Ciclos do mundo e os sites de compra coletiva

Introdução.

O mundo é um lugar divertido. Vivemos dias de altos e dias de baixos. Dias em que tudo parece dar certo e dias em que nada funciona. Hoje é para mim um daqueles dias em que tudo o que fizemos até então parece ter atingido algum sentido. Me deu vontade de contar algumas histórias. Já citei isso antes, escrever é a maneira que uso para ordenar as idéias que estão fervilhando na cabeça neste momento, ao mesmo tempo em que permito que outras pessoas me ajudem fornecendo suas opiniões sobre o assunto, enriquecendo a discussão. Ajudo e sou ajudado, tudo ao mesmo tempo.

O importante para mim, o que mais precisamos interiorizar, é que o mundo é cíclico. Aquilo que vivemos em determinado momento, irá acontecer novamente. A história nos mostra isso com vários exemplos. O que contarei aqui é um deles. Claro que as coisas não acontecem exatamente como aconteceu anteriormente, mas as histórias se repetem de forma magistralmente iguais. Aproveitam as oportunidades quem está preparado quando elas se apresentam. Aproveitam as oportunidades, quem já as perdeu anteriormente, quem sabe porque perdeu alguma grande oportunidade, e se preparou para a próxima onda. Algumas coisas possuem um degrau de entrada maior, outras menor, mas mesmo isso, depende basicamente em saber como resolver o problema do degrau. Precisa de conhecimento? Estude ou conheça pessoas que saibam do assunto. Precisa de dinheiro? Economize muito ou estude formas de levantar capital para quando a oportunidade surgir. Se você estiver preparado, com o conhecimento para aproveitar uma oportunidade, dinheiro se consegue facilmente.

Para ilustrar o que acabo de escrever, leia a história da criação da máquina fotográfica, a inovação que era na época, as dúvidas e críticas que ela gerou na sociedade que ainda não sabia como reagir àquela novidade. Compare agora com a história dos primeiros carros. Avance alguns anos, compare com os primórdios da história da computação. Volte no tempo, estude a invenção e popularização da TV. Volte mais um pouco, faça o mesmo estudo sobre o surgimento do rádio. Todas refletem exatamente a mesma história, mudam apenas os personagens de cada uma.

Falei somente de grandes invenções, mas isso é válido para as pequenas. Focando na internet, começamos com o surgimento da mesma, a necessidade de acesso e como foi solucionada. O aparecimento dos portais, o acesso grátis, a banda larga. Analise como as empresas do setor se movimentaram e como tudo se encontra atualmente. Quem são os grandes? Como chegaram a isso? Caminhando um pouco no tempo, estude o aparecimento dos sites de leilão online. Quem sobrou atualmente? E os grandes sites de compra? Alguém falou Amazon? Submarino? Americanas? Que tal falar dos blogs? Quais se tornaram negócios lucrativos? Porque? É aí que gostaria de chegar. Hoje, sei porque tudo isso aconteceu. Olhando um novo mercado, basta examinar os movimentos de certas empresas para saber quais estão caminhando ao sucesso e quais irão dar com os burros n’água. E isto nunca tem relação a quanto dinheiro possuem ou qual tecnologia é melhor. Vejo o caso do Betamax se quiser um exemplo disso, ou do iPod original se buscar um exemplo mais recente.

1996-1999 – Minha primeira empresa.

Há pouco mais de 14 anos montei um dos primeiros provedores de acesso discado no RS, com mais cinco amigos. Naquela época, era um guri recém saído da faculdade, com muitas idéias na cabeça e pouca experiência prática. Sem saber, estava no olho do furacão da inovação, estava fazendo o que nenhum outro fazia. Estava no topo da onda tecnológica que iria dominar os anos seguintes. O problema é que estava lá por conta da minha busca por inovação, mas meus conhecimentos de mercado eram nulos até então. Desta forma, vi, uma atrás da outra, várias oportunidades passarem. Perdi todas. Aprendi com cada uma dessas perdas.

Vamos voltar alguns anos nesta história. Era um estudante de computação, com algum acesso à internet na faculdade. Naquela época simplesmente não havia acesso privado à rede, logo, quando saísse da faculdade iria perder essa diversão. Se por um lado era diversão, por outro já era uma fonte de informação fantástica. Grupos de discussão permitiam que tivessemos acesso a informações muito antes dos que não dispunham desta ferramenta. Era uma maneira diferente de estudar. Pensar isto hoje é fácil, naquela época, era inovador, era estar a frente de seu tempo. Para um jovem nerd meio anti-social, dava um certo sentido a vida saber que, de alguma forma, sabíamos um pouco mais que os outros.

Tinha um problema a resolver, como conseguir conexão à internet. Quando pensei que havia achado a solução, outro problema apareceu. Descobri um projeto da faculdade federal em que alunos da mesma estavam oferecendo acesso à rede, durante a fase de testes, de forma gratuita. Fui até lá e descobri uma fila de espera de 3000 pessoas.

  • Quantos vocês estão conseguindo atender mensalmente?
  • Por volta de 300 pessoas.

Nem que o mundo parasse de girar eu iria esperar 10 meses para conseguir meu acesso à internet. Diante de um problema… Conversei com alguns amigos que tinham os mesmos desejos, montamos um plano básico que listava as necessidades de hardware, software, contratos de conexão e aluguel de linhas telefônicas, verificamos quantos clientes precisavamos para tornar o negócio possível e assim começou a Opensite. Um anúncio no jornal e a propaganda boca a boca dos amigos foi tudo que precisamos para atingir o equilíbrio necessário para manter a empresa.

Alguns sócios se dedicavam em tempo integral ao negócio, outros em tempo parcial, mantendo seus empregos. Com o passar dos anos, os primeiros foram adquirindo a participação dos outros. Resumir quatro anos em um só parágrafo é algo complicado, aprendemos muito, perdemos muitas oportunidades, participamos de vários projetos interessantes a medida em que o mercado se ajustava às novas necessidades. No final das contas, acabamos perdendo a empresa ao tentar fazer sociedade com picaretas travestidos de investidores. Culpa exclusivamente nossa, que erramos ao avaliar com quem estávamos nos associando e que poder sobre o nosso negócio estávamos dando a eles. Nossos clientes? Estes foram salvos. Um concorrente da época recebeu-os feliz da vida, de presente, enquanto a empresa mudava a forma de atuação e destruía o que havíamos levado anos para construir.

Uma curiosidade final. Abrimos o primeiro provedor com acesso gratuito do país, três dias antes do lançamento do iG. Não muito mérito meu, que só estava no lugar errado, com as pessoas erradas, mas na hora certa para poder colher esta frase: fundador do primeiro provedor grátis do país. Só não sabíamos como gerar lucros, o que foi o golpe fatal para a empresa.

2000 – 2001 – Um novo horizonte.

Acaba uma empresa, surge um convite. Gerente de tecnologia de uma startup de internet. Seria um portal de negociação de commodities agrícolas, interligado diretamente com a bolsa de mercadorias de Chicago. Era uma espécie de NASDAQ das commodities agrícolas. Tudo ía bem até a bolha da internet explodir nos EUA. Com parte do dinheiro vindo de lá, as coisas complicaram por aqui. Os salários atrasaram vários meses, os ânimos estavam baixos, os prazos de entrega estouravam constantemente. A queda das torres gêmeas foi o golpe de misericórdia. Foram dois anos rápidos, mas de extremo aprendizado. Conviver com um CEO forte, conhecer o mercado de VC e de angel investors, tudo isso abriu um mundo de conhecimento que antes simplesmente não existia. O Silicon Valley, antes disso, era apenas um local onde havia inovação tecnológica, não tinha o conhecimento da teia de negócios que existia por trás de cada empresa, da cultura do venture capital que o vale possuía. Os anos seguintes foram dedicados a aperfeiçoar este conhecimento de negócios. Como dizia o presidente Woodrow Wilson em relação aos EUA, adotei para mim a frase: “meu negócio são os negócios.”

2002 – 2008 – Um empreendedor renasce das cinzas.

Sem emprego e sem vontade de arranjar um, reiniciei minha empresa de internet. Usei o nome fantasia que haviamos dado para a parte mais empresarial do negócio anterior. Na época do provedor de acesso, chamávamos este de Opensite e ao serviço de hospedagem de sites de Openweb. Com este último nome iniciei uma nova empresa focada apenas na hospedagem de sites, deixando o acesso discado e a banda larga de fora.

O início foi relativamente difícil, houve momentos em que não sabia como iria pagar o condomínio do prédio onde morava. Vale lembrar que antes desse recomeço havia ficado seis meses sem receber salário, tendo consumido todas minhas reservas. Comprar uma moto Harley-Davidson antes de ter os atrasos no salário também não ajudou muito 🙂

Voltar para a casa dos pais estava fora de cogitação, não por eles, mas por mim. Sabia que se passasse por este desafio e o resolvesse com meu conhecimento e trabalho, nada mais me deteria. Alguns bicos e pequenos trabalhos de manutenção de computadores, junto com os parcos ganhos do provedor e o desenvolvimento de alguns sites para os novos clientes, ajudaram a passar de forma não tão traumática por esta fase de aperto.

Os anos seguintes foram relativamente tranquilos. Atingimos velocidade de cruzeiro, nos acostumamos em determinada zona de conforto que não era grande coisa, mas também não era tão ruim assim. O problema é que o coração de um empreendedor não aguenta muito tempo no conforto e tranquilidade. Montamos novos negócios, iniciamos novos serviços, testamos novas idéias. Algumas coisas deram certo e hoje fazem parte do portfólio de serviços da Openweb, outras descartamos. Tivemos problemas com sócios em outros negócios que iniciamos, problemas diferentes dos primeiros, o que significava mais aprendizado.

Na vida pessoal, iniciei meus investimentos em consórcios que no futuro se tornariam os investimentos imobiliários que possuo hoje. O problema é que desde que incorporei a mudança da mente técnica para a mente de negócios, não conseguia mais aceitar aquela zona de conforto em que me encontrava. Ao mesmo tempo, sabia que não eram todos que estavam prontos para inovar constantemente para se manter sempre na crista da onda. Queria iniciar negócios em outras áreas, já havia feito pequenas incursões com sucesso. Era a hora de expandir os negócios, dar um passo para trás para poder então dar dez passos para a frente. Em 2008 vendi minha parte da sociedade para meu antigo sócio na Openweb, com uma proposta que sabia ser inegável. Propus que me pagasse ao longo dos dois anos seguintes, usando para isso pouco mais do que eu retirava mensalmente como lucro da empresa. Na prática, a própria empresa iria me pagar, mas teria dois anos de rendimentos estáveis para poder me dedicar aos outros negócios sem preocupações com as contas mensais e sem precisar mexer no meu patrimônio já adquirido.

2008 – 2010 – Um novo negócio, um novo setor.

Já possuía minha empresa de venda de consórcios desde 2005 e já ajudava amigos que queriam investir da maneira como eu estava investindo com textos explicativos desde 2003, mas somente a partir da minha saída da Openweb é que a Megacombo se tornou o centro das minhas atenções. O crescimento neste últimos dois anos foi de mais de 10 vezes do que era no início, tudo isso sem aumentar a estrutura (apenas eu, meu computador e uma gaveta-arquivo para guardar os papéis da empresa). Da maneira que estruturei a empresa, posso trabalhar em qualquer lugar do planeta, precisando apenas do meu notebook e uma conexão de internet para tocar meus negócios.

Ao longo destes dois últimos anos conheci outros investidores da área imobiliária, formei parcerias, investi em novos empreendimentos, testei outras modalidades de investimento imobiliário, analisei muitos casos de leitores dos meus sites, acompanhei os investimentos de amigos, enfim, vivi intensamente esta realidade. Já fazia isso antes, mas os dois últimos anos foram realmente intensos. Hoje, sou considerado um dos maiores especialistas no assunto investimento imobiliário, mas sei que ainda há muito o que aprender e devo muito do meu sucesso aos excelentes parceiros com quem toco meus negócios. Os erros que cometi em relação às sociedades anteriores me tornaram mais apto a formar parcerias muito mais eficientes e sociedades muito mais fortes.

As coisas estão acontecendo de forma bastante acelerada, aquela acomodação na zona de conforto não existe mais desde metade de 2008. Como meu negócio imobiliário envolve intensamente a internet como meio de identificação com meus futuros clientes, não deixei de estar presente também neste meio, mantenho em dia todos os meus contatos nas empresas de TI e nas notícias e novidades do setor, atuando como consultor informal para uma série de amigos e empreendedores que podem se beneficiar dos meus conhecimentos acumulados.

Até agora, não tornei este conhecimento do setor um negócio próprio. Ainda é algo que faço por paixão. Ao mesmo tempo, os empreendedores que tenho ajudado com meus conhecimentos são aqueles que estão na fase que eu estava em 1996, quando comecei meu primeiro negócio. Mesmo que quisesse cobrar algo deles, não estão em condições de pagar coisa alguma. Ajudar esta gurizada com informações, sugestões de leitura, orientações sobre sociedade, pessoas e mercados, me coloca em sintonia com estas novas gerações. E são estes jovens e esta geração Millenium que irá gerar a próxima onda de mudança no mundo, da mesma maneira que os baby boomers mudaram o mundo a partir dos anos 60. Mais cedo ou mais tarde, estes jovens chegarão à constatação de que o conhecimento que trago para seus negócios possui um valor inestimável, pois traz velocidade e foco no que dá certo, os faz economizar tempo e frustração. É uma geração ansiosa esta. Entender isto e facilitar seus caminhos é minha forma de fazer parte desta nova revolução. Ajudar a abrir as portas que eu mesmo não sabia abrir quando tinha a idade e os ideais deles é o caminho que escolhi para dar meu retorno à sociedade. Apesar de dizer que não faço isso profissionalmente, sou sócio de uma empresa especializada em montar planos de negócio e levantar capital para startups de TI. Não trabalho diariamente nesta empresa, sou apenas um dos sócios capitalistas na mesma, mas começar a me envolver no processo, tenho certeza, é mera questão de tempo.

2010 – Onde estamos? Qual é a onda do momento? Quanto tempo irá durar? Quem estará envolvido com isto?

Tudo que escrevi até agora não tem nada relacionado diretamente com o que escreverei a seguir, mas ao mesmo tempo, é totalmente ligado a isto, pois é minha história pessoal. Graças a esta história pessoal, cheguei às conclusões de onde estamos agora, qual a grande oportunidade deste momento e quem irá sair vencedor em relação a esta oportunidade. Podem haver muitos ganhadores, cada um, vencedor de acordo com seu nível de conhecimento.

Quanto a mim, tanto pode ser que me torne um dos maiores players envolvidos com isto, quanto pode ser que não me envolva diretamente com o assunto. A resposta que dirá se será uma ou outra coisa é resultado direto das ações tomadas por alguns dos possíveis leitores deste texto. Se as pessoas certas lerem até o final, se a conjunção dos fatores que acho serem necessários se formar, se conseguir juntar as pessoas certas com a compreensão do que está acontecendo neste momento no mercado, então estarei presente nisto.

Uma coisa é certa. Conheço diversas pessoas, em diversos setores distintos necessários para que o processo todo tome forma. O comprometimento de algumas dessas pessoas é fundamental para que me envolva com o assunto. O de outras, é consequência dos primeiros. O de outras ainda, pode acelerar o processo, mas não é essencial. Discorro a seguir sobre algumas coisas que estou observando. Infelizmente, sei que não conseguirei passar para o texto todas as relações mentais que estão rodando na minha cabeça.

Sites de comprar coletivas. Como funcionam, como ganhar com eles?

Não preciso dizer que os sites de compra coletiva são a onda do momento. Todos estão falando nisso, todos conhecem alguém envolvido com isso, todos ao menos conhecem alguém que já comprou desta forma ou no mínimo receberam um email convidando a participar. Todos já devem ter lido sobre o assunto em jornais ou revistas.

Se você vive dentro de uma bolha de vidro fosco sem acesso ao mundo externo, estes sites de compra coletiva são sites onde diariamente, ou semanalmente em alguns casos, uma oferta é realizada. Esta oferta pode ser uma pizza com desconto de 50%, por exemplo. Ou um tratamento estético com desconto de 90%. Tal oferta só é válida se uma quantidade mínima de pessoas a adquirir, viabilizando o conceito de ganhar pouco de cada cliente, mas ganhar com a quantidade.

Alguns estabelecimentos que anunciam suas ofertas desta maneira não pensam em obter lucro. Suas ofertas são mais baratas do que o custo de seus serviços. Quem age desta forma busca publicidade, busca tornar seu serviço conhecido por mais pessoas. Empresas com ótimos serviços e preços justos conseguem conquistar muitos novos clientes desta maneira. É uma forma barata de publicidade, pois apesar de receber pouco, recebem algo. Recebem mais do que se oferecessem uma prova grátis para novos clientes, por exemplo.

Elaborando um pouco, dá para oferecer descontos incríveis e ainda assim ter lucro. Pense em uma oferta de um prato em um restaurante onde quem comprou irá pagar pela bebida. Quem tomar refrigerante provavelmente não bancará o custo da oferta, caindo no caso do parágrafo acima, mas quem tomar um vinho, provavelmente já ajudará a equilibrar os custos. Ou pense em um restaurante onde um casal aproveita a oferta, mas convida um casal de amigos que não possuem o cupom de desconto. Empate técnico.

Para quem compra tais ofertas, não preciso listar as vantagens. Comprar algo que se deseja conhecer por menos que o valor normal. Experimentar um novo produto ou serviço, conhecer coisas novas. Ao se cadastrar em um site destes, novas ofertas chegam diariamente em seu email.

Apesar de eu achar que todos conheçam este assunto, um detalhe do funcionamento destes sites talvez não seja de conhecimento público: a forma como eles ganham dinheiro. A regra é simples: cobram entre 40% a 60% do valor recebido na promoção. Para um teste rápido de quanto isto representa, veja uma oferta recente, de um site que fez 10.000 vendas em um único dia, ao custo de R$ 19 cada uma, somente na cidade de Porto Alegre. O site em questão é o maior do setor em atuação no Brasil. Tem fila de espera de estabelecimentos querendo anunciar com eles para mais de seis meses. Possui anúncios diários e lista três ofertas diferentes a cada dia, para conseguir dar conta da quantidade de interessados.

Se apenas uma, de três promoções diárias gera R$ 190.000, dos quais 60% vão para o site que lista as ofertas, fica fácil entender a euforia que está tomando conta do mercado. Com números deste porte e uma barreira de entrada aparentemente muito pequena, não é a toa que já temos mais de 40 sites deste tipo espalhados pelo país. O sucesso é tanto, que começam a aparecer sites agregadores de ofertas. São sites que juntam em um só lugar as ofertas de vários sites deste tipo. Como faturam? Através de programas de afiliados dos primeiros ou comercializando seu tráfego de outras maneiras.

E agora? Como lucrar com isso?

Da mesma maneira que aconteceu com os provedores de acesso discado entre 1996 e 1999, o mercado será tomado por uma profusão de sites de compra coletiva. Alguns serão mantidos por vários anos, atuando em apenas uma cidade, com uma pequena carteira de clientes fiéis, mantendo seus proprietários felizes em suas zonas de conforto. Outros crescerão o suficiente para se tornarem interessantes para os grandes do setor. Serão comprados por valores relativamente altos, gerando o resultado que seus fundadores esperavam, um monte de dinheiro e a possibilidade de parar de trabalhar pelo resto da vida ou pelo menos por algum tempo.

Muitos acabarão no ostracismo e deixarão de existir. Apesar da barreira inicial de entrada parecer inexistente, ela não é tão trivial assim. Por um lado, qualquer programador mediano consegue programar um site destes em uma ou duas tardes de trabalho. Em uma semana é possível ter um site 100% funcional operando. Em um mês, dá para implementar todas as funcionalidades disponíveis nos sites mais elaborados. Por outro lado, um site destes não se resume à programação. Precisa de divulgação para atingir o público comprador das ofertas. Precisa de estrutura comercial para buscar as ofertas iniciais. Precisa de muitas outras coisas que não vem ao caso escrever agora.

Comunidades.

Compras coletivas envolvem diretamente o conceito de comunidade. É com surpresa que vejo o quão pouco os sites existentes não pensaram ainda nisto. Ao mesmo tempo também me surpreende o porquê das comunidades online espalhadas pela rede não terem se dado conta da oportunidade que as compras coletivas podem trazer a seus participantes, implementando alternativas próprias ou se associando às plataformas existentes. No caso das comunidades já existentes faz todo o sentido o foco em ofertas específicas, de interesse daquela comunidade.

Vou começar a jogar as idéias ao ar. Mais cedo ou mais tarde alguém se dará conta disso. Idéias existem aos montes, não valem nada sem execução. Durante anos achava que as idéias eram extremamente valiosas, escondia o jogo, não contava para ninguém as idéias maravilhosas que tinha em minha cabeça. Sabe o que aconteceu com a maioria destas idéias? As que eram realmente boas, acabaram sendo realizadas mais cedo ou mais tarde por pessoas de quem nunca havia ouvido falar. Quando uma idéia surge na cabeça de alguém, de alguma forma, em outro canto do mundo, alguém provavelmente estará tendo uma idéia parecida. Há muito tempo descobri que o que vale, mais do que as idéias, é a execução que damos a elas.

Se tenho mais idéias do que consigo executar pessoalmente, vou me dar ao luxo de listar algumas delas no meu site. Assim, alguém que reclama que não tem idéias de como montar um negócio, de como ganhar dinheiro, de que assuntos tratar em um blog, ficará sem desculpas para não agir. Daqui por diante, se eu der uma idéia genial para alguém aqui no site, fique a vontade para executar a mesma. Sem custos, sem me dever nada. Claro que se você executar uma das minhas milhares de idéias e quiser me dar um presentinho quando estiver milionário com seu negócio, não vou negá-lo 🙂

Voltando às comunidades, imaginem a Revista/Comunidade Papo de Homem com um sistema de compras coletivas próprio ou em parceria com um já existente. No caso de um site já existente, a PdH poderia filtrar apenas os anúncios de produtos que tivessem a ver com os leitores do site. Promoções de depilação definitiva? Nada a ver. Conhecer uma nova pista de kart e poder fazer isso pagando menos de 30% do valor original? Opa, pode mandar! A programação necessária para implementar este tipo de funcionalidade é ridícula.

Outro exemplo de quem poderia se beneficiar com isto? O portal Administradores. Acabo de visitar o site e sabe o que vi em um dos banners verticais? A propaganda genérica de um site destes. Olhei o link e confirmei ser uma propaganda do Google AdSense, ou seja, o site ganha alguns centavos quando alguém clicar no anúncio. Não seria bem melhor se ganhasse mais? Não teria muito mais cliques se os anúncios, em vez de genéricos, fossem otimizados para o público do site, os administradores? Empresas da área poderiam oferecer cursos, livros, palestras, webaulas, tudo para um público ávido por isto, a um custo ínfimo.

Os grandes portais, Terra, UOL, etc, também podem se beneficiar disto, anunciando as ofertas para seus leitores. Todos possuem mecanismos de identificação dos visitantes para entregar anúncios relevantes. Mais uma vez, caímos naquela simples classificação extra dos anúncios em categorias. Ganham os portais, ganham seus leitores. Um portal teria todo o potencial de agregar os anúncios de vários sites de compra coletiva, mostrando para cada visitante apenas os anúncios relevantes.

A programação disto é simples! Onde está o programador que fará uma rotina simples para ler os XML dos sites que já possuem esta funcionalidade, de maneira a qualquer um poder colocar um anúncio em seu site ou blog, agregando as ofertas dos diversos sites, mostrando apenas os anúncios que sejam relevantes para os leitores de seu nicho específico? O primeiro que fizer algo deste tipo me avisa, que coloco um link aqui.

Tenho que sair agora, gostaria de escrever mais, ainda há muitas outras idéias que não consegui escrever sobre esse assunto. Publico como está, aproveita quem quer, descarta quem não quer. Nos próximos dias, vou movimentar alguns pauzinhos, ver se consigo juntar as peças e mostrar para cada possível participante o tamanho do negócio que pode ser construído. As novidades que surgirem, vou publicando por aqui. Obrigado pela atenção se você leu até o final. Gostaria muito de saber o que você acha a respeito disso tudo e ouvir quaisquer idéias que possam tornar ainda melhor e mais completo um serviço deste tipo. Como eu escrevi antes, alguma hora todas as idéias ganham a luz do dia. Seja o primeiro a deixar registrada a sua, nem que seja para poder dizer: eu parei, pensei e tive esta idéia.

Por fim, se você é um programador e acha que um negócio destes é o seu futuro, que irá ganhar milhões com isso, mas antes de ouvir falar deste assunto nunca imaginou fazer algo do tipo, não perca seu tempo. Quem irá ganhar dinheiro com isso são vendedores que sabem movimentar estes negócios, não o pessoal técnico. Se você não tem vocação para vendedor, ou um sócio que a tenha, não perca seu tempo com isso. Ganhe dinheiro como faziam os espertos na corrida do ouro, lucre vendendo pás e picaretas. Desenvolva este tipo de sistema, não para sí, mas para vender para as centenas de pessoas que acham que poderão lucrar com isto. Vai por mim, não precisa nem saber vender, os compradores lhe encontrarão 🙂

Se você possui um site ou negócio que envolve uma comunidade de participantes, pense se um sistema fechado de compras coletivas para seus associados não pode ser um bom acréscimo no portfólio de produtos e serviços que você oferece a seus afiliados. Não precisa ser nada tão agressivo quanto as ofertas diárias dos grandes sites. Basta uma boa oferta mensal, diretamente relacionada com seus associados, para tornar este produto viável. Posso lhe ajudar de diversas maneiras neste caso. Entre em contato.

Se você está envolvido direta ou indiretamente com um site destes e acha que posso te ajudar de alguma forma, entre em contato. Vai ser um prazer ajudar.

17 pensamentos em “Ciclos do mundo e os sites de compra coletiva”

  1. Opa Fabrício.
    Legal a história. Bom lembrar de ter ouvido ela pessoalmente e com mais detalhes.

    Ótima idéia do agregador de ofertas.

    Parabéns pelo texto.

    Abraços.

    1. Oi Aron,

      Legal te ver por aqui. E tu, não tens escrito? Faz tempo que não vejo um texto teu no meu RSS.

      A propósito, devo ir a SP em janeiro. Nada programado certo ainda, mas aviso por aqui quando tiver marcado a passagem.

      Abraço.

  2. Ia editar o artigo, mas resolvi aparecer aqui nos comentários mesmo.

    Apenas um dia após ter publicado o artigo, já tenho um amigo pensando em implementar uma das idéias. Outro ficou de me dar retorno hoje, depois de conversar com os sócios. Um terceiro me ligou falando que estava iniciando um novo projeto baseado neste mercado (não um site destes, mas as pás e picaretas que sugeri 🙂

    Descobri mais um amigo sócio de um destes sites.

    Tive um insight sobre a relação dos vários clones do GroupOn com os vários clones dos energéticos Red Bull.

    O #FF de um amigo no Twitter me gerou uma penca de novos seguidores no http://www.twitter.com/fperuzzo (valeu, Leandro).

    Como eu escrevi no texto original, espalhar nossas idéias ao mundo traz muito mais benefícios do que problemas. Talvez traga problemas para os concorrentes, que não conseguem nos acompanhar 🙂

    Abraços mil.

  3. Oi

    Eu, uma pré-histórica em assuntos de tecnologia, fiz minha primeira compra hoje num site de “compras coletivas” hehe Nem sabia que tinha esse nome!

    Deixo aqui um depoimento sobre o Fabrício: alguém capaz de discorrer sobre qualquer aparelho eletroeletrônico, já lançado ou não, de celulares a computadores, passando por máquinas fotográficas e videogames… aliás, sobre tudo que pisca, se mexe e/ou faz barulho.

    Curiosidade é a chave do sucesso!

  4. A propósito, uma coisa que poderia ser abolida na relação das empresas com os clientes (e que me parece um tiro no pé) são certas ofertas imperdíveis que se recebe por e-mail e que, depois, quando a gente se interessa pelo produto e eventualmente liga ou vai até a loja, descobre que não era bem isso e que o valor é só umas três vezes maior. Aconteceu comigo hoje.

    (não na minha compra coletiva! hehe)

    1. Legal te ver por aqui, Alex. Enquanto estamos neste assunto, se ainda não tem na tua cidade, é uma maneira excelente de ampliar os negócios. Tenho quatro amigos tocando este tipo de site, todos faturando na casa dos 5k a 10k POR SEMANA, todos com pouco mais de um mês do negócio iniciado. O primeiro a entrar em cada cidade costuma ter um bom diferencial em relação aos que chegam depois. Como eu escrevi no texto, é a história sendo reescrita mais uma vez. Custa pouco mais que os negócios com os blogs para iniciar.

      Como estão a Ana e a Giovanna? Vocês estão em São Vicente? Como ficou a questão da mudança?

      Abraço.

  5. Maravilha ler textos como o teu. Essa idéia milionária dos sites de compra coletiva é algo novo mas que é de suma importância no mercado global.
    Singelamente confesso que há tempos pensava se havia algum recurso para destacar os melhores preços em uma única página. Nós buscamos qualidade e preço logo eram esses sites que faltavam…. Quero um! Estou procurando aprender sobre o assunto para iniciar mas a dinâmica é agressiva e como disse a grana se arruma rsrs Parabéns pela mensagem!

  6. Olá Peruzzo,

    Sempre inspirador, eu fico feliz de ter conhecido pessoalmente, parabéns pela realizações, isso me leva a crer que estamos no caminho certo. Qualquer dia desses mandarei um e-mail pra ti contando as novidades, de qq forma obrigado pelo texto!

    1. Oi André,

      Aguardo teu email para saber como estão as coisas por aí. Ou se preferir, compartilha as novidades aqui mesmo, sempre é uma forma de ajudar ou inspirar outros a crescer.

  7. Oi Fabricio,

    Estamos em Goiânia agora, desde dia 31/10/2010, e voltando para São Vicente em 12/12/2010. Estamos todos bem, graças a Deus.

    Quando tu falas do negócio onde teus amigos estão ganhando entre 5K e 10K POR SEMANA, trata-se do negócio objeto deste teu artigo (Compra Coletiva)?

    Aliás, gostei dos teus esboços de idéias aqui no blog. Com tempo, dá pra pegar uma ou outra e colocar em prática. Mas o negócio com os blogs, creio eu, ainda é pouquíssimo explorado aqui em nosso país.

    Abraço
    Alex

    1. Oi Alex,

      Sim, os valores semanais são referentes aos sites de compra coletiva. No caso, para sites atuando apenas em uma cidade e apenas com os próprios empreendedores tocando todo o negócio. Há sites maiores que lucram muito mais, como o que citei no artigo, que gerou mais de R$ 150.000 em apenas UMA promoção em UMA cidade.

  8. Saudações amigo,

    Gostei muito do seu relato de crescimento financeiro, da batalha e da persistência. Precisamos de mais brasileiros dedicados como você, para que o país continue a crescer de maneira contínua.

    Meus parabens,

    Rodrigo Morais

  9. Olá, Fabrício! você pode me mandar um contato de algum programador para site de compra coletiva ou como eu posso iniciar esse processo de abertura desse tipo de negócio. Sou de joao pessoa-PB. abraços!!!

    *me passa por e-mail

  10. Olá Fabricio, possuo um site (loja virtual) http://www.tecgames.com.br, possuo um plano de negocios aqui em Foz do Iguaçu http://www.leidossacoleiros.com.br para intermediar as compras dos comerciantes de acorodo com a Lei do Sacoleiro, que irá começar a funcionar a partir de Junho. A minha empresa fará a compra para os comerciantes que se inscreverem na Lei e que moram muito distante, ou seja minha empresa fará as compras e cobrará um percentual, que com certeza será menor que os gastos relativos a viagem deste comerciante para comprar pessoalmente. Sabendo que vc é uma pessoa que entende muito bem de negócios, gostaria da sua opinião sobre este meu negócio. Outro projeto e um site de compras coletivas, já tenho o dominio http://www.brasilofertas.com.br , estou querendo iniciar aqui em Foz, arrumando um sócio que entenda de programação e vendas, mas aqui em Foz foi implantado a 3 meses um outro site http://www.localclube.com.br. Vc acha que seria interessante abrir outro site na cidade, visto que temos 500.000 mil habitantes em Foz?

    Se puder dar a sua opinião, agradeço.
    Um grande abraço

    Júlio Cesar

    1. Oi Júlio,

      Não sei se é algo legal esta tua empresa para atender os sacoleiros. A idéia é muito boa, mas pula o detalhe de que o objetivo da lei é justamente viabilizar um trabalho individual de formiguinha, provavelmente tu não poderás cruzar a fronteira “como se fosse o sacoleiro”. Não sei de detalhes da lei, mas mesmo que haja furos que permitam isso, não é algo que qcredite que se manterá por muito tempo.

      Sobre os sites de compras coletivas, há espaço para muitas empresas e diversos modelos de negócio. A pergunta que resta é porque alguém que entenda de programação e vendas iria se associar a ti, dividindo a empresa e os lucros, quando poderia fazer tudo sozinho? Qual seria tua atuação na empresa? Por outro lado, a pergunta é válida no sentido inverso. Com custos tão baixos para iniciar um negócio destes, para que tu queres um sócio? Porque não cuidar disso tu mesmo?

      Em uma continuação, acompanha os próximos posts aqui no site, pois tenho uma novidade que adianto agora… Sou sócio de um site destes que iniciará em poucos dias, com a possibilidade de te tornares representante do mesmo na tua cidade ou região. Mais detalhes, só quando colocar tudo no ar, mas publicarei aqui as novidades.

      Abração.

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