Vaticano

Preciso confirmar ainda se Roma é igual, mas no Vaticano há fontes de água potável em tudo que é esquina. Para chegar, pegamos a linha A do metrô (Roma só tem duas linhas, A e B). Depois de conhecer a Basílica de São Pedro, subir na cúpula e visitar os túmulos dos Papas, uma pizza e um gelato. Uma das melhores pizzas que já comi, num buteco qualquer de esquina.

A Basílica de São Pedro é simplesmente IMENSA. Esqueçam qualquer coisa que falei de Paris em relação a tamanho. Em Roma e no Vaticano, tudo é MAIOR. Paris ainda ganha no quesito luxo e ostentação, mas em história e tamanho Roma e o Vaticano não tem comparação.

spedro

Em detalhes, também não há comparação. No Museu do Vaticano, enorme e com todas as paredes cobertas com afrescos, pinturas, mármores, detalhes, detalhes, detalhes que não acabam mais, os olhos se perdem. A visita acaba na Capela Sistina, o cúmulo dos cúmulos dos detalhes por metro quadrado. Não tem como fixar os olhos em uma coisa só, tantas são as coisas a serem vistas.

Menção honrosa aos americanos, negativa para as senhoras que pularam TODA a visita para ver apenas a Capela Sistina dizendo: “há um caminho direto para a capela, podemos pular a parte chata”, o que significa que não viram nada do Museu do Vaticano, como a coleçãozinha de quadros deles onde meus olhos já cansados de tanta arte de repente reconhece um estilo, olha na plaquinha e vê escrito: Salvador Dalí, vê outro, Van Gogh, e assim vai em frente, detalhe por detalhe, mais atento a uns, passando os olhos por outros, tentando absorver o que o cérebro consegue de tantos excessos. Menção honrosa positiva para o casal com três filhos pequenos explicando cada detalhe para eles, inclusive algumas inscrições em latim que a menorzinha lia e perguntava o que significavam (e eles explicavam).

Muita gente em todo lugar, muita gente mesmo.

Roma, terceiras impressões

Em Roma, todos falam inglês. Logo após o buon giorno tradicional, ao notarem que nossa resposta tem sotaque diferente, automaticamente saem falando em inglês. Não adianta continuarmos perguntando e respondendo em italiano, eles entram em “modo inglês” e não saem. Todos, em todos os lugares. Os italianos amam os ingleses, acho que gostariam de ser ingleses, na verdade. Exatamente o oposto de Paris, onde não apenas não falam inglês como também não fazem o menor esforço para agradar aos turistas que movimentam sua economia. Talvez essa seja uma das razões de haver tão mais turistas em Roma do que em Paris.

Além disso, os ingleses amam Roma e a Itália. Até agora foi o lugar onde mais escutei o idioma de Shakespeare em seu som original. Claro que isso irá deixar de ser verdade em alguns dias, quando estivermos em Londres 🙂

A comida em Roma é muito mais barata do que em Paris, além de servida em porções bem mais generosas. Sanduíches minúsculos que custavam € 8 em Paris são encontrados aqui em versões três vezes maiores por apenas € 3,50. Claro que ainda não bate o € 1 do Bocadillo de Jamon de Madrid

Internet atrasada

A Itália como um todo é absolutamente atrasada em termos de internet. Há uma lei que exige que todos os usuários de internet sejam identificados para o governo, o que faz encontrar internet de graça uma grande gincana. Quando há, é mediante usuário e senha, por tempo limitado, mediante prévio cadastro que envia a senha para um celular italiano previamente registrado, o que impossibilita o uso de quem não possui tal celular. No hotel em Florença, fazem uma cópia do cartão de acesso diário, pedem para assinar esta cópia e copiam teus dados para entregar para o governo. Impressionante, no pior sentido da palavra.

Roma, segundas impressões

Carros

Da mesma maneira que Madrid, Barcelona e Paris, Roma também possui uma enorme frote de carros SMART e Mini Copper, além de Porsches de tudo que é modelo, normalmente Carrera 4, mas também alguns conversíveis mais baratinhos.

Nosso hotel é muito engraçado. Devido ao prédio ser antigo e o hotel ser pequeno, após passarmos pela recepção e nos dirigirmos ao fundo para o elevador, notamos que a área interna era compartilhada com o hotel ao lado. O nosso tinha os andares 2, 3 e 5 e eles possuiam o 1, parte do 2 e o 4. Compartilhavam também o segundo, onde ficava o café da manhã. Uns dias depois, ao descer pelas escadas devido a demora do elevador, descobrimos que as mesmas eram compartilhadas com um terceiro hotel, do outro lado (o nosso ficava no meio).

No café da manhã, naturalmente temos uma máquina de café expresso na cafeteria do hotel. Todas as variedades, caffé latte, expresso, capuccino, moka…

Piazza Navona

Uma praça, tipo as praças de Madrid, lajes e monumentos, mas diferente de Madrid, aqui há fontes, naturalmente de água potável. E tudo enorme, gigantesco. Ao redor, pizzarias, cafés, o básico para uma vidinha simples. Comemos uma das melhores pizzas quattro formaggi da nossa vida.

A noite em Roma é tranquila, no sentido de segurança para caminhar pelas ruas. No sentido de trânsito é Roma, não há como descrever de outra maneira.

Nas ruas, sempre pechinche com os vendedores ambulantes. São todos indianos, tomam conta de cada esquina. Um tripézinho daqueles pequenos para máquinas fotográficas compactas caiu de € 15 para apenas € 5 em menos de 30 segundos. O diálogo foi mais ou menos o seguinte:

– quanto costa?

– fifitin euros – todos falam inglês capenga, não interessa em que língua é feita a pergunta sempre respondem em inglês capenga.

– molto caro.

– qué pagá quanto?

– cinque (tinqüe) euro.

– ok.

Igrejas

Acabo de lembrar do filme do Dan Brown, onde o Tom Hanks fala que a bomba está em uma igreja e o policial responde que em uma área de poucas quadras há centenas de igrejas. É verdade, há quadras onde há uma igreja em frente a outra, e mais uma ou duas nas laterais. Acho que a única coisa que há mais em Roma do que igrejas, são indianos vendedores ambulantes.

Indianos

Acho que há mais indianos do que romanos em Roma. Estão por todo lugar, tomam conta das ruas e espalham seus carrinhos-lanchonete vendendo paninis, pizzas congeladas e sorvetes em toda saída de atração turística.

Divertidíssimos os “romanos” vestidos de gladiadores, cobrando para posar para fotos com os turistas os rendendo, com as espadas no pescoço. € 1 se for mulher e brasileira, € 5 se for homem inglês. As capas que usam possivelmente são do tempo do império romano, tão velhas, gastas e sujas que são 🙂

Confirmei minha dúvida sobre as fontes, em Roma há ainda mais fontes de água potável do que no Vaticano. Leve uma garrafinha na mochila e você não passará sede. Ou faça como a maioria, beba direto na fonte. Inclusive nas que são monumentos, como na Piazza Spagna.

Ainda sobre os indianos, todos são muito simpáticos. Um em especial, na Fontana di Trevi, batia fotos dos turistas com uma máquina instantânea para ganhar uns trocados. Ao oferecer seu serviço e ter sua oferta rejeitada, oferece então para bater foto com a própria máquina do turista, sem cobrar nada. E para os que desconfiam de tudo e de todos, não é golpe, ele batia a foto e devolvia a máquina, obeservei várias vezes.

Lavar as mãos pode ser difícil

Se em todas as fontes romanas há água potável, lavar as mãos nos banheiros dos restaurantes pode ser algo difícil. Não há torneiras nem sensor automático de presença das mãos nas pias. Na terceira vez, observando um “local”, descobri o segredo, há no chão um ou dois pedais, quase escondidos debaixo da pia. Pise e a mágica acontece. O que no final faz todo o sentido, porque assim você não suja as mãos ao fechar a torneira depois de te-las lavado.

Porque há tantas igrejas em Roma?

Descobri isso também. Somente tendo muita fé para conseguir atravessar certas ruas. Ao conseguir, entre na igreja em frente e agradeça pela graça alcançada 🙂

Café expresso

Ao pedir um café expresso em Roma (e em Florença isso também é verdadeiro), o que trazem é uma microxícara, daquelas bem pequeninhas mesmo, pela metade. Pouco menos de um gole de café, para ser mais exato.

Roma, primeiras impressões

coliseu

Indo para Roma, já no avião, “pessoas normais”. Dava para sentir o calor humano somente estando na presença de tais pessoas. Difícil explicar, sentimos no ar a diferença.

Minha irmã manda mensagem dizendo que em Roma iremos nos maravilhar. Acredito nela, além de toda concentração histórica da região há também a comida. Nisto temos também a confirmação da Betina, filha do amigo Ralph. Morando na França há três anos, diz que em Roma se come melhor e mais barato.

No avião, poltronas verdes nos dão o tom nacionalista italiano. Não tenho como explicar a felicidade de entrar no avião e poder dizer buon giorno para a tripulação. Estou desde Madrid misturando as línguas, cuspindo meu italiano na Espanha e na França. Agora poderei falar com quem me entenderá mais facilmente. A expectativa é grande mas tenho certeza que será totalmente realizada. Logo antes de embarcar já começava a me sentir em casa.

Excesso de expectativa é complicado:

  • levou quase uma hora para nossas malas aparecerem na esteira de bagagens e no meio do processo a mesma queimou e ficou mais uns 15 minutos parada;
  • as indicações no aeroporto para a estação de trêns usava um tipo de figura, junto com o aviso escrito. No meio do caminho, somem tais indicações, somem os avisos escritos e o trêm passa a ser indicado por um símbolo diferente, o que me confundiu e me fez procurar ver se estava indo na direção certa;
  • ao chegar na plataforma do trêm e ir ao balcão de informações turísticas descubro que um mapa da cidade, de quem deveria recepcionar bem quem vem trazer dinheiro para a cidade, custa € 2. Isso foi solucionado no hotel, onde haviam vários mapas a nossa disposição gratuitamente;
  • com todos os atrasos, perdemos o primeiro e o segundo trêns para o centro da cidade. Mais 30 minutos de espera até o terceiro trêm.

Apesar de tudo, é bom sentir o cheiro de massa e pizza já no aeroporto.

Logo na entrada do trêm, Roma mostra sua cara. Fila para quê? As pessoas vão se enfiando umas por cima das outras, empurrando para entrar antes no trêm. Não entendo pra quê, chegaremos todos juntos no final.

A viagem rápida com o Leonardo Express é tranquila, em 30 minutos chegamos em Termini, a estação próxima do nosso hotel, que fica a apenas 150m da mesma. Mas a estação é enorme e desembarcamos no extremo oposto, quase um quilômetro de distância. Com malas de 20Kg cada um, foi um belo exercício. Claro que por termos sido quase os últimos a entrar no trêm, fomos os primeiros a sair. Bem feito para os apressados que estavam empurrando todos no aeroporto.

As 17h30 de segunda-feira, vemos o que é Roma. Centenas de carros vindo de todos os lados, poucas sinaleiras, gente que não acaba mais. Gente, gente, gente, muita gente mesmo. Roma é uma loucura e neste momento isto não é um elogio. vamos ver se amanhã a cidade se mostra mais amigável ou se nós nos tornamos mais adaptados a esta selva.

Paris

eiffel

Tudo estava planejado na agenda. Pegar trem RER B, descer em Gare du Nord, Pegar metrô M5 em direção ao sul, descer em Republique, Pegar metrô M9 em direção ao oeste, descer em Miromesnil. De lá, um mapinha indicava as ruas até o hotel. Tudo seria perfeito se não houvessem obras na linha M5 e não tivéssemos que mudar todo o trajeto sem falar francês, sem um mapa decente do metrô e sem entender como funcionava a tal da Gare du Nord, que basicamente é uma mega-estação subterrânea que interliga todas as linhas de trêm e uma série de linhas de metrô, tudo devidamente NÃO IDENTIFICADO. Depois de seguir alguns turistas acabamos refazendo nosso trajeto, chegando a Republique e de lá indo até nossa parada final. Nos dias seguintes já era mestre nos metrôs de Paris, conhecia as linhas que me interessavam sem precisar olhar nos mapas.

Primeiro dia nas ruas de Paris. Saindo do hotel, Igreja de La Madeleine, Place de La Concorde, caminhar pela Champs-Elysèes até o Arc de Triumphe e por fim uma passadinha na Tour Eiffel. Se conseguirmos tudo isso me parece um bom primeiro dia para fazer um reconhecimento inicial. Conseguimos fazer tudo, além de dar umas voltas extras, passar por algumas lojas interessantes, Dior, Chanel, Louis Vuitton, Hermès…

Tudo é lindo, tudo é maravilhoso, tudo é grande e luxuoso e cheio de detalhes. No segundo dia conhecemos Versailles e lá houve um pequeno momento de depressão. Tudo é impressionante demais, riqueza demais, dourado demais, luxuoso demais, tecidos e mais tecidos cobrindo as paredes, mármores e mais mármores, jardins e mais jardins e castelos e mais castelos e esculturas e mais esculturas e quadros enormes, gigantescos. Impressionante é a palavra-chave que tem que ser redefinida. Impressionante agora pode ser dita como simplesmente “Paris”. Não é a toa que tanta gente dá o nome da cidade a seus filhos, ficando com a loira Hilton como exemplo óbvio, ela é simplesmente Paris!

Todas as coisas lindas do mundo se encontram em Paris. É assim a primeira impressão da cidade.

Museu das armas

armasNovamente impressionante. Uma grande coleção não apenas de armas, uniformes, trajes, pastas e mochilas e equipamentos, mas também uma aula de história das guerras. Um ponto extra para a memória da segunda guerra e o horror que ela foi. Um sentimento amargo de saber que nossa história tem essa mancha tão pesada, mas necessária para nunca mais vermos isso se repetindo.

Notre-Dame e seus 900 anos de idade. História e mais história. Vamos as Galeries Lafayette para um pouco de compras e tentativa frustrada de diminuir um pouco os excessos. Dior, Chanel, Fendi… muita coisa…

Shakespeare & Company

Queria conhecer esta livraria desde que havia lido “Um livro por dia”. Não sabia direito onde ficava, então enquanto a Ingue passeava nas Galeries Lafayette, voltei para a Cité para procurar a tal livraria. Caminhei para um lado, encontrei um senhor, perguntei em meu francês precário e descobri estar indo para o lado errado. Voltei e de repente ela estava lá! Foto, passeio interno, compra de um postal, uns marcadores de páginas para as próximas leituras… Ficava exatamente na frente da Notre-Dame onde estava poucas horas antes. Bastava atravessar a rua! Podia ter economizado pé, cansaço, metrô, vai e volta. Paciência, mais um lugar que sonhava conhecer estava marcado na minha memória.

shakespeare

Louvre

Não há como conhecer o Louvre em apenas um dia. Um dia dá para caminhar por todas as galerias, sem parar para olhar os quadros e esculturas. É gigantesco! É Paris! São mais de 35.000 obras, de uma coleção de mais de 350.000 que eles possuem. São quilômetros de caminhada por galerias e mais galerias, salas e mais salas, não acaba nunca. As maiores obras da história estão lá.

É impressionante ver “A liberdade guiando o povo” ao vivo. O quadro é grande, é lindo. Ver ao vivo a obra que serviu como aula de como ler uma pintura é uma experiência que não pode ser descrita, tem que ser vivida para compreender. Isso para ficar apenas em uma obra, porque são tantas coisas para ver que não há como descrever nem um centésimo do que há.

liberdade

Mas não há como não descrever a Monalisa. Pequena, atrás de um enorme vidro, distante das pessoas que estão a observando. E mesmo assim, um quadro lindo, enigmático.

Musée d’Orsay

Autores mais “novos” que os do Louvre. Definitivamente gosto de Van Gogh e Renoir, para citar apenas dois. Não é tão grande como o Louvre, mas há obras e artistas bastante conhecidos, sendo preferido pela maioria dos que visitam Paris. Difícil escolher entre um e outro, são diferentes e igualmente impressionantes.

Próximo daqui, Musée Rodin. Mas não foi desta vez que vi o pensador…

Na saída, golpe do anel. Uma “cigana” vem e pega um anel dourado do chão. Te oferece dizendo/perguntando se é de ouro. Diz que é teu, que viu caindo. Deixamos passar, fica com ela. Uns metros depois, um homem faz o mesmo. Dispensamos. Mais adiante vemos outro aplicando o golpe em um senhor italiano que tenta se livrar dele. Distraem as pessoas com isso e enquanto estão assim, outro passa e bate a carteira. Como estávamos de olho no senhor italiano, a distância, vimos um terceiro ao telefone, avisando o batedor de carteira para não agir naquele momento.

Paris, cidade das luzes

A noite de Paris é linda. Não apenas a Torre Eiffel, mas toda a beira do Sena, o Museu do Louvre, a Champs Elysées. Em Paris, saia de noite.

parisNoite

Versailles

VersaillesVou pular um pouco a viagem porque foi no Castelo de Versailles que pensei nisso pela primeira vez. Depois falo da chegada de Paris e das primeiras impressões sobre a cidade.

Não sei direito como explicar, mas no Castelo de Versailles, fiquei deprimido. Sabe aquela depressão leve, que não sabemos de onde vem nem o motivo? Era isso. Não sei se pelo excesso ou o que. Hoje, no d’Orsay, olhando para um dos lados vi mais uma escultura, entre MILHARES de outras. Resolvi dar uma olhada na plaquinha: Rodin. É assim todo dia, estamos andando na rua e de repente aparece uma construção com mais de 600 anos, uma escultura que normalmente fica dentro de um museu, exposta no meio de um parque. Imaginem estar correndo da redenção (exercício, não assalto) e dar de cara com uma escultura de mais de 200 anos.

A cultura é algo natural aqui, vem de berço. Olhem nas fotos, em todo lugar que vamos há dezenas de crianças, todos os dias, desenhando e pintando sentados em frente a obras dos maiores mestres da arte. Eles crescem em meio a isso, é o dia a dia deles. Crescem ouvindo nas aulas que aquele quadro que desenharam para a mãe era de um pintor tal, que sentia tal coisa, que passava por tais situações. História da arte é diária aqui. Não são mais ou menos ricos, apenas respiram um “ar” mais adequado a este tipo de crescimento cultural.

Dá vontade de ficar por aqui, de poder proporcionar um pouco disso tudo aos nossos filhos. Não é deslumbre de turista pois o que dá vontade não é de ficar por conta das coisas mas sim pelo estilo de vida, não apenas diferente mas também culturalmente mais propício ao crescimento. Simplesmente não há como deixar essas coisas passarem desapercebidas, elas são ostensivas, estão em todo o lugar.

Em cada lugar que vou faço cálculos. Quanto custa isso? Quanto custaria por mês? Como iria do ponto A para o ponto B? Qual bairro seria interessante para morar? Onde ficam os supermercados e quais os preços neles? De quanto em quanto tempo teria que voltar ao Brasil para os negócios continuarem andando direitinho? Que estrutura precisaria montar no Brasil para poder me manter na Europa, ganhando em reais e gastando em Euros? Quanto isso implicaria nos planos de crescimento do patrimônio e de aposentadoria? Que tipo de vida levaria aqui? Como seria o dia a dia.

Muitas coisas na cabeça, todas idéias girando ao mesmo tempo.

Barcelona

La PedreraMe desculpem os espanhois, até porque adorei Madrid, mas Barcelona não fica na Espanha, fica na Catalunya. São países diferentes, como povos diferentes, hábitos diferentes, línguas diferentes. Não fazem a famosa siesta, falam catalão ou galego, uma mistura de espanhol com francês, puxando mais para o francês do que para o espanhol. Um exemplo: saída, em espanhol: salida, em francês: sortie, em catalão: sortida.

Tudo está escrito em catalão. Como é uma cidade preparada para o turismo, na maior parte dos locais há indicações em catalão, espanhol e inglês, nesta ordem. As pessoas falam catalão entre sí e espanhol com os turistas.

A cidade

Como escrevi acima, Barcelona é uma cidade turística, muito legal, mas não deu aquela mesma vontade de morar lá que senti em Madrid. Talvez pelo tamanho, pareceu ser bem maior que Madrid, ou ao menos, muito mais espalhada. Se bem que acho que isso não é real, apenas em Madrid nos concentramos em visitar o centro, onde está quase tudo que interessa para quem vem de fora. Em Barcelona as atrações estão todas longe umas das outras.

Barcelona é uma cidade mais bem planejada que Madrid, ao menos no bairro onde ficamos, com ruas largas. As quadras são “quadradas”, assim entre aspas porque possuem “chanfros” nas esquinas onde carros estacionam. Há ciclovias espalhadas por tudo, separadas tanto da rua quanto da calçada, entre os dois, para explicar melhor. Tudo isso é válido para a parte nova da cidade, a cidade velha ou o bairro gótico são um caso a parte. Ou seja, esqueça tudo que escrevi antes, Barcelona não é mais bem planejada que Madrid, apenas estou comparando alhos com bugalhos.

Imagine uma cidade da idade média, com construções de pedra, grandes muralhas, igrejas daquelas com detalhes absurdos nas fachadas, ruas estreitas e escuras, calçadas com pedras. Assim é o bairro gótico, uma aula de história no meio da rua. Impressionante.

O metrô, a primeira vista, parece mais complexo que o de Madrid, mas é só questão de costume. As linhas são bem sinalizadas e os trens bastante modernos, com indicações visuais e sonoras de qual a próxima estação e de que lado temos que descer. No segundo dia já me movimentava pelo subsolo como qualquer cidadão local.

Preços

Barcelona é um pouco mais cara que Madrid. Nas lojas a diferença não é muita, mas na alimentação dá para notar um pouco. Nos supermercados ambas as cidades são semelhantes, preços excelentes e ótima variedade.

Gaudi

Barcelona é Gaudi. A cidade deve tanto a este artista que não há muito o que falar. os pontos turísticos se resumem a prédios e parques desenhados por ele, além de “poucas coisas mais”. Igreja Sagrada Família, Prédio Batllò, La Pedrera, Park Guell… Isso é Barcelona. Visitar a cidade e não conhecer as obras deste gênio louco ou deste louco genial é algo impossível. E ao ver os prédios por fora, pague o ingresso e entre, é melhor ainda. Vá com tempo, pegue o audioguia e se delicie com as explicações e histórias.

Ramblas

As ramblas são avenidas enormes, oou melhor, são grandes passeios, largos, no meio de duas ruas estreitas. Lá, banquinhas, artistas de rua e pedestres brigam amigavelmente pelo espaço. Ao longo de todo o trajeto, cafés e restaurantes completam o passeio.

Segurança

Em todo lugar que procurei informações sobre a cidade haviam avisos sobre a grande quantidade de batedores de carteira. Fiquei ligado o tempo todo e não tive problema algum. Dito isso, em vários locais vi pessoas de “aparência suspeita”. Deixo assim entre aspas porque apesar de haver um outro vagabundos notórios, também havia alguns que poderiam ser simplesmente diferentes das pessoas do local, mas ainda assim boa gente.

Por via das dúvidas, não tiraria o notebook da mochila nem mostraria dinheiro e cartões na rua, coisas que faria sem problemas em Madrid.

Em todo lugar as pessoas circulam com máquinas fotográficas ostensivamente penduradas em pulsos e pescoços. Modelos grandes ou pequenos em igual quantidade. Mesmo com todos os avisos de cuidado, a sensação de segurança é algo fantástico de sentir.

Golpes

O que vou descrever não é exclusividade de Barcelona, há em Madrid, há em Paris, há em toda Europa. Com a dificuldade com a língua, é comum os atendentes de bares e restaurantes oferecerem “extras” ao seu pedido, você aceitar pensando que ele apenas está confirmando o pedido e então te cobrando bem mais do que se você fizesse o pedido padrão. Tentaram em Barcelona, mas a técnica para escapar é simples: faça o pedido e junto com o mesmo, repita o valor, apontando no cardápio. Qualquer coisa que o atendente fale depois, apenas repita o valor que há no cardápio.

Três ou quatro dias são suficientes para sentir um gostinho da cidade se você for daqueles que gostam de andar. Se quiser ver tudo com mais calma, cinco ou seis dias darão toda a tranquilidade necessária para um passeio sem atropelos.

Para ir do aeroporto até a cidade e vice versa, o aerobus é a melhor opção. € 5 de passagem por pessoa e você chega na Plaza Catalunya, no centro da cidade. De lá, basta pegar o metro para seu hotel, ou um táxi se quiser facilitar a vida ou se estiver com muita bagagem.

As fotos estão lá nos meus álbuns.

No próximo texto… Paris!

Madrid

Madrid é uma cidade linda, de temperatura agradável no outono (meio de outubro), com pessoas bonitas circulando pelas ruas, lojas diversas, preços interessantíssimos, enfim, poderia morar aqui.

Lojas e valores das coisas

Descrição da Ingue: “Se soubesse que as roupas eram tão baratas aqui teria vindo sem nada na mala!”

Minha impressão: “Como é barato comer bem, fora do circuito turístico.” E também: “Quanto artigo eletrônico legal a preços bem em conta.”

Basicamente as coisas eletrônicas custam mais aqui do que nos USA. Já as roupas custam no máximo o mesmo que no Brasil e na maior parte do tempo bem menos, todas com muito mais variedade e qualidade em relação ao valor pago. Viajar para Europa entrando por Madrid é receita certa de viagem sem precisar trazer malas. Levando em conta que Madrid é uma das portas de entrada mais em conta para quem vem do Brasil, planeje sua viagem já pensando em renovar o armário.

Comida

Comer na rua em Madrid é muito fácil, basta entrar em uma das centenas de cafeterias ou bares ou restaurantes que abundam em todas as ruas. Não dá para andar uma quadra sem encontrar um lugar para comer algo.

Churros com chocolateMinhas sugestões vão para os churros com chocolate da foto ao lado, caros em comparação com outras opções mas baratos se levar em conta que estávamos em frente do Palácio Real, com fome, com internet grátis e precisando muito conectar para resolver um problema urgente trabalhando remotamente.

Não estando na situação específica descrita acima, não há coisa melhor e mais barata do que um Bocadillo de Jamon, uma baguete com o presunto espanhol que não pode ser chamado de presunto para não dar chance de comparação com o que chamamos de presunto no Brasil. Não há jeito, se não vier a Espanha, só indo em alguma loga de artigos importados para conseguir saber o que é. E mesmo assim, faltará o pão, que também não é o mesmo e dá o complemento perfeito. Vindo aqui, faça como os locais, tempere seu pão com o mais puro azeite de oliva e seu lanche estará completo. Um euro. Um euro. Guarde bem este valor, porque no resto da Europa não se come barato assim.

Trânsito

Tome muito cuidado em Madrid. As ruas são todas de paralelepípedo, sem grande distinção entre rua e calçada. Morando em Porto Alegre, onde as ruas deste tipo costumam ser apenas para pedestres, o risco de ser atropelado é grande. Outra coisa complicada é que as ruas parecem ir para um lado e vão por outro, os cruzamentos são em curva ou com várias ruas chegando juntas no mesmo lugar, uma loucura de acompanhar.

As quadras são cheias de ruazinhas estreitas e todas tortas, com pequenas ruelas cruzando umas as outras em todas as direções. Se você mora em uma cidade planejada, com quadras retinhas, todas quadradinhas, Madrid é um choque. Nas ruas principais, a indicação do nome delas está nos prédios das esquinas, em placas de azulejo pintadas. Nas que não tem, paciência, caminhe mais uma quadra e torça para encontrar uma que tenha.

As praças

Madrid tem centenas de praças. Praça, para eles, normalmente é um pedaço de chão coberto de granito com uma estátua no meio ou em uma das pontas. Algumas possuem uma fonte no meio e poucas possuem alguma vegetação. A praça mais conhecida, Plaza Mayor, é um pedaço enorme desses, cercado por um prédio retangular enorme, com uma estátua no meio. Ao redor, cafés e lojinhas vendendo bugigangas para os turistas.

Há praças como as que conhecemos, com caminhos para circular no meio, flores e árvores, mas aposto que se fizerem um levantamento estas não serão nem 5% do que eles chamam de praça.

Visitar, conhecer uma praça em Madrid, não é literalmente “ver” a praça, mas sim sentir ela pulsando, viver o momento, sentar para um café com os amigos e ver as crianças correndo e os turistas japoneses fotografando. Sim, porque há turistas japoneses em todos os cantos, normalmente com máquinas fotográficas enormes e lentes maiores ainda.

Os museus

Não sei o que falar dos museus de Madrid. São muitos, são enormes, possuem obras fantásticas. Tudo isso é lugar comum. Dedique ao menos um dia de sua viagem a conhecer os três principais: Museo del Prado, Thissen-Bornemisza e Reina Sofia. Todos os períodos da arte estão cobertos por estes três. Para ver com calma, um dia inteiro para cada um…

Ver as crianças de cinco ou seis anos tendo aulas de arte diante de quadros de Miró, Renoir, El Greco, Picasso… é de chorar. As professoras perguntando o que elas vêem, as crianças respondendo e sugerindo porque as coisas eram pintadas desta ou de outra forma, enfim, uma aula de arte como esta deveria ser, não aquelas aulas que gostávamos de matar porque eram sempre a mesma coisa de pintar papel ou fazer esculturinha de argila para dar de presente para mamãe. Tudo bem, entendo que não temos acesso a essas pinturas em todo o lugar e sei que não deve ser fácil assim em cidades do interior espanhol, mas saber que é possível ter aulas assim dá uma vontade imensa de proporcionar isso aos filhos.

A noite

Madrid vive de noite. Tudo abre as 9h ou as 10h, a maior parte fecha das 14h as 17h quando então reabrem até as 22h. Lojas e mais lojas nas ruas, todas abertas, todas cheias de gente comprando, circulando, olhando e sendo olhada. As ruas são seguras e nas principais, iluminadas.

Visitar Madrid e ficar no hotel a noite é não visitar Madrid.

Era isso que tinha para dizer de Madrid por enquanto. Como primeira parada na Europa a impressão foi excelente. Poderia morar aqui. As fotos estão neste álbum.

Em breve, Barcelona…

Europa

Como alguns já sabem, desde o dia 11 de outubro estou em viagem pela Europa com minha esposa, pela primeira vez. Nestes 10 dias que estamos aqui já deu para ver muita coisa, observar pessoas, comportamentos e situações que não veríamos em nosso país. Espero conseguir passar um pouco do que é isso tudo para quem ainda não conhece e ajudar aos que já conheceram a relembrar tudo o que viram aqui.

As fotos estão sendo publicadas quase que diariamente em meus álbuns no Flickr.

A chegada

Começo pela chegada porque  nove horas e meia dentro de um avião não são algo que possamos descrever de maneira muito positiva. Assisti dois filmes, dormi o resto do tempo.

Chegar em Madrid foi de uma tranquilidade imensa. Já tinha os detalhes de como sair do aeroporto e ir até a cidade então foi só seguir as instruções passo a passo, não sem antes passar no balcão de informações para pegar um mapa e pedir mais detalhes de onde pegaríamos o metrô. As trocas de linha para chegar ao hotel foram simples, o metrô em Madrid é muito bem sinalizado, tudo faz sentido, tudo é lógico e simples. Falando em lógico e simples, uma informação útil que até agora tem sido válida também na França: as setas para baixo nas placas indicam “siga em frente”, ao contrário do Brasil onde seriam setas para cima.

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Ajudou o fato de termos passaporte europeu, evitamos uma longa fila, preenchimento de formulários, necessidade de seguro-saúde (que tinhamos, cortesia do cartão de crédito), revista nas malas, enfim, se tiver, use.

Em breve, impressões de Madrid…