R$ 10 na padaria

Hoje pela manhã tinha dois exames para fazer. Para os curiosos, raio-x e ecografia do pé direito, confirmando apenas uma inflamação. O fato fora do comum, no entanto, não foram os exames, mas sim a saída meio em cima da hora, sem tomar café da manhã. Ao concluir os exames, passei na lojinha de conveniência do posto de gasolina em frente ao meu prédio e tomei um café com leite e um farroupilha prensado (para os de fora do RS, um sanduíche de presunto e queijo em pãozinho francês) que custaram pouco menos de R$ 10.

E me dei conta de que para a grande maioria dos que estão lendo estas linhas, gastar R$ 10 em qualquer coisinha facilmente esquecível ao longo do dia é algo bastante comum. Faça seu exercício mental, em que você gastou qualquer bobagem deste tipo hoje? E ontem? É comum, seja por pressa, seja por preguiça da alternativa (no meu caso, chegar em casa e preparar algo para comer ou descascar uma maçã), seja até pela simples disponibilidade (fui tomar um café depois do almoço e aproveitei para pegar um pão de queijo, não por fome, mas só porque ele estava “me olhando” no balcão).

Atos banais, que fazemos sem pensar. Agora me conta uma coisa: quando você entrou no banco, assim como quem não quer nada, e depositou R$ 10 na conta de seu filho? Nunca, né? E R$ 100? Era esse o valor que você tinha pensado em depositar todo mês para ele, visando formar um valor legal para quando ele atingisse a maioridade? A verdade é que R$ 10 gastos banalmente no dia a dia chegam a R$ 200 mensais se só contarmos os dias úteis do mês. E com este valor mensal, mesmo que o dinheiro não rendesse quase nada, daria para dar um belo carro zero para seu filho quando ele pudesse dirigir. Bem mais se contarmos com os juros compostos de quase 20 anos de economias. Acha banal essa história de carro zero na maioridade? É só um exemplo. Pode ser um tour cultural pela Europa que poderia abrir os olhos para outras realidades, pode ser o valor total daquela faculdade que fará toda diferença na carreira dele. Não importa em que o dinheiro vai ser usado, importa que esse dinheiro fará uma enorme diferença no início da vida adulta de seu filho, e não fará nenhuma falta a você hoje, quando comparados os benefícios.

Deixe de desculpas, anote na agenda, coloque alarme no seu celular. Quando entrar seu salário, separe uma parte para a conta da criança que você tem em casa. Se não sobrar para o cafezinho, ao menos fica o consolo de finalmente você estar construindo algo que fará diferença na vida deste serzinho que você colocou no mundo. Sei que você tem esses planos, sei que é o que você quer, alinhe sua vontade com sua ação e faça um depósito hoje mesmo na conta do seu baixinho.

Apesar de achar que escrevi tudo, deixa eu completar aqui uma coisinha… Não estou dizendo para economizar no cafezinho, para cortar o cafezinho, ou qualquer coisa desse tipo. Estou mostrando que é fácil separar um dinheiro para o futuro dos seus filhos, só precisa de ação! Tome seu café e já separe o mesmo valor gasto para a conta da filho. Pagou com o cartão? Ótimo, já transfira o mesmo valor para a conta do baixinho com o smartphone.