Livro do Fabrício

Este livro é minha modesta tentativa de mostrar a sabedoria de um dos melhores livros que já li: O Homem Mais Rico da Babilônia, de George Clason. Os ensinamentos e a narrativa são semelhantes ao original, porém transcritos para os dias atuais, com os problemas vividos por muitas pessoas em todo esse nosso Brasil.

O livro conta a história de Marcelo e Paulo, dois amigos cansados de passar mês após mês sem dinheiro no bolso. Eles até ganham um bom dinheiro com seus trabalhos, mas sempre acabam o mês com a carteira vazia. Saiba como eles conseguiram sair desta rotina de ganha-gasta sem fim. Saiba o que é necessário para viver uma vida cheia de riquezas, sem preocupações com o tempo que o salário deve durar. Aprenda a gerar uma renda extra que pagará todas suas contas, independente de você trabalhar ou não.

Qualquer dos personagens poderia ser eu ou você, leia o livro e escolha quem você quer ser no futuro, com que personagem você mais se identifica. E parta para a ação, caso se identifique com algum personagem que não lhe agrada. Todos temos um futuro brilhante à nossa frente. Devemos apenas tomar a atitude de viver nossa vida como ela merece ser vivida. Não podemos deixar acontecer o que fala aquela famosa música: ‘deixa a vida me levar, vida leva eu…’

Tomemos o controle de nossa existência, façamos o que é necessário para alcançar tudo o que, com certeza, todos merecemos. Para isto, precisamos de exemplos fortes e honestos em quem nos espelhar. Precisamos estudar cada vez mais sobre o funcionamento do jogo da vida. Precisamos saber as regras e jogar para ganhar.

Sigam comigo nesta jornada. Ao final, um mundo de riquezas e felicidade espera por todos nós. Nossa jornada só depende de uma coisa: um desejo ardente e insubstituível de “chegar lá”. Uma vontade incomensurável de vencer na vida. Todos podemos conseguir, independente de nossas condições iniciais. Eu consegui, você também consegue.

Estou escrevendo o livro e enviando os capítulos para os assinantes do Informativo Moeda Corrente. Para ler os capítulos já publicados, basta se cadastrar na página do YahooGrupos. É gratuito.

A decisão é sua. A informação é aqui!

MoedaCorrente, sua fonte de informação para a independência financeira!

Fabrício S. Peruzzo, setembro de 2003.

Adams Óbvio, notas do autor

Notas do autor, muitos anos mais tarde.

Cinco maneiras de testar o óbvio.

Cinco caminhos criativos para reconhecer o óbvio.

Cinco maneiras de testar o óbvio.

Em 1916, quando o livro “Adams Óbvio” foi publicado pela primeira vez, achei que levar os homens de negócios a fazer o óbvio seria fácil: bastaria apontar a solução óbvia ou o caminho a seguir.

Eu estava completamente errado. Descobri que, na maioria das situações, figurativamente, quase se todos nós vamos de New York a Mineápolis, via New Orleans, ao invés de pegarmos a rota mais direta e óbvia.

O problema é que o óbvio tende a ser tão simples e comum, que não tem apelo à imaginação. Todos nós gostamos de idéias inteligentes e planos engenhosos, que sejam algum motivo de conversa na hora do almoço. Há alguma coisa a respeito do óbvio que é, Santo Deus, tão óbvio….!

Em todas as atividades, o óbvio sempre funciona. Nos negócios, ele é seguro e lucrativo.

Então fiz uma segunda descoberta: somos inclinados a exagerar na busca do óbvio. Tentamos encontrá-lo através do raciocínio lógico.

O pensamento lógico é um dos processos mentais mais cheios de armadilhas. O que elegemos como solução óbvia ou o caminho a seguir muitas vezes não é, de forma alguma, o óbvio, mas mera racionalização.

Como, então, reconheceremos o óbvio?

Através dos anos, desenvolvi cinco maneiras de testar o óbvio. Não são 100% seguras. Nada é totalmente seguro neste mundo complexo e mutante em que vivemos. Mas estas são as normas práticas para checá-lo.

A PRIMEIRA MANEIRA DE TESTAR O ÓBVIO, eu copiei do Sr. Kettering, da General Motors, que mandou colocar uma placa no Edifício da GM, em Daytona:

“Este problema, depois de resolvido, será simples.”

O óbvio, quase sempre, é simples – tão simples que, muitas vezes, uma geração inteira de homens e mulheres olham para ele sem vê-lo. Quando uma idéia tenta ser esperta, engenhosa ou complicada, deveríamos desconfiar. Provavelmente não é óbvia.

A história da ciência, das artes e dos grandes avanços no mundo dos negócios é a história dos homens encontrando, por acaso, soluções fáceis para problemas complexos.

Parafraseando o provérbio do Sr. Kettering: “A solução, quando encontrada, será óbvia”.

A SEGUNDA MANEIRA DE TESTAR O ÓBVIO é a pergunta: Esta solução é compatível com a natureza humana?

Se você não tiver absoluta certeza de que sua idéia ou plano vão ser facilmente compreendidos – e aceitos – pela sua mãe, sua mulher, irmãos, irmãs, primos, vizinhos, colega que trabalha na mesa ao lado, o mecânico que conserta o carro, o pároco, seu barbeiro, o gerente da mercearia onde sua mulher faz compras, o pretinho que engraxa seus sapatos, sua tia Mary, sua secretária, seu companheiro do trem das 5:29, seus amigos mais francos e sinceros – se você não se sentir à vontade ao explicar sua idéia “óbvia” a eles, é porque, provavelmente, a idéia não é óbvia.

Essa gente vai vê-la na sua realidade mais simples, livres das complicações de envolvimento profissional e técnico, e das inibições nascidas da experiência.

Coletivamente, essas pessoas são uma amostra da natureza humana e essa mesma natureza humana constrói ou destrói qualquer plano ou a solução de qualquer problema. É o que rege a vida, os negócios, a ciência e as artes.

Quer se trate de vender mercadorias para pessoas, ou conseguir adesões para uma causa, ou convencer as pessoas a agirem de uma certa maneira, ou persuadi-las a mudar hábitos antigos, de nada adiantará, se a sua maneira de fazer isto não estiver de acordo com a natureza humana. Você vai perder tempo, dinheiro e energia, tentando atingir seus objetivos.

O público é curiosamente óbvio em suas reações – porque a mentalidade do público é simples, direta e sem sofisticações.

A TERCEIRA MANEIRA DE TESTAR O ÓBVIO é colocar a idéia no papel.

Escreva seu plano ou projeto em palavras de uma ou duas sílabas, como se você o estivesse explicando a uma criança.

Será que você consegue isso em dois ou três parágrafos curtos, que façam sentido? Se, entretanto, a explicação ficar longa, envolvente, engenhosa, é bem provável que não seja óbvia. Porque, repetindo: ”Quando você encontrar a resposta, ela será simples .“

Nenhuma idéia, plano, programa ou projeto é óbvio, a menos que possa ser compreendido e executado por qualquer pessoa de inteligência média.

Freqüentemente, a simples tentativa de colocar no papel uma idéia ou o rascunho de um plano de um plano mostrará logo suas fraquezas ou complexidades. Ao fazer isto, você verá o que está errado e poderá chegar a uma solução simples e óbvia. Certamente, escrever é uma maneira rápida de verificar o que é que você tem ou não tem!

A QUARTA MANEIRA DE TESTAR O ÓBVIO. Ele “explode” na cabeça das pessoas?

Se, quando você tiver apresentando sua idéia, delineando uma solução para um problema, ou explicado um plano, projeto ou programa, as pessoas disserem: “Puxa! Por que não pensamos nisso antes ?” Você pode sentir-se encorajado pois as idéias óbvias tendem a produzir na mente esse tipo de reação “explosiva”.

Em muitos casos, desse momento em diante, tudo parece entrar nos eixos, sem maiores explicações ou discussões. É óbvio demais e não necessita de considerações prolongadas. Mesmo com esse tipo de reação, entretanto, é aconselhável deixar a decisão para dentro de um ou dois dias. Porque algumas vezes há defeitos ocultos que só aparecem no dia seguinte.

Se uma idéia ou proposta não “explodir”, ou precisar de explicação longa, ou envolver horas de debates, ou não é óbvia ou talvez você não tenha pensado o suficiente para reduzi-las à sua mais óbvia simplicidade.

“Explosões” mentais são reveladas pelas coisas que as pessoas dizem, pelos rostos iluminados, pelos olhos que aprovam, quando deparam com uma idéia óbvia. É um dos modos mais infalíveis de reconhecer o óbvio.

A QUINTA MANEIRA DE TESTAR O ÓBVIOé saber reconhecer o momento certo.

Muitas idéias e planos são óbvios em si, mas obviamente aplicados fora de hora. Identificar o momento exato é tão importante quanto checar se o plano ou idéia são óbvios.

Algumas vezes, o momento pode ter passado definitivamente e irrevogavelmente. E aí o mais óbvio a fazer é esquecer a sua idéia. Em outras ocasiões, o momento certo ainda não terá chegado, o que exige paciência e atenção.

O presidente de uma indústria de borracha me mostrou certa vez um “Armário do Futuro”, onde ele guardava artigos incomuns feitos inteira ou parcialmente de borracha, mas que estavam adiantados para a época. Estes artigos haviam sido desenvolvidos em laboratórios de pesquisa da empresa, mas ainda eram muito caros para competir com similares feitos de outros materiais. Assim, eles ficavam “guardados na prateleira” até que seu preço se tornasse competitivo, seja através do desenvolvimento dos métodos mais econômicos de produção, ou porque os preços dos concorrentes tivessem aumentado. (Desde então, alguns desses produtos do “armário” foram lançados no mercado, com sucesso, e hoje são corriqueiros).

Depois do primeiro teste – o da simplicidade – o teste do momento exato é muito importante na checagem da obviedade de um plano ou programa.

“Uma das virtudes principais”, escreveu Emerson em seu diário, “é reconhecer o momento oportuno. Meu vizinho constrói carrocerias, faz trenós durante todo o verão; e durante todo o inverno faz leves e alegres charretes para junho e agosto. Assim, no primeiro dia de cada estação, ele está preparado…”

Estar pronto para o momento oportuno é o requisito óbvio.

Normalmente, não é necessário aplicar todos os cinco testes de obviedade a determinada idéia, plano, projeto ou programa. Mas é sábio pensar neles todos até estar bem certo que não se aplicam, antes de ignorá-los. É sábio, porque é óbvio proceder assim. É óbvio, porque é sábio reconhecer nossa tendência de convencer-nos facilmente de que nossas idéias são boas.

Mesmo quando estivermos convencidos de que temos uma idéia óbvia, nosso problema não estará inteiramente resolvido. A menos que seja uma que vá de encontro do quarto teste. (Será que ela “explode” na cabeça das pessoas?) – ainda assim, teremos de vendê-la. E a venda pode ser mais difícil, só pelo fato de ser uma idéia completamente óbvia – para nós.

Somos impacientes com outras pessoas se não “comprarem” nossas idéias logo de saída. Como explicou Robert Rawls em “Tempo de Reflexão”: às vezes, dedicamos dias, semanas ou meses desenvolvendo nossa idéia, ficamos tão familiarizados com seus prós e contras, que esperamos que outras pessoas a aceitem imediatamente – só porque nós mesmos estamos propondo. Isso quase nunca acontece. As pessoas têm de ter tempo para pensar e digerir mentalmente. É direito delas.

Cabe a nós explicar nossas idéias com simplicidade e clareza. E deixar que as pessoas perguntem o que quiserem. A sabedoria é tentar encorajá-las a nos desafiar com críticas. Se é óbvia, a idéia vai sobreviver a perguntas e críticas. Se não for, ela corre riscos. Será melhor que nós mesmos a analisemos novamente.

Estes cinco testes de obviedade são apenas sugestões. Cada executivo deveria desenvolver seus próprios testes. O problema é ter a certeza de que não estamos sendo levados pelo nosso próprio entusiasmo por uma idéia ou plano, na fácil suposição de que seja óbvio. Fazer o óbvio não é tão simples quanto parece!

Cinco caminhos criativos para reconhecer óbvio.

Onde e como vamos descobrir o óbvio?

Aqui estão algumas perguntas-teste que devem, pelo menos, conduzir a imaginação através dos caminhos óbvios.

1. Não se impressione como a coisa sempre tenha sido feita ou como outras pessoas gostariam de fazê-la.

O importante é saber: qual a maneira mais simples de fazê-la?

Esqueça todas as idéias, práticas, métodos, técnicas e tradições já usadas. Se uma criança de sete anos desarmada de preconceitos de gerações estivesse, pela primeira vez, analisando o problema, como será que ela o faria?

A experiência da vida é valiosa – mas pode intimidar, dificultar, complicar e afastar-nos do óbvio. É preciso pensar de forma simples, nova, original e corajosa para simplificar qualquer coisa. E não esqueça – “Este problema, quando for resolvido, será simples”.

Existe uma maneira perfeita e mecânica de simplificar um plano ou projeto ou de analisar uma idéia, para testar sua simplicidade. Registre cada item num papel. À medida em que você for escrevendo, cada item, aplique a pergunta-teste : Será que este item é absolutamente necessário?

É muito comum a gente descobrir, sem querer, ter começado no ponto em que os outros pararam. Assim você está aceitando a somatória de idéias de outros homens. Considerando que a maioria das idéias se desenvolveram por acréscimo – como uma bola de neve – o jeito óbvio de simplificar uma idéia é começar novamente. A técnica óbvia é eliminar todas as partes ou características supérfluas. Vá ao cerne do problema. Pergunte a si mesmo: “O que eu estou tentando fazer? E por que? “

Um dos nossos maiores problemas, hoje em dia, é termos muitos métodos e práticas, muita maquinaria complicada, muitas ferramentas, muitos costumes e tradições profundamente arraigados. Pensamos e planejamos nossas bases, construindo por cima de uma fundação enrijecida de experiências e hábitos acumulados através de anos. Ao invés disto, deveríamos começar do zero, como se, a cada manhã, acordássemos num mundo novo, onde nenhum dos problemas da vida e dos negócios, das artes e das ciências, tivessem sido jamais resolvidos.

Este é o primeiro – e mais óbvio caminho para ser óbvio.

2. Imagine como seria divertido se tudo pudesse ser completamente invertido.

Nada abre mais a mente para um caminho novo do que fazer esta corajosa consideração.

O fato de uma coisa ter sido feita ou construída de um certo jeito, por vários séculos, significa, provavelmente, que chegou a hora de questioná-la. Talvez o óbvio seja, realmente, inverter as coisas de algum modo.

A história de como R.J. Pigott, Diretor de Engenharia da Gulf Oil desenvolveu um “dispositivo óbvio” para lubrificar ferramentas de corte é um desses casos.

Pigott estava olhando uma ferramenta produzir rebarbas espirais de uma peça de aço que girava num torno. Um fio de óleo caía do alto, enquanto a lâmina estava cortando por baixo. Um pensamento lhe ocorreu: “Como o óleo por cima pode fazer um bom trabalho de resfriar e lubrificar a ferramenta na parte de baixo?”

Ele foi para a prancheta e projetou um jato de alta pressão, para dirigir o óleo para cima, exatamente entre lâmina da ferramenta e o metal torneado. O novo método não só permitiu maior velocidade de corte como também aumentou a vida da ferramenta.

Pigott chegou a um método óbvio de lubrificar usando a técnica da inversão.

Se o revolucionário Convair Sea Dart, um avião a jato, que pode decolar da água, chegar a fazer tudo o que promete, será porque o criador do projeto, Ernest G. Stout, usou esta mesma técnica de inversão.

A história continua. Apesar das muitas vantagens, e o fato de 4/5 da superfície terrestre serem cobertos de água, arqui-inimiga de todos os aviões que pousam em terra, o hidroavião foi relegado ao esquecimento por todos. Todos, menos pelo jovem Stout, e um pequeno grupo de homens da Marinha e engenheiros da Costa Oeste.

Stout acaba de lançar um avião a jato que pode decolar e pousar na água. Por mais de quatro décadas, o hidroavião não passava de um barco com asas, o que não é um bom desenho aerodinâmico. Stout teve uma inspiração. ao invés de desenhar um barco que podia voar, ele se dispôs a fazer um avião que pudesse flutuar.

Usando essa técnica de inversão, ele desenvolveu um dos mais notáveis aviões do mundo, com a forma de um dardo de papel, praticamente impossível de afundar. Ele promete iniciar uma das mais surpreendentes mudanças na estratégia militar, desde a invenção da bomba atômica. O Sea Dart é um avião óbvio.

3. Será que você conta com a aprovação e com a participação do público no seu projeto?

Nos negócios, muitas decisões são tomadas dentro dos escritórios e não nos lugares onde a ação realmente acontece.

Uma famosa rede de supermercados de Chicago decidiu lançar sua própria marca de café. Os especialistas em café podiam, é claro, recomendar as misturas e tipos de torrefação. Mas o presidente da empresa preferiu fazer com que as famílias de Chicago escolhessem elas próprias a mistura e o ponto de torrefação que desejassem.

Foram preparadas quatro amostras com misturas e graus diferentes de torrefação, embaladas em latas de meia libra sem identificação. Essas latas, cada uma representando uma diferente combinação de misturas e torrefação, foram distribuídas a milhares de domicílios, com um questionário para ser respondido, indicando a preferência.

Desse modo, a rede de supermercados lançou o “Royal Jewel – o Café que Chicago escolheu“. O sucesso do produto já estava garantido, pois o próprio público o havia escolhido.

Muito frequentemente, alguns testes simples com um grupo maior ou menor de pessoas fazem surgir a preferência óbvia ou a maneira óbvia de fazer, produzir, ou dizer alguma coisa.

Sendo o público quem decide o nosso sucesso ou fracasso em tudo que tentamos fazer, parece muito óbvio pesquisar nossos planos junto ao mercado, antes de irmos longe demais.

4. Quais oportunidades estão passando desapercebidas porque ninguém se importou de examiná-las?

Na matriz de uma grande companhia de seguros, um homem ganhou um prêmio de 600 dólares por uma simples idéia na caixa de sugestões. Seu conselho aos companheiros: “Procure o óbvio com o qual ainda ninguém se importou”.

Existem, literalmente, milhares de idéias óbvias, em todos os negócios e profissões, que até aqui “ninguém se importou em examinar”. São tão lugar-comum, que ninguém as percebe.

No seu livro, Ray Giles conta a seguinte história que ilustra o fato de haver grandes oportunidades no óbvio.

“Há alguns anos atrás, o vendedor de uma mercearia estava cortando queijo – um enorme queijo tipo Americano. Quando você pedia meio quilo, o homem levantava a tampa de vidro e cortava uma fatia calculando o peso.”

Enquanto isso o queijo ficava descoberto, sujeito ao pó e às moscas. Se tivesse pouca saída, o queijo esfarelava antes de terminar. A única proteção era uma casca grossa, pela qual você tinha de pagar, juntamente com o peso do queijo.

Um dia, o vendedor teve uma idéia – uma dessas bem óbvias que podia ocorrer a qualquer um: “Por que não dividir o queijo em fatias e acondicioná-las em embalagens higiênicas?” Esse vendedor chamava-se J.L. Kraft. Toda vez que você comer um queijo Kraft não se esqueça: “Uma idéia simples e óbvia pode levar à fortuna”.

Em quase tudo que usamos em nosso cotidiano existe oportunidade para aperfeiçoamento – muitas vezes tão óbvio que deveríamos ter vergonha de nossa cegueira.

Benjamin Franklin, incomodado por ter de usar dois pares de óculos – um para perto e outro para longe -, desenvolveu as lentes bifocais, uma benção para toda a humanidade. Nada poderia ser mais óbvio.

Esse caso sugere que a melhor técnica para descobrir o óbvio é dar uma olhada bifocal em tudo o que usamos, fazemos e precisamos. Examinar de perto para ver se um detalhe pode ser melhorado; olhar de longe para ver se não há uma forma diferente para atingir o mesmo fim. Uma forma que seja mais simples, mais eficiente e mais econômica.

5. Quais são as necessidades específicas do caso?

Muitas vezes, a própria situação indica alguma oportunidade de aperfeiçoamento, que ainda não foi considerada.

David A. Crawford, Presidente da Pullman Inc., me disse há anos atrás que ele percebia a necessidade de acomodações nos trens que oferecessem, ao mesmo tempo, mais privacidade que os antigos beliches, e fossem mais lucrativas para as ferrovias do que os tradicionais carros dormitórios, de capacidade limitada de lugares. Ele explicou o problema aos seus projetistas e estes desenvolveram um conceito inteiramente novo de carros-leito.

Podemos chamar isto de criatividade óbvia, oriunda de uma situação insatisfatória.

Há também o caso dos Hartford Brothers, com suas lojas tipo Pegue e Pague. O caso do Woolworth, com suas lojas de dois mil réis. Os postos de gasolina, com suas toaletes limpas para motoristas. Ou o inventor da caneta esferográfica que acabou com o tinteiro. A Du Pont com suas fibras sintéticas que não amarrotam.

Todas estas soluções eram criativamente óbvias. E também atenderam aos desejos e necessidades do público muitas vezes não expressos e nem mesmo percebidos. Entretanto, no momento em que alguém as transformou em soluções, ficou óbvio que a necessidade já existia há muito tempo.

O mundo está cheio de desejos, vontades e necessidades não expressas, esperando pelo homem ou pela mulher que faça o óbvio para resolver grandes problemas da vida diária.

– E essas pessoas serão regiamente recompensadas, boa sorte!

Adams Óbvio

“Adams Óbvio” , ou uma famosa história de como obter sucesso usando simplesmente bom senso.

Nota sobre a história de “Adams Óbvio”.

“Adams Óbvio” foi publicado pela primeira vez, na forma de conto, no “Saturday Evening Post”, em abril de 1916. Apesar de ser a história de um publicitário, foi logo considerado como idéia embrionária para se obter sucesso incomum no mundo dos negócios e das profissões. A Editora Harper & Brothers lançou o conto na forma de livro em setembro do mesmo ano em que foi publicado no “Post”. No Brasil ela foi usada no lançamento do cigarro Free, da empresa BAT, encartado como um livreto nas principais revistas de grande tiragem.

O livro foi um sucesso desde o início. O comentário do “New York Times” dizia: “Um jovem que esteja procurando sucesso no mundo da propaganda deveria ter ‘Adams Óbvio’ como seu manual. Na verdade, todo jovem em busca de sucesso em qualquer setor, pode ser ajudado pelo talento demonstrado neste livro”.

“Adams Óbvio” logo se transformou num personagem lendário. Era citado em reuniões de negócios e nas de Diretoria. Empresários escreveram ao autor para perguntar se o herói era uma pessoa real: se fosse, gostariam de contratar seus serviços. Sua “obviedade” influenciou o pensamento de alguns líderes industriais de maior projeção na época. Homens do calibre de Elbert H. Gary, presidente da “US Steel”, leram o livro e escreveram ao autor com cartas muito elogiosas. Isto foi há mais de 80 anos. Nas décadas seguintes, dois outros editores lançaram edições do “Adams Óbvio” e o livro ficou conhecido como um dos clássicos do mundo dos negócios, tendo seu lugar reconhecido entre as obras antológicas da literatura comercial.

Por muitos anos, esgotaram-se as edições deste livro. A demanda de mais exemplares foi tão grande – especialmente por parte de Diretores de empresas, desejosos de plantar a idéia na cabeça de seus executivos e pessoal de criação – que foi preciso fazer uma edição a preço popular.

A história pode parecer um tanto antiquada, pois à primeira vista pode ser considerada apenas um conto da vida de um publicitário. Mas há uma idéia básica simples nesta história, que é ao mesmo tempo universal e eterna. E sobre a história original, o autor acrescentou – baseado em sua experiência – cinco maneiras de testar a “obviedade” de idéias e planos, cinco sugestões para se reconhecer e fazer o “óbvio”.

ADAMS ÓBVIO

Por Robert R. Updegraff

Um homem solitário sentou-se à mesa, perto da janela na Sala Dickens, no restaurante Tip Top de Chicago. Ele tinha acabado de jantar e estava aparentemente esperando o café ser servido.

Dois homens entraram e foram conduzidos a uma mesa próxima. Em seguida, um deles olhou para o homem à janela e cochichou para seu companheiro : “Vê aquele homem ali ?” ; “Sim”, disse o último, olhando desinteressadamente na direção indicada. “Bem, aquele é o Adams Óbvio”.

“É mesmo ?” Desta vez, o outro homem virou sua cadeira, para obter uma boa visão do homem-mais-falado da propaganda. “Parece um homem comum, não é ?”

“Sim, só de olhar para ele, você nunca imaginaria que ele seja o famoso Adams Óbvio, da maior agência de publicidade de New York. E, para dizer a verdade não consigo entender por que ele é endeusado por todo mundo.”

“Já o ouvi falar duas ou três vezes nos encontros da Associação de Propaganda, mas ele nunca disse nada que nós já não soubéssemos. Muita gente ficou confusa. Confesso que ele foi um desapontamento para mim,”

É engraçado, mas muita gente fala a mesma coisa sobre ele. No entanto, este mesmo Adams foi um importante fator no sucesso de empresas famosas. Mais do que qualquer outro homem.

Mesmo no momento em que os dois falavam dele, Adams estava fazendo sucesso em negócios. Ele pegara o menu, desenhava um esboço e fazia anotações no verso. Para qualquer pessoa que pudesse espiar o trabalho, este poderia parecer insignificante. Entretanto, Adams parecia muito contente com o resultado. Balançou a cabeça em sinal de aprovação e guardou o menu no bolso, enquanto o garçom obsequioso veio para ajudá-lo a vestir o casaco.

Meia hora mais tarde, o telefone tocou na biblioteca de uma suntuosa mansão numa cidade de Iowa. Tocou a segunda vez, antes que o homem recostado numa grande cadeira de mogno, na frente da lareira, se levantasse e pegasse o fone do gancho.

“Alô!” Disse, surpreso e meio zangado com a intromissão. “Alô! Alô! Ah, é o Sr. Adams! Não esperava ter notícias suas tão cedo! Onde o Sr. está ? Chicago? O Sr. tem um plano? Tem mesmo? Bem, eu estava sentado, pensando nele, sozinho e já mastiguei três charutos, tentando imaginar o que deveríamos fazer a respeito.”

Silêncio na biblioteca da mansão. Depois, uma série de grunhidos de aprovação.

“Entendi sua idéia. Tem que funcionar… Claro, acho que vai funcionar. É uma idéia ótima e eu acredito que vá resolver o assunto. Tudo bem… pegue o trem noturno; vou mandar meu carro esperá-lo na estação, amanhã de manhã. Boa noite!”

Por um longo minuto, o dono da mansão ficou em pé, e olhou pensativamente para a lareira.

“Agora, por que diabo nenhum de nós pensou nisso? Era a coisa mais natural do mundo para se fazer, mas tivemos de trazer um homem de New York para nos mostrar. Seja como for, aquele Adams é uma maravilha!” Tendo dirigido esse comentário às paredes, puxou o quarto charuto e fumou-o.

Aqui você já tem o outro lado da medalha. Esse é o jeito como as pessoas bem informadas falam de Adams.

Mas estamos conhecendo a história pelo fim. Para conhecer Adams Óbvio, e para entender o segredo de seu sucesso, precisamos conhecer o início de sua vida.

É a história de um menino pobre que começou a vida como Oliver B. Adams, numa pequena mercearia, num vilarejo da Nova Inglaterra, e que depois se tornou famoso no mundo dos negócios como Adams Óbvio.

Parecer que Adams veio de uma família muito pobre. Seus pais eram trabalhadores dedicados e tinham apenas o curso primário da escola rural. Quando Oliver tinha 12 anos, seu pai morreu e ele começou a trabalhar numa mercearia.

Era um menino comum. Não tinha muita iniciativa e raramente tinha idéias brilhantes. No entanto, de algum modo, a loja cresceu solidamente, ano após ano.

Qualquer um que conhecesse o velho Ned Snow, o dono da mercearia, diria que ele não era o responsável pelo crescimento da loja, pois não era o tipo empreendedor. Bem, as coisas correram normalmente até que o velho Snow ficou doente e morreu. Então a loja foi vendida e Oliver ficou sem emprego.

Os seis anos seguintes da vida de Adams correram sem que ninguém ouvisse falar, e ele mesmo tem muito pouco para contar desse tempo. Quando a mercearia foi vendida, Adams pegou o pouco dinheiro que conseguira economizar e foi para New York, onde trabalhava durante o dia no mercado municipal e à noite freqüentava a escola.

Então um dia aconteceu algo! Perto do fim do último ano da escola noturna, o Diretor programou uma série de palestras vocacionais para os estudantes mais velhos. A primeira palestra foi feita por James B. Oswald, presidente da famosa Oswald Advertising Agency. Naqueles tempos, Oswald estava em grande forma. Foi um dos mais interessantes e instrutivos conferencistas, com jeito especial de adequar sua mensagem às necessidades dos ouvintes – razão pela qual ele era tão bem sucedido como homem de propaganda.

O jovem Adams ficou extasiado durante toda a palestra. Era sua primeira visão do grande mundo dos negócios. Pareceu-lhe que Oswald era o homem mais encantador que conhecera; teve até a chance de ser apresentado a ele e cumprimentá-lo depois da palestra.

No caminho de casa, Adams pensou no que o Sr. Oswald tinha dito sobre o negócio da propaganda. Enquanto se preparava para deitar, no pequeno apartamento de terceiro andar, ele pensou sobre Oswald e concluiu que se tratava de um grande profissional. Enquanto puxava as cobertas e se aninhava entre os travesseiros, Adams decidiu que gostaria de trabalhar em propaganda.

Na manhã seguinte, quando acordou, dois pensamentos haviam se tornado um só. Ele gostaria de trabalhar em propaganda e para James B. Oswald. A coisa natural a fazer, ao menos para Oliver Adams, era ir direto dizer isso ao cavalheiro.

Apesar do fato assustá-lo um pouco, nunca lhe ocorreu, nem por um momento, que não fosse essa, exatamente a atitude que deveria tomar.

E então, às 14 horas, naquela mesma tarde, ele pediu licença para sair por umas duas horas. Era horário de pouco movimento. Depois de engraxar cuidadosamente os sapatos e escovar a roupa, Adams saiu em direção ao grande prédio onde ficava a Oswald Advertising Agency.

A recepcionista comunicou ao Sr. Oswald que Adams estava lá e queria uma entrevista; porém o grande homem estava ocupado.

Oliver pensou uns instantes. “Diga-lhe que posso esperar uma hora e dez minutos.”

A moça olhou surpresa. As pessoas não tinham o hábito de mandar esse tipo de recado para o grande chefe. Mas havia alguma coisa na simples objetividade do rapaz que fazia a mensagem parecer perfeitamente natural.

Um tanto surpresa consigo mesma, ela repetiu o recado para o presidente, palavra por palavra.

“Ele vai receber você dentro de, aproximadamente, 20 minutos”, disse ela.

Da entrevista em si, James Oswald se deliciava em contar: “Porta adentro, entrou o jovem Adams, sério como um diácono. Não o reconheci como um dos jovens que me haviam sido apresentados na noite anterior, mas ele logo mencionou o nosso encontro. Disse então que havia pensado sobre o assunto e tinha resolvido que queria entrar para a propaganda e que queira trabalhar para mim e, por isso, estava ali”.

“Eu o examinei. Ele era um rapazinho bastante comum e, me pareceu, um tanto parado e não parecia muito brilhante. Fiz-lhe algumas perguntas para verificar se ao menos era esperto. Adams respondeu a todas com suficiente rapidez, mas suas respostas não eram especialmente inteligentes.”

“Gostei dele, mas achei que lhe faltava vivacidade – aquele jogo de cintura tão importante na propaganda. Finalmente eu disse, tão gentilmente que ele não era talhado para ser publicitário, que sentia muito, mas não podia dar-lhe um emprego. Dei-lhe alguns conselhos paternais. Foram realmente palavras escolhidas, firmes, mais gentis.”

“Ele recebeu a coisa com classe. Mas, ao invés de implorar uma chance, agradeceu e, ao levantar-se para sair, disse: ‘Bem, Sr.Oswald, decidi que quero trabalhar em propaganda e com o senhor. Pensei que o óbvio a fazer era vir direto dizer-lhe isto. O senhor não parece acreditar que eu possa a vir me tornar um bom homem de propaganda, de modo que vou ter de dar um jeito e provar o contrário. Não sei ainda como vou fazer isso, mas vou procurá-lo outra vez, assim que souber. Obrigado pelo seu tempo. Até logo!’,. E saiu antes que eu pudesse responder .”

“Bem, eu fiquei constrangido! Todo o meu pequeno discurso havia evaporado no ar. Ele nem considerou meu veredicto. Pensei uns cinco minutos sobre o assunto. Fiquei um tanto irritado de ser delicada mas definitivamente menosprezado por um garoto. Durante o resto da tarde, me senti mal.”

“Àquela noite, no caminho de casa, voltei a pensar no assunto. Uma frase havia ficado gravada na minha memória: ‘Quero entrar para a propaganda e desejo trabalhar para o senhor, e achei que a coisa mais óbvia era vir direto dizer-lhe isto’.”

“De repente, percebi tudo! Quantos de nós têm sensibilidade bastante para identificar e fazer o óbvio? E quantos tem a persistência para defender a própria concepção do que seja óbvio ? Quanto mais eu pensava no assunto, mais convencido ficava de que deveria haver um lugar na nossa agência para um moço capaz de ver e fazer o óbvio. Alguém que fosse direto ao ponto, sem perder tempo nem fazer estardalhaço.”

“E por Deus, no dia seguinte mandei chamar o rapaz e lhe dei um lugar no arquivo de jornais.”

Isso foi há 20 anos. Hoje, Oliver B. Adams é vice-presidente da Oswald Advertising Agency. O velho Oswald passa pelo escritório duas vezes por semana, bate um papo com Adams e, claro, participa das principais reuniões de Diretoria. Mas, efetivamente, é Adams quem manda na empresa.

Tudo aconteceu com naturalidade. Tudo veio através do “óbvio ululante”, como dizia o velho Oswald com muito bom humor.

Antes que Adams completasse um mês de trabalho, no controle e arquivo de jornais, ele foi falar com o chefe e sugeriu uma mudança no método de trabalho. O chefe o ouviu, e então perguntou qual seria a vantagem da mudança.

Adams disse-lhe que haveria uma redução considerável no tempo e no manuseio dos jornais e ficaria quase impossível cometer erros. A mudança era simples e Adams recebeu autorização para aplicá-la. Depois que o novo plano já estava funcionando há uns três meses, ele foi novamente até o chefe e disse que tudo vinha funcionando tão bem, que qualquer moça ganhando um terço do salário dele poderia assumir o lugar. Será que não haveria outro cargo melhor para ele ? Adams disse ao chefe que havia notado que os redatores estavam precisando trabalhar à noite. E acrescentou: “Fico imaginando, se eles continuarem sobrecarregados assim, se não valeria a pena treinar um novo redator desde já”.

O chefe sorriu e disse-lhe para voltar a seus afazeres. “Você não é nenhum John Wanamaker.“ Ele voltou, mas também começou a escrever textos nas horas vagas.

A correria da redação era por causa de uma grande campanha para a Associação de Enlatadores de Pêssego da Califórnia. Adams se decidiu a estudar pêssegos. Pensou. Sonhou e comeu pêssegos: frescos, enlatados e em conserva. Mandou buscar folhetos editados pelo Governo. Passou as noites estudando processos de enlatamento.

Um dia, ele estava sentado à mesa de trabalho no Departamento de Controle, dando uns toques finais num texto, que ele logo pôs de lado. O Chefe da Redação entrou para pedir um número antigo de jornal que estava no arquivo. Adams foi pegar o jornal, deixando o texto do anúncio em cima da mesa. Enquanto esperava, o Chefe da Redação bateu os olhos no papel. “Seis Minutos do Pomar à Lata “. Era o título. Aí havia layouts com fotos ilustrando as operações necessárias para enlatar pêssegos. Cada uma delas com um pequeno subtítulo e uma rápida descrição do processo:

“Pêssegos Amadurecidos no Sol da Califórnia”

Colhidos maduros das árvores.

Selecionados por moças com uniformes brancos impecáveis.

Descascados e enlatados higienicamente.

Cozidos à vapor limpo.

Latas fechadas à vácuo.

Enviados à mercearia para você – por apenas 30 centavos a lata.

O Chefe da Redação leu e releu o anúncio. Quando Adams voltou, o Chefe da Redação, Howland, tinha sumido. O anúncio também. Na sala da frente, Howland estava conversando com o Presidente e ambos estavam olhando o layout do anúncio sobre a mesa.

“ Eu garanto, Sr. Oswald : aquele rapaz tem os ingredientes certos para ser redator. Ele não é brilhante – e só Deus sabe como estamos bem servidos de homens brilhantes . Mas parece que ele consegue ver os pontos essenciais e os coloca no papel com muita clareza. Para dizer a verdade, ele fez um texto que nós lá em cima estamos tentando escrever há uma semana e não conseguimos fazer em menos de três páginas. Gostaria que o senhor me cedesse esse rapaz por uns tempos. Quero descobrir o que há dentro dele.”

“Lógico, vou fazer isso”, concordou o Sr. Oswald. Em seguida, mandou chamar o chefe de Adams.

“Sr. Wilcox”, perguntou, “será que o senhor pode ficar sem o Adams por uns tempos?”

O Sr. Wilcox sorriu. “Por que? Sim, imagino que posso! Adams me disse que qualquer moça ganhando um terço do salário dele, poderia fazer o serviço.”

“Tudo bem. Mande o rapaz falar com o Sr. Howland.” E Adams subiu para a Redação . O texto do anúncio de pêssegos enlatados teve que ser trabalhado um pouco, e esta tarefa coube a um dos craques da redação, pois era preciso correr ! Deram outros temas a Adams para escrever. Suas primeiras tentativas foram bem cruas. Depois de algumas semanas, o Redator-Chefe quase chegou à conclusão de que, afinal, errara sobre o rapaz. Aí, um dia a Oswald ganhou uma nova conta. O produto era um bolo pronto, vendido através de mercearias.

A empresa tinha uma distribuição limitada, mas havia sido mordida pela mosca da propaganda: queria crescer depressa.

A empresa vendia num raio de cinqüenta milhas de New York.

Antes que algum pedido de “job” chegasse à criação, alguns redatores ouviram falar da conta e Adams escutou os comentários. Àquele dia, ele passou a hora do almoço inspecionando as mercearias que vendiam o bolo. Comprou um para experimentar, comeu um bom pedaço e gostou muito!

Àquela noite em casa, Adams passou o tempo todo pensando no bolo. De madrugada, as luzes brilhavam no seu pequeno apartamento, nos fundos do terceiro andar! Adams havia decidido que se tivesse a chance de fazer um anúncio do bolo, teria de ser muito bom.

Na manhã seguinte, o “job” da campanha do bolo entrou na Redação. Para decepção de Adams o “job” foi entregue a um dos redatores mais antigos. Ele pensou no assunto a manhã inteira. Por volta do meio-dia, tinha chegado à conclusão de que havia sido um tolo ao imaginar que eles confiariam uma campanha dessa importância a um principiante como ele. Mas resolveu que continuaria trabalhando nas horas vagas como se aquele “job” fosse seu.

Três semanas mais tarde, a campanha ficou pronta. Quando viu as provas, o coração de Adams quase parou.

Que texto! Era de dar água na boca! Preston era famoso pelos textos de alimentos, mas tinha se superado no job desse bolo. Adams ficou completamente desencorajado. Nunca seria capaz de escrever um texto como aquele. Nem em um milhão de anos! Era pura literatura.

Fazia com que um simples bolo de 15 centavos se transformasse em algo semelhante a um néctar dos deuses. A campanha foi programada para seis meses, e Adams a acompanhou atentamente. Mentalmente já havia resolvido que iria fazer um treinamento com aquele redator, o Preston.

Quatro meses mais tarde, apesar dos textos maravilhosos estarem saindo nos grandes jornais e nos jornais de bairros, chegavam sinais de insatisfação da parte do cliente, a Golden Brown Cake Company.

Eles gostavam dos anúncios: concordavam que eram os melhores anúncios de bolo jamais feitos – os negócios estavam crescendo um pouquinho – mas as vendas não atingiam as metas pré-estabelecidas. No fim do mês seguinte, o cliente estava ainda mais desapontado que nunca. Finalmente, depois de seis meses, o cliente anunciou que iria suspender a propaganda: afinal não era tão rentável quanto haviam imaginado.

Adams se sentiu profundamente desapontado. Era como se ele fosse o Sr. Oswald em pessoa. Ele se interessara muito pela fabricação de bolos. Na noite em que ouviu a notícia que a Golden Brown Cake Company ia parar de anunciar, foi para casa arrasado.

Passou a noite pensando na Golden Brown Cake Company. Depois de algum tempo, foi até uma gaveta e pegou um envelopão com os anúncios de bolo que havia feito meses antes. Releu-os. Pareciam muito amadores, comparados com os textos de Preston. Aí ele olhou para alguns cartazes que tinha feito para sua campanha imaginária. Pegou uma cartolina onde havia feito alguns desenhos e começou a colori-los.

Sentou-se e olhou para essas peças. Pensou, pensou, pensou… Daí começou a revisar o seu trabalho de meses antes, editando e fazendo emendas, modificando aqui e ali. À medida que trabalhava, suas idéias se desenvolviam. Eram quase três da manhã, quando ele finalmente apagou a luz e foi dormir. No dia seguinte foi para o escritório com a idéia bem clara sobre o que deveria fazer.

Às 10 horas, telefonou para a diretoria e perguntou se podia ver o Sr. Oswald. Disseram-lhe que sim. Às 11 horas, o Sr. Oswald tirou os olhos do último anúncio que Adams tinha escrito e sorriu. “Adams, acho que você conseguiu! Fizemos ótimos anúncios de bolos, mas passamos por cima de algumas coisas importantes que você colocou nos seus. Fizemos muita propaganda e pouca venda. Acho que, com seu plano, posso trazer aquela gente de volta.”

Adams foi chamado à sala do Presidente, às 3 horas da tarde. “Sr. Adams”, disse o Sr. Oswald, enquanto sentava, “a Golden Brown Cake Company está de volta conosco, e está para valer. Eles dizem que o plano parece ótimo. De modo que estamos partindo para uma nova campanha. Agora, quero que leve todo esse material ao Sr. Howland, para que ele possa ajudar você a finalizá-lo. Eu falei com ele a respeito e ele ficou tão feliz quanto você. É um ótimo texto, mas um pouco duro em alguns pontos, como você pode imaginar. Mas não deixe a glória subir à sua cabeça, meu jovem. É preciso mais de uma batalha para se ganhar uma guerra.”

Adams estava nas nuvens quando saiu da sala do Presidente. Mas depois de conversar com o Chefe da Redação mais de uma hora voltou a pôr os pés no chão; compreendeu que ainda havia muito a ser feito, antes dos anúncios ficarem prontos para veiculação. Entretanto, suas sugestões principais iam ser seguidas:

· Todos concordaram com ele que o bolo tinha de ser experimentado.

· Os cartazes do bolo seriam em grande close-up e em cores.

· era ótima a idéia de fornecer diariamente às mercearias fatias de amostra de bolo fresco, embrulhadas em papel manteiga para os fregueses experimentarem.

· Abandonar a antiga embalagem verde em troca de uma bege, na cor do bolo com o texto marrom escuro. Daria um destaque melhor e apelaria mais aos olhos e ao apetite dos possíveis compradores.

Algumas dessas coisas Adams aprendera antes, na pequena mercearia da Nova Inglaterra, onde havia trabalhado. Todas essas idéias pareciam as mais naturais do mundo. Assim também pareciam ao Sr.Oswald e ao Sr. Howland e ao resto da equipe, quando souberam do plano. Todos ficaram imaginando porque não haviam pensado antes nessas coisas.

Antes de terminar a primeira semana da campanha da degustação, as vendas cresceram substancialmente. No fim do mês, a Golden Cake Company anunciou um acréscimo de quase 30% nas vendas, no que era habitualmente um dos meses mais inexpressivos do ano. E aquele começo foi o marco de uma das mais bem sucedidas campanhas que a agência Oswald fez.

Sim, o texto era simples – quase simplório até. Mas tinha aquele cheiro de bolo que acabou de sair do forno. Falava da cozinha, limpa e arejada, na qual os bolos da Golden Brown eram assados. Na verdade, dizia tudo de maneira tão simples, que é bem provável que tivesse sido rejeitada, caso a primeira campanha não tivesse falhado.

Alguns meses mais tarde, houve uma reunião muito importante, na sala da diretoria da agência Oswald.

Os executivos da Monarch Hat Company estavam fechados com o Presidente e com o Redator Chefe. Conversas, relatórios de vendas, charutos foram consumidos – durante quase três horas. Aparentemente, a Monarch Hat Company tinha duas lojas de varejo numa grande cidade do sul. Uma delas dava lucro, enquanto a outra ficava sempre para trás. Eles não queriam abandonar nenhuma das duas lojas, porque a cidade era grande e podia absorvê-las. Mas a companhia não podia se dar ao luxo de continuar perdendo dinheiro. Já havia investido milhares de dólares numa campanha de propaganda – que fez a loja que ia bem ir melhor – mas não conseguia fazer a loja perdedora sair do vermelho. alguma coisa tinha de ser feita, e depressa.

A reunião estendeu-se até a hora do almoço, sem solução. Todos os planos sugeridos ou já haviam sido testados ou eram impraticáveis.

“Bem senhores”, disse o Sr. Oswald finalmente. “passamos três horas falando o que deveremos fazer. Entretanto minha primeira preocupação é tentar saber o que está acontecendo realmente. Concordam em me dar duas semanas para descobrir isso? Depois marcamos outra reunião?”

Todos estavam com fome, já sem energia para falar; sim, todos concordaram.

“Qual é a sua idéia?”, perguntou o Chefe da Redação depois que todo mundo foi embora.

O Sr. Oswald olhou para ele bem sério.

“Howland, eu vou correr o risco. Se eu tivesse tempo sobrando eu mesmo iria investigar, mas não posso. O pessoal da Monarch não deve jamais saber disso mas vou mandar um rapaz até lá e ver se ele descobre o que está realmente ocorrendo.”

“Você não quer dizer…”

“Sim. Vamos mandar o jovem Adams. Tenho uma leve desconfiança de que há algo obviamente errado naquela situação. Algo que não tem nada a ver com relatórios de vendas ou giro de estoque. Se houver, vou apostar que aquele jovem, simples e rotineiro, vai saber detectar. ‘Óbvio’ parece ser o seu sobrenome. Talvez eu seja um bobo, mas vou tentar.”

“Adams” disse o Presidente, quando o jovem ficou de pé diante dele, “a Monarch Hat Company tem duas lojas… uma delas dá lucro, a outra, não.”

“Gostaria que você fosse até lá tentar saber – sem fazer perguntas – qual das lojas dá prejuízo. Aí, quero que você descubra por quê. Pegue algum dinheiro no caixa e vá amanhã de manhã. Volte quando estiver razoavelmente certo da resposta.”

Adams foi. Quando chegou à cidade, registrou-se num hotel e deixou sua mala. Vinte minutos mais tarde já havia achado uma das lojas, localizada na esquina de duas ruas importantes, com entrada imponente e vitrine para as duas ruas.

Adams encontrou a outra loja 45 minutos mais tarde, na rua do Mercado, a principal rua do comércio varejista. Era também localizada numa esquina. Mas

Adams ficou surpreso quando se deu conta de que já havia passado por ela umas três vezes antes de localizar a loja.

Adams parou do outro lado da rua, observando. A loja tinha uma frente pequena, na rua do Mercado, mais uma enorme vitrina que dava para uma pequena travessa lateral. Adams ficou pensando. A dificuldade de localizar a loja chamou sua atenção. Se eles investissem em propaganda, os benefícios iriam para a outra loja, por causa de sua localização privilegiada, embora não ficasse na rua do Mercado.

Sim, ele tinha certeza que estava diante da loja que dava prejuízo. Ficando ali, observando, começou a notar que os pedestres subiam mais do que desciam por aquele lado da rua. À medida que se aproximavam da loja, tinham de olhar para a frente, atentos aos sinais do policial para atravessar a pequena rua transversal. Quando isso acontecia, ficavam de costas para a vitrine lateral. Nem mesmo as pessoas que desciam pelo mesmo lado da rua tinham uma boa visão daquela vitrine, pois vinham mais perto do meio-fio, com uma pequena multidão entre eles e a loja.

Contou o número de transeuntes em períodos de cinco minutos; descobriu que o número de pessoas subindo por aquele lado da rua era quase 50% maior do que o número das que desciam.

Então, ele contou os que passavam do outro lado e concluiu que o número de pessoas que desciam por aquele lado era quase 50% maior. Evidentemente, aquela loja estava pagando por aquela grande vitrine lateral um aluguel maior do que deveria. E ali, na rua do Mercado, o aluguel deveria ser pesadíssimo. As pessoas não viam a loja; era mesmo difícil localizá-la.

Àquela noite, no hotel, ele pensou, riscou, fez diagramas. Sua tese parecia correta; ele tinha certeza dela. No dia seguinte, continuou a estudar a situação e conseguiu obter do gerente da loja alguns dados de vendas e preço do aluguel. No fim do dia, pegou o trem de volta a New York.

Alguns meses depois, assim que o contrato de locação expirou, a loja mudou de endereço. Adams tinha resolvido o dilema. Era realmente muito simples – quando se conhecia a resposta.

“Esta é a obviedade de Adams, na qual apostei. Ele não de deixa desviar dos fatos; ele os olha objetivamente, de frente, e aí os analisa, e isto é vencer metade da guerra.” Assim falou o Sr.Oswald para o Chefe da Redação.

Este foi o começo de uma série de acontecimentos que fizeram Adams subir até o ponto de possuir ações da agência. Nada de espetacular acontecera em caso algum. Era a simples análise da situação e o elementar bom senso para fazer um planejamento adequado.

Chegou uma carta – de fabricantes de papel bond. A carta dizia que eles estavam interessados em anunciar, e indagava se Oswald podia mandar um homem até a fábrica, para discutir o assunto com eles. Nesse dia, o Sr. Oswald estava de partida para a Europa, num navio que saia às 11 da manhã.

A carta chegou pela primeira entrega do correio. Aconteceu que Adams estava na sala do Presidente, quando este leu a carta.

“Você gostaria de conversar com esta gente, Adams?” Perguntou o Sr. Oswald, com um sorriso enigmático, estendendo-lhe a carta. Ele gostava de experimentar novas combinações de homens e tarefas.

“Ah, gostaria muito!”, disse Adams, à medida que seu rosto se iluminava com a perspectiva de nova missão.

“Então, vá. Boa sorte para você”, disse o chefe que logo se pôs a cuidar dos últimos detalhes da viagem.

Adams foi na manhã seguinte. O presidente da fábrica perguntou-lhe se ele achava que papel bond podia ser anunciado com sucesso. Adams disse que não podia responder até ter uma idéia melhor da indústria e do produto. Ele tinha de levantar os dados. Deram-lhe um guia e, nos dois dias seguintes, ele praticamente mergulhou em papel.

Chegou à conclusão de que o papel bond daquela fábrica era feito de fibras brancas selecionadas; a água usada na fabricação era mais pura e filtrada; que era secado em esteiras muito limpas. E, o mais surpreendente de tudo, o papel era inspecionado folha por folha, à mão. Esses fatos não eram de conhecimento geral naquele tempo e Adams achou tudo muito promissor para a propaganda.

O terceiro dia ele passou trancado em seu quarto no hotel, tentando fazer alguns anúncios. Levou-os, no fim da tarde, quando voltou à fábrica. O Presidente olhou-os e resmungou. Positivamente estava decepcionado. O coração de Adams afundou; ia falhar na sua primeira viagem de vendas. Mas não ia deixar de lutar.

O Presidente balançou-se para frente e para trás na cadeira.

“Jovem”, ele disse, finalmente, “todo papel bond de qualidade é feito de fibras brancas cuidadosamente selecionadas; todo bom papel bond é feito com pura água filtrada; todo papel bond é secado em esteiras limpas; todos os bons papéis são inspecionados à mão. Eu não precisava de um homem de propaganda de New York para vir aqui me dizer isso. Todos sabem essas coisas sobre papel bond.”

“É mesmo?”, perguntou Adams. “Eu nunca soube disso! Nossa agência compra anualmente muitos milhares de dólares de papel bond. Entretanto, arrisco a dizer que não deve haver ninguém lá que saiba coisa alguma sobre fabricação de papel, salvo o fato de que os de boa qualidade são feitos de fibras.”

“O senhor vê, Sr. Merritt, nós não fabricamos papel e ninguém nos contou estes fatos antes. Sei que estes anúncios não são geniais. São apenas informativos. Mas eu sinceramente acredito quer mencionar esse ponto como qualidade do seu produto, mês após mês, fará com que as pessoas, em pouco tempo, concluam que o seu papel bond está acima da concorrência. O senhor estaria dois ou três anos à frente dos seus concorrentes. E no momento que eles começassem a anunciar o nome do seu produto já estaria gravado na memória do público. Seria quase sinônimo do melhor papel bond fabricado.”

O Sr. Merritt estava evidentemente impressionado pela lógica de Adams, mas hesitava ainda.

“Mas nós seríamos motivo de piada para os outros fabricantes de papel do país. Vão rir quando nos ouvirem falar desse jeito sobre o nosso papel, como se todos os outros papéis não fossem fabricados com a mesma técnica.”

Adams inclinou-se um pouco, olhou bem dentro dos olhos do Sr. Merritt e disse: “Sr. Merritt, para quem exatamente o senhor deseja anunciar? Para fabricantes de papel ou para compradores de papel? “

“Compreendo”, disse o Presidente. “Você está certo. Começo a perceber que propaganda não é algo mágico e sim o mais puro e elementar bom senso.”

Adams voltou a New York com um contrato para campanha de uma ano, a ser feita como a agência achasse adequado. A campanha foi um sucesso de saída. Entretanto, ao ser analisada, via-se que Adams não tinha feito nada além do óbvio.

O Sr. Oswald, ainda na Europa, soube do sucesso de Adams. Mandou uma carta de felicitações. Mas o que mais intrigou Adams foi que o envelope tinha sido endereçado para: Adams Óbvio. O apelido “Óbvio” se espalhou logo pela empresa toda, e pegou. A campanha de papel bond ficou famosa, e com ela seu autor e seu apelido.

Hoje ele é conhecido entre os homens de propaganda, do Pacífico ao Atlântico.

Talvez nem meia dúzia de pessoas o conheçam pelo nome verdadeiro. Pois ele costumava assinar simplesmente “O.B.Adams”. Quase todas as revistas que você folheia mostram a influência da obviedade de Adams.

Os anúncios dos Chapéus Monarch, por exemplo, sempre eram ilustrados com homens de corpo inteiro, fazendo com que os chapéus parecessem pequenos e insignificantes.

“Vamos mostrar o chapéu e não o homem”, disse Adams um dia quando olhava uma foto no Departamento de Arte. “Se os homens pudessem ver esta foto neste tamanho, eles comprariam o chapéu. Mas na redução da foto a gente perde muito!”

Em seguida, pegou uma tesoura e começou a recortar aquela magnífica foto, de todos os lados. Até que restou nada mais que um chapéu, um rosto sorridente e só um detalhe do colarinho e da gravata.

“Bem”, disse Adams colocando o recorte sobre uma página de revista, quase ocupando todo o espaço, “publique isto e ponha o texto no canto esquerdo.”

Hoje em dia é comum encontrar, nas páginas das revistas, rostos quase do tamanho natural, sorrindo para você. E eles não passam desaparecidos.

Com seus close-ups, Adams era o Griffith da propaganda. Ambos faziam apenas o óbvio.

Adams descobriu também que os anúncios não tinham de berrar suas mensagens em tipos garrafais. Provou que as pessoas lêem anúncios de quatro páginas, com muito texto, desde que o layout conduza facilmente à leitura e que o texto seja tão interessante e dramático quanto uma história.

Você pode ficar surpreso ao saber que Adams não era o tipo de homem particularmente interessante para se conhecer. Não tinha nenhuma das características normalmente atribuídas aos gênios: não era temperamental. Desde o começo, trabalhou em campanhas difíceis, aconselhando aqui, orientando lá, retraindo-se algumas vezes, cometendo erros ocasionais, mas sem nunca repeti-los.

Com sua habilidade em merchandising, salvou inúmeras empresas do naufrágio, e as colocou de volta a navegar em águas calmas, com os ventos soprando a favor. Ajudou empresas de fundo de quintal a se transformarem em grandes indústrias. Modificou os hábitos nacionais da refeição matinal. Transformou marcas de produtos em substantivos comuns nos dicionários. Mas, considerando toda sua experiência e reputação, ele é desinteressante pessoalmente – a menos que você o encontre, como eu, em casa, confortavelmente instalado em sua cadeira predileta, em frente à lareira, fumando gostosamente um bom charuto.

Foi em resposta à minha pergunta “Como você ganhou o apelido de Óbvio ?”. que ele contou alguns dos fatos que acabei de relatar.

“Não nasci Óbvio”, reagiu. “Há muito tempo o Sr. Oswald rotulou-me de ‘Óbvio’. Naquela época, eu nem parava para pensar se uma coisa era óbvia ou não. Só fazia o que ocorria naturalmente, depois de ter refletido muito. Não tenho mérito pessoal algum nisso. Simplesmente aconteceu.”

Então, insisti. “Por que mais homens de negócios não fazem o óbvio? O pessoal da sua agência conta que frequentemente passam horas imaginando o que você vai sugerir, depois deles próprios tentarem concluir o que é óbvio. E, mesmo assim, você os surpreende sempre.”

Adams sorriu. “Bem”, disse ele, “depois que me colocaram esse apelido, tenho pensado muito na questão e cheguei à conclusão que fazer o óbvio exige muita análise.”

Para analisar, é preciso pensar e acho que o Professor Zueblin está certo quando diz que pensar é o trabalho mais árduo que as pessoas têm de fazer. E elas não gostam de pensar nem um pouco a mais do que o necessário.”

As pessoas procuram sempre o caminho mais fácil, através de atalhos ou truques, que chamam da coisa óbvia a fazer. Mas rotular essas saídas de óbvio não quer dizer que realmente sejam. Elas não levantam todos os dados, nem analisam antes de decidir o que seja óbvio. E assim passam por cima do primeiro e mais óbvio mandamento dos negócios.

Quase sempre, esta é a principal diferença entre o pequeno e o grande e bem sucedido empresário. Muitos pequenos negócios sofrem de um agudo caso de miopia empresarial, que seria curável, se seguissem o caminho óbvio de chamar um especialista para corrigir sua visão e dar-lhes uma verdadeira análise da empresa e de seus métodos.

A mesma coisa pode ser dita de um bom número de grandes empresas.

“Algum dia”, ele continuou, “muitos homens de negócios vão acordar e perceber o poder e a sensatez do óbvio. Alguns já perceberam. Theodore Vail, por exemplo, se preocupou com a ociosidade do telégrafo, que ficava parado diariamente, durante oito horas, e inventou a night letter, para aumentar o movimento durante as horas ociosas e gerar novos negócios. O que poderia ser mais óbvio ? “

“Observe os homens que estão ganhando salários de mais de 100 mil dólares por ano. Eles são evidentemente os fazedores do óbvio.”

“Espero que um dia nossas Prefeituras despertem para o fato de estarem ignorando o óbvio, quando permitem que nossas Bibliotecas Públicas passem, ano após ano, cumprindo apenas a metade de sua função social. Com apenas 2 ou 3% da verba aplicada na compra de livros e publicações, poderiam fazer uma campanha de propaganda em jornais, para desenvolver o hábito de usar a biblioteca e fazer as pessoas perceberem o valor da leitura, duplicando a utilidade das bibliotecas para suas comunidades. Que maravilha anunciar uma biblioteca ou um grande museu de arte !”

“Chegará também o dia, imagino, quando as estradas de ferro vão deixar de manter em segredo os preços das passagens. Elas vão ganhar um dinheirão quando as pessoas que normalmente viajam pouco descobrirem como é barato viajar de trem. Elas irão incluir os preços das passagens nas suas tabelas de horários, não de todos os percursos, mas pelo menos dos principais.”

“O que fazem é colocar o dedo na frente dos lábios e sussurrar: ‘pssh! nós cobramos um preço adicional nesse trem, mas não dizemos o quanto é e você que descubra’. Conheço um homem que morou em New York cinco anos e sempre quis ir à Filadélfia para ver a cidade, mas nunca foi porque sempre imaginou que custava muito mais caro do que o real. Mas nuca teve a iniciativa de perguntar. Entretanto, perguntar não deveria ser necessário. Algum dia, as ferrovias vão fazer o óbvio e anunciar para aquele homem. E há centenas de milhares como ele.”

Nesse ponto, o Sr. Adams olhou para o relógio. Ele se desculpou, ligou para a garagem e pediu seu carro. ia pegar o trem noturno para Chicago e tentar resolver uma situação difícil de um grande cliente, fabricante de cereais, para refeição matinal. Ele era o homem indicado para recomendar o rumo certo.

Quando íamos para a cidade, num luxuoso carro, ele mergulhou nos seus pensamentos.

Eu mergulhei também nos meus. Qual seria o segredo do sucesso deste homem? Perguntei a mim mesmo. Então, me lembrei de uma composição de uma criança sobre as montanhas da Holanda. O garoto escreveu:

As montanhas da Holanda.

Não há montanhas na Holanda.

Esta é a resposta, concluí. Este é o segredo.

É o óbvio!

Limão ou milhão?

Quando a conversa é sobre dinheiro, economia e afins, tenho por hábito mencionar os conceitos do livro “Pai Rico, Pai Pobre”. São conceitos fora do senso comum e, portanto, nem sempre bem recebidos. Muitas pessoas não entendem.
Basta eu mencionar a frase “os ricos inventam dinheiro” ou “o dinheiro é uma abstração, você deve enxergá-lo com a mente” que não são poucas as críticas: “Ah, isso não funciona!” ou “para ganhar dinheiro, é preciso ter muito dinheiro!”.

Felizmente, outro dia recebi de um grande amigo uma história de um tal fazendeiro e uma mula. Ganhei o dia, agora sempre conto a história. É um ótimo exemplo de como inventar dinheiro e se sair de uma situação ruim. Aproveito para compartilhar a história com você, leitor deste boletim, e desde já peço que interprete a história apenas como uma fábula:

“Um velho fazendeiro, com sérios problemas financeiros, vendeu uma mula a outro fazendeiro por 100 reais.

Concordaram que a entrega da mula seria no dia seguinte e que o pagamento seria naquele dia mesmo. Entretanto, no dia seguinte, o velho fazendeiro chegou e disse:

– Desculpe-me, mas tenho más noticias: a mula morreu.
– Bom, então devolva-me o dinheiro – disse o comprador.
– Não posso. Já o gastei.
– Tudo bem. Mas, traga-me a mula da mesma forma.
– E o que é que vai fazer com uma mula morta?
– Vou rifá-la!
– Você não pode rifar uma mula morta!
– Claro que posso! Só que não vou dizer a ninguém que ela está morta…

Um mês depois, os dois homens encontram-se e o fazendeiro que vendeu a mula pergunta:

– Então, o que é que aconteceu com a mula morta?
– Rifei-a como lhe tinha dito. Vendi 500 números a 2 reais cada e tive um lucro de 996 reais.
– E ninguém reclamou?
– Só o fulano que ganhou a mula na rifa… Devolvi-lhe 4 reais, o dinheiro que ele havia pago pela rifa em dobro…”.

Moral da história: o fazendeiro transformou uma situação ruim em uma situação lucrativa. É claro que a história não deve ser levada ao “pé da letra”, deve ser interpretada apenas como uma fábula divertida: não recomendo que ninguém venda uma mula morta.

Porém, ainda que uma fábula, é um ótimo exemplo para um dos conceitos do livro “Pai Rico, Pai Pobre”: “inteligência financeira é imaginar diferentes soluções para transformar um limão em um milhão”.

Use a sua criatividade a serviço da solução de problemas financeiros.

Taxa de riqueza do Pai Rico, calcule a sua

Relação Preço / Lucro, Índice de Força relativa, reinvestimento de dividendos, Beta são algum dos termos que encontro com freqüência na seção de economia do jornal. E também com freqüência me encontro pensando que todos estes termos são importantes sim para um investidor; porém eu queria algo melhor, mais simples e direto: um índice para avaliar o dia a dia da minha vida financeira. Não é uma boa idéia?

Feita a introdução acima, o leitor pode imaginar minha reação quando me deparei com o seguinte trecho do livro “Aposentado Jovem e Rico” de Robert Kiyosaki: “Existem definições bem mais básicas e mais importantes (do que as pronunciadas por corretoras de investimentos) que você precisa conhecer se realmente está planejando se aposentar jovem e rico”. Pois bem, uma dessas definições é a Taxa de Riqueza do Pai Rico.

A Taxa de Riqueza do Pai Rico é muito simples: (renda passiva + renda de portfólio) / (despesas totais).

Renda passiva é aquela que você recebe sem trabalhar, por exemplo, a renda de aluguéis. Renda de portfólio é aquela gerada a partir dos seus investimentos, seja renda fixa, ações ou qualquer outro investimento. Resumindo, renda passiva e renda de portfólio são aquelas geradas a partir dos quadrantes D (dono) e I (investidor). Vale lembrar que a renda gerada nos quadrantes E (empregado) e A (autônomo) deve ser considerada como renda ganha e, portanto, não faz parte da Taxa de Riqueza.

Mas para que serve esta tal Taxa de Riqueza? O objetivo de calcular a taxa de riqueza é fazer com que a renda passiva e de portfólio se igualem ou excedam as despesas totais. Quando isso acontecer, você pode, por exemplo, sair do seu emprego (renda ganha) e manter o seu padrão de vida.

Um exemplo: se você ganha por mês 200 reais de renda passiva, 100 reais com seus investimentos e gasta durante o mês 1000 reais. Sua taxa de riqueza é (200 + 100) / (1000) = 0,3. Ou seja, você já começou, sua taxa já saiu do zero, mas você precisa melhorar, precisa alcançar e ultrapassar o “1”.

Kiyosaki conta que o monitoramento da taxa de riqueza mensalmente contribuiu de forma significativa para o seu sucesso financeiro: atualmente sua taxa de riqueza é de aproximadamente 12. Se você está pensando seriamente em se aposentar jovem e rico, torne a taxa de riqueza do pai rico parte da sua vida. Que tal começar hoje mesmo? É muito simples! Qual a sua taxa?

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Marcelo Junqueira Angulo
Marcelo Junqueira Angulo é administrador de empresas pela EAESP-FGV. É fã da série de livros “Pai Rico, Pai Pobre”, e criador do site www.amigorico.org.

A regra número 1

Um grande amigo meu – também leitor da Coleção “Pai Rico” – me contou entusiasmado na semana passada: “Marcelo, você não vai acreditar, expliquei a diferença entre ativo e passivo para dois colegas de trabalho: um vendeu um dos carros no dia seguinte e outro ia repensar com a noiva a compra do apartamento”. Sim, o sujeito tinha dois carros e vendeu um deles no dia seguinte e naquele momento eu decidi: meu próximo texto será sobre a regra número um do “Pai Rico”: a diferença entre um ativo e um passivo.

Robert Kiyosaki, autor do livro “Pai Rico, Pai Pobre”, afirma que se você deseja ser rico, tem que conhecer a diferença entre um ativo e um passivo e comprar ativos. É a regra número um e é também extremamente simples: ativo é algo que põe dinheiro no seu bolso e passivo é algo que tira dinheiro do seu bolso.

O que define um ativo e um passivo não são as palavras, são os números. Uma casa é um ativo ou um passivo? Uma casa põe ou tira dinheiro do seu bolso? Se a casa coloca dinheiro no seu bolso através de, por exemplo, renda de aluguéis, é um ativo. Porém, se a casa tira dinheiro do seu bolso com despesas de manutenção, impostos, etc, a casa é um passivo.

Uma outra questão interessante: o ouro é um ativo ou um passivo? Pai Rico dá a sua opinião no livro Independência Financeira: “o ouro só é um ativo se você o comprar por menos do que o vender”. Se você comprou por $100 e vendeu por $200, o ouro colocou dinheiro no seu bolso nesta operação, é um ativo. “Mas se você comprou por $200 e vendeu por $100, então o ouro foi um passivo”.

Infelizmente, segundo o “Pai Rico”, as pessoas não sabem distinguir um ativo de um passivo. Os ricos adquirem ativos, enquanto que os pobres e a classe média adquirem passivos pensando que são ativos.

Os nossos colegas do primeiro parágrafo decidiram ou vender o segundo carro ou repensar a compra do apartamento porque perceberam que estavam comprando passivos e não ativos. O carro, por exemplo, tira dinheiro do seu bolso de várias formas: IPVA, gasolina, desvalorização, seguro, estacionamento, etc. Enquanto que o mesmo dinheiro aplicado em um ativo, estaria colocando dinheiro no seu bolso. Isto não significa que você não deva comprar um carro ou um apartamento para morar, significa que se o fizer deve estar consciente de que está comprando um passivo.

É simples, comece. Vou relatar uma experiência pessoal: comprei ano passado um daqueles computadores de mão (estilo Palm), raramente eu usava, gastava dinheiro com as pilhas e o aparelho ainda perdia significativo valor diante do surgimento de outros computadores mais modernos no mercado. Depois de entender a diferença entre ativo e passivo, percebi que meu computador de bolso era um passivo para mim. Vendi e hoje fico feliz em ver o dinheiro recebido gerando rendimentos no banco. Comece! Transforme, por menor que ele seja, um passivo em um ativo e, com certeza, você verá o resultado da regra número um.

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Marcelo Junqueira Angulo
Marcelo Junqueira Angulo é administrador de empresas pela EAESP-FGV. É fã da série de livros “Pai Rico, Pai Pobre”, e criador do site www.amigorico.org.

Como sempre ter dinheiro no bolso

Por Eng. Daniel Gustavo C. Coulomb

Faz alguns anos o gerente de uma corretora me disse: “Daniel, os corretores nunca têm um centavo no bolso; ganhem pouco ou muito, sempre estão duros; não tem jeito; gastam até o que não tem!”. Eu fiquei calado, enquanto me perguntava em silencio: “Somente os corretores?”.

Hoje, mais do que nunca, comprovamos que não somente os corretores, mas também pessoas das mais variadas faixas de poder aquisitivo enfrentam dificuldades por gastarem mais do que ganham. Vamos analisar mais detalhadamente este problema e, neste breve ensaio, tentarei mostrar uma solução para este terrível flagelo que afeta muitas pessoas, famílias e até mesmo instituições e empresas.

As tentações que propiciam o consumo nunca foram tão agressivas e sofisticadas como as divulgadas atualmente pelo marketing moderno, mediante anúncios na televisão aberta, a cabo (que nos prende mais tempo em frente à telinha) e ofertas nos jornais, catálogos e revistas. O telemarketing e as malas diretas especializadas, direcionadas para segmentos diferenciados, facilitam a venda, além dos shoppings, que com elaboradas tentações satisfazem as mais variadas necessidades, conseguindo – como nunca antes – reunir em um único lugar as mais diferentes opções de compra. Quando já parecia que toda a sofisticação em matéria de vendas havia sido inventada, surge a Internet com suas incontáveis tentações e com um potencial de força infinitamente superior. A pergunta, então, é: “Qual é o limite?”.

Diariamente somos sufocados com diferentes ofertas, produtos e serviços. Desde carros sofisticados, roupas, artigos para o lar, assinaturas de revistas, livros, CD’s, eletro-eletrônicos importados, produtos para o lazer, produtos esportivos e para ginástica, computadores – e seus periféricos e produtos afins –, viagens de turismo e até mesmo cursos e seminários dos mais variados.

Enfim, a enxurrada de tentações que nos induz a gastar não têm fim.

As formas de pagamento são ardilosas e perigosas tais como o terrível cartão de crédito, o famoso cheque especial e, pior ainda, o sorrateiro cheque pré-datado, agente campeão das quebradeiras.

Outras formas de pagamento são dignas de um filme de horror ou parecem elaboradas por um Maquiavel: pague em 36 meses ou, leve hoje e comece a pagar daqui a 60 dias! Crédito na hora e sem fiador! Leasing, alugue ou compre, escolha a opção de sua preferência… e assim vai. E, agora, por último e como grande novidade, os programas de fidelidade, que falam: “permaneça juntinho de mim; compre sempre de mim que eu lhe darei como recompensa os mais variados prêmios”, inclusive – assim penso eu – uma cova na “terra dos falidos”.

Dos juros aplicados pouco falarei; nem o “Mister M” descobriu a forma para ajudar aos que necessitam sair desse atoleiro.

Diante de tanta invasão e persistente “tiroteio” de ofertas e oportunidades, as pessoas sentem-se imbecis ou desatualizados se não se rendam ante tantas tentações e tantos rótulos como: “inteligentes”, “gente que pensa”, “gente de futuro”, “moderno como ninguém”, “gente de ação” e não sei quantos outros “slogans” ou dizeres dos quais se utilizam os “marketeiros” para bajular e fisgar seus potenciais e “bonzinhos” compradores.

Tudo isso cria sérios conflitos nas pessoas, consigo mesmas e junto a suas famílias, suas amizades e seus empregos; produz insatisfações pessoais difíceis de solucionar e um estresse crescente, com situações, às vezes, insuportáveis.

“CHEGA, CHEGA, SOCOOOOORRO!!!, “to quebrado! Por Deus, qual é a soluçãoooooooooooo?”

Existe um escudo, uma defesa, uma ferramenta antiga como o mundo, implacável e extremamente eficiente, mas muito pouco usada, por ser muito mal compreendida. Seu nome: POUPANÇA.

Uma análise superficial dessa poderosa ferramenta permite somente ver a parte superior do iceberg e não a parte submersa. Esta imagem parece ser a “principal” vantagem que oferece a poupança e na qual, erradamente, a maioria das pessoas se concentra. Esta parte visível é o dinheiro acumulado no decorrer do tempo.

Mas o dinheiro acumulado é uma conseqüência e não uma causa. As causas, fatores motivadores de mudança e melhoria comportamental das pessoas que poupam, encontram-se na parte submersa do iceberg e são as verdadeiras qualidades a serem analisadas e compreendidas.

Vejamos quais são estas qualidades:

Caráter

Prestígio é o que as pessoas pensam que somos; caráter é o que realmente somos. A poupança, sem dúvida, colabora fortemente na formação de um sólido caráter nos poupadores contínuos e permanentes.

Autoconfiança

O fato de concretizar um objetivo, adquirir um bom hábito e constatar o aumento paulatino das reservas (como conseqüência também da diminuição dos gastos conseguida), produz um grande efeito positivo na autoconfiança do poupador e se reflete também de forma positiva em outros comportamentos de sua vida.

Objetivos e Metas

Quando o ato de poupar se faz em quantidades e datas certas, sendo devidamente registrado por escrito, transforma-se em um poderoso objetivo que provocará mudanças profundas em quem o realize. A divisão desse objetivo em metas parciais aumenta as possibilidades de êxito, já que ordena e racionaliza o trabalho do poupador. A confiança adquirida na conquista desse objetivo permite estabelecer uma importante referência a ser utilizada na procura de outros objetivos.

Hábito Salutar

Segundo Aristóteles, “as pessoas são o somatório de bons e maus hábitos”. Acrescentemos essa nova forma de ser ao nosso comportamento e lucremos com ele, não somente em dinheiro, mas também – principalmente – adotando uma maneira construtiva de agir. Incorporar o salutar hábito da poupança pode ser aproveitado para eliminar outro mau hábito, pois segundo Napoleon Hill, “Um mau hábito pode ser eliminado com outro bom hábito que o substitua”. É necessário criar o novo hábito, a nova trilha que o ajudará a mudar seu presente e futuro para muito melhor.

Esteja antenado ou em sintonia

Quando uma mulher fica grávida, começa a perceber a seu redor muitas outras mulheres grávidas; observa com maior atenção assuntos relacionados com os bebês, tais como: carrinhos, mamadeiras, chupetas, roupa infantil etc. A maioria dos acontecimentos associa à sua gravidez dificilmente escapam à sua atenção. O que acontece é que ela está antenada, sintonizada nesse fundamental momento de sua vida. O grande profissional de vendas também vive sintonizado em situações relacionadas a seu trabalho e raramente as oportunidades se lhe escapam. Quando você começa a poupar de forma metódica e sistemática, suas antenas começam a sintonizar melhor e a captar com mais facilidade todos os assuntos relacionados ao dinheiro, situações que antigamente fugiam à sua percepção.

Imã

Aqui vale o velho ditado que diz: “O dinheiro atrai o dinheiro”. Quem não é poupador, geralmente é um perdulário ou gastador que repele o dinheiro; este queima nas suas mãos, durante muito pouco tempo nelas permanece e muito menos ainda na sua mente, já que imediatamente pensa em que gastar. Quem poupa atrai o dinheiro como um imã porque essa pessoa pensa sempre em guardar e construir, começa a procurar meios de aumentar os rendimentos e aproveitar melhor deles. O dinheiro se sente “apreciado” e começa a aparecer porque gosta dos lugares onde é bem tratado. Cuidado! Longe estou de pretender que você se transforme num avaro, sovina ou “pão duro” – o outro extremo do gastador ou perdulário –, pois ambos são desvios obviamente execráveis e pouco recomendados.

Não perdulário

Quem nada tem a perder pouco se interessa em proteger o que não tem. Quando a pessoa aprende a guardar dinheiro, começa a valorizar o que tem e a pensar em como preservar e aumentar seu patrimônio; para isso, aplica mecanismos que impedem o gasto excessivo e a saída fácil do que foi conquistado com muito trabalho. O cheque especial começa a ficar “no azul”, o cartão de crédito é menos utilizado, o pagamento de prestações são reduzidos e, sobretudo, os gastos impulsivos e muitas vezes desnecessários perdem força pela utilização mais racional e planejada dos recursos.

Insatisfação positiva
O fato de ter dinheiro, somado à natural necessidade permanente de crescimento do ser humano, cria uma insatisfação positiva, motivada por se querer possuir mais ainda, o que provoca uma reação saudável no sentido de se poupar mais, a fim de conquistar aumento patrimonial pessoal.

Segurança

Alcançar tranqüilidade através de um respaldo financeiro cria na pessoa um sentimento de segurança e autoconfiança, fundamentais para que se possa enfrentar eventuais necessidades; isso se manifesta num comportamento mais tranqüilo e com redução da ansiedade.

Emprego fácil

Os empregadores valorizam os candidatos ao reconhecerem neles as qualidades acima mencionadas, já que consideram que uma pessoa com esse perfil, trata-se geralmente, de um bom profissional, disciplinado e pouco chegado a farras e comportamentos indesejáveis. Os candidatos também mostram, nas entrevistas de seleção, atitude mais tranqüila, isenta de ansiedade, o que lhes favorece amplamente. O poupador, ao desenvolver as qualidades acima, se torna na prática uma pessoa com muito maior potencial para ser um bom profissional.

Auto-estima

Por tudo isso, o poupador aumenta sua auto-estima e, em conseqüência, melhora – de um modo geral – como pessoa e profissional.

Fazendo escola

“O que você faz grita tão forte aos meus ouvidos, que não posso escutar o que falas.” – Ralph Waldo Emerson. Com esse exemplo, um chefe de família ou uma dona de casa exercem um exemplo salutar que habitualmente é seguido pelo grupo familiar (inclusive por amigos e colegas) e isso provoca um efeito “em cascata” de ótimos resultados.

Muito bem: tudo o que você leu até aqui pode soar muito bonito para você; porém, imediatamente surge a pergunta: “Como e quando começar?”.

Sem dúvida, você deve começar já, principalmente se as suas dívidas o perseguem e você sofre o incômodo do cheque especial “no vermelho”, do cartão de crédito com limite todo utilizado, as dívidas com amigos e parentes “pipocando”, as contas importantes pendentes de pagamento e outras coisas mais. Você deve parar de “brigar consigo mesmo”, amigos, colegas e credores, por causa de um problema que, na maioria das vezes, foi criado por você mesmo.

Você deve dar um “basta” a esses problemas e, para tal, proponho, começarmos juntos a construir a sua solução.

Eis algumas perguntas que você pode estar querendo fazer e suas respostas:

– Como vou começar a poupar agora, se estou “duro” e “devendo a meio mundo”?”

Resposta: – Por isso mesmo, você deve começar já a poupar, para sair desse atoleiro, para evitar todas as causas que fizeram com que você se encontre nessa situação. Não se preocupe com o dinheiro por enquanto; primeiro, temos que construir os alicerces de seu castelo (as qualidades mencionadas acima), para que – pouco a pouco – você possa ir cancelando as suas dívidas e, depois, passo a passo, ir construindo as paredes desse castelo (seus sonhos e objetivos).

– Não entendo, eu vou poupar ganhando 1,5% da poupança enquanto estou perdendo de 10 a 13% por mês no banco pelo cheque especial ou pelo cartão de crédito? Eu não estou maluco!

Resposta: – Não, você não está maluco, e acho que eu também não; esse diferencial de 8,5 a 11,5% é o preço que você vai pagar para aprender a melhorar seu caráter, sua autoconfiança, criar um bom habito etc, etc….!!!!! Digo-lhe mais ainda: em pouco tempo, muito menos do que você imagina, esses percentuais de diferença irão desaparecendo, porque suas dívidas sumirão como por encanto e você conquistará todas as qualidades das quais já falamos.

Agora, vamos tratar de símbolos. Símbolo é todo objeto ou imagem que representa um conjunto de coisas, qualidades, princípios ou valores. A bandeira brasileira, se considerada superficialmente, é um simples objeto, um pano verde com alguns desenhos e dizeres, mas na realidade ela é muito mais: é um símbolo muito forte que representa um país, que representa tradição, patriotismo, território, folclore, música, união, história e muitas outras coisas. Transmite um sentimento forte de união e valorizamos muito esse símbolo porque ele é o Brasil.

Vamos escolher um símbolo simples que represente este ato de poupar que, pelo simples fato de ler estas linhas, você já está começando e que seja a imagem do somatório de todas as qualidades – já mencionadas – conquistadas ao poupar. Sugiro que você escolha uma moeda de 1 (um) centavo e marque-a com um arranhão ou com um furo, para que ela seja – e somente ela e não qualquer outra moeda – o símbolo dessa poupança que você está iniciando. Coloque-a em um lugar ao alcance de sua vista; exemplo: colada no telefone, relógio ou agenda de mesa, porta papeis etc. (a minha está colada no monitor de meu computador) e sempre que olhar para ela, lembre-se das qualidades que você está conquistando e a liberdade e a riqueza que está construindo. Pense sempre no presente e não no futuro; você não pode confundir sua mente procurando atingir um objetivo que está sempre na frente e que nunca será alcançado.

Corra agora e abra uma caderneta de poupança; cada vez que tenha qualquer ingresso de recursos financeiros, produto de comissões ou qualquer outro tipo de ganhos, imediatamente poupe 10% do valor recebido. O segredo é este: assim que você receber o dinheiro, aplique-o imediatamente. Para facilitar mais o ato de poupar esses 10%, quando você ganhar – por exemplo – uma comissão de R$ 200,00, pense que, na realidade, está recebendo R$ 180,00, pois os R$ 20,00 complementares por muito tempo não verão a luz do sol. Proponha-se a utilizar esse dinheiro em longo prazo, na compra de um imóvel, terreno ou mudança futura de sua casa ou apartamento. O excedente restante, que seguramente vai começar a aparecer com sua dedicação e disciplina, será utilizado para pagar as dívidas.

Quando suas dívidas estiverem “zeradas”, aí sim sugiro aumentar sua poupança em 5 ou 10% para realizar futuras compras de curto prazo como carro, viagens, decorações, eletro-eletrônicos etc. etc.

E tudo isso funciona? O autor destas linhas é a cobaia que experimentou exatamente ponto por ponto o aqui apresentado. Eu era um perdulário e gastador compulsivo e cheio das dívidas mais variadas que você possa imaginar, quanto a valores, tipo e tempo das mesmas (algumas com mais de 10 anos). Apliquei exatamente a receita acima e hoje em dia estou livre de todas as dívidas, repito, de todas as dívidas, com uma razoável poupança e com muitos projetos pela frente. Ahh! e o mais transcendente, a minha família segue também a mesma trilha.

Agora, podem acontecer três coisas: em primeiro lugar que alguns não acreditem em nada do que tiveram oportunidade de ler – e eu os respeito pois unanimidade, nem Jesus pôde conquistar; em segundo lugar que outros decidam experimentar só para ver o que acontece, sem muito compromisso e se os resultados não aparecerem dirão que “o sistema não funciona”. Finalmente, estarão aqueles que decidirão por em pratica estes conceitos com muita determinação, convicção e dedicação. A estes últimos lhes garanto um futuro pleno de sorrisos e peço-lhes que quando comprem um carro novo me convidem para passear pelo menos por um quarteirão. Sentirei-me muito feliz por vocês e também por eu ter contribuído na obtenção desses resultados.

Nada mais por ora; espero algum dia ver o castelo de vocês.

Até outra oportunidade, se Deus quiser.

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Daniel Gustavo C. Coulomb
O Eng. Daniel Gustavo C. Coulomb é consultor da FIX Consultoria.

O poder da mente humana

O que vocês vão ler agora é um trecho retirado da Revista Superinteressante de Julho de 2002.

A mente humana grava e executa tudo que lhe é enviado, seja através de palavras, pensamentos ou atos, seus ou de terceiros, sejam positivos ou negativos, basta que você os aceite.

Essa ação sempre acontecerá, independente se traga ou não resultados positivos para você.

Um cientista de Phoenix – Arizona, queria provar essa teoria. Precisava de um voluntário que chegasse às últimas conseqüências. Conseguiu um em uma penitenciária de Saint Louis no Estado de Missouri onde existe pena de morte a ser executada em cadeira elétrica.

Propôs a ele o seguinte: ele participaria de uma experiência científica, na qual seria feito um pequeno corte em seu pulso, o suficiente para gotejar o seu sangue até a última gota final. Ele teria uma chance de sobreviver, caso o sangue coagulasse. Se isso acontecesse, ele seria libertado, caso contrário ele iria falecer pela perda do sangue, porém, teria uma morte sem sofrimento e sem dor.

O condenado aceitou, pois era preferível do que morrer na cadeira elétrica e ainda teria uma chance de sobreviver.

O condenado foi colocado em uma cama alta, dessas de hospital e amarraram o seu corpo para que não se movesse. Fizeram um pequeno corte em seu pulso. Abaixo do pulso foi colocada uma pequena vasilha de alumínio. Seu sangue gotejaria na vasilha. O corte foi superficial e não atingiu nenhuma artéria ou veia, mas foi o suficiente para que ele sentisse que seu pulso fora cortado. Sem que ele soubesse, debaixo da cama tinha um frasco de soro com uma pequena válvula. Ao cortarem o pulso, abriram a válvula do frasco para que ele acreditasse que era o sangue dele que estava caindo na vasilha de alumínio. Na verdade, era o soro do frasco que gotejava. De 10 em 10 minutos o cientista, sem que o condenado visse, fechava um pouco a válvula do frasco e o gotejamento diminuía.

O condenado acreditava que era seu sangue que estava diminuindo. Com o passar do tempo, foi perdendo a cor e ficando cada vez mais pálido. Quando o cientista fechou por completo a válvula, o condenado teve uma parada cardíaca e faleceu, sem ter perdido sequer uma gota de sangue.

O cientista conseguiu provar que a mente humana cumpre, ao pé da letra, tudo o que lhe é enviado e aceito pelo seu hospedeiro, seja positivo ou negativo e que sua ação envolve todo o organismo, quer seja na parte orgânica ou psíquica.

Essa história é um alerta para filtrarmos o que enviamos para nossa mente, pois ela não distingue o real da fantasia, o certo do errado, mas simplesmente grava e cumpre o que lhe é enviado.

“Quem pensa em fracassar, já fracassou mesmo antes de tentar”.

“Somos o que pensamos e acreditamos ser!”

Mensagem a Garcia

O texto abaixo conta uma história que eu já não lembrava em seus detalhes, mas cuja mensagem eu nunca esqueci desde que meu pai a contou, quando eu tinha uns 10 anos de idade. O texto é um pouco longo, mas é leitura importantíssima para todos que planejam algum dia ter sucesso na vida. A mensagem é bastante simples e qualquer um pode entendê-la. Apesar de ter sido escrita em 1899, continua extremamente atual.

Antes do texto original, entretanto, cito uma mensagem escrita pelo autor, falando de seu famoso texto:

Esta insignificância literária, “UMA MENSAGEM A GARCIA”, escrevi-a uma noite, depois do jantar, em uma hora. Foi a 22 de fevereiro de 1899, aniversário natalício de Washington, e o número de março da nossa revista “Philistine” estava prestes a entrar no prelo. Encontrava-me com disposição para escrever, e o artigo brotou espontâneo do meu coração, redigido, como foi, depois de um dia afanoso, durante o qual tinha procurado convencer alguns moradores um tanto renitentes do lugar, que deviam sair de um estado comatoso em que se compraziam, esforçando-me por incutir-lhes radioatividade.

A idéia original, entretanto, veio-me de um pequeno argumento ventilado pelo meu filho Bert, ao tomarmos café, quando ele procurou sustentar ter sido Rowan o verdadeiro herói da Guerra de Cuba. Rowan pôs-se a caminho só e deu conta do recado – levou a mensagem a Garcia. Qual centelha luminosa, a idéia assenhorou-se de minha mente. É verdade, disse comigo mesmo, o rapaz tem toda razão, o herói é aquele que dá conta do recado – que leva a mensagem a Garcia.

Levantei-me da mesa e escrevi “Uma mensagem a Garcia” de uma assentada. Entretanto, liguei tão pouca importância a este artigo, que até foi publicado na Revista sem qualquer título. Pouco depois da edição ter saído do prelo, começaram a chegar pedidos para exemplares avulsos do número de março do “Philistine”: uma dúzia, cinqüenta, cem, e quando a American News Company encomendou mais mil exemplares, perguntei a um dos meus empregados qual o artigo que havia levantado o pó cósmico.

– “Esse de Garcia” – retrucou ele.

No dia seguinte chegou um telegrama de George H. Daniels, da Estrada de Ferro Central de Nova York, dizendo: “Indique preço para cem mil exemplares artigo Rowan, sob forma folheto, com anúncios da estrada de ferro no verso. Diga também quando pode fazer a entrega”.

Respondi indicando o preço, e acrescentando que podia entregar os folhetos dali a dois anos. Dispúnhamos de facilidades restritas e cem mil folhetos afiguravam-se um empreendimento de monta.

O resultado foi que autorizei o Sr. Daniels a reproduzir o artigo conforme lhe aprouvesse. Fê-lo então em forma de folhetos, e distribuiu-os em tal profusão que, duas ou três edições de meio milhão se esgotaram rapidamente. Além disso, foi o artigo reproduzido em mais de duzentas revistas e jornais. Tem sido traduzido, por assim dizer, em todas as línguas faladas.

Aconteceu que, justamente quando o Sr. Daniels estava fazendo a distribuição da mensagem a Garcia, o príncipe Hilakoff, Diretor das Estradas de Ferro Russas, se encontrava neste país. Era hóspede da Estrada de Ferro Central de Nova York, percorrendo todo o país acompanhando o Sr. Daniels. O Príncipe viu o folheto, que o interessou, mais pelo fato de ser o próprio Sr. Daniels que o estava distribuindo em tão grande quantidade, que propriamente por qualquer outro motivo.

Como quer que seja, quando o príncipe retornou à sua Pátria mandou traduzir o folheto para o russo e entregar um exemplar a cada empregado da estrada de ferro na Rússia. O breve trecho foi imitado por outros países; da Rússia o artigo passou para a Alemanha, França, Turquia, Hindustão e China. Durante a guerra entre a Rússia e o Japão, foi entregue um exemplar da “Mensagem a Garcia” a cada soldado que se destinava ao front.

Os japoneses, ao encontrar os livrinhos em poder dos prisioneiros russos, chegaram à conclusão de que havia de ser coisa boa, e não tardaram em vertê-lo para o japonês. Por ordem do Mikado foi distribuído um exemplar a cada empregado, civil ou militar do Governo Japonês.

Para cima de quarenta milhões de exemplares de “Uma mensagem a Garcia” têm sido impressos, o que é sem dúvida a maior circulação jamais atingida por qualquer trabalho literário durante a vida do autor, graças a uma série de circunstâncias felizes.

East Aurora, em 1o. de dezembro de 1913.
Elbert Hubbard

Vamos finalmente ao famoso texto:

MENSAGEM A GARCIA

Elbert Hubbard
(22/2/1899)

Em todo este caso cubano, um homem se destaca no horizonte de minha memória como o planeta Marte no seu periélio. Quando irrompeu a guerra entre a Espanha e os Estados Unidos, o que importava a estes era comunicar-se rapidamente com o chefe dos insurretos, Garcia, que se sabia encontrar-se em alguma fortaleza no interior do sertão cubano, mas sem que se pudesse precisar exatamente onde. Era impossível comunicar-se com ele pelo correio ou pelo telégrafo. No entanto, o Presidente [Mac Kinley] tinha que tratar de assegurar-se da sua colaboração, e isto o quanto antes. Que fazer?

Alguém lembrou ao presidente: “Há um homem chamado Rowan; e se alguma pessoa é capaz de encontrar Garcia, há de ser Rowan”.

Rowan foi trazido à presença do Presidente, que lhe confiou uma carta com a incumbência de entregá-la a Garcia. De como este homem, Rowan, tomou a carta, meteu-a num invólucro impermeável, amarrou-a sobre o peito, e, após quatro dias saltou, de um barco sem coberta, alta noite, nas costas de Cuba; de como se embrenhou no sertão, para, depois de três semanas, surgir do outro lado da ilha, tendo atravessado a pé um país hostil e entregado a carta a Garcia, são coisas que não vêm ao caso narrar aqui pormenorizadamente. O ponto que desejo frisar é este: Mac Kinley deu a Rowan uma carta para ser entregue a Garcia; Rowan pegou a carta e nem sequer perguntou: “Onde é que ele está?”

Hosannah! Eis aí um homem cujo busto merecia se fundido em bronze perene e sua estátua colocada em cada escola do país. Não é de sabedoria livresca que a juventude precisa, nem de instrução sobre isto ou aquilo. Precisa, sim, de um endurecimento das vértebras, para poder mostrar-se altiva no exercício de um cargo; para atuar com diligência, para dar conta do recado; para, em suma, levar uma mensagem a Garcia.

O general Garcia já não é deste mundo, mas há outros Garcias. A nenhum homem que se tenha empenhado em levar avante um empresa, em que a ajuda de muitos se torne precisa, têm sido poupados momentos de verdadeiro desespero ante a imbecilidade de grande número de homens, ante a inabilidade ou falta de disposição de concentrar a mente numa determinada coisa e fazê-la.

Assistência irregular, desatenção tola, indiferença irritante e trabalho mal-feito parecem ser a regra geral. Nenhum homem pode ser verdadeiramente bem-sucedido, salvo se lançar mão de todos os meios ao seu alcance, quer da força, quer do suborno, para obrigar outros homens a ajudá-lo, a não ser que Deus onipotente, na sua grande misericórdia, faça um milagre enviando-lhe como auxiliar um anjo de luz.

Leitor amigo, tu mesmo podes tirar a prova. Estás sentado no teu escritório, rodeado de meia dúzia de empregados. Pois bem, chame um deles e peça-lhe: “Queira ter a bondade de consultar a enciclopédia e de me fazer uma descrição sucinta da vida de Corregio.”

Dar-se-á o caso do empregado dizer calmamente: “Sim, senhor” e executar o que lhe pediu?

Nada disso! Olhar-te-á perplexo e de soslaio para fazer uma ou mais das seguintes perguntas:

Quem é ele?

Que enciclopédia?

Onde é que está a enciclopédia?

Fui eu acaso contratado para fazer isso?

Não quer dizer Bismarck?

E se Carlos o fizesse?

Já morreu?

Precisa disso com urgência?

Não será melhor que eu traga o livro para que o senhor mesmo procure o que quer?

Para que quer saber disso?

E apostos dez contra um que, depois de haveres respondido a tais perguntas, e explicado a maneira de procurar os dados pedidos e a razão por que deles precisas, teu empregado irá pedir a um companheiro que o ajude a encontrar Garcia, e depois voltará para te dizer que o tal homem não existe. Evidentemente, pode ser que perca a aposta; mas, segundo a lei das médias, jogo na certa. Ora, se fores prudente não te darás ao trabalho de explicar ao teu “ajudante” que Corregio se escreve com “C” e não com “K” , mas limitarás a dizer-lhe meigamente, esboçando o melhor sorriso: “Não faz mal; não se incomode”, e, dito isto, te levantarás e procurarás tu mesmo. E esta incapacidade de atuar independentemente, esta inépcia moral, esta invalidez da vontade, esta atrofia de disposição de solicitamente se pôr em campo e agir – são as causas que recuam para um futuro tão remoto o advento do socialismo puro. Se os homens não tomam iniciativa de agir em seu próprio proveito, que farão quando o resultado do seu esforço for necessário para redundar em benefício de todos? Por enquanto parece que os homens ainda precisam de ser feitorados. O que mantém muito empregado no seu posto e o faz trabalhar é o medo de, se não fizer, ser despedido no fim do mês. Anuncie precisar de um taquígrafo, e nove entre dez candidatos à vaga não saberão ortografar nem pontuar – e, o que é pior, pensam que não é necessário sabê-lo.

Poderá uma pessoa destas escrever uma carta a Garcia?

“Vê aquele guarda-livros”, dizia-me o chefe de uma grande fábrica.

“Sim, que tem?”

“É um excelente guarda-livros. Contudo, se eu o mandasse transmitir um recado, talvez se desobrigasse da incumbência a contento, mas também podia muito bem ser que no caminho entrasse em duas ou três casas de bebidas, e que, quando chegasse ao seu destino, já não se recordasse da incumbência que lhe fora dada. ”

Será possível confiar a um tal homem uma carta para entregá-la a Garcia?

Ultimamente temos ouvido muitas expressões sentimentais, externando simpatia para com os pobres entes que mourejam de sol a sol, para com os infelizes desempregados à cata de trabalho honesto, e tudo isto, quase sempre entremeado de muita palavra dura para com os homens que estão no poder.

Nada se diz do patrão que envelhece antes do tempo, num baldado esforço para induzir eternos desgostosos e descontentes a trabalhar conscienciosamente; nada se diz de sua longa e paciente procura de pessoal, que, no entanto, muitas vezes nada mais faz do que “matar o tempo”, logo que ele volta as costas. Não há empresa que não esteja despedindo pessoal que se mostra incapaz de zelar pelos seus interesses, a fim de substituí-lo por outro mais apto. Este processo de seleção por eliminação está se operando incessantemente, em tempos adversos, com a única diferença que, quando os tempos são maus e o trabalho escasseia, a seleção se faz mais escrupulosamente, pondo-se fora, para sempre, os incompetentes e os inaproveitáveis. É a lei da sobrevivência do mais apto. Cada patrão, no seu próprio interesse, trata somente de guardar os melhores – aqueles que podem levar uma mensagem a Garcia.

Conheço um homem de aptidões realmente brilhantes, mas sem a fibra precisa para gerir um negócio próprio e que, ademais, se torna completamente inútil para qualquer outra pessoa, devido à suspeita insana que constantemente abriga de que seu patrão o esteja oprimindo ou tencione oprimi-lo. Sem poder mandar, não tolera que alguém o mande. Se lhe fosse confiada uma mensagem a Garcia, retrucaria provavelmente: “Leve-a você mesmo”.

Hoje este homem perambula errante pelas ruas em busca de trabalho, em quase petição de miséria. No entanto, ninguém que o conheça se aventura a dar-lhe trabalho porque é a personificação do descontentamento e do espírito de réplica. Refratário a qualquer conselho ou admoestação, a única coisa capaz de nele produzir algum efeito seria um bom pontapé dado com a ponta de uma bota número 42, sola grossa e bico largo.

Sei, não resta dúvida, que um indivíduo moralmente aleijado como este não é menos digno de compaixão que um fisicamente aleijado. Entretanto, nesta demonstração de compaixão, vertamos também uma lágrima pelos homens que se esforçam por levar avante uma grande empresa, cuja horas de trabalho não estão limitas pelo som do apito e cujos cabelos ficam prematuramente encanecidos na incessante luta em que estão empenhando contra a indiferença desdenhosa, contra a imbecilidade crassa e a ingratidão atroz justamente daqueles que, sem o seu espírito empreendedor, andariam famintos e sem lar.

Dar-se-á o caso de eu ter pintado a situação em cores demasiado carregadas? Pode ser que sim; mas, quando todo mundo se apraz em divagações, quero lançar uma palavra de simpatia ao homem que imprime êxito a um empreendimento, ao homem que, a despeito de uma porção de empecilhos, sabe dirigir e coordenar os esforços de outros, e, que, após o triunfo, talvez verifique que nada ganhou; nada, salvo a sua mera subsistência.

Também eu carreguei marmitas e trabalhei como jornaleiro, como também tenho sido patrão. Sei, portanto, que alguma coisa se pode dizer de ambos os lados.

Não há excelência na pobreza de per si; farrapos não servem de recomendação. Nem todos os patrões são gananciosos e tiranos, da mesma forma que nem todos os pobres são virtuosos.

Todas as minhas simpatias pertencem ao homem que trabalha conscienciosamente, quer o patrão esteja, quer não. E o homem que, ao lhe ser confiada uma carta para Garcia, tranqüilamente toma a missiva, sem fazer perguntas idiotas, e sem a intenção oculta de jogá-la na primeira sarjeta que encontrar, ou praticar qualquer outro feito que não seja entregá-la ao destinatário, este homem nunca fica “encostado”, nem tem que se declarar em greve para forçar um aumento de ordenado.

A civilização busca ansiosa, insistentemente, homens nestas condições. Tudo que um tal homem pedir, se lhe há de conceder. Precisa-se dele em cada cidade, em cada vila, em cada lugarejo, em cada escritório, em cada oficina, em cada loja, fábrica ou venda. O grito do mundo inteiro praticamente se resume nisso: Precisa-se, e precisa-se com urgência, de um homem capaz de levar uma mensagem a Garcia.

O quanto você quer isso?

O artigo de John Colanzi, é sobre pagar o preço do sucesso. Qualquer novo negócio envolve uma curva de aprendizado que pode ser maior ou menor. Negócios na Internet, por exemplo, são muito mais baratos de se começar que a maioria dos negócios tradicionais, mas há um preço. Como Maynerd G. Crebs costuma dizer, “Trabalhe!”.

Se você está cansado de acordar cedo, sair tarde, ter que ir ao escritório todos os dias, responder aos chefes, trabalhe um pouco agora e você poderá ganhar sua recompensa no futuro próximo.

Leia o artigo de hoje e decida por sí mesmo. “O Quanto Você Quer Isto?”.

John é um escritor da Internet com vários relatórios e ebooks publicados. Escreve a mais de 3 anos neste meio, sendo considerado um dos melhores em sua área.

Vamos ao texto do John…

O Quanto Você Quer Isto?
Por John Colanzi

O quanto você quer o sucesso?

Será o sucesso algo que você realmente deseja e pretende trabalhar para obter, ou é apenas um sonho distante?

Infelizmente para muitos é apenas um sonho diário. A grande maioria das pessoas que começam um negócio online pensando que a rede é pavimentada com ouro, termina muito desapontada.

Porque isso?

Eles não tem interesse em pagar o preço. Eles não querem isto o suficiente para pagar o preço.

Amigos, não há almoço grátis. Não há fórmula mágica.

Para ganhar dinheiro online é necessário muito trabalho, se não mais do que você trabalha em seu serviço atual.

Não apenas trabalho, requer também muito estudo. Como você espera bater a grande taxa de quebra das empresas online se não está disposto a aprender o que é preciso para ter sucesso.

Você pretende ser advogado sem cursar direito?

Você pretende realizar cirurgias sem estudar medicina?

Claro que não!

Então me diga, como você pretende ficar rico online sem aprender seu negócio?

Se você não pretende aprender antes de ganhar, você está garantindo sua derrota.

Depois de alimentar sua cabeça, o próximo preço a pagar é ganhar experiência e tomar a responsabilidade total para seu sucesso ou fracasso.

A subida da montanha não é sempre fácil. Você pode dar dois passos a frente e então um atrás.

Este é o primeiro teste em sua jornada. Você pretende continuar depois deste passo atrás ou vai fazer como tantos que nunca acabam nada que começam?

Eles começam a gritar que você não pode ganhar dinheiro online. Eles começam a lamentar e chorar “pobre de mim”, tudo é uma fraude.

Besteira!!!

Se você nào pretende passar um tempo na escola das dificuldades e aprender com seus erros, você não deve nem começar.

Você não pretende pagar o preço.

Finalmente chegamos ao ponto. Você está disposto a tomar toda a responsabilidade pelo seu sucesso?

Querer tomar toda a responsabilidade é o que separa o joio do trigo.

Posso dizer-lhe agora mesmo, baseado em alguns dos e-mails que recebo, que muitas pessoas tem problemas em tomar a responsabilidade para si.

Eles querem que eu garanta que eles terão sucesso. Eles querem que eu diga quanto eles vão ganhar.

Não posso fazer isso. Não sei o quanto eles estão dispostos a trabalhar para seu negócio.

Não sei quanto tempo eles vão usar alimentando seus cérebros.

Além do mais, não tenho como saber se eles terão a persistência necessária para varrer a poeira e se levantar novamente quando cairem.

Somente você pode decidir se está disposto a pagar o preço necessário para vencer.

Tudo valioso na vida requer que paguemos um preço. Seja isso ua daquelas coisas que você não pode deixar de ter, seja seu novo negócio.

Há um preço a pagar.

Você pretende pagar ele?

Eu sei que você pode ter sucesso, mas você é a única pessoa que pode garantir isto.

Desejando sucesso,
John Colanzi.