Como ganhar mais dinheiro e conhecimento com o Efeito Medici.

Hoje, respondendo a um email, meu cérebro fez um click diferente e comecei a escrever um monte de coisas aparentemente desconexas mas que no final, fizeram todo o sentido. Pelo menos para mim.

Resolvi relatar isso aqui, em parte porque se deixasse perdido na minha caixa de “Itens Enviados”, ficaria lá, no limbo. E em parte porque alguém mais pode se beneficiar das descobertas que fiz. Resumidamente se trata de aprendermos com as experiências dos outros e de ajudarmos os outros sem esperar retorno, pois com certeza ele virá de formas que nunca poderíamos imaginar.

A história da criação da Megacombo, minha empresa para a venda de consórcios é meio reflexo disso. O que fiz foi simplesmente expandir meu investimento pessoal em consórcios divulgando o que fazia e ajudando outras pessoas a ganhar dinheiro da mesma forma que eu estava ganhando. E ao fazer meus movimentos no tabuleiro, mover junto todas as peças dos amigos que resolveram investir da mesma forma que eu.

Agradeci ao Gabriel por ter enviado o email que originou este assunto. Ele simplesmente pedia informações sobre o investimento em consórcios, mas fez isso de forma impessoal, mandando um email para megacombo (a) megacombo.com.br e não para meu email pessoal fabricio (a) megacombo.com.br, e escrevendo que descobriu o site lendo um artigo “do Fabrício”, sem saber que a Megacombo é uma empresa de um homem só 🙂

Por conta disto, achei que seria legal da minha parte me apresentar direito, apresentar a Megacombo, explicar que nas outras empresas que tenho participação, tenho sócios, funcionários, parceiros diversos, mas na Megacombo sou apenas eu. Na verdade, não sou apenas eu. Foi o que iria tentar explicar. Sou eu, mais o conhecimento coletivo de todos que entram para este meu mundo particular.

Por exemplo, um amigo de Minas Gerais contemplou uma carta e com ela, adquiriu uma unidade em um flat da região. Me mandou um email falando disso, dando detalhes do que havia feito e de como estava ganhando com isso. Aqui em Porto Alegre, conversei com outro amigo sobre esse assunto. Ele gostou e arquivou a informação dentro da cabeça dele. Uns meses depois, surgiu uma proposta de aquisição de um flat para esse meu amigo. Coincidência? Pode ser. Prefiro chamar de sincronia. De toda forma, boa parte do conhecimento de como funcionaria este investimento já tinha sido mastigado no cérebro deste meu amigo. Isso permitiu um grande atalho entre o tempo de receber a proposta, analisar e finalmente partir para a ação e adquirir este flat. Então hoje, tenho dois amigos ganhando dinheiro com a integração de consórcios e flats. E se mais algum cliente meu pensar nisso, tenho as informações e posso fazer as conexões necessárias entre as pessoas.

Li ontem sobre o Efeito Medici no Copyblogger, deixo o link original para quem se interessar e já proveito para sugerir a leitura dos posts que ele indica no primeiro parágrafo:

http://www.copyblogger.com/medici-effect/

Para quem não sabe inglês ou não quer ir lá ler o original agora, um pequeno resumo é que entre os séculos 13 e 17 a familia Medici patrocinou uma série de pessoas de diferentes locais, habilidades e culturas a se juntar em Florença e entrar em contato umas com as outras, trocar idéias e colaborar entre sí. A interseção de todos esses conceitos e histórias pessoais diversas foi o que permitiu o surgimento do Renascimento, uma das eras mais inovadoras da humanidade.

Então pensando em tudo isso, me dei conta do que faço em relação ao investimento em consórcio. E como aprendo com isso de formas impossíveis de aprender se não fizesse da forma como faço. Vamos ver se consigo explicar de forma mais clara…

É como se eu fosse um enxadrista, jogando diversas partidas simultâneas com diversos adversários simultâneos. A cada movimento de cada adversário, tenho que analisar as possíveis consequências futuras dos meus movimentos em cada tabuleiro. Com o avançar das partidas, o fato de estar jogando as diversas partidas faz com que pequenos desvios ocorridos no início de uma partida qualquer não ocorram em momentos mais avançados de outras partidas. O aprendizado antecipado das consequências em um momento menos crítico em outra partida, evita o erro em um momento mais avançado de outra. Consegui ser claro?

Cuidando dos meus investimentos pessoais, aprendo apenas com meus movimentos e minhas informações. Cuidando dos investimentos de dezenas ou centenas de outras pessoas e analisando os números, situações de vida, momentos pessoais, mercado da cidade de cada um, opções de compra e venda diversas, consigo misturar tudo isso e ajudar uns e outros com o resultado conjunto de todas as variáveis disponíveis, sem depender apenas das variáveis de conhecimento específicas de cada caso. Consigo antecipar possíveis problemas antes que eles efetivamente se tornem problemas, porque tenho o histórico de outros que me permite relacionar ações anteriores com resultados posteriores.

Então me desculpei com o Gabriel, porque tudo isso não tinha nada a ver com o motivo pelo qual ele me escreveu, que era simplesmente começar a investir em consórcios ou investir em imóveis através dos consórcios. E pedi que ele tratasse de tudo isso como se estivessemos conversando numa cafeteria e de repente eu pedisse licença por um minuto e começasse a escrever alucinadamente em uma pilha de guardanapos (não seriam guardanapos, quase sempre tenho um bloco de notas comigo).

E então, me acompanha neste café?

Chove em Porto Alegre. Que sorte.

Chove hoje em Porto Alegre. Sempre tive duas opiniões sobre dias de chuva. Gostava e não gostava. Hoje gosto. Trabalho em casa desde julho deste ano. Mudei para um novo apartamento, maior e com espaço para fazer um escritório para mim e um para minha esposa. O barulho da chuva ajuda a me concentrar.

Dizem que chover no dia do casamento é sinal de sorte. Eu tive essa sorte há exatamente três anos e cinco meses. E hoje, completando 36 anos de idade, estou tendo novamente essa sorte.

Quando a gente começa a falar de sorte, logo lembra de uma série de frases famosas. Vou ficar só com uma:

Eu acredito demais na sorte. E tenho constatado que, quanto mais duro eu trabalho, mais sorte eu tenho.

Thomas Jefferson

Realismo Positivo

A ano passado e o início deste ano foram duros. Quem estava por perto sabe o que aconteceu. Mas os dias continuam e assim vamos levando. Há coisas que simplesmente temos que aceitar como parte da vida, não há nada que possamos fazer para mudar. Outras, podemos planejar, esperando que os planejamentos dêem certo e descobrindo que quando tudo acontece diferente do planejado, é concretizado de forma ainda melhor do que imaginamos ser possível.

Chamo a isso de realismo positivo. Tem gente que é otimista e gente que é pessimista. Eu costumo dizer que sou realista. Realista positivo.

Sempre que alguma coisa ruim acontece, existe um bom motivo para isso. Nós é que normalmente não temos a visão total para saber qual é esse bom motivo.

Fabricio Stefani Peruzzo

Vou contar uma história: em agosto fui para São Paulo. Pela primeira vez na vida perdi o vôo. Simplesmente não acordei a tempo, o avião saia as 6h20 acordei as 6h28. Quando começo esta história, já tendo falado em sorte, realismo e coisa e tal, TODAS AS PESSOAS pensam que vou continuar dizendo que houve algum problema no vôo, um acidente, qualquer coisa ruim. Então concluo a história dizendo que acordei com mais calma, tomei o café da manhã com a minha esposa, providenciei nova passagem para as 11h50 e fui para São Paulo. Claro, tive o inconveniente de ter que pagar uma passagem extra, o que nunca é bom. Então subo no avião e encontro um amigo que não via há muito tempo. Conversamos, contamos as novidades, falei que vendi minha empresa de internet e que agora estava dedicado a ajudar as pessoas em finanças pessoais e a adquirir imóveis e construir patrimônio. Não bastasse o fato de ter encontrado um amigo que não via há tempo, ainda vendi uma cota de consórcio de imóvel no próprio vôo. A comissão sobre essa venda foi suficiente para bancar o custo da passagem perdida e ainda ganhar um troco. Então, deixa eu repetir:

Sempre que alguma coisa ruim acontece, existe um bom motivo para isso. Nós é que normalmente não temos a visão total para saber qual é esse bom motivo.

Fabricio Stefani Peruzzo

Temos uma visão muito limitada da vida. O fato é que desde que assumi essa atitude realista positiva, tudo de bom tem acontecido na minha vida. Mas não pense que isso é só papo de pensamento positivo e “outras bobagens”, como costumam pensar os que não acreditam nisso.

Pensamento positivo

O grande segredo do pensamento positivo é realmente muito simples. As pessoas que pensam positivo simplesmente costumam persistir mais quando aparece alguma dificuldade. Outra característica dessas pessoas é que elas possuem uma forte preferência por se relacionar com outras pessoas que pensam da mesma forma. Juntando as duas coisas, temos um grupo de pessoas que trabalha mais, de melhor humor, encarando de frente os problemas que aparecem a sua frente. Não tem como essas pessoas não atingirem o sucesso.

Minha mesa nova, com minha “cadeira ortopédica” debaixo dela. Trabalhar com tudo que é necessário ao alcance das mãos é um grande estímulo à produtividade. Normalmente há pilhas de papéis, cadernos e lembretes espalhados sobre a mesa. Mas arrumei tudo para mostrar como sou organizado 🙂

Trabalhe, pense que o melhor vai acontecer. Enquanto não acontecer, volte ao início deste parágrafo.

Tenho muita sorte. Mas trabalho para isso.

Na foto acima, da minha estante nova, tem uns 400 livros. Li quase todos. Metade deles falam de empreendedorismo, independência financeira, investimentos ou são biografias de grandes empreempredores, milionários e bilionários. Não apenas li, mas estudei todos esses livros. A poltrona, comprei há duas semanas. Foi meu presente de aniversário adiantado. Agora meu estudo é mais confortável 🙂

Hoje é meu aniversário, hoje é meu dia de sorte. Chove em Porto Alegre, de volta ao trabalho.

Boa sorte para você também.

Sobre a Morte

Li sobre a história de Randy Pausch no blog do Alessandro Martins. Assisti o video do Wall Street Journal sobre o assunto e depois fui assistir o video completo da palestra de Randy Pausch. Somente após isso é que fui ler os textos do Paulo Polzonoff Jr e do André.

A história do Randy foi publicada na revista Veja desta semana, a que tem o Che Guevara na capa. A reportagem da Veja está infinitamente melhor e mais completa que o vídeo do WSJ.

Me parece que algumas pessoas fazem comentários sem saber de toda história. Com isso podem ser mal interpretadas. O Paulo foi um deles, mas é desculpado pelo fato de escrever em seu texto que escrevia tendo como base apenas a reportagem do WSJ. Digo o mesmo da maioria dos comentários que li no site do Paulo. E fico um pouco triste com isso, porque com a pressa em escrever sobre algo que não absorvemos por completo, corremos o risco de perder o melhor da mensagem, a melhor experiência, a verdadeira lição. Então sugiro que você que está lendo isto aqui e compreenda suficientemente o inglês vá imediatamente assistir o video completo. São quase duas horas de palestra, mas realmente valem a pena.

Para quem continua comigo, seguem minhas pequenas considerações e resumo da palestra.

Randy Pausch é professor de computação da Universidade Carnegie Mellon. Há um ano teve diagnosticado câncer no pâncreas, um dos piores que existem. Há um mês seu estado piorou e foi-lhe dado três meses de expectativa de vida. Ele em breve deixará a esposa, três filhos pequenos e uma infinidade de amigos.

Os americanos têm o hábito de convidar pessoas bem sucedidas em seus campos a fazer palestras do tipo “o que eu gostaria de deixar para a posteridade se esta fosse minha última palestra”. No caso do Randy, provavelmente seja o caso.

A palestra gira toda sobre “Como Realizar Seus Sonhos de Criança”. Randy começa com um pouco de humor negro com algumas piadas sobre sua situação, mais ao seu estilo do que uma palestra direta e emocional. Se joga no chão, faz alguns apoios com um só braço, fala que está se sentindo ótimo e em perfeita forma física. E então parte para a palestra real.

Começa apresentando os assuntos dos quais não vai falar:

  • câncer
  • coisas mais importantes do que os sonhos de criança: sua mulher e filhos
  • Espiritualidade e Religião: sua conversão no leito de morte

Sobre esta última ele completa que realmente passou pela experiência de conversão no leito de morte: comprou um Macintosh!

Com uma pequena lista de sonhos de infância, Randy descreve um a um, como os realizou e o que aprendeu nesta caminhada para permitir que cada um de nós consigamos realizar nossos sonhos. Confesso que estou no estado mental adequado para este tipo de palestra. Estava no meio da leitura do livro Nunca Desista de Seus Sonhos, do Augusto Cury.

Seus sonhos de criança eram os seguintes:

  • Estar em gravidade zero
  • Jogar na Liga Nacional de Futebol Americano
  • Escrever um artigo na World Book Encyclopedia
  • Ser o Capitão Kirk
  • Ganhar animais de pelúcia
  • Ser um Disney Imaginner

Estar em gravidade zero

É importante ter sonhos específicos. Randy não sonhava em ser um astronauta. Ele sabia desde cedo que astronautas tinham que ter saúde perfeita e isso incluia não usar óculos. Ele não queria ser astronauta, queria estar em gravidade zero. Já como professor de computação gráfica, descobriu que a NASA tinha programa de incentivo a pesquisa científica que dava como prêmio um passeio no “avião do vômito”, um avião de treinamento de astronautas que faz vôos parabólicos, simulando gravidade zero. Seus alunos ganharam o primeiro lugar. Mas seu sonho ainda não havia sido realizado. Uma das regras do concurso era que os professores não eram permitidos de fazer o passeio. Sua primeira lição na palestra: os muros de concreto que colocam na nossa frente servem para mostrarmos o quanto realmente queremos alguma coisa. Os muros de concreto não estão lá para nos impedir de realizar nossos sonhos, estão lá para impedir os outros, os que não sonham. Lendo atentamente as regras do concurso ele achou uma brecha. Os alunos poderiam levar consigo um jornalista de alguma publicação local. No dia do passeio lá estava o Randy com dois documentos: sua demissão como professor e seu contrato de trabalho como jornalista da escola. Primeiro sonho realizado!

Jogar na Liga Nacional de Futebol Americano

Esse sonho não foi realizado. Ele treinou com um dos melhores técnicos que poderia treinar. Um técnico que treinava sem bola. Quando seus pupilos perguntaram onde estavam as bolas para eles treinarem a resposta veio com uma pergunta: quantos jogadores têmos no campo, contando os dois times? Quando os alunos responderam 22 o técnico foi direto ao ponto: então treinaremos apenas os 21 que em cada momento estão sem a bola nas mãos! Não realizou este sonho, mas aprendeu as lições que tinha a aprender. Aprendeu os fundamentos do jogo. trabalho em grupo e o poder do entusiasmo.

Escrever um artigo na World Book Encyclopedia

Em uma época em que as casas possuiam grandes enciclopédias, a World Book era o livro dos livros. Tudo podia ser encontrado lá. Todos os assuntos. Depois de se tornar uma autoridade no assunto de realidade virtual o pessoal da World Book entrou em contato e ele escreveu um artigo sobre o assunto. Termina este tópico dizendo que conhecendo o controle de qualidade de uma enciclopédia de verdade acredita que a Wikipédia é uma boa fonte de informação atualmente. Deixaram “ele” escrever um dos tópicos!

Ser o Capitão Kirk

Em algum momento você se dá conta que algumas coisas não são possíveis. Então temos que adaptar. Esse sonho foi trocado por conhecer pessoalmente o Capitão Kirk ou no caso, o ator William Shatner.

Depois do ator escrever um livro sobre a ciência da série Star Trek, falando das tecnologias que apresentavam e como algumas dessas estavam se tornando objetos reais, a equipe do Randy foi chamada para criar um mundo virtual representando o Deck de Controle da Star Trek.

É muito legal conhecer seu ídolo de infância. Mas é ainda mais legal quando seu ídolo de infância vem ao seu laboratório admirar as coisas que você faz lá.

Ganhar animais de pelúcia

Randy sempre olhava admirado as pessoas que ganhavam os grandes ursos de pelúcia nos parques de diversão. Queria ser como elas. Então mostrou uma série de fotos da família com os grandes ursos de pelúcia. Mas sabe como funcionam essas coisas de edição de imagens e manipulação digital… Então trouxe diversos dos ursos que ganhou para o palco 🙂

Ser um Disney Imaginner

Esse foi um dos sonhos mais difíceis de realizar. Um Disney Imaginner é um engenheiro da Disney. É alguém que trabalha para ajudar as pessoas a realizar seus sonhos. Pode ser um engenheiro, um desenhista, um carpinteiro, não interessa o que faça. O importante é o sentido de realização de saber que seu trabalho ajuda as pessoas a realizar seus sonhos, a se divertir.

Encurtando uma longa história, depois de muito trabalho e várias coisas que fizeram em conjunto ele finalmente foi convidado e se tornar um Disney Imaginner. E recusou!

Na verdade, deixaram a porta aberta e fizeram vários trabalhos depois disso. Ele ia para lá todas as semanas. Essa é uma das vantagens da carreira acadêmica, dá para manter o bolo e comê-lo ao mesmo tempo.

Fala um pouco então de um de seus alunos. Em 1993 contou seu sonho a Randy: trabalhar na equipe dos novos filmes da série Star Wars! Randy tentou alerta-lo: “Você sabe que esses filmes provavelmente nunca serão realizados”, ao que Tommy respondeu: “Eles serão!”

Temos que ter cuidado com nossos sonhos. Eles se realizam.

Ele então fala de seus projetos atuais em conjunto com a Eletronic Arts, fala do jogo The Sims e sua participação e fala do Projeto Alice, que é um simulador semelhante ao The Sims com o objetivo de ensinar computação e criação de roteiros para as crianças. Sugiro assistir ao vídeo, então não vou descrever os detalhes desta parte.

No final da palestra ele fala de pessoas importantes em sua vida e coisas que aprendeu com elas. Todas são interessantes, mas vou me concentrar em apenas uma delas aqui. Ele fala da importância de se preocupar mais com os outros do que consigo mesmo. Então ele estava lá, preparando sua “Última Palestra”. Então dando um exemplo prático do que quer dizer com se preocupar mais com os outros do que consigo mesmo, conta que no dia anterior era o aniversário da esposa, interrompe a palestra com a entrada de um enorme bolo de anoversário e pede para todos os presentes cantarem parabéns para ela!

Ele termina a palestra com dois “head fake”, um termo que explica uma coisa que na verdade significa outra coisa.

O primeiro “head fake” é que a palestra não é sobre como realizar seus sonhos e sim como viver sua vida. Se viver sua vida com valor, o Karma se encarregará de realizar seus sonhos.

O segundo “head fake” é que a palestra não era para o público presente. Era para seus filhos, Dylan, Logan e Chloe.

Pela metade

Poema “chupado descaradamente” do blog do Alessandro Martins, mas bom demais para não compartilhar aqui. Então aproveito o post para indicar o blog dele a todos os amantes de livros. No texto em questão ele escreve sobre as mudanças na ortografia da lingua portuguesa.

Segue o poema, extremamente relevante para nós empreendedores…

O Gato e o Pássaro

Uma aldeia ouve desolada
O canto do pássaro ferido
É o único pássaro da aldeia
E foi o único gato da aldeia
Que o devorou por metade
E o pássaro deixa de cantar
O gato deixa de ronronar
E de lamber o focinho
E a aldeia faz ao pássaro
Um funeral maravilhoso
E o gato que foi convidado
Segue atrás do pequeno caixão de palha
Onde o pássaro morto vai estendido
Levado por uma menina
Que não pára de chorar
Se soubesse que isso te deixava tão triste
Disse-lhe o gato
Tinha-o comido inteiro
E depois contava-te
Que o tinha visto partir a voar
A voar até ao fim do mundo
De onde tão longe que é
Nunca ninguém volta
Seria para ti um desgosto mais pequeno
Unicamente tristeza e saudades

Nunca se devem deixar as coisas a meio.

11 de setembro de 2001

Ontem rolou um meme sobre onde estávamos no fatídico 11 de setembro de 2001. E hoje, dia 12, eu escrevo onde estava e o que senti. Porque só hoje? Explico no texto…

Eu trabalhava para uma startup, uma empresa que seria a Nasdaq das commodities agrícolas. Um projeto bastante interessante. Neste dia, deveria estar nos Estados Unidos. Tinha programado para viajar para lá e acabei não indo porque a empresa estava há mais de 3 meses com os salários atrasados. Apesar de ter o dinheiro para ir, resolvi não arriscar as reservas sem saber o que iria acontecer nos meses seguintes. Então estava no Brasil, trabalhando. É interessante notar quando acontecem coisas ruins (não receber o salário) e quando vemos, esse fato teve como consequência algo bom para nós (não estar longe da família e perto da tragédia).

Uns dias depois, ao conseguir falar com um amigo que morava lá, ele ainda fez uma brincadeira, dizendo que estava no sétimo andar da segunda torre. Todos os outros amigos com quem ele falou sabiam que era brincadeira dele. Eu não tive essa capacidade de raciocinar. Estava ainda em choque. Achei que era verdade. E pior, se fosse verdade, não estaria aqui escrevendo essas linhas. Porque minha estada nos EUA seria na casa desse amigo. E se ele realmente estivesse na torre, no sétimo andar, fazendo um trabalho, eu certamente teria ido com ele. E estaria feliz, no topo da torre dois, minutos antes dela despencar. Passei alguns meses com isso me atormentando. Apenas alguns anos depois, quando conversavamos sobre algum outro assunto qualquer, ele me disse com todas as letras que era brincadeira. Mas ainda não sei se era mesmo ou se ele apenas quis me tranquilizar.

Quando vi na TV, não acreditei no que estava passando. Foi aquele espanto de ver algo surpreendente em um filme. Mas não era um filme, era a vida real, acontecendo a 30 quadros por segundo. Fiquei em estado de choque. Não conseguia acreditar no que estava vendo. Não sou nenhum defensor dos EUA, muito menos detrator. Mas aquilo não atingia apenas os Estados Unidos, aquilo era um crime contra a humanidade. Meses depois deu para ver que os alvos eram tudo e todos, quando houveram os ataques na Espanha e em Londres (quando minha irmã menor estava lá.

Então porque escrevo apenas hoje? Porque no dia, o choque foi tão grande, que fiquei completamente sem ação. Sabia algumas das consequências que iriam acontecer, simplesmente não conseguia pensar em nenhuma delas naquele momento. Então nas semanas seguintes, quando finalmente lembrei das minhas ações na Bolsa, fui verificar. Minhas ações valiam pouco mais de 5% do que estavam valendo uns dias antes. Pode ter sido somente azar de estar justo com as ações que mais despencaram na carteira, mas o número é esse. Um dia, 100%, no outro, 5%. Nos meses seguintes recuperei um pouco da perda, já que não vendi nada depois de ter despencado. Mesmo assim, perdi o rendimento de 5 anos em que tinha investido sistematicamente.

Por isso hoje, um dia depois, eu escrevo aqui. De luto desde ontem por todos que perderam muito mais do que simples tostões.

O poeta fala

Em homenagem a quem infelizmente não está mais conosco desde ontem…

“Acordo para a morte.
Barbeio-me,visto-me, calço-me.
É meu último dia: um
dia cortado de nenhum pressentimento.
Tudo funciona como sempre.
Saio para a rua. Vou morrer.

(…)Pela última vez miro a cidade.
Ainda posso desistir, adiar a morte,
não tomar esse carro. Não seguir para.
Posso voltar, dizer: amigos,
esqueci um papel, não há viagem,
ir ao cassino, ler um livro.

Mas tomo o carro. Indico o lugar
onde algo espera. O campo. Refletores.
Passo entre mármores, vidro, aço cromado.
Subo uma escada. Curvo-me. Penetro
no interior da morte.

A morte dispôs poltronas para o conforto
da espera. Aqui se encontram os que vão morrer e não sabem.
Jornais,café, chicletes, algodão para o ouvido,
pequenos serviços cercam de delicadeza
nossos corpos amarrados.

(…) Vivo
meu instante final e é como
se vivesse há muitos anos
antes e depois de hoje
uma contínua vida irrefreável,
onde não houvesse pausas, síncopes, sonos,
tão macia na noite é esta máquina e tão facilmente ela corta
blocos cada vez maiores de ar.

(…) Sou um corpo voante e conservo bolsos, relógios, unhas,
ligado à terra pela memória e pelo costume dos músculos,
carne em breve explodindo.

Ó brancura, serenidade sob a violência
da morte sem aviso prévio

(….) golpe vibrado no ar, lâmina de vento
no pescoço, raio
choque estrondo fulguração
rolamos pulverizados
caio verticalmente e me transformo em notícia”

(Carlos Drummond de Andrade, “Morte no Avião” – trecho)

Sem carimbos

Minha irmã enviou este texto faz alguns meses. Hoje, fazendo uma limpeza na minha Caixa de Entrada, resolvi publicar aqui.

Sem carimbos
por Rosana Hermann

Somos todos inseguros. Estamos sempre tentando provar a mesma coisa: que valemos a pena. Que somos bacanas, modernos, que demos certo na vida. Que merecemos estar aqui. Para oferecer provas a esse mundo que nos cobra diariamente, usamos de muitos artifícios como a aparência física e a cultura. Mas o conjunto de provas mais eficiente são as assinaturas que usamos.

Uma das mais famosas é o sobrenome que você usa, aquele que a empresa empresta para você. João da Microsoft, Maria da Globo, Ricardo da Vogue. Sobrenome de empresa é sempre forte. Mas passa.

Por isso as pessoas preferem sobrenomes que elas possam adquirir com seu dinheiro: as assinaturas de griffe.

Seu carro é uma assinatura. Ter uma Cayenne, uma Hilux, uma Ferrari, um Jaguar, são indicadores de triunfo.

Mas não basta ter dinheiro. É preciso ter bom gosto e bons amigos.

Bom gosto você compra com griffes para sua casa, por exemplo. Um objeto Philippe Starck, por exemplo, mesmo que seja só um espremedor de laranja, é um bom começo. Objetos de arte. Móveis assinados. Tudo conta.

E, claro, roupa, relógio, bolsa, etc. Até uma revista como a Caras dá o nome dos estilistas que assinam os vestidos de festa das celebridades.

São as assinaturas.

Lá vai você, ou eu, ou todos nós, andando com nossos logos, griffes, etiquetas. Orgulhosos, indicamos nossos prestadores de serviços carésimos para ostentar. Dentes by Dentista Fulano, cirurgias estéticas feitas por outro fulano, cabelo pelo Studio Tal, jóias de não-sei-quem.
É preciso também freqüentar. Ser convidado para festas de pessoas bem assinadas. Ser cool. Sair com pessoas descoladas. Ter o celular pessoal de gente chique. Fazer parte do mailing VIP de promoters badaladas.

É como se precisassemos de todos esses carimbos como ‘vistos’ de entrada e permanência no planeta Terra. Ou no topo da pirâmide social.

Mas quer saber? Não precisamos de nada disso.

Isso é coisa de quem acredita em criar dificuldades pra vender facilidades.

A gente não precisa de aval. Pode até comprar, gostar, curtir mas não precisa desses produtos todos.

Precisamos de muito pouco. E, considerando-se que não vamos levar nada faz mais sentido viver com pouco mesmo.

Compre pouco, use pouco, gaste pouco.

Não desperdice. Não ostente. Não tente ser mais do que você é. Não coma mais do que seu corpo precisa. Não tenha mais roupas e sapatos do que você necessita. Não colecione bobagens. Livre-se de tudo. Do peso, do medo, das marcas, das bengalas consumistas.

Não tenha medo de ficar sem. Da privação. Do nada.

Experimente ser apenas você. Sem artifícios, sem sacrifícios, sem mentiras. Nem que seja só por um dia, uma vez, só nas férias. Aos sábados.

Mas tente descobrir quem está por baixo de todos os seus planos e intenções, das suas vestes, das suas fantasias, máscaras ou armaduras.

Talvez exista alguém melhor do que você imagina. Mais doce do que você pensa.

Mais amável do que você tem sido.

Se der pra deixar o ego na segunda gaveta e sair à pé, melhor ainda.

Aprecie a paisagem.

Respire fundo.

Sorria.

Mesmo que você não esteja sendo filmado.

Estar vivo já é o sucesso.

Dia das Mães

Mãe! Qual o filho preferido?

Certa vez, perguntaram a uma mãe qual era seu filho preferido, aquele que ela mais amava.

E ela, deixando entrever um sorriso, respondeu:

“Nada é mais volúvel que um coração de mãe.

E, como mãe, lhe respondo:

Filho dileto, aquele a quem me dedico de corpo e alma, é o meu filho doente, até que sare.
O que partiu, até que volte.
O que está cansado, até que descanse.
O que está com fome, até que se alimente.
O que está com sede, até que beba.
O que está estudando, até que aprenda.
O que está nu, até que se vista.
O que não trabalha, até que se empregue.
O que namora, até que se case.
O que se casa, até que conviva.
O que tem filhos, até que os crie.
O que prometeu, até que cumpra.
O que deve, até que pague.
O que chora, até que se cale.”

E, já com o semblante bem distante daquele sorriso, completou:

” O que já me deixou, até que o reencontre.”

A lição do Mestre

As sandálias do discípulo ressoavam surdamente nos degraus de pedra que levavam aos porões do velho mosteiro.

Empurrou a pesada porta de madeira que cerrava os aposentos do ancião.

E custou a localizá-lo na densa penumbra, o rosto velado por um capuz, sentado atrás de enorme escrivaninha, onde, apesar do escuro, fazia anotações num grande livro, tão velho quanto ele.

E o discípulo o inquiriu:

– Mestre, qual o sentido da vida?

O idoso monge, permanecendo em silêncio, apenas apontou um pedaço de pano, um trapo grosseiro no chão junto à parede.

Logo após, seu indicador ossudo e encarquilhado mostrou, no alto do aposento, o vidro da janela, opaco sob décadas de poeira e teias de aranha.

O discípulo pegou o pano e subiu em algumas prateleiras de uma pesada estante forrada de livros.

Conseguiu alcançar a vidraça e começou então a esfregá-la com vigor, retirando a sujeira que impedia sua transparência.

O sol inundou o aposento, banhando com sua luz estranhos objetos, instrumentos raros e dezenas de papiros e pergaminhos com misteriosas anotações e signos cabalísticos.

O discípulo, sem caber em si de contentamento, a fisionomia denotando o brilho da satisfação, declarou:

– Entendi, mestre.

– Devemos nos livrar de tudo que ATRAPALHE nosso aprendizado…

– Retirar o pó dos preconceitos e as teias das opiniões que impedem O RECEBER da luz do conhecimento e então enxergaremos A VERDADE, com mais nitidez.

O jovem discípulo fez então uma reverência, e deixou o aposento, agora iluminado, a fim de dividir com os outros a lição recém aprendida.

O velho monge, o rosto enrugado ainda encoberto pelo largo capuz, os raios do sol da manhã banhando-o com uma claridade a que se desacostumara, olhou o discípulo se afastando.

Deixou escapar um tênue sorriso e pensou:

– Mais importante do que aquilo que alguém mostra é o que o outro enxerga!

E murmurou baixinho:

– Eu só queria que ele colocasse o pano no lugar de onde caiu. . . .

A Estória do Lápis

O menino olhava a avó escrevendo uma carta.

A certa altura, perguntou:

– Você está escrevendo uma história que aconteceu conosco? E por acaso, é uma história sobre mim?

A avó parou a carta, sorriu, e comentou com o neto:

– Estou escrevendo sobre você, é verdade. Entretanto, mais importante do que as palavras é o lápis que estou usando. Gostaria que você fosse como ele, quando crescesse.

O menino olhou para o lápis, intrigado, e não viu nada de especial.

– Mas ele é igual a todos os lápis que vi em minha vida!

-Tudo depende do modo como você olha as coisas.

– Há cinco qualidades nele que, se você conseguir mantê-las, será sempre uma pessoa em paz com o mundo.

“Primeira qualidade”:

Você pode fazer grandes coisas, mas não deve esquecer nunca que existe uma Mão que guia seus passos. Esta Mão apesar de ter nomes variados é a que nos dá uma direção em nossas vidas.

“Segunda qualidade”:

De vez em quando eu preciso parar o que estou escrevendo, e usar o apontador. Isso faz com que o lápis sofra um pouco, mas no final, ele está mais afiado. Portanto, saiba suportar algumas dores, porque elas o farão ser uma pessoa melhor.

“Terceira qualidade”:

O lápis sempre permite que usemos uma borracha para apagar aquilo que estava errado. Entenda que corrigir uma coisa que fizemos não é necessariamente algo mau, mas algo importante para nos manter no caminho da justiça.

“Quarta qualidade”:

O que realmente importa no lápis não é a madeira ou sua forma exterior, mas o grafite que está dentro. Portanto, sempre cuide daquilo que acontece dentro de você.

Finalmente, a “quinta qualidade” do lápis:

Ele sempre deixa uma marca. Da mesma maneira, saiba que tudo que você fizer na vida irá deixar traços, e procure ser consciente de cada ação.

A.D.

“Na vida temos o habito de buscar soluções que muitas vezes esta na simplicidade de um Lápis”