Surfando a onda do Bitcoin com segurança

Hoje pela manhã o Bitcoin bateu nos R$ 66.599, e continua desafiando todos que duvidam de sua capacidade de mudar a forma como lidamos com dinheiro no futuro, mas o objetivo deste texto não é falar dos méritos do Bitcoin, mas sim, explicar como é possível lucrar utilizando os Bitcoins e as características observadas neste mercado, ao mesmo tempo em que nos protegemos das possíveis quedas.

Se o pessoal que acredita que o Bitcoin vai continuar aumentando de valor por muito tempo estiver certo, a estratégia que explico a seguir gerará menos lucros do que simplesmente comprar Bitcoins e aguardar os aumentos de preço. Por outro lado, esta estratégia mantém nosso capital na forma de dinheiro fiat (reais, dólares ou euros) na maior parte do tempo, usando o Bitcoin apenas como transporte momentâneo dos recursos entre as diferentes bolsas de negociação, tanto no Brasil quanto no exterior.

Devido à forma como as pessoas adquirem seus Bitcoins e suas preferências sobre que corretora utilizar e o país em que operam, há distorções de preço entre os mercados. As vezes, convertendo as cotações de dólar e real, a diferença de preço entre comprar o Bitcoin aqui ou no exterior pode passar de 20%. Outras vezes, essa diferença é inexistente, com os valores andando lado a lado.

O título deste artigo me veio à cabeça como uma lembrança dos tempos em que eu surfava. Naquela época, lembro de ficarmos bastante tempo simplesmente sentados na prancha, aguardando a sequencia de ondas que poderia vir em seguida. Da mesma forma é esta operação. Aguardamos pacientemente as condições ideais do mercado para realizar uma operação, surfamos a onda, e então remamos de volta para aguardar a próxima sequencia.

A estratégia é bastante simples. Quando as cotações aqui e no exterior estão parelhas, compramos Bitcoins aqui, mandamos para o exterior, e vendemos lá, mantendo um saldo em dólares, ou seja, livres de qualquer risco de queda da cotação (mas também sem surfar eventuais ondas de valorização do Bitcoin). É a escolha entre o risco e a possibilidade de alta (ou queda).

Quando a diferença entre as cotações no Brasil e no exterior se tornam muito díspares, normalmente com a cotação no Brasil bem maior do que a de fora, compramos Bitcoins lá, utilizando para isso os dólares mantidos em conta na operação anterior, enviamos os Bitcoins para cá e então vendemos nas corretoras locais, mantendo nosso saldo em reais, novamente livre das oscilações de preço dos Bitcoins.

Quando o spread normalizar (a diferença entre lá e aqui), usamos novamente nossos reais para comprar Bitcoins, enviar para as corretoras estrangeiras e mais uma vez converter nosso saldo em dólares.

Os riscos dessa operação são conhecidos, a saber:

1. Risco da contraparte: temos que ter confiança na corretora de Bitcoins que estamos utilizando, visto que nosso dinheiro, apesar de não estar “em Bitcoins”, está na conta de uma empresa nacional ou estrangeira que pode vir a ter problemas. Evitamos os problemas de roubo de chaves de segurança e de quedas de cotação, mas ainda assim, estamos confiando nosso dinheiro a uma empresa na qual não temos total controle. Por outro lado, não é muito diferente de ter nosso dinheiro em um banco. E do ponto de vista técnico, com a quantidade de dinheiro que circula nessas empresas, tenho a impressão de que possuem cabeças pensantes bastante capazes para manter os sistemas em segurança.

2. Risco de cotação: o dólar pode disparar ou despencar em relação ao real. Se disparar quando nosso dinheiro estiver lá fora, ótimo, ganhamos duplamente, mas se despencar, nosso saldo em reais cai proporcionalmente. A questão é que o dólar não costuma disparar “sem avisos”, então é questão de estar atento ao mercado e liquidar as posições antes de maiores fatalidades.

Como sempre, ficam os avisos de praxe: execute estas operações por sua conta e risco, e procure um bom contador para lhe orientar sobre as implicações fiscais para declarar corretamente seu imposto de renda.

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