Arco-íris

Minha irmã fez uma breve comparação entre os estilos literários da família.

arco-iris-pMinha irmã fez uma breve comparação entre os estilos literários da família. Não exatamente isso, leia o texto dela para compreender.

A ordem dos livros na minha estante não é exatamente a mesma que ela descreveu mas os títulos são os mesmos, com a inclusão de algumas biografias de milionários e bilionários para saber o que outros já conquistaram.

Há de se ressaltar que o pote de ouro simboliza a felicidade. E que a felicidade não se encontra no final do arco-íris, ela está em cada passo do caminho colorido que temos que percorrer do início ao fim da vida.

Da mesma maneira, a busca da independência financeira ou da riqueza também não é o objetivo final da minha caminhada. A caminhada em sí é o que importa. Cada passo, os caminhos escolhidos, as amizades conquistadas, os viajantes para os quais damos da nossa água ou que simplesmente ajudamos com a informação sobre a rota mais adequada. Tudo nos leva ao final do arco-íris.

A riqueza não é algo a ser conquistado. A riqueza é o simples resultado das nossas escolhas diárias. É celebrar a beleza de cada dia que passamos com quem amamos.

Quer ganhar 1 milhão?

Vídeo interessantíssimo que assisti ontem de uma palestra do Gustavo Cerbasi, o cara que vendeu mais de 500.000 exemplares do livro Casais Inteligentes Enriquecem Juntos. Nesse vídeo, o autor fala da forma de pensar riqueza de outros povos em relação ao nosso.

Investimentos Inteligentes - Gustavo CerbasiAbaixo segue o texto de apresentação de seu novo livro, Investimentos Inteligentes. Não preciso dizer que já li este e também os outros livros dele e indico fortemente a leitura a todos que desejam conquistar um futuro financeiro excepcional. Basta clicar nos links dos títulos dos livros e comprar diretamente no site do Submarino para receber os livros no conforto do seu lar.

O mais novo lançamento do autor é Investimentos inteligentes, onde o consultor financeiro prova que alcançar um milhão não tem nada de impossível e que, com a postura certa, podemos multiplicá-lo e transformá-lo em muitos milhões. Com as carreiras cada vez mais curtas e a vida cada vez mais longa, buscar a independência financeira é uma questão de sobrevivência. E qualquer pessoa pode alcançá-la ou mesmo chegar ao seu primeiro milhão se souber investir de forma inteligente — ou seja, escolhendo investimentos com os quais se sinta à vontade. Investimentos inteligentes, portanto, não ensina quais os segredos do melhor investimento do mundo, mas nos ajuda a descobrir qual a forma de investir mais indicada para cada um de nós. Cerbasi não dá o peixe, ele nos ensina a pescar.

Coleção Investimentos - Gustavo CerbasiConheça também os outros livros do autor. Clique na figura ao lado para comprar a coleção com um bom desconto.

Como ganhar mais dinheiro e conhecimento com o Efeito Medici.

Hoje, respondendo a um email, meu cérebro fez um click diferente e comecei a escrever um monte de coisas aparentemente desconexas mas que no final, fizeram todo o sentido. Pelo menos para mim.

Resolvi relatar isso aqui, em parte porque se deixasse perdido na minha caixa de “Itens Enviados”, ficaria lá, no limbo. E em parte porque alguém mais pode se beneficiar das descobertas que fiz. Resumidamente se trata de aprendermos com as experiências dos outros e de ajudarmos os outros sem esperar retorno, pois com certeza ele virá de formas que nunca poderíamos imaginar.

A história da criação da Megacombo, minha empresa para a venda de consórcios é meio reflexo disso. O que fiz foi simplesmente expandir meu investimento pessoal em consórcios divulgando o que fazia e ajudando outras pessoas a ganhar dinheiro da mesma forma que eu estava ganhando. E ao fazer meus movimentos no tabuleiro, mover junto todas as peças dos amigos que resolveram investir da mesma forma que eu.

Agradeci ao Gabriel por ter enviado o email que originou este assunto. Ele simplesmente pedia informações sobre o investimento em consórcios, mas fez isso de forma impessoal, mandando um email para megacombo (a) megacombo.com.br e não para meu email pessoal fabricio (a) megacombo.com.br, e escrevendo que descobriu o site lendo um artigo “do Fabrício”, sem saber que a Megacombo é uma empresa de um homem só 🙂

Por conta disto, achei que seria legal da minha parte me apresentar direito, apresentar a Megacombo, explicar que nas outras empresas que tenho participação, tenho sócios, funcionários, parceiros diversos, mas na Megacombo sou apenas eu. Na verdade, não sou apenas eu. Foi o que iria tentar explicar. Sou eu, mais o conhecimento coletivo de todos que entram para este meu mundo particular.

Por exemplo, um amigo de Minas Gerais contemplou uma carta e com ela, adquiriu uma unidade em um flat da região. Me mandou um email falando disso, dando detalhes do que havia feito e de como estava ganhando com isso. Aqui em Porto Alegre, conversei com outro amigo sobre esse assunto. Ele gostou e arquivou a informação dentro da cabeça dele. Uns meses depois, surgiu uma proposta de aquisição de um flat para esse meu amigo. Coincidência? Pode ser. Prefiro chamar de sincronia. De toda forma, boa parte do conhecimento de como funcionaria este investimento já tinha sido mastigado no cérebro deste meu amigo. Isso permitiu um grande atalho entre o tempo de receber a proposta, analisar e finalmente partir para a ação e adquirir este flat. Então hoje, tenho dois amigos ganhando dinheiro com a integração de consórcios e flats. E se mais algum cliente meu pensar nisso, tenho as informações e posso fazer as conexões necessárias entre as pessoas.

Li ontem sobre o Efeito Medici no Copyblogger, deixo o link original para quem se interessar e já proveito para sugerir a leitura dos posts que ele indica no primeiro parágrafo:

http://www.copyblogger.com/medici-effect/

Para quem não sabe inglês ou não quer ir lá ler o original agora, um pequeno resumo é que entre os séculos 13 e 17 a familia Medici patrocinou uma série de pessoas de diferentes locais, habilidades e culturas a se juntar em Florença e entrar em contato umas com as outras, trocar idéias e colaborar entre sí. A interseção de todos esses conceitos e histórias pessoais diversas foi o que permitiu o surgimento do Renascimento, uma das eras mais inovadoras da humanidade.

Então pensando em tudo isso, me dei conta do que faço em relação ao investimento em consórcio. E como aprendo com isso de formas impossíveis de aprender se não fizesse da forma como faço. Vamos ver se consigo explicar de forma mais clara…

É como se eu fosse um enxadrista, jogando diversas partidas simultâneas com diversos adversários simultâneos. A cada movimento de cada adversário, tenho que analisar as possíveis consequências futuras dos meus movimentos em cada tabuleiro. Com o avançar das partidas, o fato de estar jogando as diversas partidas faz com que pequenos desvios ocorridos no início de uma partida qualquer não ocorram em momentos mais avançados de outras partidas. O aprendizado antecipado das consequências em um momento menos crítico em outra partida, evita o erro em um momento mais avançado de outra. Consegui ser claro?

Cuidando dos meus investimentos pessoais, aprendo apenas com meus movimentos e minhas informações. Cuidando dos investimentos de dezenas ou centenas de outras pessoas e analisando os números, situações de vida, momentos pessoais, mercado da cidade de cada um, opções de compra e venda diversas, consigo misturar tudo isso e ajudar uns e outros com o resultado conjunto de todas as variáveis disponíveis, sem depender apenas das variáveis de conhecimento específicas de cada caso. Consigo antecipar possíveis problemas antes que eles efetivamente se tornem problemas, porque tenho o histórico de outros que me permite relacionar ações anteriores com resultados posteriores.

Então me desculpei com o Gabriel, porque tudo isso não tinha nada a ver com o motivo pelo qual ele me escreveu, que era simplesmente começar a investir em consórcios ou investir em imóveis através dos consórcios. E pedi que ele tratasse de tudo isso como se estivessemos conversando numa cafeteria e de repente eu pedisse licença por um minuto e começasse a escrever alucinadamente em uma pilha de guardanapos (não seriam guardanapos, quase sempre tenho um bloco de notas comigo).

E então, me acompanha neste café?

Pré-lançamento do livro “O Segredo”

O SegredoConfirmado o lançamento do livro: O Segredo.

Dia 20 de abril, nas livrarias de todo o Brasil ou no site do Submarino agora.

CLIQUE AQUI e seja um dos primeiros a receber esta edição do best seller que já vendeu mais de 6 milhões de cópias no mundo todo e continua na lista dos mais vendidos do New York Times.

A editora está lançando o livro no Brasil com 100 mil cópias. Impressionante, para um país em que um best seller só precisa de um décimo disso, para ganhar este nome.

É bom correr. Este livro vai desaparecer das livrarias.

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Se você ainda não assistiu ao filme, não perca esta excelente oportunidade. Saiba em primeira mão porque este livro se tornou um sucesso mundial instantâneo.

Breve resumo:

Fragmentos de um Grande Segredo foram encontrados nas tradições orais, na literatura, nas religiões e filosofias ao longo dos séculos. Pela primeira vez, todas as peças do Segredo se juntam numa revelação incrível que transformará a vida de todos que o vivenciarem.

Com ele, você aprenderá a entender o poder oculto e inexplorado que está dentro de você, trazendo alegria a cada aspecto da sua vida.

Empreendedor Rico: Resenha do livro

No final de janeiro havia lido o livro: Empreendedor Rico: 10 Lições Práticas para ter Sucesso no Seu Próprio Negócio, do Robert Kiyosaki, autor de Pai Rico, Pai Pobre.

Na minha opinião, somente a Introdução já vale os R$ 49 que o livro custa. O título original do livro, “Antes de Largar o Emprego”, me parece muito melhor que a tradução pobre e oportunista usando a palavra Rico. Não entendo porque a editora aqui faz esse tipo de coisa, mas provavelmente seja porque eles sabem o que vende aqui (o negócio deles) e eu não.

A Introdução explica o que é ser empreendedor e compara com ser empregado. Fala sobre as dificuldades que o empreendedor passa e quais as características de comportamente necessárias para quem pretende se tornar um. Explica ainda porque tanta gente se dá mal tentando empreender enquanto tem embutida na mente a forma “empregado” de pensar. Mostra que o comportamento empreendedor pode ser aprendido e explica que o pensamento de empregado é uma coisa dos tempos modernos (sim, o do Chaplin). Termina finalmente com uma cena do Filme Easy Rider, fazendo uma relação da busca da liberdade por parte dos protagonistas e da busca de liberdade do empreendedor.

Quem é empreendedor de verdade, daqueles que tocam seu próprio negócio há pelo menos 10 anos, que provavelmente já tenham tido quedas grandes, que devem ter tido mais de um negócio quebrado antes de “se encontrar” no negócio atual, certamente vai se identificar com muitas das coisas relatadas no livro.

Contando a história dos erros e quedas que ele teve na carreira, o autor vai colocando peça por peça do que é necessário mudar de dentro para fora na forma de pensar para aprendermos a agir instintivamente como empreendedores.

Vale a pena, mesmo. Para mim, que criticava o modo meio irresponsável como os outros livros incutiam a idéia de “larga tudo e abre uma empresa”, esse livro é a redenção do autor. Nele ele diz: “Larga tudo e abre uma empresa. Mas saiba que vai ter que passar por isto e isto e mais isto”.

Amigo Rico: Capítulo 2

Para quem pegou o bonde andando, eu explico: estou escrevendo um livro. O objetivo deste livro é ensinar um caminho simples e efetivo para qualquer pessoa alcançar a independência financeira, não importando quanto a pessoa ganha. São várias lições, explicadas no transcorrer da história. Como o objetivo é primeiramente ensinar, e só depois, transformar em livro impresso para vender, estou publicando ele para todos poderem ler imediatamente, à medida em que vai sendo escrito. Dessa forma, os leitores podem enviar sugestões e críticas que tornem o livro melhor e facilitem a compreensão dos ensinamentos.

O velho Jorge dizia: ‘olhe para o céu’!

Vivia em Porto Feliz um homem muito rico. Todos na cidade o conheciam, devido a sua grande generosidade. Muitas de suas obras eram feitas sem esperar nada em troca, apenas para ajudar os mais necessitados. Sua família era também muito feliz. O filho, estudante de administração de empresas, havia se formado há alguns anos. A esposa vivia no luxo com que sempre sonhou, coberta de jóias e roupas finas. Este homem se chamava Ricardo e tinha muitos amigos. Tantos, que na cidade o conheciam como Amigo Rico.

As pessoas da cidade achavam que ele sempre fora rico, mas essa não era a realidade. Muito jovem, chegou à capital sem nada nos bolsos. Ainda no ponto de parada dos ônibus (não havia estação rodoviária naquela época), pensava no que poderia fazer para ganhar uns trocados. Viu vários garotos da sua idade, todos com suas caixinhas de madeira sobre os ombros. Eram engraxates, coisa que ele ainda não conhecia. Em sua cidade natal a maioria das pessoas nem mesmo sabia o que eram sapatos.

Falando com os novos amigos, descobriu que havia um velho marceneiro que morava perto dali. Era conhecido nas redondezas como “o velho Jorge”, ou ainda como “o marceneiro”. Esse homem já havia feito tudo que se possa fazer com madeira. Ninguém na cidade sabia exatamente como, mas apesar de não trabalhar mais, vivia uma vida confortável, em uma bela mansão. Nos fundos desta, uma pequena marcenaria era sua diversão. Após anos como marceneiro profissional, agora passava seu tempo construindo pequenos caixotes de madeira, que doava aos garotos pobres que batiam à sua porta. Era algo que lhe dava um imenso prazer, saber que podia ajudar “um pequeno”, como costumava chamar os jovenzinhos. Além disso, também fornecia algumas latinhas de graxa e duas ou três escovinhas. Assim, seus pequenos podiam iniciar um trabalho digno e ajudar no sustento de suas famílias.

No entanto, não era qualquer um que ganhava os caixotes. O velho estabelecia algumas regras. Os garotos deviam estar matriculados na escola e tinham que lhe mostrar as notas todos os meses. Tratava-os como filhos, já que nunca casou nem constituiu família. Os meninos gostavam muito dele. Para eles, era visto como um mestre. Um professor das lições que eles nunca esqueceriam.

Ninguém na cidade entendia muito bem quem era o velho Jorge. Os grandes executivos não conseguiam compreender como podia viver em uma casa tão grande e luxuosa um velho marceneiro aposentado. Uma mansão maior que as que eles próprios conseguiriam comprar. E como podia ser tão querido por tantos garotos pobres. Por todos esses garotos que lhes lustravam os sapatos e não cansavam de dizer: “Obrigado senhor por seu pagamento. Que muitos cofrinhos possam transbordar em sua vida.”

“Transbordar o cofrinho” era uma frase bastante ouvida naqueles tempos. Mas essa é uma outra história, para ser contada em outro momento. Voltemos ao ponto em que havíamos parado.

Certo dia, batem à porta de Ricardo alguns antigos colegas do tempo de escola. Muitos não se viam a algum tempo, tinham todos vidas muito agitadas e cheias de compromissos. Todos eles, apesar de terem obtido algum sucesso na vida, não estavam satisfeitos com o resultado de seus esforços. Trabalhavam muito e não viam o dinheiro render. Alguns possuíam casas de praia, outros moravam em apartamento próprio, mas a maior parte deles ainda precisava alugar um cantinho para chamar de lar. Praticamente todos tinham um carro na garagem e o financiamento deste nas contas mensais.

Ricardo recebeu a todos com muita cordialidade. Sua casa era gigantesca e ele adorava receber os amigos. Muitos diziam que ele passava o tempo todo fazendo isso, recebendo amigos e patrocinando grandes festas. Estas apareciam sempre na mídia local. Já suas obras de caridade, as creches que construía, as doações que fazia com freqüência, não eram tão interessantes para serem divulgadas. Trabalhava muito, mas de maneira inteligente. Chegou a um ponto onde o dinheiro é que trabalhava para ele. Os amigos não enrolaram muito, foram direto ao assunto que os trazia ali.

– Ricardo, – começou a falar Marcelo. – a vida parece ter sido muito boa contigo. Enquanto nós temos que trabalhar durante o dia para ter o que comer à noite, você se tornou um homem muito rico, dono de várias propriedades espalhadas por todo o nosso país e até ao redor do mundo. Mas isso nem sempre foi assim. Lembramos de quando éramos pequenos e estudávamos juntos. Você nunca foi muito diferente de nós. Tirava notas medianas, estudava tanto quanto nós, não era nem melhor nem pior que qualquer outro nos esportes. Já adulto, se tornou um homem sério e respeitador. Trabalhou bastante, mas acredito que não mais que os outros aqui presentes. Por que então a escolha do destino caiu sobre você? Por que você pode aproveitar todas as coisas boas da vida e nós, que devíamos ter os mesmos direitos não podemos?

Ricardo sabia que ia ser uma longa conversa. Estava acostumado a esse tipo de pergunta. Já sabia de cor a resposta, mas era muito raro alguém ir mais fundo na busca do motivo real dessa diferença entre o que uns e outros conseguiam.

– Meus amigos, a vida é como um jogo. Tem certas regras a serem aprendidas. Tem gente que aprende o jogo da vida desde cedo e outros que demoram anos ou nunca aprendem. O tabuleiro e as peças que todos usamos são os mesmos, mas muitos jogam sem ter aprendido as regras. Ou pior ainda, jogam de acordo com as regras erradas. Se vocês não estão conseguindo obter o que desejam, é simplesmente por que estão jogando o jogo errado, ou por que ainda não aprenderam as regras necessárias para se ganhar este jogo. Talvez vocês até saibam as regras e não as sigam. Se for este o caso, nada do que eu falar vai poder ajudá-los.

“O ‘Jogo da Vida’ não garante o futuro de ninguém. Muito pelo contrário, a grande maioria das cartas traz a ruína para quase todos os que foram contemplados com dinheiro que não ganharam por merecimento. Veja o que acontece com a maioria das pessoas que ganham na loteria. Saem por aí comprando carros luxuosos e apartamentos maiores que suas necessidades, sem nem imaginar o custo que terão para mantê-los depois. Fazem festas e banquetes para gente que nem conhecem, apenas para poderem se ‘integrar à alta sociedade’. Se tornam gastadores compulsivos, comprando relógios, canetas e outros objetos caríssimos em quantidades muito maiores que o necessário para seu uso pessoal. Outros fazem ainda pior. Por medo de perder o que ganharam e saber que não serão capazes de repor, escondem a fortuna de tudo e de todos, não aproveitando em nada a vida que poderiam ter. Vivem uma vida miserável, triste e pobre.”

“Provavelmente ainda existam pessoas que ganham dinheiro fácil e o aumentam, sem deixar de aproveitar os luxos que este pode comprar. Mas é bem mais difícil ouvir falar destes, quanto mais, de achar um na rua. Vejam as pessoas que herdam dinheiro, digam que não é isso que geralmente acontece.”

Os amigos concordaram com Ricardo. Alguns ainda comentaram sobre os ganhadores de prêmios em alguns programas de TV. Pessoas que se tornaram celebridades da noite para o dia. Em poucos meses, não havia sobrado nada do prêmio ganho. Perguntaram então como Ricardo havia conseguido construir sua fortuna.

– Alguns de vocês conhecem minha história de garoto. Para resumir aos que não conhecem, cheguei na capital vindo do interior. Tinha dez anos. Meus pais haviam falecido e tudo que me restou na vida eram algumas galinhas e um casal de patos. Vendi os bichos para uma família vizinha e usei todo o dinheiro obtido na venda para comprar minha passagem de ônibus. Não foi fácil pensar no que poderia me acontecer quando chegasse à capital. Naquele tempo, a viagem durava alguns dias. As estradas eram bastante precárias. Para comer, tinha algumas frutas que havia colhido pouco antes de partir. Chegando na capital, conheci vários garotos que trabalhavam próximos ao ponto de chegada dos ônibus. Eles me falaram de um velho marceneiro que os havia ajudado quando eram menores. Disseram-me para procurar por ele, que com certeza eu iria agradecer por conhecer pessoa tão boa.

“Fui até onde me informaram que ele morava, mas achei que tinha errado o local. Estava procurando por uma casinha humilde, uma pequena marcenaria. Procurei por algum lugar com ripas de madeira próximas. E nada. Apenas aquela enorme mansão. Não tinha coragem de atravessar o extenso jardim. Certamente aqueles garotos haviam me aplicado um trote. Um senhor idoso, vendo minha imobilidade diante de tamanha grandeza, me pegou pela mão e disse: – Venha garoto, faça um lanche conosco enquanto me conta o porquê de estar aqui.”

“Encurtando a história, o velho homem se chamava Jorge, e seu passatempo era fazer caixotes de engraxate que doava para os meninos que aceitassem a condição que ele impunha: freqüentar a escola.”

“Tendo começado a trabalhar, passei a observar as pessoas e todas as coisas boas da vida, coisas que deixavam as pessoas felizes. Descobri que a riqueza potencializava a felicidade das pessoas. Que com riqueza, muitas outras coisas se tornavam possíveis. Assim, passei a notar que a riqueza permitia a compra de carros luxuosos. Com riqueza, podia-se morar em uma enorme mansão. Poderia possuir jóias e fazer viagens, comer as melhores frutas e os mais maravilhosos doces. Com muito dinheiro é possível fazer todas essas coisas e muito mais.”

“E quando notei isso, decidi que iria querer a minha parte. Não iria ficar à margem, observando com inveja o que os outros tinham. Não me contentaria em vestir uns trapinhos quando poderia usar roupas bonitas. Nunca seria um homem satisfeito com apenas o suficiente para viver razoavelmente. Queria mais, muito mais. Queria fazer parte da alta sociedade e de suas festas animadas, queria rodar o mundo. Queria uma bela família vivendo com conforto em uma grande casa. Queria um sítio, um chalé nas montanhas e uma casa de praia. Queria tudo que a vida pudesse me proporcionar, tudo que pudesse sonhar.”

“Mas era apenas um pequeno engraxate. Dono de meu próprio nariz e responsável por minha subsistência, mas apenas um engraxate. Com certeza não iria herdar nada, visto que minha família era formada por apenas uma pessoa, eu próprio. E não sendo nenhum gênio, como vocês mesmos me disseram a pouco com tanta franqueza, decidi que, se realmente quisesse conseguir tudo o que desejava, poderia contar apenas com meus próprios esforços.”

“Teria que usar o tempo a meu favor. Isso eu tinha de sobra. Estudava de manhã e trabalhava todas as tardes. Me sobravam as noites, para tentar descobrir o que era necessário para enriquecer. Não tinha TV nem rádio, logo, não perdia meu tempo em casa. Todos tem tempo de sobra para usar da maneira que melhor nos convém. A maioria de vocês gasta o tempo que têm de maneira tola o suficiente para não ficarem ricos. E como vocês me disseram, não têm bem algum para mostrar aos outros, mesmo após anos de trabalho duro.”

“Outra coisa muito importante foi o estudo que tive. Devo sempre agradecer ao velho Jorge. Quando aceitei a condição imposta por ele para poder ganhar meu caixote de engraxate, tomei a melhor decisão de minha vida. Mas apenas o estudo formal não era o suficiente. Resolvi me dedicar a descobrir como é possível acumular dinheiro em grande quantidade. E quando descobrisse isso, iria tornar esta a minha maior prioridade da minha vida. Lembrei de uma coisa que meu pai falava com freqüência: ‘Nunca fui à escola, tive que aprender com a vida.’ Eu ainda contava com o estudo formal para me ajudar, agora, precisava aprender mais com a vida, com a experiência das outras pessoas.”

“Todos os dias após as aulas, pegava meu caixote e saía por aí atrás dos sapatos para engraxar. Enquanto lustrava o couro, sempre puxava conversa com os clientes. Algum deles poderia saber o que eu desejava aprender com tanto ardor. Mas os meses se passavam e apesar de meus clientes serem pessoas distintas, com belas roupas e sapatos, todos reclamavam das mesmas coisas. Como seu dinheiro não era suficiente para um carro novo, para trocar de apartamento, para comprar o presente que a filha pedira.”

“Assim que fiquei um pouco mais velho e já sabendo ler e escrever corretamente, arranjei um emprego de meio turno como atendente em uma lojinha de roupas. Era um bom emprego, conseguia pagar o aluguel de um quartinho em uma pensão, pagava minha comida e roupas. Nem lembro mais em que gastava, mas lembro que no fim do mês tinha o dinheiro contado certinho para passar os últimos dias.”

“Ao fim dos anos de escola, e já com mais conhecimentos que me permitiam conseguir um emprego melhor, fui conversar com o velho Jorge. Agradecer por tudo que ele fez por mim quando eu mais precisei. Lembramos do dia em que cheguei à porta de sua mansão e não acreditava que ali morava um marceneiro. E falamos da importância que o estudo tinha para as pessoas. Prometi que sempre que pudesse iria tentar ajudar as pessoas da mesma forma que ele me ajudou.”

“Quando ia me despedir de Jorge, já na porta de sua casa, uma luz brilhou em minha mente. Como eu nunca havia pensado nisso. Estava na minha cara por anos e anos e eu nunca tinha me dado conta. O velho Jorge era a resposta para minha mais profunda dúvida. Não perdi tempo. Olhei com carinho para ele e perguntei de repente: ‘Seu Jorge, o senhor possui esta bela mansão, tem dinheiro suficiente para não precisar trabalhar e ainda pode ajudar muitos garotos como eu. O senhor parece ser muito rico e nunca o ouvi reclamando como a maioria das pessoas faz, dizendo não ter o suficiente para isto ou aquilo. Existe algum segredo para se conseguir isto? O que devo fazer para conseguir ser rico como o senhor?’ ”

“Ele respondeu sem pensar. Parece que estava esperando a vida toda por alguém que quisesse saber isso. ‘Pequeno, durante muitos anos ajudei centenas de garotos como você. Nunca tive família para cuidar, então me sentia muito feliz na companhia de vocês. É uma sensação muito boa nos sentirmos úteis. É maravilhoso ter para quem contar nossas histórias, principalmente quando começamos a envelhecer. A língua começa a ficar mais solta e nossas palavras fluem com mais facilidade. Você é um rapazote que presta atenção em tudo, sempre interessado em aprender mais. É bom quando um jovem faz perguntas aos mais velhos. Recebe em troca o conhecimento adquirido em muitos anos. São poucos os garotos que se dão conta que esta experiência pode lhes economizar anos de aprendizagem. O conhecimento acumulado pelos mais velhos deve servir de guia a todos os que estão começando, como as estrelas no céu ajudam os marinheiros a encontrar seu rumo. Mas a maioria dos jovens de hoje não costuma olhar para o céu.’ ”

“E continuou, falando pausadamente, ‘Escute bem o que vou lhe contar garoto. O que vou dizer é uma das maiores verdades existentes sobre o dinheiro. É a diferença entre ser um marceneiro maltrapilho que nunca poderia deixar de trabalhar, e ser um marceneiro milionário, que não precisa se preocupar mais com dinheiro.’ ”

” ‘Descobri como poderia deixar de me preocupar com dinheiro quando decidi que guardaria uma parte de tudo o que ganhasse em minha vida. Decidi que a coisa mais importante seria pagar primeiro a mim mesmo, depois, aos outros. ”

“Ficou me olhando com um sorriso de satisfação. Ele realmente esperou muito tempo até alguém fazer-lhe esta pergunta. Mas não disse mais nada além disso.”

” ‘Só isso?’, perguntei incrédulo.”

” ‘Foi o suficiente para eu conseguir me aposentar antes de muitos outros nesta cidade. Mesmo ganhando muito menos dinheiro do que a maioria das pessoas daqui’, respondeu ele.’ ”

” ‘Mas tudo o que eu ganho não é meu?’, perguntei.”

” ‘Claro que não’, respondeu ele. ‘Quando compra roupas, quando paga o aluguel, quando se alimenta. Está pagando os outros. Ninguém vive sem ter despesas. Onde está a sua parte do que ganhou no mês passado? E do que ganhou durante todo o ano anterior? Se guardasse para si mesmo dez por cento de tudo o que ganha, quanto teria daqui a dez anos?’ ”

“Sempre fui bom em matemática. A resposta veio na hora: ‘o equivalente a um ano de trabalho.’ ”

” ‘Quase isso, garoto. Se tivesse guardado dez por cento de tudo o que tivesse ganho durante dez anos, teria ainda o rendimento da aplicação desse dinheiro durante o período. E mais que isso. Cada moeda gerada a partir das suas economias se torna ela própria uma nova geradora de rendimentos. Para se tornar um homem rico, tudo o que economizar deve ser utilizado para lhe proporcionar toda a riqueza que você deseja.’ ”

” ‘Não pense que estou brincando com você. Nesta simples verdade sobre o dinheiro está escondida uma imensa fortuna. Basta fazer uso deste ensinamento e um novo mundo se abrirá para quem entender isso. Uma parte do que você ganha é exclusivamente sua e de mais ninguém. Pelo menos, dez por cento, mesmo quando o valor é pequeno. Pode ser mais. Algumas pessoas guardam o valor que recebem no décimo terceiro salário para ajudar a aumentar o colchão de segurança formado por esse dinheiro. Sempre pague primeiro a si mesmo. Não compre roupas ou equipamentos que custem mais que o que possa pagar com seus rendimentos. Lembre-se sempre de separar o suficiente para sua alimentação, sua moradia, para ajudar os mais necessitados.’ ”

” ‘A árvore de riqueza é uma imagem que pode ser usada para lembrar-lhe que basta uma pequena semente para fazer nascer as maiores fortunas. E quanto mais fielmente alimentar e regar essa árvore com economias constantes, logo chegará o dia em que poderá se abrigar na sombra de sua bela árvore da fortuna. Lembre-se sempre disto, uma pequena semente se transforma em uma grande árvore.’ Enquanto falava, apontava para um enorme eucalipto plantado nos fundos de sua mansão.”

“Pensei bastante em tudo que meu velho protetor havia dito. Fazia bastante sentido, afinal, havia funcionado para ele, um marceneiro que morava em uma mansão. Só tinha uma forma de descobrir, devia tentar por conta própria. Durante todos os anos de espera para descobrir este segredo eu havia me prometido que o poria em prática desde o primeiro dia em que o conhecesse. Essa era a hora de começar. No fim do mês, ao receber meu salário, retirava dez por cento e depositava em uma caderneta de poupança. Após três meses fazendo isso, notei que continuava levando a mesma vida de antes. A diferença que eu separava não fazia falta nos meus gastos mensais. O que passou a acontecer com freqüência era a vontade de utilizar a poupança adquirida para comprar as coisas boas da vida. Um bom perfume ou um relógio bonito. Mas todas as vezes consegui manter meu objetivo principal. Ao final de um ano, tinha conseguido guardar dez por cento de tudo o que havia ganho. Tinha algo para mostrar. Havia enchido o cofrinho o suficiente para ele transbordar. Finalmente começava a fazer sentido a historinha que Jorge nos contava. Ele dizia que devíamos colocar em nossos cofrinhos dez moedas, toda noite. E que na manhã seguinte, só poderíamos tirar de lá nove moedas. Perguntava então o que aconteceria depois de algum tempo. Todos sabíamos a resposta: transbordaria o cofrinho. Ele dizia para falarmos isso para nossos clientes, sempre que nos pagassem o valor devido. Dizia que alguns desses clientes iriam nos agradecer muito algum dia.”

Os amigos ouviram tudo atentamente. Sabiam que Ricardo não começara a vida com dinheiro, mas não imaginavam que tinha passado por tantas dificuldades. Ficaram ainda mais interessados na história, imaginando como aquele garoto pobre, que chegou na cidade sem nem o que comer, conseguiu subir na vida com velocidade meteórica. Conseguiu vencer cedo o jogo que eles ainda não haviam aprendido a jogar. Ricardo chamou um empregado, que serviu suco e lanche aos amigos. Continuou então a contar o início de seu crescimento.

“Quando encontrei novamente o velho Jorge, caminhando no centro da cidade, muita coisa já havia acontecido. Falei para ele de como havia conseguido guardar um ano inteiro de economias. Contei como venci a vontade de gastar o dinheiro em artigos que desejava, pensando no resultado final. Para isso, lembrava de uma frase de meu pai: ‘um pequeno prazer que não tens hoje, pode se tornar um grande prazer amanhã.’ Jorge me perguntou se tinha sido difícil viver com dez por cento a menos do que estava acostumado. Não tinha sido nada difícil. Foi até mais fácil do que imaginei. Contei então como havia investido o dinheiro, para fazer ele crescer mais rapidamente. Um amigo publicitário soube de uma ótima oportunidade para abrir uma franquia de lanchonete ainda não existente em nossa cidade. Mas não tinha o dinheiro necessário. Emprestei o dinheiro e me tornei sócio da lanchonete. Eu entraria com o dinheiro, ele entraria com o trabalho.”

Enquanto falava, Jorge balançava a cabeça negativamente. Não estava entendendo sua reação. Afinal, ele me ensinou que devia guardar uma parte do que ganhasse para mim. E que devia aplicar esse dinheiro de forma a permitir que ele se multiplicasse e gerasse mais dinheiro ainda. Quando acabei de contar do meu novo empreendimento, Jorge desatou a falar. ‘Garoto, sinto lhe dizer, mas arrancou sua árvore de dinheiro pela raiz. Que burrice enorme você fez. Um ano inteiro de economias jogadas pelo ralo, como se fosse lixo. De que adianta passar tanto tempo juntando o dinheiro se na hora de fazer ele crescer, você o joga ao vento? Todos precisamos aprender, mas me explique porque confiar nos conhecimentos de um publicitário sobre o mercado de lanchonetes? Quando quer comprar um carro, vai a uma imobiliária? E quando quer saber o valor de uma jóia, por acaso pergunta ao zelador do seu prédio? Foram-se suas economias. Não voltam mais. Mas não desanime. Comece de novo. E quando precisar de conselhos sobre imóveis, pergunte a um corretor. Quando quiser saber sobre livros, peça ao dono da livraria. Os conselhos são dados de graça, mas só se deve guardar os que pareçam ter valor. Quem aceita conselhos sobre suas economias daqueles que são inexperientes nesse assunto, pagará com essas mesmas economias para provar a falsidade da opinião dos outros.’ Dizendo isso, Jorge continuou seu caminho.”

“Acabou acontecendo o que Jorge previu. Meu amigo publicitário não previu várias despesas que teríamos com a lanchonete. Não quis contratar um contador, confundia suas despesas pessoais com as despesas da pequena empresa. Comprava os produtos sem verificar a validade dos mesmos e com freqüência tínhamos que jogar as coisas fora. Os clientes também não pareciam existir, pois o ponto que escolhemos não tinha muita visibilidade. Mas seguindo o conselho de Jorge, mais uma vez comecei a economizar. Até mesmo, por que estava acostumado a viver com um pouco menos do que ganhava. Isso havia se tornado um hábito, e não representava nenhuma dificuldade.”

Mais um ano se passou até cruzar novamente com o velho Jorge. Nunca o havia visto no restaurante em que estava almoçando, mas nesse dia, lá estava ele. Sentamos na mesma mesa e ele começou a conversa. ‘Como andam suas economias, desde que nos vimos pela última vez?’ ”

” ‘Paguei a mim mesmo todos os meses’, respondi, ‘e empresto meu dinheiro ao dono de uma gráfica, amigo da escola. Ele compra papel em maior quantidade no início do mês, usando meu dinheiro, e com isso obtém grande economia. Dividimos a diferença do que custaria para ele comprar o papel em pequenas quantidades várias vezes ao mês. Ele economiza na compra e eu ganho uma parte dessa economia.’ ”

” ‘Muito bem. E o que tem feito com esse rendimento?’ ”

” ‘Comprei um terno novo e um relógio de pulso. Em breve vou comprar um carro para passear pela cidade.’ ”

” Jorge começou a rir: ‘você está consumindo os filhos das suas economias. Como vai fazer eles trabalhar para você se os consome logo que nascem? E como esses vão gerar mais filhos, se nem bem entram em seu bolso e já são trocados por inutilidades? É preciso juntar um exército de trabalhadores que gerem mais renda para você. E só depois, poderá gastar parte dos rendimentos sem sentir remorsos.’ E não falou mais nada até o final do almoço.”

“Passei muito tempo sem encontrar o velho Jorge. Alguns anos. Um belo dia, lá estava ele junto de vários garotos na praça. Contava histórias de quando era mais novo, falava como era feliz vendo aqueles pedaços de madeira se transformarem nos mais belos móveis. Cheguei perto e ele me apresentou aos meninos. Disse: ‘estão vendo este belo homem? Um dia ele foi um dos meus pequenos, como vocês. Olhem como ele está bem vestido, parece bem alimentado e bastante feliz. Esse é o futuro de vocês, se estudarem, trabalharem e aprenderem o que vou lhes ensinar. Agora, vão brincar um pouco, que vocês ainda são crianças. Me deixem conversar um pouco com este grande amigo.’ ”

” ‘E então garoto, conseguiu enriquecer tanto quanto desejava?’ Falou com um grande sorriso no rosto.”

” ‘Não tudo o que desejava ainda, mas já reuni um pequeno exército de trabalhadores, que por sua vez geram outros. Estou fazendo o dinheiro trabalhar por mim. Em pouco tempo, esse dinheiro gerará renda suficiente para pagar todas as minhas contas. Neste momento, acredito poder me aposentar do trabalho que tenho hoje. Vou então me dedicar apenas em fazer meu patrimônio crescer, enquanto aproveito a vida e ajudo os mais necessitados.’ Jorge notava a felicidade em meu rosto. Enquanto eu contava meu progresso, ele não conseguia disfarçar a satisfação de ver suas lições gerarem frutos. Ele sabia que eu faria o mesmo que ele um dia. Faria o que estou fazendo agora, amigos. Passaria adiante o que aprendi, para quem realmente deseja aprender.”

” ‘E o conselho dos publicitários ainda te serve para algo?’ O velho Jorge quase ria enquanto se lembrava de como perdi rápido minhas primeiras economias, no negócio da lanchonete. ‘É bom para fazer publicidade de meus negócios’, respondi sabendo o que ele esperava ouvir.”

” ‘É isso aí meu jovem. Você aprendeu a viver com menos do que ganha, aprendeu a se aconselhar com quem trabalha e tem experiência no que faz e finalmente aprendeu a fazer o dinheiro trabalhar em seu lugar. Aprendeu as três coisas mais importantes que alguém pode saber sobre o dinheiro: como adquirir, como guardar e como usar. Aprendeu ainda uma outra coisa importante, como aproveitar. Pois vejo que se dá a alguns luxos, como esta bela roupa, por exemplo. E isso é importante, por que de nada adianta aprender as três leis básicas e não saber a quarta. Se não aproveitar a vida enquanto vive, você vai aproveitar quando?’ ”

“E foi assim que o velho Jorge, sabendo que eu havia aprendido a ganhar meu próprio dinheiro, economizar e fazer ele crescer, me convidou a ajudar a administrar seus negócios. Me mostrou todos seus investimentos, me contou a história de cada um dos imóveis que possuía, todos alugados e rendendo um bom valor todos os meses. Nunca imaginei que ele possuísse tantos imóveis, ou que fosse sócio de tantas empresas. Trabalhei anos para ele e como havia aprendido as três leis do dinheiro, fiz o patrimônio dele crescer muito nos anos que seguiram. Um dia, como fatalmente acontece a todos nós, o velho amigo e tutor partiu desta vida.”

“Quando o advogado fez a leitura do testamento, este continha o que todos esperavam. Ele me incumbiu da tarefa de criar uma fundação para o ensino de crianças carentes. Essa fundação seria mantida com os recursos gerados por seus ativos financeiros, os aluguéis de seus imóveis e os lucros das empresas em que era sócio. Deixou ainda 10% de tudo o que possuía como herança para mim, em retribuição ao trabalho que fiz desde que comecei a trabalhar com ele. Nesta época, já possuía alguns imóveis e tinha diversos outros investimentos próprios, mas os 10% que ele me deixou praticamente duplicaram meu patrimônio.”

– Então, você ainda contou com a sorte de herdar uma fortuna do velho? – Um dos amigos perguntou, ainda sem acreditar em tudo o que havia escutado.

– Sorte! – exclamou Ricardo como um trovão. – A sorte não perde tempo com quem não está preparado. Foi sorte eu querer prosperar, desejar ardentemente me tornar um homem rico? Vocês não levaram em conta que passei 4 longos anos economizando, aprendendo a investir? Esqueceram que perdi tudo o que tinha conquistado e tive que recomeçar por que ainda não sabia algumas coisas básicas, como ouvir conselhos de quem entende, não de qualquer um?

– É verdade, – disse outro amigo – mas você teve uma grande força de vontade para continuar, mesmo depois de ter perdido tudo.

– Força de vontade coisa nenhuma. – Ricardo falava em voz alta. – Eu sabia exatamente o que queria. Não ia deixar um erro cometido por falta de conhecimento pôr tudo a perder. Se eu digo que vou fazer algo, vou até o fim, não desisto no primeiro problema que aparece.

– Pode ser, mas isso não deve ser tão simples assim – disse um terceiro ouvinte – Se fosse tão fácil, não haveria riqueza para todo mundo.

– E por que não? Quando uma empresa constrói um prédio, o dinheiro que ela investiu desaparece? Não. O prédio pronto vale mais do que a empresa investiu. E os terrenos em volta, não ficam valorizados também? E os trabalhadores que construíram o prédio, não ganharam parte do dinheiro gasto na construção? Então, as riquezas estão sempre sendo criadas, não são limitadas, são infinitas.

– Certo, Ricardo – agora Marcelo parecia ter saído do transe em que entrara, desde que o amigo começou a contar a história de sua vida. – O tempo está passando, chegamos onde estamos, sem um centavo guardado, sem nada para deixar aos filhos. O que podemos fazer?

– Amigos, – começou Ricardo, novamente em seu tom de voz habitual – vocês precisam aprender e colocar em prática a primeira lei do dinheiro. Uma parte de tudo o que ganham pertence exclusivamente a vocês. Pelo menos 10%.

“Aprendam, ganhem, gastem, mas antes, separem pelo menos 10% para vocês. Em muito pouco tempo vocês verão suas árvores de dinheiro começar a crescer. E vão se sentir estimulados com isso. Vão ter mais vontade de trabalhar, o que fizerem vai render mais, e serão melhor recompensados por seus esforços. Assim, vão conseguir ganhar mais, e em conseqüência, conseguirão economizar mais.”

“Aprendam a fazer o dinheiro trabalhar para vocês. Há muitas possibilidades diferentes para se fazer isso, estudem e descubram quais métodos funcionam melhor para cada um de vocês.”

“Assegurem uma renda para o futuro. Ele vem para todos. Um dia chegará em que vocês não conseguirão mais trabalhar como fazem hoje. E o dinheiro ganho com seus trabalhos já não será suficiente para manter seus padrões de vida. Cuidem do seu dinheiro. Taxas de rendimento muito altas podem ser armadilhas como a que eu caí quando investi em uma lanchonete sem conhecer o funcionamento dela. No caso do nosso futuro, um retorno menor é preferível a um risco maior. Quando já estivermos velhos, pode ser impossível nos reerguermos de uma grande queda. Protejam a família caso aconteça algo com vocês. Há diversas opções de seguros disponíveis, com custos mensais bastante em conta.”

“Peçam conselhos de quem conhece o assunto que vocês querem aprender. Os conselhos são dados de graça, escolham quais vale a pena guardar e quais não. Se querem saber sobre dinheiro, peçam a quem sabe como fazer ele trabalhar, não para quem sabe apenas como gasta-lo.”

“Aproveitem a vida durante toda a caminhada. Não sejam sovinas nem tenham medo de gastar o que ganham. Mas lembrem-se sempre de separar a parte de vocês primeiro. O resto do dinheiro deve ser usado para adquirir tudo que suas famílias merecem.”

Alguns dos amigos não entenderam nada do que Ricardo havia falado. Não tinham imaginação suficiente para acreditar que realmente existe um mundo de riquezas infinitas, disponíveis para qualquer um que quisesse possuir parte elas. Um segundo grupo achava que os ricos tinham o dever de dividir suas fortunas com quem tinha menos, como se isso pudesse resolver o problema. Mas o terceiro grupo de amigos tinha os olhos brilhando. Haviam descoberto uma nova realidade. Eles entenderam que o velho Jorge aparecia nos lugares onde Ricardo estava, de tempos em tempos, apenas para observar seu crescimento. Ele estava observando Ricardo sair da escuridão através de seus próprios esforços. Quando Ricardo descobriu o caminho, seu lugar já estava reservado. Ninguém podia ocupar o lugar dele sem estar preparado para a oportunidade.

Esses últimos foram os únicos que continuaram visitando Ricardo com regularidade. Eles aprendiam com as experiências do amigo. Ouviam suas histórias com atenção e discutiam em grupo o que teriam feito se acontecesse com eles. Ricardo ajudava os amigos a investir o que conseguiam guardar e dava dicas sobre negócios que estes desejavam iniciar.

Mas tudo isso é só história. O momento decisivo na vida desses homens ocorreu quando eles entenderam a maior das verdades sobre o dinheiro.

Uma parte de tudo que você ganha pertence exclusivamente a você.

Amigo Rico: Capítulo 1

Por que uns sim e outros não? A decisão é sua!

Era uma manhã quente e úmida, como tantas outras em Porto Feliz. Sentado perto da janela de seu pequeno escritório, Marcelo estava completamente desanimado. Dono de uma pequena empresa individual de webdesign, contemplava com tristeza a bagunça em cima de sua mesa de trabalho e a pilha de jornais e revistas velhos que se encontravam no chão. Chamar aquilo de escritório, era na verdade um elogio. Tratava-se de uma mesa e um computador, ocupando um canto da sala de estar em seu apertado apartamento de um dormitório. Na tela do computador, o esboço inicial de um website.

De vez em quando Marcelo olhava angustiado para o monitor. Lembrava que precisava trabalhar, acabar o website que estava desenvolvendo. Somente assim, poderia cobrar seu cliente e comprar algumas coisas para por na geladeira. Isso é que ele devia estar fazendo. Criando uma figura aqui, definindo um banco de dados, montando uma animação de entrada, em suma, preparando o website para a entrega. Mas não era o que fazia. Indiferente ao que devia fazer, permanecia apaticamente olhando pela janela. Sua mente estava preocupada com um problema sem solução aparente. Nada parecia tira-lo do estado catatônico em que se encontrava.

Marcelo morava no centro da cidade. Garotos passavam o dia inteiro brincando na pracinha em frente ao prédio, indiferentes a tudo e a todos, concentrados apenas em se divertir. Normalmente faziam muito barulho e constantemente tiravam a concentração de Marcelo, mas hoje ele parecia não se importar com nada disso. Executivos passavam apressados para lá e para cá. Motoboys rasgavam as ruas com suas motos barulhentas, correndo para entregar aquela pizza ainda quente para o cliente.

Merece alguns comentários o lugar em que Marcelo vive. Porto Feliz é uma cidade como muitas outras deste país. Nem tão grande nem tão pequena. Nem tão rica, nem tão miserável. Podia ser a cidade em que você mora. Cheia de coisas para se fazer quando se tem algum dinheiro sobrando para gastar. Havia muita riqueza para ser conquistada, mas nem tantas pessoas preparadas para isso. Nas ruas da cidade circulavam grandes carros de luxo e pequenos carros populares. Lado a lado, disputando todos os espaços em pequenas ruas e em largas avenidas. Da janela do apartamento dava para ver um pouco do movimento. Morava próximo da Catedral Metropolitana, com sua belíssima torre despontando no limpo azul do céu. Em frente à igreja, mendigos faziam fila para receber um prato da sopa, distribuído todos os dias por uma entidade beneficente. Porto Feliz é assim – luxo e miséria convivendo juntos nos mesmos espaços. Uns com tanto e outros com tão pouco. Mas sempre com todos se ajudando, buscando tornar a cidade um lugar melhor para se viver.

Marcelo estava completamente absorvido por seu próprio problema para ouvir ou prestar atenção ao que acontecia à sua volta. Foi o blim-blom de sua campainha que o arrancou do devaneio. Ele caminhou até a porta e lá estava seu melhor amigo, Paulo.

– Marcelo, grande amigo. Que bom te ver assim cheio de saúde – falou Paulo, com todo o entusiasmo que lhe era peculiar. – É bom saber que meu amigo está passando por uma boa fase, de outra forma, estaria trabalhando no computador e não divagando sobre a vida, sentado na janela. Aproveitando essa tua boa fase, quem sabe tu não tens cinqüenta reais para me emprestar? Daqui a três dias recebo meu salário e te pago o empréstimo.

Paulo estava com uma aparência ótima, com um grande sorriso otimista. Sabia que Marcelo não iria lhe deixar na mão. Muitas vezes Paulo fez o mesmo pelo amigo. O fluxo de caixa dos dois nunca foi lá essas coisas, mas nesse último ano a coisa estava cada vez mais complicada para eles.

– Coitado de ti. –respondeu Marcelo. – Que não tem dinheiro para pagar o almoço de hoje. Infelizmente, somos dois. Não tenho um mísero real no bolso. Felizmente ainda tenho alguns pães e um pouco de presunto e queijo na geladeira. Senta na mesa enquanto eu busco os pratos. Me acompanha em um almoço improvisado. Minha esposa foi até a padaria buscar um refrigerante, assim, teremos até mesmo algo para beber.

– O quê!? – Paulo estava realmente surpreso. – Não tem um único real na carteira, e fica parado olhando o mundo pela janela! Por que não terminou aquele website? – perguntou apontando para a tela do computador. – Vai almoçar apenas um sanduíche? Você nunca foi assim, amigão. Onde está a sua força de vontade? Que desgraça aconteceu que ninguém me disse nada?

– Deve ser isso, deve ser alguma desgraça das grandes – disse Marcelo, concordando. – Hoje pela manhã ligaram do banco e disseram que eu havia ganho um sorteio do plano de capitalização que havia comprado a mais de dois anos. Que o prêmio era de dez milhões de reais. Imagina só, o que eu faria com todo esse dinheiro. Me imaginei comprando um carro de luxo e um apartamento novo. Pensei na viagem à Europa que sempre sonhei em fazer com toda a família. Em como poderia comprar um novo computador, bem mais potente para poder fazer trabalhos mais elaborados. Depois pensei que isso nem teria muita utilidade, quem iria querer fazer trabalhos mais elaborados com dez milhões na conta do banco? Minha vida estava resolvida, finalmente. Havia ficado milionário. E então, dois minutos após, ligam novamente do banco dizendo que foi engano. Que o fax que haviam recebido da matriz estava borrado e um funcionário leu o número errado da conta. O sorteado tinha conta na mesma agência que eu, nesta nossa cidade, mas infelizmente não era eu o felizardo. Em um instante eu senti a felicidade de ter tudo que sempre quis. No momento seguinte, voltei a ser o nada de sempre. Preocupado em acabar um website que me permita comprar uns bifes e um pouco de arroz. Torcendo para que ainda sobre o suficiente para pagar a conta do telefone, que já está atrasada alguns dias.

– Tudo bem. Foi uma grande emoção e deu para pensar em um monte de coisas que fazem parte dos teus desejos. Mas porque ficar tão deprimido se tua situação na realidade nunca mudou? Por que não aproveitar o prazer que tiveste ao sonhar alto e usar ele como impulso para fazer cada vez mais e melhor? Afinal de contas, continua tudo a mesma coisa. Sempre vivemos meio no aperto, mas nunca nos faltou comida na mesa. Mesmo que de vez em quando esta se resuma a alguns sanduíches e um suco barato.

– O problema é exatamente este. Quando me dei conta que não tinha nem um centavo no bolso fiquei revoltado com nossa situação. Nossa, por que não estou sozinho nisso, amigo. Estamos os dois no mesmo barco. Estudamos juntos quando éramos apenas dois fedelhos. Na adolescência, nos divertimos muito e freqüentamos muitas festas juntos. Depois de adultos, continuamos grandes amigos, nos encontrando com freqüência para uma boa conversa ou para assistir os jogos de nosso time de futebol. Temos sido bons pais e bons maridos. Trabalhamos duro e gastamos nosso dinheiro com as coisas que gostamos. Ganhamos muito dinheiro nos últimos anos, mas só sonhando poderíamos conhecer as alegrias de ser um milionário. Que droga, não somos nada! Vivemos em uma das melhores cidades do mundo. Cheia de vida, com pessoas precisando de nossos serviços e com oportunidades para todos que não têm medo de arregaçar as mangas e trabalhar com seriedade. Tanta riqueza passando por nossos olhos e nós, a ver navios. Depois de praticamente trinta anos de trabalho árduo, meu melhor amigo se acha sem um tostão e me procura pedindo: “Não teria cinqüenta reais para me emprestar por uns dias, até eu receber meu salário?” E o que eu respondo? “Claro amigão. Faz o seguinte, leva cem, para não correr o risco de faltar, compra algum presentinho para tua esposa?” Não, simplesmente admito que minha carteira está tão vazia quanto a tua. O que é isso? Porque não podemos ganhar dinheiro suficiente para não ter que passar por essa situação constrangedora?

– Puxa, Marcelo. Nunca te vi falando assim em todos esses anos que somos amigos. E olha que faz tempo, são mais de quarenta anos de amizade. – Paulo estava bastante perplexo. O amigo que sempre foi otimista, que sempre acreditou que as coisas boas podem demorar um pouco, mas sempre acabam acontecendo, estava perdendo a fé.

– É que na verdade, nunca pensei assim. Trabalho todos os dias até altas horas da noite para criar os mais fantásticos websites que os clientes possam esperar, esperando com toda a fé que um dia alguma força superior reconheça meu trabalho e me envie alguma compensação. Pois nunca aconteceu. Apesar de todo meu esforço esses anos todos, finalmente me convenci de que não adianta nada. Por mais que eu trabalhe e por mais que eu ganhe, sempre me falta dinheiro para pagar as contas no fim do mês. É por isso que estou tão desolado. Quero ser um homem rico. Quero uma bela casa e carro do ano na garagem, quero roupas da moda e dinheiro no bolso, muito dinheiro no bolso. Mais que isso, quero que minha esposa use as mais belas jóias, que meus filhos freqüentem as melhores escolas e possam ter o mais moderno videogame. Quero levar minha família para conhecer outros países e outras culturas. Estou disposto a trabalhar com toda a força dos meus músculos, com toda a perícia das minhas mãos, com toda a sagacidade do meu pensamento, mas quero que os resultados do meu trabalho sejam compensadores. Qual é o problema com a gente? É essa a minha pergunta! Por que não podemos ter a nossa parte nas riquezas do mundo?

– Se eu soubesse… – replicou Paulo. – Estou tão insatisfeito quanto você. Meus salário na loja de eletrodomésticos acaba sempre um pouco antes do fim do mês. Por sorte ainda tenho o nome limpo na praça e consigo jogar as contas com o limite do cheque especial. Muitas vezes tenho que fazer bicos aqui e ali para não faltar comida em casa. Está cada dia mais difícil encher o tanque do carro, tanto que nem sei se não terei que vendê-lo em breve. Além disso, sonho sempre em abrir minha própria loja de eletrodomésticos. Sei que teria que trabalhar muito, mas o prazer de ser o dono da minha lojinha me deixa feliz só de imaginar. Ser gerente na loja dos outros até que é bom, mas o sonho de ser dono do próprio negócio nunca me saiu da cabeça.

– Pois é, merecemos tudo isso. Mas como fazer se mal conseguimos o suficiente para comer? O que falta saber para que a vida se torne um pouco mais divertida e fácil. Como acabar com essa situação de penúria em que nos encontramos. Ouça o sino, veja aqueles homens na porta da Catedral.

Ele apontou na direção da igreja, onde estavam vários mendigos pedindo esmolas. Havia também alguns flanelinhas correndo junto aos carros, pedindo um troco para “ficar bem cuidado.”

– Veja todos esses homens passando apressados pelas calçadas. – Paulo entrou no ritmo do amigo, tentando completar o que ele queria dizer.

– Homens que acham que são livres, com seus empregos relativamente seguros, seus horários rígidos e suas horas de almoço cada dia mais corridas. – Marcelo falava cada vez mais alto, quase gritando

– Quase todos eles com o mesmo problema que nós. – completou Paulo, satisfeito com seu entrosamento com o amigo, apesar de só completar-lhe os pensamentos.

– Há muita gente boa ali, – acrescentou Marcelo, concordando com o amigo – homens como nós. Imigrantes europeus, descendentes de índios, africanos e asiáticos. Todos se dirigindo a seus empregos, incansavelmente, dia após dia, ano após ano. Nenhuma expectativa quanto a um futuro diferente. Vivendo essa rotina diária quase sem se darem conta. Coitados desses pobres trabalhadores, Paulo!

– Coitados, realmente. Mas parece que não somos muito melhores que eles, embora nos consideremos mais independentes. Você, com sua pequena empresa de criação de websites e eu com meu emprego de gerente numa loja de eletrodomésticos. Temos alguma flexibilidade nos horários, benefício que eles não dispõem, mas ao mesmo tempo acabamos trabalhando bem mais horas por dia que nossos colegas. E ainda temos as mesmas contas para pagar no fim do mês.

– É verdade, Paulo. Por mais desagradável que seja esta verdade. Não queremos continuar com esta vida de escravos. Trabalho, trabalho, trabalho! Sempre e cada vez mais, trabalho. Precisamos descobrir como os ricos conseguem enriquecer e fazermos como eles. Deve existir algum segredo que eles saibam e a grande maioria de nós nem imagina – completou Marcelo, pensativo.

Quando mais jovens eles sempre conversavam sobre isso. Sobre alguma fórmula mágica que permitisse que qualquer um pudesse viver sem precisar trabalhar. Queriam se aposentar aos quarenta anos, para então poder aproveitar a vida. Agora, com meio século de existência, não podem deixar de trabalhar um dia sequer. Quando muito, conseguem emendar o Natal e o Ano Novo para uma semana completa de férias no fim do ano.

– Só pode ser isso! – lembrou Paulo – Hoje pela manhã cruzei com nosso antigo colega de escola, o Ricardo, desfilando em uma belíssima Ferrari vermelha. Nem sabia que tinha um carro desses circulando por nossa cidade, quanto mais com um amigo nosso sentado ao volante. Pensei que ele nem iria prestar atenção em mim, mas muito pelo contrário, parou na beira da calçada, me cumprimentou, perguntou como estavam as coisas e me desejou um bom dia de trabalho. Apesar de toda a riqueza que ele conseguiu juntar ao longo desses anos todos, ele continua o bom e velho Ricardo de sempre. O sucesso não lhe subiu à cabeça.

– Ele enriqueceu bastante rápido. – comentou Marcelo – Lembro que ele trabalhava desde guri, quando nós ainda estávamos mais preocupados em festas e diversão. Mas parece que não ganhava muito. Até trazia seu lanche de casa, para não gastar o dinheiro no bar da escola. Hoje em dia, dinheiro é algo que não lhe falta. Quem me dera ter nas mãos apenas o saldo de uma, de suas várias contas bancárias.

– Não ia adiantar nada, – retrucou Paulo – a riqueza dele não está na carteira que carrega. Uma carteira cheia se esgota rapidamente se não houver um constante fluxo de dinheiro. O Ricardo tem rendimentos de diversos negócios, que conservam suas reservas sempre altas, por mais dinheiro que ele gaste. Ali é que se encontra o segredo da sua independência financeira. Ele descobriu como criar uma constante corrente de riquezas, que fluem todos os dias para dentro de sua carteira.

– Rendimentos, esse é o pulo do gato – exclamou Marcelo. – Quero ter uma renda fluindo continuamente para dentro da minha carteira, esteja eu olhando pela janela ou viajando a países distantes. O Ricardo deve saber como um homem pode criar uma renda recorrente, que nunca deixe de fluir, afinal, foi o que fez para si. Será que é algo que possa ser ensinado facilmente para qualquer pessoa? Mesmo que esta pessoa não seja muito boa com números, como é o meu caso?

– Parece que ele ensinou seu filho Gabriel – respondeu Paulo. – O garoto viajou para a Europa logo depois de formar-se, com umas poucas economias. Juntou dinheiro em pequenos trabalhos temporários de verão, nas férias escolares. Já na Europa, depois de diversos empregos menores, tornou-se um próspero empresário. Hoje é sócio de uma grande rede de livrarias. Um garoto bastante rico, apenas cinco anos após sua partida. Muitos pensam que ele obteve ajuda do pai, mas isso não é verdade. Não que o pai não se dispusesse a ajudar, muito pelo contrário. Ricardo daria tudo que tem para ajudar o filho. Mas o garoto sabia que o que vem fácil também vai fácil. Pediu ao pai apenas uma ajuda para comprar a passagem aérea. E mesmo essa, fez questão de pagar assim que conseguiu juntar uns trocados, trabalhando como contador em uma lojinha sem muita importância. Soube que ele foi para a Europa somente por um motivo. Provar ao pai e a si mesmo que poderia ter sucesso usando apenas o que aprendeu, mesmo em um país desconhecido, longe da influência do círculo de amizades de Ricardo.

– Paulo, acabo de ter uma idéia e tanto. – Os olhos de Marcelo brilhavam. – Não nos custa nada fazer algumas perguntas a um velho amigo da escola. E o Ricardo sempre foi um bom companheiro para nós dois. Não interessa o fato de estarmos completamente sem dinheiro. Isso não deve e não pode nos deter. Cansamos de não ter dinheiro no meio de tanta prosperidade. Queremos ficar milionários. Vamos, agora é a hora de falarmos com o Ricardo e perguntar para ele como podemos adquirir uma renda constante e alta o suficiente para garantir nosso futuro. Acabo de me dar conta de uma coisa, descobri por que nunca encontramos a verdadeira riqueza! Note que sempre conseguimos aquilo que buscamos. Eu, trabalhando até altas horas da noite, fiz os mais belos websites da Internet. Para conseguir isso, tive que usar meus melhores esforços. Até que tive êxito, sou bastante reconhecido entre meus colegas de profissão, tenho um nome relativamente famoso neste meio. Alguns garotos inclusive vêm a mim para pedir dicas de como começar. Já você, começou humildemente como Office-boy no escritório da loja em que hoje ocupa a gerência. Descobriu cedo que gostava da área de vendas e pediu uma chance como vendedor. Seu chefe, vendo o quanto você estava empolgado com aquilo, deu-lhe a oportunidade de trabalhar na maior loja da rede, onde você pôde crescer e se tornar o melhor vendedor. Daí para a gerência da loja foi um pulo. Agora é apenas questão de tempo para se tornar o gerente de toda a rede de lojas.

– É verdade! – gritou Paulo. – Nas coisas em que aplicamos nossa força de vontade tivemos sucesso. As coisas parecem acontecer quando vamos em busca delas. Nós é que nos conformamos com nossa realidade medíocre e não fizemos nada mais para descobrir o que estava faltando. Pensávamos que o que faltava era dinheiro, mas não é só isso. Agora, finalmente, vemos uma luz no fim do túnel. Ela nos indica que devemos aprender mais para prosperar mais. Com esta nova compreensão sobre o que é necessário, acharemos os caminhos necessários para a realização dos nossos desejos. Vamos agora mesmo falar com o Ricardo – insistiu Paulo. – Vamos convidar outros amigos nossos que também não conseguiram muita coisa na vida, para que todos possamos aprender juntos estas novas lições.

– É isso aí Paulo! Vamos aprender o que nos falta saber. Vamos descobrir o que é necessário para atingirmos a tão sonhada independência financeira. Vamos descobrir o que precisamos saber para poder criar diversas fontes de renda, recorrentes e por toda a nossa vida. Não apenas isso, mas vamos aprender o suficiente para poder criar uma fortuna que perdure por muitas gerações após a nossa. Que nossos filhos tenham um futuro brilhante construindo sobre nossos alicerces.

Neste dia não almoçaram. A descoberta que fizeram alimentou suas almas. Quando Roberta chegou com o refrigerante que havia ido buscar, Marcelo e Paulo já estavam de saída. Seria um dia bastante animado para os dois amigos. Este era o dia em que eles resolveram tomar conta da situação. Deixar de ser duas ovelhinhas tímidas no meio do rebanho, levadas pelo pastor da vida. Decidiram ser eles os pastores. Decidiram levar a vida ao invés de serem levados por ela.

Eles tomaram a decisão!

Obrigado por lerem até aqui. Espero que tenham gostado. Sintam-se à vontade para enviar críticas e/ou sugestões.

Um grande abraço,
Fabricio Peruzzo.

Contracapa do livro: Amigo Rico

Segue o texto que irá na contracapa do livro “Amigo Rico”.

Este livro é minha modesta tentativa de mostrar a sabedoria de um dos melhores livros que já li: ‘O Homem Mais Rico da Babilônia’, de George Clason. Os ensinamentos e a narrativa são semelhantes ao original, porém transcritos para os dias atuais, com os problemas vividos por muitas pessoas em todo esse nosso Brasil.

O livro conta a história de Marcelo e Paulo, dois amigos cansados de passar mês após mês sem dinheiro no bolso. Eles até ganham um bom dinheiro com seus trabalhos, mas sempre acabam o mês com a carteira vazia. Saiba como eles conseguiram sair desta rotina de ganha-gasta sem fim. Saiba o que é necessário para viver uma vida cheia de riquezas, sem preocupações com o tempo que o salário deve durar. Aprenda a gerar uma renda extra que pagará todas suas contas, independente de você trabalhar ou não.

Qualquer dos personagens poderia ser eu ou você, leia o livro e escolha quem você quer ser no futuro, com que personagem você mais se identifica. E parta para a ação, caso se identifique com algum personagem que não lhe agrada. Todos temos um futuro brilhante à nossa frente. Devemos apenas tomar a atitude de viver nossa vida como ela merece ser vivida. Não podemos deixar acontecer o que fala aquela famosa música: ‘deixa a vida me levar, vida leva eu…’

Tomemos o controle de nossa existência, façamos o que é necessário para alcançar tudo o que, com certeza, todos merecemos. Para isto, precisamos de exemplos fortes e honestos em quem nos espelhar. Precisamos estudar cada vez mais sobre o funcionamento do jogo da vida. Precisamos saber as regras e jogar para ganhar.

Sigam comigo nesta jornada. Ao final, um mundo de riquezas e felicidade espera por todos nós. Nossa jornada só depende de uma coisa: um desejo ardente e insubstituível de “chegar lá”. Uma vontade incomensurável de vencer na vida. Todos podemos conseguir, independente de nossas condições iniciais. Eu consegui, você também consegue.

Fabrício S. Peruzzo, setembro de 2003.

Meu Novo Site. Em Inglês.

Semana passada coloquei no ar um novo site. É escrito em inglês, pois essa foi a melhor forma que achei de melhorar a minha escrita nesse idioma. Vou escrever sobre o que mais gosto: livros sobre dinheiro. O site é o BestMoneyBooks.com.

Muita coisa que escrever lá, também escreverei aqui em português e vice versa. Mas algumas coisas só estarão em um ou em outro. Aqui, por exemplo, continuarei escrevendo sobre os consórcios. Já lá, vou escrever coisas como a minha tradução pessoal do livro O Homem Mais Rico da Babilônia. O que ocorre é que a versão em inglês é escrita em uma linguagem arcaica, semelhante à Bíblia ou à peças de Shakespeare. Então resolvi fazer a minha tradução para o inglês atual.

Fica o convite para quem quiser visitar.

Heróis de verdade

Revista IstoÉ desta semana. Vale a pena ler a entrevista abaixo.

Observador contumaz das manias humanas, Roberto Shinyashiki está cansado dos jogos de aparência que tomaram conta das corporações e das famílias. Nas entrevistas de emprego, por exemplo, os candidatos repetem o que imaginam que deve ser dito. Num teatro constante, são todos felizes, motivados, corretos, embora muitas vezes pequem na competência. Dizem-se perfeccionistas: ninguém comete falhas, ninguém erra. Como Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa) em Poema em linha reta, o psiquiatra não compartilha da síndrome de super-heróis. “Nunca conheci quem tivesse levado porrada na vida (…) Toda a gente que eu conheço e que fala comigo nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho, nunca foi senão príncipe”, dizem os versos que o inspiraram a escrever “Heróis de verdade” (Editora Gente, 168 págs.). Farto de semideuses, Roberto Shinyashiki faz soar seu alerta por uma mudança de atitude. “O mundo precisa de pessoas mais simples e verdadeiras.”

* Por Camilo Vannuchi

ISTOÉ – Quem são os heróis de verdade?
Roberto Shinyashiki – Nossa sociedade ensina que, para ser uma pessoa de sucesso, você precisa ser diretor de uma multinacional, ter carro importado, viajar de primeira classe. O mundo define que poucas pessoas deram certo. Isso é uma loucura. Para cada diretor de empresa, há milhares de funcionários que não chegaram a ser gerentes. E essas pessoas são tratadas como uma multidão de fracassados. Quando olha para a própria vida, a maioria se convence de que não valeu a pena porque não conseguiu ter o carro nem a casa maravilhosa. Para mim, é importante que o filho da moça que trabalha na minha casa possa se orgulhar da mãe. O mundo precisa de pessoas mais simples e transparentes. Heróis de verdade são aqueles que trabalham para realizar seus projetos de vida, e não para impressionar os outros. São pessoas que sabem pedir desculpas e admitir que erraram.

ISTOÉ – O sr. citaria exemplos?
Shinyashiki – Dona Zilda Arns, que não vai a determinados programas de tevê nem aparece de Cartier, mas está salvando milhões de pessoas. Quando eu nasci, minha mãe era empregada doméstica e meu pai, órfão aos sete anos, empregado em uma farmácia. Morávamos em um bairro miserável em São Vicente (SP) chamado Vila Margarida. Eles são meus heróis. Conseguiram criar seus quatro filhos, que hoje estão bem. Acho lindo quando o Cafu põe uma camisa em que está escrito “100% Jardim Irene”. É pena que a maior parte das pessoas esconda suas raízes. O resultado é um mundo vítima da depressão, doença que acomete hoje 10% da população americana. Em países como Japão, Suécia e Noruega, há mais suicídio do que homicídio. Por que tanta gente se mata? Parte da culpa está na depressão das aparências, que acomete a mulher que, embora não ame mais o marido, mantém o casamento, ou o homem que passa décadas em um emprego que não o faz se sentir realizado, mas o faz se sentir seguro.

ISTOÉ – Qual o resultado disso?
Shinyashiki – Paranóia e depressão cada vez mais precoces. O pai quer preparar o filho para o futuro e mete o menino em aulas de inglês, informática e mandarim. Aos nove ou dez anos a depressão aparece. A única coisa que prepara uma criança para o futuro é ela poder ser criança. Com a desculpa de prepará-los para o futuro, os malucos dos pais estão roubando a infância dos filhos. Essas crianças serão adultos inseguros e terão discursos hipócritas. Aliás, a hipocrisia já predomina no mundo corporativo.

ISTOÉ – Por quê?
Shinyashiki – O mundo corporativo virou um mundo de faz-de-conta, a começar pelo processo de recrutamento. É contratado o sujeito com mais marketing pessoal. As corporações valorizam mais a auto-estima do que a competência. Sou presidente da Editora Gente e entrevistei uma moça que respondia todas as minhas perguntas com uma ou duas palavras. Disse que ela não parecia demonstrar interesse. Ela me respondeu estar muito interessada, mas, como falava pouco, pediu que eu pesasse o desempenho dela, e não a conversa. Até porque ela era candidata a um emprego na contabilidade, e não de relações públicas. Contratei na hora. Num processo clássico de seleção, ela não passaria da primeira etapa.

ISTOÉ – Há um script estabelecido?
Shinyashiki – Sim. Quer ver uma pergunta estúpida feita por um presidente de multinacional no programa O aprendiz? “Qual é seu defeito?” Todos respondem que o defeito é não pensar na vida pessoal: “Eu mergulho de cabeça na empresa. Preciso aprender a relaxar.” É exatamente o que o chefe quer escutar. Por que você acha que nunca alguém respondeu ser desorganizado ou esquecido? É contratado quem é bom em conversar, em fingir. Da mesma forma, na maioria das vezes, são promovidos aqueles que fazem o jogo do poder. O vice-presidente de uma das maiores empresas do planeta me disse: “Sabe, Roberto, ninguém chega à vice-presidência sem mentir.” Isso significa que quem fala a verdade não chega a diretor?

ISTOÉ – Temos um modelo de gestão que premia pessoas mal preparadas?
Shinyashiki – Ele cria pessoas arrogantes, que não têm a humildade de se preparar, que não têm capacidade de ler um livro até o fim e não se preocupam com o conhecimento. Muitas equipes precisam de motivação, mas o maior problema no Brasil é competência. Cuidado com os burros motivados. Há muita gente motivada fazendo besteira. Não adianta você assumir uma função para a qual não está preparado. Fui cirurgião e me orgulho de nunca um paciente ter morrido na minha mão. Mas tenho a humildade de reconhecer que isso nunca aconteceu graças a meus chefes, que foram sábios em não me dar um caso para o qual eu não estava preparado. Hoje, o garoto sai da faculdade achando que sabe fazer uma neurocirurgia. O Brasil se tornou incompetente e não acordou para isso.

ISTOÉ – Está sobrando auto-estima?
Shinyashiki – Falta às pessoas a verdadeira auto-estima. Se eu preciso que os outros digam que sou o melhor, minha auto-estima está baixa. Antes, o ter conseguia substituir o ser. O cara mal-educado dava uma gorjeta alta para conquistar o respeito do garçom. Hoje, como as pessoas não conseguem nem ser nem ter, o objetivo de vida se tornou parecer. As pessoas parece que sabem, parece que fazem, parece que acreditam. E poucos são humildes para confessar que não sabem. Há muitas mulheres solitárias no Brasil que preferem dizer que é melhor assim. Embora a auto-estima esteja baixa, fazem pose de que está tudo bem.

ISTOÉ – Por que nos deixamos levar por essa necessidade de sermos perfeitos em tudo e de valorizar a aparência?
Shinyashiki – Isso vem do vazio que sentimos. A gente continua valorizando os heróis. Quem vai salvar o Brasil? O Lula. Quem vai salvar o time? O técnico. Quem vai salvar meu casamento? O terapeuta. O problema é que eles não vão salvar nada! Tive um professor de filosofia que dizia: “Quando você quiser entender a essência do ser humano, imagine a rainha Elizabeth com uma crise de diarréia durante um jantar no Palácio de Buckingham.” Pode parecer incrível, mas a rainha Elizabeth também tem diarréia. Ela certamente já teve dor de dente, já chorou de tristeza, já fez coisas que não deram certo. A gente tem de parar de procurar super-heróis. Porque se o super-herói não segura a onda, todo mundo o considera um fracassado.

ISTOÉ – O conceito muda quando a expectativa não se comprova?
Shinyashiki – Exatamente. A gente não é super-herói nem superfracassado. A gente acerta, erra, tem dias de alegria e dias de tristeza. Não há nada de errado nisso. Hoje, as pessoas estão questionando o Lula em parte porque acreditavam que ele fosse mudar suas vidas e se decepcionaram. A crise será positiva se elas entenderem que a responsabilidade pela própria vida é delas.

ISTOÉ – É comum colocar a culpa nos outros?
Shinyashiki – Sim. Há uma tendência a reclamar, dar desculpas e acusar alguém. Eu vejo as pessoas escondendo suas humanidades. Todas as empresas definem uma meta de crescimento no começo do ano. O presidente estabelece que a meta é crescer 15%, mas, se perguntar a ele em que está baseada essa expectativa, ele não vai saber responder. Ele estabelece um valor aleatoriamente, os diretores fingem que é factível e os vendedores já partem do princípio de que a meta não será cumprida e passam a buscar explicações para, no final do ano, justificar. A maioria das metas estabelecidas no Brasil não leva em conta a evolução do setor. É uma chutação total.

ISTOÉ – Muitas pessoas acham que é fácil para o Roberto Shinyashiki dizer essas coisas, já que ele é bem-sucedido. O senhor tem defeitos?
Shinyashiki – Tenho minhas angústias e inseguranças. Mas aceitá-las faz minha vida fluir facilmente. Há várias coisas que eu queria e não consegui. Jogar na Seleção Brasileira, tocar nos Beatles (risos). Meu filho mais velho nasceu com uma doença cerebral e hoje tem 25 anos. Com uma criança especial, eu aprendi que ou eu a amo do jeito que ela é ou vou massacrá-la o resto da vida para ser o filho que eu gostaria que fosse. Quando olho para trás, vejo que 60% das coisas que fiz deram certo. O resto foram apostas e erros. Dia desses apostei na edição de um livro que não deu certo. Um amigão me perguntou: “Quem decidiu publicar esse livro?” Eu respondi que tinha sido eu. O erro foi meu. Não preciso mentir.

ISTOÉ – Como as pessoas podem se livrar dessa tirania da aparência?
Shinyashiki – O primeiro passo é pensar nas coisas que fazem as pessoas cederem a essa tirania e tentar evitá-las. São três fraquezas. A primeira é precisar de aplauso, a segunda é precisar se sentir amada e a terceira é buscar segurança. Os Beatles foram recusados por gravadoras e nem por isso desistiram. Hoje, o erro das escolas de música é definir o estilo do aluno. Elas ensinam a tocar como o Steve Vai, o B. B. King ou o Keith Richards. Os MBAs têm o mesmo problema: ensinam os alunos a serem covers do Bill Gates. O que as escolas deveriam fazer é ajudar o aluno a desenvolver suas próprias potencialidades.

ISTOÉ – Muitas pessoas têm buscado sonhos que não são seus?
Shinyashiki – A sociedade quer definir o que é certo. São quatro loucuras da sociedade. A primeira é instituir que todos têm de ter sucesso, como se ele não tivesse significados individuais. A segunda loucura é: “Você tem de estar feliz todos os dias.” A terceira é: “Você tem que comprar tudo o que puder.” O resultado é esse consumismo absurdo. Por fim, a quarta loucura: “Você tem de fazer as coisas do jeito certo.” Jeito certo não existe. Não há um caminho único para se fazer as coisas. As metas são interessantes para o sucesso, mas não para a felicidade. Felicidade não é uma meta, mas um estado de espírito. Tem gente que diz que não será feliz enquanto não casar, enquanto outros se dizem infelizes justamente por causa do casamento. Você precisa ser feliz tomando sorvete, levando os filhos para brincar. Quando era recém-formado em São Paulo, trabalhei em um hospital de pacientes terminais. Todos os dias morriam nove ou dez pacientes. Eu sempre procurei conversar com eles na hora da morte. A maior parte pega o médico pela camisa e diz: “Doutor, não me deixe morrer. Eu me sacrifiquei a vida inteira, agora eu quero ser feliz.” Eu sentia uma dor enorme por não poder fazer nada. Ali eu aprendi que a felicidade é feita de coisas pequenas. Ninguém na hora da morte diz se arrepender por não ter aplicado o dinheiro em imóveis.