Sobre o Papai Investidor

Fabrício Stefani Peruzzo é o Papai Investidor.

Escrevi o texto abaixo para a página explicativa do site Papai Investidor, cujo conteúdo agora se encontra neste site que você está lendo. Decidi manter todos meus escritos em um só lugar, para facilitar a vida de quem quer conhecer melhor minhas idéias.

Escrevo sobre finanças pessoais e a busca da independência financeira desde 2002, quando criei o site do Informativo Moeda Corrente, com o objetivo de fixar o que estava aprendendo com a leitura de inúmeros livros sobre este tema. Naquela época lia por volta de 60 livros por ano, então você pode imaginar a quantidade de artigos que escrevi ao longo do tempo. O site continua lá, faz um bom tempo que não o atualizo, mas mantenho o mesmo devido à atemporalidade dos textos.

Nasci com o vírus do empreendedorismo. Desde pequeno, muito pequeno, pensava nos diversos negócios e empresas que teria quando crescesse. Antes de crescer já estava montando meus primeiros empreendimentos, como a biblioteca que começou a crescer rapidamente ou a rádio pirata que transmitia as últimas novidades do prédio onde morava.

Além de empreendedor, acabei me descobrindo coach, em uma época em que esta palavra ainda não existia. Não foram poucos os amigos que ajudei desenvolvendo seus potenciais através de perguntas que levavam à autoanálise e posterior crescimento de dentro para fora. Muitos novos empreendedores nasceram destas sementes.

Como leio muito, sobre diversos assuntos, e sou completamente apaixonado por conversar sobre negócios e entender o funcionamento das coisas, não demorou muito para que eu começasse a estudar o funcionamento do dinheiro e suas leis universais. É realmente muito simples ganhar dinheiro, e ainda mais simples fazê-lo crescer. Não quer dizer que seja fácil, mas é simples. Quer ver: para ganhar dinheiro, faça algo que ajude a resolver o problema de outras pessoas. Para ganhar mais dinheiro, faça algo que ajude a resolver o problema de MUITAS outras pessoas. Para fazer seu patrimônio crescer, trabalhe para ganhar dinheiro, viva com menos do que ganha e invista o que sobra de maneira a fazer este capital inicial e seus rendimentos se transformar em uma bola de neve. Viu, é simples.

Minha formação é Computação. Quando estava me formando, a internet comercial ainda não existia no Brasil. Havia uma maneira de conseguir conexão à internet aqui na minha cidade. Era através de um provedor de acesso experimental, montado na estrutura da faculdade federal por alunos do último ano da Computação. Achei excelente, fui lá conversar com eles e descobri que havia uma fila de espera de 3000 pessoas. E que só conseguiam atender a 300 pessoas por mês. Esperar 10 meses para poder acessar a internet? Nem pensar. Chamei alguns amigos, desenhamos o plano em uma folha de caderno, juntamos os trocados de cada um e no mês seguinte abrimos o primeiro provedor de acesso discado comercial do nosso estado. Essa foi minha primeira maneira regular de ganhar dinheiro, antes disso, ganhava dinheiro esporádico com aulas de computação e manutenção de computadores.

Para fazer o dinheiro crescer, havia a poupança e a bolsa de valores. Tinha uma reserva na primeira e logo parti para a segunda. Sem o conhecimento necessário e principalmente sem a bola de cristal para prever o futuro, perdi tudo o que tinha com o estouro da bolha de internet em 2001 e com a queda das Torres Gêmeas no atentado de 11 de setembro. Tinha que começar do zero. Zero mesmo, porque no final de 1999 tinha perdido minha empresa de internet em um negócio mal feito e em 2001 o emprego que arranjei enquanto montava minha segunda empresa havia explodido junto com a bolha da internet, pois o dinheiro vinha dos Estados Unidos.

Minha segunda empresa também era um negócio com internet. Neste momento fazíamos hospedagem de sites e depois passamos a instalar e dar manutenção em servidores corporativos e desenvolver sistemas. Com o dinheiro entrando, foquei na segunda etapa, investir para fazer o patrimônio crescer.

Tendo perdido tudo na bolsa de valores no ano anterior, não queria ouvir falar deste assunto. Por um lado foi péssimo, perdi os anos de maior valorização da Bolsa, entre 2002 e 2008. Por outro lado, não perdi tudo em 2008, como aconteceu com muitos que tinham suas economias em ações. Adquiri consórcios imobiliários no limite do investimento mensal que podia fazer e com eles descobri uma mina de ouro ao contemplar as cartas e vender o crédito para quem procurava adquirir imóveis com um custo muito menor do que os juros do mercado, mas com um ágio bastante considerável sobre o valor que eu tinha pago até a contemplação.

Meu investimento com os consórcios imobiliários deu tão certo a partir de 2002, que em 2003 escrevi um artigo no Moeda Corrente explicando o que estava fazendo para multiplicar meu dinheiro. Este artigo abriu o apetite de muita gente para os investimentos e eu indicava o vendedor que me atendia na época, sem segundas intenções, sem receber nada por isso. Até que um dia este me ofereceu comissão para ver se eu indicava mais gente do que já vinha indicando. Opa, que boca-aberta que eu fui! O que eu fazia valia dinheiro! E a partir de então passei a ganhar uma pequena comissão por cada indicação. Como era o mesmo que fazia com meus investimentos pessoais, era uma indicação natural e verdadeira.

Mais uns anos se passaram, minhas indicações aumentaram, e a Rodobens me convidou a virar representante deles. Montei uma empresa, a Megacombo Consórcios para cuidar disto, acabei vendendo a participação na empresa de internet que ainda possuía e passei a me dedicar integralmente aos consórcios. Você pode saber tudo sobre o funcionamento deste investimento acessando o site Investimento em Consórcio. Foi este investimento que permitiu tornar-me o Papai Investidor, e é este investimento que indico para quem deseja uma forma simples, segura e automática para formar patrimônio e viver uma vida financeiramente tranquila.

Nem sempre são dias de sol.

Hawaii

Em junho deste ano, pouco menos de um mês antes do nascimento da minha filha, escrevi em um dos vários cadernos de anotações que sempre tenho por perto um texto com o título acima. Não publiquei na época, talvez porque não tenha tido tempo de digitar, talvez porque não fosse a hora. Hoje faço isso, na manhã de Natal, com as últimas atualizações dos fatos ocorridos ao longo do resto do ano.

Quem me acompanha na internet através dos vários sites em que publico meus textos, ou através das diversas redes sociais onde marco presença, costuma ver meus textos sobre empreendedorismo, sobre investimentos. Vê também as fotos das viagens que fazemos e dos bons momentos com a família e amigos. Por conta da maneira como trabalho, vendendo consórcios essencialmente pela internet, preciso mostrar mais do que normalmente acharia conveniente, pois as pessoas que chegam até mim como possíveis clientes precisam saber que sou uma pessoa real, que vivo o que prego nos meus artigos, que tenho realmente uma empresa chamada Megacombo, que esta empresa é representante da Rodobens Consórcios na maior qualificação possível, categoria Diamante, e que não sou nenhum “golpe na internet”.

A tendência é mostrarmos a parte boa dos acontecimentos, e para falar a verdade, temos uma vida realmente boa no contexto geral, mas quem só enxerga esse lado pode pensar que tudo são flores, que todos os dias são maravilhosos. E pode, em algum momento ruim, desejar uma vida como a nossa.

Cada um tem seu próprio caminho, com seus desafios particulares nem melhores, nem piores, nem mais fáceis ou difíceis do que o de qualquer outra pessoa. As escolhas que fazemos a cada dia vão desenhando as estradas que teremos que percorrer mais a frente. O acaso também cumpre seu papel ao não nos permitir planejar tudo com 100% de precisão e certeza, como ficará claro ao longo dos próximos parágrafos. No final, isto é o que faz da vida esta maravilha cheia de surpresas e novas descobertas. E quando a surpresa é ruim, surge a oportunidade de crescimento pessoal e de auto-superação.

Este não é um texto triste ou trágico, é sim, a simples constatação de que as vezes passamos por desafios como consequência das escolhas que fizemos em um passado recente e das incertezas da vida. Espero que sirva de alavanca para quando você estiver passando por uma fase ruim, para que lembre que todos temos nossos bons e maus momentos, e que com coragem e determinação, tudo se resolve no final.

Este texto é sobre mim, afinal, sou eu que o escrevo, mas poderia ser sobre qualquer pessoa que você conhece. Até aquele seu amigo que parece ter uma vida perfeita, onde tudo sempre dá certo. É principalmente sobre este amigo que parece ter a vida que você sempre pediu a Deus. Pode apostar, até ele tem seus desafios, você é que não está próximo o suficiente para saber disso.

Como havia dito na abertura, este texto foi escrito pouco antes do nascimento da nossa filha, dia 13 de junho de 2013 (data do texto original, não do nascimento). Vou economizar nos detalhes, até porque faz tempo que tudo passou, e principalmente porque descobri que a dor dos outros sempre parece ser menor do que é a nossa própria dor. Quando alguns amigos passaram por situações semelhantes a algumas das quais passei, na época pensei que não poderiam estar sofrendo tanto quanto faziam parecer. Ao passar pelo mesmo, senti na pele e entendi que estando de fora, nunca temos as mesmas impressões de quem está vivendo a situação.

Somente para dar algum contexto, passamos por problemas de moradia entre a venda do apartamento antigo e a compra do novo, doença da minha esposa durante a gravidez, problemas na reforma do apartamento, e mais algumas coisas que nem valem a pena relatar aqui.

Meu avô dizia uma frase que hoje eu compreendo em toda sua profundidade: “se quiser desejar o mal a alguém, deseje que faça uma reforma.” Eu hoje entendo esta frase em todas suas sutilezas.

Naturalmente não poderia passar por estes abacaxis sem que o lado profissional fosse afetado. Apesar de não ter ocorrido nada grave, o volume de negócios caiu muito neste último ano. Quando trabalhamos com algo que depende de nossa disponibilidade em atender clientes e nos dedicarmos a buscar novos negócios, direcionar esta dedicação a “apagar incêndios” não é a melhor receita para manter boas vendas. Devido ao planejamento prévio, ao menos isso não era um problema. Só posso dizer que minha reforma custou mais do dobro do que efetivamente paguei, porque custou o que paguei, mais o que deixei de ganhar neste período.

Cada uma dessas “coisinhas” não teriam tanto peso se viessem sozinhas, mas quando ocorrem todas ao mesmo tempo, em plena “crise dos 40”, junto de um burn-out consequência de uma série de decisões e do estilo de vida que vínhamos levando nos últimos três anos, cada gotinha está na iminência de se tornar àquela que transbordará o copo.

Não citei, por exemplo, os dois meses que moramos sem pia na cozinha, sem tanque, com nossas coisas empilhadas em um quarto e sala enquanto nossa cama ficava em um quarto tão pequeno que não tinha espaço para fechar a porta com a cama dentro, em um apartamento alugado pelo dobro do que cobravam os vizinhos no prédio por conta de termos alugado sem precisar fazer contrato de longo prazo. Essa é uma daquelas dores que citei acima, que só sente quem vive a situação. E até a isso, depois de um tempo, dá para acostumar 🙂

Neste Natal, tínhamos o plano de comemorar com a família da minha esposa, em Farroupilha, na casa nova que meu cunhado comprou este ano, da mesma maneira que fizemos quando compramos o nosso primeiro apartamento. A mudança e reforma no caso dele aconteceram nos prazos e sem problemas. Infelizmente problemas de saúde na família nublaram este plano, então quem sabe conseguimos fazer isso no ano que vem.

Como escrevi antes, este não é um relato triste ou trágico. É uma lembrança presente e vívida, mas a maior parte das coisas relatadas já passou, superamos. Outras ainda estão sendo ajeitadas. Algumas já se tornaram “lenda familiar”, histórias que vamos contar aos nossos netos. Lembranças que na época foram duras, mas que quando as contarmos serão apenas histórias de vida.

Estas histórias que vivemos servem para lembrar que por piores que as coisas possam parecer na hora em que as estamos vivendo, por pior que esteja nossa situação em determinado momento, tudo que tenta nos derrubar são apenas degraus que precisamos subir para nosso crescimento pessoal. Os muros que surgem no nosso caminho servem apenas para testar o quanto realmente queremos seguir adiante, escalando-os ou dando a volta pelo caminho mais longo que os contornam. Todo desafio é semente para nossa superação.

Estou aqui, de pé, pronto para os desafios que surgem diariamente nesta nova etapa de vida, com a família aumentada. A parte boa de chegar a um “fundo do poço” físico e emocional é que daqui para frente o único destino é para cima.

Sejam bem vindos, dias de sol!

Venha para São Paulo

Venha para São Paulo se você deseja fazer seu negócio tomar velocidade, se procura um emprego com possibilidades reais de crescimento rápido, se deseja fazer algo diferente do que faz em sua cidade natal. Venha para São Paulo se você procura oportunidades, mesmo sem saber que oportunidades sejam estas. Venha para São Paulo se você gosta de pessoas e de fazer novas relações. Venha para São Paulo se você quer novidades, movimento e mudança.

São Paulo é um lugar cheio de gente de tudo quanto é local. São Paulo tem gaúchos, tem mineiros, tem cariocas. São Paulo tem gente dos outros estados também, mas para não deixar nenhum de lado, cito formalmente somente os três que já citei. São Paulo tem gente de outros países, basta passear rapidamente pela Avenida Paulista para ouvir espanhol, inglês, francês, italiano, alemão, japonês e chinês. Deve haver gente de outros países ainda, mas estes foram os que ouvi pessoalmente nos últimos dois meses, ao cruzar pelas pessoas de ouvidos atentos as diferentes línguas.

Acredito que justamente por São Paulo ter esta enorme diversidade de gente, sem falar da quantidade, este ser o motivo de tanto sucesso em atrair ainda mais gente boa para cá. Como uma mudança de cidade sempre é algo relativamente difícil, com todos os desafios, desde encontrar um lugar para ficar, algo para fazer, pessoas ainda a conhecer, que quem já passou por isso no passado é muito mais solícito ao ajudar.

Quem chega em São Paulo pode contar com a boa vontade de desconhecidos. As pessoas adoram ajudar umas às outras. Quem chega aqui pensando encontrar grande concorrência e gente de cara amarrada se surpreende. Há muita concorrência, claro, mas há também muito mercado, mais mercado do que gente para atender a todos. E quando falamos de qualidade, há pouca gente realmente qualificada para atender mercado tão exigente. Ao vir para São Paulo, espere conhecer muita gente nova e não se impressione quando a maioria destas pessoas se disponibilizar a lhe ajudar. Aqui é assim, quem chega é bem vindo.

Estou aqui há apenas dois meses, antes vinha somente por uns poucos dias. Claro que já conheci alguns dos vários problemas de São Paulo, como o trânsito, a poluição, o barulho, as filas. Nada que não dê para conviver, nada que não dê para evitar com estratégias simples. E mais, nada que não dê para evitar com estratégias simples que você nem mesmo precisa descobrir, quem chegou antes estará ávido para lhe ajudar.

A saudade da família e amigos da sua cidade de origem as vezes pode apertar um pouco, mas para isso, um amigo que já morou aqui me contou a solução. As distâncias são mera questão financeira. 100Km ou 1000Km podem ser percorridos em pouco mais de uma hora, basta decidir se você vai de carro ou de avião. E com passagens aéreas cada vez mais baratas junto com o quanto a mais você estará ganhando ao morar aqui, problema resolvido.

Venha para São Paulo, faça um teste por três meses. Duvido que dê vontade de voltar.

A Semana do Presidente

Lembro de quando era pequeno e assistia TV no domingo. Acho que era no fim dia, junto do Programa Silvio Santos. Não lembro de muitos detalhes, mas tenho certeza de que era no SBT e se não me engano, tinha narração do Lombardi, a eterna voz. O programa era curtinho, resumia o que o Presidente havia feito na semana. O único Presidente que lembro de ter isto era o Figueiredo.

Independente deste programa ter sido uma imposição da ditadura militar em troca da concessão do canal, ou algo parecido com isso, acho que a idéia é bastante válida para implementar no campo pessoal. O pessoal que perde tempo pesquisa organização e otimização do tempo, como técnicas GTD e coisas do tipo, costumam ter algo como “revisão semanal”. Acredito que um tempo dedicado a reflexão do que aconteceu na semana, não apenas as tarefas realizadas, mas as pessoas com quem se conversou e as lições aprendidas, é algo que pode trazer grande conhecimento de si mesmo e acelerar o crescimento pessoal.

Meu texto de retrospectiva dos últimos 15 meses teve bastante repercussão, recebi diversos emails fazendo comentários complementares ou tentando a ajudar a resolver uma ou outra questão comentada. Algumas pessoas escreveram simplesmente para agradecer, por se verem refletidas em algumas das situações descritas. Vou fazer a experiência de algo mais formal, não sei se será toda semana ou se uma revisão mensal já seria o suficiente, mas começa hoje, de maneira oficial:

A Semana do Presidente

Esta semana participei da apresentação de um novo plano de consórcios da Rodobens, logo na segunda-feira. Lançaram um plano para compra de veículos usados, basicamente um consórcio como outro qualquer, já que todo consórcio de veículos, motos ou caminhões pode ser usado para compra de qualquer veículo, novo ou usado. O título na verdade se refere à faixa de valores, entre R$ 12.000 a R$ 24.000, uma faixa ainda não coberta pela Rodobens, que possuía consórcios de menor valor com os consórcios de moto e de maior valor com os de veículos em duas faixas distintas, a partir de 24.000 para o carro mais barato. Então, querendo um consórcio de veículos entre R$ 6.000 a R$ 300.000, pode contar comigo. Lembrando que consórcios de veículos são a melhor maneira de automatizar e otimizar a questão de renovação da frota, seja de apenas um veículo de uso particular, seja de uma empresa com dezenas de veículos rodando diariamente.

Tive algumas frustrações profissionais neste mesmo dia, nada que valha a pena comentar em detalhes, apenas o de sempre, pessoas fazendo patetices sem sentido, criando regras rígidas onde a flexibilidade seria muito mais adequada para elas. Nada que não se resolva rapidamente, mas me impressiona como podem andar para frente tais pessoas. É um passo para frente, dois para trás.

Na terça-feira tenho uma longa página em branco na agenda e na quarta-feira, apesar de ter vários rabiscos, simplesmente não trabalhei. Passei ambos os dias divagando sobre questões existenciais, seja em casa, seja vendo alguns seriados que ainda não tinha posto em dia (a saber, assisto The Mentalist, The Big Bang Theory, Hawaii 5.0, The Game of Thrones e House).

Teria uma reunião importante com uma grande administradora de consórcios (que não é a Rodobens), mas o pessoal que ficou de me ligar para confirmar o horário simplesmente não ligou. Não sei se não vieram a Porto Alegre (falaria com o diretor geral e acionista principal da empresa) ou se arranjaram compromissos mais importantes do que eu. Semana que vem descubro isso.

Também passei um bom tempo pesquisando sobre mochilas, mais especificamente as Goruck, da qual a que mais se adapta ao meu perfil é a Goruck Radio (fica a dica para quem quiser me dar um presente qualquer hora destas). É uma mochila cara, mas feita de cordura 1000D que dura a vida toda e fabricada nos Estados Unidos, com mão de obra americana, coisa que eles explicam exaustivamente no site. A empresa foi fundada por um ex-fuzileiro naval, buscando criar produtos que aguentem qualquer parada. Também a garantia deles é para toda vida, ou seja, se rasgar, raspar, falhar um zíper (YKK made in USA), ou qualquer coisa deste tipo, é só mandar para eles que consertam sem cobrar nada.

Ontem, quinta-feira, o dia foi de grandes questões pessoais. Refleti sobre a mudança para São Paulo, no próximo dia 22, sobre as reformas necessárias no apartamento que compramos no início do ano e onde estamos vivendo desde então e sobre diversas questões mais subjetivas como viagens e a importância que viver novas experiências tem na minha vida.

Quinta-feira também foi um longo dia de trabalho, respondendo diversos emails. A maioria das pessoas não sabe exatamente como eu trabalho, como faço as vendas de novos consórcios para os investidores e interessados em imóveis que atendo ou o que pode ser meu dia a dia. Para ter uma idéia, somente ontem eu respondi emails relativamente longos e bem detalhados para 14 novas pessoas. Estas são pessoas que antes disso, nunca tinham entrado em contato comigo, ou seja, novos amigos que fiz nesta semana. Na segunda-feira, tinha oito novos contatos deste tipo, então foi uma semana relativamente tranquila, onde conheci apenas 22 novas pessoas até agora (vai aumentar, pois já dei uma bisbilhotada nos emails que ainda tenho na caixa de entrada).

Para dar uma idéia mais efetiva, desde o início do ano já conheci e respondi 381 pessoas novas, com as quais ainda não tinha falado pessoalmente ou por email. Conhecer estas novas pessoas é uma das coisas mais legais do meu trabalho. Aprendo muito com a vivência diferenciada de cada um. Além destas, respondi dezenas de pessoas com quem já tinha uma linha de contato prévia. Meus dias profissionais são, basicamente, respondendo emails com dúvidas de possíveis clientes, de investidores que desejam iniciar seus projetos, de pessoas que sonham com a casa própria e precisam de ajuda para encontrar a melhor maneira de realizar isto e de empreendedores que veem minhas realizações pessoais e profissionais e desejam se espelhar em mim para alcançar seu sucesso pessoal. Agradeço todos os dias por poder conhecer e ajudar tanta gente interessante, mas agradeço mais ainda por poder aprender com tanta gente interessante.

***

Então era isso, o formato me lembra um pouco alguns capítulos dos livros do Donald Trump, onde ele descreve uma semana de trabalho dele. No segundo livro em que usou esta técnica, comentou que obteve bastante resposta aos capítulos em que fiz isso pela primeira vez. Nos próximos, penso em ser um pouco mais específico em alguns pontos, com detalhes de tarefas e os resultados esperados. Algumas coisas tem que ficar guardadas enquanto não são lançadas ao mundo, então infelizmente não poderei falar de todos os detalhes de negócios que estão acontecendo, mas vou tentar relatar o máximo possível.

Agora começa um novo dia, para os curiosos de plantão, normalmente como granola com leite e alguma fruta no café da manhã. Caminho 5Km, tomo um banho e começa meu dia profissional. A parte da caminhada vinha sendo deixada para trás nos últimos tempos, mas hoje retomo isto também. Sexta-feira é um dia especial, almoço com os amigos da época da faculdade. Com a mudança para São Paulo, vamos ver se consigo manter isso com os desgarrados que já foram antes de mim.

Retrospectiva dos últimos 15 meses

Este é um daqueles textos que costumo escrever para mim mesmo, sem intenção de publicar. É algo como “meu querido diário”, uma conversa minha comigo mesmo, para reflexão e para quem sabe, lembrar de como eram as coisas alguns ou muitos anos atrás. Só que o ano passado foi um ano de muitas realizações e de muitos desafios pessoais, com coisas boas e ruins acontecendo quase todas as semanas. Anos assim são bons, pois saímos da rotina, e saindo da rotina, aprendemos. Enviei este texto em diversas versões, algumas mais acabadas, outras menos, para alguns amigos mais próximos. Todos falaram o mesmo: publica, que mais pessoas podem aproveitar ou aprender alguma coisa com estas experiências. Então aqui está, um breve relato do que aconteceu na minha vida nos últimos 15 meses, com comentários sobre os fatos e algumas coisas que já destilei de aprendizado. Espero que a leitura seja útil para você, como foi para mim o fato de ter escrito isso.

***

O ano de 2011 foi bastante intenso para mim. Há anos sonhava em morar no Silicon Valley, na California.. Sonhava viver onde toda a história da tecnologia acontece. Finalmente, depois de anos de espera e prorrogações sem fim, estava decidido a viver esta aventura. Iria morar lá durante seis meses, sem grandes planos prévios. Era viajar e viver um dia após o outro, com todas as descobertas e desafios que isso me traria. Iria com minha esposa, que não via a aventura com a mesma expectativa que eu, mas que sabia o quanto isso era importante para mim e meu desenvolvimento pessoal. No final, aconteceu tudo diferente e ela se divertiu bastante, mas chego nestes detalhes em breve.

***

Esse negócio de morar no Silicon Valley era como a história do Jeep que comprei (dois, um azul e um prata). Sempre havia sonhado em ter um Jeep antigo, até que um dia comprei. Foram duas felicidades, a de comprar e a de vender poucos meses depois. Não nasci para isso, mas descobri da minha maneira, na prática. Com a Harley-Davidson foi diferente, experimentei e gostei muito, tive duas Harleys. Vendi porque cada coisa tem seu momento para acontecer, e no caso das motos, o momento foi e não é mais agora. Certamente voltarei a ter uma Harley no futuro não muito distante.

***

Bom, falei que 2011 foi um ano intenso. A viagem para os Estados Unidos estava marcada para março. No meio de fevereiro, no entanto, um convite completamente inesperado chega no meu email. Um amigo, investidor da minha empresa de consórcios imobiliários que morava no Japão, pergunta se não gostaria de ir visitá-lo na Terra do Sol Nascente para explicar o investimento em consórcios e desenhar um plano de aposentadoria para dekasseguis que moram e trabalham lá com o objetivo de voltar ao Brasil com condições de viver uma vida digna com o patrimônio que conseguem construir com o que ganham lá. Naturalmente disse que adoraria conhecer o Japão e conhecer todos pessoalmente. Falei da minha viagem para os Estados Unidos e disse que estando lá, seria até mesmo mais fácil, pois estaria mais próximo do Japão. Perguntei quando ele gostaria que eu fosse e a resposta me pegou de surpresa: se possível, antes de ir aos Estados Unidos.

Mandei um email para outro amigo, agente de viagens, perguntando sobre os custos e possibilidades de passagem para o Japão nas datas estimadas. Ele não apenas me mandou os valores, mas fez um pouco mais, fez as reservas. Se realmente quisesse viajar, bastava avisar que ele confirmaria as passagens. Mais alguns emails e telefonemas e estava tudo certo, eu e minha esposa embarcaríamos para o Japão em menos de uma semana, para ficar por lá durante vinte dias. Prorrogamos as passagens para os Estados Unidos para duas semanas depois da nossa volta e uns dias depois iniciamos nossa jornada para o outro lado do planeta.

Viagem maravilhosa, pessoas incríveis, histórias de vida que me tocaram e me fizeram conhecer uma nova realidade. Agradeço muito por poder ter tido as experiências que tive enquanto estive por lá. Escrevi sobre a experiência em textos anteriores a este.

Saímos do Japão poucas horas antes do tsunami e terremotos que atingiram a ilha. Estávamos voando quando a tragédia estava acontecendo. Muita sorte. Se a tragédia acontecesse poucas horas antes, não teríamos conseguido partir.

***

Ao voltar do Japão e preparar a ida para os Estados Unidos, problemas. Minha sogra teve algo em um dos olhos que ficou “cego”. Como isso era acompanhado de enxaquecas, a preocupação com algo mais sério no cérebro foi algo que cogitamos. Exames e mais exames não identificavam o problema e com isto acontecendo, naturalmente prorrogamos a viagem uma segunda vez. E ainda uma terceira vez, até descobrirmos o que havia com ela.

Algumas semanas depois, com direito a internação hospitalar para observação e toda a preocupação que isso implica, finalmente descobriram o que havia de errado e como tratar o problema. Com a situação sob controle, voltamos ao plano da viagem. Partimos dia 27 de maio.

***

Morávamos em um apartamento enorme em um bairro maravilhoso da cidade. Compramos bem, pagamos barato. Na época era um passo muito maior que a perna e a justificativa maior para a compra foi para ajudar a tapar um pouco o buraco emocional enorme causado pela perda do meu cunhado para um câncer, com apenas 29 anos de idade. O impacto disto para minha esposa e minha sogra não pode ser descrito com palavras. Alguma coisa boa precisava acontecer naquele ano, naquele mês, e este passo enorme na compra de um apartamento maravilhoso, mas que não sabíamos como pagar foi o que fiz, sem pensar muito nas consequências futuras. Isso aconteceu em 2008.

Passo dado, felizmente as coisas deram certo, os negócios prosperaram e tudo acabou bem. Ou quase. O apartamento era bastante antigo e nunca havia sido reformado. Sistematicamente cada pedaço do apartamento começou a entrar em colapso, culminando com os encanamentos que nos levaram, nas semanas que antecediam a mudança para o Silicon Valley, a fechar os registros e ficar sem água quente nos banheiros principais. Tivemos que reativar o banheiro da área de serviço, que havia se transformado em uma pequena despensa, comprando um chuveiro elétrico e adaptando uma espécie de cortina no local onde ficava a porta, que havia sido retirada anos antes, logo que nos mudamos para lá.

Havíamos colocado o apartamento a venda muito tempo antes, quando ainda pensávamos que poderia não ser possível bancar o custo do mesmo. Além disso, como compramos bem, havia a possibilidade de ter um bom lucro com ele, nos permitindo dar outros passos mais adiante. Dois anos se passaram e muitas ofertas vieram, mas gostávamos de lá, e com as coisas dando certo nos negócios e o pagamento do apartamento não sendo mais problema, uma venda só seria feita se tivéssemos um bom lucro no negócio. Com os problemas que começaram a acontecer, já estávamos propensos a aceitar ofertas menores do que estávamos pedindo, para não precisar passar pelas reformas que teriam que ser feitas se fôssemos continuar lá. Ofertas vieram e vendas deixavam de ser concluídas por detalhes irrelevantes. Era como se não fosse para vender o apartamento naquele momento e naquelas condições.

Fechamos tudo e fomos para os Estados Unidos. Como uma das negociações havia sido praticamente concluída, com a compradora desistindo na última hora, já havíamos até mesmo nos desfeito de alguns móveis maiores e encaixotado todos nossos objetos pessoais. Nossos pais ficaram com as chaves para qualquer emergência enquanto estivéssemos fora e algumas imobiliárias continuariam marcando visitas na nossa ausência.

***

Os três meses nos Estados Unidos foram fantásticos. Completamente diferentes do que havíamos “não planejado”. A idéia original era alugar um apartamento pequeno e ter uma base no Silicon Valley para viver o dia a dia da região. No final das contas acabamos morando em hotéis o tempo todo, tendo mais flexibilidade, viajando mais e conhecendo mais locais do que o previamente imaginado. Até o Hawaii, nunca pensado antes de sairmos do Brasil, ganhou nove dias de nossa presença.

Foram três meses no total, intercalando meu trabalho no Brasil com os consórcios e investimentos imobiliários executado através da internet, passeios nos momentos em que o fuso horário não permitia o trabalho no Brasil, e viagens por outras cidades e estados, incluindo Reno, Lake Tahoe, Grand Canyon, Las Vegas, San Diego, Los Angeles, Santa Barbara, San Simeon e o Hearst Castle, Carmel e Monterey, Santa Cruz, Half Moon Bay e o Ritz-Carlton, Berkeley, Emeryville e a sede da Pixar, voltando ao coração do Silicon Valley com Sunnyvale, Mountain View, Palo Alto, Santa Clara e San Jose, não esquecendo, claro, de San Francisco, onde assistimos não apenas a ópera O Anel do Nibelungo, de Richard Wagner, mas também a famosa Parada Gay, para finalmente embarcar rumo ao Hawaii e então voltar para o Brasil. Um período sabático relativamente curto, mas bastante bem aproveitado. Tendo curiosidade sobre a viagem, publicamos os detalhes em um blog exclusivo para isso em http://viagemperuzzo.blogspot.com.br/

***

O Hawaii é simplesmente fantástico. Eu, que não sou dos maiores fãs de praia, simplesmente amei tudo por lá. Foi o único lugar em que realmente tirei férias de verdade, daquelas de não fazer nada, cercado pela beleza mais deslumbrante que poderia haver e com a civilização e todos os seus confortos sempre a disposição. Os mesmos shopping centers e lojas encontrados em todo lugar nos Estados Unidos estão presentes também no Hawaii.

O povo local é absolutamente amável, adorando sua cultura e sua história. Andando na rua, mais de uma vez fomos abordados por locais que perguntavam se estávamos gostando da ilha, se já tínhamos visto isso ou aquilo, dando orientações de como chegar nos melhores locais. E da mesma forma que nos abordavam para conversar, se despediam e seguiam seu rumo, sem tentar nos vender coisa alguma, simplesmente felizes de poder indicar algo interessante para conhecermos.

Os turistas no Hawaii são em sua absoluta maioria japoneses. A viagem do Japão para o Hawaii é de 7 horas. Da Califórnia para lá é de 5 horas, então em termos de distância, não é essa a explicação para tal invasão nipônica. O fato é que tudo lá possui indicação em japonês junto com as orientações em inglês. Em alguns locais há somente indicações em japonês. Dos hábitos curiosos dos turistas japoneses o mais “diferente” dos nossos é o fato de irem para praia completamente cobertos, com mangas compridas, calças compridas, muitas vezes blusas com capuz cobrindo a cabeça e sempre com toalhas ou algo protegendo a pele não coberta por roupas do sol.

Pensando em um lugar onde o clima é sempre bom, o povo amável, há diversas opções de lazer e a beleza natural é indescritível, não conheço lugar melhor que o Hawaii para uma temporada espetacular.

***

Certas coisas não deveriam acontecer, mas infelizmente acontecem, e nos pegam completamente desprevenidos, nos deixando sem ação. Aquela frase de que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, MENTIRA! Ainda estávamos nos Estados Unidos quando veio a notícia: minha prima, com pouco mais de 40 anos, teve detectado um câncer. Faleceu em 62 dias, logo após termos voltado. Já ter passado por isto uma vez não nos prepara para repetir a dose. Tudo é revisto quando nos damos conta de como é frágil a linha que nos mantém aqui. Falei sobre isso em um vídeo que publiquei logo após o acontecido.

***

Voltamos ao Brasil dia 31 de agosto. Assinamos a venda do apartamento dia primeiro de setembro pelo valor que estávamos pedindo originalmente, sem choro, sem descontos. O lucro com este negócio foi o rendimento do valor que havíamos pago pelo imóvel, mais o fato de termos morado “de graça” ao longo dos três anos em que ficamos lá. O comprador também fez um excelente negócio, por isso não pechinchou. Comprou um apartamento gigantesco na melhor região da cidade por um valor ínfimo perto do que estava sendo pedido por apartamentos semelhantes. Só viríamos a descobrir isso depois de ter assinado a venda…

Vendemos, mas não tínhamos onde morar. Hora de procurar um novo apartamento. E aí é que estava o problema, os preços, nos meses em que estivemos fora, simplesmente dispararam de maneira fora do comum. Não havia mais imóveis na faixa de valores que tínhamos a disposição. Todos que procuramos e olhamos eram absurdamente piores do que o nosso antigo apartamento. E todos muito mais caros! Um início de depressão começou a se instalar em nós. Tínhamos prazo para entregar o apartamento e uma pequena esperança de encontrar algum lugar para morar antes da próxima viagem já marcada, para Cancun e Miami como prêmio da Rodobens pela performance em vendas durante o ano.

Perdidos entre procurar apartamentos para comprar ou alugar, acabamos não achando nem um nem outro. Na última hora conseguimos uma solução paliativa, com amigos/parentes que recém haviam comprado um apartamento novo e não iriam se mudar imediatamente, nos disponibilizando o mesmo em um aluguel direto, sem contratos longos, por apenas dois meses que imaginávamos ser suficientes para conseguir finalmente achar um apartamento adequado para comprar. Oferecemos o dobro do que custaria o aluguel lá, mais ou menos o que custaria para alugar um apartamento muito maior, com o dobro do espaço, mas a conveniência de não ter um contrato de longa duração valia a pena o custo maior.

Se arrependimento matasse… E falo isso sobre a venda do apartamento enorme e do aluguel caro e por pouco tempo do apartamentinho novo. Em ambos casos desobedeci minhas próprias regras, de não me desfazer de patrimônio já conquistado e de não pagar mais do que valem as coisas (no caso do aluguel).

***

Sair de 162 metros quadrados para apenas 49 é complicado. Mais complicado é mudar para um apartamento que ainda não havia sido completamente entregue. Não havia pia na cozinha, então tínhamos o tanque para lavar a louça. Não havia espaço para nossos móveis, muito grandes para o novo espaço. Conseguimos a garagem de um amigo para deixar sofás, armários e outros móveis grandes. Tínhamos todas nossas caixas ocupando o quarto maior do apartamento, sem espaço para circular no mesmo. No quarto menor coube nossa cama de casal, sobrando 20 cm de cada lado. Não havia espaço para fechar a porta, pois a cama trancava o curso da mesma.

Não tínhamos fogão. O gás neste prédio novo vem direto do gasoduto, uma novidade em Porto Alegre. O fogão precisava de uma adaptação para funcionar com a menor pressão do gás natural que vem desta forma. A Sulgas, empresa responsável pela comercialização, faz esta adaptação sem custos, mas apenas com dia e hora marcados previamente. Somente em um dia da semana, marcado na semana anterior. Com a viagem para Cancun e Miami no meio deste período, se fizéssemos a adaptação, seria para apenas duas semanas, tendo que desfazer depois, com custo, quando desocupássemos o apartamento. Aprendemos a cozinhar com uma panela/grill elétrico, a usar mais o forno de microondas e a comer fora com maior regularidade.

Algumas semanas depois o pessoal que iria entregar os móveis da cozinha, área de serviço e banheiro foram lá instalar tudo. Retiraram o tanque original que estava nos servindo de pia para instalar o armário onde ficaria um tanque de alumínio. Retiraram a pia do banheiro e instalaram o armário lá. Neste momento não tínhamos mais tanque, nem pia da cozinha, que nunca havíamos tido, nem pia no banheiro. Sem o tampo de pedra dos móveis, adaptei a pia solta que haviam deixado no banheiro com a torneira que havia sobrado da pia antiga que haviam levado embora.. Então nossa vida agora dependia de uma pia bamba no banheiro para escovar os dentes, e também para lavar a louça.

Quando chegou a vez de entregar o tampo de pedra das pias e do tanque, mais um problema. O local onde ficava a máquina de lavar teria uma bancada de pedra no lugar da máquina. Os proprietários pretendiam comprar uma máquina de lavar com porta frontal e a nossa era com abertura superior. No final das contas um cano que deveria ficar abaixo de onde seria instalada a bancada estava acima da mesma, tendo que quebrar a parede e refazer a posição. Isso ficou para depois da nossa saída, então ainda tínhamos a máquina de lavar roupas funcionando.

A situação estava complicada. Não dá para esquecer que junto de toda esta bagunça nas rotinas do dia a dia, também estávamos sem acesso decente à internet. Não havia como contratar a internet que queríamos no bairro onde estávamos e a que não queríamos, mas que resolveria a situação paliativamente, tinha um contrato de dois anos que não fazia sentido assinarmos.

Complicava ainda o fato de não estarmos encontrando um apartamento para comprar com o valor que havíamos recebido pela venda do nosso. Sei que tudo que sobe, uma hora desce, ou ao menos deixa de subir e o dinheiro investido alcança o valor mais cedo ou mais tarde, mas a situação estava emocionalmente complicada. E com emoção, não há razão que resolva.

Foi um período complicado. Mesmo.

***

Mais um ano como representante categoria Diamante na Rodobens e mais uma vez, uma viagem internacional para a convenção anual de premiação. Em 2010 havia sido Paris, 2011 era Cancun e Miami. Viajar no meio da bagunça que estava nossa vida pessoal não foi o melhor momento, mas lá fomos nós mesmo assim. Seria interessante conhecer um lugar que todos falavam bem e no fundo queríamos ver se encontrávamos uma alternativa de praia tão boa, mas mais próxima do que o Hawaii.

Cancun tem águas lindas e quentes, mas não conseguimos conhecer direito as coisas por lá. Em parte, tínhamos a programação da Rodobens a nos tomar algum tempo, afinal era um misto de prêmio com trabalho, mas o maior problema foi o clima não ter ajudado. Mudanças climáticas enormes fizeram um furacão passar por lá justamente no dia que teríamos livre, com direito a quartos alagados e tudo mais. Ficamos presos no hotel, com o exército na praia impedindo a circulação. No dia seguinte, tudo tranquilo, como se não houvesse havido nada, mas aí eu estava com uma dor de cabeça insuportável e fiquei dormindo no quarto do hotel. Dia perdido. De noite fomos ao restaurante Pericos, um restaurante com show local onde o próprio lugar é todo decorado com as famosas caveiras mexicanas, muitas cores e muita diversão. Temos que voltar, mas com mais tempo e com clima melhor.

Miami continua sendo Miami, um pedaço da América Latina encravado nos Estados Unidos. Pegamos dois dias de chuva, um deles inteiro dentro de um shopping center. Bom para a maioria dos representantes da Rodobens que estavam conosco nesta etapa da viagem, mas para nós, que vamos seguido para os USA e de onde havíamos acabado de voltar havia poucos meses antes, foi uma enorme perda de tempo. Valeu a pena a ida para Miami por ter conseguido achar e comprar o aparelho APAP que precisava para tratar minha apnéia do sono.

***

Depois de visitar inúmeros apartamentos e descartar muitos mais diretamente pelas descrições das imobiliárias, finalmente colocamos os olhos no apartamento dos nossos sonhos pelo valor correto. Trocamos o espaço físico que tínhamos no apartamento antigo por uma estrutura de condomínio (piscinas, salão de festas, sala de ginástica, bosque, quadra de tênis, etc.). Permanecemos no mesmo bairro, a duas quadras de onde morávamos. Trocamos um segundo andar com vista para a rua e posição solar mediana por um oitavo andar com a melhor posição solar possível e uma vista simplesmente deslumbrante da cidade. A disposição das peças é ótima, perfeita para nossas necessidades. Simplesmente encontramos o apartamento que nos servirá tranquilamente pelos próximos anos, incluindo aí os filhos que pretendemos ter e todo o espaço para eles e crescerem com segurança e tranquilidade.

O parágrafo anterior foi escrito no final de 2011, logo após a compra do apartamento, ainda animados com o achado. Escrevo este parágrafo em abril de 2012, instalados aqui desde 28 de dezembro de 2011, mas ainda “acampando”, sem ter feito a reforma que gostaríamos, por ainda estar decidindo detalhes da futura decoração. As coisas estão bem complicadas ainda, emocionalmente falando. Parece que ainda não nos encontramos em relação às coisas. Estamos numa espécie de limbo emocional desde a venda do apartamento antigo. Espero que a reforma resolva esta questão.

***

Foram muitos os sinais que recebemos indicando a necessidade de venda do apartamento em que estávamos. Apesar de grande, não estávamos completos ou tranquilos lá. Era ótimo, mas parecia não ser o local certo para nós. Com a venda e então a busca por alternativas, e a sequência de frustrações em encontrar algo que nos atendesse por valores factíveis, veio o medo de que tivéssemos feito o melhor negócio financeiro de nossas vidas, mas ao mesmo tempo, o pior negócio possível para o futuro da nossa família. A leve depressão que estava começando logo depois da venda do apartamento e a onda de imóveis fora das nossas possibilidades, potencializada com a mudança para a situação de “acampamento” do apartamento provisório que conseguimos estava começando a tornar a vida bastante insuportável.

Agora, com as coisas se normalizando, com o novo apartamento já comprado, faltando apenas alguns dias para nossa mudança para o novo lar e a tranquilidade voltando às nossas vidas, fico até um pouco envergonhado de escrever isso, porque penso: como posso entrar em depressão com alguma reserva de dinheiro no banco, os negócios e empresas andando bem, saúde em ordem e uma vida inteira pela frente? A questão é que nossa mente é algo que não sei explicar, e o fato é que a depressão, que neste momento já me parece completamente ridícula, há poucos dias atrás parecia o fim do mundo e o início de uma vida de privações sem fim, onde iríamos cada vez mais para o fim do poço.

Não sou ingênuo nem alienado, sei dos problemas do mundo, sei das dificuldades imensas que a absoluta maioria da população passa. Sei que gente passa fome, vive nas ruas. A idéia de ficar deprimido por “não ter onde morar”, podendo alugar qualquer imóvel com um estalar de dedos, agora me parece ridícula. Ainda assim, é exatamente desta maneira que estava me sentindo, deprimido, como se o mundo fosse acabar para minha família se a situação perdurasse por mais tempo.

Como li ainda hoje no twitter: “minha filha, pobre não tem direito a depressão, para poder ter direito a ficar deprimida tu tens que ganhar muito mais.”

No final das contas, esta situação toda serviu como um toque de humildade e empatia com algumas pessoas que me escrevem. Estando fora da situação que elas estão vivendo, muitas vezes penso: “como é que podem estar deprimidas, não vêem que não há motivos para isso, que as coisas podem estar um pouco piores do que estavam, mas em breve se resolverão. E que se não voltarem a ser tão boas como eram, ainda assim são completamente aceitáveis, sem dramas, afinal, têm um teto sobre suas cabeças, um emprego que paga as contas e um futuro inteiro pela frente”. E no final, vivendo algo do tipo, lá estava eu, deprimido com uma situação muitas e muitas vezes melhor do que a que eu mesmo vivia há poucos anos atrás.

Que esta experiência me deixe isso de lição: “não julgar nunca como os outros podem estar se sentindo, o que parece patético para nós pode ser bastante sério para quem está no meio do furacão, hoje eu sei disso, senti na minha própria pele.”

E que me deixe ainda a outra lição importante: nada é definitivo, tudo se resolve, mais cedo ou mais tarde, de uma forma ou de outra. Pode não voltar imediatamente ao mesmo patamar onde estávamos, mas as vezes, é preciso dar um passo para trás para então poder dar dois para frente.

Há quatro anos atrás eu tinha cinco vezes menos patrimônio do que tenho hoje, e a vida estava fantástica, cheia de possibilidades. Meu EU daquela época deve estar rolando de rir de mim agora. E deve estar me xingando muito, porque vou te contar, olha para a situação, coloca as coisas no papel, compara com alguns anos atrás. Um tombinho por um negócio aparentemente errado não pode tirar uma pessoa do prumo como me tirou nestas últimas semanas. E pior, com a compra do novo apartamento, não houve nem tombo nem tombinho, pelo contrário, houve uma evolução na vida, nas possibilidades e nas felicidades que estão por vir. Desculpa Fabrício de hoje, mas o Fabrício de quatro anos atrás com certeza está rindo de ti até agora. Isto é patético.

***

Como escrevi no início, não tinha a intenção de publicar este texto, mas foi bom escrever tudo isso. Me ajudou a colocar as coisas novamente em perspectiva. Então publico para servir como exemplo de que viver é estar constantemente passando por experiências novas. E quando estas experiências parecem não ser as melhores, que este texto ajude a vislumbrar que dias melhores virão. Nunca acaba enquanto não termina. E só termina quando dizemos que terminou.

Sou feliz, e os momentos difíceis servem para testar a força que não sabemos ter até precisar contar com a energia que possuímos lá dentro de cada um de nós. Vencemos mais uma batalha. Na próxima, estaremos mais sábios e mais preparados.

Este foi meu ano de 2011. Como foi o seu?

***

Continuo a escrever em abril de 2012. Os três primeiros anos foram bagunçados emocionalmente, as coisas ainda não estão bem resolvidas e a reforma que precisamos fazer no apartamento não está acontecendo ainda. Indecisões, indecisões. É o problema de ter muitas possibilidades, todas igualmente boas. A dor da escolha…

***

Já nos negócios, os dois últimos meses foram os melhores que já tive em toda a história da Megacombo e de qualquer outra empresa que já possuí. Vendi três vezes mais do que minha média mensal, durante dois meses seguidos, com tendência a continuar assim ou até melhorar. Em paralelo a isso, tenho um projeto de negócio que pode alçar a vida a vôos ainda mais altos, muito mais altos. As coisas estão realmente muito boas na vida profissional. Deve ser aquela coisa de equilíbrio, de depois da tempestade vir a bonança…

***

No próximo dia 22 mudamos para São Paulo. O apartamento em Porto Alegre permanece conosco, claro. Não cometeremos a mesma burrice de vender antes de termos outro, ou melhor, não nos desfazemos mais de patrimônio, só acrescentamos, sem tirar. Mas voltando para o assunto São Paulo… Nos mudaremos para testar algumas possibilidades comerciais. Tenho o projeto de negócio que citei antes, tenho os negócios com investimentos imobiliários e com investimento em consórcio que são minha especialidade, enfim, faremos um período sabático de pelo menos três meses, sem prazo definido para concluir, para ver como as coisas se comportam.

Em outras vidas devemos ter sido ciganos, porque vai gostar de mudanças assim sei lá onde… Como digo, cada mudança, cada nova experiência em que nos colocamos, mais temos a aprender. Mesmo as experiências ruins, talvez até mais estas, tem muito a nos ensinar.

***

Era isso. Se você leu até aqui, parabéns pela paciência. Espero que este texto possa ter ajudado em algo. Obrigado pela atenção.

Quanto custa uma furadeira?

Drill

Recentemente mudamos de um apartamento de 162 m² para outro de apenas 49 m². A mudança é temporária, apenas enquanto não compramos um novo apartamento, menor do que o que tínhamos, mas maior do que estamos neste momento. O importante é que a adaptação ao novo espaço é real, e vindo do espaço que tínhamos antes, um pouco complicada. Pelo menos durante os dois meses previstos morando neste pequeno apartamento, uma série de coisas que tinhamos como certas deixaram de existir. Como iremos ficar aqui apenas neste período de transição, não temos acesso à maioria das nossas coisas, tudo está encaixotado e empilhado em um dos quartos (o maior), enquanto nossa cama ocupa o quarto menor. A sala está mais ou menos arrumada, apesar das caixas empilhadas em um canto, mas devidamente disfarçadas com uma cortina que as cobrem.

Apesar de alguns probleminhas de adaptação principalmente devido à pressa com que fizemos a mudança, a situação não está tão ruim assim. A falta de uma pia na cozinha incomoda um pouco, mas nos viramos bem lavando a louça no tanque, que só é usado para isso, já que temos a máquina de lavar roupa já instalada. Uma vantagem de não ter pia na cozinha é justamente não deixarmos louça suja acumulando. Estamos muito mais ágeis no ato de usar copos, pratos e talheres e lavar tudo logo a seguir. Só para explicar, estamos sem pia na cozinha porque pegamos este apartamento na urgência, sem dar tempo do proprietário preparar tudo adequadamente. O marceneiro está fazendo o balcão e tudo ficará ótimo, mas quando isso acontecer já não estaremos aqui. Também estamos sem fogão. O novo prédio é mais moderno, usa gás natural encanado, então é necessário adaptar o fogão para o novo sistema. A companhia de gás faz isso sem custos, mas as visitas são marcadas apenas para as sextas-feiras, e estaremos viajando nas próximas três sextas-feiras. Resultado, só conseguiremos fazer a conversão três semanas antes de sairmos daqui, quando então teremos que desfazer tudo, desta vez com algum custo.

Com mais um dormitório e alguns móveis adaptados ao nosso estilo de vida provavelmente viveríamos com conforto, mesmo em um espaço relativamente pequeno. Devido ao fato de tanto eu quanto minha esposa trabalharmos em casa, precisamos de um pouco mais de espaço do que a média das famílias. Precisamos ao menos de um quarto extra para um escritório compartilhado entre nós. E foi então que me veio o estalo, talvez comparando com as residências norte-americanas que vimos durante toda nossa viagem aos USA alguns meses atrás e com as dezenas de garage sales que presenciamos nestes rápidos três meses que passamos por lá. As casas lá eram imensas. E as garagens, quando as víamos abertas, entulhadas até o teto.

Uma furadeira custa muito caro! Um serrote, mais caro ainda. Caixas de ferramentas idem. Não, não é que estes objetos em sí custem muito caro, mas sim o fato de possuir os mesmos. Ter uma furadeira que usaremos, sei lá, vinte vezes ao longo de uma vida, implica em ter espaço para guardá-la durante toda essa vida. Claro que é caro chamar um técnico toda vez que desejamos prender algo na parede, mas certamente é muito mais barato que precisar comprar um apartamento maior apenas para guardar as tralhas que usaremos muito pouco para justificar sua propriedade. Só que o cálculo que fazemos é simplório, pensamos em quanto custa uma furadeira simplesmente olhando o preço dela na loja. E aí, claro que é muito mais barata do que o custo de chamar alguém para fazer uma instalação simples em nossa casa. Objetos como esse são produzidos em massa, custam quase nada hoje em dia. Pessoas e seu tempo para nos atender por outro lado, custam caro. E então, pensando desta maneira, vamos até a loja e compramos a furadeira. E agora, precisamos de um apartamento maior para ter lugar para guarda-la.

Faça um levantamento rápido de tudo que você tem em casa que não foi usado nos últimos seis meses. Pode apostar que muitas coisas estarão nesta lista, inclusive sua furadeira. Meu exercício nos próximos meses será o de simplificação. Pode ser que isso seja reflexo de eu estar lendo muitos textos sobre minimalismo ultimamente, ou pode ser devido ao fato de ter morado três meses em quartos de hotéis enquanto viajávamos pelos USA, mas a questão é que a quantidade de coisas que carrego ao longo da vida tem, cada dia mais, me incomodado bastante. Ainda há muitas pequenas coisas que possuem valor sentimental, e destas não pretendo me desfazer, mas das que são apenas tralhas, coisas que guardo pensando que “um dia posso precisar”, destas pretendo ir aos poucos me desfazendo.

Ênfase nas pessoas, não nas coisas. Mais experiências de vida, menos tralhas para carregar. Pode ser só a crise dos 40 chegando mais cedo, conto mais a medida em que as coisas se desenvolverem.

Hoje eu decido viver bem

Hoje eu decido viver bem, link para o vídeo no YouTube.

Ontem entramos na primavera. Foi um dia cinza aqui em Porto Alegre. Perdi uma prima, 40 anos, vítima de um câncer descoberto há dois meses. Ainda não me caiu direito a ficha, foi tudo muito rápido, estava viajando quando foi dado o diagnóstico.

Não tinha contato frequente com esta prima. A última vez que nos vimos fazia quase um ano, no aniversário do nosso tio. O laço de sangue familiar e uma infância e adolescência cheias de histórias juntos nos mantinha ligados, com aquele carinho que não acaba mesmo ficando muito tempo sem nos ver.

Há três anos minha esposa perdeu o irmão, 29 anos, recém formado em educação física, também para um câncer descoberto poucos meses antes.

Entre uma perda e outra, um amigo liga para dar a triste notícia do falecimento do filho, atropelado por um ônibus.

O que há em comum nestas três histórias tristes é que vemos quebrado o ciclo natural da vida. O que temos como normal é nascer, crescer, envelhecer e morrer. A quebra desta ordem natural das coisas nos deixa sem chão, não faz sentido.

Não faz sentido, mas pode acontecer a qualquer momento. E então nos damos conta de como é tênue nossa permanência no planeta. Dependemos das nossas escolhas, mas também de infinitos fatores sobre os quais não temos nenhum controle.

Por tudo isso, hoje eu decido viver bem. Decido ser feliz, de dentro para fora. Se alguém mal humorado me destratar na rua, é com ele que o mau humor está. Se me cortarem no trânsito, lamentarei que tenham pressa e não tenham saído mais cedo, mas não ficarei irritado. As más atitudes dos outros não devem afetar o meu humor. Depende apenas de mim escolher como passarei o dia.

Não temos controle sobre tudo, mas sobre o que temos controle, só depende de nós decidir. Então hoje, amanhã e nos próximos dias, eu decido viver bem. E quando eventualmente acordar mal, chateado ou com algum problema, vou me lembrar destas palavras e ficarei bem. Pois pelo menos isso eu sei que posso controlar em minha vida.

Há um senso de urgência, um reloginho fazendo tique-taque, que não sabemos quando irá parar. Depende somente de nós o equilíbrio das peças que temos para viver o melhor que pudermos.

Hoje eu decido viver bem. E lhe desejo um ótimo dia e um futuro cheio de paz e tranquilidade.

Obrigado.

A disponibilidade é uma moeda que paga excelentes dividendos

Ontem, enquanto passeava pelo El Camino Real aqui em Mountain View, cruzei com a Lamborghini aí da foto. Gosto de carros esportivos e quando tenho a chance, gosto de fotografá-los. Esta foto só foi possível porque estava com minha máquina fotográfica, claro, mas o que as pessoas que veem esta foto não sabem é da conversa que aconteceu um pouco antes de sairmos (minha esposa e eu):

– Para que a máquina? Só vamos caminhar até o mercado – Pergunta minha esposa.
– Nunca se sabe que oportunidades surgirão. E quero brincar com minha lente nova – respondi.

Conscientemente escolhi carregar um peso aparentemente desnecessário para ir até o supermercado, pois queria ter a disponibilidade da máquina para qualquer oportunidade fotográfica. Tirei outras fotos no passeio, de um fusca conversível amarelo e de outras coisinhas quaisquer, mas o importante é que não levei simplesmente a máquina para passear pendurada a tiracolo (nota *1), levei a máquina sem a tampa da lente, ligada, pronta para fotografar sem perda de tempo. Ela estava completamente disponível para a função.

Sobre disponibilidade ainda, depois de fotografar a Lamborghini me dei por satisfeito com o passeio da tarde. Desliguei a máquina, virei o para-sol para dentro, coloquei a tampa na lente. Uma quadra depois vemos quatro carros de polícia trancando a rua, vários policiais, um carro batido sendo guinchado, o primeiro acidente que vimos na região, porque do jeito que as pessoas andam aqui, não sei como acidentes ainda podem acontecer. O fato é que acontecem, e como não estava com a máquina tão disponível quanto antes, você vai ter que ficar apenas com minha descrição da cena, já que não a fotografei 🙂

Está sem vontade de sair?

Voltando um pouco ao tópico do meu artigo anterior, Como arranjar um bom marido, para a vida social vale a mesma regra. Você só terá a chance de encontrar uma pessoa legal para compartilhar a vida, se estiver disponível nos locais onde tenha maiores chances de cruzar com pessoas legais. Ficar em casa não fará um Príncipe Encantado se materializar no meio da sua sala. Então, mãos à obra, disponibilize-se.

E nos negócios e empreendedorismo?

Tem aquele ditado que diz: “Quem trabalha muito não tem tempo para ganhar dinheiro”. Acredito nisso. Trabalhar é importante, mas a escolha das atividades realizadas pode ser ainda mais importante no seu crescimento profissional. Fazer hora extra no serviço para dar conta de tarefas atrasadas, ou participar daquele evento onde você poderá fechar um excelente negócio, ou conhecer um futuro parceiro comercial? Se você não estiver disponível para atividades que o coloquem em contato com coisas diferentes do que seu dia a dia, como poderá mudar sua situação atual? Supondo, claro, que você deseje crescer na vida, não ficando somente no degrau em que já se encontra.

Quando receber aquele convite para um café, disponibilize-se. Vá, ouça, palpite, troque idéias. Eu recebo uma série de convites deste tipo, muitas vezes de jovens empreendedores que ficam admirados que eu, do alto da posição em que eles próprios me colocam, esteja disponível para um papo informal com “um guri que não tem nada para oferecer em troca”. Foi em um papo destes que conheci muitas pessoas interessantes, hoje amigos e parceiros de negócios.

Então deixo a questão: você está se tornando disponível, com regularidade e constância, para as coisas boas que podem acontecer em sua vida? Ou está em casa ou no trabalho, simplesmente afundado na rotina ou na preguiça? Aguardo seus comentários aqui no site.

Notas:

*1. Comprei uma faixa Black Rapid, fantástica para carregar uma máquina fotográfica grande com conforto e mantê-la sempre pronta para levantar e fotografar. A minha é a RS-4, mais simples, pois não tinha a RS-7 indicada a seguir quando a comprei. Todas são igualmente ótimas. Compre a sua na Amazon: Black Rapid Strap RS7 Black Fabric, Curved Ergonomic, with ConnectR-2 and FastenR-3

Um dia na vida

Fabricio no Lake TahoeMinha rotina mudou um pouco nos últimos meses, e achei que seria interessante escrever um post “um dia na vida” para contar como se parece um dia do meu tempo (pelo menos neste momento), ao menos para dar um noção do que tem minha atenção, em que estou trabalhando, em que projetos estou envolvido, e como isto pode ou não se relacionar com você. Claro que todos temos nosso próprio ritmo, então não há sentido em comparações, mas de toda forma, as vezes é divertivo olhar por trás das cortinas, não?

Manhãs

Quem convive debaixo do meu teto sabe que tenho um certo “ritual matinal”, mas deixando os detalhes de lado, levo aproximadamente uma hora para estar pronto para o dia, contando nisto o café da manhã, o banho e uma primeira passada de olhos nos emails, onde apago os spams que o filtro do gmail deixou passar e os emails que não exigem resposta.

Quando estou em casa, costumo fazer uma caminhada de uma hora no meio deste ritual, antes do banho, claro. Também costumo lavar a louça do dia anterior quando volto da caminhada, numa espécie de meditação.

Nestes meses em que estamos viajando pelos Estados Unidos, esta rotina foi alterada em parte. Não tenho feito a caminhada, substituída por tudo que caminhamos durante as tardes. Além disso, devido a diferença de horários entre Brasil e Califórnia (estou com 4 horas a menos) tenho acordado mais cedo para atender aos telefonemas do Brasil, usando VoIP. Então basicamente as manhãs são dedicadas a atender aos clientes do Brasil, respondendo emails e atendendo os telefones quando tenho conexão.

Costumo escrever usando o iPad e a App PlainText, que sincroniza os textos automaticamente com meu notebook. Uso o teclado sem fio da Apple para textos mais longos, mas normalmente acabo usando mesmo o teclado na tela do iPad, devido a praticidade e ao fato de já estar bem treinado nisso.

Os emails, respondo praticamente 100% no iPad. Só uso o notebook para salvar alguns arquivos e para fazer backup das fotos batidas a cada dia. Isto provavelmente irá se alterar a partir de amanhã, pois hoje foi lançado o novo MacBook Air, lançamento que eu previa e aguardava antes de comprar mais este “brinquedo”.

Computação móvel

Deixa eu discorrer um pouco sobre este assunto, pois disto eu entendo bem. Se pudesse dar apenas uma dica sobre que computador comprar para usar em viagens, seria a seguinte: compre o mais leve, o mais rápido, e o mais barato, exatamente nesta ordem. Se você for neurótico como eu sou e levar seu notebook para todo canto junto com você, o peso é a característica mais importante.

Estar no meio de uma viagem, com todas as coisas diferentes que você tem que lidar e os pequenos problemas que tem que resolver diariamente para manter as coisas em ordem, e ainda ter que lidar com um computador que simplesmente não responde na velocidade esperada, ainda mais se você está acostumado com um computador potente em casa, é algo realmente irritante. Depois do peso, performance é o que há.

Infelizmente, optando por peso e performance nos faz cair na classe de notebooks que não custam barato. Minha sugestão, pague o preço que for preciso. Sua felicidade, bom humor e principalmente, vontade de trabalhar, pagarão rapidamente a diferença de valor. Mais que isso, me escute com atenção, porque neste caso específico, comprar o notebook menor, mais leve e mais caro, acabará saindo mais barato! Depois de ter gasto com um grande, pesado e lento, você se irritará tanto que acabará comprando o leve e rápido, gastando duas vezes em vez de uma só. Eu sei! Já fiz isso Smile

Conexão com a internet

Na Califórnia, mesmo no Silicon Valley, onde se imagina que conexão com a internet não seja problema, tenha sempre um plano B, se você depende de conexão para trabalhar. A internet nos hotéis mais simples costuma ser gratuita e péssima. Nos hotéis mais caros, costuma ser paga e tão ruim quanto. As lojas da Apple são uma benção na vida do viajante conectado, sempre dispondo de conexão boa, sem custos extras. Cafeterias e restaurantes também costumam ter conexões disponíveis com regularidade. Planos 3G costumam também funcionar bem, mas encontrar um nos Estadus Unidos que não exija contrato de dois anos é tarefa de gincana. O mundo ainda não está realmente preparado para atender viajantes móveis de maneira ideal.

Tardes

Ainda devido a diferença de fuso horário, durante as minhas tardes já é noite no Brasil, então cuido dos negócios que estou desenvolvendo aqui. Estou montando uma empresa de investimentos imobiliários, nos USA, para que os norte-americanos interessados em investir no Brasil possam fazer isso da maneira mais simples possível. Como as coisas aqui ainda estão incipientes, na maior parte dos dias apenas tiramos as tardes para passear. A imagem que abre este artigo é de uma volta completa que demos no Lake Tahoe. Abaixo, o local de onde escrevo este texto Smile

2011-07-19-15h11m36

Equipamento: máquina fotográfica

Para quem gosta de passear e bater boas fotos, com a melhor qualidade possível, não tenho palavras para descrever o quão apaixonante é a Nikon D3100. É uma câmera DSLR, relativamente grande para quem costuma usar câmeras compactas, mas a diferença de qualidade nas fotos vale o quanto pesa. Falando assim, até parece que estou descrevendo uma câmera monstruosa, o que é muito longe da verdade. A D3100 é apaixonante justamente por colocar em um corpo extremamente compacto e leve o suprasumo da tecnologia e qualidade para fotos. Ela pesa menos da metade da minha máquina “oficial”, uma Nikon D7000 que é maravilhosa por suas razões próprias, mas muito pesada para levar como câmera de turista. A D3100 simplesmente não se sente no pescoço, é como se estivéssemos sem ela. E no entanto, ela está alí, sempre a mão, sempre disponível.

Noites

Não temos badalado muito, com excessão de Las Vegas, onde estávamos dormindo bem mais tarde do que nos outros dias. Jantamos em casa, então enquanto minha esposa prepara o jantar, normalmente uma salada ou sanduíches, me dedico a escrever ou a responder os últimos emails do dia, já preparando o dia seguinte.

Também é a noite que atualizamos nosso site da viagem para informar aos pais que está tudo bem, que os negócios estão em ordem e a viagem está ótima. Os filhos, mesmo com quase 40 anos, sempre serão os “filhinhos”.

Resumo

Com a rotina completamente alterada pela viagem as coisas estão completamente fora do padrão. Ao mesmo tempo, passei os últimos anos planejando os negócios e os investimentos para poder conseguir fazer o que estou fazendo agora, trabalhar, manter as empresas funcionando e ganhar dinheiro, independente de onde esteja no planeta. Hoje, com uma conexão à internet e um computador (ou iPad), tenho tudo que preciso para manter a vida profissional andando perfeitamente bem.

Em um próximo texto, vou falar sobre um insight que me surgiu ao longo desta viagem. Tenho que fazer um pouco de mistério aqui pois é uma idéia que gostei tanto, que pretendo lançar um site para desenvolvê-la com exclusividade, mas basicamente fala de empreendedorismo, desenvolvimento pessoal e profissional e independência financeira para atingirmos o máximo de nosso potencial individual. É a consolidação de tudo o que venho fazendo pessoalmente ao longo dos últimos anos, dos meus resultados e de como isto me ajudou e ajuda a conquistar tudo o que desejo.