Onze de setembro

A cada ano lembro deste dia fatídico e fico sem palavras. Então faço passar pela minha mente o filme do que foram meus pensamentos naquele momento. Tudo era absurdo demais para ser verdade, não podia estar acontecendo isso no planeta onde vivo. Mas estava. Fiquei em choque e sem ação, acho que pela primeira vez na vida.

Experiência de choque já havia tido quando minha irmã foi atropelada. Mas era pequeno, então a ação realmente não dependia de mim. Mas desta vez, não, desta vez a ação dependia somente de mim, pelo menos no que me dizia respeito, minhas ações na bolsa. Mas o choque não apenas com as milhares de vidas perdidas mas também a forma como isso aconteceu foi realmente grande demais para que eu tivesse tempo para pensar em coisas pequenas como o dinheiro. Então minhas ações ficaram lá paradas, tempo suficiente para meus R$ 15.800 da época se transformarem em apenas R$ 700 (não é erro de digitação, é setecentos mesmo, não sete mil). Um misto de más escolhas com timing errado e o resultado foi essa pequena tragédia financeira. Na época, era tudo o que tinha, então foi bastante duro. Mas tudo se tornava pequeno ante a tragédia do mundo real.

Como toda experiência ruim deve incluir em si algum aprendizado bom, meu tombo nas ações ajudaram a encontrar alternativas menos instáveis para plantar meu patrimônio. Encontrei minha árvore de dinheiro nos investimentos em consórcio, que tantos artigos escrevi aqui no Moeda Corrente. Mas hoje, não é sobre isso que quero escrever. É sobre outra coisa que agora começo a me dar conta, com muito mais abrangência que minhas pequenas descobertas de investimento.

Foi um ano depois da queda das torres gêmeas que eu tive mais forte essa vontade de escrever o que estava aprendendo sobre educação financeira, mais exatamente dois dias antes da queda completar um ano, em 09/09/2002. E boa parte dessa nova vontade de expressão veio justamente por causa da referida queda e de tudo o que ela representou pessoalmente para mim, tanto em termos emocionais quanto na questão financeira.

Então hoje me dou conta que isso não diz respeito apenas a mim, mas ao planeta como um todo. Assim como meu site, muitos blogueiros nasceram naquele dia. As pessoas que estavam distantes precisavam saber mais do que as agências de notícias tinham condições de oferecer. E junto com essa necessidade de saber mais víamos a necessidade que as pessoas próximas ou não ao evento tinham de se expressar. Dava para sentir a velha internet se abrindo para essas pessoas que tanto tinham a dizer. Tenho certeza de que boa parte do que se tornou nossa internet nestes últimos anos se deve em boa parte à reação que tomamos em relação a eventos tão horríveis naquela trágica manhã de setembro.

Não poderia deixar de fazer o link para o post que me inspirou a escrever este, que me fez “click no cérebro” assim que o li. Clique para ler o texto do Tom Watson.

Autor: Fabricio S. Peruzzo

Pai, marido, polímata, empreendedor serial, curioso.