A vida real é chata

Sonhos são engraçados. No meu caso, as vezes costumo sonhar em capítulos. Mais que isso, sonho como que em capítulos de diferentes seriados que em alguma hora acabam se cruzando. Como se os personagens de Friends de repente aparecessem em Lost.

Acabo de acordar de um sonho destes. Não lembro dos detalhes do início, mas na cena final estávamos em uma cobertura, minha esposa, eu e um amigo que não lembro quem era. Havia um casal jovem, a guria acabara de sair de uma espécie de quarto que havia na tal cobertura onde estávamos. Almoçavam a luz de velas, durante o dia, em uma mesa rústica de madeira envelhecida, decorada com toalhas em estilo cantina italiana, vermelha, verde, branca. Havia ainda um escadaria enorme em uma das pontas desta cobertura, mas também não lembro exatamente o porquê de estar lá.

Minha esposa andava de um lado a outro, reclamando em voz alta. Tinha nas mãos uma espécie de pote plástico com uma tampa que não era a original, entalada pelo lado interno, fechando tal pote. Dentro, água, sabão e uma meia-calça. Reclamava que não conseguia abrí-lo:

– Usa uma faca para cortar o pote – eu disse.
– Já pensei nisso, não quero rasgar a meia-calça – ela respondeu.
– Deixa comigo, é só fazer com calma.
– Tá, espera que busco uma faca – disse e me entregou o pote.

Assim que o peguei, apertei um dos lados da tampa e imediatamente começou a tocar, vindo de lugar algum e ao mesmo tempo de todas as direções, a música tema do filme “Indiana Jones”. O pote, naturalmente estava aberto em minhas mãos. Esposa e amigo me olhando estupefatos, sem entender como consegui abrir o pote e de onde raios vinha aquela música de fundo. Digo direto, antes de entender direito o que estava acontecendo: “minha vida é só aventuras!”

A música para exatamente da mesma forma que havia começado. ACORDO! Levanto e venho escrever isto tudo, antes de esquecer. Aqui vale a pena comentar um detalhe. O tal pote que não abria fazia parte do sonho de algum outro dia, nada a ver com o restante deste sonho. Suponho que o casal do jantar diurno à luz de velas deva aparecer com algum contexto maior em algum sonho futuro 🙂

Ao escrever isto, lembro de um livro que estava lendo, “38 Most Common Fiction Writing Mistakes”, do Jack M. Bickham. Havia lido algumas páginas antes de deitar. Nestas, o autor tratava do que precisava acontecer aos personagens. Dizia que enquanto na vida real costumávamos evitar os problemas, nos livros deveríamos jogar nossos personagens em um desafio após o outro. Por exemplo, enquanto na vida real atravessamos para o outro lado da rua para evitar de cruzar com alguém que nos perturba, na ficção devemos forçar tal encontro.

Virtualmente todos os pontos altos da maioria das histórias envolvem conflitos. Eles são o combustível que fazem a ficção andar. Nada é mais excitante e envolvente. E – por favor note – “fricção da ficção” deste tipo é outro exemplo de como a ficção é melhor que a vida.

Na vida, você pode sair de casa pela manhã e ser atingido por um raio. Simples azar, sem sentido, contra o qual você não pode fazer nada. A vida é assim. Patética! Já na ficção o personagem tem o poder: ele pode controlar seu próprio destino, ou pelo menos pensa que pode. Irá passar por dificuldades, se valer a pena escrever sobre ele, e dará de cara com lutas inacabáveis. O resultado depende dele – não de simples sorte ou azar.

Tudo o que o autor citado escreve sobre ficção é realmente muito bom. Recomendo o livro fortemente para quem deseja ou já costuma escrever ficção, mas após ler estes parágrafos tive que interromper a leitura para expressar minha discordância com o que acabara de ler.

A vida real é realmente chata?

Sim, a vida real pode ser chata e patética as vezes. Concordo também que não vivemos como nos filmes do cinema ou nos livros, com tudo sendo constante novidade e descoberta. Só que nossa vida pode ser, sim, comandada por nós mesmos. Podemos controlar nossos pensamentos e nossas atitudes, e com isso, nossos resultados. Viver uma vida excepcional depende apenas de nós mesmos.

Não vou perder muito tempo com exemplos, peguemos a Madonna, o Michael Jordan, o Richard Branson, os fundados do Google e do Facebook, a Lady Gaga, e milhares de outros que, todos os dias, decidem cuidar de suas próprias vidas para não depender apenas da sorte. Todos que citei eram pessoas comuns, até deixarem de ser. Não surgiram do nada, não ficaram ricos e famosos de uma hora para outra. Pode parecer que sim, mas antes de serem famosos, estavam lá, dia após dia, lutando por um lugar ao sol, incansavelmente, até conseguirem.

A sorte ainda é necessária? Provavelmente sim. Estar na hora certa e no lugar certo ainda pode depender um pouco mais da sorte do que do planejamento. Mesmo tendo todas as características necessárias e o preparo para conseguir dar certo, pode ser que não consigamos o que achamos merecer. Faz parte da vida desconhecer os detalhes do futuro, mas depende exclusivamente de nós estarmos verdadeiramente preparados caso a sorte venha em nosso favor. 

Sobre tudo que escrevi acima, espere em breve um texto que para alguns parecerá chocante, impossível de entender como pode ser possível ou simplesmente coisa de maluco. Para outros, poderá ser uma inspiração, uma demonstração de que é possível realizarmos tudo o que queremos. Um texto que mostrará que basta nos darmos conta de que quem é responsável por nossas vidas, nossas escolhas e nossos resultados, somos nós mesmos.

O que você aprendeu de novo hoje?

Autor: Fabricio S. Peruzzo

Pai, marido, polímata, empreendedor serial, curioso.

4 comentários em “A vida real é chata”

  1. Tu tá escrevendo cada vez melhor. 🙂 Gostei.
    Ontem vi o filme “the social network” e fiquei muito inspirada… Realmente, ninguém surge do nada, o cara do Facebook virava noites programando e nunca deixou de acreditar no seu site, sempre com planos de expansão e nunca criando um “teto” de onde chegaria. O céu é o limite.
    Talvez o ConnectionU não fizesse mesmo o sucesso que faz o Facebook, justamente pelos irmãos gêmeos donos da ideia não irem atrás do prejuízo LOGO e não criarem a sua própria rede LOGO, e por não terem ido atrás de outro programador logo – quando ainda dava tempo de competir com o “site do Mark”. Acho que o mundo é dos mais rápidos, que põem as ideias em PRÁTICA. 🙂

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  2. Concordo, com a pessoa acima a Mir, precisamos praticar a idéia o quanto antes e da forma que pudermos e ir melhorando com o tempo, num texto passado você havia falado isso Peruzzo, então mãos a obra, não é!!?

    Tanto que estou praticando de maneira em forma de concepção uma idéia, não é o que desejo ainda, mas a prática está começando juntamente com outros projetos e com a “vida chata” que precisamos levar, dá uma olhada qd puder:

    E mais uma coisa Mir, não fala do final do filme eu num vi aindaaaa!

    hahahaha!

    Té mais Peruzzo, é sempre uma boa leitura vir aqui!!!

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    1. Oi André,

      Na verdade o que tentei dizer é justamente que NÃO PRECISAMOS viver uma vida chata, depende apenas de nós tomarmos as atitudes necessárias para viver a vida que quisermos viver.

      Sobre a tua idéia, não entendi o objetivo, pegar videos que já existem e colocar tua vinheta no início para republicar no Youtube não vai trazer resultado algum. O Youtube possui mecanismos de verificação do que é original e do que é cópia, ignorando as cópias nas buscas.

      Para ter resultados de verdade, pensa em coisas que ajudem outras pessoas a resolver algum problema que possuem. Em vídeo, por exemplo, tem uma guria americana que tinha muitas espinhas no rosto. Ela começou a fazer diversos tratamentos, filmando cada experiência que fazia, cada produto que utilizava e os resultados que obtia. Em poucos meses, começou a ter muitos acessos de outras gurias como ela, que queriam resolver o problema das espinhas e, graças aos vídeos dela, não precisavam gastar um monte com os tratamentos que ela já havia demonstrado que não funcionavam. Mais que isso, assim que um dos tratamentos funcionou, a empresa que vendia este tratamento passou a patrocinar os vídeos dela, gerando receita de publicidade.

      Hoje ela vive disso, ampliando os vídeos com outros falando de produtos para o cabelo, produtos para a pele, e outros tantos.

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  3. Interessante a ideia… até por que PIMPLE é muito mais simpático que “espinha”.
    Oi André, sou irmã do Fabricio. 🙂

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