R$ 10 na padaria

Hoje pela manhã tinha dois exames para fazer. Para os curiosos, raio-x e ecografia do pé direito, confirmando apenas uma inflamação. O fato fora do comum, no entanto, não foram os exames, mas sim a saída meio em cima da hora, sem tomar café da manhã. Ao concluir os exames, passei na lojinha de conveniência do posto de gasolina em frente ao meu prédio e tomei um café com leite e um farroupilha prensado (para os de fora do RS, um sanduíche de presunto e queijo em pãozinho francês) que custaram pouco menos de R$ 10.

E me dei conta de que para a grande maioria dos que estão lendo estas linhas, gastar R$ 10 em qualquer coisinha facilmente esquecível ao longo do dia é algo bastante comum. Faça seu exercício mental, em que você gastou qualquer bobagem deste tipo hoje? E ontem? É comum, seja por pressa, seja por preguiça da alternativa (no meu caso, chegar em casa e preparar algo para comer ou descascar uma maçã), seja até pela simples disponibilidade (fui tomar um café depois do almoço e aproveitei para pegar um pão de queijo, não por fome, mas só porque ele estava “me olhando” no balcão).

Atos banais, que fazemos sem pensar. Agora me conta uma coisa: quando você entrou no banco, assim como quem não quer nada, e depositou R$ 10 na conta de seu filho? Nunca, né? E R$ 100? Era esse o valor que você tinha pensado em depositar todo mês para ele, visando formar um valor legal para quando ele atingisse a maioridade? A verdade é que R$ 10 gastos banalmente no dia a dia chegam a R$ 200 mensais se só contarmos os dias úteis do mês. E com este valor mensal, mesmo que o dinheiro não rendesse quase nada, daria para dar um belo carro zero para seu filho quando ele pudesse dirigir. Bem mais se contarmos com os juros compostos de quase 20 anos de economias. Acha banal essa história de carro zero na maioridade? É só um exemplo. Pode ser um tour cultural pela Europa que poderia abrir os olhos para outras realidades, pode ser o valor total daquela faculdade que fará toda diferença na carreira dele. Não importa em que o dinheiro vai ser usado, importa que esse dinheiro fará uma enorme diferença no início da vida adulta de seu filho, e não fará nenhuma falta a você hoje, quando comparados os benefícios.

Deixe de desculpas, anote na agenda, coloque alarme no seu celular. Quando entrar seu salário, separe uma parte para a conta da criança que você tem em casa. Se não sobrar para o cafezinho, ao menos fica o consolo de finalmente você estar construindo algo que fará diferença na vida deste serzinho que você colocou no mundo. Sei que você tem esses planos, sei que é o que você quer, alinhe sua vontade com sua ação e faça um depósito hoje mesmo na conta do seu baixinho.

Apesar de achar que escrevi tudo, deixa eu completar aqui uma coisinha… Não estou dizendo para economizar no cafezinho, para cortar o cafezinho, ou qualquer coisa desse tipo. Estou mostrando que é fácil separar um dinheiro para o futuro dos seus filhos, só precisa de ação! Tome seu café e já separe o mesmo valor gasto para a conta da filho. Pagou com o cartão? Ótimo, já transfira o mesmo valor para a conta do baixinho com o smartphone.

Você tem a obrigação de enriquecer

Quando nasce um pai, nasce um novo investidor.

Os pais de primeira viagem costumam falar da experiência do nascimento de seus filhos como algo surreal, tão mágico e de emoções tão intensas, que é impossível de explicar com palavras. É preciso viver a experiência para poder compreender. Escrevi sobre isso em meu blog pessoal, logo após o nascimento da minha filha, com o título de Clube secreto.

O que a maioria não fala, mas no entanto sente profundamente, é que no exato instante em que se tornam pais, se tornam investidores mais conscientes. Aquele novo pai quer o melhor para seu bebê, e isto inclui os melhores brinquedos educativos, a melhor escola, o melhor bairro para morar, os melhores livros, a festa de quinze anos, a melhor faculdade, um carro quando passar no vestibular, um apartamento para quando sair de casa… Quem não teve isso tudo sonha em dar ao filho tudo que gostaria de ter tido. Quem teve tudo isso, no mínimo imagina poder proporcionar as mesmas facilidades aos seus filhos, sabendo o quanto isso o ajudou no início da vida adulta.

Pais inteligentes enriquecem a si mesmos para que seus filhos não precisem sustentá-los na velhice. Pais inteligentes enriquecem seus filhos para que estes iniciem a vida adulta a partir de degraus mais altos, que lhes darão mais visão e permitirão melhores escolhas. E enriquecer aqui, não quer dizer ser multimilionário com carros, casas em todos os cantos do planeta e luxos tais. Enriquecer significa ter o suficiente para viver bem no presente e conquistar a tranquilidade financeira para o futuro, significa viver plenamente e ao máximo ao longo de toda a vida. Significa trabalhar para ganhar dinheiro, mas sem precisar trabalhar tanto que não sobre tempo para curtir seus filhos. Enriquecer é conquistar uma vida plena, e cada um sabe o que isso implica para si.

E então, o que é necessário para conquistar tudo isso? Bons hábitos financeiros. Práticas que podem ser aprendidas e interiorizadas, e quando aplicadas geram resultados reais ao longo do tempo. Pense naquela poupança regular que você imaginou formar para seu filho usufruir quando completasse 18 anos, na conta no banco que você até chegou a abrir, mas para a qual todo mês você esquece de depositar, afinal, são tantas as obrigações no dia a dia, que quando você se dá conta já se passaram dois, três, talvez quatro anos sem um mísero trocado depositado lá.

Concluo então este texto com apenas um hábito financeiro que pode fazer toda a diferença em sua vida. Acompanhe seus investimentos como compromisso marcado na agenda uma vez por mês. Programe um alarme mensal em seu smartphone, anote em sua agenda de papel. Uma vez por mês, faça o levantamento de quanto possui em cada conta de banco, sua e de seus filhos, em cada investimento particular, em cada corretora em que você tem conta (você ainda não tem conta em nenhuma corretora???) e compare com a situação do mês anterior. Após isso, separe o valor que você definiu que iria investir mensalmente para seu filho e faça a transferência e aplicação desse dinheiro. Faça o mesmo para uma de suas aplicações, lembre-se que o objetivo é enriquecer você e seu filho.

E era isso. Se você separar meia hora por mês para observar como vão seus investimentos e neste momento já efetuar as transferências e aplicações necessárias para suas contas de investimento, seu futuro financeiro já estará garantido. Se você tiver como automatizar estas transferências então, melhor ainda. Mas no início costumo orientar a não automatizar a transferência para que você realmente interiorize o hábito e ele se torne automático dentro de você, sem depender de terceiros como seu banco ou um boleto mensal de investimento.

 

Não me interessa a sua história

Mentira, sua história me interessa sim, quero saber quem é você, de onde você vem, quais desafios enfrentou e continua enfrentando nesta longa estrada do crescimento pessoal, mas a grande verdade é que não interessa, para você, sua própria história. No final, todos queremos a mesma coisa. Os formatos podem mudar um pouco de acordo com seus interesses e filosofias de vida, mas o que todos queremos é o melhor para nossos filhos, cada um definindo “melhor” da sua própria maneira.

Estava conversando ao telefone com um amigão. Temos histórias de vida completamente opostas em relação ao nosso começo. Ambos com pais que começaram simples, mas o dele assim permaneceu e o meu estudou muito. O dele teve dificuldades em crescer financeiramente e ajudar os filhos a começar a vida profissional de um degrau mais alto e o meu, apesar de não ter se tornado nenhum multi-milionário, pode proporcionar as melhores faculdades privadas e facilidades como carro e apartamento quando chegou a hora de sair de casa e ganhar o mundo. Ele trabalhou muito para crescer e se tornar o excelente profissional que é hoje. Eu também. Meu crescimento pode ter sido mais fácil que o dele devido a este histórico, mas ao mesmo tempo, as facilidades que tive poderiam ter me tornado mais fraco ao exigir menos esforço. Nada disso importa no final. O que importa é o que vamos fazer daqui para frente.

Hoje, apesar de inícios completamente distintos, ambos somos pais de crianças lindas com três anos de idade. Ele de um menino e eu de uma menina. E buscamos o mesmo para nossos filhos, proporcionar o máximo de carinho, apoio, ensino e cuidado para que se tornem bons cidadãos e excelentes profissionais. Buscamos proporcionar todas as oportunidades para que se desenvolvam de maneira a saber tomar as melhores decisões, de maneira que formem bons hábitos, que frequentem boas companhias, que estudem o que não é ensinado nas escolas, que tenham excelentes referências e modelos mentais de sucesso e abundância. Se pudermos lançá-los ao mundo de uma plataforma mais alta, é o que faremos. Sempre, claro, com a responsabilidade necessária. Te deixo usar o carro, mas te vira para colocar a gasolina e pagar o seguro. Te dou o apartamento para não precisar pagar aluguel, mas quem mora sozinho é quem paga suas contas, condomínio, comida.

Não me interessa a sua história. Se você quer o melhor para seus filhos, estamos juntos nesta caminhada.

 

Início do Papai Investidor

Aprendendo a caminhar. Foto: Alessandra Pinho.

Então você vai ser papai… Sei bem como é isso. Se você acha que já caiu a ficha, espere um pouco mais, a verdadeira situação só bate na nossa cara naquele segundo exato em que vemos nosso bebê pela primeira vez do lado de fora da barriga da mamãe.

Você já é papai… A ficha caiu e você se deu conta que aquela vida que você vivia já não cabe mais na sua realidade. A responsabilidade agora é outra, há um bebê nas suas mãos, e ele precisa de você. É foda! Nos dois sentidos. É a melhor sensação do mundo, mas a verdade é que você agora tem alguém que depende de você hoje, e provavelmente dependerá de você por muitos anos mais.

Ganhar dinheiro para viver uma vidinha mediana de jovem solteiro sem compromissos é algo relativamente fácil. Começa a ficar difícil quando se quer casar e ter um imóvel próprio para morar, quando chegam os filhos e a conta da escola, quando se pensa no futuro e na aposentadoria.

Financeiramente pode ficar um pouco mais fácil quando ambos no casal trabalham, mas aí, quem fica com a criança pequena? Creche, babá, avó, costumam ser as únicas saídas, afinal, as contas não param de chegar. Há alternativas? Claro, cada família tem sua dinâmica própria, não existe certo ou errado na vida. Há mães que param de trabalhar para cuidar do bebê, assim como há pais que deixam seus empregos e cuidam dos filhos enquanto a esposa traz dinheiro para dentro de casa.

Há mães solteiras ou abandonadas, infelizmente, e também há pais sozinhos, mesmo que em menor número. Há crianças nascidas no amor da adoção por pai e mãe, mãe e mãe, ou pai e pai. Independente da sua realidade pessoal, criar um filho é uma benção, estamos todos juntos neste mundinho para fazer o melhor possível e, com isso, tornar nosso planeta um lugar melhor para se viver.

Estou aqui para ajudar as famílias a conquistar a independência financeira através de boas escolhas diárias e do estabelecimento de bons hábitos financeiros, para que possam viver intensamente o presente e desfrutar com tranquilidade o futuro.

Eu sou o Papai Investidor, e no que puder, estou aqui para ajudar.

 

Nem sempre são dias de sol.

Hawaii

Em junho deste ano, pouco menos de um mês antes do nascimento da minha filha, escrevi em um dos vários cadernos de anotações que sempre tenho por perto um texto com o título acima. Não publiquei na época, talvez porque não tenha tido tempo de digitar, talvez porque não fosse a hora. Hoje faço isso, na manhã de Natal, com as últimas atualizações dos fatos ocorridos ao longo do resto do ano.

Quem me acompanha na internet através dos vários sites em que publico meus textos, ou através das diversas redes sociais onde marco presença, costuma ver meus textos sobre empreendedorismo, sobre investimentos. Vê também as fotos das viagens que fazemos e dos bons momentos com a família e amigos. Por conta da maneira como trabalho, vendendo consórcios essencialmente pela internet, preciso mostrar mais do que normalmente acharia conveniente, pois as pessoas que chegam até mim como possíveis clientes precisam saber que sou uma pessoa real, que vivo o que prego nos meus artigos, que tenho realmente uma empresa chamada Megacombo, que esta empresa é representante da Rodobens Consórcios na maior qualificação possível, categoria Diamante, e que não sou nenhum “golpe na internet”.

A tendência é mostrarmos a parte boa dos acontecimentos, e para falar a verdade, temos uma vida realmente boa no contexto geral, mas quem só enxerga esse lado pode pensar que tudo são flores, que todos os dias são maravilhosos. E pode, em algum momento ruim, desejar uma vida como a nossa.

Cada um tem seu próprio caminho, com seus desafios particulares nem melhores, nem piores, nem mais fáceis ou difíceis do que o de qualquer outra pessoa. As escolhas que fazemos a cada dia vão desenhando as estradas que teremos que percorrer mais a frente. O acaso também cumpre seu papel ao não nos permitir planejar tudo com 100% de precisão e certeza, como ficará claro ao longo dos próximos parágrafos. No final, isto é o que faz da vida esta maravilha cheia de surpresas e novas descobertas. E quando a surpresa é ruim, surge a oportunidade de crescimento pessoal e de auto-superação.

Este não é um texto triste ou trágico, é sim, a simples constatação de que as vezes passamos por desafios como consequência das escolhas que fizemos em um passado recente e das incertezas da vida. Espero que sirva de alavanca para quando você estiver passando por uma fase ruim, para que lembre que todos temos nossos bons e maus momentos, e que com coragem e determinação, tudo se resolve no final.

Este texto é sobre mim, afinal, sou eu que o escrevo, mas poderia ser sobre qualquer pessoa que você conhece. Até aquele seu amigo que parece ter uma vida perfeita, onde tudo sempre dá certo. É principalmente sobre este amigo que parece ter a vida que você sempre pediu a Deus. Pode apostar, até ele tem seus desafios, você é que não está próximo o suficiente para saber disso.

Como havia dito na abertura, este texto foi escrito pouco antes do nascimento da nossa filha, dia 13 de junho de 2013 (data do texto original, não do nascimento). Vou economizar nos detalhes, até porque faz tempo que tudo passou, e principalmente porque descobri que a dor dos outros sempre parece ser menor do que é a nossa própria dor. Quando alguns amigos passaram por situações semelhantes a algumas das quais passei, na época pensei que não poderiam estar sofrendo tanto quanto faziam parecer. Ao passar pelo mesmo, senti na pele e entendi que estando de fora, nunca temos as mesmas impressões de quem está vivendo a situação.

Somente para dar algum contexto, passamos por problemas de moradia entre a venda do apartamento antigo e a compra do novo, doença da minha esposa durante a gravidez, problemas na reforma do apartamento, e mais algumas coisas que nem valem a pena relatar aqui.

Meu avô dizia uma frase que hoje eu compreendo em toda sua profundidade: “se quiser desejar o mal a alguém, deseje que faça uma reforma.” Eu hoje entendo esta frase em todas suas sutilezas.

Naturalmente não poderia passar por estes abacaxis sem que o lado profissional fosse afetado. Apesar de não ter ocorrido nada grave, o volume de negócios caiu muito neste último ano. Quando trabalhamos com algo que depende de nossa disponibilidade em atender clientes e nos dedicarmos a buscar novos negócios, direcionar esta dedicação a “apagar incêndios” não é a melhor receita para manter boas vendas. Devido ao planejamento prévio, ao menos isso não era um problema. Só posso dizer que minha reforma custou mais do dobro do que efetivamente paguei, porque custou o que paguei, mais o que deixei de ganhar neste período.

Cada uma dessas “coisinhas” não teriam tanto peso se viessem sozinhas, mas quando ocorrem todas ao mesmo tempo, em plena “crise dos 40”, junto de um burn-out consequência de uma série de decisões e do estilo de vida que vínhamos levando nos últimos três anos, cada gotinha está na iminência de se tornar àquela que transbordará o copo.

Não citei, por exemplo, os dois meses que moramos sem pia na cozinha, sem tanque, com nossas coisas empilhadas em um quarto e sala enquanto nossa cama ficava em um quarto tão pequeno que não tinha espaço para fechar a porta com a cama dentro, em um apartamento alugado pelo dobro do que cobravam os vizinhos no prédio por conta de termos alugado sem precisar fazer contrato de longo prazo. Essa é uma daquelas dores que citei acima, que só sente quem vive a situação. E até a isso, depois de um tempo, dá para acostumar 🙂

Neste Natal, tínhamos o plano de comemorar com a família da minha esposa, em Farroupilha, na casa nova que meu cunhado comprou este ano, da mesma maneira que fizemos quando compramos o nosso primeiro apartamento. A mudança e reforma no caso dele aconteceram nos prazos e sem problemas. Infelizmente problemas de saúde na família nublaram este plano, então quem sabe conseguimos fazer isso no ano que vem.

Como escrevi antes, este não é um relato triste ou trágico. É uma lembrança presente e vívida, mas a maior parte das coisas relatadas já passou, superamos. Outras ainda estão sendo ajeitadas. Algumas já se tornaram “lenda familiar”, histórias que vamos contar aos nossos netos. Lembranças que na época foram duras, mas que quando as contarmos serão apenas histórias de vida.

Estas histórias que vivemos servem para lembrar que por piores que as coisas possam parecer na hora em que as estamos vivendo, por pior que esteja nossa situação em determinado momento, tudo que tenta nos derrubar são apenas degraus que precisamos subir para nosso crescimento pessoal. Os muros que surgem no nosso caminho servem apenas para testar o quanto realmente queremos seguir adiante, escalando-os ou dando a volta pelo caminho mais longo que os contornam. Todo desafio é semente para nossa superação.

Estou aqui, de pé, pronto para os desafios que surgem diariamente nesta nova etapa de vida, com a família aumentada. A parte boa de chegar a um “fundo do poço” físico e emocional é que daqui para frente o único destino é para cima.

Sejam bem vindos, dias de sol!

Clube Secreto

Colinho de pai

Ser pai é entrar em uma espécie de Clube Secreto, daqueles somente para os iniciados em suas artes e segredos.

Depois de ser pai, o ato dos amigos em publicar fotos com seus filhos nas redes sociais, aparentemente sempre as mesmas fotos, passa a fazer todo sentido. O sorriso de um bebê recém-nascido é sempre uma alegria imensa. Não importa se é o primeiro sorriso ou o sorriso número 8738. Todo sorriso é único, especial, e relacionado a um momento particular entre pai e bebê. Por tudo isso, merece uma foto. E a alegria é tão grande, que precisa ser compartilhada.

Eu sempre gostei de ver as fotos dos momentos de felicidade dos meus amigos com os filhos, não importando o quão repetitivas fossem. Só que agora a compreensão se dá em um nível muito mais profundo. Agora, faço parte deste Clube!

 

Apenas um objetivo na vida

Em um mês e meio nasce minha filha. Este momento, aliado aos meus atuais 40 anos, me expôs a uma nova perspectiva que não tinha pensado até então. A vida é relativamente simples quando a vemos sob uma visão mais abrangente. Foi então que me dei conta de que para viver uma vida plena não precisamos de uma constituição com centenas ou milhares de artigos, não precisamos de dez mandamentos, precisamos seguir apenas uma máxima:

Buscar ser o melhor pai do mundo!

E por melhor pai do mundo, não quero dizer aquele que faz tudo que os filhos querem, mas sim aquele que educa pelo exemplo, que mostra o certo e o errado não com palavras, mas com atitudes, dia após dia, todos os dias.

Ser o melhor pai do mundo basta. Ser o melhor pai do mundo significa mostrar para minha filha o mundo que acredito existir, com pessoas boas, preocupadas em fazer o que é certo e para o bem de todos. Ser o melhor pai do mundo é respeitar as leis de trânsito, é dirigir com cortesia, é não furar as filas, é respeitar as vagas preferenciais para idosos, grávidas e deficientes físicos.

Ser o melhor pai do mundo implica automaticamente em ser o melhor marido do mundo. Respeitar a mãe da minha filha sendo fiel e ajudar nas tarefas da casa, por exemplo, para mostrar para minha filhinha o tipo de homem que ela pode esperar encontrar para compartilhar seus dias no futuro, ou seja, nada menos do que a mãe dela tem em casa.

Ser o melhor pai do mundo é ser também o melhor amigo do mundo. É vibrar com a alegria de quem nos escolheu para compartilhar os melhores momentos da vida e ouvir com atenção quando alguma coisa os aflige. É ser parceiro para as festas e ombro amigo para as crises. É ouvir e não falar nada, ou escutar e falar até cansar, dependendo do que seu amigo precisa naquele momento. É compartilhar os melhores momentos com aqueles que escolheram a nós como sua família estendida.

Ser o melhor pai do mundo significa ser o melhor profissional do mundo. Aquele que respeita o tempo de seus clientes e colegas, chegando no horário combinado, aquele que busca o melhor para seus clientes e não apenas o melhor para si próprio, aquele que assume a responsabilidade por seus atos quando as coisas eventualmente dão errado. Ser o melhor profissional do mundo é resolver as coisas, sem jogar suas responsabilidades nas costas dos outros, ou buscar desculpas em fatores externos.

Ser o melhor pai do mundo é mostrar que o mundo é um bom lugar para se viver, e que só depende de cada um de nós mantê-lo assim. Ser o melhor pai do mundo é ser o exemplo. E torcer pelo melhor.

Este é a partir de hoje o meu único objetivo na vida. O resto é simples consequência.

Aproveite o que lhe servir

Acho que algumas vezes irrito algumas pessoas com as coisas que escrevo. Se você for uma delas, saiba que não é meu objetivo irrita-la com minhas idéias. Escrevo sobre meu dia a dia e sobre as experiências que vivo e as coisas que aprendo. Muitos desses aprendizados são bastante diferentes do status quo. E é esta diferença que costuma irritar as pessoas.

Alguns exemplos rápidos:

  • Digo que você deve trabalhar apenas com o que ama: a resposta típica é a de que não é possível ganhar dinheiro e sustentar uma família fazendo apenas o que amamos.
  • Descrevo o uso que faço dos consórcios como investimento: algumas pessoas retrucam que não é possível obter lucros com algo em que pagamos uma taxa de administração.
  • Falo que o Pensamento Positivo funciona: resposta típica, “passo horas pensando em ganhar a Megasena, mas ainda não fiquei milionário”.

Estas pessoas não se dão conta de que estão lendo e interpretando o que escrevo com seus próprios filtros e crenças limitantes. O que tento dizer é diferente do que elas compreendem. E como meus resultados não fazem sentido em sua visão do mundo, melhor atacar o mensageiro.

Fazer o que se ama não significa fazer apenas o que se gosta, mas sim, fazer algo onde na maior parte do tempo estamos fazendo o que gostamos. Significa, para um programador de computadores, trabalhar mais com programação e menos com interação com os clientes, por exemplo. Significa aceitar um emprego em uma empresa que nos agrade e rejeitar uma oferta de uma empresa que não respeite nossos ideais. Mesmo que a segunda ofereça salários melhores para tentar compensar. Mais salário provavelmente não contrabalance o stress de trabalhar em um ambiente que nos desagrade.

Investir em consórcios significa ver além dos números óbvios e compreender como a ferramenta consórcio nos ajuda a superar dificuldades que costumam nos impedir de conseguir formar patrimônio ao longo dos anos. Significa enxergar que o que se paga de taxa de administração é compensado pela velocidade com que se adquire um imóvel que irá valorizar mais do que o custo desta taxa ao longo dos anos. Significa compreender que fatores aparentemente negativos, como a baixa liquidez, na verdade são auxiliares na questão de conseguirmos cumprir com os objetivos inicialmente programados. O resultado final é atingido mais rápido e mais facilmente com esta ferramenta. Plantamos para depois colher.

Dizer que o Pensamento Positivo funciona, não quer dizer que basta ficar sentado esperando pelo melhor. Temos que agir! Pensamento Positivo funciona porque ao pensar desta maneira e externalizar isto ao mundo, atraímos para perto de nós pessoas que pensam de maneira semelhante, repelindo os negativos de plantão. Pessoas positivas geram melhores resultados porque demoram mais para desistir de algo, geralmente, aquele pouquinho a mais que era o necessário para o sucesso. Sucesso gera autoconfiança, que por sua vez gera mais sucesso. É uma bola de neve positiva 🙂

Quando ler meus textos, saiba que não escrevo verdades absolutas, mas sim, as minhas verdades naquele momento. Escrevo o que funciona para mim, não necessariamente algo que funcionará para você. Tento, sempre que possível, explicar os motivos de como as coisas funcionam para mim, tentando facilitar para você descobrir se o que relatei também funcionará para você.

Aproveite o que lhe servir. Ignore o resto. E seja feliz.

 

A Semana do Presidente

Lembro de quando era pequeno e assistia TV no domingo. Acho que era no fim dia, junto do Programa Silvio Santos. Não lembro de muitos detalhes, mas tenho certeza de que era no SBT e se não me engano, tinha narração do Lombardi, a eterna voz. O programa era curtinho, resumia o que o Presidente havia feito na semana. O único Presidente que lembro de ter isto era o Figueiredo.

Independente deste programa ter sido uma imposição da ditadura militar em troca da concessão do canal, ou algo parecido com isso, acho que a idéia é bastante válida para implementar no campo pessoal. O pessoal que perde tempo pesquisa organização e otimização do tempo, como técnicas GTD e coisas do tipo, costumam ter algo como “revisão semanal”. Acredito que um tempo dedicado a reflexão do que aconteceu na semana, não apenas as tarefas realizadas, mas as pessoas com quem se conversou e as lições aprendidas, é algo que pode trazer grande conhecimento de si mesmo e acelerar o crescimento pessoal.

Meu texto de retrospectiva dos últimos 15 meses teve bastante repercussão, recebi diversos emails fazendo comentários complementares ou tentando a ajudar a resolver uma ou outra questão comentada. Algumas pessoas escreveram simplesmente para agradecer, por se verem refletidas em algumas das situações descritas. Vou fazer a experiência de algo mais formal, não sei se será toda semana ou se uma revisão mensal já seria o suficiente, mas começa hoje, de maneira oficial:

A Semana do Presidente

Esta semana participei da apresentação de um novo plano de consórcios da Rodobens, logo na segunda-feira. Lançaram um plano para compra de veículos usados, basicamente um consórcio como outro qualquer, já que todo consórcio de veículos, motos ou caminhões pode ser usado para compra de qualquer veículo, novo ou usado. O título na verdade se refere à faixa de valores, entre R$ 12.000 a R$ 24.000, uma faixa ainda não coberta pela Rodobens, que possuía consórcios de menor valor com os consórcios de moto e de maior valor com os de veículos em duas faixas distintas, a partir de 24.000 para o carro mais barato. Então, querendo um consórcio de veículos entre R$ 6.000 a R$ 300.000, pode contar comigo. Lembrando que consórcios de veículos são a melhor maneira de automatizar e otimizar a questão de renovação da frota, seja de apenas um veículo de uso particular, seja de uma empresa com dezenas de veículos rodando diariamente.

Tive algumas frustrações profissionais neste mesmo dia, nada que valha a pena comentar em detalhes, apenas o de sempre, pessoas fazendo patetices sem sentido, criando regras rígidas onde a flexibilidade seria muito mais adequada para elas. Nada que não se resolva rapidamente, mas me impressiona como podem andar para frente tais pessoas. É um passo para frente, dois para trás.

Na terça-feira tenho uma longa página em branco na agenda e na quarta-feira, apesar de ter vários rabiscos, simplesmente não trabalhei. Passei ambos os dias divagando sobre questões existenciais, seja em casa, seja vendo alguns seriados que ainda não tinha posto em dia (a saber, assisto The Mentalist, The Big Bang Theory, Hawaii 5.0, The Game of Thrones e House).

Teria uma reunião importante com uma grande administradora de consórcios (que não é a Rodobens), mas o pessoal que ficou de me ligar para confirmar o horário simplesmente não ligou. Não sei se não vieram a Porto Alegre (falaria com o diretor geral e acionista principal da empresa) ou se arranjaram compromissos mais importantes do que eu. Semana que vem descubro isso.

Também passei um bom tempo pesquisando sobre mochilas, mais especificamente as Goruck, da qual a que mais se adapta ao meu perfil é a Goruck Radio (fica a dica para quem quiser me dar um presente qualquer hora destas). É uma mochila cara, mas feita de cordura 1000D que dura a vida toda e fabricada nos Estados Unidos, com mão de obra americana, coisa que eles explicam exaustivamente no site. A empresa foi fundada por um ex-fuzileiro naval, buscando criar produtos que aguentem qualquer parada. Também a garantia deles é para toda vida, ou seja, se rasgar, raspar, falhar um zíper (YKK made in USA), ou qualquer coisa deste tipo, é só mandar para eles que consertam sem cobrar nada.

Ontem, quinta-feira, o dia foi de grandes questões pessoais. Refleti sobre a mudança para São Paulo, no próximo dia 22, sobre as reformas necessárias no apartamento que compramos no início do ano e onde estamos vivendo desde então e sobre diversas questões mais subjetivas como viagens e a importância que viver novas experiências tem na minha vida.

Quinta-feira também foi um longo dia de trabalho, respondendo diversos emails. A maioria das pessoas não sabe exatamente como eu trabalho, como faço as vendas de novos consórcios para os investidores e interessados em imóveis que atendo ou o que pode ser meu dia a dia. Para ter uma idéia, somente ontem eu respondi emails relativamente longos e bem detalhados para 14 novas pessoas. Estas são pessoas que antes disso, nunca tinham entrado em contato comigo, ou seja, novos amigos que fiz nesta semana. Na segunda-feira, tinha oito novos contatos deste tipo, então foi uma semana relativamente tranquila, onde conheci apenas 22 novas pessoas até agora (vai aumentar, pois já dei uma bisbilhotada nos emails que ainda tenho na caixa de entrada).

Para dar uma idéia mais efetiva, desde o início do ano já conheci e respondi 381 pessoas novas, com as quais ainda não tinha falado pessoalmente ou por email. Conhecer estas novas pessoas é uma das coisas mais legais do meu trabalho. Aprendo muito com a vivência diferenciada de cada um. Além destas, respondi dezenas de pessoas com quem já tinha uma linha de contato prévia. Meus dias profissionais são, basicamente, respondendo emails com dúvidas de possíveis clientes, de investidores que desejam iniciar seus projetos, de pessoas que sonham com a casa própria e precisam de ajuda para encontrar a melhor maneira de realizar isto e de empreendedores que veem minhas realizações pessoais e profissionais e desejam se espelhar em mim para alcançar seu sucesso pessoal. Agradeço todos os dias por poder conhecer e ajudar tanta gente interessante, mas agradeço mais ainda por poder aprender com tanta gente interessante.

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Então era isso, o formato me lembra um pouco alguns capítulos dos livros do Donald Trump, onde ele descreve uma semana de trabalho dele. No segundo livro em que usou esta técnica, comentou que obteve bastante resposta aos capítulos em que fiz isso pela primeira vez. Nos próximos, penso em ser um pouco mais específico em alguns pontos, com detalhes de tarefas e os resultados esperados. Algumas coisas tem que ficar guardadas enquanto não são lançadas ao mundo, então infelizmente não poderei falar de todos os detalhes de negócios que estão acontecendo, mas vou tentar relatar o máximo possível.

Agora começa um novo dia, para os curiosos de plantão, normalmente como granola com leite e alguma fruta no café da manhã. Caminho 5Km, tomo um banho e começa meu dia profissional. A parte da caminhada vinha sendo deixada para trás nos últimos tempos, mas hoje retomo isto também. Sexta-feira é um dia especial, almoço com os amigos da época da faculdade. Com a mudança para São Paulo, vamos ver se consigo manter isso com os desgarrados que já foram antes de mim.

Retrospectiva dos últimos 15 meses

Este é um daqueles textos que costumo escrever para mim mesmo, sem intenção de publicar. É algo como “meu querido diário”, uma conversa minha comigo mesmo, para reflexão e para quem sabe, lembrar de como eram as coisas alguns ou muitos anos atrás. Só que o ano passado foi um ano de muitas realizações e de muitos desafios pessoais, com coisas boas e ruins acontecendo quase todas as semanas. Anos assim são bons, pois saímos da rotina, e saindo da rotina, aprendemos. Enviei este texto em diversas versões, algumas mais acabadas, outras menos, para alguns amigos mais próximos. Todos falaram o mesmo: publica, que mais pessoas podem aproveitar ou aprender alguma coisa com estas experiências. Então aqui está, um breve relato do que aconteceu na minha vida nos últimos 15 meses, com comentários sobre os fatos e algumas coisas que já destilei de aprendizado. Espero que a leitura seja útil para você, como foi para mim o fato de ter escrito isso.

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O ano de 2011 foi bastante intenso para mim. Há anos sonhava em morar no Silicon Valley, na California.. Sonhava viver onde toda a história da tecnologia acontece. Finalmente, depois de anos de espera e prorrogações sem fim, estava decidido a viver esta aventura. Iria morar lá durante seis meses, sem grandes planos prévios. Era viajar e viver um dia após o outro, com todas as descobertas e desafios que isso me traria. Iria com minha esposa, que não via a aventura com a mesma expectativa que eu, mas que sabia o quanto isso era importante para mim e meu desenvolvimento pessoal. No final, aconteceu tudo diferente e ela se divertiu bastante, mas chego nestes detalhes em breve.

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Esse negócio de morar no Silicon Valley era como a história do Jeep que comprei (dois, um azul e um prata). Sempre havia sonhado em ter um Jeep antigo, até que um dia comprei. Foram duas felicidades, a de comprar e a de vender poucos meses depois. Não nasci para isso, mas descobri da minha maneira, na prática. Com a Harley-Davidson foi diferente, experimentei e gostei muito, tive duas Harleys. Vendi porque cada coisa tem seu momento para acontecer, e no caso das motos, o momento foi e não é mais agora. Certamente voltarei a ter uma Harley no futuro não muito distante.

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Bom, falei que 2011 foi um ano intenso. A viagem para os Estados Unidos estava marcada para março. No meio de fevereiro, no entanto, um convite completamente inesperado chega no meu email. Um amigo, investidor da minha empresa de consórcios imobiliários que morava no Japão, pergunta se não gostaria de ir visitá-lo na Terra do Sol Nascente para explicar o investimento em consórcios e desenhar um plano de aposentadoria para dekasseguis que moram e trabalham lá com o objetivo de voltar ao Brasil com condições de viver uma vida digna com o patrimônio que conseguem construir com o que ganham lá. Naturalmente disse que adoraria conhecer o Japão e conhecer todos pessoalmente. Falei da minha viagem para os Estados Unidos e disse que estando lá, seria até mesmo mais fácil, pois estaria mais próximo do Japão. Perguntei quando ele gostaria que eu fosse e a resposta me pegou de surpresa: se possível, antes de ir aos Estados Unidos.

Mandei um email para outro amigo, agente de viagens, perguntando sobre os custos e possibilidades de passagem para o Japão nas datas estimadas. Ele não apenas me mandou os valores, mas fez um pouco mais, fez as reservas. Se realmente quisesse viajar, bastava avisar que ele confirmaria as passagens. Mais alguns emails e telefonemas e estava tudo certo, eu e minha esposa embarcaríamos para o Japão em menos de uma semana, para ficar por lá durante vinte dias. Prorrogamos as passagens para os Estados Unidos para duas semanas depois da nossa volta e uns dias depois iniciamos nossa jornada para o outro lado do planeta.

Viagem maravilhosa, pessoas incríveis, histórias de vida que me tocaram e me fizeram conhecer uma nova realidade. Agradeço muito por poder ter tido as experiências que tive enquanto estive por lá. Escrevi sobre a experiência em textos anteriores a este.

Saímos do Japão poucas horas antes do tsunami e terremotos que atingiram a ilha. Estávamos voando quando a tragédia estava acontecendo. Muita sorte. Se a tragédia acontecesse poucas horas antes, não teríamos conseguido partir.

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Ao voltar do Japão e preparar a ida para os Estados Unidos, problemas. Minha sogra teve algo em um dos olhos que ficou “cego”. Como isso era acompanhado de enxaquecas, a preocupação com algo mais sério no cérebro foi algo que cogitamos. Exames e mais exames não identificavam o problema e com isto acontecendo, naturalmente prorrogamos a viagem uma segunda vez. E ainda uma terceira vez, até descobrirmos o que havia com ela.

Algumas semanas depois, com direito a internação hospitalar para observação e toda a preocupação que isso implica, finalmente descobriram o que havia de errado e como tratar o problema. Com a situação sob controle, voltamos ao plano da viagem. Partimos dia 27 de maio.

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Morávamos em um apartamento enorme em um bairro maravilhoso da cidade. Compramos bem, pagamos barato. Na época era um passo muito maior que a perna e a justificativa maior para a compra foi para ajudar a tapar um pouco o buraco emocional enorme causado pela perda do meu cunhado para um câncer, com apenas 29 anos de idade. O impacto disto para minha esposa e minha sogra não pode ser descrito com palavras. Alguma coisa boa precisava acontecer naquele ano, naquele mês, e este passo enorme na compra de um apartamento maravilhoso, mas que não sabíamos como pagar foi o que fiz, sem pensar muito nas consequências futuras. Isso aconteceu em 2008.

Passo dado, felizmente as coisas deram certo, os negócios prosperaram e tudo acabou bem. Ou quase. O apartamento era bastante antigo e nunca havia sido reformado. Sistematicamente cada pedaço do apartamento começou a entrar em colapso, culminando com os encanamentos que nos levaram, nas semanas que antecediam a mudança para o Silicon Valley, a fechar os registros e ficar sem água quente nos banheiros principais. Tivemos que reativar o banheiro da área de serviço, que havia se transformado em uma pequena despensa, comprando um chuveiro elétrico e adaptando uma espécie de cortina no local onde ficava a porta, que havia sido retirada anos antes, logo que nos mudamos para lá.

Havíamos colocado o apartamento a venda muito tempo antes, quando ainda pensávamos que poderia não ser possível bancar o custo do mesmo. Além disso, como compramos bem, havia a possibilidade de ter um bom lucro com ele, nos permitindo dar outros passos mais adiante. Dois anos se passaram e muitas ofertas vieram, mas gostávamos de lá, e com as coisas dando certo nos negócios e o pagamento do apartamento não sendo mais problema, uma venda só seria feita se tivéssemos um bom lucro no negócio. Com os problemas que começaram a acontecer, já estávamos propensos a aceitar ofertas menores do que estávamos pedindo, para não precisar passar pelas reformas que teriam que ser feitas se fôssemos continuar lá. Ofertas vieram e vendas deixavam de ser concluídas por detalhes irrelevantes. Era como se não fosse para vender o apartamento naquele momento e naquelas condições.

Fechamos tudo e fomos para os Estados Unidos. Como uma das negociações havia sido praticamente concluída, com a compradora desistindo na última hora, já havíamos até mesmo nos desfeito de alguns móveis maiores e encaixotado todos nossos objetos pessoais. Nossos pais ficaram com as chaves para qualquer emergência enquanto estivéssemos fora e algumas imobiliárias continuariam marcando visitas na nossa ausência.

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Os três meses nos Estados Unidos foram fantásticos. Completamente diferentes do que havíamos “não planejado”. A idéia original era alugar um apartamento pequeno e ter uma base no Silicon Valley para viver o dia a dia da região. No final das contas acabamos morando em hotéis o tempo todo, tendo mais flexibilidade, viajando mais e conhecendo mais locais do que o previamente imaginado. Até o Hawaii, nunca pensado antes de sairmos do Brasil, ganhou nove dias de nossa presença.

Foram três meses no total, intercalando meu trabalho no Brasil com os consórcios e investimentos imobiliários executado através da internet, passeios nos momentos em que o fuso horário não permitia o trabalho no Brasil, e viagens por outras cidades e estados, incluindo Reno, Lake Tahoe, Grand Canyon, Las Vegas, San Diego, Los Angeles, Santa Barbara, San Simeon e o Hearst Castle, Carmel e Monterey, Santa Cruz, Half Moon Bay e o Ritz-Carlton, Berkeley, Emeryville e a sede da Pixar, voltando ao coração do Silicon Valley com Sunnyvale, Mountain View, Palo Alto, Santa Clara e San Jose, não esquecendo, claro, de San Francisco, onde assistimos não apenas a ópera O Anel do Nibelungo, de Richard Wagner, mas também a famosa Parada Gay, para finalmente embarcar rumo ao Hawaii e então voltar para o Brasil. Um período sabático relativamente curto, mas bastante bem aproveitado. Tendo curiosidade sobre a viagem, publicamos os detalhes em um blog exclusivo para isso em http://viagemperuzzo.blogspot.com.br/

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O Hawaii é simplesmente fantástico. Eu, que não sou dos maiores fãs de praia, simplesmente amei tudo por lá. Foi o único lugar em que realmente tirei férias de verdade, daquelas de não fazer nada, cercado pela beleza mais deslumbrante que poderia haver e com a civilização e todos os seus confortos sempre a disposição. Os mesmos shopping centers e lojas encontrados em todo lugar nos Estados Unidos estão presentes também no Hawaii.

O povo local é absolutamente amável, adorando sua cultura e sua história. Andando na rua, mais de uma vez fomos abordados por locais que perguntavam se estávamos gostando da ilha, se já tínhamos visto isso ou aquilo, dando orientações de como chegar nos melhores locais. E da mesma forma que nos abordavam para conversar, se despediam e seguiam seu rumo, sem tentar nos vender coisa alguma, simplesmente felizes de poder indicar algo interessante para conhecermos.

Os turistas no Hawaii são em sua absoluta maioria japoneses. A viagem do Japão para o Hawaii é de 7 horas. Da Califórnia para lá é de 5 horas, então em termos de distância, não é essa a explicação para tal invasão nipônica. O fato é que tudo lá possui indicação em japonês junto com as orientações em inglês. Em alguns locais há somente indicações em japonês. Dos hábitos curiosos dos turistas japoneses o mais “diferente” dos nossos é o fato de irem para praia completamente cobertos, com mangas compridas, calças compridas, muitas vezes blusas com capuz cobrindo a cabeça e sempre com toalhas ou algo protegendo a pele não coberta por roupas do sol.

Pensando em um lugar onde o clima é sempre bom, o povo amável, há diversas opções de lazer e a beleza natural é indescritível, não conheço lugar melhor que o Hawaii para uma temporada espetacular.

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Certas coisas não deveriam acontecer, mas infelizmente acontecem, e nos pegam completamente desprevenidos, nos deixando sem ação. Aquela frase de que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, MENTIRA! Ainda estávamos nos Estados Unidos quando veio a notícia: minha prima, com pouco mais de 40 anos, teve detectado um câncer. Faleceu em 62 dias, logo após termos voltado. Já ter passado por isto uma vez não nos prepara para repetir a dose. Tudo é revisto quando nos damos conta de como é frágil a linha que nos mantém aqui. Falei sobre isso em um vídeo que publiquei logo após o acontecido.

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Voltamos ao Brasil dia 31 de agosto. Assinamos a venda do apartamento dia primeiro de setembro pelo valor que estávamos pedindo originalmente, sem choro, sem descontos. O lucro com este negócio foi o rendimento do valor que havíamos pago pelo imóvel, mais o fato de termos morado “de graça” ao longo dos três anos em que ficamos lá. O comprador também fez um excelente negócio, por isso não pechinchou. Comprou um apartamento gigantesco na melhor região da cidade por um valor ínfimo perto do que estava sendo pedido por apartamentos semelhantes. Só viríamos a descobrir isso depois de ter assinado a venda…

Vendemos, mas não tínhamos onde morar. Hora de procurar um novo apartamento. E aí é que estava o problema, os preços, nos meses em que estivemos fora, simplesmente dispararam de maneira fora do comum. Não havia mais imóveis na faixa de valores que tínhamos a disposição. Todos que procuramos e olhamos eram absurdamente piores do que o nosso antigo apartamento. E todos muito mais caros! Um início de depressão começou a se instalar em nós. Tínhamos prazo para entregar o apartamento e uma pequena esperança de encontrar algum lugar para morar antes da próxima viagem já marcada, para Cancun e Miami como prêmio da Rodobens pela performance em vendas durante o ano.

Perdidos entre procurar apartamentos para comprar ou alugar, acabamos não achando nem um nem outro. Na última hora conseguimos uma solução paliativa, com amigos/parentes que recém haviam comprado um apartamento novo e não iriam se mudar imediatamente, nos disponibilizando o mesmo em um aluguel direto, sem contratos longos, por apenas dois meses que imaginávamos ser suficientes para conseguir finalmente achar um apartamento adequado para comprar. Oferecemos o dobro do que custaria o aluguel lá, mais ou menos o que custaria para alugar um apartamento muito maior, com o dobro do espaço, mas a conveniência de não ter um contrato de longa duração valia a pena o custo maior.

Se arrependimento matasse… E falo isso sobre a venda do apartamento enorme e do aluguel caro e por pouco tempo do apartamentinho novo. Em ambos casos desobedeci minhas próprias regras, de não me desfazer de patrimônio já conquistado e de não pagar mais do que valem as coisas (no caso do aluguel).

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Sair de 162 metros quadrados para apenas 49 é complicado. Mais complicado é mudar para um apartamento que ainda não havia sido completamente entregue. Não havia pia na cozinha, então tínhamos o tanque para lavar a louça. Não havia espaço para nossos móveis, muito grandes para o novo espaço. Conseguimos a garagem de um amigo para deixar sofás, armários e outros móveis grandes. Tínhamos todas nossas caixas ocupando o quarto maior do apartamento, sem espaço para circular no mesmo. No quarto menor coube nossa cama de casal, sobrando 20 cm de cada lado. Não havia espaço para fechar a porta, pois a cama trancava o curso da mesma.

Não tínhamos fogão. O gás neste prédio novo vem direto do gasoduto, uma novidade em Porto Alegre. O fogão precisava de uma adaptação para funcionar com a menor pressão do gás natural que vem desta forma. A Sulgas, empresa responsável pela comercialização, faz esta adaptação sem custos, mas apenas com dia e hora marcados previamente. Somente em um dia da semana, marcado na semana anterior. Com a viagem para Cancun e Miami no meio deste período, se fizéssemos a adaptação, seria para apenas duas semanas, tendo que desfazer depois, com custo, quando desocupássemos o apartamento. Aprendemos a cozinhar com uma panela/grill elétrico, a usar mais o forno de microondas e a comer fora com maior regularidade.

Algumas semanas depois o pessoal que iria entregar os móveis da cozinha, área de serviço e banheiro foram lá instalar tudo. Retiraram o tanque original que estava nos servindo de pia para instalar o armário onde ficaria um tanque de alumínio. Retiraram a pia do banheiro e instalaram o armário lá. Neste momento não tínhamos mais tanque, nem pia da cozinha, que nunca havíamos tido, nem pia no banheiro. Sem o tampo de pedra dos móveis, adaptei a pia solta que haviam deixado no banheiro com a torneira que havia sobrado da pia antiga que haviam levado embora.. Então nossa vida agora dependia de uma pia bamba no banheiro para escovar os dentes, e também para lavar a louça.

Quando chegou a vez de entregar o tampo de pedra das pias e do tanque, mais um problema. O local onde ficava a máquina de lavar teria uma bancada de pedra no lugar da máquina. Os proprietários pretendiam comprar uma máquina de lavar com porta frontal e a nossa era com abertura superior. No final das contas um cano que deveria ficar abaixo de onde seria instalada a bancada estava acima da mesma, tendo que quebrar a parede e refazer a posição. Isso ficou para depois da nossa saída, então ainda tínhamos a máquina de lavar roupas funcionando.

A situação estava complicada. Não dá para esquecer que junto de toda esta bagunça nas rotinas do dia a dia, também estávamos sem acesso decente à internet. Não havia como contratar a internet que queríamos no bairro onde estávamos e a que não queríamos, mas que resolveria a situação paliativamente, tinha um contrato de dois anos que não fazia sentido assinarmos.

Complicava ainda o fato de não estarmos encontrando um apartamento para comprar com o valor que havíamos recebido pela venda do nosso. Sei que tudo que sobe, uma hora desce, ou ao menos deixa de subir e o dinheiro investido alcança o valor mais cedo ou mais tarde, mas a situação estava emocionalmente complicada. E com emoção, não há razão que resolva.

Foi um período complicado. Mesmo.

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Mais um ano como representante categoria Diamante na Rodobens e mais uma vez, uma viagem internacional para a convenção anual de premiação. Em 2010 havia sido Paris, 2011 era Cancun e Miami. Viajar no meio da bagunça que estava nossa vida pessoal não foi o melhor momento, mas lá fomos nós mesmo assim. Seria interessante conhecer um lugar que todos falavam bem e no fundo queríamos ver se encontrávamos uma alternativa de praia tão boa, mas mais próxima do que o Hawaii.

Cancun tem águas lindas e quentes, mas não conseguimos conhecer direito as coisas por lá. Em parte, tínhamos a programação da Rodobens a nos tomar algum tempo, afinal era um misto de prêmio com trabalho, mas o maior problema foi o clima não ter ajudado. Mudanças climáticas enormes fizeram um furacão passar por lá justamente no dia que teríamos livre, com direito a quartos alagados e tudo mais. Ficamos presos no hotel, com o exército na praia impedindo a circulação. No dia seguinte, tudo tranquilo, como se não houvesse havido nada, mas aí eu estava com uma dor de cabeça insuportável e fiquei dormindo no quarto do hotel. Dia perdido. De noite fomos ao restaurante Pericos, um restaurante com show local onde o próprio lugar é todo decorado com as famosas caveiras mexicanas, muitas cores e muita diversão. Temos que voltar, mas com mais tempo e com clima melhor.

Miami continua sendo Miami, um pedaço da América Latina encravado nos Estados Unidos. Pegamos dois dias de chuva, um deles inteiro dentro de um shopping center. Bom para a maioria dos representantes da Rodobens que estavam conosco nesta etapa da viagem, mas para nós, que vamos seguido para os USA e de onde havíamos acabado de voltar havia poucos meses antes, foi uma enorme perda de tempo. Valeu a pena a ida para Miami por ter conseguido achar e comprar o aparelho APAP que precisava para tratar minha apnéia do sono.

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Depois de visitar inúmeros apartamentos e descartar muitos mais diretamente pelas descrições das imobiliárias, finalmente colocamos os olhos no apartamento dos nossos sonhos pelo valor correto. Trocamos o espaço físico que tínhamos no apartamento antigo por uma estrutura de condomínio (piscinas, salão de festas, sala de ginástica, bosque, quadra de tênis, etc.). Permanecemos no mesmo bairro, a duas quadras de onde morávamos. Trocamos um segundo andar com vista para a rua e posição solar mediana por um oitavo andar com a melhor posição solar possível e uma vista simplesmente deslumbrante da cidade. A disposição das peças é ótima, perfeita para nossas necessidades. Simplesmente encontramos o apartamento que nos servirá tranquilamente pelos próximos anos, incluindo aí os filhos que pretendemos ter e todo o espaço para eles e crescerem com segurança e tranquilidade.

O parágrafo anterior foi escrito no final de 2011, logo após a compra do apartamento, ainda animados com o achado. Escrevo este parágrafo em abril de 2012, instalados aqui desde 28 de dezembro de 2011, mas ainda “acampando”, sem ter feito a reforma que gostaríamos, por ainda estar decidindo detalhes da futura decoração. As coisas estão bem complicadas ainda, emocionalmente falando. Parece que ainda não nos encontramos em relação às coisas. Estamos numa espécie de limbo emocional desde a venda do apartamento antigo. Espero que a reforma resolva esta questão.

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Foram muitos os sinais que recebemos indicando a necessidade de venda do apartamento em que estávamos. Apesar de grande, não estávamos completos ou tranquilos lá. Era ótimo, mas parecia não ser o local certo para nós. Com a venda e então a busca por alternativas, e a sequência de frustrações em encontrar algo que nos atendesse por valores factíveis, veio o medo de que tivéssemos feito o melhor negócio financeiro de nossas vidas, mas ao mesmo tempo, o pior negócio possível para o futuro da nossa família. A leve depressão que estava começando logo depois da venda do apartamento e a onda de imóveis fora das nossas possibilidades, potencializada com a mudança para a situação de “acampamento” do apartamento provisório que conseguimos estava começando a tornar a vida bastante insuportável.

Agora, com as coisas se normalizando, com o novo apartamento já comprado, faltando apenas alguns dias para nossa mudança para o novo lar e a tranquilidade voltando às nossas vidas, fico até um pouco envergonhado de escrever isso, porque penso: como posso entrar em depressão com alguma reserva de dinheiro no banco, os negócios e empresas andando bem, saúde em ordem e uma vida inteira pela frente? A questão é que nossa mente é algo que não sei explicar, e o fato é que a depressão, que neste momento já me parece completamente ridícula, há poucos dias atrás parecia o fim do mundo e o início de uma vida de privações sem fim, onde iríamos cada vez mais para o fim do poço.

Não sou ingênuo nem alienado, sei dos problemas do mundo, sei das dificuldades imensas que a absoluta maioria da população passa. Sei que gente passa fome, vive nas ruas. A idéia de ficar deprimido por “não ter onde morar”, podendo alugar qualquer imóvel com um estalar de dedos, agora me parece ridícula. Ainda assim, é exatamente desta maneira que estava me sentindo, deprimido, como se o mundo fosse acabar para minha família se a situação perdurasse por mais tempo.

Como li ainda hoje no twitter: “minha filha, pobre não tem direito a depressão, para poder ter direito a ficar deprimida tu tens que ganhar muito mais.”

No final das contas, esta situação toda serviu como um toque de humildade e empatia com algumas pessoas que me escrevem. Estando fora da situação que elas estão vivendo, muitas vezes penso: “como é que podem estar deprimidas, não vêem que não há motivos para isso, que as coisas podem estar um pouco piores do que estavam, mas em breve se resolverão. E que se não voltarem a ser tão boas como eram, ainda assim são completamente aceitáveis, sem dramas, afinal, têm um teto sobre suas cabeças, um emprego que paga as contas e um futuro inteiro pela frente”. E no final, vivendo algo do tipo, lá estava eu, deprimido com uma situação muitas e muitas vezes melhor do que a que eu mesmo vivia há poucos anos atrás.

Que esta experiência me deixe isso de lição: “não julgar nunca como os outros podem estar se sentindo, o que parece patético para nós pode ser bastante sério para quem está no meio do furacão, hoje eu sei disso, senti na minha própria pele.”

E que me deixe ainda a outra lição importante: nada é definitivo, tudo se resolve, mais cedo ou mais tarde, de uma forma ou de outra. Pode não voltar imediatamente ao mesmo patamar onde estávamos, mas as vezes, é preciso dar um passo para trás para então poder dar dois para frente.

Há quatro anos atrás eu tinha cinco vezes menos patrimônio do que tenho hoje, e a vida estava fantástica, cheia de possibilidades. Meu EU daquela época deve estar rolando de rir de mim agora. E deve estar me xingando muito, porque vou te contar, olha para a situação, coloca as coisas no papel, compara com alguns anos atrás. Um tombinho por um negócio aparentemente errado não pode tirar uma pessoa do prumo como me tirou nestas últimas semanas. E pior, com a compra do novo apartamento, não houve nem tombo nem tombinho, pelo contrário, houve uma evolução na vida, nas possibilidades e nas felicidades que estão por vir. Desculpa Fabrício de hoje, mas o Fabrício de quatro anos atrás com certeza está rindo de ti até agora. Isto é patético.

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Como escrevi no início, não tinha a intenção de publicar este texto, mas foi bom escrever tudo isso. Me ajudou a colocar as coisas novamente em perspectiva. Então publico para servir como exemplo de que viver é estar constantemente passando por experiências novas. E quando estas experiências parecem não ser as melhores, que este texto ajude a vislumbrar que dias melhores virão. Nunca acaba enquanto não termina. E só termina quando dizemos que terminou.

Sou feliz, e os momentos difíceis servem para testar a força que não sabemos ter até precisar contar com a energia que possuímos lá dentro de cada um de nós. Vencemos mais uma batalha. Na próxima, estaremos mais sábios e mais preparados.

Este foi meu ano de 2011. Como foi o seu?

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Continuo a escrever em abril de 2012. Os três primeiros anos foram bagunçados emocionalmente, as coisas ainda não estão bem resolvidas e a reforma que precisamos fazer no apartamento não está acontecendo ainda. Indecisões, indecisões. É o problema de ter muitas possibilidades, todas igualmente boas. A dor da escolha…

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Já nos negócios, os dois últimos meses foram os melhores que já tive em toda a história da Megacombo e de qualquer outra empresa que já possuí. Vendi três vezes mais do que minha média mensal, durante dois meses seguidos, com tendência a continuar assim ou até melhorar. Em paralelo a isso, tenho um projeto de negócio que pode alçar a vida a vôos ainda mais altos, muito mais altos. As coisas estão realmente muito boas na vida profissional. Deve ser aquela coisa de equilíbrio, de depois da tempestade vir a bonança…

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No próximo dia 22 mudamos para São Paulo. O apartamento em Porto Alegre permanece conosco, claro. Não cometeremos a mesma burrice de vender antes de termos outro, ou melhor, não nos desfazemos mais de patrimônio, só acrescentamos, sem tirar. Mas voltando para o assunto São Paulo… Nos mudaremos para testar algumas possibilidades comerciais. Tenho o projeto de negócio que citei antes, tenho os negócios com investimentos imobiliários e com investimento em consórcio que são minha especialidade, enfim, faremos um período sabático de pelo menos três meses, sem prazo definido para concluir, para ver como as coisas se comportam.

Em outras vidas devemos ter sido ciganos, porque vai gostar de mudanças assim sei lá onde… Como digo, cada mudança, cada nova experiência em que nos colocamos, mais temos a aprender. Mesmo as experiências ruins, talvez até mais estas, tem muito a nos ensinar.

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Era isso. Se você leu até aqui, parabéns pela paciência. Espero que este texto possa ter ajudado em algo. Obrigado pela atenção.