A recompensa do lenhador

Encomendou-se certa vez a sete lenhadores uma porção de lenha serrada.

O primeiro lenhador disse: “Esta lenha está verde, e a serra assim não correrá bem. Esperarei até que a lenha esteja seca”. E assim fez.

O segundo lenhador disse: “Esta serra está cega, e nunca terminarei de serrar a minha porção de lenha. Pedirei ao patrão que a mande afiar, e então serrarei a lenha.” E assim fez.

O terceiro lenhador disse: “Esta lenha tem tantos nós que me custará muito serrá-la. Pedirei ao patrão que em lugar dela me dê outra, mais direita, e esta serrarei com todo gosto.” E assim fez.

O quarto lenhador disse: “Esta lenha é dura demais para ser serrada. Direi ao patrão que a troque por lenha mais branda, e então serrarei.” E assim fez.

O quinto lenhador disse: “Hoje faz muito calor. Esperarei até que o tempo refresque um pouco.” E assim fez.

O sexto lenhador disse: “Dói-me terrivelmente a cabeça. Esperarei até que me sinta melhor”. E assim fez.

O sétimo lenhador teve que serrar lenha verde, nodosa e muito dura. Sua serra também estava embotada, e doía-lhe a cabeça. Além do mais, fazia para ele o mesmo calor que fazia aos outros.

Mas afiou a serra, de modo que serrava com toda facilidade a lenha mais dura e nodosa. O exercício tirou-lhe a dor de cabeça e o fez sentir-se bem.

No fim do dia o patrão o incumbiu de serrar as outras seis porções de lenha.

Quando olhamos para as dificuldades, não fazemos aquilo que devíamos ter feito.

Autor: Fabricio S. Peruzzo

Pai, marido, polímata, empreendedor serial, curioso.