Diário de viagem, Japão 2011, parte 2

Continuando o diário de viagem, que preciso escrever antes de esquecer detalhes interessantes (tantos são os detalhes interessantes)…

24/02/2011

Dormimos praticamente o dia todo, só acordando para o almoço. Fomos a um restaurante em Kameyama, Luciana/Marco, Sandraéli/Jean, Ingue/Eu. Era uma espécie de cumbuca de arroz sem sal com umas carnes em cima. Um pózinho de pimenta fraca fazia as vezes de sal, dando um gosto bastante bom ao arroz originalmente sem graça. Naturalmente comemos usando os hashis, os pauzinhos, o que  não é tão difícil assim, mesmo no caso do arroz.

25/02/2011

Acordo as 6h para dar conta de responder os emails do Brasil ainda no fim do dia anterior lá. Pela manhã não havia nenhuma conversa marcada, então consegui responder vários emails e adiantar alguns textos aqui para o site. De tarde conversamos com a Talita e o Tiago, que nos esperavam com sanduichinhos, chocolates e os mais diversos sabores diferentes de Pringles. Conhecemos o Subaru Legacy B4 com motor boxer bi-turbo do Tiago. A noite fomos jantar com a Meire e o Vitor. Nos levaram em um típico restaurante japonês, Saizeriya. Já no primeiro jantar fora, descobrimos que os japoneses gostam mesmo é de comida italiana. Com eles descobrimos também como acelerar um Nissan Skyline a 160Km/h com pneus para neve 🙂

Fomos dormir as 2h da madrugada.

26/02/2011

Dia corrido. Pela manhã, Dani e Fabio, nos aguardando com petiscos empanados, queijos e sucos. Conversamos não apenas sobre investimentos imobiliários, mas sobre o negócio de transportes e cargas. No almoço fomos a Suzuka com a Leticia e o Fabio, mais um típico restaurante japonês, Capricciosa 🙂

A noite, pizzas diversas com a Marô/Duda, Lucinéia/Diego. Fomos dormir as 3h da madrugada.

27/02/2011

Acordo as 7h da manhã. Manhã e tarde para dar conta dos emails no Brasil. A noite, Kelly e Rafael, com quem fomos, junto da Luciana e do Marco, em um típico restaurante chinês. Menção honrosa para a chinesa do caixa, nos agradecendo com um formidável “aligatô, sayonalá”. Depois da janta fomos a uma megaloja de TUDO imáginável. Desde pilhas, calcinhas travesseiros, ferramentas, comidas, tudo, tudo, tudo. Supermercado não descreve aquela loja. Prateleiras e mais prateleiras de tudo quanto é coisa, inclusive com mais coisas penduradas no teto, empilhadas no chão, brotando das paredes… Imagine a casa mais bagunçada que conseguir, com tudo espalhado por tudo que é lugar. Lá era mais bagunçado, com certeza. Voltamos para casa as 4h da madrugada, mas graças ao meu exagero nos camarões do jantar, acabei passando mal e só consegui dormir as 7h da manhã.

28/02/2011

Acordei (ou fui acordado pelo despertador) as 9h. Banho para acordar e lá fui, sem a Ingue desta vez, conversar com a Angela e o Yoshio e com a Fantini (que não estava presente) e o Anderson. Me esperavam com uma farta mesa de café da manhã, mas já havia comido antes de sair, então fiquei apenas no suco. Lá acabei provando dois sucos de verduras. Um era bom, o outro “dava para tomar”.

Saí de lá e cheguei já com o Jorge e a Gislaine esperando para nos levar para almoçar, junto com o Rodrigo, que estava sem a esposa Adriana por conta de uma mudança nos horários da fábrica. Ela teria que sair para o trabalho as 16h e achava que não daria tempo de conversar e chegar a tempo, no que estava certa, pois ficamos no restaurante 7h seguidas. Acredito que o pessoal lá pensou que iríamos ficar para o jantar. Não ficamos.

A noite, jantamos com a Elen e o Anderson, que nos esperavam em casa com um maravilhoso yakissoba feito por ele.

Depois da virada dos últimos dias, fomos dormir mais cedo, a 1h da madrugada.

01/03/2011

Acordei as 6h da manhã e comecei a responder os diversos emails atrasados do Brasil. As 9h chegam a Luciana e o Marco, avisando que nossa agenda para o dia estava liberada devido a uma série de mudanças nas equipes e turnos da fábrica. Parece que se esforçam lá para conseguir mudar as coisas sempre para o pior possível. Respondi diversos emails até a hora do almoço e depois deste deitamos um pouco e apagamos até o final da tarde. A noite, o Marco trabalharia em uma nova função e a Luciana ficaria de folga. Com ela como guia e eu como o único ser presente com carteira de motorista internacional, tive minha estréia dirigindo em mão inglesa! Tranquilo, nasci para isto 🙂

Fomos a uma megaloja de usados que apelidamos de “casa de adoção”, pois lá, encontramos as nossas filhas adotivas, três bonecas Blythe e uma Pullip. Junto com as bonecas, explico um novo modelo de negócio para a Luciana. No dia seguinte seria a vez do Marco conhecer as bonecas e o novo negócio que montarão através da internet. Fomos dormir as 4h da madrugada.

02/03/2011

Acordados desde as 6h. Nesta quarta-feira iríamos para Nagoya, mas com as trocas de turno e equipe tudo ficou bagunçado. Com o dia livre almoçamos pela primeira vez em um restaurante de sushi. Estava bom. Os pratos passavam numa esteira e íamos pegando o que queríamos comer.  Caso quisessemos algo diferenciado, um “trem-bala” trazia por uma linha superior à esteira. Depois disso fomos ao Jasco, o shopping em Suzuka. De lá, partimos para a KS, uma mega loja de eletrônicos. Vi uma câmera 3D da Fuji que era simplesmente incrível. Fotos 3D que podiam ser vistas diretamente na tela da câmera, sem óculos especiais. Inacreditável, impressionante mesmo! Voltamos para casa e fomos dormir a meia noite e meia.

03/03/2011

Acordo as 6h. Dani e Fabio nos pegam as 9h para ir a Nagoya. Passeio divertido no Castelo de Nagoya, construção de mais ou menos 1600 que pegou fogo e foi totalmente destruído, para ser novamente reconstruído na metade do século 20. De lá, fomos para Kamimaetsu, uma série de ruas cobertas com uma infinidade de lojas. Ou uma espécie de bairro comercial. Tinha de tudo, desde roupas, bolsas e acessórios, até eletrônicos e peças de computador, passando por brinquedos e bonecas, brechós, lojas de artigos esportivos e restaurantes. Divertidíssimo, principalmente porque aqui separamos os meninos das meninas 🙂

Nosso almoço foi um exagero de globalização e integração mundial. Estávamos em uma casa de Kebab grego, atendidos por um turco (realmente vindo da Turquia). O Fabio, um brasileiro de origem japonesa fez o pedido em japonês para o turco, que após concluir os detalhes do pedido largou um bom e totalmente compreensível “obrigadou”. Com um pouco de inglês descobrimos que ele estava alí há seis anos. E assim, com três línguas diferentes, aproximamos um pouquinho mais cada canto do planeta.

Fim do dia, fomos ao Parco, uma megaloja, estilo Galerias Lafayette ou Printemps de Paris. De lá, iríamos jantar no Marinos, outro restaurante italiano, mas desta vez, uma atendente daquelas que não desejo a ninguém nos fez sair de lá irritados com a falta de capacidade em atender. Fomos ao restaurante Outback de Nagoya, onde a boa sorte nos presenteou com uma garçonete que não tinha mais espaço na camisa para pendurar tantos broches de premiação por excelência no atendimento.

1h30 da manhã e já estávamos dormindo.

04/03/2011

Acordamos as 9h, descobrindo que nossa próxima conversa só seria as 11h. A Erika e o Cleiton nos pegaram em casa e fomos almoçar em Kameyama mesmo. Um restaurante que ainda não havíamos ido, mais frequentado por jovens japoneses, com diversos estudantes recém saídos da aula. Pelo comprimento mais longo das saias, notamos que as gurias eram mais novas. Mais tarde, já no final do nosso almoço, as gurias de saias mais curtas começavam a chegar. Aqui, quanto mais curta a saia, mais avançada é a série das estudantes.

No meio da tarde, com a Luciana e o Marco ainda dormindo para se preparar para o turno da noite, pegamos o carro e fomos para Kameyama. Por “pegamos o carro” quero dizer que fomos sozinhos, sem GPS e dirigindo em mão inglesa. Divertido. Passeamos na loja de Y 100 (1,99 japonês) e fomos ao supermercado. Lá, compramos sushi e sashimi prontos para consumir, além dos ingredientes para preparar um risoto de gorgonzola a ser feito nos próximos dias. E agora, pouco antes das 22h, me preparo para dormir. Amanhã começa um novo dia.

05/03/2011

Acordamos as 7h. Neste dia finalmente conversamos (sobre investimentos) com a Luciana e o Marco, que estavam nos hospedando. De tarde fomos a Suzuka e tive uma experiência engraçada na loja de eletrônicos. Entrei, sabia como pedir a câmera fotográfica que estava procurando, ou achava que sabia. O vendedor, um daqueles japoneses elétricos que corre de um lado para o outro me levou até os cartões de memória. Aí eu falo “no cardo, kamera, hai” e voltamos para as câmeras. Ele pega um catálogo da Fuji (entendeu a marca, não o modelo) e pede para eu apontar. Digo que não está no catálogo, havia sido lançada neste dia. Escrevo no meu moleskine o nome da câmera, ele vai a um computador e volta com uma página impressa, mostrando que ela seria lançada dia 5 de março. Aponto para a data, aponto para o calendário no iPhone e então ele desanda a falar com a velocidade de um carro de fórmula 1. Interrompo o discurso com um “nihongo ga wakarimassen”, ele fica congelado por uns segundos e sai correndo, me fazendo sinal para segui-lo. Para na frente de um computador, entra no Yahoo (depois de procurar bastante nos favoritos do navegador). No campo de pesquisa do Yahoo ele procura por “GOGLE”, acha o Google nos resultados, clica, procura mais um pouco e clica em um link e quando vejo estamos com a tela do Google Translator carregada. Em mais alguns minutos ele me diz que deve chegar nas lojas da cidade em umas duas semanas, respondo que sou do Brasil e só ficaria mais uns dias, agradecendo a cordialidade dele. Ele fica agradecendo, “arigatô, arigatô, arigatô, arigatô, …” até sairmos da loja, se curvando a cada arigatô falado. Depois o Marco me explica que ninguém agradece cordialidade de quem está fazendo seu serviço no Japão, então ele ficou muito honrado por eu ter feito isso. Vou dormir por volta das 22h.

06/03/2011

Acordando as 7h nos preparamos para uma segunda conversa com a Kelly e o Yoshito. De tarde fomos a Yokkaichi, em Shiga, conhecer a Rita e o Marcelo, junto com seu filho e duas filhas, mas antes de conseguirmos pegar a estrada, ainda em Kameyama, demos de cara com um encontro de Harlistas prestes a sair em um passeio de domingo pelas estradas japonesas. Junto da concentração deles, um encontro de muscle-cars americanos, com Corvetes de todas as décadas, Pontiacs Firebird, inclusive um K.I.T.T. original usado na série Super Máquina, Chevelles, Camaros também de várias décadas e muitos outros. Dos Harlistas, fica registrada a alegria e a tradicional paixão japonesa em aparecer em fotos. Diversas vezes via, de canto de olho enquanto fotografava as motos, eles se preparando para fazer o “V” tradicional que fazem com os dedos ao aparecer em fotos. Quando apontei a câmera para um grupo de garotas vestidas de couro, logo todos os motociclistas estavam juntos, posando e nos chamando para aparecer junto nas fotos. A noite, conversa legal com a Fernanda e o Wagner, que estão há pouco tempo no Japão. Foi legal saber que o Wagner já havia trabalhado com consórcios de moto no Brasil, ficou bem mais fácil explicar algumas coisas pois ele já sabia algumas formas de obter lucro com os consórcios. Neste dia fomos dormir cedo, as 23h30. Estava complicado manter o ritmo dos primeiros dias, com menos de 4 horas de sono por noite.

07/03/2011

Mais um dia acordando as 7h. Conversamos com a Sandra e o Jean já em ritmo de despedida. Conhecemos a “filha” deles, um furão (uma furoa?). A tarde, coisas incríveis nos esperavam. Fomos a Suzuka com a Kelly e o Yoshito. Conhecemos o autódromo, mas mais que isso, entramos nas arquibancadas, demos sorte de haver testes com carros na pista, invadimos os boxes e chegamos a colocar os pés na pista principal!!! Nos boxes, entramos em um carro esportivo preparado para as pistas. Todos os japoneses nos adorando e AGRADECENDO por pedirmos para tirar fotos. Surreal. Achavam que éramos norte-americanos. Não dissemos que éramos do sul. De lá, fomos para Yokkaichi, que apesar do mesmo nome da cidade que visitamos no dia anterior, é outra. A deste dia, na província de Mie. A noite conversaríamos com a Monica e o Edson, mas a Monica não pode ir e apareceram junto do Edson o Yuji (Flavio, mas ninguém o conhece pelo primeiro nome) e o Josuel, que não precisa de apelido, por ter o sobrenome “Da Hora”. Nesta noite também conhecemos o Tadashi, que veio lá do norte do Japão, mora no país há 20 anos e não pretende voltar mais. Ele é sócio de uma empreiteira que emprega brasileiros. Contou bastante coisa interessante sobre este assunto e sobre os últimos 20 anos deste mercado. Possui imóveis que aluga no Japão, então já conhece os investimentos imobiliários. Gostei muito de conhecê-lo, ainda mais levando em conta que viajou mais de 8 horas somente para me conhecer e conversar algumas poucas horas. Neste dia fomos dormir a 1h30.

08/03/2011

Último dia, acordamos as 8h30 para conversar com a Marô e o Duda. Apesar de não estar nos planos deles, explico o plano de quatro anos de investimento para aposentadoria que desenhei sob medida para “brasileiros trabalhando no Japão”. Gostaram, pensando em mudar os planos originais e ampliar outros planos que tinham. Adoro quando isso acontece, mostrar que a realidade pode ser maior e mais rápida que imaginam. De tarde dormimos, com o cancelamento da conversa com a Talita e o Tiago. A noite fui conversar com a Lucinéia e o Diego, que também adoraram o plano de aposentadoria em quatro anos. A Lucinéia diz que a Talita irá adorar, ficando de explicar para ela no dia seguinte, em que ambas estariam de folga. Converso mais um pouco com ambos, o Diego me dá algumas dicas de lojas de equipamentos fotográficos em Nagoya, caso dê tempo de ainda tentar achar a câmera que procurava e a 1h30 vou para a cama, para a última noite no Japão.

09/03/2011

Acordo as 6h45, elétrico. A partida está próxima, arrumo os últimos detalhes da mala, mochila, jaqueta multi-bolsos. Respondo alguns emails do Brasil, tomo café da manhã e estou pronto para partir. A Sandra e o Jean passam no apartamento para se despedir. Carro, estrada, Nagoya, almoço no aeroporto, revistas japonesas para levar como curiosidade, despedidas rápidas para conter a emoção das meninas e lá fomos nós.

Em Tóquio, tento achar a máquina fotográfica mais uma vez. O vendedor de uma loja de Akibahara que tem filial no aeroporto me diz que há fila de espera de dois meses (Ni-kagetsu). Como alternativa, vejo outra Fuji, 3D, que tem um porta-retrato também 3D que acompanha. Já tinha visto esta máquina antes, em Suzuka. É impressionante, pois mostra a foto em 3D, sem óculos, diretamente na tela de 3,5″. Acabei não comprando nada. No final das contas, acho que estamos “doentes ou curados”, como diz a minha esposa. Nem ela, nem eu compramos nada nesta viagem, com excessão de alguns cacarecos curiosos e uns presentinhos divertidos e diferentes para família e amigos. Acho que é algo como se dar conta de que as experiências vividas valem mais do que as coisas que adquirimos.

Sobre esta última frase, não me entendam mal. Ela não quer dizer que eu deixaria de comprar o novo iPad2, se tivesse a oportunidade. Fizemos escala em NY na volta, chegando lá DOIS DIAS antes do iPad2 estar a venda! Não vou dizer que foi azar por um só motivo…

Hoje pela manhã acordo as 6h, ainda me acostumando com a troca de fuso horário e vejo horrorizado as notícias do terremoto e tsunami no Japão. Saímos de lá um dia antes da tragédia. Apesar de não ter sido tão forte onde estávamos, foi bastante forte em Tóquio, onde recém havíamos passado.

Por fim…

Mais uma vez agradeço de coração à Luciana e ao Marco pelo convite para ir ao Japão e as oportunidades de aprendizado que esta viagem me proporcionou. Agradeço ainda a cada uma das pessoas com quem conversamos, todos que nos contaram suas histórias de vida e luta, as alegrias e as dificuldades, compartilhando experiências valiosíssimas que muito nos ajudarão a ver o mundo de maneira mais completa do que víamos até então. Cada pessoa, uma história, mas todos com detalhes que se interrelacionam formando um padrão de idas e vindas, uns ajudando aos outros para não cometerem os eventuais erros e tropeços naturais a toda atividade nova a que nos dedicamos.

Muito obrigado a cada um de vocês, inclusive quem apenas conheci de nome por conta das trocas de horário na fábrica: Luciana/Marco, Sandra/Jean, Marô/Duda, Lucinéia/Diego, Talita/Tiago, Meire/Vitor, Dani/Fabio, Leticia/Fabio, Yoshito/Kelly, Angela/Yoshio, Fantini/Anderson, Gislaine/Jorge, Adriana/Rodrigo, Elen/Anderson, Erika/Cleiton, Rita/Marcelo, Fernanda/Wagner, Monica/Edson, (qual o nome da tua esposa?)/Yuji, Clarice/Josuel, Tadashi.

Agradeço ainda a cada um que lembrar de me mandar uma foto do casal, pois sou muito visual e gostaria muito de ter uma lembrança mais viva de cada um de vocês.

Muito obrigado por terem entrado na minha vida.

Porque vir ao Japão?

Próxima parada, Hawaii! Loja de usados no Japão tem de tudo, tudo mesmo!

Porque viria ao Japão foi a pergunta que eu mais escutei no Brasil quando falei para as pessoas próximas que estava vindo para cá. O Japão é visto no Brasil como algo distante e fora do alcance das pessoas comuns. Talvez eu seja incomum 🙂

Para quem gosta de novidades tecnológicas como eu, seria muito fácil justificar vir ao Japão para conhecer de perto o berço das mais avançadas tecnologias, mas com o mundo globalizado que temos atualmente, tudo que existe por aqui pode ser facilmente obtido através de importação ou compra direta pela internet. Até mesmo o problema da língua é facilmente resolvido com os sites ou navegadores que traduzem tudo automaticamente. Além disso, vamos morar na Califórnia dentro de um mês, no coração do Silicon Valley… Então, não vim ao Japão somente pela tecnologia.

Poderia dizer que admiro a cultura japonesa, o espírito zen, o método para tudo, as soluções engenhosas para os pequenos problemas diários. Tudo isso é verdade, mas não seria o suficiente para justificar uma viagem tão longa. Poderia ainda falar dos templos, castelos e jardins que visitaria, mas não vim aqui para isso também, mesmo que no final das contas acabe visitando um ou dois lugares desse tipo.

Vim ao Japão para aprender.

Há anos invisto o que ganho buscando a formação de patrimônio para viver uma vida próspera, longa e tranquila. Minha esposa e eu adoramos viajar, adoramos conhecer novas culturas e principalmente conhecer novas pessoas. Esta viagem ao Japão nos proporcionaria tudo isso.  Em relação a uma cultura diferente do que a que estamos acostumados, não há o que falar. Tudo no Japão é diferente do que estamos acostumados. Sobre a questão do passeio, não imagino viagem mais longa e mais cheia de desafios e novidades, com cada desafio servindo de oportunidade para o crescimento pessoal. A sensação de nos sentirmos analfabetos até mesmo para as coisas mais simples, como comprar algum produto no supermercado ou escolher a comida em um restaurante, também é oportunidade impar de crescimento pessoal. É nas novas pessoas que conheceríamos, no entanto, que estava meu maior interesse.

Nestes sete dias em que estamos aqui já conhecemos e conversamos bastante profundamente sobre sonhos, ideais e objetivos de vida com quatorze casais diferentes. Com todos já marcamos uma segunda conversa, pois a primeira acaba sendo um mar de informações que leva um certo tempo para digerir. Não é fácil resumir nove anos de conhecimento em um bate papo, mesmo que com alguns esse bate papo tenha durado SETE HORAS! O ritmo está bastante intenso, estamos acordando as 6h da manhã e dormindo depois das 3h da madrugada. Devido ao fuso horário, passamos manhã, tarde e noite conversando com o pessoal daqui, e o fim da noite e início da madrugada tocando os negócios que continuam rodando no Brasil. As coisas estão corridas, mas não tão corridas quanto descobri ser a rotina dos brasileiros guerreiros que vivem aqui.

Qual é a rotina de um dekassegui no Japão?

É impressionante a energia das pessoas que conheci aqui. Ativos, cheios de sonhos e vontade de crescer. Queridos demais, atenciosos demais, receptivos demais. Estamos nos sentindo totalmente em casa, com pessoas que acabamos de conhecer, mas que em poucos minutos parecem ser amigos de infância. Todos ávidos por nos mostrar todas as novidades, cozinhar para nós, preparar petiscos, apresentar comidas e produtos diferentes.

Em Kameyama, a montanha da tartaruga, cidade próxima de Suzuka e Nagoya, a principal atividade para os brasileiros que moram aqui é o trabalho na fábrica de LCDs da Sharp. Em todo o planeta, apenas três ou quatro empresas possuem a tecnologia de fabricação de telas LCD. Não interessa a marca de seu monitor ou TV, certamente a tela será de um destes fabricantes. A fábrica só contrata casais, então todos com que converso aqui estão construindo os futuros de suas famílias.

A quantidade de trabalho é imensa. Não imensa no sentido de que há trabalho para todos que desejam vir para cá, mas imensa na quantidade de horas trabalhadas e no ritmo necessário para dar conta do trabalho. Isso sem falar da troca semanal de turnos. Como o trabalho no turno da noite paga mais, para manter a justiça nos valores recebidos, toda semana há troca de turno entre os que trabalham de manhã e a noite. Isso quer dizer que uma vez por semana há o equivalente a uma viagem internacional para cada casal, pois deixam de trabalhar em um turno e passam a trabalhar em outro. Os primeiros dias da troca de turno são cruéis, de-lhe Red Bull para manter os olhos abertos. Nos últimos dias, com o corpo mais acostumado, a coisa é tranquila, mas então é hora de se preparar para a troca da semana seguinte. Os turnos são de 12 horas, com três intervalos de 20 minutos e um intervalo para alimentação de 40 minutos. Alguns dias há a “virada seca”, onde trabalham em um turno e já emendam outro, 24 horas seguidas. A fábrica é meio bagunçada na questão dos horários, acontece de chegarem lá e não haver material para o trabalho, mandando alguns para casa.

O dia de folga é usado para descansar ou passear um pouco. A cidade é bem interior do Japão, não há muito o que fazer. Todos com que conversei possuem carro, que são muito baratos em relação ao que custam no Brasil. Um mês de salário paga um carro. Dois meses para pegar um típico esportivo japonês. Mitsubishi Lancer Evolution, Subaru Legacy B4 com motor boxer bi-turbo, Sylvia S13… Aqui se acham todos os modelos famosos. Os apaixonados pelo filme “Velozes e Furiosos” iriam delirar. Em Suzuka há um shopping bastante grande e um supermercado enorme, sem contar a matriz da Honda. Claro, não preciso citar o autódromo que leva o nome da cidade 🙂 Nagoya fica relativamente próxima, há pouco mais de uma hora.

O que aprendi aqui?

O Japão ainda é um mar de oportunidades para os brasileiros que conseguem vir trabalhar aqui. O dinheiro que se ganha trabalhando nas fábricas é enorme em comparação com o que poderiam ganhar no Brasil. Vivendo relativamente bem (descontado o ritmo do trabalho) e com os confortos que o país oferece em termos de bens de consumo, é possível para um casal economizar entre R$ 50.000 a R$ 100.000 por ano. Para isto, no entanto, é necessário foco. As possibilidades de gasto do dinheiro suado para ganhar são muitas.

As histórias que ouvi nestes dias são muito parecidas, cada uma com suas particularidades, mas no geral, convergindo para alguns poucos padrões. Quem vem para cá inicialmente possui um ou dois objetivos básicos, comprar a casa própria no Brasil e juntar dinheiro para começar algum negócio ou investimento na volta. Ao chegar aqui, as facilidades de consumo as vezes pesam um pouco nas decisões. Carros velozes e equipamentos eletrônicos custam uma pequena fração do que custam no Brasil. Um Honda Fit com alguns anos de uso, impecável em sua manutenção, por R$ 5.000. Um esportivo dos sonhos pelo mesmo valor. Um carrinho pequeno, daqueles compactos que só vi por aqui, motorzinho 0,6l, usadinho em bom estado por R$ 1.500.

Gastar o dinheiro e passar a viver a vida japonesa as vezes se torna a maneira de amenizar o peso do ritmo maçante do trabalho. Dá para trabalhar menos e juntar dinheiro, pegando empregos um pouco melhores em relação aos horários, mas evitando o consumo ao máximo. Uma coisa que notei foi a grande quantidade de pessoas que estão aqui pela terceira ou quarta vez, justamente por conta de, ao voltarem para o Brasil, baixarem o ritmo de trabalho, fazerem sobrar mais tempo para pensar e se dar conta de que lá, não conseguirão ganhar o suficiente para levar uma vida parecida em termos de conforto material com a que tinham no Japão. Então voltam, pensando maior. Agora, não querem apenas a casa própria, muitas vezes já comprada da primeira vez. Querem o suficiente para resolver de vez a vida na volta.

Só que apesar de ser muito “fácil” (só vivendo a rotina daqui para ver o quão duro é) guardar uma boa quantia de dinheiro em poucos anos (já escrevi antes, entre R$ 50.000 a R$ 100.000 por ano, por casal), esta quantia não é suficiente, no Brasil, para resolver definitivamente o futuro em nosso país. Então, faz-se necessária uma estratégia.

Um plano de independência financeira para brasileiros trabalhando no Japão!

Esta viagem me proporcionou uma experiência de vida incrível. Como não vim a passeio, mas sim, para me integrar ao máximo na rotina dos brasileiros que vivem aqui, pude sentir, em poucos dias, parte do que eles vivem, sentem e sonham. Os sonhos dessas pessoas são semelhantes aos meus próprios, com a diferença dos caminhos e escolhas. Enquanto eles buscaram primeiro uma maneira de ganhar muito dinheiro e agora buscam uma estratégia para fazer este dinheiro que ganham crescer de forma acelerada, eu fiz o oposto, estudei e testei na prática as melhores formas de fazer o dinheiro crescer, otimizando ao máximo os pontos de lucro e estruturando os negócios para que não precisassem nem de grande conhecimento para investir, nem de muita dedicação de tempo, nem da presença física.

Buscando o que desejava para mim, acabei descobrindo os investimentos ideais para toda pessoa que deseja investir e fazer seu dinheiro crescer de forma acelerada, com segurança extrema, e sem precisar cuidar de milhares de detalhes. Funciona de maneira absolutamente simples, mas exige um tempo de maturação semelhante ao tempo médio que estes brasileiros aguentam o rítmo de trabalho aqui no Japão. Quatro ou cinco anos parece ser o período em que o pessoal que está aqui começa a falar para si mesmo: “preciso voltar, não aguento mais isto aqui”. Aplicando meu plano por este período, é possível voltar ao Brasil com dinheiro suficiente para não se preocupar com dinheiro pelo resto da vida.

Infelizmente para a maioria dos que já estão aqui há alguns anos e não possuiam um plano como o que desenhei para tornar isto possível logo que vieram para cá pelo primeira vez, isto significa que para conseguirem aplicar tal plano de forma completa precisem ficar uns anos a mais do que gostariam. Tendo vivido no ritmo deles, sei o quanto isto é difícil. Espero facilitar muito a vida dos futuros brasileiros que desejam seguir este caminho ao permitir que já saiam do Brasil com um plano completo para a conquista de suas independências financeiras. Para os que descobriram meus métodos apenas hoje, desejo força e esperança para mais uns anos de esforço que certamente serão totalmente recompensados com um futuro tranquilo, feliz e confortável, de volta ao Brasil em poucos anos.

Nos próximos dias estarei explicando o plano que desenhei pessoalmente para cada casal com que conversei. Quando voltar ao Brasil, escreverei em detalhes o funcionamento disto tudo para que mais pessoas possam se beneficiar deste conhecimento. Agradeço enormemente a todas as pessoas maravilhosas que conheci aqui no Japão e também as que ainda irei conhecer nos próximos dias. A experiência de vida de vocês me proporcionou uma série de idéias que tenho certeza irão ajudar muitos outros brasileiros que sonham em fazer o que vocês estão fazendo. Mais uma vez, obrigado. Vejo vocês no yasumi!

Diário de viagem, Japão 2011

Quando comecei a escrever sobre o início dos meus estudos para aumentar a inteligência financeira e de negócios, nunca poderia imaginar onde esta estrada iria me levar. Investir em consórcios e depois de um tempo tornar disto minha principal atividade já parecia ser mais do que minha imaginação permitia sonhar. Meus textos e história de vida me trazerem ao outro lado do planeta, com certeza é bem mais do que pensaria nos mais loucos delírios. Entretanto, aqui estou, no Japão. Este é meu breve relato de viagem. Serve mais para mim do que para qualquer outra pessoa. Apesar de que nunca esquecerei esta experiência e as pessoas maravilhosas que estou conhecendo aqui, relatar este dia a dia me ajuda a pensar em cada vez mais possibilidades não apenas para mim, mas para todas as pessoas envolvidas. Espero que este texto o ajude de alguma maneira, nem que apenas como distração ou perda de tempo. Afinal, descansar o cérebro também é necessário de vez em quando.

21/02/2011

Saída de Porto Alegre com mais de uma hora de atraso. Tranquilo, porque nosso voo GRU-DFW só saía as 22h55. As malas foram despachadas em Porto Alegre direto para Tókio, não precisaríamos nos preocupar com elas até chegar ao Japão.

Em São Paulo encontramos com a Danielle e a Luciany, interessadas em investir em consórcios, imóveis e, depois da nossa conversa, no Precisou (mais sobre isso em um texto futuro, breve). Devem ir a Porto Alegre depois do dia 16/03 para o “treinamento”.

Embarque para Dallas no horário. Voo de 10h, passando de GMT-3 para GMT-6. As aeromoças, ou aero-típicas-senhoras-de-meia-idade-americanas, todas diferentes, mas todas com penteados típicos de estereótipo americano, eram extremamente simpáticas e solícitas. Primeira sorte da viagem: pegamos poltronas no meio do avião, sem acesso direto ao corredor. Em compensação, tinhamos uma poltrona liberada ao nosso lado.

22/02/2011

Dallas, TX

Conseguimos dormir um pouco durante o voo. Chegamos ao Texas as 7h da manhã e o próximo voo devia partir as 10h10. Dallas possui diversos balcões de informação ao longo do terminal, cada um com uma ou duas senhoras idosas vestidas com um uniforme bem bonitinho, casaquinho verde-musgo, sapatos de couro com pinturas de animais selvagens e chapéus de cowboy estilo Indiana Jones.

Na imigração, as perguntas de sempre; quanto tempo ficaríamos (in transit to Japan); o que iríamos fazer no Japão (just visiting some friends); como se falava o primeiro nome da Ingue (sempre perguntam sobre isso: “Aieismíne?”). Só precisei cadastrar os quatro dedos da mão direita. A Ingue teve que colocar todos (four right fingers, right thumb, four left fingers, left thumb). O guarda da fronteira estava bem falante, pediu quanto dinheiro estávamos levando e, apesar de estarmos apenas em trânsito, nos carimbou os passaportes com visto de permanência de seis meses 🙂

O guarda seguinte, que nos encaminhou para o raio-x (o equipamento novo, que “fotografa” a pessoa inteira sob as roupas), também estava falante, com seu spanglish ao falarmos ser do Brasil. Sorte que não nos perguntou sobre Buenos Aires 🙂

No raio-x, fui dispensado da “foto-nú” e passei pelo detector de metais apenas. A Ingue deu uma de modelo e teve que passar no fullbody-scan.

Para os que costumam falar mal do Brasil, saibam que há problemas em todos os cantos do mundo. Nosso voo Dallas-Tókio atrasou mais de 45 minutos para o embarque. Já no avião, saímos em direção a pista e tivemos que voltar ao portão de embarque. Não precisamos descer do avião, mas depois de consertos, testes e mais testes em uma das turbinas, partimos com certa apreensão. E com três horas de atraso.

23/02/2011

Originalmente teríamos quatro horas em Tókio para fazer a imigração, pegar as malas despachadas, passar pela alfândega e finalmente fazer o check-in para o voo final, em direção a Nagoya. Com o atraso, teríamos no máximo uma hora…

Motoquinha 🙂

Voo absolutamente tranquilo, mais uma vez conseguimos uma poltrona livre ao nosso lado. Desta vez, com acesso direto ao corredor. As aeromoças, americanas e japonesas, meio a meio, ainda mais atenciosas do que no voo anterior. Ao chegar, preocupados com o tempo, descemos sem correr, apertamos o passo e antes de passar pela próxima epopéia, fomos ao banheiro. Estes, são uma história a parte. No banheiro público do aeroporto, tudo impecavelmente limpo, assento fofinho no vaso, aquecido para não gelar a bundinha, com chuveirinhos automáticos para limpeza final. Isso no masculino. No feminino, as frescuras eram aindo maiores. Também havia aqueles banheiros em que se fazem as necessidades de cócoras. Ontem à noite uma das novas amigas que fizemos aqui largou essa quando comentamos: “ah, vocês conheceram a “Motoquinha”!!!”. Outra completou: “uma amiga, quando veio, ficou impressionada. Saiu do banheiro dizendo: “que chique, tem até banheirinha para lavar os pés!!!””. E assim vamos nos divertindo por aqui 🙂

Na alfândega (ainda sem as malas despachadas, mas disseram que elas passariam por raio-x), minha mochila foi para a fiscalização manual. Ao ver em nossas passagens que o voo estava prestes a partir, a funcionária avisou o pessoal para segurar nosso avião, que já iríamos. Tudo em perfeito japonês, que eu, claro, compreendi perfeitamente 🙂

Gatinhos da sorte

Finalmente na esteira de bagagens, cada esteira com dezenas de gatinhos (Neko) nos abanando boa sorte na fortuna e no amor, uma funcionária aparava as malas para não baterem ao escorregar para esteira. Ao redor, todos aguardando, perfeitamente alinhados atrás de uma linha de espera imaginável e intransponível até que suas malas particulares estivessem a sua frente.

Na saída nossos amigos esperavam sentados próximos a porta. Não os vimos diretamente, pois estavam sentados devido ao painel dizer que a aeronave ainda estava com os passageiros a bordo. Abraços e beijos de boas vindas, a emoção do encontro inicial, as perguntas de como foi o voo, e o que achamos das diferenças que certamente já tinhamos sentido logo ao entrar no país… Enquanto isso, ao lado, uma senhora japonesa e dois filhos pequenos esperam o marido e pai chegar de viagem. Ele chega, faz uma saudação com a cabeça, à distância, entrega a mala para a esposa e vai caminhando na frente de todos, sem olhar para trás, em direção a saída.

GPS, estradas, papos, conversas sobre a língua, o trabalho, diferenças culturais. As coisas boas, as excelentes, as ruins, as péssimas… Nos perdemos em algumas saídas, andamos, demos algumas voltas extras, conhecemos ruas estreitas, descobrimos que a maioria das casas saem direto para a rua, sem calçadas. Antes de ir para casa ainda passamos em um restaurante (incluirei em breve o nome) e comemos uns pastézinhos (chineses), o frango com gengibre igual ao que comemos aí no Brasil no Daimu (restaurante japonês fantástico que há em Porto Alegre) e os famosos Lamen.

Time traveler

Chegamos. Como nossos anfitriões estavam no dia de folga, estavam relativamente descansados. Nós, com o fuso trocado, estávamos nas 10h da manhã do mesmo dia, também relativamente descansados. Ainda conheceríamos dois brasileiros que vivem aqui há quatro anos, ansiosos para nos conhecer logo no primeiro dia. Sandraéli e Jean, muito queridos, muito engraçados, daqueles que vivem se inticando e se divertindo, ele falando pelos cotovelos e ela dizendo: “Jean, a gente tinha combinado que tu só iria falar essas coisas mais tarde, quando eles já nos conhecessem um pouco melhor”. E assim estamos, nos sentindo totalmente em casa, cercados de pessoas maravilhosas por todos os lados.

Estamos 12 horas na frente do Brasil e estou um dia atrasado nos relatos. Paro por aqui por enquanto. Em breve, continuo com os próximos dias.

Made in Japan

Castelo Hikone, foto do meu amigo Marco Bianchini.

Tudo que eu escrevo acontece.

Parto em viagem de trabalho ao Japão na segunda-feira, dia 21 de fevereiro de 2011. Fico lá até dia 10 de março na região de Suzuka, mais especificamente em Kameyama. Para acompanhar a viagem, siga-me no Twitter, veja as fotos no Flickr e lembre-se de assinar para receber meus textos aqui do Peruzzo.Org diretamente no seu email, cadastrando-se na barra lateral do site.

A semana passada foi intensa. Estávamos com a passagem para os EUA marcada para dia 18 de março. Toda preparação prévia estava pendente, entre elas:

  • vender o apartamento onde moramos;
  • vender alguns imóveis de investimento na planta;
  • vender as coisas que não precisaremos depois que voltarmos, principalmente alguns eletrônicos, computadores, notebooks, máquinas fotográficas, filmadoras e alguns móveis;

Semana passada acertamos a venda do apartamento, acertamos a venda dos três apartamentos que tinhamos na planta e ainda aconteceram uma série de fatos incríveis. Vamos por partes…

Há quatro anos…

Há quatro anos minha sobrinha estava morando no Japão. Minha esposa é madrinha dela. Planejamos visitar eles lá dois anos depois de terem se mudado. Antes disso, voltaram para o Brasil. Sem a viagem para o Japão, ficamos aquele ano no Brasil, compramos um apartamento bem maior (escrevi que moraria com mais espaço em meu plano de vôo de 2006) e no ano seguinte fomos para Europa. Conhecer o Japão havia ficado para trás. Sem minha sobrinha e minha cunhada lá, não havia muito que nos puxasse a isso fora a curiosidade natural e meu apreço pela alta tecnologia.

De volta aos dias atuais…

Há pouco mais de uma semana um casal de amigos, investidores em consórcios pela Megacombo, me ligam em continuação a uma conversa que havíamos tido 40 dias antes. Perguntavam se estava de pé nossa parceria. Basicamente o que queriam era divulgar meu trabalho sobre os investimentos em consórcios e imóveis, junto com os planos de formação de patrimônio, para os brasileiros que moravam na mesma cidade e trabalhavam na mesma fábrica que eles. Moram no Japão. Foram para lá como muitos, com os planos de trabalhar duro, economizar, comprar a casa própria no Brasil, formar uma boa reserva financeira ou um bom patrimônio para adquirir imóveis de aluguel ou montar seus próprios negócios quando voltassem.

Disse que continuava tudo de pé, que eles poderiam divulgar a vontade meus textos e que se fechasse negócios com os amigos deles atenderia-os individualmente por email ou telefone, analisando cada situação e bolando o plano mais adequado para cada um. Avisei que estava de mudança para os EUA no dia 18 de março deste ano, então as coisas estavam um pouco corridas. Disse mais, que se houvessem vendas suficientes, eu usaria toda a comissão que a Rodobens me paga para ir até o Japão conhecê-los pessoalmente. Isso foi o gancho que faltava. Depois dessa sugestão, disseram que o ideal seria exatamente isso, falar pessoalmente com cada um dos interessados, todos cheios de perguntas e dúvidas, ávidos por conhecer pessoalmente minha história e de como conquistei cada um dos meus objetivos financeiros e de qualidade de vida. Aquilo que escrevi lá atrás sobre ir ao Japão agora estava se tornando real, por motivos totalmente diferentes. Diferente de tudo que planejei, mas ao mesmo tempo de maneira muito mais curiosa e interessante. Já escrevi várias vezes aqui, trabalhar e divulgar este investimento que tanto me ajudou e continua ajudando a formar patrimônio nao é um trabalho para mim, é um prazer. Eu realmente me realizo ajudando as pessoas a realizarem seus sonhos financeiros. Adoro falar desses assuntos e de mostrar como um plano simples pode gerar um resultado surpreendente.

Liguei para outro amigo, agente de viagens. Perguntei quanto custaria uma viagem para o Japão em determinadas datas. Ele me retornou por email alguns minutos depois do telefonema. Não havia me passado o orçamento, enviou diretamente a reserva das passagens. Bastava eu confirmar para efetivar a compra. Falei com o casal que estava no Japão e no mesmo dia confirmamos tudo. Uma semana depois embarcaríamos para o Japão!

Dentro de dois dias, na próxima segunda-feira, minha esposa e eu pegamos o vôo que nos levará para a Terra do Sol Nascente. Um grupo de brasileiros descendentes de japoneses nos aguarda para duas semanas inteiras de bate papo e tira-dúvidas. O casal de amigos que organizou tudo está montando uma agenda com as folgas semanais de cada um, para conseguirmos conversar com o máximo de pessoas possível.

Um pouco sobre japoneses e descendentes de japoneses…

Há muito tempo tenho uma afeição enorme pela cultura japonesa. Não é apenas pela questão da tecnologia, mas também pelos rituais, pela história de força e superação. Fui sócio de vários japoneses no passado não muito distante. Em uma das empresas, era o único brasileiro no meio de seis japoneses sócios e a contadora da empresa também japonesa. Era engraçado quando um se empolgava e no meio de uma explanação “chaveava” a língua para o japonês e no final me olhava com aquela cara de “e aí, o que tu acha, Fabricio?”. E então todos se viravam para mim e abriam um sorriso, a forma contida que eu sabia ser o equivalente a uma enorme risada, quando o falante em questão finalmente se dava conta que na empolgação eu havia ficado sem entender nada do que havia dito 🙂

Tenho uma história legal sobre a colonização japonesa. Não lembro de detalhes exatos, ouvi esta história quando era muito pequeno e ela me marcou, retomando sua força quando passei a investir com os consórcios. Diz mais ou menos o seguinte:

Quando os primeiros descendentes de japoneses vieram para o Brasil, fugindo da guerra, da crise e da falta de perspectivas em sua terra natal, formaram pequenas colônias mais ou menos fechadas, onde preservaram sua cultura e seus rituais, passando os mesmos de pai para filho. Era como se tivessem construído um pequeno Japão em cada uma das cidades em que se estabeleceram. Se integraram com as pessoas destas regiões, mas mantinham seu núcleo coeso, forte, cada família ajudando as outras que viviam próximas.

A maneira que encontraram para sobreviver e prosperar nesta nova terra envolvia os conceitos de comunidade enraizados em sua cultura, mas o mais interessante é a forma como aos poucos, cada família de descendentes japoneses abria seus pequenos negócios, fazendo toda a comunidade crescer e prosperar.

O que faziam era o seguinte: cada família dava uma pequena contribuição mensal para um ancião, normalmente o mais velho ou o mais experiente dos imigrantes que moravam alí. Este, a cada mês, sorteava uma família para receber o conjunto das contribuições de todos os outros para poder, com este dinheiro, iniciar seu próprio negócio. Assim, ao longo do tempo, cada uma das famílias receberia uma pequena bolada de dinheiro e no final das contas todos teriam condições de se estabelecer prosperamente na região.

O que eles faziam é o conceito básico e essencial dos consórcios!!! Muito obrigado, japoneses, pela maior e mais perfeita ferramenta de alavancagem pessoal e patrimonial que existe. Devo a maior parte do que conquistei nesta vida a este sistema fantástico. Muito, muito obrigado!

Futuro…

Esta experiência é única, no sentido de ser a primeira vez que isso acontece. Já fiz coisas parecidas indo até São Paulo, Rio de Janeiro, interior do RS. Já houve pessoas bem mais próximas que tiveram vontade de fazer algo parecido mas não passaram da vontade, nunca realizando efetivamente algum evento, palestra ou encontro. Já conversei sobre os consórcios com brasileiros que moram nos EUA, na Inglaterra, em Barcelona, em Florença… Todas as vezes aproveitando viagens turísticas que havia programado. Ir até o outro lado do planeta, tão longe, é que é a novidade única, principalmente porque desta vez não vou para turismo, eventualmente aproveitando para conversar com uma ou duas pessoas. Desta vez vou especificamente para falar de investimentos!

Por outro lado, esta é uma nova porta que se abre. Tenho certeza de que esta experiência me levará a muitos outros lugares para conversar com muitas outras pessoas. Eu sempre digo que o maior benefício que esta carreira de “orientador para formação de patrimônio” me trouxe, não foi o simples crescimento dos negócios. O maior benefício são as pessoas maravilhosas que tenho oportunidade de conhecer ao longo desta caminhada. Gente simples, sincera, honesta, focada no crescimento pessoal, profissional e financeiro. Gente que busca o melhor para si e para suas famílias. Gente que busca o mesmo que eu, paz, tranquilidade, conforto e um futuro ensolarado.

Por tudo isto só posso terminar este texto de uma maneira:

Obrigado, Luciana e Marco, por cruzarem meus caminhos. Obrigado por terem acreditado em mim e em minha empresa mesmo morando do outro lado do planeta. Sei que o futuro me reservará muitas novas surpresas desse tipo, mas tão longe quanto o outro lado do planeta, só vocês 🙂