Quanto custa uma furadeira?

Drill

Recentemente mudamos de um apartamento de 162 m² para outro de apenas 49 m². A mudança é temporária, apenas enquanto não compramos um novo apartamento, menor do que o que tínhamos, mas maior do que estamos neste momento. O importante é que a adaptação ao novo espaço é real, e vindo do espaço que tínhamos antes, um pouco complicada. Pelo menos durante os dois meses previstos morando neste pequeno apartamento, uma série de coisas que tinhamos como certas deixaram de existir. Como iremos ficar aqui apenas neste período de transição, não temos acesso à maioria das nossas coisas, tudo está encaixotado e empilhado em um dos quartos (o maior), enquanto nossa cama ocupa o quarto menor. A sala está mais ou menos arrumada, apesar das caixas empilhadas em um canto, mas devidamente disfarçadas com uma cortina que as cobrem.

Apesar de alguns probleminhas de adaptação principalmente devido à pressa com que fizemos a mudança, a situação não está tão ruim assim. A falta de uma pia na cozinha incomoda um pouco, mas nos viramos bem lavando a louça no tanque, que só é usado para isso, já que temos a máquina de lavar roupa já instalada. Uma vantagem de não ter pia na cozinha é justamente não deixarmos louça suja acumulando. Estamos muito mais ágeis no ato de usar copos, pratos e talheres e lavar tudo logo a seguir. Só para explicar, estamos sem pia na cozinha porque pegamos este apartamento na urgência, sem dar tempo do proprietário preparar tudo adequadamente. O marceneiro está fazendo o balcão e tudo ficará ótimo, mas quando isso acontecer já não estaremos aqui. Também estamos sem fogão. O novo prédio é mais moderno, usa gás natural encanado, então é necessário adaptar o fogão para o novo sistema. A companhia de gás faz isso sem custos, mas as visitas são marcadas apenas para as sextas-feiras, e estaremos viajando nas próximas três sextas-feiras. Resultado, só conseguiremos fazer a conversão três semanas antes de sairmos daqui, quando então teremos que desfazer tudo, desta vez com algum custo.

Com mais um dormitório e alguns móveis adaptados ao nosso estilo de vida provavelmente viveríamos com conforto, mesmo em um espaço relativamente pequeno. Devido ao fato de tanto eu quanto minha esposa trabalharmos em casa, precisamos de um pouco mais de espaço do que a média das famílias. Precisamos ao menos de um quarto extra para um escritório compartilhado entre nós. E foi então que me veio o estalo, talvez comparando com as residências norte-americanas que vimos durante toda nossa viagem aos USA alguns meses atrás e com as dezenas de garage sales que presenciamos nestes rápidos três meses que passamos por lá. As casas lá eram imensas. E as garagens, quando as víamos abertas, entulhadas até o teto.

Uma furadeira custa muito caro! Um serrote, mais caro ainda. Caixas de ferramentas idem. Não, não é que estes objetos em sí custem muito caro, mas sim o fato de possuir os mesmos. Ter uma furadeira que usaremos, sei lá, vinte vezes ao longo de uma vida, implica em ter espaço para guardá-la durante toda essa vida. Claro que é caro chamar um técnico toda vez que desejamos prender algo na parede, mas certamente é muito mais barato que precisar comprar um apartamento maior apenas para guardar as tralhas que usaremos muito pouco para justificar sua propriedade. Só que o cálculo que fazemos é simplório, pensamos em quanto custa uma furadeira simplesmente olhando o preço dela na loja. E aí, claro que é muito mais barata do que o custo de chamar alguém para fazer uma instalação simples em nossa casa. Objetos como esse são produzidos em massa, custam quase nada hoje em dia. Pessoas e seu tempo para nos atender por outro lado, custam caro. E então, pensando desta maneira, vamos até a loja e compramos a furadeira. E agora, precisamos de um apartamento maior para ter lugar para guarda-la.

Faça um levantamento rápido de tudo que você tem em casa que não foi usado nos últimos seis meses. Pode apostar que muitas coisas estarão nesta lista, inclusive sua furadeira. Meu exercício nos próximos meses será o de simplificação. Pode ser que isso seja reflexo de eu estar lendo muitos textos sobre minimalismo ultimamente, ou pode ser devido ao fato de ter morado três meses em quartos de hotéis enquanto viajávamos pelos USA, mas a questão é que a quantidade de coisas que carrego ao longo da vida tem, cada dia mais, me incomodado bastante. Ainda há muitas pequenas coisas que possuem valor sentimental, e destas não pretendo me desfazer, mas das que são apenas tralhas, coisas que guardo pensando que “um dia posso precisar”, destas pretendo ir aos poucos me desfazendo.

Ênfase nas pessoas, não nas coisas. Mais experiências de vida, menos tralhas para carregar. Pode ser só a crise dos 40 chegando mais cedo, conto mais a medida em que as coisas se desenvolverem.

9 pensamentos em “Quanto custa uma furadeira?”

  1. Para mostrar como é possível vivermos confortavelmente e muito bem em pequenos espaços, deixo aqui um link:

    Sinceramente, é tudo o que eu quero. Algo simples, útil e com certeza muito mais barato que manter um apartamentão!
    Abraços.

  2. As vantagens de nao ter nem casa nem moveis e soh alugar apartamento mobiliado hehehe

  3. Acho formidável esta sua característica que parece ser sua foça motriz (e motivo do sucesso), de compartilhar seus insights e suas conclusões… Para mim, parece ser que esta é uma característica do empreendedor “2.0”. Se o cara quer mostrar algo novo nesta era das conexões acho q ele deve obrigatoriamente passar por este caminho, onde em primeiro lugar ele arregimenta seguidores e depois os transforma em replicadores e talvez compradores de sua idéia. O mais legal é que tudo isso é feito de uma maneira orgânica e quase automática! (Você já disse isso num post anterior com muito mais propriedade…). Parabéns por isso! O que eu tento fazer é reproduzir essa lógica no meu cotidiano e claro, nos meus planos empreendedores para o futuro. Bravo!

    1. Oi Fabio,

      Obrigado pelo comentário. Para mim, escrever o que estou vivendo ajuda a materializar a experiência e a pensar nela com uma visão externa. Além disso, permite que mais pessoas aprendam com minha vivência, sem precisar passar pelos percalços que eu passo eventualmente 🙂

      Abraço.

  4. Boa tarde, inicialmente, tomei um susto com esse texto, pois qdo li suas anotações e seu histórico profissional a 1ª coisa que veio a minha cabeça foi: esse casal deve morar numa casinha deliciosa charmosa, e planejada – passo a passo – por eles. Bobeira, né? Estamos sempre, presos a pré-conceitos, e claro, sentados na “zona de conforto”, preguiça de pensar, de perceber o novo…. ótimo exercício ler vc. Ando, em busca desse processo, deletar os “trem” que estão sobrando. A propósito, qdo tiver nova edição do seu livro avisa logo, já li e reli e distribui, os dois capítulos, hahaha!!! Bom agora vou a que realmente, me trouxe, sou corretora de imóveis (em constante formação), e estava iniciando a digitação do meu “dossiê”, qdo encontrei uma colega, ela me ofecereu passar uma cliente, que segundo ela, por aqui na nossa praça, ninguém quer ouvir falar, teria essa cliente já passado por vários corretores e nenhum conseguiu atendê-la. Ela busca um imóvel de até R$ 140mil, e a forma da compra é uma carta de crédito da Rodobens. Daí, pensei em buscar com vc ajuda, no sentido de poder atendê-la. Adoro desafios. Seria possível falarmos sobre? Vc já me add no Facebook, se for possível, então deixa um recado lá pra que possamos falar a respeito, aguardo, abraços.

    1. Oi Chris,

      Uso meu Facebook apenas para acompanhar os amigos pesssoais, suas viagens e filhos. Fica a vontade para escrever para meu email ou telefonar, os dados de contato estão em http://www.megacombo.com.br/contato

      Não deves ter problema algum em atender esta cliente, ao menos não por conta do consórcio, que é pagamento a vista para o vendedor. Talvez o problema seja outro, pessoal, afinal, sempre há alguns clientes mais difíceis que ooutros.

  5. Cara, estava tentando me achar aqui nessa madrugada,depois de uma conversa com uma amiga arquiteta de Manaus. E pesquisando terrenos em Sao Paulo , em outros lugares do Brasil , pensando…como começar a agir de maneira eficaz na minha vida financeira. Já que vivi de aventuras sendo jogador de futebol de pequenos clubes ao redor do mundo, e só tive retorno cultural na verdade!
    E agora que parei pra pensar na minha vida financeira aos 32 anos, já fui em expo money, açoes me encantavam, mas nunca tive coragem. E encontro esse seu material , que junta veio com flashs de questionamentos que eu tinha, como: essa coisas que carrego fazem realmente parte da minha felicidade e contribuem para o meu dia a dia?
    Enfim, obrigado vou aparecer aqui mais vezes!

Os comentários estão desativados.