Filosofia de vida

Em uma das listas de discussão que frequento, um dos participantes escreveu pedindo onde podia encontrar uma cópia do Money, da Microsoft. Fez questão de ressaltar: uma cópia “free”, ou seja, pirata. Em outra lista, escreveram pedindo um livro. Não onde comprar o livro e sim se alguém teria um PDF para lhe enviar. Mais uma vez pirataria. Não seria mais direto dizer simplesmente ROUBO?

Achei que isso poderia servir de gancho para algumas reflexões…

Eu só trabalho com Linux na minha empresa de internet então não passo por esses dilemas morais. Uso Windows em casa e no trabalho, mas como os dois vieram licenciados com as máquinas, um notebook e um Dell, não tenho problemas com isso. O Office, uso a versão 2000 e antes usava a 97. Ia continuar usando o 97 que me atendia perfeitamente mas como ganhei a 2000 licenciada no notebook, mudei para o novo. No Dell continua a versão 97. Uso muito pouco, quase tudo que escrevo é em texto puro ou diretamente em sites na Internet, então se não tivesse ganho eles já na compra dos micros, não teria nem porque comprar, nem porque piratear. O único uso maior que tenho do Office é o Excel (esse sim, fabuloso). Mas mesmo esse tem dezenas de alternativas gratuitas disponíveis a um download de distância. Meu uso não é tão especializado a ponto de precisar ter sempre a última versão de cada programa.

Esse sempre é um tema polêmico. Não é um Money antigo que vai tirar dinheiro da Microsoft, muito pelo contrário, pode ser o que faça a pessoa comprar uma versão mais atualizada e com suporte caso descubra que esse investimento vai lhe fazer economizar mais dinheiro do que o custo do programa.

Uma questão relacionada a isso é que já foi comprovado que os grandes delitos começam como pequenos delitos. O traficante (óbvio que não estou comparando ninguém a um traficante) um dia foi um guri que levou um bagulho para um cliente, depois bateu num cara que o grupo não gostava, depois passou a assaltar na rua, depois matou alguém. As coisas evoluem, mesmo as ruins. O assaltante de bancos de hoje pode ter sido o guri que não foi punido adequadamente quando pego roubando material escolar do coleguinha.

Hoje os programas custam tão caro, em parte, porque muitos simplesmente ROUBAM os programadores. Isso não se refere diretamente a uma cópia do Money. Mas se refere ao cara que tem uma empresa de produção gráfica e ROUBA a Adobe usando um Photoshop pirata. Diferente do pirata que vende programas, que é simplesmente um ladrão maior. Ambos são roubo, mas enquanto o profissional rouba apenas o que é necessário para exercer sua profissão, o pirata rouba tudo e todos.

Tem gente que simplesmente tem mania de colecionar. Juntam tudo que é programa mas não usam nenhum deles (nem se beneficiam vendendo a terceiros). Não chamo isso de pirataria. Se não fizessem isso como coleção, não teriam o porque de comprar os programas. Não usam os programas em benefício próprio. Tecnicamente é pirataria. Mas é uma pirataria que não fede nem cheira. O maior prejudicado é o “colecionador”. Já fui um. Não especificamente de programas mas de muitas outras coisas. O problema é que isso toma muito tempo e dedicação. Tempo e dedicação que poderiam estar sendo usados para trabalhar e ganhar dinheiro. Tempo e dedicação que poderiam ser usados para estar com a familia. Os próprios “colecionadores” são os que perdem com isso. Não estou dizendo que colecionar algo que gostemos seja uma coisa ruim. Eu coleciono moedas, por exemplo. O que é ruim é a mania de colecionar. Tenho amigos que colecionam selos, moedas, latinhas de refrigerante, botões de camisa e muitas outras coisas. Nada disso é uma coisa ruim. Ruim, é colecionar várias dessas coisas simultaneamente. Eu colecionava revistas, por exemplo. Não uma revista em específico. Várias!!! Então tinha que acompanhar uma dúzia de revistas diferentes, com periodicidades diferentes. E ainda achar espaço para guardar tudo adequadamente. Consegui resolver quando doei quase todas revistas que tinha em casa.

Se todos fizessem a coisa certa, o mundo se tornaria um lugar melhor para se viver. Se não jogassem papel na rua, essas seriam sempre limpas. Pode ser um sonho impossível, mas realmente acredito que se cada um fizesse a sua parte as coisas aos poucos melhorariam. Então de minha parte, faço isso. Cuido para agir certo sempre. Mas não sou perfeito. Erro, e muito. Mas quando noto isso (ou quando sou pego no erro), me desculpo e tento corrigir. E quando vejo a coisa errada sendo feita, faço questão de apontar. Não por ser perfeito mas sim para que apontem quando eu também errar. A omissão é tão prejudicial quanto o agir errado.

Sempre temos uma escolha a fazer. Agir certo ou agir errado? Falar ou deixar passar? Mostrar ou omitir o erro? Ajudar a crescer ou a cair?

Podemos escolher entre o certo e o errado. E não fazer essa escolha, já é uma escolha.

Qual é a sua?

Autor: Fabricio S. Peruzzo

Pai, marido, polímata, empreendedor serial, curioso.

Uma consideração sobre “Filosofia de vida”

  1. Ola, só quero dizer que concordo plenamente com você, pois sou programador e tenho um sistema, foi a maior batalha para eu conseguir fazer-lo.

    Foram horas, meses, anos de desenvolvimento e de repente vem alguém e simplesmente diz o seguinte:

    – “Olha você não poderia me arrumar uma cópia daquele programa…”

    Aí vem outro e diz:
    – “Olha você conhece o e-mule ou sherazad? Vai lá e procura o nome do programa que você baixa de graça.”

    Sinceramente isso é um caso muito sério, como diz Boris Casoy: “Isso é uma vergonha!”

    Abraço
    Laverson

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