. Eu não me envolvo com a empresa, sou apenas acionista, como seria de uma Petrobras ou Vale, mas com potencial de crescimento bem maior por ser uma startup. Mas como disse, não me envolvo, tenho um e apenas um negócio que é o meu negócio. E só vou tocar outros negócios depois desse estar do tamanho que eu quero que esteja, com as estruturas todas estabilizadas, com funcionários tocando o dia a dia da empresa.
E falando em funcionários tocando o dia a dia da empresa, aí vem outra descoberta que fiz do que funciona para mim. Preciso estar em todos os pontos, preciso ser o boy, a faxineira, a telefonista e a secretária, além de ser o gerente de contas, de parcerias e operacional. Além de ser o diretor. Pois tendo passado por tudo desde o início, sei o que funciona e o que não funciona. Eu tenho que saber como funcionam todos os aspectos do meu negócio antes de colocar alguém para executar as diversas funções que posso delegar a um funcionário. Este é o segundo estágio, o estágio onde estou agora, automatizando as rotinas e sistemas da empresa e colocando funcionários treinados por mim em cada posição. Não posso fazer outra coisa, preciso estar presente para afinar os detalhes e depois disso sim, poder sair com tranquilidade.
Sei que é difícil dar um pulo no escuro e arriscar tudo o que já conquistamos. Foi mais fácil para mim largar um emprego quando montei minha primeira empresa porque na época ganhava pouco. Nunca acreditei naquele conselho que lemos nas revistas de empreendedorismo que dizem para montar um negócio em paralelo ao emprego e quando o negócio render o mesmo que o emprego rendia, aí sim largar o emprego. Para mim, o que funciona é pular no abismo e queimar as pontes atrás de mim, é ter certeza de que ao pular, conseguirei costurar um paraquedas antes de atingir o solo. E que este paraquedas na verdade não é um paraquedas, mas sim um paraglider, que não apenas evitará a queda, mas me levará para cima.
É isso. Agradeço a oportunidade de refletir um pouco sobre os últimos dois anos da minha vida, por conseguir colocar em texto um pouco do que aprendi funcionar para mim e por ajudar a manter meu foco no negócio que estou construindo, um degrau por vez, mas com uma solidez cada vez maior.
Abraço e sucesso a todos,
Fabricio Stefani Peruzzo
Feliz ano novo!
“Bendito quem inventou o belo truque do calendário, pois o bom da segunda-feira, do dia 1º do mês e de cada ano novo é que nos dão a impressão de que a vida não continua, mas apenas recomeça…”
— Mário Quintana
Sobre Zé Mário Storino
*****
Não é que eu seja muito diferente. Os outros é que são muito iguais.
*****
Eu tenho um coração de menino. Eu o guardo em um vidro com formol, em cima da minha estante.
*****
O grande barato da vida é olhar para trás e sentir orgulho da sua história.
O grande lance é viver cada momento como se a receita da felicidade fosse o aqui e o agora.
É claro que a vida prega peças.
É lógico que, por vezes, o pneu fura, chove demais…
Mas, pensa só: tem graça viver sem rir de gargalhar pelo menos uma vez ao dia?
Tem sentido ficar chateado durante o dia todo por causa de uma discussão na ida pro trabalho?
Tá certo, eu sei, Polyanna é personagem de ficção e hiena come porcaria e ri, eu sei.
Não quero ser cego, burro ou dissimulado.
Quero viver bem.
2008 foi cheio de coisas boas e realizações, mas também cheio de problemas e desilusões.
Normal.
Às vezes se espera demais das pessoas.
Normal.
A grana que não veio, o amigo que decepcionou, o amor que acabou.
Normal.
2009 não vai ser diferente.
Muda o século, o milênio muda, mas o homem é cheio de imperfeições, a natureza tem sua personalidade que nem sempre é a que a gente deseja, mas e aí?
Fazer o quê?
Acabar com seu dia?
Com seu bom humor?
Com sua esperança?
O que eu desejo para todos nós é sabedoria!
E que todos saibamos transformar tudo em uma boa experiência!
Que todos consigamos perdoar o desconhecido, o mal educado.
Ele passou na sua vida.
Não pode ser responsável por um dia ruim…
Entender o amigo que não merece nossa melhor parte.
Se ele decepcionou, passe-o para a categoria 3 dos amigos.
Ou mude de classe, transforme-o em colega.
Além do mais, a gente, provavelmente, também, já decepcionou alguém.
O nosso desejo não se realizou? Beleza, não tava na hora, não deveria ser a melhor coisa para esse momento (lembro-me sempre de um lance que eu adoro: “Cuidado com seus desejos, eles podem se tornar realidade”).
Chorar de dor, de solidão, de tristeza faz parte do ser humano. Não adianta lutar contra isso.
Mas se a gente se entende e permite olhar o outro e o mundo com generosidade, as coisas ficam diferentes.
Desejo para todo mundo esse olhar especial.
2008 pode ser um ano especial, muito legal, se entendermos nossas fragilidades e egoísmos e dermos a volta nisso.
Somos fracos, mas podemos melhorar.
Somos egoístas, mas podemos entender o outro.
2009 pode ser o bicho, o máximo,
maravilhoso, lindo, espetacular…
Pode ser puro orgulho!
Depende de mim, de você!
Pode ser…
E que seja!
FELIZ OLHAR NOVO!
*****
“A felicidade deve ser praticada.”
Anaïs Nin
*****
Céu, entre Milão e Londres

Vôo da Lufthansa, há pouco tivemos uma excelente refeição com sanduiche quente italiano em pão sete grãos com molho pesto de rúcula, speck e queijo pecorino. De sobremesa um chocolate ao leite feito em Milão e uma crostata alemã. Companhias brasileiras, aprendam com os alemães… Não façam como os espanhóis, que passam um cardápio com o preço das refeições a bordo 🙂
Já no vôo somos apresentados a uma das particularidades britânicas, servem chá e temos a opção de chá com leite. Diferente para nós brasileiros mas aparentemente comum para os ingleses, ví vários fazendo esta opção de bebida no almoço.
Outro ponto interessante a observar é que quando a aeromoça nos pergunta o que queremos beber em italiano, respondemos em italiano e ela continua a conversa nesta língua. Sendo visivelmente alemã, com o nome no crachá tirando qualquer dúvida ainda existente, temos uma aeromoça que fala três línguas, seu alemão materno, o inglês obrigatório para a profissão e o italiano recém demonstrado. Conversando um pouco mais descobrimos que ela voava com frequência para São Paulo, e que por ser parecido com o espanhol que ela também falava, nos entendia bem. Essa era nossa aeromoça das quatro línguas 🙂
Não poderia deixar de comentar ainda mais um mito desfeito, o de que os alemães são um povo frio e fechado. Se não deu para notar pelo parágrafo anterior, tivemos uma rápida porém agradável conversa com uma das aeromoças mais legais com quem já voamos. Lembrando que o outro mito, dos franceses serem arrogantes e não fazerem esforço para ajudar, já haviamos derrubado vários dias antes ao sermos abordados por mais de um francês tentando nos ajudar ao ver que procurávamos algo no mapa.
A foto acima mostra uma coisa que vimos pela primeira vez, os picos nevados das montanhas acima das nuvens. Muito lindo, muito emocionante, agora só falta visitar algum lugar com neve para completar a experiência. Quem sabe um natal em New York?
Milão, singing in the rain

Devido a mudanças nos nossos planos resolvemos passar o dia anterior passeando ao redor do Lago di Garda, onde demos a volta completa nos 140 Km do mesmo. Não poderia haver um sábado de sol melhor, no entanto, isto nos deixou apenas um domingo chuvoso para conhecer Milão 🙂
Pessoalmente, gostei da cidade. Fomos recepcionados por uma estação de trens enorme, uma chuvinha fraca e um hotel bem localizado. Não deu para ver muita coisa e o fato de ser domingo complicou um pouco mais, mas depois de tanta viagem o melhor mesmo é reservar uns dias a mais em Milão na próxima viagem. Ou não.



Gavardo, Desenzano, Sirmione e Lago di Garda
Os melhores dias de nossa viagem, sem dúvida alguma. Não me entendam mal, tudo que vimos até aqui é maravilhoso, mas depois de 22 dias viajando não há nada como estar na casa dos amigos, com calor humano, sem a impessoalidade dos hotéis. Junte a tudo isso um dos locais mais bonitos do planeta e a história está completa.
Gavardo
Gavardo é uma pequena cidade próxima ao Lago di Garda que não teria nada de diferente de outras pequenas cidades do interior da Itália. Porém, esta tem algo diferente, é a cidade onde moram os amigos Antonieta e Armando. A história deles também é interessante, ela brasileira, ele italiano, se conheceram pela internet quando ela procurava alguém para treinar o aprendizado da língua italiana, um visitou o outro e hoje moram juntos, na Itália no verão italiano, no Brasil no verão brasileiro. Verão o ano todo, uma beleza para uma carioca como ela 🙂
Não há como descrever com palavras a recepção que eles nos deram, então deixo apenas algumas imagens que tentam mostrar um pouco disso…



Lago di Garda
Nem vou escrever aqui sobre Desenzano, Sirmione, Lazise, ou o Lago di Garda. Para conhecer os castelos que há nestas cidades, só indo pessoalmente. Ficam algumas fotinhos extras para ilustrar a vida dura que se leva no interior da Itália…




Veneza

Veneza é linda! Veneza é tão diferente de tudo a que estamos acostumados que a cada passo descobrimos alguma novidade. Ao chegar na estação de trens, ou melhor, ainda antes disso, vendo a cidade se aproximando enquanto atravessávamos a ponte, já dava para nos admirarmos com o visual das fachadas, alí, na beira do mar, rente ao mesmo, sem uma areiazinha para separar. Saindo da estação damos de cara com o grande canal, que é como chamam o canal que corta, serpentuosamente, as ilhas principais que formam Veneza. Logo ao lado, a ponte que nos leva ao pedaço de terra em que fica nosso hotel, e neste momento, a primeira dificuldade aparece.
Vou relevar e apenas citar o fato de haver dezenas de degraus na ponte e de termos malas pesando mais de 25Kg para arrastar para cima e para baixo e tratar da dificuldade real. Não bastasse a rua do nosso hotel não estar no mapa, e neste momento a pesquisa prévia no dia anterior nos salvou, thanks Google Maps, a maior dificuldade era entender o mapa que tinhamos em mãos, pois as ruas desenhadas simplesmente não existiam! Andamos para um lado, andamos para o outro e nada. O mapa mostrava uma rua larga antes de um canal pequeno. O canal pequeno estava lá, apesar do mapa não mostrar a pontezinha sobre o mesmo. Pensando ser o canal errado, caminhamos até o seguinte, chegamos a uma ponte enorme que cruzava o grande canal, bem depois de onde deveria ser nossa rua, e nada. Entramos em uma loja próxima e não conheciam a rua que deveria estar ao lado da mesma. Então resolvemos tentar descobrir o que havia em uma pequena entrada entre dois prédios, um espacinho onde passava apenas uma pessoa por vez, caminhar de mãos dadas, nem pensar, só em fila indiana. Era a rua que procurávamos, enorme no mapa, da largura de uma porta estreita na vida real. Proporção para quê?
Veneza é um labirinto de ruelas, espacinhos, curvas e pontos sem saída, tudo entrecortado por canais onde nem sempre há uma ponte para atravessar. É um choque nas primeiras horas, mas logo em seguida nos acostumamos e nos tornamos locais, dando dicas aos turistas ainda perdidos pelas ruelas.
Decidimos então o trajeto que faríamos no dia seguinte. Caminharíamos até a Piazza San Marco para conhecer Veneza ao longo do percurso. A idéia era ir por um lado e voltar pelo outro. No meio do percurso, ao encontrar um ponto de referência e examinarmos o mapa, notamos estar 800m ao sul de onde pensávamos estar. É fácil se perder no meio deste labirinto. Lembrando que 800m em uma ilha que tem pouco mais de 2Km é uma diferença considerável. Corrigimos nosso percurso e em poucos minutos estávamos em nosso destino.
A Basílica de San Marco, com teto e paredes forradas de imagens feitas de mosaicos, a maior parte dourada, é simplesmente indescritível. Ver de longe é impressionante, mas chegar perto e ver que tudo é feito com pedrinhas de menos de 5mm torna tudo ainda mais inacreditável. Não são permitidas fotos, e lá foi um dos poucos locais onde os seguranças ficam ao lado das pessoas pegas fotografando, até apagarem as provas de seus atos proibidos. Há uma parte externa onde são permitidas fotos, com o mesmo tipo de trabalho interno, mas uma foto não consegue mostrar o que vimos, é uma igreja para ser vista com os próprios olhos para nos darmos conta da sua grandeza.
Depois disto caminhamos mais um pouco, marcamos com X no mapa os prédios que íamos conhecendo, visitamos mais algumas igrejas e então partimos para a aventura.
A melhor maneira de conhecer realmente Veneza é fazer como o pessoal local. Compramos um passe de 12h para os barcos-ônibus e logo embarcamos em um que passava por todo o grande canal. Durante vários minutos voltei a ser criança, passeando de barco ao longo do grande canal, fotografando, olhando os prédios, vendo as fachadas mais lindas, impossíveis de serem vistas por quem está em terra firme.
Pegamos então outra “linha” e conhecemos outra ilha. E mais uma troca de “linha” nos levou para Lido, onde há a praia e onde aconteceu o festival de cinema de Veneza dois meses antes. Quando fomos, estava vazia como qualquer balneário no inverno, mas foi legal conhecer e ver como eram as praias, com áreas particulares onde as pessoas possuem pequenas cabaninhas, pequenas mesmo, quase que um banheirinho particular onde trocam de roupa e deixam suas coisas enquanto aproveitam o sol e o mar. Centenas dessas cabaninhas, uma ao lado da outra.

E assim, em apenas um dia, conhecemos Veneza. A noite ainda pegamos um barco para ver a Piazza San Marco iluminada a noite, mas foi apenas para a decepção de ver que Veneza não sabe se vender a noite, ao menos não no inverno. Estava tudo escuro.
Se não estivéssemos tão cansados, queria ter assistido a uma das inúmeras óperas e concertos que acontecem a noite em várias igrejas e teatros. Mas isto fica para uma próxima viagem, porque agora que fui contagiado pelo vírus do viajante, não paro mais 🙂
Fotos em: http://www.flickr.com/photos/fperuzzo/sets/72157622624835565/
Eurostar

Escrevo isto entre Bologna e Padova, no meu moleskine, com tinta Visconti vermelha em minha caneta tinteiro Parker. A caneta e a tinta adquiridas em Florença, na Casa della Stilografica, do Marco Moricci, que conheci lá, junto do pai e da mãe que o ajudam no negócio iniciado por seu avô.
Viajar de trem é ótimo, ao menos no Eurostar em que estamos. Além da velocidade, chega a 350 Km/h, há a tranquilidade de embarcar e viajar, podendo fazer o que faço neste momento, escrevendo, escutando música e admirando a paisagem ao longo do caminho. Ou dá para fazer o que faz minha esposa, que dorme um pouco enquanto guardo o sono dela 🙂
Quem não gosta dessa coisa arcaica que costumo usar, caneta e papel, também estará bem servido, em frente a cada poltrona há uma mesa basculante e uma tomada de energia elétrica individual.
A paisagem entre Firenze e Bologna é linda no outono, são montanhas coloridas de verde, amarelo e vermelho das folhas que ainda restam nas árvores, sem falar dos rios com leito de pedras que cruzam no meio das cidades ao longo do percurso.

Já entre Bologna e Padova a paisagem muda completamente, é tudo plano, com campos e mais campos, na maior parte apenas a terra arada, pronta para o início do plantio.
As estradas que vejo ao longo do trajeto também são excelentes. Passear de carro aqui seria tão ou mais agradável do que de trem, ao menos para mim que adoro pegar a estrada. Imagino a cena e me recordo de uma reportagem que li ainda no Brasil, então entendo porque o George Clooney possui uma casa no interior da Itália, onde vem no outono passear de Harley por estas estradas. Quem sabe não o encontramos por aqui uma hora dessas? Ainda mais sabendo que há pouco tempo ele estava em Veneza, para onde nos dirigimos neste momento.

Florença, Galleria degli Uffizi

As coisas na Itália são todas enormes e a Galleria degli Uffizi não poderia ser diferente. Não vou descrever aqui todos os detalhes, isso você pode ver na descrição italiana da Wikipedia. Basta dizer que é um museu que PRECISA ser visitado por aqueles que gostam de história e admiram as pinturas magníficas que foram feitas entre 1200 a 1800. Isso que nem toquei no detalhe sobre as esculturas, do início da era cristã até o século XIX. Foram duas horas circulando pelo museu, sem poder bater fotos, então não há nenhuma nem aqui, nem nos meus albuns no Flickr.
Vimos o Duomo, entramos na igreja mas os pés não permitiriam subir os mais de 400 degraus do domo nem os mais de 400 degraus da torre, então nada de vista aérea da cidade por enquanto. Talvez amanhã subamos um morro que nos permita esta vista, mas as duas escadarias do Duomo ficarão para uma próxima visita.
Hoje tomamos um dos melhores sorvetes do mundo. Fica numa sorveteriazinha perto de uma das pontes de Florença. Fazem lá mesmo. E agora a noite vamos comer uma excelente pizza italiana, feita de acordo com as regras da Verdadeira Pizza Napolitana, apesar de não estarmos em Nápoles.
Florença é uma cidade mais colorida que Roma, as pessoas se vestem melhor aqui e os espaços não estão todos tomados por indianos, como lá. Há uma grande quantidade de turistas, mas eles se concentram nas atrações mais conhecidas, como a Ponte Vecchio e o Duomo, além dos museus. No restante da cidade da para circular com mais tranquilidade, apesar das calçadas onde passa apenas uma pessoa.
A quantidade de artistas é enorme, em todo lugar há alguém pintando quadrinhos com aquarela (que secam rápido e permitem produção quase em série) para vender aos turistas. Há muito trabalho em couro, com a indicação especial de uma feira livre que se espalha por algumas ruas do centro histórico onde dá para encontrar bolsas, malas e principalmente cadernos de desenho e anotação com capas de couro trabalhadas, incrustradas, etc. A arte joalheira também é um dos fortes da cidade, com boa parte das lojas localizadas na Ponte Vecchio. Se gostar de jóias e não quiser gastar, não vá para lá.
Por hoje é só. Estou enviando mais fotos para os albuns neste momento.