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Clube Secreto

Colinho de pai

Ser pai é entrar em uma espécie de Clube Secreto, daqueles somente para os iniciados em suas artes e segredos.

Depois de ser pai, o ato dos amigos em publicar fotos com seus filhos nas redes sociais, aparentemente sempre as mesmas fotos, passa a fazer todo sentido. O sorriso de um bebê recém-nascido é sempre uma alegria imensa. Não importa se é o primeiro sorriso ou o sorriso número 8738. Todo sorriso é único, especial, e relacionado a um momento particular entre pai e bebê. Por tudo isso, merece uma foto. E a alegria é tão grande, que precisa ser compartilhada.

Eu sempre gostei de ver as fotos dos momentos de felicidade dos meus amigos com os filhos, não importando o quão repetitivas fossem. Só que agora a compreensão se dá em um nível muito mais profundo. Agora, faço parte deste Clube!

 

Apenas um objetivo na vida

Em um mês e meio nasce minha filha. Este momento, aliado aos meus atuais 40 anos, me expôs a uma nova perspectiva que não tinha pensado até então. A vida é relativamente simples quando a vemos sob uma visão mais abrangente. Foi então que me dei conta de que para viver uma vida plena não precisamos de uma constituição com centenas ou milhares de artigos, não precisamos de dez mandamentos, precisamos seguir apenas uma máxima:

Buscar ser o melhor pai do mundo!

E por melhor pai do mundo, não quero dizer aquele que faz tudo que os filhos querem, mas sim aquele que educa pelo exemplo, que mostra o certo e o errado não com palavras, mas com atitudes, dia após dia, todos os dias.

Ser o melhor pai do mundo basta. Ser o melhor pai do mundo significa mostrar para minha filha o mundo que acredito existir, com pessoas boas, preocupadas em fazer o que é certo e para o bem de todos. Ser o melhor pai do mundo é respeitar as leis de trânsito, é dirigir com cortesia, é não furar as filas, é respeitar as vagas preferenciais para idosos, grávidas e deficientes físicos.

Ser o melhor pai do mundo implica automaticamente em ser o melhor marido do mundo. Respeitar a mãe da minha filha sendo fiel e ajudar nas tarefas da casa, por exemplo, para mostrar para minha filhinha o tipo de homem que ela pode esperar encontrar para compartilhar seus dias no futuro, ou seja, nada menos do que a mãe dela tem em casa.

Ser o melhor pai do mundo é ser também o melhor amigo do mundo. É vibrar com a alegria de quem nos escolheu para compartilhar os melhores momentos da vida e ouvir com atenção quando alguma coisa os aflige. É ser parceiro para as festas e ombro amigo para as crises. É ouvir e não falar nada, ou escutar e falar até cansar, dependendo do que seu amigo precisa naquele momento. É compartilhar os melhores momentos com aqueles que escolheram a nós como sua família estendida.

Ser o melhor pai do mundo significa ser o melhor profissional do mundo. Aquele que respeita o tempo de seus clientes e colegas, chegando no horário combinado, aquele que busca o melhor para seus clientes e não apenas o melhor para si próprio, aquele que assume a responsabilidade por seus atos quando as coisas eventualmente dão errado. Ser o melhor profissional do mundo é resolver as coisas, sem jogar suas responsabilidades nas costas dos outros, ou buscar desculpas em fatores externos.

Ser o melhor pai do mundo é mostrar que o mundo é um bom lugar para se viver, e que só depende de cada um de nós mantê-lo assim. Ser o melhor pai do mundo é ser o exemplo. E torcer pelo melhor.

Este é a partir de hoje o meu único objetivo na vida. O resto é simples consequência.

No dia das crianças, dê um apartamento para seu filho!

Amanhã é o dia que toda criança espera ansiosa para ganhar presentes. Porque você não inova e em vez do presentinho tradicional, ou melhor, além do presentinho tradicional, você não dá para seu filho algo que realmente fará uma diferença significativa em seu futuro: um apartamento!

Porquê um apartamento?

O jogo da vida é o mesmo para todos. Assim como aconteceu conosco, um dia acontecerá com nossos filhos. Eles crescerão, se formarão em uma faculdade, começarão a trabalhar, seja como empregados, seja em seus próprios negócios, e pensarão em sair de casa para viver por conta própria. As cartas que temos na mão no início do jogo não decidem o resultado final, nossa forma de jogar também é muito importante, mas não dá para negar que é muito mais fácil de ganhar quando já começamos com boas cartas.

Possuir um apartamento no início da vida permite que nossos filhos utilizem todas suas energias no que realmente fará a maior diferença em seus futuros. Permite que eles foquem em construir seu conhecimento, em crescer na carreira que escolheram, em fazer crescer a empresa que decidiram fundar, em vez de terem que se contentar com o emprego que conseguirem, para poder pagar aluguel em um apartamentinho que nunca será deles, fazendo todo seu dinheiro escorrer para o bolso de outros, em vez de estarem construindo para si mesmos.

Eu sei disso por um motivo muito simples: em 1996, quando me formei em computação, abri minha empresa de internet e decidi morar sozinho, havia um apartamento esperando para eu morar. Meu pai havia planejado, anos antes, a maneira de conseguir realizar este sonho. A chave foi o planejamento antecipado, que tornou algo enorme como um apartamento, em uma coisinha simples todos os meses anteriores. O mesmo aconteceu alguns anos depois com minha irmã do meio e em mais alguns anos, com minha irmã mais nova. O planejamento e esforço do nosso pai nos permitiu largar na frente no jogo da vida. Trabalho em equipe, uma geração ajudando a seguinte.

Como fazer?

Seja qual for a idade do seu filho, começar já é a melhor forma de adiantar a vida deles. Se forem ainda bebês, começar já poderá ser a chave para proporcionar não apenas um apartamento para morarem quando chegar a idade de sair de casa, mas também de terem um carro disponível na garagem sem que você precise pagar por isso. Se já forem um pouco maiores, talvez você precise ajudar um pouco mais se quiser também dar um carro para eles na maioridade.

Você começa fazendo um consórcio de imóvel no nome de seu filho. Você assume pagamentos mensais que corrigem anualmente de acordo com a variação do custo de construção, corrigindo na mesma proporção o crédito que seu filho terá disponível para o imóvel que irá comprar. É como se fosse uma poupança onde, em vez de correção mensal, a correção fosse anual. Seu plano de casa própria para o filho está andando. O que acontece depois?

Após alguns anos, para alguns mais cedo, para outros mais tarde, o consórcio será contemplado pelo sorteio. Neste momento, você adquire o imóvel para seu filho, e como provavelmente ainda não estará na hora dele sair de casa, ele poderá alugar este imóvel, recebendo renda antes mesmo de começar a trabalhar! Essa renda poderá então ser usada para a segunda parte do plano: iniciar um consórcio de automóvel.

Fazendo isso conseguimos formar um patrimônio inicial para nosso filho começar a vida de forma mais tranquila, damos a ele um bom conforto inicial, mas principalmente, se formos conversando com ele sobre o assunto ao longo dos anos, mostrando mês a mês o pagamento das parcelas, reforçando a idéia de que estes pequenos pagamentos mensais se transformarão em seu futuro apartamento e em seu futuro carro, estaremos ensinando a nossos filhos o poder do planejamento e da compra programada, tirando-os da corrida dos ratos que faz a maioria querer ter tudo de imediato através de dívidas caríssimas e cheias de juros.

Eu ainda não tenho filhos. Tenho planos para isso no futuro próximo, mas há alguns anos já venho planejando o futuro que desejo para eles. Sei o quanto o planejamento do meu pai ajudou a mim e minhas irmãs e desejo o mesmo ou mais para meus futuros pimpolhos. Possuo hoje mais consórcios em andamento do que a quantidade de filhos que poderia ter 🙂

E se você realmente não planeja ter filhos (e chegou até aqui na leitura deste texto), ah, dê um futuro planejado para a criança que ainda há dentro de você!

Adquira seu consórcio através da Megacombo, contando com meu acompanhamento e orientação pessoal ao longo de todos os anos que virão. Vai ser um prazer enorme lhe atender e ajudar seus filhos a começar mais na frente no jogo da vida. Basta seguir o passo a passo descrito em http://www.megacombo.com.br/como-investir.

Um grande abraço e feliz dia das crianças!

Aproveite o que lhe servir

Acho que algumas vezes irrito algumas pessoas com as coisas que escrevo. Se você for uma delas, saiba que não é meu objetivo irrita-la com minhas idéias. Escrevo sobre meu dia a dia e sobre as experiências que vivo e as coisas que aprendo. Muitos desses aprendizados são bastante diferentes do status quo. E é esta diferença que costuma irritar as pessoas.

Alguns exemplos rápidos:

  • Digo que você deve trabalhar apenas com o que ama: a resposta típica é a de que não é possível ganhar dinheiro e sustentar uma família fazendo apenas o que amamos.
  • Descrevo o uso que faço dos consórcios como investimento: algumas pessoas retrucam que não é possível obter lucros com algo em que pagamos uma taxa de administração.
  • Falo que o Pensamento Positivo funciona: resposta típica, “passo horas pensando em ganhar a Megasena, mas ainda não fiquei milionário”.

Estas pessoas não se dão conta de que estão lendo e interpretando o que escrevo com seus próprios filtros e crenças limitantes. O que tento dizer é diferente do que elas compreendem. E como meus resultados não fazem sentido em sua visão do mundo, melhor atacar o mensageiro.

Fazer o que se ama não significa fazer apenas o que se gosta, mas sim, fazer algo onde na maior parte do tempo estamos fazendo o que gostamos. Significa, para um programador de computadores, trabalhar mais com programação e menos com interação com os clientes, por exemplo. Significa aceitar um emprego em uma empresa que nos agrade e rejeitar uma oferta de uma empresa que não respeite nossos ideais. Mesmo que a segunda ofereça salários melhores para tentar compensar. Mais salário provavelmente não contrabalance o stress de trabalhar em um ambiente que nos desagrade.

Investir em consórcios significa ver além dos números óbvios e compreender como a ferramenta consórcio nos ajuda a superar dificuldades que costumam nos impedir de conseguir formar patrimônio ao longo dos anos. Significa enxergar que o que se paga de taxa de administração é compensado pela velocidade com que se adquire um imóvel que irá valorizar mais do que o custo desta taxa ao longo dos anos. Significa compreender que fatores aparentemente negativos, como a baixa liquidez, na verdade são auxiliares na questão de conseguirmos cumprir com os objetivos inicialmente programados. O resultado final é atingido mais rápido e mais facilmente com esta ferramenta. Plantamos para depois colher.

Dizer que o Pensamento Positivo funciona, não quer dizer que basta ficar sentado esperando pelo melhor. Temos que agir! Pensamento Positivo funciona porque ao pensar desta maneira e externalizar isto ao mundo, atraímos para perto de nós pessoas que pensam de maneira semelhante, repelindo os negativos de plantão. Pessoas positivas geram melhores resultados porque demoram mais para desistir de algo, geralmente, aquele pouquinho a mais que era o necessário para o sucesso. Sucesso gera autoconfiança, que por sua vez gera mais sucesso. É uma bola de neve positiva 🙂

Quando ler meus textos, saiba que não escrevo verdades absolutas, mas sim, as minhas verdades naquele momento. Escrevo o que funciona para mim, não necessariamente algo que funcionará para você. Tento, sempre que possível, explicar os motivos de como as coisas funcionam para mim, tentando facilitar para você descobrir se o que relatei também funcionará para você.

Aproveite o que lhe servir. Ignore o resto. E seja feliz.

 

Todos podem ser ricos, meu novo livro

A riqueza não é algo que acontece na vida de uma pessoa da noite para o dia. A riqueza precisa ser conquistada. Só que ao contrário da crença popular, esta conquista não é algo trabalhoso ou difícil. Esta conquista se dá simplesmente com a criação de novos hábitos, dos hábitos naturais das pessoas que souberam como enriquecer.

Este livro lhe mostrará quais são estes hábitos e como incorporá-los na sua nova vida.

Antes que surjam as perguntas, ainda não está completo e não tenho um prazo definitivo para concluir a escrita. Tenho a estrutura básica definida, o título é este que indiquei e concluí o rascunho de um terço dos capítulos. Provavelmente lance uma versão em formato ebook gratuita e uma versão impressa logo depois.

Venha para São Paulo

Venha para São Paulo se você deseja fazer seu negócio tomar velocidade, se procura um emprego com possibilidades reais de crescimento rápido, se deseja fazer algo diferente do que faz em sua cidade natal. Venha para São Paulo se você procura oportunidades, mesmo sem saber que oportunidades sejam estas. Venha para São Paulo se você gosta de pessoas e de fazer novas relações. Venha para São Paulo se você quer novidades, movimento e mudança.

São Paulo é um lugar cheio de gente de tudo quanto é local. São Paulo tem gaúchos, tem mineiros, tem cariocas. São Paulo tem gente dos outros estados também, mas para não deixar nenhum de lado, cito formalmente somente os três que já citei. São Paulo tem gente de outros países, basta passear rapidamente pela Avenida Paulista para ouvir espanhol, inglês, francês, italiano, alemão, japonês e chinês. Deve haver gente de outros países ainda, mas estes foram os que ouvi pessoalmente nos últimos dois meses, ao cruzar pelas pessoas de ouvidos atentos as diferentes línguas.

Acredito que justamente por São Paulo ter esta enorme diversidade de gente, sem falar da quantidade, este ser o motivo de tanto sucesso em atrair ainda mais gente boa para cá. Como uma mudança de cidade sempre é algo relativamente difícil, com todos os desafios, desde encontrar um lugar para ficar, algo para fazer, pessoas ainda a conhecer, que quem já passou por isso no passado é muito mais solícito ao ajudar.

Quem chega em São Paulo pode contar com a boa vontade de desconhecidos. As pessoas adoram ajudar umas às outras. Quem chega aqui pensando encontrar grande concorrência e gente de cara amarrada se surpreende. Há muita concorrência, claro, mas há também muito mercado, mais mercado do que gente para atender a todos. E quando falamos de qualidade, há pouca gente realmente qualificada para atender mercado tão exigente. Ao vir para São Paulo, espere conhecer muita gente nova e não se impressione quando a maioria destas pessoas se disponibilizar a lhe ajudar. Aqui é assim, quem chega é bem vindo.

Estou aqui há apenas dois meses, antes vinha somente por uns poucos dias. Claro que já conheci alguns dos vários problemas de São Paulo, como o trânsito, a poluição, o barulho, as filas. Nada que não dê para conviver, nada que não dê para evitar com estratégias simples. E mais, nada que não dê para evitar com estratégias simples que você nem mesmo precisa descobrir, quem chegou antes estará ávido para lhe ajudar.

A saudade da família e amigos da sua cidade de origem as vezes pode apertar um pouco, mas para isso, um amigo que já morou aqui me contou a solução. As distâncias são mera questão financeira. 100Km ou 1000Km podem ser percorridos em pouco mais de uma hora, basta decidir se você vai de carro ou de avião. E com passagens aéreas cada vez mais baratas junto com o quanto a mais você estará ganhando ao morar aqui, problema resolvido.

Venha para São Paulo, faça um teste por três meses. Duvido que dê vontade de voltar.

A Semana do Presidente

Lembro de quando era pequeno e assistia TV no domingo. Acho que era no fim dia, junto do Programa Silvio Santos. Não lembro de muitos detalhes, mas tenho certeza de que era no SBT e se não me engano, tinha narração do Lombardi, a eterna voz. O programa era curtinho, resumia o que o Presidente havia feito na semana. O único Presidente que lembro de ter isto era o Figueiredo.

Independente deste programa ter sido uma imposição da ditadura militar em troca da concessão do canal, ou algo parecido com isso, acho que a idéia é bastante válida para implementar no campo pessoal. O pessoal que perde tempo pesquisa organização e otimização do tempo, como técnicas GTD e coisas do tipo, costumam ter algo como “revisão semanal”. Acredito que um tempo dedicado a reflexão do que aconteceu na semana, não apenas as tarefas realizadas, mas as pessoas com quem se conversou e as lições aprendidas, é algo que pode trazer grande conhecimento de si mesmo e acelerar o crescimento pessoal.

Meu texto de retrospectiva dos últimos 15 meses teve bastante repercussão, recebi diversos emails fazendo comentários complementares ou tentando a ajudar a resolver uma ou outra questão comentada. Algumas pessoas escreveram simplesmente para agradecer, por se verem refletidas em algumas das situações descritas. Vou fazer a experiência de algo mais formal, não sei se será toda semana ou se uma revisão mensal já seria o suficiente, mas começa hoje, de maneira oficial:

A Semana do Presidente

Esta semana participei da apresentação de um novo plano de consórcios da Rodobens, logo na segunda-feira. Lançaram um plano para compra de veículos usados, basicamente um consórcio como outro qualquer, já que todo consórcio de veículos, motos ou caminhões pode ser usado para compra de qualquer veículo, novo ou usado. O título na verdade se refere à faixa de valores, entre R$ 12.000 a R$ 24.000, uma faixa ainda não coberta pela Rodobens, que possuía consórcios de menor valor com os consórcios de moto e de maior valor com os de veículos em duas faixas distintas, a partir de 24.000 para o carro mais barato. Então, querendo um consórcio de veículos entre R$ 6.000 a R$ 300.000, pode contar comigo. Lembrando que consórcios de veículos são a melhor maneira de automatizar e otimizar a questão de renovação da frota, seja de apenas um veículo de uso particular, seja de uma empresa com dezenas de veículos rodando diariamente.

Tive algumas frustrações profissionais neste mesmo dia, nada que valha a pena comentar em detalhes, apenas o de sempre, pessoas fazendo patetices sem sentido, criando regras rígidas onde a flexibilidade seria muito mais adequada para elas. Nada que não se resolva rapidamente, mas me impressiona como podem andar para frente tais pessoas. É um passo para frente, dois para trás.

Na terça-feira tenho uma longa página em branco na agenda e na quarta-feira, apesar de ter vários rabiscos, simplesmente não trabalhei. Passei ambos os dias divagando sobre questões existenciais, seja em casa, seja vendo alguns seriados que ainda não tinha posto em dia (a saber, assisto The Mentalist, The Big Bang Theory, Hawaii 5.0, The Game of Thrones e House).

Teria uma reunião importante com uma grande administradora de consórcios (que não é a Rodobens), mas o pessoal que ficou de me ligar para confirmar o horário simplesmente não ligou. Não sei se não vieram a Porto Alegre (falaria com o diretor geral e acionista principal da empresa) ou se arranjaram compromissos mais importantes do que eu. Semana que vem descubro isso.

Também passei um bom tempo pesquisando sobre mochilas, mais especificamente as Goruck, da qual a que mais se adapta ao meu perfil é a Goruck Radio (fica a dica para quem quiser me dar um presente qualquer hora destas). É uma mochila cara, mas feita de cordura 1000D que dura a vida toda e fabricada nos Estados Unidos, com mão de obra americana, coisa que eles explicam exaustivamente no site. A empresa foi fundada por um ex-fuzileiro naval, buscando criar produtos que aguentem qualquer parada. Também a garantia deles é para toda vida, ou seja, se rasgar, raspar, falhar um zíper (YKK made in USA), ou qualquer coisa deste tipo, é só mandar para eles que consertam sem cobrar nada.

Ontem, quinta-feira, o dia foi de grandes questões pessoais. Refleti sobre a mudança para São Paulo, no próximo dia 22, sobre as reformas necessárias no apartamento que compramos no início do ano e onde estamos vivendo desde então e sobre diversas questões mais subjetivas como viagens e a importância que viver novas experiências tem na minha vida.

Quinta-feira também foi um longo dia de trabalho, respondendo diversos emails. A maioria das pessoas não sabe exatamente como eu trabalho, como faço as vendas de novos consórcios para os investidores e interessados em imóveis que atendo ou o que pode ser meu dia a dia. Para ter uma idéia, somente ontem eu respondi emails relativamente longos e bem detalhados para 14 novas pessoas. Estas são pessoas que antes disso, nunca tinham entrado em contato comigo, ou seja, novos amigos que fiz nesta semana. Na segunda-feira, tinha oito novos contatos deste tipo, então foi uma semana relativamente tranquila, onde conheci apenas 22 novas pessoas até agora (vai aumentar, pois já dei uma bisbilhotada nos emails que ainda tenho na caixa de entrada).

Para dar uma idéia mais efetiva, desde o início do ano já conheci e respondi 381 pessoas novas, com as quais ainda não tinha falado pessoalmente ou por email. Conhecer estas novas pessoas é uma das coisas mais legais do meu trabalho. Aprendo muito com a vivência diferenciada de cada um. Além destas, respondi dezenas de pessoas com quem já tinha uma linha de contato prévia. Meus dias profissionais são, basicamente, respondendo emails com dúvidas de possíveis clientes, de investidores que desejam iniciar seus projetos, de pessoas que sonham com a casa própria e precisam de ajuda para encontrar a melhor maneira de realizar isto e de empreendedores que veem minhas realizações pessoais e profissionais e desejam se espelhar em mim para alcançar seu sucesso pessoal. Agradeço todos os dias por poder conhecer e ajudar tanta gente interessante, mas agradeço mais ainda por poder aprender com tanta gente interessante.

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Então era isso, o formato me lembra um pouco alguns capítulos dos livros do Donald Trump, onde ele descreve uma semana de trabalho dele. No segundo livro em que usou esta técnica, comentou que obteve bastante resposta aos capítulos em que fiz isso pela primeira vez. Nos próximos, penso em ser um pouco mais específico em alguns pontos, com detalhes de tarefas e os resultados esperados. Algumas coisas tem que ficar guardadas enquanto não são lançadas ao mundo, então infelizmente não poderei falar de todos os detalhes de negócios que estão acontecendo, mas vou tentar relatar o máximo possível.

Agora começa um novo dia, para os curiosos de plantão, normalmente como granola com leite e alguma fruta no café da manhã. Caminho 5Km, tomo um banho e começa meu dia profissional. A parte da caminhada vinha sendo deixada para trás nos últimos tempos, mas hoje retomo isto também. Sexta-feira é um dia especial, almoço com os amigos da época da faculdade. Com a mudança para São Paulo, vamos ver se consigo manter isso com os desgarrados que já foram antes de mim.

Retrospectiva dos últimos 15 meses

Este é um daqueles textos que costumo escrever para mim mesmo, sem intenção de publicar. É algo como “meu querido diário”, uma conversa minha comigo mesmo, para reflexão e para quem sabe, lembrar de como eram as coisas alguns ou muitos anos atrás. Só que o ano passado foi um ano de muitas realizações e de muitos desafios pessoais, com coisas boas e ruins acontecendo quase todas as semanas. Anos assim são bons, pois saímos da rotina, e saindo da rotina, aprendemos. Enviei este texto em diversas versões, algumas mais acabadas, outras menos, para alguns amigos mais próximos. Todos falaram o mesmo: publica, que mais pessoas podem aproveitar ou aprender alguma coisa com estas experiências. Então aqui está, um breve relato do que aconteceu na minha vida nos últimos 15 meses, com comentários sobre os fatos e algumas coisas que já destilei de aprendizado. Espero que a leitura seja útil para você, como foi para mim o fato de ter escrito isso.

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O ano de 2011 foi bastante intenso para mim. Há anos sonhava em morar no Silicon Valley, na California.. Sonhava viver onde toda a história da tecnologia acontece. Finalmente, depois de anos de espera e prorrogações sem fim, estava decidido a viver esta aventura. Iria morar lá durante seis meses, sem grandes planos prévios. Era viajar e viver um dia após o outro, com todas as descobertas e desafios que isso me traria. Iria com minha esposa, que não via a aventura com a mesma expectativa que eu, mas que sabia o quanto isso era importante para mim e meu desenvolvimento pessoal. No final, aconteceu tudo diferente e ela se divertiu bastante, mas chego nestes detalhes em breve.

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Esse negócio de morar no Silicon Valley era como a história do Jeep que comprei (dois, um azul e um prata). Sempre havia sonhado em ter um Jeep antigo, até que um dia comprei. Foram duas felicidades, a de comprar e a de vender poucos meses depois. Não nasci para isso, mas descobri da minha maneira, na prática. Com a Harley-Davidson foi diferente, experimentei e gostei muito, tive duas Harleys. Vendi porque cada coisa tem seu momento para acontecer, e no caso das motos, o momento foi e não é mais agora. Certamente voltarei a ter uma Harley no futuro não muito distante.

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Bom, falei que 2011 foi um ano intenso. A viagem para os Estados Unidos estava marcada para março. No meio de fevereiro, no entanto, um convite completamente inesperado chega no meu email. Um amigo, investidor da minha empresa de consórcios imobiliários que morava no Japão, pergunta se não gostaria de ir visitá-lo na Terra do Sol Nascente para explicar o investimento em consórcios e desenhar um plano de aposentadoria para dekasseguis que moram e trabalham lá com o objetivo de voltar ao Brasil com condições de viver uma vida digna com o patrimônio que conseguem construir com o que ganham lá. Naturalmente disse que adoraria conhecer o Japão e conhecer todos pessoalmente. Falei da minha viagem para os Estados Unidos e disse que estando lá, seria até mesmo mais fácil, pois estaria mais próximo do Japão. Perguntei quando ele gostaria que eu fosse e a resposta me pegou de surpresa: se possível, antes de ir aos Estados Unidos.

Mandei um email para outro amigo, agente de viagens, perguntando sobre os custos e possibilidades de passagem para o Japão nas datas estimadas. Ele não apenas me mandou os valores, mas fez um pouco mais, fez as reservas. Se realmente quisesse viajar, bastava avisar que ele confirmaria as passagens. Mais alguns emails e telefonemas e estava tudo certo, eu e minha esposa embarcaríamos para o Japão em menos de uma semana, para ficar por lá durante vinte dias. Prorrogamos as passagens para os Estados Unidos para duas semanas depois da nossa volta e uns dias depois iniciamos nossa jornada para o outro lado do planeta.

Viagem maravilhosa, pessoas incríveis, histórias de vida que me tocaram e me fizeram conhecer uma nova realidade. Agradeço muito por poder ter tido as experiências que tive enquanto estive por lá. Escrevi sobre a experiência em textos anteriores a este.

Saímos do Japão poucas horas antes do tsunami e terremotos que atingiram a ilha. Estávamos voando quando a tragédia estava acontecendo. Muita sorte. Se a tragédia acontecesse poucas horas antes, não teríamos conseguido partir.

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Ao voltar do Japão e preparar a ida para os Estados Unidos, problemas. Minha sogra teve algo em um dos olhos que ficou “cego”. Como isso era acompanhado de enxaquecas, a preocupação com algo mais sério no cérebro foi algo que cogitamos. Exames e mais exames não identificavam o problema e com isto acontecendo, naturalmente prorrogamos a viagem uma segunda vez. E ainda uma terceira vez, até descobrirmos o que havia com ela.

Algumas semanas depois, com direito a internação hospitalar para observação e toda a preocupação que isso implica, finalmente descobriram o que havia de errado e como tratar o problema. Com a situação sob controle, voltamos ao plano da viagem. Partimos dia 27 de maio.

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Morávamos em um apartamento enorme em um bairro maravilhoso da cidade. Compramos bem, pagamos barato. Na época era um passo muito maior que a perna e a justificativa maior para a compra foi para ajudar a tapar um pouco o buraco emocional enorme causado pela perda do meu cunhado para um câncer, com apenas 29 anos de idade. O impacto disto para minha esposa e minha sogra não pode ser descrito com palavras. Alguma coisa boa precisava acontecer naquele ano, naquele mês, e este passo enorme na compra de um apartamento maravilhoso, mas que não sabíamos como pagar foi o que fiz, sem pensar muito nas consequências futuras. Isso aconteceu em 2008.

Passo dado, felizmente as coisas deram certo, os negócios prosperaram e tudo acabou bem. Ou quase. O apartamento era bastante antigo e nunca havia sido reformado. Sistematicamente cada pedaço do apartamento começou a entrar em colapso, culminando com os encanamentos que nos levaram, nas semanas que antecediam a mudança para o Silicon Valley, a fechar os registros e ficar sem água quente nos banheiros principais. Tivemos que reativar o banheiro da área de serviço, que havia se transformado em uma pequena despensa, comprando um chuveiro elétrico e adaptando uma espécie de cortina no local onde ficava a porta, que havia sido retirada anos antes, logo que nos mudamos para lá.

Havíamos colocado o apartamento a venda muito tempo antes, quando ainda pensávamos que poderia não ser possível bancar o custo do mesmo. Além disso, como compramos bem, havia a possibilidade de ter um bom lucro com ele, nos permitindo dar outros passos mais adiante. Dois anos se passaram e muitas ofertas vieram, mas gostávamos de lá, e com as coisas dando certo nos negócios e o pagamento do apartamento não sendo mais problema, uma venda só seria feita se tivéssemos um bom lucro no negócio. Com os problemas que começaram a acontecer, já estávamos propensos a aceitar ofertas menores do que estávamos pedindo, para não precisar passar pelas reformas que teriam que ser feitas se fôssemos continuar lá. Ofertas vieram e vendas deixavam de ser concluídas por detalhes irrelevantes. Era como se não fosse para vender o apartamento naquele momento e naquelas condições.

Fechamos tudo e fomos para os Estados Unidos. Como uma das negociações havia sido praticamente concluída, com a compradora desistindo na última hora, já havíamos até mesmo nos desfeito de alguns móveis maiores e encaixotado todos nossos objetos pessoais. Nossos pais ficaram com as chaves para qualquer emergência enquanto estivéssemos fora e algumas imobiliárias continuariam marcando visitas na nossa ausência.

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Os três meses nos Estados Unidos foram fantásticos. Completamente diferentes do que havíamos “não planejado”. A idéia original era alugar um apartamento pequeno e ter uma base no Silicon Valley para viver o dia a dia da região. No final das contas acabamos morando em hotéis o tempo todo, tendo mais flexibilidade, viajando mais e conhecendo mais locais do que o previamente imaginado. Até o Hawaii, nunca pensado antes de sairmos do Brasil, ganhou nove dias de nossa presença.

Foram três meses no total, intercalando meu trabalho no Brasil com os consórcios e investimentos imobiliários executado através da internet, passeios nos momentos em que o fuso horário não permitia o trabalho no Brasil, e viagens por outras cidades e estados, incluindo Reno, Lake Tahoe, Grand Canyon, Las Vegas, San Diego, Los Angeles, Santa Barbara, San Simeon e o Hearst Castle, Carmel e Monterey, Santa Cruz, Half Moon Bay e o Ritz-Carlton, Berkeley, Emeryville e a sede da Pixar, voltando ao coração do Silicon Valley com Sunnyvale, Mountain View, Palo Alto, Santa Clara e San Jose, não esquecendo, claro, de San Francisco, onde assistimos não apenas a ópera O Anel do Nibelungo, de Richard Wagner, mas também a famosa Parada Gay, para finalmente embarcar rumo ao Hawaii e então voltar para o Brasil. Um período sabático relativamente curto, mas bastante bem aproveitado. Tendo curiosidade sobre a viagem, publicamos os detalhes em um blog exclusivo para isso em http://viagemperuzzo.blogspot.com.br/

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O Hawaii é simplesmente fantástico. Eu, que não sou dos maiores fãs de praia, simplesmente amei tudo por lá. Foi o único lugar em que realmente tirei férias de verdade, daquelas de não fazer nada, cercado pela beleza mais deslumbrante que poderia haver e com a civilização e todos os seus confortos sempre a disposição. Os mesmos shopping centers e lojas encontrados em todo lugar nos Estados Unidos estão presentes também no Hawaii.

O povo local é absolutamente amável, adorando sua cultura e sua história. Andando na rua, mais de uma vez fomos abordados por locais que perguntavam se estávamos gostando da ilha, se já tínhamos visto isso ou aquilo, dando orientações de como chegar nos melhores locais. E da mesma forma que nos abordavam para conversar, se despediam e seguiam seu rumo, sem tentar nos vender coisa alguma, simplesmente felizes de poder indicar algo interessante para conhecermos.

Os turistas no Hawaii são em sua absoluta maioria japoneses. A viagem do Japão para o Hawaii é de 7 horas. Da Califórnia para lá é de 5 horas, então em termos de distância, não é essa a explicação para tal invasão nipônica. O fato é que tudo lá possui indicação em japonês junto com as orientações em inglês. Em alguns locais há somente indicações em japonês. Dos hábitos curiosos dos turistas japoneses o mais “diferente” dos nossos é o fato de irem para praia completamente cobertos, com mangas compridas, calças compridas, muitas vezes blusas com capuz cobrindo a cabeça e sempre com toalhas ou algo protegendo a pele não coberta por roupas do sol.

Pensando em um lugar onde o clima é sempre bom, o povo amável, há diversas opções de lazer e a beleza natural é indescritível, não conheço lugar melhor que o Hawaii para uma temporada espetacular.

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Certas coisas não deveriam acontecer, mas infelizmente acontecem, e nos pegam completamente desprevenidos, nos deixando sem ação. Aquela frase de que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, MENTIRA! Ainda estávamos nos Estados Unidos quando veio a notícia: minha prima, com pouco mais de 40 anos, teve detectado um câncer. Faleceu em 62 dias, logo após termos voltado. Já ter passado por isto uma vez não nos prepara para repetir a dose. Tudo é revisto quando nos damos conta de como é frágil a linha que nos mantém aqui. Falei sobre isso em um vídeo que publiquei logo após o acontecido.

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Voltamos ao Brasil dia 31 de agosto. Assinamos a venda do apartamento dia primeiro de setembro pelo valor que estávamos pedindo originalmente, sem choro, sem descontos. O lucro com este negócio foi o rendimento do valor que havíamos pago pelo imóvel, mais o fato de termos morado “de graça” ao longo dos três anos em que ficamos lá. O comprador também fez um excelente negócio, por isso não pechinchou. Comprou um apartamento gigantesco na melhor região da cidade por um valor ínfimo perto do que estava sendo pedido por apartamentos semelhantes. Só viríamos a descobrir isso depois de ter assinado a venda…

Vendemos, mas não tínhamos onde morar. Hora de procurar um novo apartamento. E aí é que estava o problema, os preços, nos meses em que estivemos fora, simplesmente dispararam de maneira fora do comum. Não havia mais imóveis na faixa de valores que tínhamos a disposição. Todos que procuramos e olhamos eram absurdamente piores do que o nosso antigo apartamento. E todos muito mais caros! Um início de depressão começou a se instalar em nós. Tínhamos prazo para entregar o apartamento e uma pequena esperança de encontrar algum lugar para morar antes da próxima viagem já marcada, para Cancun e Miami como prêmio da Rodobens pela performance em vendas durante o ano.

Perdidos entre procurar apartamentos para comprar ou alugar, acabamos não achando nem um nem outro. Na última hora conseguimos uma solução paliativa, com amigos/parentes que recém haviam comprado um apartamento novo e não iriam se mudar imediatamente, nos disponibilizando o mesmo em um aluguel direto, sem contratos longos, por apenas dois meses que imaginávamos ser suficientes para conseguir finalmente achar um apartamento adequado para comprar. Oferecemos o dobro do que custaria o aluguel lá, mais ou menos o que custaria para alugar um apartamento muito maior, com o dobro do espaço, mas a conveniência de não ter um contrato de longa duração valia a pena o custo maior.

Se arrependimento matasse… E falo isso sobre a venda do apartamento enorme e do aluguel caro e por pouco tempo do apartamentinho novo. Em ambos casos desobedeci minhas próprias regras, de não me desfazer de patrimônio já conquistado e de não pagar mais do que valem as coisas (no caso do aluguel).

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Sair de 162 metros quadrados para apenas 49 é complicado. Mais complicado é mudar para um apartamento que ainda não havia sido completamente entregue. Não havia pia na cozinha, então tínhamos o tanque para lavar a louça. Não havia espaço para nossos móveis, muito grandes para o novo espaço. Conseguimos a garagem de um amigo para deixar sofás, armários e outros móveis grandes. Tínhamos todas nossas caixas ocupando o quarto maior do apartamento, sem espaço para circular no mesmo. No quarto menor coube nossa cama de casal, sobrando 20 cm de cada lado. Não havia espaço para fechar a porta, pois a cama trancava o curso da mesma.

Não tínhamos fogão. O gás neste prédio novo vem direto do gasoduto, uma novidade em Porto Alegre. O fogão precisava de uma adaptação para funcionar com a menor pressão do gás natural que vem desta forma. A Sulgas, empresa responsável pela comercialização, faz esta adaptação sem custos, mas apenas com dia e hora marcados previamente. Somente em um dia da semana, marcado na semana anterior. Com a viagem para Cancun e Miami no meio deste período, se fizéssemos a adaptação, seria para apenas duas semanas, tendo que desfazer depois, com custo, quando desocupássemos o apartamento. Aprendemos a cozinhar com uma panela/grill elétrico, a usar mais o forno de microondas e a comer fora com maior regularidade.

Algumas semanas depois o pessoal que iria entregar os móveis da cozinha, área de serviço e banheiro foram lá instalar tudo. Retiraram o tanque original que estava nos servindo de pia para instalar o armário onde ficaria um tanque de alumínio. Retiraram a pia do banheiro e instalaram o armário lá. Neste momento não tínhamos mais tanque, nem pia da cozinha, que nunca havíamos tido, nem pia no banheiro. Sem o tampo de pedra dos móveis, adaptei a pia solta que haviam deixado no banheiro com a torneira que havia sobrado da pia antiga que haviam levado embora.. Então nossa vida agora dependia de uma pia bamba no banheiro para escovar os dentes, e também para lavar a louça.

Quando chegou a vez de entregar o tampo de pedra das pias e do tanque, mais um problema. O local onde ficava a máquina de lavar teria uma bancada de pedra no lugar da máquina. Os proprietários pretendiam comprar uma máquina de lavar com porta frontal e a nossa era com abertura superior. No final das contas um cano que deveria ficar abaixo de onde seria instalada a bancada estava acima da mesma, tendo que quebrar a parede e refazer a posição. Isso ficou para depois da nossa saída, então ainda tínhamos a máquina de lavar roupas funcionando.

A situação estava complicada. Não dá para esquecer que junto de toda esta bagunça nas rotinas do dia a dia, também estávamos sem acesso decente à internet. Não havia como contratar a internet que queríamos no bairro onde estávamos e a que não queríamos, mas que resolveria a situação paliativamente, tinha um contrato de dois anos que não fazia sentido assinarmos.

Complicava ainda o fato de não estarmos encontrando um apartamento para comprar com o valor que havíamos recebido pela venda do nosso. Sei que tudo que sobe, uma hora desce, ou ao menos deixa de subir e o dinheiro investido alcança o valor mais cedo ou mais tarde, mas a situação estava emocionalmente complicada. E com emoção, não há razão que resolva.

Foi um período complicado. Mesmo.

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Mais um ano como representante categoria Diamante na Rodobens e mais uma vez, uma viagem internacional para a convenção anual de premiação. Em 2010 havia sido Paris, 2011 era Cancun e Miami. Viajar no meio da bagunça que estava nossa vida pessoal não foi o melhor momento, mas lá fomos nós mesmo assim. Seria interessante conhecer um lugar que todos falavam bem e no fundo queríamos ver se encontrávamos uma alternativa de praia tão boa, mas mais próxima do que o Hawaii.

Cancun tem águas lindas e quentes, mas não conseguimos conhecer direito as coisas por lá. Em parte, tínhamos a programação da Rodobens a nos tomar algum tempo, afinal era um misto de prêmio com trabalho, mas o maior problema foi o clima não ter ajudado. Mudanças climáticas enormes fizeram um furacão passar por lá justamente no dia que teríamos livre, com direito a quartos alagados e tudo mais. Ficamos presos no hotel, com o exército na praia impedindo a circulação. No dia seguinte, tudo tranquilo, como se não houvesse havido nada, mas aí eu estava com uma dor de cabeça insuportável e fiquei dormindo no quarto do hotel. Dia perdido. De noite fomos ao restaurante Pericos, um restaurante com show local onde o próprio lugar é todo decorado com as famosas caveiras mexicanas, muitas cores e muita diversão. Temos que voltar, mas com mais tempo e com clima melhor.

Miami continua sendo Miami, um pedaço da América Latina encravado nos Estados Unidos. Pegamos dois dias de chuva, um deles inteiro dentro de um shopping center. Bom para a maioria dos representantes da Rodobens que estavam conosco nesta etapa da viagem, mas para nós, que vamos seguido para os USA e de onde havíamos acabado de voltar havia poucos meses antes, foi uma enorme perda de tempo. Valeu a pena a ida para Miami por ter conseguido achar e comprar o aparelho APAP que precisava para tratar minha apnéia do sono.

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Depois de visitar inúmeros apartamentos e descartar muitos mais diretamente pelas descrições das imobiliárias, finalmente colocamos os olhos no apartamento dos nossos sonhos pelo valor correto. Trocamos o espaço físico que tínhamos no apartamento antigo por uma estrutura de condomínio (piscinas, salão de festas, sala de ginástica, bosque, quadra de tênis, etc.). Permanecemos no mesmo bairro, a duas quadras de onde morávamos. Trocamos um segundo andar com vista para a rua e posição solar mediana por um oitavo andar com a melhor posição solar possível e uma vista simplesmente deslumbrante da cidade. A disposição das peças é ótima, perfeita para nossas necessidades. Simplesmente encontramos o apartamento que nos servirá tranquilamente pelos próximos anos, incluindo aí os filhos que pretendemos ter e todo o espaço para eles e crescerem com segurança e tranquilidade.

O parágrafo anterior foi escrito no final de 2011, logo após a compra do apartamento, ainda animados com o achado. Escrevo este parágrafo em abril de 2012, instalados aqui desde 28 de dezembro de 2011, mas ainda “acampando”, sem ter feito a reforma que gostaríamos, por ainda estar decidindo detalhes da futura decoração. As coisas estão bem complicadas ainda, emocionalmente falando. Parece que ainda não nos encontramos em relação às coisas. Estamos numa espécie de limbo emocional desde a venda do apartamento antigo. Espero que a reforma resolva esta questão.

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Foram muitos os sinais que recebemos indicando a necessidade de venda do apartamento em que estávamos. Apesar de grande, não estávamos completos ou tranquilos lá. Era ótimo, mas parecia não ser o local certo para nós. Com a venda e então a busca por alternativas, e a sequência de frustrações em encontrar algo que nos atendesse por valores factíveis, veio o medo de que tivéssemos feito o melhor negócio financeiro de nossas vidas, mas ao mesmo tempo, o pior negócio possível para o futuro da nossa família. A leve depressão que estava começando logo depois da venda do apartamento e a onda de imóveis fora das nossas possibilidades, potencializada com a mudança para a situação de “acampamento” do apartamento provisório que conseguimos estava começando a tornar a vida bastante insuportável.

Agora, com as coisas se normalizando, com o novo apartamento já comprado, faltando apenas alguns dias para nossa mudança para o novo lar e a tranquilidade voltando às nossas vidas, fico até um pouco envergonhado de escrever isso, porque penso: como posso entrar em depressão com alguma reserva de dinheiro no banco, os negócios e empresas andando bem, saúde em ordem e uma vida inteira pela frente? A questão é que nossa mente é algo que não sei explicar, e o fato é que a depressão, que neste momento já me parece completamente ridícula, há poucos dias atrás parecia o fim do mundo e o início de uma vida de privações sem fim, onde iríamos cada vez mais para o fim do poço.

Não sou ingênuo nem alienado, sei dos problemas do mundo, sei das dificuldades imensas que a absoluta maioria da população passa. Sei que gente passa fome, vive nas ruas. A idéia de ficar deprimido por “não ter onde morar”, podendo alugar qualquer imóvel com um estalar de dedos, agora me parece ridícula. Ainda assim, é exatamente desta maneira que estava me sentindo, deprimido, como se o mundo fosse acabar para minha família se a situação perdurasse por mais tempo.

Como li ainda hoje no twitter: “minha filha, pobre não tem direito a depressão, para poder ter direito a ficar deprimida tu tens que ganhar muito mais.”

No final das contas, esta situação toda serviu como um toque de humildade e empatia com algumas pessoas que me escrevem. Estando fora da situação que elas estão vivendo, muitas vezes penso: “como é que podem estar deprimidas, não vêem que não há motivos para isso, que as coisas podem estar um pouco piores do que estavam, mas em breve se resolverão. E que se não voltarem a ser tão boas como eram, ainda assim são completamente aceitáveis, sem dramas, afinal, têm um teto sobre suas cabeças, um emprego que paga as contas e um futuro inteiro pela frente”. E no final, vivendo algo do tipo, lá estava eu, deprimido com uma situação muitas e muitas vezes melhor do que a que eu mesmo vivia há poucos anos atrás.

Que esta experiência me deixe isso de lição: “não julgar nunca como os outros podem estar se sentindo, o que parece patético para nós pode ser bastante sério para quem está no meio do furacão, hoje eu sei disso, senti na minha própria pele.”

E que me deixe ainda a outra lição importante: nada é definitivo, tudo se resolve, mais cedo ou mais tarde, de uma forma ou de outra. Pode não voltar imediatamente ao mesmo patamar onde estávamos, mas as vezes, é preciso dar um passo para trás para então poder dar dois para frente.

Há quatro anos atrás eu tinha cinco vezes menos patrimônio do que tenho hoje, e a vida estava fantástica, cheia de possibilidades. Meu EU daquela época deve estar rolando de rir de mim agora. E deve estar me xingando muito, porque vou te contar, olha para a situação, coloca as coisas no papel, compara com alguns anos atrás. Um tombinho por um negócio aparentemente errado não pode tirar uma pessoa do prumo como me tirou nestas últimas semanas. E pior, com a compra do novo apartamento, não houve nem tombo nem tombinho, pelo contrário, houve uma evolução na vida, nas possibilidades e nas felicidades que estão por vir. Desculpa Fabrício de hoje, mas o Fabrício de quatro anos atrás com certeza está rindo de ti até agora. Isto é patético.

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Como escrevi no início, não tinha a intenção de publicar este texto, mas foi bom escrever tudo isso. Me ajudou a colocar as coisas novamente em perspectiva. Então publico para servir como exemplo de que viver é estar constantemente passando por experiências novas. E quando estas experiências parecem não ser as melhores, que este texto ajude a vislumbrar que dias melhores virão. Nunca acaba enquanto não termina. E só termina quando dizemos que terminou.

Sou feliz, e os momentos difíceis servem para testar a força que não sabemos ter até precisar contar com a energia que possuímos lá dentro de cada um de nós. Vencemos mais uma batalha. Na próxima, estaremos mais sábios e mais preparados.

Este foi meu ano de 2011. Como foi o seu?

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Continuo a escrever em abril de 2012. Os três primeiros anos foram bagunçados emocionalmente, as coisas ainda não estão bem resolvidas e a reforma que precisamos fazer no apartamento não está acontecendo ainda. Indecisões, indecisões. É o problema de ter muitas possibilidades, todas igualmente boas. A dor da escolha…

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Já nos negócios, os dois últimos meses foram os melhores que já tive em toda a história da Megacombo e de qualquer outra empresa que já possuí. Vendi três vezes mais do que minha média mensal, durante dois meses seguidos, com tendência a continuar assim ou até melhorar. Em paralelo a isso, tenho um projeto de negócio que pode alçar a vida a vôos ainda mais altos, muito mais altos. As coisas estão realmente muito boas na vida profissional. Deve ser aquela coisa de equilíbrio, de depois da tempestade vir a bonança…

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No próximo dia 22 mudamos para São Paulo. O apartamento em Porto Alegre permanece conosco, claro. Não cometeremos a mesma burrice de vender antes de termos outro, ou melhor, não nos desfazemos mais de patrimônio, só acrescentamos, sem tirar. Mas voltando para o assunto São Paulo… Nos mudaremos para testar algumas possibilidades comerciais. Tenho o projeto de negócio que citei antes, tenho os negócios com investimentos imobiliários e com investimento em consórcio que são minha especialidade, enfim, faremos um período sabático de pelo menos três meses, sem prazo definido para concluir, para ver como as coisas se comportam.

Em outras vidas devemos ter sido ciganos, porque vai gostar de mudanças assim sei lá onde… Como digo, cada mudança, cada nova experiência em que nos colocamos, mais temos a aprender. Mesmo as experiências ruins, talvez até mais estas, tem muito a nos ensinar.

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Era isso. Se você leu até aqui, parabéns pela paciência. Espero que este texto possa ter ajudado em algo. Obrigado pela atenção.

Por que investir em imóvel na planta é um péssimo investimento hoje em dia?

Investir em imóvel na planta costumava ser um excelente investimento. Haviam diversas formas de lucrar, todas excelentes. Hoje em dia, isto não é mais verdade, este tipo de investimento passou do ponto e representa um enorme risco para milhares de poupadores que desejam se tornar investidores e, desconhecedores da real situação do mercado, acabam entrando em uma canoa furada. Vou explicar então o raciocínio por trás do investimento em imóveis na planta, como funcionava e porque era muito lucrativo no passado, e o que mudou atualmente para que isto tenha deixado de funcionar.

Antes de continuar gostaria de adiantar que sim, podem existir algumas exceções ao que vou explicar a seguir, mas se você acha que o seu caso será justamente o da exceção, e não o da regra, sugiro jogar na Megasena, em que o prêmio é muito maior.

Porque investir em imóveis na planta ERA um excelente investimento?

Uma das formas de lucrar com imóveis na planta envolvia comprar um imóvel parcelado, pagar por volta de 30% do valor do mesmo até pouco antes da entrega e então vender este imóvel pronto, antes de ter que assumir o financiamento do saldo devedor. Vamos a um exemplo com valores simplificados para demonstrar:

Imóvel na planta comprado por R$ 100.000.
Pagamentos de R$ 1.000 mensais até a entrega, durante 30 meses.
Imóveis semelhantes prontos sendo vendidos por R$ 130.000.

Pelos valores acima, vemos que estávamos comprando o imóvel com um desconto razoável em relação aos imóveis já prontos disponíveis no mercado. Guarde essa informação, era uma das vantagens de comprar imóvel na planta.

O lucro real, no entanto, se dava pela alavancagem do investimento. Ao comprar antecipadamente, estávamos garantindo que seríamos donos de um imóvel dentro de 30 meses. E dentro de 30 meses, certamente haveria alguém que, seja porque estava prestes a casar, seja porque arranjou um bom emprego e mudou de cidade, seja porque cansou de morar com os pais, não havia se planejado e agora gostaria de comprar um imóvel novo, mas para mudar imediatamente. Ao vender nosso imóvel pronto pelos R$ 130.000 30 meses depois de termos adquirido, não estávamos explorando ninguém, estávamos apenas vendendo nosso imóvel novinho em folha pelo valor de mercado dele.

A mágica do lucro acontecia quando calculávamos que ao ter pago apenas R$ 30.000 até a entrega, e ao vender por R$ 30.000 a mais do que havíamos pago originalmente (os R$ 100.000 que assumimos de dívida ao assinar a compra), a diferença entre um valor e outro era de R$ 30.000. Na venda, transferimos para o comprador a dívida de R$ 70.000 (não há juros até a entrega, pois você ainda não está na posse do imóvel, a construtora é que lhe paga juros, vendendo com desconto, porque você está financiando parte da construção) que ainda restava e recebemos de entrada os R$ 60.000 que faltavam para o valor de venda de R$ 130.000.

Lucramos, em 30 meses, 100% sobre o valor que efetivamentes havíamos desembolsado. Um lucro fantástico. Uma aplicação em renda fixa levaria por volta de 10 anos para dar um retorno semelhante.

Note que neste exemplo não mostrei as correções mensais sobre os valores. As correções são irrelevantes, se aplicam ao que você paga ao comprar, mas também ao que o comprador do seu imóvel pagará quando o comprar de você no futuro.

A segunda forma de lucrar comprando um imóvel na planta envolvia os mesmos cálculos de pagar 30% até a entrega e então quitar ou financiar o saldo devedor, colocando o imóvel para alugar. Ao comprar o imóvel na planta, com desconto, o percentual que o aluguel representa sobre o valor pago se tornava muito melhor do que comprando um imóvel já pronto. Mantendo as proporções, receberíamos um aluguel 30% maior sobre os valores investidos do que alguém que comprou o mesmo imóvel na sua conclusão.

E porque então hoje em dia este é um péssimo investimento?

Mercado. Esta é a resposta curta. E a resposta longa?

Como expliquei nos parágrafos anteriores, o investimento em imóvel na planta era realmente excelente e muito lucrativo, mas pouca gente investia desta maneira e não haviam tantas unidades sendo construídas ao mesmo tempo. Com o desenvolvimento econômico dos últimos anos, e principalmente com a facilidade de crédito que isto trouxe ao país, aumentou muito o mercado de compradores de imóveis novos. Com a procura aumentando e crédito disponível, aumentaram os preços. Então, o que já era bom, ficou ainda melhor.

As pessoas comuns, os poupadores, os que tem medo de investimentos mais sofisticados, olhavam os números que expliquei acima e viam:

Compra por R$ 100.000, vende por R$ 130.000 em dois anos e meio, ganha 30%. Isso é o que uma aplicação bancária rende, não vale o risco (e se a construtora quebrar? e se não conseguir vender?). Claro que não calculavam direito, não entendiam a lógica da alavancagem que tornava o lucro real muito maior. Investir não era seu negócio.

Só que com o crescimento da economia e os imóveis aumentando de valor muito mais rapidamente, os lucros se tornaram muito maiores do que já eram. Passamos a ter lucros sobre a compra com desconto ao comprar antecipadamente e também o lucro da valorização dos imóveis durante o período de construção. Lucros de 200% ou 300% ao longo dos 30 meses normais de uma obra passaram a ser comuns. E com lucros destes, a notícia se espalhou rápido.

Mais gente procurando imóveis na planta, mais construtoras lançando imensos condomínios, mais crédito sendo liberado para os compradores. É uma bola de neve, uma coisa puxando a outra. Quem aproveitou, lucrou muito e contou histórias de pescador para todos seus amigos. Alguns mais rápidos foram na onda e tiveram suas histórias de pescador para contar. Os que demoraram um pouco mais, puderam contar alguma coisa, mas só para quem não sabia matemática, pois se calculassem o custo do dinheiro no tempo, veriam que teriam lucrado mais se deixassem o dinheiro na poupança.

Hoje a situação é a seguinte:

  • Mais lançamentos do que compradores finais, que irão morar nas unidades;
  • Preços de lançamento maiores do que os das unidades já concluídas;
  • Prazos de entrega cada vez maiores, com atrasos sendo a norma;
  • Concorrência entre os investidores na planta e as unidades das construtoras;
  • Diminuição dos créditos disponíveis no mercado, resultado da crise americana e agora da européia;

E explicando cada uma delas…

– Mais lançamentos do que compradores finais, que irão morar nas unidades;

Você compra na planta, mas não sabe se terá para quem vender. Não vou nem falar aqui da imensa quantidade de ingênuos que compraram na planta sem ter condições de assumir o financiamento caso não conseguissem vender a tempo, a maioria tendo que entregar os imóveis para as construtoras, com imensos prejuízos.

– Preços de lançamento maiores do que os das unidades já concluídas;

Se não há vantagem financeira em comprar na planta, qual o sentido disso?

– Prazos de entrega cada vez maiores, com atrasos sendo a norma;

Quanto mais demora, menor é o lucro. Custo do dinheiro no tempo, regra essencial a qualquer investimento, infelizmente ignorada pela maioria.

– Concorrência entre os investidores na planta e as unidades das construtoras;

Se o corretor de imóveis tem que escolher vender a sua unidade ou a da construtora que garante o emprego dele, qual você acha que ele irá vender? Cada vez mais, só vendem seus apartamentos aqueles que possuem a capacidade inerente em vendas por conta própria.

– Diminuição dos créditos disponíveis no mercado, resultado da crise americana e agora da européia;

Com menos dinheiro no mercado, menos crédito disponível e menos compradores possíveis.

A questão toda é que as notícias demoram para chegar para a maior parcela da população e demoram para ser absorvidas de forma efetiva. Dentro de quatro ou cinco anos, a maioria dos jornalistas que hoje escrevem matérias sobre o ôba-ôba do mercado imobiliário estarão repetindo o que acabei de escrever aqui. Quando isso acontecer, assim como aconteceu inúmeras vezes ao longo da história da humanidade, eu estarei aqui entre aquela minoria que costuma dizer:

Eu avisei.