Diário de viagem, Japão 2011

Quando comecei a escrever sobre o início dos meus estudos para aumentar a inteligência financeira e de negócios, nunca poderia imaginar onde esta estrada iria me levar. Investir em consórcios e depois de um tempo tornar disto minha principal atividade já parecia ser mais do que minha imaginação permitia sonhar. Meus textos e história de vida me trazerem ao outro lado do planeta, com certeza é bem mais do que pensaria nos mais loucos delírios. Entretanto, aqui estou, no Japão. Este é meu breve relato de viagem. Serve mais para mim do que para qualquer outra pessoa. Apesar de que nunca esquecerei esta experiência e as pessoas maravilhosas que estou conhecendo aqui, relatar este dia a dia me ajuda a pensar em cada vez mais possibilidades não apenas para mim, mas para todas as pessoas envolvidas. Espero que este texto o ajude de alguma maneira, nem que apenas como distração ou perda de tempo. Afinal, descansar o cérebro também é necessário de vez em quando.

21/02/2011

Saída de Porto Alegre com mais de uma hora de atraso. Tranquilo, porque nosso voo GRU-DFW só saía as 22h55. As malas foram despachadas em Porto Alegre direto para Tókio, não precisaríamos nos preocupar com elas até chegar ao Japão.

Em São Paulo encontramos com a Danielle e a Luciany, interessadas em investir em consórcios, imóveis e, depois da nossa conversa, no Precisou (mais sobre isso em um texto futuro, breve). Devem ir a Porto Alegre depois do dia 16/03 para o “treinamento”.

Embarque para Dallas no horário. Voo de 10h, passando de GMT-3 para GMT-6. As aeromoças, ou aero-típicas-senhoras-de-meia-idade-americanas, todas diferentes, mas todas com penteados típicos de estereótipo americano, eram extremamente simpáticas e solícitas. Primeira sorte da viagem: pegamos poltronas no meio do avião, sem acesso direto ao corredor. Em compensação, tinhamos uma poltrona liberada ao nosso lado.

22/02/2011

Dallas, TX

Conseguimos dormir um pouco durante o voo. Chegamos ao Texas as 7h da manhã e o próximo voo devia partir as 10h10. Dallas possui diversos balcões de informação ao longo do terminal, cada um com uma ou duas senhoras idosas vestidas com um uniforme bem bonitinho, casaquinho verde-musgo, sapatos de couro com pinturas de animais selvagens e chapéus de cowboy estilo Indiana Jones.

Na imigração, as perguntas de sempre; quanto tempo ficaríamos (in transit to Japan); o que iríamos fazer no Japão (just visiting some friends); como se falava o primeiro nome da Ingue (sempre perguntam sobre isso: “Aieismíne?”). Só precisei cadastrar os quatro dedos da mão direita. A Ingue teve que colocar todos (four right fingers, right thumb, four left fingers, left thumb). O guarda da fronteira estava bem falante, pediu quanto dinheiro estávamos levando e, apesar de estarmos apenas em trânsito, nos carimbou os passaportes com visto de permanência de seis meses 🙂

O guarda seguinte, que nos encaminhou para o raio-x (o equipamento novo, que “fotografa” a pessoa inteira sob as roupas), também estava falante, com seu spanglish ao falarmos ser do Brasil. Sorte que não nos perguntou sobre Buenos Aires 🙂

No raio-x, fui dispensado da “foto-nú” e passei pelo detector de metais apenas. A Ingue deu uma de modelo e teve que passar no fullbody-scan.

Para os que costumam falar mal do Brasil, saibam que há problemas em todos os cantos do mundo. Nosso voo Dallas-Tókio atrasou mais de 45 minutos para o embarque. Já no avião, saímos em direção a pista e tivemos que voltar ao portão de embarque. Não precisamos descer do avião, mas depois de consertos, testes e mais testes em uma das turbinas, partimos com certa apreensão. E com três horas de atraso.

23/02/2011

Originalmente teríamos quatro horas em Tókio para fazer a imigração, pegar as malas despachadas, passar pela alfândega e finalmente fazer o check-in para o voo final, em direção a Nagoya. Com o atraso, teríamos no máximo uma hora…

Motoquinha 🙂

Voo absolutamente tranquilo, mais uma vez conseguimos uma poltrona livre ao nosso lado. Desta vez, com acesso direto ao corredor. As aeromoças, americanas e japonesas, meio a meio, ainda mais atenciosas do que no voo anterior. Ao chegar, preocupados com o tempo, descemos sem correr, apertamos o passo e antes de passar pela próxima epopéia, fomos ao banheiro. Estes, são uma história a parte. No banheiro público do aeroporto, tudo impecavelmente limpo, assento fofinho no vaso, aquecido para não gelar a bundinha, com chuveirinhos automáticos para limpeza final. Isso no masculino. No feminino, as frescuras eram aindo maiores. Também havia aqueles banheiros em que se fazem as necessidades de cócoras. Ontem à noite uma das novas amigas que fizemos aqui largou essa quando comentamos: “ah, vocês conheceram a “Motoquinha”!!!”. Outra completou: “uma amiga, quando veio, ficou impressionada. Saiu do banheiro dizendo: “que chique, tem até banheirinha para lavar os pés!!!””. E assim vamos nos divertindo por aqui 🙂

Na alfândega (ainda sem as malas despachadas, mas disseram que elas passariam por raio-x), minha mochila foi para a fiscalização manual. Ao ver em nossas passagens que o voo estava prestes a partir, a funcionária avisou o pessoal para segurar nosso avião, que já iríamos. Tudo em perfeito japonês, que eu, claro, compreendi perfeitamente 🙂

Gatinhos da sorte

Finalmente na esteira de bagagens, cada esteira com dezenas de gatinhos (Neko) nos abanando boa sorte na fortuna e no amor, uma funcionária aparava as malas para não baterem ao escorregar para esteira. Ao redor, todos aguardando, perfeitamente alinhados atrás de uma linha de espera imaginável e intransponível até que suas malas particulares estivessem a sua frente.

Na saída nossos amigos esperavam sentados próximos a porta. Não os vimos diretamente, pois estavam sentados devido ao painel dizer que a aeronave ainda estava com os passageiros a bordo. Abraços e beijos de boas vindas, a emoção do encontro inicial, as perguntas de como foi o voo, e o que achamos das diferenças que certamente já tinhamos sentido logo ao entrar no país… Enquanto isso, ao lado, uma senhora japonesa e dois filhos pequenos esperam o marido e pai chegar de viagem. Ele chega, faz uma saudação com a cabeça, à distância, entrega a mala para a esposa e vai caminhando na frente de todos, sem olhar para trás, em direção a saída.

GPS, estradas, papos, conversas sobre a língua, o trabalho, diferenças culturais. As coisas boas, as excelentes, as ruins, as péssimas… Nos perdemos em algumas saídas, andamos, demos algumas voltas extras, conhecemos ruas estreitas, descobrimos que a maioria das casas saem direto para a rua, sem calçadas. Antes de ir para casa ainda passamos em um restaurante (incluirei em breve o nome) e comemos uns pastézinhos (chineses), o frango com gengibre igual ao que comemos aí no Brasil no Daimu (restaurante japonês fantástico que há em Porto Alegre) e os famosos Lamen.

Time traveler

Chegamos. Como nossos anfitriões estavam no dia de folga, estavam relativamente descansados. Nós, com o fuso trocado, estávamos nas 10h da manhã do mesmo dia, também relativamente descansados. Ainda conheceríamos dois brasileiros que vivem aqui há quatro anos, ansiosos para nos conhecer logo no primeiro dia. Sandraéli e Jean, muito queridos, muito engraçados, daqueles que vivem se inticando e se divertindo, ele falando pelos cotovelos e ela dizendo: “Jean, a gente tinha combinado que tu só iria falar essas coisas mais tarde, quando eles já nos conhecessem um pouco melhor”. E assim estamos, nos sentindo totalmente em casa, cercados de pessoas maravilhosas por todos os lados.

Estamos 12 horas na frente do Brasil e estou um dia atrasado nos relatos. Paro por aqui por enquanto. Em breve, continuo com os próximos dias.

3 pensamentos em “Diário de viagem, Japão 2011”

  1. Uau,aproveitem muito.Deixa eu te contar que eu e meu namorado estamos 14h a frente do Brasil aqui em Sydney (somos de Porto Alegre),e me deparei com teu blog em uma das minhas pesquisas sobre independencia financeira.Sei o bem que essas viagens te farão.Abraços 🙂

    1. Oi Aline,

      Legal ver mais brasileiros que moram no exterior aparecendo por aqui. Depois conta um pouquinho como são as coisas por aí. Estão há muito tempo na Austrália?

      Vai ser um prazer trocar idéias sobre independência financeira com vocês.

      Abraços.

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